Não devemos ser juiz de um povo!

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Olho no Olho...
Por João de Sousa Lima.
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Pesquisador e escritor João de Sousa Lima

Lampião tinha por estratégia e por necessidade o apoio de todos os sertanejos, sendo eles dos mais simples criadores aos grandes coronéis, políticos, padres ou fazendeiros. Vivendo como vivia, em constantes fugas e tiroteios, era imprevisível contar com a ajuda de todos os seguimentos que povoavam o nordeste. Muitos ajudaram Lampião por medo, outros por dinheiro e outros ainda por admiração ao estilo de vida dos cangaceiros.

Há vários fatores que fizeram com que Paulo Afonso liberrase para o cangaço o maior contigente de jovens, entre homens e mulheres. A aproximação com os índios Pankararé, no centro do Raso da Catarina, as mulheres que se apaixonaram pelos cangaceiros, o estilo de vida simples de algumas famílias onde as vezes a fome se fazia presente, a perseguição policial, violenta, espancando  as famílias para darem conta de cangaceiros, quando na maioria das vezes nunca tinham tido contato com eles.

Acho que Lampião, é antes de tudo um capítulo histórico nordestino, com ligações próximas com o vaqueiro, com o boiadeiro, pertenceu a um tempo e a um momento diferenciado, viveu uma fase distinta.Toda a hístória da humanidade, as comunidades viveram tempos de guerras, batalhas, é difícil citar trajetórias que não tenham lutas sangrentas que marcaram épocas. A própria criação se debruça em pilares de lutas, de traições e de mortes.

O mais importante a um escritor e pesquisador
é não julgar a história, seus fatos acontecidos, suas lutas geradas ao longo do tempo. O mais importante é tentar levantar os reais acontecimentos e assim registrá-los.

Não devemos ser juiz de um povo, de uma luta, de um partido, de uma causa defendida. Há homens que morrem pelo que defendem e nesse meio há traidores, há os que são contrários, porém se não estivermos ligados diretamente com os lados envolvidos, se formos apenas mensageiros da história, devemos então registrá-los , repassá-los, respeitá-los.

João de Sousa Lima
Pesquisador, escritor, poeta
Paulo Afonso-Bahia
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O Fogo do Cajueiro

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O Projeto Memórias informa que já iniciaram as Oficinas de Bonecas-de-Pano e Bordados e Fotografia e Cinema,que serão base para a gravação do filme "O Fogo do Cajueiro", que será integralmente rodado em N. Sra. das Dores e terá como pano de fundo o cangaço naquele município do agreste sergipano. O objetivo das novas oficinas é somar-se ao trabalho já desenvolvido nas oficinas de artes plásticas e música para a produção de "O Fogo do Cajueiro", que terá como atores, alunos dessas oficinas e pessoas da comunidade dorense sendo dirigido pelo cineasta Robério Santos, contratado para ministrar as oficinas de Fotografia e Cinema. Assim, caberá aos alunos da música a composição da trilha sonora do filme, bem como aos de bonecas de pano e bordado e artes plásticas a confecção do figurino e das armas cenográficas. A oficina de fotografia formará, junto à de cinema, os técnicos e atores que aturarão no filme.


Antes mesmo de iniciadas as gravações do filme "O Fogo do Cajueiro", a imprensa já noticia sua realização. Em janeiro último , o site seagora.com registrava as oficinas que darão origem à indumentária e trilha sonora, além da preparação de atores e técnicos. Já o Jornal da Cidade destacou a cidade de Dores como cenário das gravações e Lampião como um dos personagens. Por sua vez, o Cinform,  mostra que "O Fogo do Cajueiro" é uma realização do Projeto Memórias e da Mandacaru Filmes, contando com produção de Robério Santos, roteiro de João Paulo Carvalho e patrocínio do Ministério da Cultura/Governo Federal e da Secretaria de Estado da Cultura/Governo de Sergipe.

FONTE:Projeto Memórias de Dores
Visite e conheça: blogdoprojetomemorias.blogspot.com

NOTA CARIRI CANGAÇO: A família Cariri Cangaço abraça a todos os amigos do Projeto Memórias da simpática cidade sergipana de Dores e parabeniza pelo belo trabalho que desenvolvem; quem sabe teremos mais uma grande película para lançar em nosso Cariri Cangaço 2011 ?! Abraço aos amigos, João Paulo e Manoel Moura.
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Os Bailes do Rei do Cangaço Por: Denize Marques

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A arte de Portinari

Noite de sábado para domingo, fim de setembro de 1936. Faltava só passar o pó no rosto, espalhar o perfume atrás da orelha e calçar as alpercatas. Cabelos negros e encaracolados na altura da cintura, dentro do seu melhor vestido, a menina de 12 anos, que, se os pais se descuidassem, trocava o estudo pela dança, estava pronta para o seu primeiro baile no alto sertão sergipano com o bando do cangaceiro Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião. Não havia escolha, só mesmo confiar na bênção da tia de criação antes de sair de casa engolindo o medo.

