Cariri Cangaço 2011


PROGRAMAÇÃO OFICIAL
CARIRI CANGAÇO 2011

20 Setembro 2011
TERÇA-FEIRA


 Teatro Municipal Salviana Arraes - CRATO-CE
19:00 H - Solenidade Oficial de Abertura
19:30 H - Conferência
BÁRBARA DE ALENCAR E A INSURREIÇÃO
Professora Salete Libório


MESA
Carlos Rafael - CRATO - CE
José Flávio – CRATO - CE
Alessandra Bandeira - CRATO - CE
Alexandre Lucas - CRATO -CE


Galeria de Arte do Centro Cultural do Araripe

21:00 H - ABERTURA EXPOSIÇÃO
"CANGACEIROS"
(Aba Film e Abraão Benjamin)

21 Setembro 2011
QUARTA-FEIRA


Hotel Passárgada - Crato-CE
8:30 H- Conferência
ANGICO, O DEBATE FINAL 
Facilitador: Manoel Severo

 MESA:
Amaury Correa de Araujo - SÃO PAULO - SP
Aderbal Nogueira - FORTALEZA -CE
Paulo Gastão - MOSSORÓ - RN
Alcino Alves Costa - POÇO REDONDO - SE
Jairo Luiz - PIRANHAS - AL

Clube Recreativo - Barro - CE
13:00 H - Conferência
MAJOR JOSÉ INÁCIO DO BARRO
Jornalista Sousa Neto

MESA:
Napoleão Tavares Neves - BARBALHA - CE
Professor Pereira - CAJAZEIRAS - PB
Alfredo Bonessi - FORTALEZA - CE
Carlos Elydio - SÃO PAULO - SP

 
Salão Paroquial - Aurora - CE
19:00 H - Conferência
 AURORA – A TRAMA DA IPUEIRAS E A INVASÃO DE MOSSORÓ
João Bosco André

MESA:
José Cícero - AURORA - CE
Geraldo Ferraz - RECIFE - PE
Archimedes Marques - ARACAJU - SE
João de Sousa Lima - PAULO AFONSO - BA


22 Setembro 2011
QUINTA-FEIRA

SESC Crato - CE
8:30 H - Lançamento e Debate
MINISÉRIE SEDIÇÃO DE JUAZEIRO
Jonasluis de Icapuí


MESA:
Renato Cassimiro - JUAZEIRO DO NORTE -CE
Daniel Abreu - FORTALEZA -CE
Renato Dantas - JUZAEIRO DO NORTE - CE
Huberto Cabral - CRATO - CE


Teatro Nelory Figueira - Barbalha - CE
19:00 H - Conferências
A LITERATURA NA ÉPOCA DO CANGAÇO
Ângelo Osmiro
O CANGAÇO EM FOTOS
Ivanildo Silveira

MESA:
Hugo Rodrigues - JUAZEIRO DO NORTE - CE
Pedro Luiz Camelo - CRATO - CE
Paulo Gastão - MOSSORÓ - RN
Napoleão Tavares Neves - BARBALHA - CE

23 Setembro 2011
SEXTA-FEIRA

Floresta Nacional do Araripe - IBAMA  Crato-CE
8:30 H - Conferências
A SAGA DE DELMIRO
Voldi Ribeiro
QUEM MATOU DELMIRO GOUVEIA
Gilmar Teixeira


MESA:
Edvaldo Nascimento - DELMIRO GOUVEIA - AL
Adair Nunes da Silva - DELMIRO GOUVEIA - AL
Wescley Rodrigues - BRASILIA - DF
Ana Lucia Sousa - PETROLINA - PE


Câmara Municipal - Missão Velha - CE
19:00 H - Conferências

AS ESTRATEGIAS DE COMBATE À ATUAÇÃO DOS CANGACEIROS PELO GOVERNO DA BAHIA
Capitão Raimundo Marins
A ILUSÃO DO CANGAÇO
Aderbal Nogueira

MESA:
João Bosco André - MISSÃO VELHA - CE
Honório de Medeiros - NATAL - CE
Juliana Ischiara - QUIXADÁ - CE
Narciso Dias - JOÃO PESSOA - PB


