Quem foi Sabino Gomes Por:Francisco Cleudimar Lira

Sabino Gomes

Sabino Gomes de Góis, alusivamente conhecido como “Sabino das Abóboras” nasceu na Fazenda Abóbora, localizada na zona rural do município de Serra Talhada/PE, próximo a fronteira com a Paraíba pertencente ao respeitado coronel Marçal Florentino Diniz pai de Marcolino Pereira Diniz. No local eram criadas grandes quantidades de cabeças de gado, havia vastas plantações de algodão, engenho de rapadura e se produziam muitas outras coisas que geravam recursos. Também existem dois riachos, denominados Abóbora e da Lage, que abastecem de forma positiva a gleba.

Sabino era filho da união não oficial entre o coronel Marçal Florentino Diniz e uma cozinheira da fazenda. Consta que ele trabalhou primeiramente como tangedor de gado, o que certamente lhe valeu um bom conhecimento geográfico da região. Valente, Sabino foi designado comissário (uma espécie de representante da lei) na circunvizinhança da fazenda Abóbora.

Para alguns estudiosos do cangaço teria sido Sabino que coordenou a vinda do debilitado Lampião para ser tratado pelos médicos José Lúcio Cordeiro de Lima e Severino Diniz de um ferimento no pé ocasionado pelo confronte do chefe do cangaço com a polícia na localidade de Serra do Catolé, pertencente ao antigo município de Vila Bela, hoje Serra Talhada/PE. E que a amizade entre “Lampião” e o filho bastardo de Maçal Diniz, teria nascida na Fazenda Abóbora e se consolidado a ponto de Sabino se juntar ao “Rei do Cangaço” e seu bando, em uma posição de destaque, no famoso ataque de cinco dias ao Rio Grande do Norte, ocorrido em junho de 1927.

Marcolino Diniz em foto de 1930

Asseguram também que a inserção de Sabino no cangaço se deu em razão do assassinato de um primo legitimo seu de nome Josino Paulo surdo-mudo, morto por Clementino Quelé - conhecido por tamanduá vermelho, nas pilhérias do cangaço. Por outro lado a corrente, que defende o ataque a cidade de Souza como porta de entrada de Sabino no bando de Lampião. Fato esse que veio a antecipar o afastamento do líder cangaceiro ao poderoso coronel  Zé Pereira, de Princesa, cunhado de Marcolino Diniz. Entre 1921 e 1922, acompanhou seu meio irmão Marcolino para Cajazeiras.

Marcolino Pereira Dinizdesfrutava de muito prestígio político. Era presidente de clube social, dono de uma casa comercial e do jornal “O Rebate”. Tinha franca convivência com a elite cajazeirense. Sabino por sua vez era guarda costas de Marcolino e andava ostensivamente armado. Nesta época Sabino passou a realizar nas horas vagas, com um pequeno grupo de homens, pilhagens nas propriedades da região.

Foi através do Cel. Marcolino, que Sabino trouxe para residir na cidade sua mãe Maria Paula - carinhosamente chamada pelas pessoas de Vó e suas quatros filhas: Maria, Geni, Alaíde - Nazinha e Maria de Lourdes - Delouza.

Casa sede da Fazenda Aboboras

Em 13 de março de 1928, já completando um ano da ousada investida a cidade de Mossoró/RN, Sabino se dirigiu com Lampião e seu bando para a região do cariri cearenses, entrando nas terras alencarinas pelos lados de Macapá, atual Jatí, indo em direção a Fazendo Batoque (Fazenda Piçarra) de propriedade do coiteiro Antonio Teixeira Leite (Seu Antônio da Pirraça como era conhecido). Arranchados nas terras da fazenda o bando de Lampião foi alcançado por uma volante comandado pelos tenentes: Arlindo e Eurico Rocha e o sargente Manoel Neto. Numa noite de chuva forte e muito relâmpagos no céu, Sabino e mais outros comparsas, se deslocaram até a sede da fazenda, para buscar munições e armas, e ao atravessar por um "passadiço" de uma cerca, foi iluminado por um relâmpago, sendo visto e alvejado rapidamente pelos policias da volante de Arlindo Rocha. Era a morte e o fim de Sabino das Abóboras. Poucos cangaceiros foram tão cultivados, fora o chefe Lampião, do que Sabino Gomes, cuja presença no cangaço a cultura popular se encarregou de perpetuar, a exemplo da trova divulgada pelas bandas do sertão, a qual dizia: "Lá vem Sabino mais Lampião, Chapéu quebrado,  fuzil na mão".