“Eles mandavam apanhar a gente. Vinha aquela ordem e tinha de cumprir. Se não, causava prejuízo depois”, conta Alzira Marques, que completa 86 anos em agosto. Ela  lembra detalhes das incontáveis festas cangaceiras a que foi em fazendas que já não existem mais e que deram lugar à planejada Canindé de São Francisco, com o início da construção da hidrelétrica do Xingó, em 1987. Canindé Velho, como a sertaneja chama o local onde nasceu, à beira do Velho Chico, foi demolida por conta da usina, hoje fonte de renda para a cidade – atrai quase 200 mil turistas por ano com o Cânion do Xingó.

O auge de Lampião em Sergipe vai de 1934 a 1938, quando o cangaceiro foi morto ao lado de Maria Bonita e outros nove do bando, em 28 de julho, na Grota do Angico, município de Poço Redondo. “Este é o estado onde ele encontrava mais proteção, aliando-se aos poderosos locais, como o coronel Hercílio Porfírio de Britto, que dominava Canindé como se fosse um feudo”, explica Jairo Luiz Oliveira, da Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço. “São os chamados coiteiros (quem dava proteção ao cangaço), políticos de Lampião. Melhor ser seu amigo que inimigo.”

Foi nas terras de Porfírio de Britto que Alzira mais arrastou as sandálias. “Na primeira vez, encontrei Dulce, que foi criada comigo em Canindé Velho e tinha virado mulher do cangaceiro Criança. Eles também eram de muito respeito e nunca buliram com gente minha. Pronto, não tive mais medo”, relembra. Temporada de baile era fim de mês, quando as volantes da Bahia e Pernambuco – as polícias mais algozes no rastro de Lampião – voltavam a seus estados para receber o soldo. “Aí os cangaceiros viam o Sertão mais livre para fazer festa”, diz.

Dia de dança, Alzira tinha de sair e voltar à noite para não levantar a suspeita dos vizinhos. Às 22 horas, punha-se a andar 2 quilômetros até o local onde um coiteiro escondia os cavalos. Outras meninas iam junto. Montavam e seguiam morro acima por uns 15 minutos. “Quando a gente chegava, ia direto dançar o xaxado, forró, o que fosse, até 4 horas da manhã.” Mesmo caminho de volta, chegava com um agrado do rei do cangaço: uma nota de 20 mil réis. “Era tanto do dinheiro, mais de 300 reais na época de hoje. Dava tudo para minha tia.”


Grupo de Xaxado Cabras de Lampião

Apesar de festeiro, não era sempre que o líder do bando dava o ar da graça. Quando ia, porém, não se fazia de rogado: no mato à luz de candeeiro, onde o arrasta-pé comia solto, brilhantina no cabelo, dançava com as moças do baile sem sair da linha. Média de 20 homens para 15 mulheres. “Ninguém era besta de mexer com a gente. Eles nos respeitavam demais. Lampião era o que mais recomendava: ‘Olha o respeito!’” Maria Bonita – que para Alzira “não era lá essa boniteza, Maria de Pancada era mais bonita” – não tinha ciúme.O cangaceiro mais conhecido do Brasil gostava de cantar e levava jeito para compor. Quem não se embalou ao som de Olé, mulher rendeira / Olé, mulhé rendá? Ou de Acorda, Maria Bonita / Levanta, vai fazer o café? Alzira conta que era comum ele pedir ao sanfoneiro Né Pereira – outro intimado do povoado – para tocar essas canções, enquanto ele mesmo cantava. “Letra e música dele, além de ser um exímio tocador de sanfona”, confirma Oliveira.

Os bailes eram como banquetes. “Tinha comida e bebida de toda qualidade. Peixe, galinha, porco, carneiro, coalhada, bolo, cachaça limpa”, diz Alzira. Outro ponto que se notava era o aroma: os cangaceiros, que podiam passar até 20 dias sem tomar banho, gostavam de se perfumar. O coronel Audálio Tenório, de Águas Belas (PE), chegou a dar caixas de Fleurs d’Amour, da marca francesa Roger & Gallet, para Lampião. “Era perfume do bom, mas misturado com suor. Subia um cheiro afetado. A gente dançava porque era bom”, afirma a senhora, que se entrosava mais com Santa Cruz e Cruzeiro.

