Expedições Cariri Cangaço 2026 - Sousa, Uiraúna, Nazarezinho e Aparecida

Programação Oficial
Expedições Cariri Cangaço 2026
Sousa, Uiraúna, Nazarezinho e Aparecida
Paraíba - Nordeste do Brasil

05 fevereiro 2026 Quinta-feira
Uiraúna-PB
15h - Auditório da Escola Municipal Benevenuto Mariano
Rua Manoel Mariano, Centro Uiraúna

Conferência
"Os heróis da resistência de Uiraúna -A inteligência venceu o Cangaço"
Conselheiro Cariri Cangaço Dannylo Maia

16h Visita aos Cenários da Resistencia
Inauguração do Monumento da Chegada de Lampião à Rua da Proa
Rotatória - Rua Francisco Leão Veloso

16h20 Consagração de Lugar de Memória
Inauguração do Monumento aos Heróis da Resistência
Igreja Matriz Jesus, Maria e José

17h Visitas ao Sítio Canadá e fixação de Placas Comemorativas
Casarão do senhor Teodoro Figueiredo
Palavras pelo proprietário, senhor Teodoro Figueiredo

Casa Grande da Família Roque
Palavras por representante da Família Roque

18h Praça de Eventos Joca Claudino
Espaço Cultural - Vila do Artesão Josefa Maria da Conceição
Exposição e Peça Teatral "Os Heróis da Resistência"
Orquestra de Frevo de Uiraúna


06 fevereiro 2026 Sexta-feira
Sousa-PB
9h Saída para Rota "Caminhos da Invasão a Sousa"
Caminhada pelas ruas do centro da cidade, cenário da invasão do 
bando de Lampião em julho de 1924
Visitas conduzidas pelo pesquisador Gabriel Mariz
Consagração "Lugar de Memória"
Conselheiros Manoel Severo e Luma Hollanda

9h Concentração 
Largo da Estação Ferroviária
Cenário Histórico precioso para toda a região, o Largo da Estação Ferroviária; espaço restaurado e revitalizado; nos transporta no tempo, com o Museu do Ferroviário de Sousa, localizado nos antigos prédios da REFESA, e ao próprio passado da cidade de Sousa. 

10h  Visita Técnica 
Casarão do Coronel Emídio Sarmento
O Casarão do coronel Emídio Sarmento é um dos importantes representantes do patrimônio histórico e arquitetônico de Sousa; hoje é a sede do Memorial Coronel Emídio, uma das mais destacadas personalidades da historia politica e econômica da região, o Memorial nos traz a historia da família, através de seu Museu com acervo vasto.

10h15 Comenda de Mérito Cultural ao Memorial Coronel Emídio

10h45  Visita Técnica 
Casarão da Família Mariz
A família Mariz; um dos mais tradicionais nucleos familiares do nordeste; com raízes antigas em Sousa, com figuras históricas como o Padre Antônio Marques da Silva Guimarães, que foi o primeiro prefeito de Sousa em 1854 e mais recentemente o governador Antônio Mariz, encontra no Casarão da família Mariz; hoje sede da Fundação Antônio Mariz; um espaço precioso e fundamental para entendermos a história não só da família e seus destacados membros, mas e principalmente a própria política e desenvolvimento de Sousa e de toda Paraíba. 

11h40  Visita Técnica 
Casarão do Juiz Archimedes Soutto Mayor
Dr. Archimedes Soutto Mayor, juiz de direito da cidade de Sousa em julho de 1924, uma das maiores vítimas da selvageria cangaceira por ocasião da invasão. o cangaceiro “Paizinho” tinha queixas pessoais contra o magistrado, a quem acusava de tê-lo condenando injustamente. Retirado ainda com roupas de dormir, o Juiz foi submetido a todo tipo de suplicia e humilhação, sendo forçado a andar de cangalha e em posição vexatória pelas ruas de Sousa. O ato final seria o assassinato do magistrado, mas Chico Pereira interveio e evitou a consumação do ato extremo. 
Almoço

15h Visita ao Parque dos Dinossauros

19h Fundação Antônio Mariz
 Dr. José Mariz, n° 20 – Centro – Sousa-PB

19h15 Comenda de Mérito Cultural a Fundação Antônio Mariz
 
19h30 Conferência
"O Cenário Político e Econômico da Região de Sousa na época da Invasão"
Conselheiro Cariri Cangaço José Otavio Maia de Vasconcelos