24 Setembro 2011
SÁBADO


Ginásio Poliesportivo Luiz Leite - Porteiras - CE
13:00 H - Conferência
CHICO CHICOTE E A TRAGÉDIA DE GUARIBAS
Napoleão Tavares Neves

MESA:
José Cícero - AURORA - CE
Sousa Neto - BARRO - CE
Barros Alves - FORTALEZA - CE
 João Nóbrega - JOÃO PESSOA - PB


Fazenda Piçarra - Porteiras - CE
16:00 H - Conferência
ANTONIO DA PIÇARRA E O CANGAÇO DE LAMPIÃO
VILSON LEITE


Memorial Padre Cícero - Juazeiro do Norte - CE
19:00 H - Conferências
LAMPIÃO, AS VOLANTES E O MITO
Inácio Loiola Damasceno
DADÁ E CORICO
José Humberto Dias

MESA:
Aderbal Nogueira - FORTALEZA-CE
Ângelo Osmiro - FORTALEZA -CE
Renato Cassimiro - JUAZEIRO DO NORTE - CE
Alcino Alves Costa - POÇO REDONDO - SE


25 Setembro 2011
DOMINGO

Hotel Pasárgada - Crato - CE
8:30 H - Conferencia de Encerramento
A MUSICALIDADE NORDESTINA
Múcio Procópio

MESA:
Kiko Monteiro   - LAGARTO - SE
Kydelmir Dantas - MOSSORÓ - RN
Paulo Moura - RECIFE -PE
Wilson Seraine - TERESINA - PI


O Cariri Cangaço é uma realização Cariri do Brasil

Imagens valem mais que mil palavras...

 Wilson Bernardo, o mago das imagens...Imagens valem mais que mil palavras; aqui em nossa visita ao Sítio Histórico do Caldeirão do Deserto, misticismo, história, emoção e magia...
 
Valeu WB...o Cariri Cangaço agradece...

O polêmico episódio de Angico Parte II - Por: Juliana Ischiara

Juliana Ischiara e Alcino Alves Costa

Voltando ao fim do cangaço, me reportarei aos fatos que antecederam o grande dia. Consta em toda literatura cangaceira, que Osman Loureiro, interventor de Alagoas, teria dado ordens expressas ao Comandante Lucena para que este resolvesse de vez com o problemático cangaço e este por, sua vez, intimou o Ten. Bezerra para executar a operação. Consta ainda que a ordem de Lucena a Bezerra foi mais um ultimato, dado a desconfiança de Lucena em relação a Bezerra. Em sendo assim, com comando geral, também, sabendo da ligação de Bezerra com Lampião, podemos dizer que a covardia de Bezerra foi um fator importante para morte de Lampião, posto que o rei do cangaço tinha confiança na relação existente entre ambos?

Quanto a esta pergunta, recorro novamente à literatura cangaceira para entendê-la. Ao que se sabe, Lampião estava sabendo de toda a movimentação e ou caçada promovida por Zé Rufino, que tornara-se um de seus piores algozes, tanto que ficar perto do comando de João Bezerra lhe parecia mais seguro. A confiança em Bezerra não era descabida, pois muitos relatos apontam para a prevaricação do tenente comandante em relação à perseguição ao bando cangaceiro.

Se não houve prevaricação por parte do Tenente João Bezerra, como justificar suas próprias palavras quando, em seu livro, ele disse que o coiteiro Pedro de Candido, quando pressionado por ele, chegou a “desdenhar de sua pressão, tendo ainda respondido com ironia”. Bem, vemos em vários depoimentos, inclusive gravados pelo pesquisador Aderbal Nogueira, que na grande maioria, os sertanejos temiam mais as agressões da volante que a cangaceira. Seria Pedro de Candido um sertanejo que não conhecia o medo, não temendo nem mesmo uma força policial que lhe interrogava em plena madrugada? Ou Pedro confiara no fato de saber que, diante dele, estava também um homem que tinha uma relação estreita com Lampião?

