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Rio Preto: A revolta extrema de um negro humilhado Por:Romero Cardoso

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Luiz era seu nome de batismo, mas foi imortalizado tragicamente nas crônicas da violência do século dezenove pelo apelido cangaceiro de Rio Preto. Não tinha bando próprio, agia sozinho, pois preferiu destilar seu ódio solitário pelas quebradas do sertão.

Luiz nasceu em Pombal (PB), foi criado, melhor dizer acolhido na humilhação extrema, pelo sacerdote católico Amâncio Leite, que não poupou em nenhum momento o pobre Luiz das mais vexatórias e ignominiosas manifestações de escárnio visando massagear ego doentio condicionado pelo histórico racismo que marca o imaginário de pessoas sem formação e detentor de falsa devoção a Deus, que não difere negros, brancos, amarelos ou vermelhos.

Não seria de estranhar que nêgo Luiz despertasse revolta incontida contra a sociedade de sua época. Ganhou as caatingas sertanejas feito fera bravia sem limites para a violência que disseminou. Sequestrava mocinhas brancas, seviciava-as e depois de torturá-las ao extremo, reservava-lhes morte cruel e desumana. O covil no qual se homiziava era cheio de ossos dessas infelizes que tiveram a desdita de cair em suas garras tenebrosas. Imitava com invulgar perfeição o rincho de um jumento, razão pela qual o terror era instalado no coração das pessoas quando ouviam o som estridente do animal que conduziu Jesus quando da fuga para o Egito, fugindo das perseguições romanas impostas por Heródoto.

Professor Romero Cardoso

Rio Preto foi um cangaceiro semelhante a Lucas da Feira, cuja perversidade marcou época na Bahia. O modus operandi de ambos foi marcado pela ferocidade como agiam, pela forma como extravasou o ódio contra as estruturas da sociedade de suas épocas. Diziam que Rio Preto tinha feito pacto com o demônio, pois se propalou que o cangaceiro era imune a facas e balas, nada o atingia, pois além de tudo era dotado de “encantamentos”, transformando-se em tocos ou pedras quando alguma força volante estava em diligência a fim de capturá-lo. Rio Preto tinha inúmeras mortes nas costas, era o terror de Pombal (PB) e áreas fronteiriças das Províncias Parahybana e norte-riograndense. A ira implacável de nêgo Luiz fez muitos sertanejos tremerem de medo durante décadas.

Afirmo categoricamente que o responsável pela gênese do malvado cangaceiro paraibano foi o Padre Amâncio Leite. Esse foi o principal responsável pelo terror instalado no sertão devido a forma extremamente perversa como tratou a criança desde a mais tenra idade, infringindo-lhe castigos terríveis que forjaram a personalidade doentia e criminosa de Rio Preto. Mas nêgo Luiz não tinha o corpo fechado como se dizia. Responsável pela morte de um fazendeiro em Pombal (PB), Rio Preto foi alvo de uma tocaia montada pelos filhos do sertanejo assassinado. Chovia aos tântaros quando os adolescentes escalaram os clavinotes em direção ao cangaceiro. Haviam colocado algodão nas agulhas das armas, para facilitar os disparos na enxurrada.

A fama de mau de Rio Preto era tão conhecida que os dois rapazes não esperaram para constatar se havia consumado a vingança. Mas Rio Preto resistiu com estoicismo aos disparos, sendo encontrado por forças policiais estertorando. Conduzido à cadeia de Pombal (PB), considerada a mais segura do sertão setentrional, Rio Preto faleceu em uma das celas, morrendo sem se arrepender dos crimes abomináveis que cometeu em suas estrepolias violentas pelas veredas da terra do sol.

Romero Cardoso
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28 de Julho, 72 anos de culto ao heroi errado Por:Luiz Berto

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 Tenente João Bezerra

Uma simbiose perfeita entre o homem e a natureza oferece, atualmente, um espetáculo fulgurante às cidades de Piranhas (Alagoas) e Canindé do São Francisco (Sergipe) com belíssimas paisagens, exóticas formações rochosas, águas cristalinas, trilhas ecológicas; e, sobretudo, uma singularidade ímpar de vegetação diferenciadamente exuberante e diversificada fauna.Navegando pelo Velho Chico (aquele da “unidade nacional”), mais ao sul do lado sergipano entre cânions e rochas, ninhais de garças, praias fluviais e ilhas flutuantes, encontramos o município de Poço Redondo, na antiga região de campo-santo do Morgado do Porto da Folha; e, mais precisamente, após uma trilha de aproximadamente meio quilômetro, nos deparemos com a histórica Grota do Angico.

Tal Grota testemunhou, há exatos 70 anos, a derrocada do “Cangaço” quando da morte de Lampião, Maria Bonita e mais nove cangaceiros. Tal empreitada foi comandada pelo célebre, e historicamente esquecido, comandante das “Volantes”, Tenente João Bezerra da Silva (Foto), da Polícia Militar de Alagoas, na manhã da quinta-feira 28 de julho de 1938.

Entendendo-se o Cangaço como hordas de bandoleiros e salteadores que aterrorizavam as cidades e povoados da região, marcadas pelo medo, pânico, pavor, terror e desmedida violência. Entendendo-se, por outro lado, as Volantes como forças policiais surgidas na década de 1920, itinerantes e de rápido emprego tático em ações no interior dos enfeudados sertões do nordeste “sub-saariano” brasileiro e criadas para combaterem este fenômeno fora-da-lei; poderemos conhecer o real significado do acontecimento, ora em transcurso, para estas ordeiras e honestas comunidades sequiosas de desenvolvimento e melhor qualidade de vida.

Contudo, não devemos nos esquecer que, na gênese do cangaço, mormente sua atividade criminosa e não justificada, manifestava-se uma forte reação social ao obtuso poder central, ao descaso dos políticos regionais e aos “coronéis de terra”, responsáveis pela miséria, trabalho servil e pelo abandono das populações interioranas da região Nordeste do Brasil.