20h10 Conferência
"A Invasão de Sousa pelo Bando de Lampião"
Conselheiro Cariri Cangaço Bismark Martins de Oliveira


07 fevereiro 2026 - Manhã do sábado
Nazarezinho-PB
9h Saída para a Fazenda Jacu
Lendária Fazenda Jacu da família de Chico Pereira

9h30 Fazenda Jacu - Nazarezinho
Consagração e Consolidação como Lugar de Memória

11h Visita ao Centro de Nazarezinho - Rua Velha
Local da antiga "Bodega de seu João Pereira"

11h15 Auditório da Escola Maria do Carmo Mendes Pedroza
Centro Nazarezinho

11h10 - Entrega de Comenda do Mérito Cultural Cariri Cangaço
Prefeito Municipal Marcelo Batista Vale
Primeira-Dama Andressa Roberto
Secretário de Cultura Sebastião Cordeiro Braga
Secretária de Ação Social Virgínia Leite
Francisco Ramon Batista Neves
Helena Maria Pereira
Iris Mendes Medeiros

Conferência
"Conhecendo o Cangaceiro Chico Pereira"
Conselheiro Cariri Cangaço Wescley Rodrigues Dutra

Lançamento
"A Saga do Sargento Clementino Quelé"
Conselheiro Cariri Cangaço José Tavares de Araújo Neto

Almoço

07 fevereiro 2026 - Tarde do sábado
Aparecida-PB
14h30 Saída para a Aparecida

15h30 - Fazenda Acauã
Visita Guiada por Laércio Filho
Conselheiro Cariri Cangaço Manuel Dantas Vilar Suassuna
Lugar de Memória Luma Hollanda
Lendária Fazenda Acauã, construída ainda no século XVIII, marcou a infância do Mestre Ariano Suassuna e foi palco de inúmeros eventos políticos marcantes ao longo de seus quase 300 anos. 

16h30 - Entrega de Comenda do Mérito Cultural Cariri Cangaço
Prefeito Municipal João Rabelo de Sá Neto
Secretário Laércio Filho
Escritor José Almeida Pereira
Manuel Dantas Suassuna - Dantinhas
Conselheiro Cariri Cangaço Manuel Dantas Vilar Suassuna

16h50 Conferência e Lançamento
"A Lendária Fazenda Acauã"
José Almeida Pereira

17h30 Conferência
"O Cangaço Lampiônico no Alto Sertão da Paraíba"
Fabiana Agra

 18h Documentário
"A Pedra do Reino e o Sertão de Dom Pantero"
Manuel Dantas Vilar - Dantinhas

Roda de Conversa
Conselheiro Cariri Cangaço Valdir Nogueira
Conselheiro Cariri Cangaço Carlos Alberto Silva

Encerramento



Expedições Cariri Cangaço 2026
Sousa, Uiraúna, Nazarezinho e Aparecida
Paraíba - Nordeste do Brasil

Realização
Conselho Alcino Alves Costa - Cariri Cangaço

Apoio na Realização
Prefeitura Municipal de Sousa
Prefeitura Municipal de Uiraúna
Prefeitura Municipal de Nazarezinho
Prefeitura Municipal de Aparecida
Acauã Produções Culturais
Memorial Coronel Emídio
Fundação Antônio Mariz

Apoio Institucional
SBEC - Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço
 ABLAC - Academia Brasileira de Letras e Artes do Cangaço
ABRAES - Academia Brasileira de Estudos do Sertão Nordestino
GECC - Grupo de Estudos do Cangaço do Ceará
GPEC - Grupo Paraibano de Estudos do Cangaço
GECAPE - Grupo de Estudos do Cangaço de Pernambuco
GSEC - Grupo Sergipano de Estudos do Cangaço
 

João de Sousa Lima Toma Posse como Novo Presidente da ALPA

A Academia de Letras de Paulo Afonso (ALPA) empossou, na noite da última quarta-feira, 19, sua nova diretoria para o biênio 2026/2027. A cerimônia, realizada no plenário Dr. Manoel Josefino Teixeira, na Câmara Municipal de Vereadores — espaço gentilmente cedido pelo presidente da Casa, Zé de Abel — reuniu autoridades, vereadores, familiares, amigos e a maior parte dos acadêmicos, em um momento marcado por emoção, reconhecimento e compromisso com a cultura.