Francisco Cleudimar Lira
FONTE - http://cajazeirasdeamor.blogspot.com.br/2011/10/quem-era-o-homem-que-atacou-cajazeiras.html


O Ataque de Sabino Gomes Por:Francisco Frassales Cartaxo

Vista aérea atual da Cajazeiras, PB 

O ataque a Cajazeiras, comandado por Sabino Gomes, no dia 28 de setembro de 1926, teve enorme repercussão na imprensa, pela ousadia da investida contra uma cidade importante para os padrões da época: servida por estrada de ferro, polo agroindustrial algodoeiro, comercio expressivo, sede de bispado, centro cultural e de ensino reconhecido no Nordeste e outros fatores. A vida e a trajetória de Sabino Gomes permanecem nebulosas, muito embora tenha sido ele um destacado subchefe de grupo ligado a Lampião presente no noticiário da imprensa na década de 1920, auge o banditismo nordestino. 

Sabino Gomes

Talvez tenha partido da imprensa do Ceará, a primeira informação acerca daquela agressão a Cajazeiras. Digo talvez porque ainda não tive condições de realizar pesquisa mais ampla nos jornais da época. Mas é certo que o diário “O Nordeste”, órgão da diocese de Fortaleza, por exemplo, noticiou o fato logo no dia seguinte, ainda que com dados precários, sujeitos à correção, como se pode ler na matéria sob o título de “A próspera cidade de Cajazeiras, na Paraíba, é atacada pelo grupo de Sabino Gomes”, veiculada no dia 29 de setembro, a partir de informe telegráfico recebido de Lavras da Mangabeira:

“A cidade de Cajazeiras foi surpreendida, ontem, por um ataque de 38 cangaceiros, chefiados por Sabino Gomes, resistindo até às 22 horas, quando os bandidos, dando-se por vencidos, retiraram-se, tomando a direção do Cariri. Houve três mortes e duas casas incendiadas. Na Estrada de Ferro conseguimos colher os pormenores que se seguem enviados pelo telegrafista da estação da via-férrea Ceará/Paraíba, ali existente”. 

“Cajazeiras – 29. Ontem às 14 horas o bando do terrível Sabino Gomes, comparsa de Lampião, passou em Baixa Grande, a duas léguas daqui, em viagem para esta cidade, tendo ali assassinado pai e filho, Raimundo Casimiro e Francisco Casimiro, por não terem os mesmos a importância que os facínoras exigiram. Às 17 horas alcançaram a residência dos doutores Coelho Sobrinho e José Almeida, estando presente o doutor Abdiel, os quais, para garantia e honra das suas famílias deram joias e dinheiro que somaram a mais de três contos de réis, incluindo o anel do engenheiro de um deles. Na mesma rua mataram o soldado Domingos Monteiro, o alfaiate Eliezer Alexandre e Cícero Corneteiro. Os prejuízos dos roubos e incêndios são superiores a 50 contos de réis. Na entrada do comercio mataram os bandidos uma criança de dez anos. Assaltaram depois a residência do coronel Sobreira, o qual, não se sujeitando à quantia exigida foi atacado à bala, reagindo, havendo forte tiroteio. Os bandidos não conseguiram entrar no comercio, devido à forte resistência da população”.

Escritor Francisco Frassales Cartaxo

No dia seguinte, 30 de setembro, “O Nordeste” comenta que “A população defendeu galhardamente o comercio, resistindo e repelindo a ação dos bandoleiros que recuaram, conduzindo três companheiros feridos. Os doutores Coelho Sobrinho, Abdiel Ferreira e José Almeida foram as primeiras pessoas atacadas, sendo o segundo roubado em um anel de engenheiro no valor de oitocentos mil réis”.