Volante de João Bezerra

Portanto, em vez de se querer “endeusar”, “martirizar” ou “canonizar” a figura de um bandido; conclamamos que seja feita uma revisão histórica dos fatos, atos e personagens envolvidos nos episódios em pauta. Talvez, se conhecêssemos melhor o verdadeiro papel das Polícias Militares (Força Pública ou Brigada Militar, à época) - em particular - as Forças Volantes; e, mais ainda, a trajetória policial-militar do Coronel Bezerra (então Tenente); talvez, não se cultuassem facínoras ou heróis errados de todos os matizes.

Luiz Berto; Blog Besta Fubana: http://www.luizberto.com/?p=5124
Fonte: lampiaoaceso.blogdspot.com
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O Recado de Miguel Teles

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Miguel Teles

Parabéns pela Programação. Fui um dos coordenadores dos Seminários Cangaço: Histórias e Revivências (Salvador, 2008) e Centenário Maria Bonita. Como amante das coisas do cangaço, ando gastando as alpercatas e enchendo meus bornais com este tema apaixonante. Pena que este ano não estarei presente. Sucesso!

Saudações caatingueiras,

Miguel Teles
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Paulo Gastão, o Cariri de Coração Novo!

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Paulo Gastão e Dona Maria das Graças

Caro Severo, bom dia!!

De coração desentupido volto as veredas da cultura para conviver com os amigos e partilhar do conhecimento de todos.

As preocupações se dissiparam e é chegada a hora de trabalhar.Tomo conhecimento do bom andamento do II Seminário Cariri Cangaço. Parabéns pelo sucesso antecipado. Não tenho conseguido abrir o blog cariricangaco, inclusive para fazer minha inscrição. Chegarei a tempo para efetuar as exigências da Coordenação.
 
Fico no seu aguardo com meu 'novo' coração. Favor levar meu abraço a Dani e meninada.
A voce um abraço de volta e meia.

Paulo Cariri Gastão.
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O Massilon de Honório Medeiros Por:Kydelmir Dantas

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Lançamento de Massilon de Honório de Medeiros no Cariri Cangaço 2010

Quando da realização do XI Fórum do Cangaço, promovido pela SBEC (Mossoró – 2008) o Professor Doutor Honório de Medeiros já nos abrilhantava com uma palestra sobre este personagem, importante na história do ataque de Lampião e seus cabras a Mossoró, sob o título: Quem foi Massilon?


Neste ínterim já se referia a uma ‘nova onda do cangaço’, surgida a partir do momento em que os focos dos pesquisadores deixaram de ser apenas o cangaceiro Lampião, mas viraram-se para os demais componentes e/ou participantes deste fenômeno sócio cultural do Nordeste brasileiro, o Cangaço.


Algumas pessoas desavisadas, quando se fala no tema, acham que cangaço é apenas a imagem do que foi Lampião – herói, pra seus amigos, e bandido, para seus inimigos e vítimas – e o que é – o mito criado e pesquisado na atualidade. Esquecem que o cangaço foi uma moeda de duas faces: De um lado, os cangaceiros, coronéis e coiteiros; d’outro, as forças legais, representadas pelas Polícias estaduais, as volantes e, também, os coronéis.


Em verdade, Honório de Medeiros não foi o primeiro a desviar sua pesquisa para um personagem secundário (?) da história do cangaço - outros nomes já foram estudados e apresentados - mas foi, com certeza, o que mais aprofundou-se na vida de Massilon Leite, considerado um dos mentores do assalto a Mossoró, juntamente com o Coronel Isaías Arruda, de Aurora – CE.


Em seu livro, “Massilon (Nas veredas do Cangaço e outros temas afins), Honório apresenta o resultado de uma pesquisa séria e de longo percurso, com mais de seis anos, nas pegadas deste homem. Antes, porém, imprime suas pegadas memoriais no início do século XX, vislumbrando o Rio Grande do Norte, Mossoró e o Sertão daqueles tempos. A partir deste viés, passa a acompanhar os passos do vaqueiro, comprador e vendedor de reses, desde o seu nascimento, ‘provavelmente em Timbaúba dos Mocós – PE’, segundo o autor, até sua morte, em Caxias – MA, no ano de 1928.


Além disto, que é o tema principal do mesmo, o livro traz dados, datas, fatos e informações sobre personagens e temas correlatos à ‘Resistência de Mossoró’ ao ataque dos cangaceiros comandados pelo ‘capitão Virgolino Lampião’, como este se assinou no bilhete escrito de próprio punho e enviado ao Prefeito Rodolpho Fernandes, naquele dia fatídico para Lampião e seus bandidos, 13 de junho, e vitorioso para Mossoró e seus dignos cidadãos e heróis da resistência, naquela tarde de uma segunda-feira de 1927.


Com mais este trabalho, a bibliografia cangaceira ganha um livro de peso, de um pesquisador que dignifica e faz parte da ‘Nova Onda do Cangaço’, que é mostrar e deixar para as novas e futuras gerações o registro sério de nossa História. Que outro(a)s apareçam e façam o mesmo. Com as nossas saudações Sbequianas!

Kydelmir Dantas; Poeta, pesquisador e escritor de temas ligados ao Nordeste brasileiro; de Nova Floresta – PB, radicado em Mossoró – RN. Sócio-fundador da SBEC.

NOTA CARIRI CANGAÇO: Por ocasião do Cariri Cangaço 2010, teremos a satisfação de promovermos o lançamento da mais nova obra do confrade e amigo Honório de Medeiros; "Massilon, nas veredas do cangaço e outros temas afins". A programação de Lançamento será na noite do dia 18 de agosto quando o Cariri Cangaço será acolhido pela Universidade Regional do Cariri - URCA, na maravilhosa cidade do Crato.
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Cerrado e Caatinga - Patrimônios Nacionais

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Os senadores aprovaram a Proposta de Emenda Constitucional 51/2003 que transforma o cerrado e a caatinga em patrimônios nacionais. A chamada “PEC da caatinga e do cerrado” ganhou 51 votos favoráveis e segue agora para exame na Câmara dos Deputados.