A solenidade foi conduzida pelo ex-presidente, Dr. Isac Oliveira, que presidiu a mesa e recebeu aplausos pelo trabalho desempenhado ao longo de sua gestão. Durante o evento, foi oficializada a posse do novo presidente da ALPA, o escritor e pesquisador João de Sousa Lima, que assume seu primeiro mandato à frente da instituição.

Nova Diretoria da ALPA – Biênio 2026/2027
Presidente: João de Sousa Lima
Vice-Presidente: Francisco Araújo
Secretário-Ge ral: Aníbal Nunes
2º Secretário: Antônio Marcos Lima
Tesoureiro: Jorge Henrique
2º Tesoureiro: Edson Barreto

Também foram empossados os membros do Conselho Fiscal, Conselho de Contas e do Conselho Editorial, reforçando o compromisso de fortalecimento institucional e literário da ALPA para os próximos anos. Em seu discurso, João de Sousa Lima fez questão de destacar o legado da gestão anterior e demonstrou profundo respeito ao trabalho que o antecedeu:


“Meus agradecimentos e admiração pela diretoria passada, que conduziu com dedicação e trabalho exemplar o momento de transição. Principalmente ao ex-presidente, Dr. Isac Oliveira, que honrou o nome da Academia durante todo o período, dentro de suas possibilidades, com dedicação e esmero.”

A posse da nova diretoria marca um novo capítulo na história da Academia de Letras de Paulo Afonso, que segue firme em sua missão de preservar, promover e valorizar a literatura, a cultura e a memória da cidade e da região. O biênio 2026/2027 promete avanços, projetos culturais e uma atuação ainda mais próxima da comunidade, sob a liderança de João de Sousa Lima e sua equipe.

Por Gilmar Teixeira
Conselheiro Cariri Cangaço

NOTA CARIRI CANGAÇO
O Conselho Alcino Alves Costa do Cariri Cangaço, através de seu Presidente, Manoel Severo Barbosa, congratula-se com votos de pleno sucesso e muitas realizações ao mais novo Presidente da ALPA, nosso Conselheiro Cariri Cangaço João de Sousa Lima, posse que reconhece o enorme e responsavel trabalho deste brilhante intelectual na direção do fomento da literatura e cultura pauloafonsinas.  



Areia uma Jóia do Patrimonio Nacional encravado no Brejo Paraibano

Igreja do Rosário dos Pretos em Areia

É inegável a força da região do brejo paraibano, encravada no alto da serra da Borborema, pontuada pelas cidades que guardam beleza, tradição e cultura num ambiente de patrimônio tombado e um clima ameno de suíça brasileira, onde despontam dentre outras, as cidades de Bananeiras, Areia, Solânea, Guarabira e Alagoa Grande.

Depois de uma saga de 9 dias pelas estradas nordestinas, saindo de Fortaleza, passando por João Pessoa, Recife, Gravatá e Campina Grande, chegamos a Areia; eram cerca de 15 horas, ainda havia tempo para aproveitar a maravilhosa magia e as muitas belezas desta que sem dúvidas é uma das mais belas cidades paraibanas. Museu Casa de Pedro Américo, Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição, Igreja do Rosário dos Pretos, Museu Regional de Areia, enfim, Areia guarda em si, memorias e lembranças para toda uma vida. 

Tailene Barros e Manoel Severo na praça central de Areia
Tailene Barros e Manoel Severo na Matriz de Nossa Senhora da Conceição
Tailene Barros e Manoel Severo na praça central de Areia

Recorremos ao site "Brejo Paraibano" para trazer um pouco da história de Areia:"Em 1625, Areia era conhecida como Sertão dos Bruxaxás, numa alusão à tribo Bruxaxá. Posteriormente esse povoado foi elevado à condição de vila, com o nome de Villa Real do Brejo de Areia. Areia foi a primeira cidade do Brasil a libertar os escravos dez dias antes da oficialização da lei áurea, em 3 de maio de 1888. O município está a uma altitude superior a 600 metros e apresenta um clima agradável o ano inteiro, sendo um dos mais frios da Paraíba. No inverno, a temperatura chega a 12 ºC. A cidade possui um conjunto arquitetônico peculiar, tanto urbano como rural, formado por igrejas, museus, prédios públicos, fazendas e engenhos que fabricam rapadura, açúcar mascavo e as famosas cachaças." 