Mais de 70 anos depois, Alzira ainda sonha com aquelas noites e sente falta da convivência com os amigos: muitas festas aconteciam em Feliz Deserto, fazenda que Manuel Marques, seu então futuro sogro, tomava conta. Não raro, o brilho da prata e do ouro das correntes, pulseiras e anéis dos cangaceiros visitam sua memória, assim como a imagem de Lampião lendo a Bíblia num canto da festa. “Ele era muito religioso.” No seu pé de ouvido fica o xa-xa-xá das sandálias contra o chão, som que deu nome ao xaxado, segundo Câmara Cascudo, ritmo tipicamente cangaceiro que não se dança em par.

Testemunha de um período importante da história do País, conta que nunca teve vontade de entrar para o cangaço nem considerava Lampião bandido: “Não era ladrão, ele pedia e pagava, fosse por uma criação, por um almoço. Agora, se bulissem com ele, matava mesmo”. Na cidade é conhecida como a Rainha do Xaxado. No último São João, que antecipou as comemorações do centenário de nascimento de Maria Bonita (8/3/1911), foi uma das homenageadas.

Balançando-se na rede na entrada de sua casa, satisfeita com os dez filhos, 40 netos e 37 bisnetos, Alzira aponta para um dos locais onde dançou com Lampião: uns 100 metros adiante, a Rádio Xingó FM. “Continua lugar de música.” Mas e Lampião, dançava bem? “Ah, ele dançava bom.”
Por:Adelvan Kenobi
www.escarronapalm.com
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O sertão de minha terra Por: Alcino Costa

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Caipira Alcino Costa entre Rubinho Lima e Tomaz Cysne

Deus deu-me a ventura de ter nascido na região mais distante e desconhecida do Sertão do São Francisco, num pequenino lugarejo de caboclos. O tempo andejou pelos caminhos das eras e aquela humílima povoação se tornou na cidade de Poço Redondo. Vivi a minha meninice, adolescência e juventude admirando e amando a imensa caatinga que se estendia pelos horizontes infindos; emoldurada pelos rios e riachos, charcos e lagoas, serras e vales, prados e campinas. Caatinga dos bichos e animais. Caatinga que tinha a proteção do descampado azul do infinito e das nuvens claras do meu sertão, o sertão de minha terra.

Sertão do riacho Jacaré, com sua areia fofa e seus poços d`água, onde a meninada tomava banho no amanhecer dos dias sertanejos e o gado vinha beber e sestar nas sombras aconchegantes de suas caibreiras. Sertão do gado pé-duro e da orelha cabeluda, onde o vaqueiro campeava com coragem e destreza a manada bravia, criada quase selvagem, enfiada nos cafundós da terra sertaneja de Poço Redondo.

Sertão onde o vaqueiro, o cavalo e o boi brabo e mandingueiro protagonizavam a notável medição de forças que marcaram o apogeu da vida pastoril dos campos sertanejos do São Francisco. Sertão do gado brabo de Mané do Brejinho e da Cuiabá. Sertão de Pedrinho de Eustáquio, Daniel, Zé Leobino, Miguel Quita, Tião de Sinhá, Abdias, Rivaldo de Janjão e Elias, os maiores vaqueiros da história campesina do Sertão do São Francisco. Sertão daqueles tempos em que, quando no morrer do dia, ouvia-se o aboio dolente e cheio de ternura do vaqueiro tangendo a vacaria de leite para o curral.

Sertão do mugir dos rebanhos bovinos nas festas de apartação, ajuntamento e vaquejadas. Sertão do carro de boi com seus cocões azeitados e cantando fino pelas estradas e trilhas do mundo caipira. Sertão das festas e leilões; do fole, do pandeiro e do ganzá; do reisado e da cantiga de roda; do “entrudo”, das novenas e dos louvores aos santos e imagens. Sertão de minha terra.

Praça Central, Poço Redondo

Quanta saudade eu sinto do reboar da passarada; do chuá-chuá das águas barrentas que abarrotavam os riachos e lagoas nos tempos das trovoadas; do colorido mavioso das borboletas nas malhadas das fazendas e nas tardes sertanejas daqueles tempos; do cheiro agreste que exalava do colo generoso de nossa mãe-natureza; do perfume inebriante das flores campestres que enchiam de estonteante beleza os campos sertanejos; do verdejante capim nativo se espalhando como se fosse um tapete mágico e verde pelos campos e serranias da terra cabocla do sertão.

Será que você, homem sertanejo, você que em sua juventude morou neste pedaço de Sergipe que se convencionou em chamá-lo de Sertão do São Francisco; você que pode ter vivido a vida e a cultura enraizada e herdada de nossos antepassados, aqueles pioneiros de nosso mundo caboclo; mas que, por força do destino, passou a residir na grande cidade, não sente uma dor no peito ao se recordar dos idos de um sertão e de uma caatinga que nos tempos atuais existe apenas em nosso pensamento e em nossas recordações? Sente, eu sei que de vez em quando o seu peito fica dilacerado de tanta saudade do rincão em que você nasceu e viveu por alguns anos de sua existência.

