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Tática de Lampião - O Silêncio da Morte Por:Raul Meneleu

Raul Meneleu e Manoel Severo no Cariri Cangaço 2015

Nertan Macêdo em seu livro "LAMPIÃO", traz a narrativa do Coronel Antônio Gurgel, prisioneiro/refém de Lampião, a respeito da sua fuga do Rio Grande do Norte, depois do ataque fracassado à cidade de Mossoró. Relato esse que impressiona pois poderemos ver as táticas de guerrilha que eram aplicadas e a total obediência dos 
cangaceiros a seu líder. 


Onde Lampião aprendeu essas táticas de guerrilha? Onde buscava inspiração para desenvolver essas manobras militares? 

Era assim Virgulino Ferreira da Silva. Tinha rasgos de herói e saídas de poltrão. Inteligente e astucioso, era um homem de vocação perdida.

Se aquele talento cru fosse devidamente aproveitado, Lampião poderia ter sido, não simplesmente um bravo vaqueiro do Pajeú ou um amaldiçoado chefe do cangaço, mas poderia ter sido um poeta, músico e artista, qualidades que revelou em seus versos, tocando sanfona, confeccionando belos e artísticos objetos de couro.



Poderia ter sido um bispo católico, ou quem sabe um general brasileiro, pois em seus combates que travou, demonstrou acentuada capacidade de estrategista. Não foram poucas vezes em que empregou planos bem arquitetados e bem executados para enfrentar e desestruturar seus inimigos. Possuía tato e qualidades de comando. Era na verdade um estrategista nato. Até hoje se discute o por que de Lampião ter atacado a cidade de Mossoró. Mas vamos ao relato: 

Lampião e seu bando chegavam à fronteira do Ceará. De Cacimba do Boi, lugar conhecido também por Buraco do Gado, Lampião mandou portador a Limoeiro. De volta, o emissário vinha de matula graúda: caixas de charuto, garrafas de vinho quinado, pacotes de biscoito. Não despendera um vintém nas aquisições.

O emissário contou: O povo do Limoeiro está em festas. Vai receber o senhor com grande satisfação. Até já mandaram embora os soldados pra não haver atrapalhação. O recado tocara, fundo, na fibra orgulhosa de Virgulino. Era por Isso que ele gostava do povo do Ceará. Meteu o fura-bolo na cara animada dos comparsas e repetiu a advertência já feita durante o trajeto, quando avistaram os campos do Jaguaribe:

– Daqui pra frente é o Ceará, terra do meu padrinho. Não se rouba e nem se mata! Não quero ver desavença nem safadeza! 

Os cabras baixaram os olhos. Os campos do Jaguaribe fumegavam, espichados no mundo. Todos se enfeitaram para a entrada em Limoeiro. Botaram fitas coloridas nos chapéus de couro e nas cartucheiras. No cano e bandoleira dos rifles — as fitas esvoaçavam, sopradas pelo vento quente daquelas planuras lavadas de sol. 

Lampiao em Limoeiro do Norte, CE, retornando de Mossoró

Entraram assim em Limoeiro, o chefe na frente, os óculos faiscantes, feliz com a recepção que lhe proporcionavam as autoridades e o povo. Gritos estrugiram na rua.

— Viva o Capitão Virgulino! - Vivá...! 

Coqueiro, mais afoito, tirou o chapéu, ergueu-o no ar, o rifle seguro na esquerda, e bradou em resposta: 

— Pois viva o govêrno Moreirinha! — Vivá... ! 

Outro cangaceiro berrou: 

— E viva meu padrinho padre Cícero! — Vivá...! 

O tempo esquentou debaixo das aclamações. Os vivas se multiplicavam, um nunca acabar de aclamações.

— Viva São Francisco do Canindé! 
— Viva São Francisco das Chagas! 
— Viva Nossa Senhora da Penha! 
— Viva a Mãe das Dores! 
— Viva Nossa Senhora da Conceição! 
— Viva o Bom Jesus da Lapa! 