O primeiro signatário da proposta, senador Demóstenes Torres (DEM-GO) observou que, com a aprovação, o cerrado equipara-se à floresta amazônica e ao pantanal mato-grossense, deixando de ser um "subpatrimônio". Ele acrescentou que a proposta repara um erro histórico da Assembleia Nacional Constituinte e não prejudica em nada o desenvolvimento econômico sustentável do país, na medida em que o cerrado já está integrado à cadeia produtiva, tendo se tornado grande produtor de grãos e de leite.



O senador Marco Maciel (DEM-PE) considerou que a aprovação da PEC beneficia o cerrado, em especial no semiárido nordestino. Demóstenes avalia que a proposta tem o objetivo corrigir uma falha que carece de justificativa científica e resultou na restrita divulgação da importância dessas áreas.



Pela Constituição, a floresta amazônica, a mata atlântica, a serra do mar, o pantanal mato-grossense e a zona costeira são patrimônio nacional, e sua utilização deve ser feita de forma a assegurar a preservação do meio ambiente. Demóstenes avalia, no entanto, que a importância de incluir o cerrado entre esses biomas decorre, não só do fato de ocupar cerca de um quarto do território nacional, mas, principalmente, de englobar ampla variedade de ecossistemas e elevada diversidade biológica que se manifesta na fauna e flora.



Quanto à caatinga, que ocupa cerca de 850 mil quilômetros quadrados no semiárido nordestino e interage com o cerrado, caracteriza-se por apresentar notável diversidade de fauna e flora. O autor diz que é o bioma brasileiro mais severamente devastado pela ação do homem. "Não podemos permanecer inertes frente à dilapidação do patrimônio natural representado por essas formações vegetais. Urge superar a concepção falsa de que a proteção da Amazônia, da mata atlântica e do pantanal reveste-se de maior importância que no caso dos demais biomas", disse Demóstenes.

FONTE: AGENCIA SENADO  Cortesia - Alfredo Bonessi
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Inscrições Abertas para Cariri Cangaço 2010

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As Inscrições para o Cariri Cangaço 2010 estão abertas, e este ano será muito mais fácil participar, não precisa preencher Ficha, basta nos enviar um email para o endereço abaixo:


Com os dados abaixo:

NOME
TELEFONE
ENDEREÇO
EMAIL
ATIVIDADE PROFISIONAL

Pronto! Já está inscrito para um dos maiores eventos do Cangaço no Brasil!
Seja bem vindo, faça já a sua Inscrição.

Produção Cariri Cangaço
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Faleceu o Homem que enterrou Lampião Por:Ivanildo Silveira

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A notícia não é nova e ao mesmo tempo sim pois foi disseminada entre poucos pesquisadores. Como trata-se de personagem secundária a grande mídia que já não toma conhecimento ou raramente noticia fatos de outros coadjuvantes que dirá uma personagem secundária. Recebemos a informação somente ontem, através do pesquisador e escritor Antonio Vilela, que faleceu o policial volante GEMINIANO LUIS SARMENTO- o Cabo Grilo. Morador de Entremontes - AL (vide foto abaixo). Foi este homem que teve a incumbência de enterrar e desenterrar LAMPIÃO. A causa da morte foi um ataque cardíaco, no dia 20 de abril/10.



Cabo grilo fazia parte da volante de Ten. João Bezerra, e ficou na retaguarda no combate de Angicos/SE, tendo chegado ao local, depois da morte dos cangaceiros.Em entrevista ao pesquisador "VILELA", assim se pronunciou o CABO GRILO:



" Eu cheguei depois das mortes ( Lampião..). Eu fui enterrar os corpos uns quatro dias depois. Os corpos podres, fedendo feito á porra. Quartorze dias depois, fui desenterrar novamente... (por ordem do Ten. José Lucena )..."
Convém ressaltar, que a cangaceira MARIA, companheira de JURITI , também faleceu há algum tempo atrás, porém não temos maiores informações. Como se vê, existem hoje, poucos ex-cangaceiros e ex-policiais sobreviventes do ciclo do cangaço para contar a história.



Um abraço a todos



IVANILDO ALVES SILVEIRA
Colecionador do cangaço
 
Fonte: a partir do espetacular lampiãoaceso.blogspot , do amigo Kiko Monteiro
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Missão Velha e o Fogo da Rua do Trilho de Ferro Por: Bosco André

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Estação de Missão Velha

O dia 15 de março de 1926 em Missão Velha, foi marcado pelas mortes do Tenente Fernando Porto e do Sargento José Pereira do Nascimento, que desencadearia grande perseguição a Zé Gonçalves e seus homens, todos ligados a Izaias Arruda. O tiroteio aconteceu na Rua Trilho de Ferro, nas proximidades da atual Estação Ferroviária, mais precisamente, no hoje cruzamento da Rua Trilho de Ferro com a Rua São Francisco. No fogo se envolveram pessoas ligadas diretamente ao Cel. Izaias Arruda; como Júnior Arruda, seu irmão, José Pereira de Figueiredo, seu primo e mais os cangaceiros do seu grupo: Manoel Salgueiro, Raimundo Gomes dos Santos, seu parente e cunhado de Zé Gonçalves, Raimundo Budú, Doca Chufer, Ferrugem, primo de Zé Gonçalves e mais tarde integrante do Bando de Lampião, João Serra, Agripino, Pela Onça, João Pedro e Paulo Gomes de Matos; conforme Inquérito Policial conclusivo datado de 04 de maio de 1926, presidido pelo Major Álvaro Weyne – Delegado de Polícia de Fortaleza, que veio a Missão Velha, especialmente para este procedimento investigativo..

No tocante as mortes do Tenente Porto e do Sargento Zé Pereira, acima referidas, o Sr. José Gonçalves de Lucena, esteve sempre na linha de frente, mais muito estrategista não aparecia nas crônicas policiais, assim, contou-me, que no mês de abril de 1926, numa tarde nublada, notou a presença de pessoas desconhecidas na Cidade, corria a investigação sobre o crime acontecido no dia 15 de março pretérito.