Mesmo eu tendo o privilégio e a felicidade de viver neste chão amado, verdadeiro paraíso de minha vida, eu sinto a mesma dor e saudade do homem sertanejo que vive na cidade grande. A minha angústia e tristeza é por saber que nunca mais verei o sertão de minha meninice. Aquele sertão que vivi por tantos e felizes anos nos tempos passados da aurora sublime e serena de minha infância. Eu bem sei que o sertão de minhas origens não mais existe. Foi tragado pela voracidade da sucessão dos anos e vive somente no mundo fantasioso de minha imaginação – e isto é causa de enorme tristeza e grande tormento que me faz padecer profundamente.

Alcino Costa e Kydelmir Dantas

Eu bem sei, meu sertão e minha caatinga amada, eu bem sei que vocês perderam aquela primitiva rusticidade que tanto os caracterizava e que enchia as paragens caboclas de tanto encanto e fascínio. Hoje o sertão está descarecterizado e a caatinga foi dizimada pelo vendaval da insensibilidade do homem. É certo e verdadeiro que o sertão e a caatinga não são nem uma tênue sombra de seu passado glorioso. Foram devassados pela civilização que adentrou o seu interior, desmatanto a mataria, derrubando suas árvores, queimando sua terra, numa agressão sem limites a nossa mãe-natureza.

No passado não era assim. Via-se de longe em longe um lugarejo, uma povoação, um pequeno núcleo habitacional. Aqui e acolá, lá longe, na imensidão da caatinga, uma fazenda encravada na distância de um e outro povoado. O caminheiro e os mascates que perambulavam pelas lonjuras dos sertões atravessavam grandes e penosas distâncias sem encontrar uma habitação, uma pousada onde pudesse se hospedar e receber a necessária hospitalidade tão peculiar ao camponês de boa índole e amigo. Hoje, o que se constata é que o sertão e a caatinga são espectros tristes e solitários de um mundo sem amor.É uma pena!

Publicado no dia 3 de janeiro de 2007, no JORNAL DA CIDADE, Aracaju – Sergipe.

Alcino Alves Costa
O Caipira de Poço Redondo
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Raul Lampiseixas Por:Dihelson Mendonça

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Para matar a saudade!
Lembram dele?
Um dos personagens mais marcantes de nosso Cariri do Brasil e 
de nosso Cariri Cangaço, 
o inconfundível: 
Raul Lampiseixas, 
pelas lentes do talentoso 
Dihelson Mendonça...

Quando Setembro chegar... 
Cariri Cangaço 2011!
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Nota Oficial da SBEC

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Caros sócios amigos,

A SBEC retornou as suas atividades para o ano 2011. Sábado(12) tivemos a primeria reunião administrativa da diretoria traçando as metas para 2011. Discutiu-se a seguinte pauta:

Assembléia para aprovação do novo estatuto;
Anuidade;
III Fórum do Cangaço;
II Congresso Nacional do Cangaço (Cajazeiras)

Foi aprovado por unanimidade que a assembléia deverá ocorrer na cidade de Fortaleza/CE, com data e local a ser definido pelos sócios daquela cidade. Com relação a anuidade, por questões burocráticas de regulamentação da documentação da entidade, ainda não dispomos de nossa conta bancária. Como não regularizamos ainda a situação juridica, ficou decidido que os sócios que querem quitar a anuidade devem entrar em contato direto com a tesouraria ( Sr. Chagas Nascimento pelo fone: 84-9928-5313 e 84-3321-5774) ou com o 1º secretário Assis Nascimento através do email disponível nesta mensagem.

Com relação ao XIII Fórum do cangaço que ocorrerá em junho na cidade de Mossoró. Teremos a primeira reunião de trabalho na quinta-feira (17) na sede da entidade (Museu Lauro da Escóssia)

Já para o II Congresso Nacional do Cangaço, que será realizado na cidade de Cajazeiras/PB no periodo de 24 a 29 de outubro de 2011. Foi confirmado reunião de trabalho no próximo sábado (19/02) na referida cidade. Esta semana retornaremos as atividades do nosso site.

Saudações,

Lemuel Rodrigues da Silva
PRESIDENTE
SBEC-Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço
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A Morte de Isaias Arruda Por:José Cícero

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José Cícero e Manoel Severo

A tarde estava cinzenta naquela Aurora pacata e provinciana de 1928. Uma enorme sensação de tranqüilidade cobria os semblantes dos viajantes, assim como o coração e o pensamento da multidão que se aglomerava na pedra da estação. Uma cena comum a todas as cidades interioranas atendidas pelo velho trem da Rede Ferroviária Cearense(RVC). Nuvens cor de chumbo em formação pareciam prenunciar no céu daquela Aurora antiga e calma, algo diferente prestes a ocorrer: uma tragédia. 


