Páginas

Quem é este senhor, e o que ele tem haver com a história do cangaço? Por: Lampião Aceso


Crato, ano de 1935 - Pedro Maia (1892-1981) com o seu Ford 1934, placa "CE 20 8-A", estacionado numa das laterais da Praça Siqueira Campos, na Rua Dr. João Pessoa, esquina em que funcionou o Banco do Cariry, fundado em 1924. Chofer de praça e fotógrafo (além de outras profissões), foi Pedro Maia quem acompanhou o médico e jornalista Otacílio Macedo na célebre entrevista com o cangaceiro Lampião, realizada em Juazeiro do Norte no dia 06 de março de 1926, ocasião em que o bandido e seus familiares foram fotografados pelo profissional cratense.

**Foto: Júlio Saraiva / Acervo: Linard. Créditos do post: Nélio Falcão



Clássicas fotos , de Virgulino Ferreira e da Família Ferreira em 
Juazeiro de 1926; feitas por Pedro Maia.

Fonte:https://lampiaoaceso.blogspot.com/2022/08/personagens-terciarios.html

Padre Cícero e Lampião: o dia em que os personagens lendários do Nordeste se encontraram pessoalmente Por:Thaís Brito, g1 CE

Virgulino e Antônio, os irmãos Ferreira entram em Juazeiro em março de 1926

Em março de 1926, o bando de Lampião chegava a Juazeiro do Norte, no Ceará. Por alguns dias, o cangaceiro ficou na cidade a convite do governo brasileiro e conheceu o padre Cícero, por quem tinha grande admiração. O encontro de duas lendas do Nordeste não teve registros fotográficos e aconteceu de forma discreta. Lampião e padre Cícero se conheceram na cidade de Juazeiro do Norte, na região do Cariri cearense. Era março de 1926, e a chegada dos cangaceiros era esperada pelas autoridades. Isso porque os criminosos mais temidos do país haviam topado combater inimigos do governo. Para entender essa história, é preciso recuperar o contexto daquele ano. O Ceará temia a aproximação da Coluna Prestes, grupo liderado por militares que marchava e travava batalhas pelos estados brasileiros fazendo oposição ao governo federal e exigindo a renúncia de Artur Bernardes.

Diante da ameaça, o presidente da República confiou às autoridades regionais a formação dos Batalhões Patrióticos, grupos armados para lutar a favor da nação e combater a Coluna Prestes. Na região do Cariri, o deputado Floro Bartolomeu — figura próxima do padre Cícero — se encarregou de pedir o reforço do bando de Lampião, com promessas de armamentos, dinheiro e uma patente militar. O título de capitão não teve validade oficial, mas passou a ser utilizado por Virgulino Ferreira a partir de então.  No dia 4 de março, os cangaceiros chegaram a Juazeiro do Norte para atender ao chamado. Mas a Coluna Prestes desviou o caminho, e o combate nunca aconteceu. A estadia de Lampião na cidade rendeu sessões de fotografias, entrevistas para jornais e pelo menos um encontro entre ele e padre Cícero, de quem era devoto e admirador. O encontro entre as duas figuras já controversas para a época repercutiu com notícias nos jornais, charges e cordéis.

Em 1926, Lampião já havia estampado manchetes internacionais pela crueldade de seus crimes no cangaço. Líder do próprio bando desde 1922, ele inspirava temor na população e desafiava as polícias locais. O bando com 50 cangaceiros passou pela cidade de Barbalha na tarde do dia 4 de março. No entanto, a notícia do jornal “O Ceará” informava que a presença deles não trouxe tanto alarme. “Os bandoleiros se comportaram bem em Barbalha”, dizia o texto. Ao fim da breve visita, Lampião passou pelas lojas e bodegas para pagar as mercadorias compradas pelos seus companheiros antes de partirem para Juazeiro do Norte, a cidade vizinha. Lampião chegou naquela mesma noite a Juazeiro do Norte, sendo recebido por autoridades locais em uma fazenda do deputado Floro Bartolomeu. O político que havia convidado o bando estava ausente, pois tinha ido ao Rio de Janeiro para um tratamento de saúde. Após este primeiro momento, os cangaceiros são vistos pela população da cidade. Quem ajuda a recuperar essa história é o jornalista e escritor Robério Santos, que narra o episódio no livro “O Santo e o Cangaceiro”.