O Cel. Izaias, estava viajando, então contatou com todos os companheiros (os cangaceiros de Izaias), que deveriam ao anoitecer apanharem as suas armas em casa de Antonio Brasileiro, pois as armas ficavam em lugar diferente do que se esperava, que deveria ser na casa de Izaias, segundo ele, a casa de Brasileiro, ficava guarnecida por matapastos, arbusto de pequeno porte; então foram apanhar as armas à hora marcada, rastejando como cobra por dentro do matapasto.

Todos armados e bem municiados, quando por volta das 21 horas, a polícia abriu fogo contra a casa de Zé Gonçalves, recém casado, que morava na antiga Rua do Brejo, hoje Dom Carloto, más aquela altura dos acontecimentos, Zé Gonçalves já havia retirado a sua esposa para a casa do seu sogro Bernardino Gomes dos Santos. Zé Gonçalves e os cangaceiros, se encontravam dentro do brejo em frente a casa alvo do tiroteio da polícia e aí eles também abriram fogo contra a policia e se refugiaram no Sítio Poções, na encosta da Serra do Mãozinha, onde passaram a se alimentar com milho verde cru, pois sabiam da notícia de que a policia estava em seus encalces e não podiam dar o menor sinal dos seus paradeiros, não podendo sequer acender um fogo para fazer os seus alimentos, passados uns oito dias nos Poções, Júnior Arruda, disse que não agüentava mais aquela vida, tendo Zé Gonçalves, lhe dito: “nós estamos aqui por sua culpa” e combinaram irem para o Sítio Barreiras de Missão Nova, onde morava Antonio Arruda, irmão mais velho do Cel. Izaias e ali chegaram ainda pela madrugada. Zé Gonçalves ficou recolhido dentro do mato, enquanto os demais cangaceiros foram para a casa de Antonio Arruda, a procura do que comer. Pois segundo a notícia corrente, era que a ordem que viera de Fortaleza, era para levar a cabeça de Zé Gonçalves, líder e mentor do grupo de Izaias.

Passado o dia nas Barreiras, sem maiores vexames e Zé Gonçalves, sempre recolhido ao mato, para onde foram mandados fartos pratos para a sua alimentação e segundo o próprio Zé Gonçalves, “a noite com uma saudade danada de Dona Senhora (sua mulher), subiu até a casa do fazendeiro conhecido por Dezembro, nas Barreiras de Cima e ali comprou uma vaca para ser abatida por seu pai Joaquim Gonçalves de Lucena (pai de Zé Gonçalves) (que era magarefe em Missão Velha), rumando à cidade, tangendo a vaca e o mosquetão de lado, ao chegar próximo a cidade, deixou a vaca num curral de propriedade do Sr. Pedro Rocha e seguiu seu destino, ao se aproximar da entrada de Missão Velha, notou um converseiro e achou que era a polícia, então desviou a sua rota e saiu por dentro do brejo e daí para a casa do seu sogro, onde se encontrava a sua mulher.

Zé Gonçalves, homem de confiança de Izaias Arruda

Por traz da casa do Sr. Bernardino, morava um soldado de nome Zé Pereira e Zé Gonçalves, achava que podia confiar, viu de dentro do mato que Zé Pereira estava no meio da sala, sentado ao chão, comendo alguma coisa, eram mais ou menos meia noite e na sala uma lamparina acesa, dando a sua luminosidade para os matos, pois aquela época Missão Velha era da atual Rua Rosalvo Maia para a Rua da Várzea. Zé Gonçalves, contra a luz do candieiro pulou como um gato, dentro da casa do Soldado Zé Pereira, e, este, pegando o seu rifle, viu que era Zé Gonçalves e lhe advertiu, vá embora, pois a sede da polícia é em você! Zé Gonçalves, fazendo ouvido de mercador, pediu para entrar pelo seu quintal para a casa do seu sogro, que ficava nos fundos. Ao amanhecer do dia, o Sr. Bernardino, saindo à rua, voltou imediatamente e avisou a Zé Gonçalves, que a policia já sabia que ele estava em sua casa. Nesta época, estavam sendo feitos os trabalhos para levar a estrada de ferro a Juazeiro e ao lado da casa do Sr. Bernardino, estava os montes de aterro, enquanto do outro lado do aterro ficava uma Bodega do Canjica, isto nas imediações da casa do Sr. Zé Martins e os soldados iam na bodega do Canjica e vinham para cima do aterro, olhando para a casa onde estava Zé Gonçalves, numa demonstração patente de que o soldado Zé Pereira, havia traído a confiança de Zé Gonçalves.

O Sr. Bernardino, era compadre do Padre Cícero e imediatamente, fez uma carta apresentando Zé Gonçalves como seu genro e contando toda a situação vexatória do momento. Mandou celar um bom animal e colocou à frente da porta da sua casa, tendo Zé Gonçalves, fazendo mais uma vez o papel de um gato ligeiro, pulado em cima do cavalo e seguido para Juazeiro, ao passar na Bodega do Jacobina, na Rua da Várzea, onde existiam duas palmeiras à porta, até pouco tempo ainda existentes, estavam ali postados outros soldados da força que veio de Fortaleza, Zé Gonçalves, passando o Rio Missão Velha em direção a Juazeiro, ouviu quando alguém disse, ali é Zé Gonçalves. Ao alcançar a Carnaúba, o cavalo já muito cansado e suado, esteve com Quinco Vasques em sua casa, que se oferecera que Zé Gonçalves, podia ficar ali, pois nem mosquito lhe mordia, más Zé Gonçalves ponderou de que estava com a carta para Meu Padim Cícero e seguiu viagem. Ao chegar em Juazeiro, foi recebido pelo Padre Cícero, onde ficou hospedado por quatro dias, tendo com a interferência e prestígio do Padre velho do Juazeiro, às forças deixado Missão Velha”.