No correr do mês de outubro de 1926, vários números daquele jornal continuaram a repercutir a ação dos bandoleiros, sempre ressaltando a audácia do ataque a Cajazeiras e a eficácia da resistência civil à investida dos homens de Sabino Gomes.

Francisco Frassales Cartaxo 

*Escritor, filiado à União Brasileira de Escritores/PE, 
Articulista semanal do jornal Gazeta do Alto Piranhas, de Cajazeiras/PB. 
Gentileza do envio: Nadja Claudino

O Pacto dos Governadores para Eliminar os Cangaceiros Parte I Por: Honorio de Medeiros

Honório de Medeiros e Manoel Severo

Teria havido um pacto entre os governadores para a eliminação dos cangaceiros, sem que lhes fosse dado o direito de responderem processo ante a Justiça? O estudo dos cangaceirólogos e os indícios levam a crer que sim.

Houve uma reunião em Recife, no dia 28 de dezembro de 1926, entre os chefes de polícia dos estados do Nordeste, cujo teor não pôde ser vazado para a imprensa em decorrência do seu caráter reservado e das medidas de ordem interna que estavam sendo tomadas e não podiam ser reveladas.

Governador Estácio Coimbra

O Governador anfitrião, Estácio Coimbra, na abertura do conclave, fizera críticas contundentes aos coronéis do interior e sua complacência com o banditismo. E já havia tomado algumas medidas radicais no combate ao cangaceirismo: nomeara, a 16 de novembro daquele ano, o Major Teófanes Ferraz Torres para comando geral das unidades policiais de cidades e vilas no interior do Estado e lhe dera “carta branca” para atacar o principal suporte dos cangaceiros, através da eliminação ou redução drástica de seus coiteiros, mesmo que para isso fosse necessário prender e torturar, como de fato foi feito ao longo dos anos seguintes.

Frederico Pernambucano de Mello[1] comenta o encontro:

Daí para a idéia da promoção de novo encontro[2] ia apenas um leve passo. Ele é dado logo a 28 de dezembro desse ano[3] com a reunião, mais uma vez no Recife, de representantes dos Estados atingidos pela ação do banditismo – os tradicionais, como os mais recentes – de modo especial a que decorria do comando superiormente engenhoso de Lampião.

Da Paraíba, freguesa antiga do bandido, chega o chefe de polícia, Júlio Lira; do Ceará, Paes de Carvalho; do Rio Grande do Norte, Benício Filho[4]. Pernambuco se faz representar pelo chefe de polícia, Eurico de Souza Leão, e pelo secretário de Justiça, Genaro Guimarães. (...) Alagoas, Ernande Teixeira Bastos; (...) Madureira de Pinho, chefe de polícia da Bahia.” 

Eurico de Sousa Leão

Vamos aos indícios: no Rio Grande do Norte, Sérgio Dantas relata o episódio da morte de Mormaço e Bronzeado[5]: 

“Mossoró, 12 de março. A cadeia pública passava por minuciosa revista. Prisioneiro recambiado para a cidade de Apodi deu conta às autoridades de plano de fuga encabeçado pelos cangaceiros Mormaço e Bronzeado. O objetivo da empreitada – segundo o delator – seria o aprisionamento do carcereiro e a tomada das armas depositadas no paiol. 

A polícia não titubeou e investigou sumariamente a denúncia. Descobriu sinais de arrombamento em porão localizado no setor norte do presídio. Sem maiores rodeiros, responsabilizou os dois cangaceiros por tentativa de fuga e os imobilizou à força de algemas[6]. 

Na manhã seguinte decidiu-se pelo encaminhamento dos prisioneiros para a capital. O tenente Laurentino ficou encarregado de facilitar o transporte. Além de Mormaço e Bronzeado, seriam de igual recambiados os criminosos Thomaz dos Santos e Waldemar Ramos, presos comuns, detidos há meses na cidade salineira.

A ordem de transferência para Natal – segundo insinuações surgidas no período subseqüente à eclosão do movimento revolucionário de 1930 – partira do Governo do Estado, ainda na véspera. Fato concreto, imaculado de dúvidas, é que a transferência em discussão foi efetivamente autorizada.