Bando de Lampião em Juazeiro, 1926

“E Lampião, com 49 homens naquela noite, por volta das 22 horas, entra no Juazeiro do Norte triunfante a cavalo. E nessa, ele vai para o centro da cidade, onde já estava tudo pronto para recebê-los”, relatou Robério Santos ao g1. Até o dia 7 de março, Lampião ficou hospedado em um sobrado do poeta João Mendes. Foi neste casarão que o cangaceiro recebeu a visita do padre Cícero. “Nesse dia 4, ele chega e praticamente não dorme à noite, de tantas pessoas visitando. Inclusive, o próprio padre Cícero vai até lá e pede pro Lampião não cometer nada, não fazer nada. Ele [Lampião] dá a palavra dele, não mexe com ninguém”, relata o escritor. A ausência de crimes com 50 cangaceiros na cidade é considerado um dos milagres do padre Cícero, como brinca Robério. Ele contextualiza que, no cangaço, havia uma forte ligação com os santos católicos. Lampião, por exemplo, era devoto do Sagrado Coração de Jesus e tinha um broche do padre Cícero nas vestimentas durante a visita ao Cariri.

O encontro dele com o 'padim' não foi fotografado. No entanto, os registros que chegaram aos dias atuais vêm de relatos das várias pessoas que estavam no sobrado. Conforme o escritor, este momento não foi realizado às escondidas. “Ele vai até lá em meio aos cangaceiros, onde eles se abaixam, beijam sua mão, tiram o chapéu e têm aquela devoção”, descreve. O sacerdote também falou sobre o encontro em entrevistas para os jornais da época. Segundo o padre Cícero, o momento foi de aconselhar Lampião a deixar o cangaço e se retirar para uma região onde ele não fosse conhecido, para que buscasse um trabalho honesto.

Fonte:https://g1.globo.com/ce/ceara/noticia/2025/12/21/padre-cicero-e-lampiao-o-dia-em-que-os-personagens-lendarios-do-nordeste-se-encontraram-pessoalmente.ghtml

Juazeiro do Norte sediará evento sobre o centenário da passagem de Lampião pela cidade

Foto de Lampião em Juazeiro em 1926

Juazeiro do Norte recebe, nos dias 3 e 4 de março, o evento que marca o centenário da passagem de Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, pelo município. Com palestras e mesas de discussão voltadas à análise histórica do episódio, a programação será realizada no Centro Cultural Daniel Walker, antiga Estação Ferroviária, das 9h às 19h. O evento é realizado pelo Cariri Cangaço, em parceria com a Prefeitura de Juazeiro do Norte, por meio da Secretaria Municipal de Cultura.

O encontro vai reunir pesquisadores e estudiosos para debater um dos episódios mais emblemáticos da história regional e tem o objetivo de ampliar o debate histórico, promovendo reflexões e contribuindo para a preservação da memória e da identidade cultural do Cariri.

De acordo com o historiador Roberto Junior, o evento integra a programação do Cariri Cangaço, seminário realizado desde 2009, que tem como proposta discutir, de forma responsável e fundamentada, temas como coronelismo, banditismo e as estruturas políticas do Nordeste no início do século XX. Segundo ele, a passagem de Lampião por Juazeiro é um ponto delicado e significativo na biografia de Padre Cícero, do médico e líder político Floro Bartolomeu, e na própria história da região.

"O objetivo é reunir pesquisadores de todo o Nordeste para discutir as motivações da vinda de Lampião a Juazeiro, o contexto político da época e a dinâmica dos fatos ocorridos na cidade. Trata-se de um episódio que ainda hoje gera debates e diferentes interpretações", destaca o historiador.

A passagem de Lampião por Juazeiro do Norte ocorreu no contexto da organização dos chamados Batalhões Patrióticos, que tinham como objetivo combater a Coluna Prestes. Na época, Lampião já era uma figura conhecida no cenário do cangaço nordestino, o que tornou sua presença na cidade um acontecimento cercado de repercussões políticas e sociais.