Bosco André
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Falta Pouco! Por: Ana Paula

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Paulinha sendo entrevistada por Reginaldo, no Cariri Cangaço2009
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Falta pouco mais de um mês para a realização do II Cariri Cangaço. Estou na torcida para que este encontro seja tão proveitoso quanto o anterior. Que a cada ano aumente o número de participantes e, com isto cresça a quantidade de pesquisas sobre tão relevante temática. Que inclusive ainda tem muito que se garimpar. São fatos, episódios, casos que ficaram perdidos ou esquecidos pelo tempo, mas que dada a sua importância necessitam serem debatidos e divulgados para que nossas crianças e jovens saibam o que acontecia em um passado remoto nas terras caririenses e, que tiveram conotação nacional.



Por isso exalto o seu nome caro Severo pela sua audácia, perseverança e determinação em ir a frente, superar e suportar os problemas de fazer valer um seminário de suma relevância como é o Cariri Cangaço. Faço votos de que este encontro seja melhor do que o anterior.



Almejo ainda uma maior participação dos acadêmicos, principalmente da URCA, haja vista, lá temos o curso de história e de ciências sociais que devem imbutir nos alunos a sede do saber sobre os nossos cangaceiros, coronéis e beatos que fizeram parte da nossa história e, de uma maneira ou de outra estão perpetuados nos anais da história não só regional, mas sobretudo nacional. Homens como Cícero Romão Batista, Delmiro Gouveia, Beato José Lourenço, Lampião, Floro Bartolomeu são conhecidos e pesquisados em todo o território e, saber a sua participação na dinâmica histórica é crucial para entedermos a chamada República Velha (1889 - 1930).



Muito debate, discussão nos esperam no II Cariri Cangaço 2010.



Um forte abraço,



Ana Paula Monteiro Martins - acadêmica do VIII semestre do curso de História da URCA e pesquisadora dos coronéis
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Paulo Gastão se prepara para Cariri Cangaço

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Severo, Paulo Gastão e Gabriel Henrique

Caros sócios e amigos,

Informamos a todos que o nosso amigo Paulo Gastão,já está recuperado e em sua casa repousando.
Agradecemos a todos pela corrente positiva em prol do nosso amigo.
Encontraremos Paulo no Cariri Cangaço e ele poderá falar pelos cotovelos sobre sua saúde.
Abraços,

Lemuel Rodrigues da Silva 
PRESIDENTE SBEC
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Padre Ágio recebe honraria do ICVC

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Padre Ágio, por Pachelly Jamacaru

Na última sexta-feira (16), no auditório Cristina Prata, na Sociedade Lírica do Belmonte (SOLIBEL), o Instituto Cultural do Vale Caririense (ICVC) realizou a Sessão Solene de Outorga da Comenda de Sócio Honorário – 2010 ao Monsenhor Ágio Augusto Moreira. A sessão foi aberta com a apresentação da pianista paulista, Marilena de Oliveira.

Após a composição da mesa presidida pelo professor Hugo Rodrigues, presidente do ICVC e pelo Dr. José Vanderlei Landim, presidente do Conselho Superior da Solibel, foram proferidos os discursos destacando a relevância dos trabalhos desenvolvidos pela Solibel, pela Escola de Educação Artística Heitor Villa Lobos, ao longo dos seus 43 anos de existência ao monsenhor Ágio e padre David Augusto Moreira, idealizador da obra Solibel, no ano do seu centenário. Houve ainda a apresentação da Orquestra Ensemble, formada por alunos da Sociedade Lírica.


NOTA CARIRI CANGAÇO: Nossas congratulações ao inagualável Padre Ágio, um dos ícones de nosso Ceará e Nordeste. Nossos parabéns ao ICVC, a partir de seu presidente, Hugo Rodrigues, diretores e membros, pela honraria mais que justa conferida a Padre Ágio, enriquecendo ainda mais os valorosos quadros de nosso ICVC; parceiro de primeira hora do Cariri Cangaço.

Um Bacamarte chamado Canário Por:Affonso Taboza

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Affonso Taboza
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“Um bacamarte chamado canário"; esse é o título do segundo livro do empresário e escritor, Affonso Taboza, lançado no último mês de junho, no Clube Náutico Atlético Cearense, em Fortaleza, com a presença de mais de 200 convidados. Ao apresentar o livro, o empresário e educador Ednilo Soarez, do Colégio e Faculdade 7 de Setembro, comparou o estilo literário do autor com a obra Os Sertões, de Euclides da Cunha.

Baseado na vida de Vicente Lopes Vidal de Negreiros, a publicação, segundo Ednilo Soarez, enquadra o estilo neorrealista, trazendo surpresas e cenas de ação em sua narrativa no inóspito cenário do sertão cearense. A vida social de Tamboril, no século 19, é pano de fundo para uma trama envolvente que retrata a luta entre o bem e o mal, protagonizada por Vidal de Negreiros e seu espírito de justiça e a família dos Mourões, temida em toda zona oeste do estado, numa época em que imperava o coronelismo.



Para Affonso Tabuza "o mais difícil foi contextualizar o vocabulário do sertão cearense no século 19. "Ao escrever o livro, além de resgatar a história de vida de Vicente Lopes, teve que estudar os costumes daquela época. Os personagens secundários e as tramas que os envolvem são frutos da imaginação do autor, destacou Affonso Taboza.

Imaginação é o que não falta na obra literária do escritor. Também sobram talento e motivação, que são visíveis nos comentários que faz do novo livro. "Naquela época, imperavam o bacamarte e o poder de fogo. E o protagonista, Vicente Lopes, é fruto dessa cultura", sublinhou Taboza. Para a realização do romance, Affonso Taboza diz ter levado seis anos, que envolveram desde pesquisa de livros sobre o personagem principal, Vicente Lopes Vital Negreiros (fazendeiro que viveu no município de Tamboril), a leitura de obras do século 19, como O Sertanejo, de José de Alencar, Dona Guidinha do Poço, de Oliveira Paiva, Luzia Homem, de Domingos Olímpio, e o Memorial de Maria Moura, de Rachel de Queiroz.

Maiores Informações sobre a obra: Telefone (85) 3246-0929 e solicitar o exemplar à secretária Irisvanda, que também se encontra na Livraria OBOÉ no Center UM - Fortaleza.  O preço é R$ 35,00.

