O Combate da Fazenda Ipueiras - Serrita Por:Ivanildo Silveira


Cel. Pedro Xavier das Ipueiras

No dia 03 de fevereiro de 1927, na Fazenda Ipueiras, hoje município de Serrita/PE, naquela época município de Leopoldina, hoje Parnamirim, no alto sertão pernambucano,  ocorreu um grande combate entre a Família do Cel. Pedro Xavier e Lampião e seu bando.

Ipueiras, de certo modo, possuía uma situação privilegiada, de solo fértil, água; lá se produzia cana-de-açucar, para fazer moagens, arroz, batata e demais produtos da terra destinados á alimentação da população, a pescaria nos açudes e a atividade agropecuária. O excedente era comercializado na feira semanal localizada na Vila de Ipueiras, encravada na Fazenda de mesmo nome.

O Coronel Pedro Xavier, homem flexível, hospitaleiro e generoso, exerceu também o cargo de juiz  interino de direito na vacância do titular da comarca de Leopoldina. Morava no casarão da Fazenda Ipueiras e teve numerosa prole. Os descendentes, os familiares dos Xavier; uns moravam na Fazenda  e outros na Vila de Ipueiras – uma incipiente urbanização com um pequeno mercado semanal, uma escola, uma agência de correio, farmácia, mercearia, padaria, loja, que na sua maioria, pertenciam aos próprios membros da família, uma espécie de feudo.

 Serrita em detalhe

Na década de vinte , do século passado, eram comuns as andanças de bandos de cangaceiros, por todo o nordeste. Lampião perambulava pelas caatingas, assaltando, matando, extorquindo, pequenos, médios e grandes proprietários de terra.

De início, Lampião e o seu bando passaram em “paz” pela Ipueira, em 26 de maio de 1925, quando o Cel. Pedro Xavier não fugindo da costumeira hospitalidade,  mandou fornecer-lhe comida, roupas e lenços tirados da loja de um de seus filhos Gumercindo.

Naquela oportunidade,  as filhas e as noras do Cel. Pedro Xavier foram proibidas de se apresentarem para conhecer Lampião e seu bando, para evitar que os cabras cometessem algum atrevimento.

O Cel. Pedro Xavier, um tanto constrangido de ter dado guarida a Lampião, pois soube de algumas bobagens que seu bando andou fazendo com outras pessoas dali, firmou o propósito diante da família, de que, na próxima vez que ele passasse, o “ receberia na bala “. Para isso, mandou um recado para Lampião:

“Não volte mais a Ipueiras, do contrário, será recebido a bala”.Ao tomar conhecimento do fato,  Lampião mandou a seguinte resposta:“ Quando passei por Ipueiras, respeitei você e sua gente, agora com seu recado atrevido a coisa vai mudar, prepare-se que haver choro".

O momento fatídico estava para acontecer a qualquer instante. Até que no dia 03 de fevereiro de 1927, alguns membros da família do Coronel Pedro Xavier estavam reunidos na casa da fazenda para almoçar, esperando os demais que se encontravam na Vila de Ipueiras. Encontravam-se na casa sede da fazenda apenas: a matriarca Josefa Xavier (esposa do coronel); José Saraiva Xavier (Dezinho), um dos baluartes do combate; Aparício Xavier que na época era seminarista em Petrolina-PE, e estava de férias na Fazenda; Mário Saraiva Xavier, o mais novo dos filhos e ainda menino; Francisca Xavier (nora do Coronel); Pedro; e amigos da família como Napoleão Pereira e Naninha (esposa); e Tosinha ( de Jardim-Ce); Manoel Preto ( afilhado de d. Josefa) e Pedro Dama, este, por sinal, cego de um olho, homens de confiança da família.