Volante do Tenente Bezerra por ocasião do Angico
 
Voltando mais um pouco no tempo, vamos encontrar um depoimento dado pelo próprio Bezerra ao jornalista Melchiades da Rocha. Ele disse: “digo-lhe que, tendo notícia, por parte de um amigo da caatinga, intitulado “coiteiro”, de que Lampião e diversos cabras se achavam na fazenda Angico, para ali me dirigi, (...)”( pg.28). Seria este amigo e também coiteiro de Lampião, Pedro de Candido? Bem, neste momento, Bezerra estava sendo pressionado pelo Estado, na figura do Comandante Lucena, chegando a hora de tomar uma importante decisão: continuar amigo e fiel a Lampião ou traí-lo e garantir sua própria cabeça.

Finalmente, chegando às margens do Rio São Francisco, na madrugada de quinta-feira, 28 de julho de 1938, deu-se início ao capítulo mais questionado do cangaço. Segundo Bezerra, “cheguei às 5hs da manhã. Chegado que fui, nas proximidades do local onde se achava refugiado o terrível bando, ouvi grande rumor lá de dentro da grota, certifiquei-me que, de fato, era de mais de 50 o grupo de bandidos que ali se encontravam. Ouvi Lampião ralhar com um cabra em voz alta.” Pelo visto, só os cangaceiros encontravam-se surdos, pois se era possível ouvir o que eles conversavam, como explicar o fato de os cangaceiros não perceberem nem ouvirem quase 50 homens se aproximando, sendo que estes estavam embriagados e ainda pararam próximo ao coito para receber ordens do comando? Se Bezerra ouviu a voz de Lampião ralhando com um de seus comandados, porque não seguiu em direção à voz, já que sua ida ali tinha como objetivo acabar com o cangaço? Por que Bezerra foi para outra direção e ainda ordenou que o primeiro tiro deveria ser seu?

Bezerra disse, ainda em seu depoimento a Melchiades da Rocha, que “a resistência dos cangaceiros foi de 15 a 20 minutos, mas não adiantou, porque os colhemos quase de surpresa” (pg.29). “Quase” é um detalhe muito importante, pois “quase de surpresa” deixa uma margem de dúvida bastante relevante. O que significa este quase? Será que a famosa parada perto do coito foi de certa forma uma última chance dada ao amigo cangaceiro? Já se podia ouvir o que diziam os cangaceiros que estavam no coito. Bezerra pode, muito bem, ter deduzido que o mesmo ocorreria em relação aos cangaceiros, ou seja, eles ouviriam a aproximação da polícia e teriam mais chances de sobreviver ao ataque. Isso justificaria os motivos pelos quais Bezerra não foi logo em direção ao coito de Lampião e sim, tomou a direção mais distante. Por fim, Bezerra teria atirado em si mesmo para escapar de possíveis suspeitas acerca de sua relação com Lampião? Seria no mínimo uma cartada final para acabar com qualquer sombra de dúvida por parte de seu comandante.

Kiko Monteiro, Wescley Rodrigues, Juliana Ischiara e Narciso Dias

A única certeza que temos, é que muita coisa se perdeu em razão do descrédito de uns, dos exageros de outros e das mentiras de muitos. Só nos resta continuar pesquisando, estudando e desvendando este imenso quebra-cabeça chamado cangaço que, tão sabiamente, mestre Alcino chama de Labirintos de Angico.

Juliana Ischiara

Referencias:
BASSETTI e MEGALE, José Sabino e Carlos César de Miranda. Lampião: sua morte passada a limpo. 1ª edição, Ed. Nova Consciência. 2011.
COSTA, Alcino Alves. Lampião Alem da Versão: mentiras e mistérios de angico. 3ª edição, Ed.Real. 2011.
ROCHA, Melchiades da. Bandoleiros das Catingas. 1ª edição. Ed Francisco Alves.1942

FERREIRA NETO, Cicinato. A Misteriosa vida de Lampião. 1ª edição. Ed. Premius. 2008
CHANDLER, Billy Jaynes. Lampião o rei dos Cangaceiros. 1ª edição. Ed Paz e Terra. 1980
DANTAS, Sergio Augusto de Souza. Lampião entre a espada e a lei. 1ª edição. Ed.Cartgraf, 2008.