Museu Lauro da Escóssia, antiga cadeia pública de Mossoró

Entre Mossoró e Açu, no Sítio Lagoa Cerrada, os bandoleiros encontraram a morte. Foram fuzilados. Não se chegou, à época, a ser apresentada à sociedade civil versão verossímil para o caso.

Durante o governo revolucionário de 1930, entretanto, foi aberto Inquérito para apurar os extermínios de criminosos, inclusive cangaceiros. O Tenente Abdon Nunes – não se sabe a que pretexto – chamou para si toda a culpa pelos assassinatos. Isentou o Governo do Estado de qualquer responsabilidade. Durante interrogatório, disse, textualmente: ‘Não recebi ordens de ninguém. E diga ao Chefe de Polícia que tive pena de não ter podido matar os outros’[7]. 

No Ceará a imprensa reagiu à chacina, em tudo e por tudo realizada nos moldes utilizados para a morte de Jararaca, Bronzeado e Mormaço, comandada pelo Sargento José Antônio do Nascimento, do cangaceiro Lua Branca e quatro comparsas, remanescentes do bando de João Vinte e Dois[8]: 

‘Os grandes responsáveis são os poderosos e tranqüilos mandantes dessas tropelias dos cangaceiros. São vendedores de armas e munições. São os compradores solertes dos produtos de cada assalto’.” 

[1] “GUERREIROS DO SOL”; Massangana Editora; A Girafa Editora Ltda. ; Segunda edição; 2004; São Paulo; SP.
[2] O anterior fora em 15 de dezembro de 1922.
[3] 1926.
[4] Benício Filho era Chefe de Polícia do Governador José Augusto Bezerra de Medeiros e irmão do Chefe dos Correios e Telégrafos de Mossoró, este acusado por Paulo Fernandes, ex-Prefeito de Mossoró e filho de Rodolpho Fernandes, de fomentar o afastamento de seu pai com o Governador do Estado que era seu correligionário político.
[5] “LAMPIÃO E O RIO GRANDE DO NORTE”; DANTAS, Sérgio Augusto de Souza; Cartgraf – Gráfica Editora; 2005; Natal; Rn.
[6] Terá sido armação? Por que esse preso foi recambiado para Apodi? Talvez tenha sido seu prêmio, caso contrário teria o mesmo fim dos outros presos comuns. Observe-se a rapidez com que a polícia agiu.
[7] Sérgio Dantas informa que a afirmação está em SUASSUNA e MARIZ, 2002, p. 236.
[8] “LAMPIÃO E O RIO GRANDE DO NORTE”; DANTAS, Sérgio Augusto de Souza; Cartgraf – Gráfica Editora; 2005; Natal; Rn.

Continua...

Honório de Medeiros
Pesquisador, Escritor, Conselheiro Cariri Cangaço
Conselheiro da SBEC
Fonte:http://honoriodemedeiros.blogspot.com.br/

Coronel Manoel Martins Chaves: “O Feitosa, O Chefe dos Feitosa ou O Grande Cangaceiro” Por:Heitor Feitosa Macedo

Gustavo Barroso

Como a maioria dos estudiosos do cangaço, Gustavo Barroso dedicou-se à análise de tal fenômeno observando-o a partir do século XIX, ou seja, considera, implicitamente, que o seu objeto de estudo tenha nascido das relações sociais estabelecidas no início de 1801 em diante. E isto pode ser facilmente observado quando o autor trata do combate ao protecionismo dado aos cangaceiros pelos coronéis no Ceará, fazendo menção apenas aos fatos ocorridos já no referido século. Ainda, relativamente ao assunto, Barroso diz que por volta de 1808 o Coronel Manoel Martins Chaves fora preso pelo governador João Carlos Oyenhausen e Grevenburg, acusado pela morte do Juiz Ordinário Antonio Barbosa Ribeiro.

Ao tratar do assunto Gustavo Barroso batizou Manoel Martins Chaves de “O Grande Cangaceiro”. O episódio envolvendo o Coronel Manoel Martins Chaves foi relatado no começo do século XIX pelo inglês Henry Koster, sendo seguido e copiado por seu conterrâneo Robert Southey. As histórias contadas por estes dois escritores, disseminadas pela Europa, foram colhidas poucos anos depois do ocorrido. Sendo notória a referência feita ao Coronel Manoel Martins Chaves como “O Feitosa” ou “O Chefe dos Feitosa”.