Fonte:https://www.juazeirodonorte.ce.gov.br/informa.php?id=31834

Cariri Cangaço Centenário : Lampião em Juazeiro do Norte


Programação Oficial
Cariri Cangaço Centenário
Juazeiro do Norte e Missão Velha
Ceará - Nordeste do Brasil

03 março 2026 terça-feira
Juazeiro do Norte - CE

8h15 - Centro Cultural Daniel Walker
Antiga Estação Ferroviária
Rua Santo Agostinho, Franciscanos - Juazeiro do Norte

8h30 - Apresentações Culturais e Feira de Livros e Artesanatos

8h50 - Consagração da Antiga Estação Ferroviária 
como "Lugar de Memória"
Conselheiros Cariri Cangaço Manoel Severo e Luma Hollanda
Padre Agostinho - Capelão do Cariri Cangaço

9h - Boas Vindas e Fala das Autoridades

9h10 - Solenidade de Entrega de Comenda do Mérito Cultural 

10h Conferência
"A Força dos Coronéis no Cariri Cearense"
Pesquisador Roberto Júnior
Conselheiro Cariri Cangaço João Tavares Calixto Júnior
Conselheira Cariri Cangaço Cristina Couto
Pesquisador Bruno Yacub

12h30 Almoço no Centro Cultural Daniel Walker

14h30 Visita à Colina do Horto
Estátua do Santo Padre Cícero
Museu Vivo do Padre Cícero
Valado da Mãe de Deus

16h20 Visitação ao Centro Histórico de Juazeiro
Praça Padre Cícero
Casa do Poeta João Mendes
 Casa de Padre Cícero
Memorial Padre Cícero
Igreja e Cemitério do Socorro

19h30 - Centro Cultural Daniel Walker
Antiga Estação Ferroviária
Rua Santo Agostinho, Franciscanos - Juazeiro do Norte

20h Conferência
"Padre Cícero, o Santo de Juazeiro: Biografia e Legado"
Pesquisador Roberto Júnior
Pesquisadora Fátima Pinho

22h Apresentações Culturais

04 março 2026 quarta-feira
Juazeiro do Norte - CE

8h15 - Centro Cultural Daniel Walker
Antiga Estação Ferroviária
Rua Santo Agostinho, Franciscanos - Juazeiro do Norte

8h30 Conferência
"O Governo Bernardes, o Tenentismo e seus Reflexos"
Pesquisador Roberto Júnior
Conselheiro Cariri Cangaço Carlos Alberto Silva
Pesquisador Urbano Silva

10h Conferência
"Floro Bartolomeu: Entre a Medicina e o Bacamarte "
Pesquisador Renato Casimiro
Conselheiro Cariri Cangaço Ângelo Osmiro

12h Almoço no Centro Cultural Daniel Walker

14h30 Visita ao Orfanato Jesus Maria e José
Antiga Fazenda de Floro Bartolomeu, onde Lampião se hospedou

14h50 - Consagração do Orfanato Jesus Maria e José
como "Lugar de Memória"
Conselheiros Cariri Cangaço Manoel Severo e Luma Hollanda

16h - Centro Cultural Daniel Walker
Antiga Estação Ferroviária
Rua Santo Agostinho, Franciscanos - Juazeiro do Norte

16h10 Conferência
"Centenário da Visita de Lampião a Juazeiro do Norte "
Pesquisador Roberto Junior
Pesquisador Renato Casimiro
Conselheiro Cariri Cangaço Vilson da Piçarra

18h Lançamentos

João Bosco: "A Sedição de Juazeiro"


05 março 2026 quinta-feira
Missão Velha - CE

8h15 - Visita ao Casarão de Quinco Vasques
Missão Velha, Ceara

8h40 - Câmara Municipal de Missão Velha
Centro - Missão Velha, Ceara

8h50 - Boas Vindas e Fala das Autoridades

9h10 - Solenidade de Entrega de Comenda do Mérito Cultural 

10h Conferência
"Missão Velha , entre Coronéis e Cangaceiros"
Senhor Dantas - Zeca Dantas - Isaias Arruda
Conselheiro Cariri Cangaço João Bosco André

10h40 Lançamento "Espiritologia Humana"
João Vasques Landim

11h30 Visita Técnica
Museu Orgânico e Oficina Antônio Linard
"O Torno de Lampião"

12h30 Almoço

14h30 Visita Técnica
Casa de Isaias Arruda - Coronel Menino
Casa Coronel José Gonçalves
Quadrilátero do Ponto Zero