Imagens valem mais que mil palavras....


Imagens certamente nos dizem muito mais que mil palavras... Olhares muitas vezes nos falam mais que uma infinidade de paragrafos...Agora, deixo com vocês: O que será que a professorta Ana Lúcia Granja, nossa querida companheira de Cariri Cangaço, a famosa Aninha do Ó, estava a pensar nesta maravilhosa tarde de visita ao Alto do Leitão, em Barbalha, no Cariri Cangaço 2010? 

 
Imagens valem  mais que mil palavras...
memória Cariri Cangaço 2010
Alto do Leitão, Barbalha - Cariri do Brasil !

O Jornal de Lampião Por:João de Sousa Lima


Eis aí acima uma das fotografias mais clássicas de toda a história do cangaço: Maria Bonita sentada acariciando os cães Ligeiro e Guarany e Lampião ao seu lado, em pé, com um jornal nas mãos.Sempre tive curiosidade em saber que jornal era aquele e quem seria a mulher que aparecia na página.Conversando com um amigo, grande pesquisador do cangaço, ele disse ser ela uma miss Brasil, informação vaga e insegura.

Quando comecei a pesquisar sobre o coronel João Sá, deputado constituinte da Bahia, figura histórica da cidade de Jeremoabo e um dos maiores coiteiros do cangaço em todo território baiano, descobri na sua fazenda Espaduada alguns documentos que teimavam em permanecer intactos mesmo estando cercados por cupins devoradores. Muita coisa havia se perdido e dentre as poucas que sobreviveram estava lá o jornal que tanto prendia minha curiosidade: A NOITE ILUSTRADA.


A garota da capa não é uma miss e também não é brasileira, ela é a modelo e atriz americana "Ann Evers" no texto da capa diz o seguinte: A sereia e sua rede...Ann Evers exhibindo um formoso modelo praiano em Santa Mônica, Califórnia (vide página 32).


ADENDO: Ann Evers: Nasceu: 06/09/1915 em Scranton, Pennsylvania, USA,Faleceu: 04/06/1987 (aos 71 anos) em Edison, Nova Jersey, USA

Na verdade Lampião não está naquele momento lendo o jornal, ele está apenas fazendo pose para ser fotografado. A foto da modelo é a capa do jornal e Lampião tem para sua visão a contracapa. Segundo depoimentos das cangaceiras Aristeia e Dadá as fotos feitas por Benjamin Abraão foram entre junho e julho de 1936, portanto um mês ou dois depois do lançamento do jornal que tem a data de 27 de maio de 1936.

O jornal tem 40 páginas, dezenas de excelentes fotografias e propagandas de cremes, remédios, loções e veneno para insetos.

Dentre as propagandas citadas, alguns produtos que ainda temos na atualidade, tais como: Vick Vaporub, Canetas Parker, Emulsão Scott, Leite de Colônia, Leite Condensado Moça, Gillette, Pastilhas Valda, General Eletric, Sal de Fruta ENO e Creme Dental Colgate. Li todo o conteúdo para ter uma ideia do que circulava nas reportagens da época. O jornal faz parte de meu acervo particular, porém servirá para quem estuda as histórias do Brasil, principalmente a história do nordeste e está aqui à disposição para quem interessar possa.

Par as lentes eternas de Benjamin Abrahão e a posteridade da fotografia brasileira, repousa uma mulher que acaricia dois cachorros e uma modelo que figura em páginas hoje amareladas pelo tempo, as noticias guardadas atiçam a curiosidade de quem pesquisa, o achado alegra a visão de quem acha o que procura, o olhar enigmático nega a visão de quem lê na pose que perpetua o contexto histórico de uma simples fotografia, retratos da vida, imagens de uma época, figuras infinitas.