   
Estavam na Vila de Ipueiras na hora do cerco e foram subindo para a casa da fazenda, atirando: o Coronel Pedro Xavier, o patriarca da família, Gumercindo, Antonio, Aristides e Amélia (filhos do coronel), João Sampaio Xavier (genro e sobrinho), Luiz Teixeira (genro), Pedro Saraiva (genro). Dos filhos só faltou Francisco Xavier Sobrinho, filho mais velho do coronel Xavier, que estava em um fazenda distante, e não chegou a tempo.

De repente, se ouviu um tiro.Dezeinho Xavier teve a impressão de ser tropa do governo, e indagou: “ Quem vem aí, é da polícia?“. A resposta foi um tiro disparado pelo cangaceiro ‘Tempero' que vinha á frente do grupo. Por um triz não alvejou Dezinho, que, sem perda de tempo, respondeu ao tiro, atingindo o aludido bandoleiro á altura de uma das orelhas, que caiu ali, sem vida.

 
Lampião e seus cabras iniciaram o grande tiroteio, com mais rancor, diante da morte de um dos integrantes do grupo. Verdadeira batalha estava sendo travada, entre os Xavier e os Cabras de Lampião, cujos tiros quebraram jarras d´agua, derrubaram paiol e jirau de queijo. Dezinho Xavier, Manoel reto e Pedro Dama seguraram o fogo de frente evitando que Lampião chegasse ao terreiro da casa, enquanto esperavam pelo pessoal que estava na Vila de Ipueiras, mas que já vinham ás carreiras para  sustentar o fogo.

Enquanto o combate prosseguia, com tiros de ambos os lados, as mulheres rezavam e os homens, não tinham tempo nem  de urinar. Napoleão Pereira, em alto e bom desafiava Lampião, dizendo: “ Cabra safado, um bandido como tu, eu te dou de peia no umbigo, você está falando com Napoleão Pereira do Jardim do  Ceará “. No meio da aflição, Manoel Preto acalmava Dona Zefinha; “ Madrinha Zefinha, enquanto a senhora ver este negro aqui, só tenha medo dos castigos de Deus “.

Lampião trazia como refém, um camponês, amigo dos Xavier, Sr. Vicente Venâncio, além de Pedro Vieira Cavalcante da cidade de Jardim-Ce, tendo exigido da família desse último, 5 contos de réis para soltá-lo.

A hora crucial se aproxima, o quadro torna-se dramático e nunca se sabia como iria terminar tudo aquilo, apesar da resistência dos Xavier se fazer forte, com poucos homens lutando e uma coragem inusitada.

Com a chegada, na casa da Fazenda, dos  que se encontravam na Vila de Ipueiras, entre eles, destacou-se Gumercindo Xavier, homem de caráter admirável e coragem a toda prova, a reação aumentou.

 Imagens da Fazenda Ipueiras, Serrita-PE

Só que os recursos se exauriam, a cada minuto. O Cel. Pedro Xavier temendo a munição se acabar e Lampião ir ganhando terreno em direção á casa da fazenda, e ai seria o fim da epopéia, mandou seus serviçais selar cavalos e avisar aos parentes e amigos, a exemplo do Coronel Chico Romão, de Serrita/PE.

Segundo depoimento de um dos reféns de Lampião, Sr. Vicente Vitorino, no momento do tiroteio,  Havia se quebrado o Rosário de Lampião", e, como os cangaceiros eram por demais supersticiosos, o rei do cangaço manifestou-se receoso com o fato: era  mal sinal num combate, quebrar-se um rosário. Por sua vez a bala certeira dos Xavier havia matado o cangaceiro “Tempero”. Lampião ficou cabreiro com o episódio e disse:

“ os homens estão fortes, o rosário quebrou e já perdemos nosso melhor fuzil, referindo-se á perda de “Tempero” ( que era um dos melhores atiradores do grupo),vamos dar o fora“.