Naquela tardezinha quase insossa de sábado, dia 4 de agosto de 1928 quando muitos já se esqueciam dos episódios um ano antes relacionado à presença do rei do cangaço na terrinha; o velho aparelho do telégrafo da RVC de novo estava prestes a receber no código morse um telegrama diferente. Um comunicado estranho; digamos que chave, para todos os desdobramentos do acontecimento dramático que se seguira ao fato: “Antonio, algodão hoje sobe!”. Uma missiva quase enigmática considerando que o algodão – o ouro branco d’Aurora faria sempre o sentido contrário, ou seja, descia. E o seu preço no mercado há muito era de todos conhecido.


Coronel Isaias Arruda

Porém, aquela mensagem codificada não seria de todos estranha. Havia um destino e um desiderato certo: surpreender o coronel. Dizia muito mais do que ali estava escrito de modo lacônico... A estação de Aurora estava repleta de gente. Um acontecimento que se tornara comum deste a sua inauguração oito anos antes em 7 de setembro de 1920.

E a cronologia do momento seguinte, provaria depois para todos que era um crime. Um atentado violento à ordem e a vida em nome da vingança e da intolerância. Uma intriga passada à limpo, expressa na força da violência e da ignorância em detrimento da razão e da justiça. Sinais de uma época densamente marcada pelo poder de fogo do coronelismo oligárquico, engendrado pelos mais temíveis e truculentos líderes políticos que o Cariri cearense já experimentou. Um período onde a lei no mais das vezes era a do mais forte e a justiça quase sempre era feita pelas próprias mãos, em geral, dos poderosos.

Naquele sábado, de tarde escura de agosto, a estação de Aurora não tardaria a ser palco de um episódio que marcaria à história do Cariri e do Ceará para sempre, vez que envolveria, aquele que foi certamente o mais famoso e temível chefe político da região: o coronel Isaias Arruda. Filho do lugar, ex-delegado, agora prefeito pela força da vizinha Missão Velha. De quebra, o maior dos coiteiros de Lampião no interior cearense. Um autêntico mantenedor de jagunços e hábil negociador político junto aos grandes da capital.


Estação de Aurora, aqui tombou Isaias Arruda

O relógio do prédio apontava 14h25min quando, finalmente, todos puderam escutar o apito estridente da máquina a ecoar no horizonte. Apenas Sabina entretida demais com o seu café não se deu conta do acontecido. Todos, de repente voltaram suas atenções na direção do corte-grande lá para as bandas do alto da cruz, do sito Frade. O trem da Fortaleza vinha ligeiro beirando o rio Salgado.

Exímios chapeados transportavam com pressa e celeridade grandes caixotes, pacotes e outros fardos de mercadorias. Uns descian para o armazém da RVC outros subian para os vagões do trem com destino ao Crato. Animais, peças de madeira, artesanato, aguardente, rapadura, oiticica, panelas de barro. O trem acelerava a curiosidade, tanto quanto a economia daquela terra.

Mas de repente o som de um tiro seco ribombeou no ar. Quebrando a normalidade natural daquele acontecimento diário. Em seguida vários outros disparos puderam ser ouvidos no interior do segundo vagão da primeira classe. Talvez sete ou oito no total... Até hoje ninguém sabe ao certo. Um silêncio quase sepulcral se abateu na plataforma por alguns instantes que pareceram eternos. Somente o ronco da locomotiva estacionada deforfronte a caixa d’água. Em seguida uma correria...

Vozes diziam tratar-se de uma discussão. Três homens saíram atracados e em seguida correram no sentido contrário do vagão. Uma disparada em direção do armazém e depois para o beco da antiga rua que dava para o cemitério. Um quarto homem um tanto elegante, bem tratado, gestos aparentemente finos surgiu do segundo vagão da primeira classe. Vestindo impecavelmente um linho branco, ele pisou de modo esquisito e desaprumado o piso, a pedra da estação. Alguns passos apenas e cambaleando fitou a multidão como quem quisesse dizer algo. Não foi possível. Sangrando e com a mão direita colada ao peito chamava baixinho pelo primo. O linho branco do seu terno agora começava a se tingir de vermelho. Seus sapatos de cor marrom e bem polidos contrastavam com o vermelho escuro do seu próprio sangue formando porças na plataforma. Era o coronel Isaias Arruda, chefe político, prefeito da Missão Velha. Homem afamado em toda região e na capital do estado. Devagar caiu ao chão da plataforma ainda com arma junta ao cinto da calça. Não teve tempo de usá-la.