João de Sousa Lima
Fonte: http://www.lampiaoaceso.blogspot.com/


João de Sousa Lima é Escritor, Pesquisador, autor de 09 livros. membro da Academia de Letras de Paulo Afonso e da SBEC- Sociedade Brasileira de estudos do Cangaço. telefones para contato: (75) 8807-4138 9101-2501 email: joaoarquivo44@bol.com.br / joao.sousalima@bol.com.br

O polêmico episódio de Angico Parte I - Por:Juliana Ischiara

O cangaceirismo no nordeste brasileiro é, sem sombra de dúvida, um dos capítulos mais estudados acerca da construção histórica e sociocultural nordestina. Não por acaso, todo pesquisador do fenômeno cangaço terá que, também, estudar coronelismo, não sendo possível divorciá-los, pois estão intimamente ligados.

Sabemos que o cangaço nordestino surgiu no século XIX, porém, suas primeiras versões dão conta de um cangaço por vingança e, em um segundo momento, como refúgio para aqueles que praticaram suas vinganças pessoais. Passando por estes dois tipos de cangaço, chegamos ao seu último e mais estudado, o cangaço como meio de vida, ou seja, aquele liderado por Virgulino Ferreira da Silva, vulgo Lampião. Porém, entendo que Virgulino aderiu ao cangaço vingança e, posteriormente, ao cangaço refúgio, posto não ser mais possível viver socialmente onde nasceu e onde vivia com seus familiares, em razão da querela com os “Saturnino”.

Uma vez no cangaço, Virgulino toma gosto pela vida bandoleira, vida esta de incertezas, crimes, poder e dinheiro. O então Virgulino torna-se Lampião e, este sim, passa a viver e a liderar o cangaço meio de vida. Saques, mortes, estupros, lesões e demais violências passam a fazer parte do cotidiano do grupo liderado por ele. Atrevo-me a dizer que os crimes elencados eram o método de “trabalho” dos cangaceiros, posto que em suas torpes cabeças, todos que sofriam suas investidas eram merecedores de tais ações.


Porém, em se tratando do estudo do cangaço, todos os pesquisadores esbarram no que eu ouso chamar de problemática maior ou desafio maior, que é dissociar o real da fantasia. Sabemos que não é uma tarefa fácil separar a verdade dos muitos fatos mentirosos e fantasiosos, mas uma coisa é certa, o último episódio envolvendo o cangaço liderado por Lampião, tornou-se o grande quebra-cabeças para todos que o estudam e pesquisam.


O polemico episódio de Angico, por ser muito controverso, tornou-se o grande mistério e não poderia ser diferente. Se não, vejam;

(...) Um aspecto que chama a atenção dos que se dedicam ao estudo de sua biografia é que, nos dias em que se estabeleceu no Angico, Virgulino Ferreira da Silva pareceu perder um dos seus maiores dons, o da previsão. Sertanejo calejado, bom almocreve, estrategista notório, líder carismático, Lampião era, também, o mágico, o bruxo das caatingas. Sabia antecipar o roteiro das volantes pela observação do comportamento dos pássaros ou de um animal desgarrado.

(...) em Angico, contudo, nada disso ocorreu. O “Capitão”, muito confiante na sua rede de proteção ou, já com o “corpo descoberto”, pois sua magia perdera efeito no leito seco do riacho que corria próximo ao coito (...), deixou-se levar pela inércia e acreditou que tudo estava sobre controle. (Ferreira Neto, pg. 248)

Ora, como pesquisadora do cangaço, penso que Angico é um lugar geograficamente desfavorável para um combate, porém, tecnicamente, o lugar não poderia ser melhor, pois Angico fazia parte da fazenda de um de seus mais chegados e confiáveis coiteiros, no caso Pedro de Candido e família.

A referida fazenda pertencia à jurisdição de Porto da Folha, Sergipe, que tinha como interventor Eronides Carvalho, um velho conhecido e amigo de Lampião. Atravessando o São Francisco, estava Piranhas, nas Alagoas, onde o comando militar encontrava-se sob as ordens do Tenente João Bezerra, que nas palavras de Billy Jaynes Chandler em seu ‘Lampião: o rei dos cangaceiros’, “João Bezerra não participou voluntariamente no ataque a Angico. Não era ele um exemplo de coragem, nem de honestidade e, na verdade, era um daqueles oficiais suspeitos de traficar com os cangaceiros” (pg. 245).