Raul Meneleu e dona Francisca no Cariri Cangaço Piranhas 

Eram vivas em cima de vivas, bando e povo dialogando alto, festivamente. No patamar da igreja, o Capitão fez parada. Rezou ao padroeiro da terra e distribuiu esmolas aos mendigos que lhe estendiam as mãos. Comeu, em seguida, banquete regado a vinho e cerveja. Deram-lhe automóvel para passear na cidade. E o coronel Antônio Gurgel ia anotando tudo no seu caderninho.

Padre Vital Guedes, o vigário, animou-se a pedir a Virgulino: 

— Capitão, tenho um pedido a lhe fazer... 
— Diga, seu padre, que estando na medida dos meus poderes, eu atendo... 
— Eu queria que o senhor soltasse os prisioneiros do Rio Grande do Norte. 
— Pelo menos um, seu vigário, eu deixo ir embora. Os outros vão comigo, mando soltar depois. 

Libertou o preso mais barato, cujo resgate era de apenas dois contos de réis, um rapaz chamado Leite, do Apodi. Padre Vital Guedes ficou muito agradecido pelo gesto. E lá se foi de novo o bandido pelo sertão, tangendo os seus reféns, o coronel Antônio Gurgel, dona Maria José e o velho Joaquim Moreira. Este, por ser malcriado, ia montado num cavalo em pêlo, sem direito a sela. 

Rei Vesgo...

De Limoeiro, Lampião partiu para a Fazenda Armador, de propriedade de um cearense magro, fanhoso, de voz arrastada, insolente como os seiscentos diabos, de nome João Quincola. A tudo que o Capitão perguntava, João Quincola respondia de má vontade, carregando no cenho e sem despregar o ôlho do chão. 

Aí Sabino não se conteve mais: 
— Cabra, respeite Lampião, se não vai conhecer no lombo o gosto desta peia... E esfregou o relho na cara de Quincola, que se limitou a fungar e responder:
— Não tenho mêdo não, seu Sabino. 

Deixando a casa de João Quincola, que ficou de surra prometida por Sabino, o bando foi para o Saco do Garcia. Lampião já sabia que vinham volantes no seu rastro. Esperou-a jogando o 31, balas fazendo às vezes das fichas.

Já cansado de esperar, saiu dali no rumo de Arara, onde chegou um portador, trazendo os vinte contos de réis do resgate do pobre Joaquim. Moreira. O velho começou a dar pulos de contentamento quando viu aproximar-se a hora de ir embora.



Quanto ao memorialista, continuaria arrastado pelo bando, ele e dona Maria José, sofrendo as agruras daquele jornadear inapelável, com as volantes nos calcanhares. Além do mais, era obrigado a comer o molho de pimenta que Sabino, seu companheiro na hora da bóia, fazia questão de preparar e servir ao coronel.

Enquanto isso, a soldadesca rondava. E o Capitão jogando 31 com Sabino, Moreno e Luiz Pedro, seus parceiros de baralho, para os quais, de uma feita, perdeu sete contos que pagou, estrilando e mal-humorado.

Estavam agora no Serrote da Rocha, quando receberam a visita do tenente Pereira, comandante de uma volante cearense. O tenente chegou lascando tiro. Foi aí que o coronel Antônio Gurgel pôde ver, bem de perto, o quanto valiam aqueles guerreiros endemoninhados. O Capitão pulava e rolava no chão como um condenado, no meio da fuzilaria, e não havia bala para roçar-lhe a figura encapetada.

Morreu o meu cavalo e Moreno quase entrega o couro às varas, com o osso do braço à mostra, rasgado por uma bala. Puseram-lhe ali mesmo uma tipóia, envolvendo-lhe o braço num lenço sujo e trataram de abandonar o local da escaramuça, rumando para outros brejos. 