16h Visita Técnica
Casarão Senhor Dantas
As Cachoeiras de Missão Velha

Encerramento



Cariri Cangaço Centenário 2026
Juazeiro do Norte - Missão Velha
Ceará - Nordeste do Brasil

Realização
Conselho Alcino Alves Costa - Cariri Cangaço
Prefeitura Municipal de Juazeiro do Norte
Centro Cultural Daniel Walker

Apoio na Realização
Prefeitura Municipal de Missão Velha
Câmara Municipal de Missão Velha
Museu Orgânico e Oficina Antônio Linard

Apoio Institucional
SBEC - Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço
 ABLAC - Academia Brasileira de Letras e Artes do Cangaço
ABRAES - Academia Brasileira de Estudos do Sertão Nordestino
GPEC - Grupo Paraibano de Estudos do Cangaço
GECC - Grupo de Estudos do Cangaço do Ceará
GECAPE - Grupo de Estudos do Cangaço de Pernambuco
GSEC - Grupo Sergipano de Estudos do Cangaço

Ângelo Osmiro: O Guardião da Verdade no Sertão das Letras Por Gilmar Teixeira

Ângelo Osmiro

Há homens que atravessam o sertão não a cavalo, nem de alpercatas gastas, mas armados de livros, paciência e verdade. Ângelo Osmiro é um desses. Caminha pela caatinga da história com o cuidado de quem sabe que cada pegada mal dada pode virar invenção, e que cada palavra fora do lugar pode trair a memória de um povo inteiro. Pesquisador, historiador e escritor, Ângelo não coleciona apenas quase três mil livros sobre o cangaço; ele coleciona respeito. Respeito pela história autêntica, pelos registros confiáveis, pelas vozes que realmente viveram o fenômeno sertanejo. Em tempos de modismos fáceis e romantizações perigosas, ele escolheu o caminho mais difícil: o da verdade. E quem escolhe esse caminho, invariavelmente, se torna referência. Na sua biblioteca — que mais parece um santuário do sertão — convivem Lampião e Benjamin Abraão, coronéis e beatos, Antônio Conselheiro, Padre Cícero, Padre Ibiapina, Frei Damião, Pedro Batista. Todos ali não como lendas folclorizadas, mas como personagens históricos, humanos, contraditórios, reais. Ângelo Osmiro não aceita atalhos: para ele, a história não se inventa, se pesquisa.

Cearense de Fortaleza, nascido em 5 de junho de 1963, formado em História pela UVA, servidor público por profissão e sertanejo por vocação, ele construiu uma trajetória sólida também nas instituições: presidiu a Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço, é membro da ABRAES, da SCGH, da SBEC, Conselheiro do Cariri Cangaço, e de tantas outras casas onde o saber ainda tem valor. Seus livros, Curiosidades do Cangaço, Da caatinga do Góes a Jaguaruana, Assim era Lampião e outras histórias, e Lampião e Benjamin Abraão, não são apenas obras publicadas; são marcos de um compromisso assumido com o Nordeste.

Mas Ângelo não vive só de arquivos, atas e fotografias amareladas. Vive de afetos. Torcedor apaixonado do Fortaleza — desses que sofrem, vibram e até adoecem quando o time cai —, ele sabe que a vida é feita de derrotas e resistências. E acima de qualquer paixão clubística, está o amor pela família: filhos e netos que já aprendem, desde cedo, a amar a literatura nordestina. É aí que mora a maior vitória: o legado que continua. Chamam-no, com justiça, de Doutor no assunto. Mas ele é, antes de tudo, um ser humano especial, educado, inteligente, firme nas convicções e generoso no compartilhar do saber. Dentro da historiografia do sertão nordestino — e especialmente do cangaço — Ângelo Osmiro é unanimidade. Quem pesquisa, quem estuda, quem lê, sabe: ali está um guardião da memória.

Num sertão onde tantas histórias se perdem no vento, Ângelo Osmiro fincou estacas de verdade. E enquanto houver alguém disposto a ouvir o Nordeste como ele escuta, o cangaço não será mito vazio — será história viva, contada com responsabilidade, paixão e honra.

Gilmar Teixeira, Conselheiro Cariri Cangaço - Feira de Santana