A cruz mostra o local onde foi assassinado Pedro Vieira

Naquele dia Lampião estava endiabrado. Como a esposa do refém Pedro Vieira Cavalcante (de Jardim-Ce) não pagou o resgate exigido pelo facínora, ali mesmo, na Faz. Ipueira, ele foi morto.  O tenebroso bandido, também, matou um popular, um rapaz jovem chamado Lino, que ia cavalgando num jumento, próximo ao local do combate.
 
O refém Vicente Vitorino teve melhor sorte. Lampião se dirigiu ao mesmo e disse-lhe:“ Velho, se você nos desviar de um "Piquet" dos Xavier, eu lhe solto, se não você morre “.E, então, o camponês sabiamente, os conduziu por percursos estranho aos percorridos normalmente pelos Xavier, e, lá longe, na Macambira, Lampião soltou o velho que voltou á casa dos Xavier e narrou todo o acontecido.

 Severo, Dr. Napoleão e Ivanildo Silveira

Logo após o cambate, chegaram á Fazenda Ipueiras, o Coronel  Chico Romão, de Serrita, com 50 homens, armas e munições, Aparício e Alfredo Romão com 30 homens; Luiz Pereira de Jardim-CE (genro do Cel. Pedro Xavier) com 30 homens. Em face do acontecido, as filhas do coronel Pedro Xavier, a idéia foi de Adalgisa ergueram uma Capela na fazenda, cujo patrono é São José.

Um abraço  a todos
IVANILDO ALVES SILVEIRA
Colecionador do cangaço
Membro da SBEC
Natal/RN

NOTA CARIRI CANGAÇO: Esse episódio, tão bem narrado pelo confrade Ivanildo Silveira, foi exatamente um dia após a chacina de Guaribas, onde tombou morto Chico Chicote, também objeto de postagem neste blog.

Abraço de Luz


Maristela Mafuz

No começo da semana fomos surpreendidos por uma dessas peças do destino. Um pequeno susto, que já passou. Existem pessoas que entram em nossas vidas pela porta da frente, conquistam nosso respeito, admiração e bem querer; assim foi com a família Mafuz Nogueira, de meus irmãos do coração: Aderbal, Maristela, Felipe e Guilherme.

Em nome do Cariri Cangaço agradecemos a todos os amigos que se uniram nesta corrente de oração pelo pronto reestabelecimento da saúde dessa grande mulher, grande profissional, grande esposa e espetacular mãe: Maristela. Amigo Aderbal, saiba que estamos todos felizes por tudo está correndo bem, conte conosco.

Cariri Cangaço
Manoel Severo e Danielle Esmeraldo

SBEC - Nota de Solidariedade



A SBEC - Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço, representada por seu Presidente Ângelo Barreto Osmiro, traz sua solidariedade à família de seu Diretor, Aderbal Simões Nogueira, neste momento de reestabelecimento da saúde de sua esposa e grande companheira Maristela Mafuz. Em nome da SBEC  e de todos os sócios renovamos os nossos votos de estima e consideração, desejando que possam receber as Bençãos dos Céus e que no mais breve espaço de tempo possível possamos ter Maristela à frente de suas atividades profissionais e familiares.


Ângelo Osmiro
Presidente da SBEC

Recado aos Nossos Comentaristas



Ontem recebi um telefonema de um querido amigo, companheiro de Cariri Cangaço, falando da dificuldade; dele; em efetivar comentários nas postagens de nosso blog. Veja: Não há nenhuma dificuldade, não há a necessidade de se ter uma conta de email do Gmail para comentar, é só entrar na Janela de Identificação de Cometários, com o Perfil: Anonimo; evidentemente, assinando o comentário ao final do mesmo. Dessa forma sem problemas terá seu comentário efetivado.

Outra pergunta do mesmo companheiro: Não consigo colocar fotos. Bem, com relação à fotos, não será possível colocá-las em "comentários", quando ajuizar a necessidade de colocar fotografias, me enviem um email para: manoelsevero@bol.com.br com o texto referente e a respectiva foto; sempre estamos postando artigos de nossos estimados e valorosos colaboradores, com satisfação.