Eronildes de Carvalho


Segundo Durval Rosa, Pedro, seu irmão, teria levado dois sacos de munição a Lampião a mando de João Bezerra. O comum, ao lermos esta afirmativa feita por Durval, é nos perguntarmos: Porque Bezerra municiaria Lampião se combateria com ele no dia seguinte? Penso que esta pergunta poderá ser respondida com outras perguntas: João Bezerra, caso tenha realmente mandado a munição por Pedro, contava com o ressentimento e ou inveja de Joca Bernades, que daria com a língua nos dentes no dia seguinte? Mesmo estando no comando, João Bezerra tinha como impedir Ferreira de Melo de cumprir sua obrigação enquanto militar?

O fato é que estas são perguntas difíceis de responder, dado ao simples fato de que todos aqueles poderiam falar ou falaram sobre isso, tiveram seus discursos desacreditados, como Durval Rosa, Sila, Zé Sereno, sem contar o próprio Pedro que, como disse Billy Chandler, também, teve uma morte cercada de mistérios em 22 de agosto de 1941. Pedro teria sido confundido com um bicho, ou seja, apenas 3 anos após o episódio de Angico. Teria sido a morte de Pedro de Candido uma queima de arquivo, posto que ele sabia mais do que deveria? Mais um mistério de Angico...

Continua...

Juliana Ischiara

Memória Digital....Serra Talhada 2008

Estação do Forró, Serra Talhada

A grande serra desponta majestosa desde muito longe, viajando pelas estradas do sertão logo logo se enxerga o espigão deitado sobre o solo, meio que talhado...ou talhada... a Serra Talhada, mas para mim, seria ainda a Vila Bela, tão célebre e famosa por ter sido o berço de um grande personagem chamado Virgulino.

As imagens de nossa memória digital nos trazem hoje a Serra Talhada, antiga Vila Bela, onde na fazenda Passagem das Pedras, nasceu Virgulino Ferreira da Silva - Lampião. O ano era 2008, o mês junho, época do Festival de Xaxado promovido pelo amigos Domar e Cleó, da Fundação Cabras de Lampião.

Manoel Severo e Danielle Esmeraldo
 Danielle Esmeraldo
 Anildomá e Cleo
João de Sousa e Voldi Ribeiro

O Festival de Xaxado acontece tradicionalmente na Estação do Forró, espaço temático para shows e também berço do Museu do Cangaço, aqui a Fundação Cabras de Lampião promove um dos mais festejados festivais folcloricos do nordeste, na terra do xaxado, homenageando seu filho famoso.

Manoel Severo
 Vilela, Magérbio de Lucena e Antônio Vicelmo
Tenente João Gomes de Lira 
Magérbio de Lucena e Manoel Severo
 Manoel Severo e Luizão, sobrinho neto de Zé Saturnino
 Danielle e a exposição...
 
Xaxado, a alma de Serra Talhada...

Serra Talhada, Pernambuco,
junho de 2008 !

O Talento e a Arte de Aderbal Nogueira

Quem pesquisa cangaço se acostumou a acompanhar o trabalho do Benjamim Abraão dos novos tempos; os documentários que trazem a marca Laser Video de Aderbal Nogueira, passaram a fazer parte de nossas vidas, sua tenacidade, determinação e sensibilidade de estar no lugar certo, na hora certa, transformam Aderbal Nogueira em um dos maiores documentaristas do  cangaço em nosso país. Hoje, trazemos  um Aderbal diferente, não tão novo, mas com um vigor inaigualável.

Com vocês o mais novo Projeto de Aderbal Nogueira, Sejam bem vindos ao
Veredas do Brasil !!!



A Teoria do Escudo Étito de Frederico Pernambucano de Melo Por:Hónório de Medeiros

Frederico Pernambucano de Melo

O núcleo da "teoria do escudo ético", de Frederico Pernambucano de Mello, está contido em três parágrafos do capítulo 4 do clássico "Guerreiros do Sol", segunda edição, abaixos transcritos:

Muito se tem falado nos paradoxos da chamada moral sertaneja. No Nordeste, talvez melhor que em qualquer outra região, sente-se a existência desse quadro de valores - segundo já comentamos - inconfundível em muitos dos seus aspectos. Chega a ser quase impossível, por exemplo, explicar ao homem do sertão do Nordeste as razões por que a lei penal do país - informada por valores urbanos e litorâneos que não são os seus - atribui penas mais graves à criminalidade de sangue, em paralelo com as que comina punitivamente para os crimes contra o patrimônio. Não se perdoa o roubo no sertão, havendo, em contraste, grande compreensão para com o homicídio. O cangaceiro - vai aqui o conteúdo mental do próprio agente - não roubava, "tomava pelas armas".