Grupo de jagunços de Isaias Arruda, sob o comando de Zé Gonçalves

Alguém saindo de dentro do vagão posterior se aproxima dele e forra o chão da pedra com um jornal que lia; edição do dia 3. Seu braço esquerdo e parte superior do tórax estavam em frangalhos. Ferimentos gravíssimos provocados pelos sete balanços com que fora atingido.O coronel ferido seriamente pronunciava baixinho como que cansado:

- Os irmãos paulinos me acertaram! Mas como é que nem o Viana nem ninguém me avisou que meus inimigos estavam aqui?! Bando de covardes...

E de chofre emendou:
- alguém me chame o farmacêutico! Foram os Paulinos, eles me acertaram... Bando de covardes!
Outros mais ousados e corajosos aos poucos foram se aproximando da vítima que gemia deitada ao solo da pedra sobre as folhas do jornal ‘O Ceará’. Enquanto isso, um pouco afastado da estação José Furtado(Nequinho de Milica) primo da vítima saíra em perseguição(ou fugindo) dos irmãos paulinos: Antonio e Francisco, responsáveis pelo atentado.

Levado para a residência de Augusto Jucá um antigo amigo na rua grande, Isaias foi socorrido, inicialmente por um farmacêutico - o único que existia na cidade. No dia seguinte dois médicos vindo de trole pela linha da RVC: Antenor Cavalcante e Sérgio Banhos atenderam o coronel. Porém, diante das gravidades dos ferimentos não tiveram como salvá-lo. Sendo que no dia 8 de abril uma quarta-feira às 6h da manhã, quatro dias após ser alvejado, Isaias Arruda faleceu como que por capricho do destino na terra em que nascera.


Casa de Isaias Arruda em Missão Velha

Rumores apontaram ter sido o assassinato uma vingança de Lampião pela traição do coronel um ano antes, durante a célebre tentativa de envenenamento do bando lampiônico e o histórico cerco de fogo do sítio Ipueiras, propriedade de Arruda em Aurora em cujo local Virgulino se arranchara por diversas vezes. Ocasião em que o rei do cangaço fugia das volantes após o fracasso da invasão de Mossoró, arquitetada sob as estratégias de Massilon Leite e financiada pelo próprio Isaias.

Mas o certo, segundo se provaria depois foi que os paulinos vingaram o assassinato do irmão mais velho João, morto numa emboscada no serrote d’Aurora pelos jagunços de Arruda no ano anterior.

Terminava ali de modo trágico, na estação ferroviária de Aurora a verdadeira saga de um dos mais temíveis e respeitados coronéis do Cariri - Isaias Arruda. Assim como sua rixa ferrenha contra os irmãos paulinos da Aurora

Prof. José Cícero.
Escritor, Pesquisador e Poeta.
Secretário de Cultura de Aurora, Ce.
jcaurora.blogspot.com
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Os Mistérios da trama e morte de Delmiro Gouveia

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Olho no Olho...
Por Gilmar Teixeira.

Pesquisador Gilmar Teixeira

No ano de 2008 iniciei um projeto para realizar um documentário sobre a Usina Hidroelétrica do Angiquinho, encomendado pela Fundação Delmiro Gouveia, que administra o sítio histórico. Durante a organização do acervo histórico enviado de várias partes do Brasil e do mundo, como objetos, jornais, cartas, livros, vídeos e fotografias, tive acesso a algumas informações sobre o assassinato do empresário Delmiro Gouveia, que ocorreu em 1917.

Como historiador e pesquisador do cangaço deparei-me com algumas informações até então desconhecida de todos as literaturas que havia tido acesso. Não que os historiadores do cangaço e biógrafos de Delmiro Gouveia tenham se omitido aos fatos, mas diga-se que os mesmos não tiveram em seu tempo a reunião destas informações como foi a mim oportunizado. E foi destas revelações, obscurecidas pela pouca preocupação no nosso país em preservar a história, que resolvi escrever este livro, fruto da pesquisa e do amor pela cultura e memória do sertanejo.

Pois bem. Ao ler uma matéria do jornal carioca Última Hora que fez a cobertura da saída da prisão do principal acusado e sentenciado pelo assassinato de Delmiro, o pistoleiro Róseo, que concedeu entrevista ao impresso. Na entrevista destacou que quando foi a Água Branca-AL fazer o acerto para assassinar Delmiro, já estavam lá os cangaceiros Luiz Pedro e Sebastião Pereira na casa da baronesa Dona Joana Vieira Sandes de Siqueira Torres, prontos para matar o empresário da Pedra. Porém, antes do serviço os mesmos são mandados para Sergipe para fazer um serviço para o Coronel Neco de Propriá, mas chegando lá o serviço é suspenso e ficam por lá trabalhando na usina do coronel.