Caminharam sem alimento e água até meia-noite. Desvencilhando-se do grupo, um cangaceiro logrou comprar, numa casa, alguns queijos, mastigados às pressas. Calados, esfomeados, os homens do Capitão varavam as trevas da noite. 

Afinal, dormiram na margem de um riacho. Quando acordaram, estavam outra vez cercados pela polícia. Novo combate violento, sob vivas ao padre Cícero, rolando, pulando pedra, saltando moita. 

De repente, Lampião fez um gesto conhecido do grupo: exigia silêncio absoluto. Não consentia mais gritos e impropérios contra a soldadesca. Queria silêncio, silêncio completo, de morte. Todos obedeceram e o campo ficou mudo. A volante veio avançando, avançando, e quando já estava chegando ao lugar onde Lampião se enfurnara, este se levantou como um gato e bradou: Fogo !

Uma fuzilaria intensa rompeu das moitas e os soldados foram caindo no chão, varados pelos cangaceiros. Era assim que o Capitão Virgulino armava as suas arapucas aos destacamentos, no meio do mato. E sumiu, outra vez, pelos serrotes engarranchados.

Raul Meneleu
Aracaju, Sergipe
Fonte:http://meneleu.blogspot.com.br/2015/08/tatica-de-lampiao-o-silencio-da-morte.html

A Dispensa de Cicero Bezerra Por Norman Lopes Araujo

Cel Jose Pereira e seu estado maior

A Travessia – Zona Rural de Manaíra, distante 12 quilômetros da Sede – ainda tem rastros e marcas dos cangaceiros. Conta-se que Lampião e seu bando costumavam passar por essas bandas, o caminho mais próximo até chegar à antiga Misericórdia, hoje, cidade de Itaporanga, nas cercanias do Vale do Rio Piancó.


Com o fim da Guerra de Princesa, Lampião se aboletara próximo ao Povoado de Patos de Irerê e resolveu tirar algum proveito do pouco que restara do maior conflito armado do século, a chamada Revolta de Princesa.

Cícero Bezerra da Travessia, considerado homem forte do grupo de Zé Pereira, recebeu a mando de Lampião um bilhete no mínimo desaforado: diga a Cícero que mande alimentos, armas e dinheiro. Cícero abandonou o prato de leite e cuscuz e convidou o emissário a acompanhá-lo:

– Estás vendo essa dispensa cheia de alimentos, e esse montão de dinheiro e armas? Tudo é meu e dou a quem eu quero. Agora volte e diga ao capitão que só os entrego a ele, pessoalmente. 

A notícia se espalhou nos arredores e algumas horas depois, 250 homens amigos de Cícero e remanescentes das trincheiras “perrepistas” vieram ao aguardo do Rei do Cangaço.Cícero morreu muitos anos depois sem ver a cara do malfeitor.

Norman Lopes Araujo
Princesa isabel - Pb


OBS( Contada por Odom Bezerra, filho de Cícero à reportagem Folha de Princesa) 
sob minha editoria de notícias

De Coração para Sílvio Bulhões

Elane e Archimedes Marques com Sílvio Bulhões

São momentos gratificantes como estes que me alegram e me fazem mostrar que estou no caminho certo, no caminho de alegrar amigos, pois alegrando amigos também alegro a minha alma... 

No final de semana estivemos em Maceió e levamos de presente a estatueta de CORISCO E DADÁ para entregarmos ao seu verdadeiro dono, o amigo Silvio Bulhões, filho do casal.

 Foram momentos emocionantes e ele chegou às lágrimas alisando a estatueta com a sua pouca visão. Acredito que proporcionamos uma grande alegria a esse grande homem, uma singela homenagem da minha artes que agora compartilho com todos vocês.