Fonte: FIEC on line
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Semana do Cangaço promovida em Canindé e Piranhas

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Dias 29 e 30 de julho de 2010 será realizada nas cidades de Canindé de São Francisco / SE e Piranhas / AL a Semana do Cangaço .O evento é uma iniciativa da CANISTUR Serviços Turísticos e da Angico Tour Receptivo e tem como objetivo divulgar a História do Cangaço e suas diversas formas de contribuição para sociedade sertaneja nordestina.

PROGRAMAÇÃO

Dia 29 de Julho de 2010 – quinta –feira – Canindé de São Francisco /SE
16:00 h – Abertura da Semana do Cangaço
16:20 h – Palestra : Cangaceiras – Mulheres Guerreiras
Palestrante: João de Souza Lima – Pesquisador ,Escritor e Biografo de Maria Bonita ligado a Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço
17:00 H – Intervalo
17:10 h – Palestra :Rota do Cangaço Xingó – Turismo e Cangaço vetores de desenvolvimento para região de Xingó
palestrante : Jairo Luiz Oliveira – Turismólogo - Idealizador da Rota do Cangaço Xingó
17:40 h – Debate
18:20 h – Exibição do documentário “A violência oficializada no tempos do Cangaço” de Aderbal Nogueira
18:40 h – Apresentação do repentista Vem Vem do Nordeste e Sávio do Acordeom
19:20 h – Encerramento
Shows artísticos com Sávio do Acordeon

Dia 30 de Julho de 2010 – sexta-feira
- MANHÃ LIVRE PARA VISITAS
Local : Centro Social Esportivo Piranhense –Centro Histórico - Piranhas / AL
16:00 h – Palestra : “ Os Últimos Dias do Cangaço ”
Palestrante ; Inácio Loiola Damasceno Freitas – Pesquisador e Historiador
16:40 h – Intervalo
16:50 h – Palestra: “Mentiras e Mistérios de Angico”
Palestrante : Alcino Alves Costa – Pesquisador e Escritor ligado a SBEC – Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço
17:20 h – Debates
18:00 h – Exibição do documentário “ Mistérios e Mentiras de Angico” de Aderbal Nogueira
19:00 h - Shows artísticos com trio de Forró Pé de Serra "Capiá" - Centro Histórico - Piranhas / AL

Maiores Informações:

NOTA CARIRI CANGAÇO: Parabenizamos ao amigo Jairo Luiz e Inácio Loyola, pela maravilhosa iniciativa de promoverem a Semana do Cangaço, reunindo em Canindé do São Francisco e Piranhas, personalidades do quilate de Inacio Loyola, João de Sousa Lima, Alcino Costa, dentre outros. Recebam o abraço fraterno do Cariri Cangaço.

A Batalha de Maranduba

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Lampião em plena caatinga, em foto de Benjamim Abraão

Em princípios de janeiro de 1932, na fazenda Maranduba, no sertão do Sergipe,Lampião repetiu o fato militar da Serra Grande, em 1926, ao derrotar umanumerosa força militar, integrada por famosos combatentes contra o cangaço.

Na opinião de um desses destacados militares, o Tenente Manoel Neto, da força pernambucana, em Maranduba “ele nunca tinha visto tanta bala como viu ali”. A intensidade do tiroteio travado entre Lampião e o seu bando e as forças militares foide tal intensidade que um contemporâneo dos acontecimentos registrou o fato deque “uma coisa que foi muito comentada e com curiosidade, foi que no local em queaconteceu o fogo de Maranduba, durante vários anos, das árvores e dos matos rasteiros não ficaram folhas. Tudo era preto, como se tivesse passado um grande fogo. As árvores ficaram completamente descascadas de cima abaixo, de balas”.

Tal como ocorrido em Serra Grande, Lampião preparou uma emboscada com o objetivo de liquidar, de uma só vez, todo o efetivo militar. Mais uma vez, os chefes da força policial subestimaram a competência de Lampião e acreditaram que a superioridade que detinham em homens e armas seria um fator de desequilíbrio na batalha.

Manoel Neto, à  nossa esquerda

Alguns historiadores tentam "minimizar" a vitória obtida por Lampião depois de uma feroz batalha, admitindo, apenas, de que, no final das contas, houve “perdas humanas tanto entre os cangaceiros como entre as forças volantes, porém com maior prejuízo para estas ...” Para que se tenha uma idéia do que representou esta batalha para ambos os lados e para a história das lutas sociais do Nordeste, dois pontos devem ser ressaltados:
 
O primeiro ponto importante refere-se à participação, nesta batalha, dos aguerridos e temíveis Nazarenos. Os nazarenos, uma força policial dedicada em tempo integral na busca e, se possível, destruição de Lampião eseu bando, já eram lendários nos sertões nordestinos, por suas ações militares. Nestabatalha participaram sob o comando do Tenente Manoel Neto.

O segundo ponto a ser destacado é que, apesar da longa, dolorosa e sangrenta campanha contra Lampião e da experiência militar adquirida, mais uma vez os chefes militares deram provas de que sua inteligência sempre ficou abaixo dos arroubos da valentia. A raiva, a fúria e a arrogância foram confrontadas com o sangue-frio, a paciência e a inteligência de Lampião. Rodrigues de Carvalho chegou a afirmar, analisando estas e outras batalhas que Lampião tinha praticado “façanhas de deixar muito curso do Estado Maior com água na boca”

No caso específico de Maranduba, o historiador Rodrigues de Carvalho não hesita em afirmar que, apesar da superioridade em homens e armas, por parte das forças militares, Lampião demonstrou uma superioridade tática sobre seus adversários. Escreve ele: “E a verdade deve ser dita: quem primeiro abandonou ocampo de luta foi a força”. E, mais adiante: “O fato é que durante a extensão da tremenda refrega, que foi por toda a tarde, pode dizer-se sem medo de cometer injustiça, o domínio da situação pertenceu ao ardiloso facínora. Estava todo otempo, como se diz vulgarmente, serrando de cima”