De fato, essa ideia de o Coronel Manoel Martins Chaves ser um Feitosa propagou-se entre o povo e pelos anos seguintes como uma verdade absoluta, conforme registrado no diário do médico-botânico Francisco Freire Alemão, que esteve no Ceará entre os anos de 1859 e 1860. Na verdade, o Coronel Manoel Martins Chaves não era um Feitosa, mas primo, pois antes das famílias Martins Chaves (ou Araújo Chaves) e Feitosa migrarem das margens do Rio São Francisco em direção ao Ceará, já estavam entrelaçadas consanguineamente.O  parentesco se deu da seguinte forma. O primeiro Manoel Martins Chaves (português) teve duas filhas, uma chamada Ana Gomes Vieira, que casou com o Capitão da Vila de Penedo, João Álvares Feitosa (português), e outra chamada Nazária Ferreira Chaves, que se casou com o português Antonio de Sousa Carvalhedo.Este último casal gerou o Capitão-mor José de Araújo Chaves, avô do Coronel Manoel Martins Chaves (o segundo do nome),mencionado por Gustavo Barroso. 

A amizade entre as duas famílias era intensa, daí surgindo muitos casamentos e uma imbricada parentela. A confusão entre ambas seria inevitável, principalmente pelo fato de a única filha do Coronel Manoel Martins Chaves (2º) ter se casado com um Feitosa, o Major José do Vale Pedrosa. Destaque-se que a história muitas vezes se torna uma grande vilã, eivada de injustiças, principalmente quando se socorre unicamente da tradição oral ou de documentos tendenciosos, como ocorreu com o Coronel Manoel Martins Chaves. Este, preso por um crime que não cometeu, não teve oportunidade do contraditório e da ampla defesa, vindo a morrer em situação deplorável nas enxovias do Limoeiro. 

Tudo por uma questão de política criminal e autopromoção de seu algoz, afilhado da rainha Maria I. Ressalte-se que o dito coronel fora preso juntamente com um de seus sobrinhos, Francisco Xavier de Araújo Chaves, acusado do mesmo crime, voltando este ao Brasil em 1810, no mesmo ano em que nasceu um de seus netos, o Brigadeiro Sampaio, herói da Guerra do Paraguai e Patrono da Arma de Infantaria do Exército Brasileiro, o qual, por ironia do destino, quando criança, fora apaixonado pelo cangaço. A história é paciente, demorada e cheia de surpresas, tendo como maior virtude a força de desmentir os homens, impondo novas versões aos velhos fatos.

Heitor Feitosa Macedo
Fonte:http://estoriasehistoria-heitor.blogspot.com.br/

Vem aí o Cariri Cangaço Piranhas 2014 !


Cariri Cangaço Piranhas 2014 !
Dias 24 a 27 de Julho
Piranhas, Alagoas - Brasil

Aguardem Programação Oficial...

Feliz aniversário Alcino !


ALCINO ALVES COSTA, 
a Caneta do Sertão Sergipano

Há 74 anos, há exatos 27.028 dias, naquela segunda-feira muito caipira, 17 de junho de 1940, nasceu uma criança que viria a se tornar a mais exponencial figura do Sertão Sergipano, em termos literários.
Não a esmo, mas por um ato de extremo reconhecimento e justiça, foi unanimemente eleito para patronear a ALAS – Academia Literária do Amplo Sertão Sergipano.

Sabemos que na etérea e eterna morada o nosso homenageado está muito feliz.
Parabéns, Alcino, pelo transcurso de sua genetlíca data.
Você hoje está desfrutando as delícias de outro plano existencial, mas não antes de nos ter brindado com o privilégio de sua convivência terrena.
Você será eterno no Sertão Sergipano.
Vasko Vasconcelos

NOTA CARIRI CANGAÇO: Alcino Alves Costa, o Decano; carinhosamente chamado por todos de "O Caipira de Poço Redondo" é o Patrono do Conselho Consultivo do Cariri Cangaço, que a partir de setembro de 2013 passou a chamar-se Conselho Consultivo Alcino Alves Costa.