Archimedes Marques
Pesquisador e Escritor - Artista Plástico
Conselheiro Cariri Cangaço

Porque Lampião Invadiu Mossoró? Por:Honório de Medeiros

Honório de Medeiros em noite de Lançamento em Mossoró

Em dias do início do mês de junho do ano da graça de 1927, pelas terras do Rio Grande do Norte que confrontam com as da Paraíba, lá no alto Sertão desses estados, mais precisamente aquelas que ficam entre as cidades de Uiraúna, PB, e Luis Gomes, RN, vindos de Aurora, no Ceará, da Região do Cariri de Nosso Senhor Jesus Cristo, eles, os cangaceiros, entraram no território potiguar.

Era uma horda selvagem com aproximadamente uma centena de homens, para o mais ou para o menos, imundos e bestiais, a cavalo, fortemente armados, portando rifles, fuzis, revólveres, pistolas, punhais longos e curtos, e farta munição. Vinham ébrios, ferozes, e sedentos de violência, sem qualquer outro propósito que não a rapinagem, pura e simples.

Durante os quatrocentos quilômetros e quatro dias que durou a epopeia, deixando e voltando à Aurora após alcançarem Mossoró, desenharam, com a ponta dos cascos dos cavalos ou a face externa das alpargatas com as quais pisavam o chão, como que um movimento cujos contornos lembram o de uma flor de mufumbo, cujas laterais seriam as margens da Serra de Luis Gomes e Serra do Martins, por um lado, e, pelo outro, as margens do serrame do Pereiro, limites com o Jaguaribe, Ceará adentro.

E assim entraram, espalhando o terror por onde passaram.
Mas será que eles tinham algum outro propósito, além da rapinagem pura e simples?

Honório de Medeiros, Natal - RN
Fonte:http://honoriodemedeiros.blogspot.com.br/

LANÇAMENTO:
 DIA 10 DE DEZEMBRO, 
A PARTIR DAS 18 HORAS, 
NO CLUBE DOS RADIOAMADORES, 
AV. RODRIGUES ALVES, 1.004 
VIZINHO À CIDADE DA CRIANÇA
NATAL-RN

Absolvição do Cangaço Por:Rangel Alves da Costa

Manoel Severo e Rangel Alves da Costa

Consta dos autos da História que Virgulino Ferreira da Silva, vulgo Lampião, em companhia de um bando de cangaceiros, praticaram os crimes incursos no códice criminal sertanejo: homicídios tentados e consumados, estupros, infanticídios, ameaças, roubos, extorsões, perturbação à paz pública, violação da propriedade alheia e formação de quadrilha, dentre outros tipos penais. Ofertada denúncia, a acusação conclamou pela condenação. Em alegações finais, a defesa pugnou pela absolvição ante a realidade fática, enquanto o órgão acusador reiterou pela condenação ante a induvidosa materialidade dos crimes praticados pelo bando comandado pelo também conhecido como Capitão Lampião. Passo a decidir.

Segundo os termos da acusação, Virgulino Ferreira da Silva, durante cerca de vinte anos, sempre acompanhado de um bando descontínuo de cangaceiros, assolou todo o sertão nordestino com a prática das mais insidiosas e perversas ações. Cita o estado de terror perpetrado nas localidades por onde passava, matando e violando inocentes, extorquindo oprimidos e poderosos, roubando e incendiando propriedades, sendo algoz de sangue de qualquer um que pela frente encontrasse. Por sua vez, a defesa não somente se contrapôs às acusações como justificou as ações de Lampião e seu bando às luzes das excludentes de criminalidade, apontando a legítima defesa e o estado de necessidade.

Nesta seara, afirma a defesa que Lampião e seu bando, ao invés de serem apontados como agentes do crime, teriam que ser vistos como pessoas que viviam continuamente sendo perseguidos pela polícia volante, não lhes restando alternativa senão atacar, como meio defensivo, para sobreviver. Acentua que motivados por uma causa justa, pois numa luta iniciada pela inação do próprio Estado na defesa das classes mais empobrecidas e pela sua inércia ante as injustiças praticadas pelos poderosos, o que alguns sertanejos fizeram foi reunir interesses de oprimidos para confrontar os opressores, até mesmo o Estado enquanto polícia.