Manoel Severo e Tailene Barros no Museu Regional de Areia

Vamos com o Paraíba Criativa : "Construído em 1972, o Museu Regional de Areia também conhecido por seu nome artístico, “Mura”, tem como missão institucional resgatar, preservar e difundir a memória da região da cidade de Areia, promovendo atividades científicas e culturais com vistas ao desenvolvimento social. Foi criado em 1972, pelo cônego Ruy Barreira Vieira, juntamente com alguns representantes da sociedade areiense, preocupados em registrar a história da cidade e dos seus ancestrais. O museu foi reconhecido como de utilidade pública pela Lei nº 147 de 04 de outubro de 1973, da Câmara Municipal de Areia, e pela Lei nº 3.870 de 28 de dezembro de 1976, da Assembleia Legislativa do Estado da Paraíba. Dentre os principais objetivos destacam-se: zelar pelo acervo histórico e cultural da região; despertar, principalmente na juventude, o respeito ao passado através do conhecimento dos hábitos, costumes, cultura e arte das gerações anteriores; apoiar o turismo cultural e a difusão do patrimônio cultural da cidade de Areia e entorno; e colaborar com o desenvolvimento de planos, projetos e programas que fomentem o progresso científico, artístico e cultural da região do brejo paraibano."


"O acervo do Museu Regional de Areia (Mura) é composto por peças de diversas categorias, como Arte Sacra, Artes Decorativas, Artes Visuais, Etnologia, Documentos Textuais e Iconográficos, além de uma pequena coleção de Mineralogia, Zoologia e Paleontologia. Está organizado de acordo com as seguintes temáticas: “Areia e a história”, registro da evolução da cidade, da rota de tropeiros, dos movimentos políticos, dos cuidados com a educação, os ciclos econômicos até o tombamento pelo Iphan como patrimônio nacional; e “Areia e a Arte”, registro das manifestações culturais com destaque para a vida e obra dos pintores Pedro Américo e Aurélio de Figueiredo e do escritor José Américo, dentre outros."

"Areia tem a cultura forte que partem de filhos que deixaram um legado memorável à história da cidade e do país. A cidade é lembrada como a terra do pintor Pedro Américo, do escritor José Américo de Almeida e do Padre Azevedo, inventor da máquina de escrever e de tantos outros filhos ilustres. Conhecida como “Terra da Cultura”, sedia o primeiro teatro construído no estado da Paraíba, o Teatro Minerva, edificado em meados do Séc. XIX e outros prédios históricos que tornam emblemática a cultura regional." Fonte: brejoparaibano.com.br

A Praça Pedro Américo em Areia, Paraíba, é um ponto central e histórico de Areia. É um lugar que simboliza a beleza dos casarões antigos da cidade, que tem um conjunto arquitetônico tombado pelo IPHAN. Ali vamos encontrar a bela Igreja do Rosário dos Pretos.
Manoel Severo
Igreja do Rosário dos Pretos 

"Com construção datada no  Início do século XVII , embora não se tenha dados concretos, sabe-se que a Igreja do Rosário é uma das mais antigas da Paraíba e acha-se situada no centro da cidade de Areia, em frente a Praça Ministro José Américo de Almeida. Sua construção foi iniciada em meados do século XVIII (18), vindo a ser concluída somente no século XIX (19), no ano de 1886, com a chegada de uma verba de quatro contos de réis concedida pelo Governo da Província da Paraíba. Ainda em 1886 foi celebrada a primeira festa religiosa na Igreja do Rosário. Segundo histórias relatadas e comprovadas por pessoas da cidade, a igreja foi construída com mão-de-obra dos escravos. De acordo com elas, os negros não podiam rezar na igreja matriz. A Igreja do Rosário passou algumas reformas, mas mesmo assim manteve a fachada, o altar e o interior, ambos construídos no estilo barroco."