Ângelo Roque, o Labareda, ex-cangaceiro que esteve em Maranduba

O cangaceiro Angelo Roque (Labareda) que participou nesta batalha, em depoimento prestado a Estácio Lima e publicado no livro O Mundo Estranho dos Cangaceiros, descreve o que aconteceu, neste dia, no seu linguajar típico: “... Nóis cheguêmo na caatinga de MARANDUBA, pru vorta di maio dia, i tratemo di discansá i fazê fogo prôs dicumê, i nóis armoçá. Mas a gente num si descôidava um tico, i nóis sabia qui as volante andava pirigosa. Inquanto nóis discansava, botemo imboscada forte, di déiz cabra pra atacá us macaco qui si proximasse. Nóis cunhicia us terreno daqueles mundão, parmo a parmo. Us macaco num sabia tanto cuma nóis. Todos buraco, pedreguio, levação, pé di pau, pru perto, nóis sabia di ôio-fechado, i pudia tirá di pontaria sem sê vistado. Nisso, vem cheganou’a das maió macacada qui tivemos di infrentá. I us cumandante todo di dispusiçãoprá daná: MANUÉ NETO, qui us cangacêro tamém chamava MANÉ FUMAÇA, ODILON, EUCRIDE, ARCONSO I AFONSO FRÔ. Tamém um NOGUÊRA. Nesse bucadão di macaco tava u Capitão ou Tenente LIBERATO, du izérto. Dizia us povo qui ele era duro di ruê. I era mesmo. Brigava cuma gente grande, i marvado cumo minino. Mas porém, valente cumo u capêta. Di nada sirvia a gente gostá i tratá com côidado um mano qui êle tinha na Serra Nêga. Essa FORÇA toda dus macaco si pegô mais nóis na MARANDUBA. Nóis era trinta e dois cabra bom. U CapitãoVirgulino tinha di junto, nessa brigada, us principá cangacêro: VIRGINO, IZEQUIÉ, ZÉ BAIANO, LUIZ PÊDO i seu criado LABAREDA. Dus maiorá só fartava mesmo CURISCO sempre gostô di trabaiá sozinho, num grupo isculido dicangacêro, mais DADÁ. Briguemo na MARANDUBA a tarde toda i nóis cum as vantage cumpreta das pusição, apôis us macaco num pudia vê nóis. A volante di NAZARÉ deve tê murrido quaji toda. Caiu, tamém, matado di ua vêis, um dus FRÔ, qui si bem mi alembro, foi u AFONSO. Cumpade Lampião chegô pra di junto do finado i abriu di faca a capanga dêle, i achô um papé qui tinha iscrito um decreto dizeno qu ele já tinha dado vintei quatro combate cum u cumpade Lampião. Veio morrê nu vinte i cinco. A valia qui tivemo nessa brigada foi us iscundirijo. Morrero, aí, trêiz cangacêro i trêiz ficô baliado. Us istrago qui fizemo nessa brigada foi danado ! Matemo macaco di horrô !”

Do depoimento de Labareda e de outros testemunhos da batalha de Maranduba,alguns pontos devem ser destacados:

1. O completo conhecimento que Lampião e os cangaceiros tinham do terreno onde foi travado o combate.
2. A competência tática de Lampião em contraposição à incompetência dos chefes militares.
3. A participação dos nazarenos, comandados pelo Tenente Manoel Neto, um veterano nas lutas contra Lampião e o cangaço.
4. As baixas entre nazarenos: seis mortos e oito feridos.
5. As baixas entre os cangaceiros: três mortos e quatro feridos.
6. Um detalhe importante: as tropas militares eram superiores em número, na proporção de três para um.

 
Enfim, a batalha de Maranduba constituiu-se num acontecimento invulgar na história recente do Nordeste. Na opinião de Rodrigues de Carvalho, este combate pode ser considerado como sendo o mais “renhido e porfiado de todos os cheques armados desta controvertida campanha contra o banditismo no eixo Sergipe-Bahia. Foi uma chacina horrível pelas deploráveis conseqüências que tivera para as forças legais empenhadas no combate. O número de baixas fatais foi muito grande, exagerado mesmo, em relação ao número de combatentes empenhados na refrega”

Diante da tragédia que significou esta derrota das forças militares diante deLampião e seu grupo, a historiografia oficial tenta minimizar o fato. O Capitão JoãoBezerra, personagem central do nebuloso episódio de Angicos, no seu livro de memórias, ao referir-se ao episódio de Maranduba, afirma apenas que neste local foi travado um “encarniçado combate com grandes perdas de parte a parte entre mortos e feridos”. Quase a seguir, duas páginas adiante, ele retifica a sua informação, dizendo que Lampião tinha sido “destroçado em Maranduba”.
 
Fonte: Souza, Jovenildo Pinheiro de. Sertão Sangrento: Luta e Resistência.
Transcrito por Ronnyeri
Publicado no nosso maravilhoso lampiaoaceso.blogspot.com

Adendos por Ivanildo Silveira



Vê-se, nas fotos acima, que o "COMBATE", aconteceu quase em campo aberto. LAMPIÃO, como grande estrategista que era, postou seus homens, entrincheirados em "SETE PÉS DE UMBUZEIROS", de modo que os soldados ao entrarem no compo de fogo, ficaram cercados.DE ACORDO COM OS ENSINAMENTOS DO RENOMADO ESCRITOR/PESQUISADOR DO CANGAÇO, O DR. SÉRGIO AUGUSTO DE SOUZA DANTAS, EM SEU LIVRO "LAMPIÃO: ENTRE A ESPADA E A LEI", pg 313, ainda existem, remanescentes, 02 pés de umbuzeiro, na Faz. Maranbuba, local onde aconteceu o COMBATE, conforme, foto abaixo, gentilmente cedida para esses comentários:
 
CORREÇÕES DE SUMA IMPORTANCIA FORNECIDAS POR HILDEBRANDO NETO (Netinho):

Amigos, tenho que fazer algumas ressalvas sobre o depoimento de Angelo Roque e do historiador Rodrigues de Carvalho:

1) Não houve seis mortos e oito feridos entre os Nazarenos.