Virgulino Ferreira da Silva

Acentua ainda a defesa que não se pode ter como prática deliberadamente criminosa uma atitude meramente defensiva, legitimando a reação contra os constantes e contínuos ataques das volantes. Ou a reação se dava na medida do ataque ou todo o bando seria exterminado no primeiro confronto. E por que a polícia tanto perseguia Lampião e seu bando, indaga a defesa. E responde: Por que o Estado não via Lampião como criminoso comum, mas como aquele que podia arregimentar forças poderosas ao seu objetivo de luta, como coronéis, políticos, autoridades e latifundiários, e assim confrontar as próprias forças estatais. E o Estado não queria correr o risco de ter um Nordeste com força independente.

Após demorada apreciação dos autos, resta salientar, de antemão, a prejudicialidade no julgamento de tal processo sem que se traga aos autos os demais partícipes nos crimes descritos na fase inquisitorial e que, após instrução com nítido prejuízo para a defesa, chegou-me conclusos para julgamento. Há de se indagar se somente Lampião e seu bando deveriam sentar no banco dos réus quando é do conhecimento de todos que outras pessoas, espalhadas nos diversos grupos conhecidos como volantes, e agindo em nome do Estado, praticaram os mesmos crimes, senão com maior perversidade no modus operandi.

Por mais que se considerem os elementos de prova trazidos aos autos pela acusação, seria julgar com imparcialidade apenas parte de um grupo maior que atuou durante anos por todo o sertão. Ademais, com maior requinte nas ações e brutalidade nos atos cometidos, tem-se conhecimento que a denominada volante não só espalhou o terror pela terra sertaneja como fez do já desvalido sertanejo o mais humilhado dos homens. Basta uma rápida conversação com o homem das terras matutas para saber quem ele acusa como verdadeiro malfeitor, violento e sanguinário. Quem sofreu na pele as agruras de haver caído nas ensandecidas mãos da volante, certamente que não dirá que fora Lampião e seu bando aqueles que fizeram abordagens e trataram o homem com desmedida fúria.


Grupo de Virgínio, Moderno...

Urge considerar acerca das práticas criminosas imputadas a Virgulino Ferreira da Silva e seus comandados. Aquele certamente era um mundo de guerra, de violência, de perseguições e combates. E não há guerra sem violência, até mesmo contra pessoas que apenas habitavam pelos caminhos e proximidades dos homens das caatingas, bem como cidades e povoações. Há de observar-se que o bando de cangaceiros não chegava àquelas localidades fartos de comida e bebida, limpos e contentes, descansados e desapressados. Chegavam geralmente com feras em fuga. E o que faz uma fera ante a negativa de sua pretensão? Logicamente que ataca, agride, provoca situações angustiantes. Porém há de se considerar o contexto da ação e não apenas a violência como ato premeditado.

Não se lança, aqui, conclusões pessoais do julgador, ainda que este se baseie no livre convencimento pelo bojo das provas trazidas aos autos, mas violência premeditada era aquela praticada pelo Estado, através de sua polícia. Contudo, o que se está julgando é o denominado cangaço, tendo como réus Lampião e seu bando, e não a volante que fazia parte da outra face de uma mesma moeda. E não se pode julgar com imparcialidade quando algozes de maior monta sequer são trazidos à condição de réus.

Ademais, seriam muitas atenuantes em favor de Virgulino Ferreira e seu bando, principalmente porque os aludidos crimes praticados pelos cangaceiros se revestem de motivações sociais e até morais, bem como por injustas agressões do Estado-vítima. Neste aspecto, não se pode duvidar acerca das opressões, das perseguições, das imposições desmedidas e das violências praticadas pelo Estado e seus protegidos. O cangaço não foi fruto nem do desejo de Lampião nem qualquer outro chefe de bando, mas do próprio poder que fez transformar em fera aquele tido como verme e que achava manter sob sua sola.