Visita do Cariri Cangaço ao Museu Casa de José Américo, em Agosto de 2025 na cidade de Areia no Brejo Paraibano

Museu Casa Pedro Américo em Areia no Brejo Paraibano

Pedro Américo

Já era fim de tarde do dia 22 de agosto de 2025 , uma sexta-feira, quando chegamos ao brejo paraibano; uma região belíssima dentro do território da querida Paraíba, nosso destino a cidade de Areia, a bela encravada no alto da serra da Borborema e berço do grande, imenso, pintor Pedro Américo. 

Um conjunto arquitetônico tombado pelo IPHAN no ano de 2005, nos recebe com suas casinhas coloridas, uma ao lado da outra; grandes, pequenas, outras imensas; não importa, todas com muita história para contar. O paralelepípedo de pedra tosca ajuda a manter a legitima atmosfera que nos transporta no tempo, voltando a um passado cheio de memória, história, beleza e tradição. Na praça principal a imponente matriz Nossa Senhora da Conceição com seu histórico rico e sua arquitetura eclética abençoa todo o vale, e bem ali ao lado vamos encontrar o Museu Regional de Areia e um pouco mais abaixo uma não menos famosa casinha se destaca: O Museu Casa de Pedro Américo, uma casa simples, conjugada, com uma porta e duas janelas na frente, com  sala de visitas, sala de jantar, dois quartos, cozinha, banheiro e um pequeno quintal.


Manoel Severo e Tailene Barros na Casa Museu Pedro Américo, em Areia

Construída ainda no ano de 1843, a casa foi berço de menino Pedro Américo de Figueiredo e Melo, filho do casal, comerciante Daniel Eduardo de Figueiredo e dona Feliciana Cirne; uma família com profunda afinidade com as artes. Com o pai violinista, apesar dos poucos recursos, desde cedo o menino Pedro encontrou em casa o estímulo necessário ao desenvolvimento de um talento precoce: Pedrinho era um exímio desenhista, o que logo lhe trouxe destaque mesmo na pequena cidade.

Em 1852, Pedro não havia completado nem 10 anos e um acontecimento seria crucial para mudar a sua vida. Uma expedição científica chegava a Areia, sob o comando do naturalista francês Louis Jacques Brunet e tomando conhecimento do talento do menino, foi ate sua casa e conheceu alguns de seus "trabalhos" que incluíam uma série de cópias de obras clássicas, tomado por justificada surpresa decidiu coloca-lo a prova: testaria seu talento , sua capacidade e habilidade. Plenamente aprovado, o pequeno Pedro de nove anos foi contratado e tornou-se o desenhista da expedição, assim o pequeno artista partiria para uma verdadeira saga que duraria vinte meses ao lado de Brunet por todo o Nordeste. 

Tailene Barros
Tailene Barros e Manoel Severo

Em 1854, a partir de muitas Cartas de Recomendações e com seu trabalho já reconhecido, Pedro com apenas onze anos foi admitido na  AIBA - Academia Imperial de Belas Artes, no Rio de Janeiro, entretanto antes ainda passaria uma temporada no Colégio Pedro II, onde estudou o latim, francês, português, aritmética, aprimorando o estudo do desenho e da música e novamente tornando-se destaque entre todos. Em 1856 outro acontecimento decisivo: havia de ingressar no curso de  Desenho Industrial da Academia, tendo novamente um progresso e um sucesso impressionantes recebendo 15 medalhas e ali receberia o apelido de "papa-medalhas".  Mesmo antes de terminar o curso obteve uma pensão do imperador Dom Pedro II, partindo dali para uma fase de aperfeiçoamento na Europa. 

Academia Imperial de Belas Artes, no Rio de Janeiro; instituição que foi fundada por D. João VI em 1816 como Escola Real de Ciências, Artes e Ofícios, com o objetivo de estabelecer o ensino das artes no Brasil
A origem do primeiro prédio do Colégio Pedro II remonta ao ano de 1739, quando por inspiração de Dom Antônio de Guadalupe, 4º Bispo do Rio de Janeiro, foi fundado ali o Colégio dos Órfãos de São Pedro.

O ano era 1859 e Paris era seu destino quando matriculou-se na Escola Nacional Superior de Belas Artes, sendo discípulo de grandes mestres como Ingres, Leon Cogniet, Hippolyte Flandrin e Sebastien-Melchior ; continuaria ganhando prêmios e aperfeiçoando no mundo das artes e do conhecimento, bacharelou-se em  Ciências Sociais na Sorbonne como também aprofundou-se em arquitetura, filosofia, teologia e literatura. Em 1862 aos 19 anos partia para a Bélgica e matriculava-se na Universidade Livre de Bruxelas. 