Como pesquisador do cangaço imediatamente liguei os nomes dos dois cangaceiros citados por Róseo, e através de uma foto tirada na cidade da Pedra, datada de 1917 (ano da morte de Delmiro)...

eram eles Sinhô Pereira e seu primo Luiz Padre; Sinhô foi o chefe de Lampião. A foto em questão foi a única foto destes dois cangaceiros que se tem registro.

Continuando a pesquisa, descubro que os dois cangaceiros são primos do Capitão Firmino, e estiveram hospedados em sua fazenda na Pedra-AL, que havia sido vendida a Delmiro. Não por coincidências os dois cangaceiros saem em fuga para o Estado de Goiás na companhia de Zé Gomes, cunhado de Firmino, logo após o assassinato. O compadre de Delmiro Cap. Firmino é então acusado de ser o mandante do assassinato do amigo, visto a relação com Gomes e sua fuga, e foi preso. A sua prisão e soltura rápida com a influência de Lionelo Iona, sócio de Delmiro, e membros da família Torres, revelou um grande complô, que esse livro, através de documentos, reportagens e fotos da época busca retratar quase um século depois, as motivações, encenações e tramas para o assassinato de Delmiro Gouveia.


Os fatos documentados apontam que membros da família Torres e Lionelo Iona orquestram uma trama espetacular, fazendo com que vários desafetos de Delmiro Gouveia se interessassem após uma reunião, por assassiná-lo, criando diversos álibis para os interesses escusos envolvidos neste crime. Partindo do princípio de que, realmente os assassinos foram os cangaceiros Luiz Pedro e Sebastião Pereira, a sequência dos fatos a seguir permitirão ao leitor identificar em meio aos fatos, o desenrolar deste mistério secular, tornando cada um dos leitores investigadores e, certamente, novos elementos serão revelados a cada leitura. Nesta investigação histórica deve ser observado pelos leitores as seguintes condições:

1.Lionelo Iona, sócio e administrador das empresas de Delmiro, que antes de sua morte deixa testamento, onde Iona seria o tutor da herança deixada para os filhos de Delmiro até completar a maioridade, além de um seguro onde eras beneficiários. Essa fortuna seria administrada por ele. Veja que os filhos de Delmiro eram crianças na época, então imagine quanto tempo o mesmo teria até passar o controle aos herdeiros. Quando finalmente os filhos assumem os bens, depois de anos, Iona volta rico para Itália.

2.A família Torres tem seu poder político na região ameaçado pela presença forte de Delmiro que detém grande poder econômico e influência política. Os Torres participam e influem no julgamento dos acusados, o Juiz era membro da família e facilita para os interessados a condenação dos réus.

3.O Capitão Firmino, amigo e compadre de Delmiro tem sua filha difamada na cidade por conta da sedução de sua filha por Delmiro, e fica responsável pela contratação dos cangaceiros já famosos no Pajéu, Sinhô Pereira que vem a ser chefe de Lampião depois dessa morte junto com seu primo Luiz Padre (pai do deputado federal Hagaus de Tocantins). Seu futuro genro falava para todo mundo que só voltava para casar com sua filha, se ele matasse Delmiro, após a morte ele retorna e se casa. O Cap. Firmino estava na hora do crime com Delmiro e usava uma camisa escura, pois Delmiro só usava branco isso facilitou o alvo, só Firmino viu os três assassinos. Por que três? Era a quantidade que interessava, mas foram cinco, pois dois davam cobertura aos executores.



4.Herculano Soares (fazendeiro) apanhou de Delmiro no meio da rua e prometeu vingança, foi ele juntamente com seu cunhado Luiz dos Anjos que deram cobertura aos criminosos a mando do Cap. Firmino, pois eram amigos e o capitão já havia morado por muitos anos em Água Branca, terra de Herculano.

5.Zé Gomes (cunhado do Cap. Firmino), além de adversário político de Delmiro, tinha uma grande rixa com o empresário que apoiava em Jatobá (hoje Petrolândia) seu inimigo político Lero, que veio a derrotá-lo em eleição para prefeito. Após o crime foge para Goiás na mesma data que os cangaceiros e, passa a morar na mesma cidade.

A partir dos fatos aqui relatados, onde muitas coincidências se tornam suspeitas, toda a relação entre estas famílias e a acusação recaindo sobre Rósea é possível perceber que caso esta história revelada hoje, houvesse sido na época do assassinato muitos interesses políticos econômicos, que perduram até hoje, teriam os rumos alterados. Outros nomes ainda podem ser incorporados a trama, mas ao fim se revela que Rósea não foi o único executor, nem tão pouco o Cap. Firmino o único interessado nessa morte.