Sem maiores delongas, mesmo considerando a prejudicialidade no julgamento, principalmente pela ausência do Estado-polícia no banco dos réus, absolvo o cangaço das acusações que lhes são imputadas, pelos seus próprios fundamentos.

Rangel Alves da Costa
Poeta e cronista

O Cariri Cangaço é uma Ágora ! Por: Lailson Feitosa

 
Padre Cícero personagem principal do Cariri Cangaço-Edição de Luxo

Ser painelista de um evento da envergadura do Cariri Cangaço, é sem dúvida um compromisso de maior grandeza. Um pouco tenso, em virtude da ansiedade, porém consciente, pois eu estava a passos largos para o meu amadurecimento dentro da pesquisa historiográfica. 

Diante de mim, os maiores nomes da produção científica acerca de nossos personagens históricos, autores que vislumbram o Nordeste brasileiro, a pátria, através de seus filhos, a citar: Virgulino Ferreira da Silva – O Lampião, e com ele o fenômeno social chamado Cangaço, Antônio Conselheiro, Padre Cícero Romão Batista, Beato José Lourenço, Beata Maria de Araujo, Dona Fideralina, Isaias Arruda, Dr. Floro Bartolomeu, Padre Ibiapina, Sinhô Pereira, Os irmãos Maroto, Cel. José Bezerra e tantos outros ícones construtores da sociedade e da cultura nordestina, ou seja, pesquisadores que palmilharam todos os caminhos e veredas do Sertão, em busca dos atos e fatos de seus objetos de pesquisa, contudo, indispensáveis nas bibliografias, indeléveis fontes de conhecimento.

Uma noite de grande responsabilidade e aprendizado. Acompanhar, ouvir, sentir, conversar com aqueles máximos da ciência historiográfica foi sem dúvida uma oportunidade única, ali se aprendia por osmose. Não vou citar nomes, seria injustiça esquecer alguém, pois todos e todas me contemplaram com o mais nobre apreço e consideração. Eu jamais esquecerei aquela noite do dia 25 de setembro de 2015 no Memorial Pe. Cícero. Uma academia, vislumbre e realização, pois o homem é constituído e vai se completando com os desafios.


Caravana Cariri Cangaço na Colina do Horto - Muro da Sedição

Sob o tema: As várias faces de Padre Cícero, ainda que meio ansioso, acendi uma sentinela no sentido de reconstruir o filho do homem, ainda muito mal interpretado nos livros escolares. Uma releitura sobre o Patriarca de Juazeiro, “O padim Ciço”, mediante uma análise genealógica, do meio social, do tempo histórico e acima de tudo de sua VOCAÇÃO.Com isto, difundir, as novas publicações isentas de especulações, chavões e rótulos que ainda satisfizeram oposicionistas ambiciosos e de uma igreja apartada, notadamente, dos fatos nacionais. Não há avanço, quando ainda se lê coisas como, "aluno medíocre... terminou seus estudos com dificuldades, etc. Cícero foi ordenado em 30 de novembro de 1870". Forjam-se juízos de valores, contudo precisamos do enaltecimento da verdade, telúrica e patriótica. 

Carece uma pesquisa dialética no seu tempo histórico, pautada em existentes e fartas fontes primárias. Assim, renasce o nosso personagem, Cícero Romão Batista, e se agiganta juntamente com seu primo José Joaquim Teles Marrocos.  

Descendentes de importantes colonizadores provenientes do rio São Francisco (Alagoas e Sergipe), pioneiros desbravadores das ribeiras do rio Carás. Homens destemidos, arredios e de notório poder sobre o espaço e das pessoas. Com títulos militares de coronéis, tenentes, capitães os mesmos defenderam seus sesmos, jurisdições, perpassaram aos seus descendentes a riqueza, inteligência e a primazia de liderança e domínio. Deste modo, Padre Cícero Romão Batista e José Joaquim Teles Marrocos, jornalista e abolicionista, figuraram na história por seus dotes morais, verdadeiros diplomatas na condução social, econômica e cultural de uma região, o Cariri cearense.