Então, acho que esclarecemos; creio não haver mais dúvida sobre como colocar seu comentário neste blog.

Abraços,

Manoel Severo.

O Espinho que Furou o Olho de Lampião!



Quem participou da segunda noite do Cariri Cangaço, acolhida pelo município de Juazeiro do Norte, no Memorial Padre Cícero pôde conhecer um dos mais talentosos grupos da região; o Crateto. Sob a liderança do poeta e músico Ulisses Germano , fomos brindados com a poesia e a magia do "Espinho que Furou o Olho de Lampião", imperdível. Esse e todos os outros momentos do Cariri Cangaço, 
dentre em breve: 
Box Cariri Cangaço 2009 
Emoção em DVD.

Músicos do Crateto: Ulisses Germano, Marcos Vinícius e Walevisck.

Dentro de alguns dias teremos o lançamento do BOX DVD Cariri Cangaço 2009, com todos os momentos que marcaram a primeira edição do evento. Será um DVD Documentário; contendo o resumo de tudo o que aconteceu no Cariri Cangaço 2009 e também um BOX com 11 DVD's divididos por dia; trazendo os bastidores, as entrevistas, os comentários, as visitas, as palestras e os debates. Você escolhe entre o DVD resumo do evento ou o BOX Completo, ou os dois; pode ainda escolher um dia específico do Cariri Cangaço 2009, para adquirir.Dentro de alguns dias maiores informações neste Blog.

Gabriel Barbosa

Padre Cícero, Greenpeace e Juazeiro do Norte




O Greenpeace, Organização Não Governamental de atuação Global na defesa do meio ambiente e  promoção da paz, iniciou mais uma Campanha em defesa das Florestas do Brasil. Neste nova empreitada a ONG distribuirá 20 mil panfletos; de um lado vamos encontrar a fotografia de Padre Cícero Romão Batista, no outro lado encontraremos os "11 mandamentos de Padre Cícero para os agricultores preservarem a natureza".Para o Diretor de Campanhas do Greenpeace no Brasil, Sérgio Leitão "em vários lugares do mundo a religião ajuda a fortalecer essa ligação do homem com o meio ambiente e esses ensinamentos tem muita força". 



Árvore símbolo e patrona do município: Juazeiro

Em paralelo à iniciativa do Greenpeace. a Prefeitura Municipal de Juazeiro do Norte iniciou a campanha para distribuir até o mês de julho de 2011; mês do centenário da cidade de Juazeiro do Norte, fundada pelo Padre Cícero; um milhão de mudas da árvore da qual a cidade herdou o nome: Juazeiro. A distribuição já se iniciou e se perpetuará entre os que visitam a terra santa do padre Cícero, até o próximo ano.

Fonte: Site oficial do Greenpeace e Site oficial da Prefeitura de Juazeiro do Norte; colaboração: Professor OcélioTeixeira/URCA - Crato.

II Seminário Internacional Maria Bonita



Aproxima-se o II Seminário Internacional do nascimento de Maria Bonita, a realizar-se em sua cidade natal, Paulo Afonso. Promoção da Prefeitura Municipal de Paulo Afonso e Universidade Estadual da Bahia, com o apoio da SBEC. O evento acontece nos dias 8 a 10 de março.


Companheiros presentes ao Primeiro Seminário Internacional, em março de 2009; em Paulo Afonso, sob a coordenação do confrade João de Sousa Lima.

Na foto: Jairo Luiz, Aderbal Nogueira, Kydelmir Dantas, Neli Gonçalves, Ângelo Osmiro, Antônio Vilela, João de Sousa Lima, Severo e Danielle.