A Maioridade da SBEC Por:Kydelmir Dantas



Prezados sócios e pesquisadores... A SBEC - Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço completou a 13 de junho deste ano sua maioridade...


São 21 anos dedicados a cumprir com o seus ESTATUTOS que rezam: Estudar, pesquisar e trabalhar temas ligados ao Nordeste brasileiro como: cangaceirismo (Cabeleira, Jesuíno Brilhante, Antonio Silvino, Lampião, etc); coronelismo (Delmiro Gouveia, Chico Heráclito, etc.); literatura de cordel (Leandro Gomes de Barros, João Martins de Atahyde, Patativa do Assaré, etc); misticismo (Antônio Conselheiro, Zé Lourenço e outros); religião (Padre Cícero, Padre Ibiapina, Frei Damião);artesanato (Barro, madeira e palha); revoluções brasileiras (Revolução de 30, Coluna Prestes, etc.); Música Popular Nordestina (Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro, João do Vale, etc); meio ambiente (Migrações, ecologia, secas, etc.)

SBEC -foto de José Rodrigues:  Foto do fórum que reuniu pesquisadores do RN e dos seus sócios fundadores - identificados pelos círculos - , com a presença de alunos do curso de História da UERN.


Desde aquele 13 de junho - data da fundação que contempla a Resistência de Mossoró ao ataque dos cangaceiros de Lampião - que a SBEC expandiu seu campo de atuação e conquistou novos sócios, admiradores e pesquisadores dos temas que aos seus estatutos estão relacionados, em todo o Brasil e até no mundo. Desejamos vida longa à SBEC e sucesso a nova Diretoria.

    Kydelmir Dantas - Sócio da SBEC, 
    Conselheiro Cariri Cangaço
    Mossoró - RN

Marica Macedo do Tipi: Brava Sertaneja d’Aurora Por:José Cícero

José Cícero recebe o Cariri Cangaço no Tipi de Marica Macedo

Contemporânea da intrépida lavrense Fideralina Augusto Lima, Generosa Amélia da Cruz em Santana do Cariri;  além dos feitos e ações que nos remetem até mesmo a  heroína Bárbara de Alencar;  Maria da Soledade Lamdim – Marica Macedo do Tipi compôs com folga de mérito e valentia o histórico quarteto  das chamadas matriarcas dos sertões do Cariri. Filha de João manuel da Cruz(Joca da Gameleira) e de dona Joaquina de Sales Landim(D.Quinina) ambos descendentes dos "Terésios".

Nasceu ao que tudo indica no início de 1865  na localidade de Gameleira do Pau na  serra do Araripe  região do Jamacaru (bem ao lado da fazenda  Serra do mato do não menos famoso cel. Santana –  conhecido coiteiro de Lampião)  em Missão Velha.
Em 1891 após casar com José Antonio de Macedo(Cazuzinha) seu parente, o casal decide ir morar em Aurora  comprando a propriedade do sítio Sabonete onde mais tarde se formaria a vila Tipi; local onde  fixara residência até o fim da vida. A força do seu nome foi muito além  do riacho do Tipi de onde construiu o seu  poder. Que além de político era alicerçado no criatório de gado,  lavoura  de milho, algodão, casa de farinha e  engenho de rapadura. 


Gostava de  idéias  novas e pioneiras. Como por exemplo, quando Antonio Macedo (seu filho), assumiu a prefeitura em 1919 ela ordenou que o município fosse dividido em quatro partes  para facilitar   a administração. Cabendo a ela própria gerir os problemas e os interesses da região que ia do sítio Cobra, Sabonete, Mel e Tipi até à fronteira com a Paraíba. Há quem diga, que fizera inclusive.  uma excelente administração.

Da casa grande, quanto   da bagaceira do eito dava ordem  aos seus comandados com  a mesma autoridade e energia dos coronéis  do seu tempo. Suas determinações tinham verdadeira força de lei. Tornando-se, por conseguinte, uma mulher de invejável poder e respeito não somente no que tange às questões familiares, como inclusive  na política aurorense onde se pontificou por vários anos não, diretamente, mas através de filho,  parentes e aliados.