Professor Laílson Feitosa, conferencista da noite
Emerson Monteiro, Angelo Osmiro e Lailson Feitosa em noite de Conferência 
Cariri Cangaço

O primeiro pelo carisma, VOCAÇÃO RELIGIOSA, acolhedor e isento do apego ao profano, porém incluso, pois o homem é um ser social, portanto, sendo inevitável a sua participação política no intricado convívio em sociedade. E naquele momento, regia ao referido padre, o trato de resguardar aqueles, que em sonho recebeu a providência divina de: “E você, Padre Cícero, tome conta deles”, designado a proteger os desvalidos. Cumpriu, com justiça e sem mortes.

O segundo, astuto e desafiador, pois o jornalismo, a causa abolicionista, a escrita e seus discursos ardentes, posto de sua VOCAÇÃO PROFISSIONAL, um político social, questionador e defensor dos seus e de seu torrão.Dois homens, contemporâneos, VOCAÇÕES dispares, mas, herdeiros do paradigma da arte de conduzir uma sociedade. Apesar de iniciados sob o mesmo teto do seminário, somente Cícero teve o chamado divino, em sonho, pelo seu vocacionado.


José Marrocos

José Marrocos foi à armadura e aliado do primo e também defensor do Juazeiro, do povo pobre, injustiçado e sedento de calor humano, o mesmo povo acolhido pelo estimado Padre Cícero Romão Batista, “Padrinho Ciço” ou ainda “Padim Ciço”.

O Cariri Cangaço é uma Ágora, uma praça de discursos, de adição e principalmente de aprendizagem para condução de novas pesquisas, novas leituras e olhares sobre os nossos personagens históricos. Uma ação digna de patriotismo, ao Cariri Cangaço o meu singelo e sincero muito obrigado.Viva ao Cariri Cangaço.

Laílson Feitosa
Professor e Pesquisador, Conferencista do Cariri Cangaço
Juazeiro do Norte, Ceará

Feira do Livro em Mossoró, Marca Posse de Conselheiros Cariri Cangaço

Kydelmir Dantas, Geraldo Maia, Manoel Severo e Honório de Medeiros

Grande noite marcou o debate sobre "As historias do cangaço que ainda não foram contadas"; momento precioso que teve como anfitriã a Feira do Livro de Mossoró , na Expocenter - Palco "Estação das Letras", no ultimo dia 06 de novembro, sexta-feira. Tendo como moderador o pesquisador do cangaço, ex-presidente da SBEC e Conselheiro Cariri Cangaço Kydelmir Dantas, e como debatedores os pesquisadores Honório de Medeiros e Geraldo Maia, o evento eletrizante reuniu amantes e curiosos sobre a temática que lotaram as dependências do Expocenter.

Por duas horas Geraldo Maia e Honório de Medeiros, sob a moderação de Kydelmir Dantas, trouxeram para o público, fragmentos de suas mais novas obras: "Amantes Guerreiras - A Presença da Mulher no Cangaço" de Geraldo Maia e "História de Cangaceiros de Coronéis" de Honório de Medeiros, lançadas por ocasião da noite.


Cangaço: As histórias que não foram contadas...
Manoel Severo entrega Diplomas Cariri Cangaço na Feira do Livro
Iris Maia, Manoel Severo, Kydelmir Dantas, Geraldo Maia, Honório de Medeiros e Bárbara

Na oportunidade o Curador do Cariri Cangaço, Manoel Severo, deu posse aos Conselheiros Cariri Cangaço; pesquisadores Kydelmir Dantas e Honório de Medeiros, como também outorgou o Diploma de amigo do Cariri Cangaço ao pesquisador e escritor Geraldo Maia. Para Manoel Severo, "sem dúvidas essa noite espetacular com a grande apresentação dos confrades Kydelmir, Honório e Geraldo Maia, realmente sensacional, se enche de significado para nós com a posse dos Conselheiros Kydelmir Dantas e Honório de Medeiros, engrandecendo sobremaneira nosso Conselho Alcino Alves Costa, além de termos tido a felicidade de outorgar o Diploma de Amigo do Cariri Cangaço ao confrade Geraldo Maia, uma noite realmente especial !"