Em 1864, com 21 anos retornou ao Brasil e foi convocado pelo imperador Pedro II a participar de um concurso para professor de Desenho Figurado no curso de Desenho Industrial da Academia Imperial, foi o vencedor, mas não assumiria o cargo. Depois de pouco tempo na corte no Rio de Janeiro, votaria em 1865 a Europa. Quatro anos depois voltaria ao Brasil, era o ano de 1869  quando casaria com Carlota, filha de Manuel de Araújo Porto-Alegre, cônsul brasileiro em Lisboa, com quem teria três filhos. No Rio no início de 1870 e passou a dedicar-se à pintura de telas mitológicas, históricas e retratos. Na Academia Imperial lecionava e escrevia. Nessa época ainda era um pintor desconhecido mas logo logo acabaria se tornando um dos maiores pintores do Brasil, passando a figurar constantemente na imprensa ganhando prestigio e apoio, reconhecido em todo o país. 


Veio a proclamação da República em 15 de novembro de 1889, fato que traria outra mudança na vida de Pedro Américo que de volta ao Brasil, conseguiu manter parte do seu prestígio junto ao governo, produzindo obras importantes como "Tiradentes esquartejado", "Libertação dos escravos" e "Honra e Pátria e Paz e Concórdia". Em 1890 foi eleito deputado por Pernambuco junto ao Congresso Constituinte e durante seu mandato defendeu a criação de museus, galerias e universidades pelo país. Em 1894, empobrecido, com a saúde piorando e com a visão prejudicada, mudou-se definitivamente para Florença. Apesar dos seus problemas, ainda pintava muito e escrevia. Publicou os romances O Foragido em 1899, e Na Cidade Eterna em 1901, viria a falecer ali mesmo em Florença no dia 7 de outubro de 1905, vítima de "cólica de chumbo", suposta intoxicação pelas tintas que usava.

Por ordem do presidente do Brasil, Rodrigues Alves e aos cuidados do Barão do Rio Branco, seu corpo foi embalsamado e transladado para o Rio de Janeiro, onde ficou exposto durante alguns dias no Arsenal da Guerra, para depois ser traslado para capital paraibana João Pessoa, onde recebeu exéquias solenes entre luto oficial, comércio fechado e uma multidão de admiradores, e em 29 de abril de 1906 foi provisoriamente depositado no Cemitério São João Batista para em 9 de maio foi novamente traslado e sepultado definitivamente na sua terra natal, Areia. 

“Batalha de Avaí” (1874 - 1877)
“Fala do Trono”
"Independência ou Morte!" (1888)
“Tiradentes esquartejado” (1893 )

"Pedro Américo deixou obras que permanecem vivas até hoje no imaginário coletivo da nação, como “Batalha de Avaí” (1874 - 1877), “Fala do Trono”, "Independência ou Morte!" (1888) “Tiradentes esquartejado” (1893 ),  "Batalha de Campo Grande" (1871), e outras obras como "Dom Pedro II na Abertura da Assembleia Geral" (1872). o Museu Casa de Pedro Américo possui mais de vinte reproduções de telas famosas do artista, alguns esboços autênticos e o original “Cristo Morto”, de inestimável valor, um dos seus últimos trabalhos, pintado em 1901. Há também um retrato de Pedro Américo, pintado por seu irmão Aurélio de Figueiredo. Expostos numa vitrine, objetos de uso pessoal: alguns pincéis, um velho esquadro. Também uma palmatória que pertenceu à sua mãe, um álbum de caricaturas, fotos da família e os livros escritos por ele na Europa – “Holocausto”, em 1882, “O Foragido”, em 1899, “Na Cidade Eterna”, em 1901; além de um crucifixo e um vidro contendo uma página de jornal, retirados de seu caixão mortuário. Na outra sala funciona a galeria de areienses ilustres. Ao total, o acervo conta com 150 peças."

Visita do Cariri Cangaço ao Museu Casa de José Américo, em Agosto de 2025 na cidade de Areia no Brejo Paraibano