De Nazaré morreram no combate 4 homens: Hercílio de Souza Nogueira e seu irmão Adalgiso de Souza Nogueira (primos dos irmãos Flor), João Cavalcanti de Albuquerque (tio de Neco Gregório) e Antônio Benedito da Silva (irmão por parte de mãe de Lulu Nogueira, filho de Odilon Flor).

2) Não houve feridos entre os Nazarenos, mas sim entre alguns componentes da Força de Pernambuco oriundos de diversas cidades do sertão pernambucano.
 
3) Afonso Flor (irmão de Manoel Neto) faleceu em Recife na Revolução de 30 numa luta contra revoltosos vindo da Paraíba, portanto não poderia estar em Maranduba em 1932, como afirma o bandido Angelo Roque.

4) Os irmãos Odilon e Euclides Flor não estavam em Sergipe no início do ano de 1932, mas sim em Alagoas e Pernambuco respectivamente.

Valeu Grande Kiko Monteiro!
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Pajeú: O Maior Estrategista de Canudos Por: Romero Cardoso

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Batalhão Patriótico Moreira Cesar - "Corta-cabeças"

Pajeú: O maior estrategista das guerrilhas da guarda católica de Antônio Conselheiro.

Como ficou conhecido nas lutas de Canudos, Pajeú era pernambucano do famoso vale imortalizado por Luiz Gonzaga décadas depois do massacre abominável que manchou indelevelmente a história do Brasil. Escravo liberto que rumou para Canudos apostando nas promessas do Bom Jesus Conselheiro tendo achado por lá, às margens do rio Vaza-Barris, a tão sonhada liberdade que a sociedade negou, e ainda nega de forma inadmissível e desumana, aos excluídos.

Quando da desastrosa campanha comandada pelo famigerado Coronel Moreira César, Pajeú se destacou pela impecável forma como conduziu a guerrilha da guarda católica do Conselheiro. Dizem que foi ele quem pôs fim à arrogância de Moreira César, acertando certeiro tiro de bacamarte boca-de-sino, municiado com chifre de novilho, no sanguinário corta-cabeças. Não obstante usar colete de aço, Moreira César foi milimetricamente varado pelo disparo em local desprotegido.

O oficial responsável pela substituição do Coronel Moreira César no comando da tropa também não agüentou as táticas de guerrilha implementada por Pajeú. Uma ordem do Coronel Tamarindo ficou famosa: “Em tempo de murici, cada um cuida de si”. O que restou da tropa de Moreira César foi fustigada pelos guerrilheiros comandados por Pajeú. Verdadeira carnificina foi feita pelos bravos combatentes para pagar a profanação do arraial sagrado do belo Monte, pois inadvertidamente Moreira César desprezou todas instruções do regimento do Exército Brasileiro e ordenou ataque de cavalaria a Canudos, cuja característica era a topografia extremamente íngreme, impossível de ter sucesso por parte de Moreira César através de investida com esse tipo de estratégia militar.

Para tentar coibir e amedrontar outras expedições que vieram em direção a Canudos, Pajeú ordenou que os cadáveres dos soldados e oficiais ficassem insepultos, pendurados em árvores como exposição macabra do ódio devotado pelos conselheiristas às tropas do governo federal.

 38º Batalhão


Quando a quarta expedição foi enviada para destruir canudos, cujo comando ficou a cargo do General Arthur Oscar de Andrade Guimarães, foi com terror e suspense que a soldadesca encontrou o aviso dos guerrilheiros da guarda católica, na forma de corpos ressequidos pelo sol esturricante do sertão nordestino. Com certeza, aumentou o ódio do corpo militar do Exército Brasileiro contra os membros da comunidade mística de Antônio Conselheiro.

Pajeú foi responsável pelas mais significativas baixas contra as tropas federais. Acostumados a caçar para sobreviver, os guerrilheiros usaram a experiência adquirida e se tornaram franco-atiradores, pois quando algum soldado desavisado, principalmente em noite sem lua, acendia um cigarro, certeiro tiro o prostrava imediatamente. Usavam os “presentes” que Moreira César lhes deixou, ou seja, fuzis mausers de fabricação alemã do Exército Brasileiro.

Não obstante terem conseguido canhões e metralhadoras, esses não foram usados, pois os guerrilheiros do Conselheiro não souberam como manusear as mortíferas armas tomadas da expedição de Moreira César, destroçada pela genialidade incontestável das táticas do maior guerrilheiro de Canudos. Quando a guerra de Canudos tornou-se insustentável, com sucessivas baixas e derrotas das tropas federais, o governo enviou verdadeiras máquinas de matar. Entre essas estava um canhão Withworth 32, a famosa “matadeira”, como ficou conhecido entre os habitantes de Canudos. Foi a única forma que conseguiram para pôr a baixo as torres da igreja nova do belo Monte.

Cada tiro da “matadeira” era verdadeiro massacre que a mesma proporcionava. O famoso canhão tornou-se o terror dos canudenses, razão pela qual Pajeú organizou grupo de assalto intuindo destruir a máquina destrutiva. Onze guerrilheiros chegaram de surpresa a bem guardada arma. Nesse ataque, o bravo comandante conselheirista perdeu a vida, bem como nove companheiros, sendo que apenas um conseguiu escapar.

Conselheiro Morto


Com a morte de Pajeú, a guarda católica do Conselheiro ficou desfalcada do principal estrategista, abalando sensivelmente a estrutura das estratégias da guerra de guerrilha que até então vinha obtendo sucesso indiscutível. Pajeú, o famoso negro ex-escravo que marcou de forma impressionante a guerra de guerrilhas nas batalhas em canudos, foi imortalizado por Euclides da Cunha, que não obstante racismo e estereótipos, dedicou-lhe páginas de reconhecido mérito pela bravura indômita em “Os Sertões: Campanha de Canudos”.

José Romero Araújo Cardoso. Geógrafo. Professo-adjunto do Departamento de Geografia da Faculdade de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte. Mestre em Desenvolvimento e Meio Ambiente.
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