Gilmar Teixeira
Pesquisador, escritor e documentarista
Feira de Santana - Bahia


NOTA CARIRI CANGAÇO: Essas e outras revelações polêmicas a cerca do assassinato do grande coronel do sertão, um dos maiores empreendedores do inicio do século XX, Delmiro Gouveia, na edição 2011 do Cariri Cangaço com o pesquisador e documentarista de Feira de Santana, Gilmar Teixeira.
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De Paulo Britto ao Sargento Elias

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Sargento Elias Marques e Paulo Brito

A marcha inexorável da vida finda para mais um dos bravos soldados que formou a volante do meu pai. Elias Marques o nosso querido amigo partiu, e com ele um bloco da história... Uma história feita de coragem, fé e determinação. Por diversas vezes fui visitá-lo com minha família; nos sentavamos e ouvíamos suas histórias... Eram histórias de consideração, de carinho, de respeito, de gratidão. Sargento Elias fique em paz, fique com Deus. Os nossos votos de pesar aos seus familiares e o carinho saudoso da família de João Bezerra.

Paulo Britto
Recife PE
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Sargento Elias, memória que se vai ! Por: Laser Video

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Amigo Severo, sargento Elias é mais um personagem da história que se vai,  mais um amigo que nos deixa. Fiquei sabendo do triste fato por intermédio do amigo Ivanildo, que me comunicou e fez uma solicitação o qual  venho a atendê-lo, colocando um pouco de uma das entrevistas que fizemos com  sargento Elias, um homem rude do sertão que apesar de tudo muitas vezes nos fez rir com suas histórias. Sou um felizardo de tê-lo conhecido, a ele e a tantos outros. Com certeza durante a minha existência, esses tantos amigos que  desfrutei de boas conversas alegres ou tristes vão sempre estar presentes na parede de minha memória, como diz o grande poeta cearense Belchior.
 
Aderbal Nogueira



Vídeo Documentário : Produção Laser Vídeo
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Encontro de Rabecas no Caerá

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primeiro encontro dos Mestres da Rabeca e a nova geração de rabequeiros de todo o estado do Ceará, acontecerá em Fortaleza, com a realização do I CEARÁ DAS RABECAS, nos dias 18, 19 e 20 de março no Sesc Senac Iracema. O evento visa dar visibilidade ao instrumento de origem Árabe, mas que assumiu forte identidade nordestina, contribuindo também para a cultura popular do Brasil.

Na programação iteiramente gratuita, tem a curadoria do prof. Gilmar de Carvalho e contará com oficinas, palestras, seminários sobre temas que envolvem a cultura popular, exposições de fotografia e de instrumentos e apresentações artísticas de mestres de várias regiões do Ceará e rabequeiros das novas gerações. A realização é da Mungango Produções.

As
sessoria de Comunicação
Joanice
s
 Sampaio
Fonte: blogdocrato.com

Nota de Pesar: Sargento Elias Marques

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Morre aos 96 anos o último integrante da volante que exterminou Lampião. Morreu na madrugada desta quarta-feira (09), por volta das 03 hs, Elias Marques Alencar, com 96 anos, no Hospital de Xingó, em Piranhas (AL). O corpo está sendo velado em sua residência, na praça Noé Leite, centro de Olho D Água do casado, sertão de Alagoas.

Elias Alencar fez parte da volante do tenente João Bezerra, que atacou de surpresa o bando de Lampião, formado por Maria Bonita e mais nove cangaceiros, na área de caatinga da Grota do Angico, município de Poço Redondo (SE), no amanhecer do dia 28 de julho de 1938.

‘Seu’ Elias, que no mês de abril próximo faria 97 anos, é o último integrante – na região – da história de Lampião - maior fenômeno social brasileiro - que é contada em prosa e verso por todas as idades, em escolas, seminários, encontros e congressos. Do ‘Seu’ Elias fica a frase citada por ele em várias entrevistas à imprensa:

 “O cangaço não é de ontem. É de hoje. Vocês não vêem televisão? A roubalheira, os poderosos usando e abusando do dinheiro público, o crime organizado deitando e rolando, e nós, do povo, sempre no meio, levando bala e sova de relho dos dois lados. Tudo continua do mesmo jeito, até pior. O Brasil sempre foi e continua sendo o país do cangaço”.

O sepultamento será às 16 horas desta quarta-feira, no cemitério municipal de Olho D´Água do Casado.
 
Informação enviada por Jairo Luiz - Piranhas AL
Fonte:www.engenhodenoticias.blogspot.com
Por Renner Alves
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