Casais Lamartine Lima e José Cícero no Cariri Cangaço Aurora com Manoel Severo

Esteve no centro de questões emblemáticas, a exemplo do chamado “fogo do Taveira” que redundou  na invasão e saque de Aurora em 1908 por mais de 600 jagunços sob o comando de Zé Inácio do Barro ante os auspícios de quase todos os coronéis da região. Quando foi deposto  por meio das balas o então intendente municipal Antonio Leite Teixeira Neto(Totonho de Monte Alegre) pondo em seu lugar o seu fiel aliado, o cel. Cândido do Pavão. Um episódio que de tão marcante ainda hoje ocupa lugar de destaque nos anais da história do Cariri, do  Ceará e do Nordeste.

O tal 'fogo do Taveira' aconteceu  entre os dias  16 e 17 de dezembro de 1908 no sítio Taveira de Aurora, situado já nos limites de Milagres  e contíguo ao Barro.  Quando num tiroteio fora morto o seu filho mais novo José Antonio de Macedo(Cazuza) de apenas 14 anos sendo também ferido o proprietário da casa .  Coincidentemente,  mesmo dia e  na mesma ribeira se dava a  polêmica demarcação das célebres  minas do Coxá pertencentes ao padre Cícero Romão Batista.  Objeto de disputa entre o sacerdote e pequenos sitiantes das imediações. O que decerto, contribuiu ainda mais para o acirramento dos ânimos entre a gente do coronel Totonho de Monte Alegre, Marica Macedo, Zé Inácio do Barro e coronel Domingos Furtado de Milagres.


Sabendo disso, Marica solicitou ajuda a Floro Bartolomeu que se encontrava nas imediações do sítio Maracajá(Pavão) com um grupo jagunços armados até os dentes.  Não querendo participar diretamente do conflito o representante do padre Cícero apenas usou do seu prestígio junto ao então governador do estado -  Nogueira Acióli que ordenara a retira imediata do destacamento policial que dava apoio ao cel. Totonho. O que facilitou ainda mais a estratagema para  a invasão e deposição do então intendente municipal.  Assim, o fogo do Taveira representou  o verdadeiro estopim para a invasão e saque de Aurora, por  cerca de 600 jagunços  a mando dos coronéis da região a pedido de Marica.

Nada acontecia na Aurora do seu tempo, tanto na política quanto nas questões mais comezinhas que não fosse do seu inteiro conhecimento. Influente e respeitada era de fato uma grande liderança. Ao passo que também, tinha a força de juiz, prefeito, delegada, assim como senhora de engenho e conselheira familiar.

Uma mulher sertaneja que, dentre outras qualidades, se notabilizou  sobretudo por está muito além do seu tempo... Morreu supostamente de ataque cardíaco em 6 de janeiro de 1924 na residência de sua filha, localizada  a rua José dos Santos, na beira fresca de Aurora.

Prof. José Cícero

Secretário de Cultura e Turismo
Pesquisador do Cangaço
e Conselheiro do Cariri Cangaço.
Aurora – CE.

A Colher de Prata de Lampião Por:Geziel Moura

Narciso Dias, Geziel Moura, Jorge Remigio e Jair Tavares em dia de Cariri Cangaço

Há muito que as peripécias de Virgolino Ferreira da Silva, vulgo Lampião tem sido onipresentes no imaginário de várias gerações de escritores, poetas, repentistas, músicos, sertanejos, e estudiosos que militavam/militam na área da pesquisa cangaceirista, como elemento demarcador de sua onipotência. Essa imagem que compôs o cenário de minha trajetória como leitor da temática lampiônica vem sendo amplamente ratificada e/ou citada por vários autores.