Para Honório de Medeiros "é uma grande honra fazer parte do Conselho Cariri Cangaço e todo esse esforço e o grande trabalho realizado pelo Cariri Cangaço só será realmente reconhecido em toda sua dimensão, no futuro." Já Kydelmir Dantas ressaltou "o espetacular trabalho do Cariri Cangaço na direção da união de toda comunidade que pesquisa o cangaço e temas afins, como messianismo, coronelismos, enfim. Para mim é uma honra fazer parte do Conselho". Para Geraldo Maia foi uma "grande alegria receber o Diploma do Cariri Cangaço na mesma noite do lançamento de meu mais novo livro."

Cariri Cangaço

Onde o Brasil de Alma Nordestina se Encontra

Sucesso do IV Congresso Nacional do Cangaço Por:Adriana Rosado

Espetacular IV Congresso Nacional do Cangaço

O IV Congresso Nacional do Cangaço realizado de 27 a 30 de outubro, superou as expectativas dos organizadores e da SBEC (Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço). O Congresso aconteceu no campus do IFPI de São Raimundo Nonato, em parceria com o Governo do Estado, Prefeitura Municipal de São Raimundo Nonato, SEBRAE e Diocese de São Raimundo Nonato, Assembleia Legislativa, IFPI, UESPI e UNIVASF.

A Secretária Municipal de Cultura Damiana Crivellare, que representou o Prefeito Avelar Ferreira, esteve presente durante todo o evento, em nome da Prefeitura Municipal de São Raimundo, que deu total apoio, destacando a importância cultural deste Congresso para nossa cidade. Benedito Mendes, Presidente da SBEC (Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço), falou do sucesso do IV Congresso e destacou a diversidade temática debatida. “Foi uma decisão acertada quando nós membros da SBEC escolhemos a cidade de São Raimundo Nonato para sediar este congresso. Estou muito feliz com os resultados e com esta equipe organizadora deste congresso, São Raimundo Nonato está de parabéns”, ressaltou.


Neli Conceição, filha dos ex-cangaceiros Moreno e Durvinha

Para Jairo Luiz, turismólogo ,"o Congresso foi muito bom, São Raimundo Nonato está de parabéns em ter trazido este congresso, está de parabéns toda a comissão organizadora. “A realização deste evento não só trouxe novas experiências para São Raimundo Nonato como também apresentou o potencial turístico desta região para representações de vários estados brasileiros que conheceram de perto esta preciosidade que vocês têm aqui em São Raimundo Nonato”, destacou Jairo Luiz. 

O evento foi muito bem sucedido nesses três dias de Congresso conseguimos reunir renomados pesquisadores do Brasil inteiro que discutiram os mais variados aspectos do cangaço, mas sempre focando a Caatinga que é um bioma genuinamente brasileiro, e chamando a atenção da sociedade para a sua preservação e para a sua riqueza científica e cultural do semiárido brasileiro. 

Presidente da SBEC, Benedito Vasconcelos
Wilson Seraine, pesquisador de Luiz Gonzaga

O Encerramento do evento foi marcado com uma palestra sobre o Bioma Caatinga e a necessidade de sua preservação, teve como palestrante José Alves de Siqueira, colegiado em Ciências Biológicas e Diretor Executivo do Centro de Referências para recuperação de áreas degradadas da Caatinga – Universidade Federal do Vale do São Francisco – UNIVASF.


Fonte: ASCOM PMSRN
Maiores informações:http://congressonacionaldocangaco.blogspot.com.br/