A Tragedia Guaribas de Chico Chicote, Parte II



Guaribas Hoje

Quando nos aprofundamos no episódio da morte de Chico Chicote, começamos a desvendar os meandros da  selvagem política dos primeiros anos da república velha. Na verdade uma espetacular trama envolvendo correntes políticas de alguns das principais cidades do cariri, viriam trazer um tempero especial ao combate de Guaribas. Explico: O irmão de Chico Chicote, era o prefeito de Brejo Santo, Quinco Chicote, e por muitas vezes precisou usar toda a força política e ainda amargar alguns desabores em função da ação truculenta do irmão rebelde. Em determinado momento lideranças de Brejo Santo enviaram telegrama ao Presidente do Ceará; Moreira da Rocha; com queixas contra Chico Chicote, e pediam providências às forças do estado. Ato contínuo o mandatário maior do estado designou a volante do tenente José Bezerra, estacionada em Jardim, para atender ao pleito lhe enviado.

Na verdade começava ali o esboço de uma das maiores atrocidades da história do cariri. É importante mostrar outros personagens; ou, vítimas; desse bem tramado plano. Primeiro vamos nos deter em Antônio Gomes Granjeiro, de tradicional família sertaneja e amigo fiel de Chico Chicote; sua propriedade, o sítio Salvaterra; seria  a primeira parada da volante assassina de José Bezerra. O Tenente havia partido de Brejo Santo dizendo aos quatro ventos que iria em perseguição a Lampião, que de fato se encontrava ali perto, também na Serra do Araripe; Entretanto naquela madrugada do dia 1 de fevereiro de 1927, a volante seguiu direto para o sítio Salvaterra, com o intuito de efetivar o primeiro "acerto" daquela fatídica empreitada: Matar Antônio Gomes Granjeiro; crime encomendado pela família Salviano, inimiga de Chico Chicote e que se encontrava sob a proteção do poderoso Zé Pereira de Princesa.

Danielle Esmeraldo e Dr. Napoleão Tavares Neves no local onde foi morto Antônio Gomes Granjeiro

Cercaram a casa de Antônio Gomes Granjeiro pouco antes do alvorecer, dali levaram o dono da propriedade e mais os companheiros, Louro, Joaquim de Barros e Aprígio, todos violentamente mortos, degolados e queimados, a poucos quilômetros de Guaribas. A primeira etapa da empreitada a que foi contratado Zé Bezerra, estava cumprida.

Mais uma vítima seria assassinada covardemente pelas costas nesta manhã tenebrosa de fevereiro, no cariri cearense. Antônio Marrocos (foto ao lado), o Nêgo Marrocos, era cobrador de impostos em Macapá, atual Jati, na época município de Jardim. Ali mantinha antiga rixa com lideranças políticas locais que aproveitaram a oportunidade para também "peitarem" o tenente Zé Bezerra e acabar com a vida do referido inimigo. Depois de passarem no Salvaterra, foram a casa de Marrocos e praticamente o induziram a acompanhar a malta "oficial" até a propriedade de Chico Chicote, uma vez que o mesmo mantinha boas relações com Marrocos. Era o começo da manhã daquele dia e ao se aproximarem de Guaribas, Zé Bezerra deixou o grosso da tropa, composta por cerca de 70 homens e partiu junto com Marrocos, o tenente Veríssimo e com o sargento Antônio Gouveia e ainda o corneteiro Louro, de encontro a Guaribas.

Quando os moradores de Chico Chicote avistaram o pequeno grupo, avisaram ao patrão: "É o Nêgo Marrocos!" Naquele momento o segundo "acerto" da empreitada seria efetivado: O tenente Veríssimo imediatamente disparou um tiro de revolver nas costas de Antônio Marrocos, que ainda permaneceu vivo por algumas horas no cenário do grande combate. Ao ouvir aquele primeiro tiro, Chico Chicote voltou rapidamente com os seus para dentro de casa; começava ali um dos mais ferozes combates da era do cangaço, em terras cearenses.

Continua... 