Dentro desse quadro todo próprio, a vingança tende a revestir a forma de um legítimo direito do ofendido. "No sertão, quem se não vinga está moralmente morto", repitamos mais uma vez a frase tão verdadeira de Gustavo Barroso, conhecedor profundo desse paralelismo ético sertanejo.


Ao invocar tais razões de vingança, o bandido, numa interpretação absurdamente extensiva e nem por isso pouco eficaz, punha toda a sua vida de crime a coberto de interpretações que lhe negassem um sentido ético essencial. A necessidade de justificar-se aos próprios olhos e aos de terceiros levava o cangaceiro a assoalhar o seu desejo de vingança, a sua missão pretensamente ética, a verdadeira obrigação de fazer correr o sangue dos seus ofensores. O folclore heróico, em suas variadas formas de expressão, imortalizava-o, omitindo eventuais covardias ou perversidades e enaltecendo um ou outro gesto de bravura. Concretizada a vingança, por um imperativo de coerência estaria aberta para o cangaceiro a obrigatoriedade de abandonar as armas, deixar o cangaço. Já não teria mais a socorrer-lhe a imagem o escudo ético por esta representado. Como então realizar tal vingança, se o cangaço era um bom meio de vida?

Tal "escudo ético", entretanto, não é um epifenômeno próprio da moral sertaneja nordestina. Muito menos apenas do cangaço.Em entrevista à revista "Veja" de 17 de agosto de 2011 - edição 2230, ano 44, nº 33 - o psiquiatra e escritor inglês Anthony Daniels, ao analisar a influência da tese do suíço Jean Jacques Rousseau de que o ser humano é fundamentalmente bom, e que a sociedade o corrompe, afirma que esta prejudicou profundamente sua noção de responsabilidade: Por influência de Rosseau, nossas sociedades relativizaram a responsabilidade dos indivíduos.

E continua: O pensamento intelectual dominante procura explicar o comportamento das pessoas como uma consequência de seu passado, de suas circunstâncias psicológicas e de suas condições econômicas. Infelizmente, essas teses são absorvidas pela população de todos os estratos sociais. Quando trabalhava como médico em prisões inglesas, com frequência ouvia detentos sem uma boa educação formal repetindo teorias sociológicas e psicológicas difundidas pelas universidades. Com isso, não apenas se sentiam menos culpados por seus atos criminosos, como de fato eram tratados dessa maneira.Aqui no Rio Grande do Norte a lenda atribui aos injustos mal tratos físicos da Polícia o ingresso do célebre Valdetário Benevides Carneiro, morto há pouco tempo, no crime. Como não há justiça dizia em outras palavras Valdetário, vou fazer a minha.

Por outra: há o escudo ético, mas ele não é específico da moral sertaneja nordestina. Parece ser um epifenômeno decorrente da criminalidade

Honório de Medeiros

Daqui a 29 dias...Cariri Cangaço 2011, por enquanto...

29 dias nos separam do momento do reencontro; amigos de longe, de perto, daqui e dali, todos reunidos novamente em torno de uma só emoção: Cariri Cangaço 2011, sejam bem vindos, se abanquem! A casa é de vocês...
 
 
De todos os rincões deste grande Brasil chegam os confrades, alguns com o matulão e bornal cheio de muita história pra contar, outros levam muita coisa pra guardar...
 
 
 
Depois que tudo passa fica a certeza do dever cumprido e aí é só aguadar o local do próximo coito, do próximo encontro... Muitas vezes alguns nos deixam no meio do caminho, mas não há de ser nada, esses, cumpriram bem sua missão...e nos deixam saudade!


Sejam bem vindos ao Cariri Cangaço 2011 !
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