Manoel Severo

NOTA CARIRI CANGAÇO: Essa Matéria estará distribuida em quatro postagens. Pesquisa : Fonte - Revista Itaytera  Volume 16 - Otacílio Anselmo; Cordel - A Tragédia das Guaribas, Maria do Rosario Lustosa da Cruz; entrevista Memorialista Napoleão Tavares Neves.

Os Diferentes Olhares do Cariri Cangaço 2009


Casarão do Padre Cícero 
na Colina do Horto
em Juazeiro do Norte
e Capela da Fazenda Padre Cícero 
em Missão Velha
Fotografias de Dário Castro Alves



O Enrrolador de fumo da Fazenda Piçarra
e os Tocadores de Missão Velha
Fotografias de Chagas Nascimento


 

Banda Cabaçal da Casa Grande em Nova Olinda, Fotografia de Afrânio Cysne  
 Ruínas da Casa do Beato Zé Lourenço, Fotografia de Antônio Vilela

 

  

O "Oitão" sobreado e a Pedra Tosca 
da bela e acolhedora Barbalha, 
Fotografias de Pedro Henrique Barbosa

  

NOTA CARIRI CANGAÇO: Fotografias feitas durante o Cariri Cangaço 2009; pertencentes ao acervo de seus autores, e gentilmente cedidas à Produção do Cariri Cangaço.

Todos a Paulo Afonso

 
  
COMISSÃO ORGANIZADORA
Juracy Marques
Diretor da UNEB – Campus VIII
João de Sousa Lima
Coordenador Geral do Evento
Jânio Ferreira Soares
Secretario municipal de Turismo 
Antônio Galdino da Silva
Diretor de Turismo. Cultura e Esportes
 

De Matinha a Água Branca Por: Manoel Severo


 Casarão da Baronesa de Água Branca

Todo pesquisador com certeza, já fez esse roteiro! Mas, todo curioso ou o mínimo interessado sobre a temática Cangaço deveria, pelo menos uma vez na vida, percorrer as trilhas dos sertões das fronteiras entre os estados de Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Bahia; ali; pelos lados de Paulo Afonso, Tacaratu, Inhapi, ,Pariconha, Delmiro, Olho d'Agua do Casado, Piranhas, Poço Redondo, Canindé, Água Branca, enfim.

 Alagoas, em destaque: Água Branca

A região foi cenário do último ato do Rei do Cangaço, Virgulino Ferreira. Por último ato se entenda o fogo do Angico, grota encravada a cerca de 1 km do leito do São Franscisco em sua margem Sergipana, no atual município de Poço Redondo, em 28 de julho de 1938. Entretanto, curiosamente, a região também havia sido palco do primeiro grande ato da longa vida fora da lei de Virgulino. Ali em 1922; 16 anos antes; Lampião, recém "nomeado" líder do bando de Sinhô Pereira ataca Água Branca e assalta o casarão da Baronesa Joana Vieira, viúva do Barão de Água Branca.
Água Branca, também vem a ser o berço de um dos mais destacados cangaceiros da história: Cristino Gomes da Silva Cleto, Coriso - O Diabo Louro (foto ao lado) ; quando o local ainda se chamava "Matinha de Água Branca" ,ainda povoado de Mata Grande. Passando a Água Branca em função de haver na serra do mesmo nome, uma magnifica fonte de água muito branca. 

A baronesa de Água Branca, dona Joana Vieira Sandes, era viúva do Barão de Água Branca;  JoaquimAntônio de Siqueira Torres; e já contava mais de 90 anos quando sua residencia foi invadida e assaltada por Lampião e seu bando, nesse que é contado em prosa e verso, como o primeiro ato do Rei do Cangaço, como chefe efetivo de um bando. Era o mês de Junho de 1922. Por muito tempo as jóias roubadas da Baronesa de Água Branca, ornaram a figura da rainha do Cangaço, Maria Bonita.

 
Matriz de Água Branca

Quem não conhece, precisa conhecer. Água Branca é uma região de serra, segundo ponto mais alto do estado de Alagoas, clima bom e de povo acolhedor, atualmente tem uma população estimada em 22 mil pessoas. Vale a pena, e; estando lá, podemos dá uma esticadinha a Paulo Afonso, Delmiro, Piranhas, etc.. etc... etc...

Recomendamos.

Manoel Severo.

A Tragédia Guaribas de Chico Chicote Parte I

 
Fazenda Guaribas, no detalhe casa de Chico Chicote

Uma das maiores tragédias acontecidas no sertão do Cariri foi sem dúvidas a que tombou um dos homens mais destemidos e valentes de toda região: Francisco Pereira de Lucena, o famoso Chico Chicote. Nascido em 7 de janeiro de 1879, filho mais jovem do Capitão Francisco Pereira de Lucena , se destacava dos demais irmãos pela rebeldia e total desapego á autoridade contituida. Homem de reconhecida força física, chamava a atenção por sua altura e feições alvas, e ainda, pela maneira de falar: falava sempre muito alto, quase aos gritos . Era uma figura singular e que só com o fato de sua presença, já incutia medo às pessoas.

Chico Chicote era costumaz desordeiro; quando bebia quase sempre acabava se envolvendo em problemas. Por seu temperamente difícil ,já tinha sobre seus ombros vários crimes e um número sem fim de inimigos. Dentre esses se destacava a família Salviano, mentora da tragédia de Guaribas.Entre Chico Chicote e Lampião sempre houve um respeito mútuo , apesar da distância; Lampião que até ali não tinha inimigos no estado do Ceará, acabou sendo o álibi perfeito para o início da trama que daria cabo a vida de Chico Chicote.


Mapa do Sul do Ceará, região do Cariri, destaque para  Brejo Santo

Virgulino sempre que passava pelas terras do cariri cearense, vinha pelos lados de Jati, Porteiras, Brejo dos Santos , Jardim e Missão Velha, para as paragens do poderoso Cel Santana, da fazenda Serra do Mato. Em uma dessas oportunidades seus cabras acabaram matando e se alimentando de animais do rebanho do também coronel Pedro Martins de Oliveira Rocha, da fazenda Cacimbas de Brejo dos Santos. Diante do acontecido o líder cangaceiro mandou informar ao referido coronel que o autor do morticínio de seus animais teriam sido homens de Chico Chicote e não, seu bando.

Ato contínuo o Coronel Pedro Martins mandou chamar  à sua fazenda , Chico Chicote, que refutou as acusações, desmacarando a acusação infundada lhe imputada por Lampião. A partir dali nascia mais um inimigo de Virgulino Ferreira; o primeiro em terras do cariri cearense. 

 Município de Porteiras, local onde localiza-se Guaribas

Mesmo depois do incidente; pelo menos por duas vezes os coronéis do cariri tentaram a aproximação de Chico Chicote e Lampião; uma das vezes o próprio coronel Pedro Martins através de seu genro, Antonio Xavier, quis promover este encontro na fazenda Crioulo, também em Brejo dos Santos, Chico Chicote lá não apareceu. A outra oportunidade foi na Fazenda Serra do Mato do Coronel Santana, quando ao saber que ali se encontrava Sabino Gomes, Chico Chicote não desceu nem de seu cavalo. Era do conhecimento de todos a rixa entre os dois; entretanto foi a partir dessa rixa que se arquitetou o trágico fim de Chico Chicote.


Continua...


Manoel Severo


NOTA CARIRI CANGAÇO: Essa Matéria estará distribuida em quatro postagens. Pesquisa : Fonte - Revista Itaytera  Volume 16 - Otacílio Anselmo; Cordel - A Tragédia das Guaribas, Maria do Rosario Lustosa da Cruz; entrevista Memorialista Napoleão Tavares Neves.