Ainda na perspectiva do que se criam/creem, sobre os feitos extraordinário e até mesmo sobre-humano de Lampião, pretendo por meio deste ensaio, fazer tessituras que poderiam ajudar a pensar sobre tais feitos, muitas das vezes, transcendentais daquele cangaceiro. Contudo, não me detive ao longo deste estudo, na formulação de juízos de valores dos métodos historiográficos utilizados por pesquisadores da área, se eram eficazes ou não, se estavam certos ou errados. Minha intenção foi confrontar as manifestações literárias daqueles autores, com o que a ciência aponta sobre o tema elencado.

Colher de prata da época do cangaço, acervo João de Sousa Lima

Nesse sentido, muitos textos lampiônicos, atribuem a Virgolino Ferreira da Silva, a rotineira análise toxicológica em alimentos, sólido e/ou líquido, oferecidos por pseudos-coiteiros, supostamente contaminados por venenos, sendo que a detecção de tal substância mortífera era realizada, pela mudança de coloração assumida por uma colher de prata, que entrava em contato com tal alimento.Sobre aquela mudança de coloração ocorrida na colher “especial” de Lampião, Mota (1976, p.09) diz:


"No sertão pernambucano, uma mulher pretendeu envenená-lo. Lampião convidou-a a beber da cachaça em primeiro lugar. Ela desculpou-se, alegando que estava purgada. Virgolino tirou do embornal uma colher de prata e meteu-a no copo. A colher enegrece. Lampião percebe a cilada, agarra pelos cabelos a ousada sertaneja, amarra-a ao tronco de uma árvore, embebe-lhe de querosene as vestes e queima-a viva, desfechando-lhe, por fim, um tiro de misericórdia no seio estorricado” (grifo nosso).


Por essa manifestação, podemos inferir que o tempo para que a colher de prata mude de cor, ou seja, ocorra reação de oxidação é reduzido e quase que instantâneo ao contato com o alimento envenenado. Entretanto, o escurecimento da prata ocorre ao longo de tempo razoável, em decorrência do contato deste metal com o oxigênio, presente no ar e com compostos contendo enxofre, produzindo uma camada de Sulfeto de prata (Ag2S), de matiz azulada, e que torná-se escura ao longo de reação lenta.Geralmente os compostos sulfurados, estão presentes em ambientes, cuja poluição do ar encontrá-se em nível elevado.


Por outro lado, quero analisar formas de detecção da presença de possíveis venenos, usualmente utilizados naquela época, e para isso elegemos os seguintes: Estricnina, Arsênico e Cianureto.Ressalto que poderia existir outros tipos de venenos, sendo esses os mais comuns.

Geziel Moura
Pesquisador

Grande Festa em Dores Por:João Paulo

João Paulo à direita, Vasko vasconcelos e confrades da ALAS, AGL, AEL, ALLE e ADL

A instalação da nossa Academia Dorense de Letras, dada ontem pela manhã, acabou se transformando num grande encontro acadêmico, pois, lá estavam representadas todas as arcádias sergipanas. Foi um bonito momento de unidade entre a Academia Sergipana de Letras e as arcádias municipais (Dorense - ADL, Lagartense - ALL, Laranjeirense - ALLE, Estanciana - AEL, Itabaianense - AIL,Gloriense - AGL, Tobiense - ATLAS) e também a regional (Academia de Letras do Amplo Sertão Sergipano - ALAS). Afinal, elas convergem para um mesmo objetivo: fomentar a arte literária entre as comunidades nas quais estão inseridas.

Ao final do evento, pude dialogar com alguns dos confrades e este objetivo comum foi o assunto mais comentado. 
O presidente da ALAS, professor Vasko, representou todas as arcádias interioranas na mesa de honra daquela solenidade e ministrou algumas palavras que, pela sua representatividade solicitei a permissão para compartilhá-las aqui. 

 

"
Onde quer que esteja, Pero Novais de Sampaio que no início do século XVII fundou o lugarejo que seria denominado Enforcados, está muito feliz por este momento. Nem imaginava ele, naquela quarta-feira, 4 de outubro de 1606, que nas duas léguas de terras doadas pelo capitão-mor Nicolau Felipe de Vasconcelos, brotaria um polo de desenvolvimento não apenas comercial, mas sobretudo cultural.
Graças à sabedoria de um missionário, Enforcados, no início do século XIX, passou a chamar-se Nossa Senhora das Dores, nome que conserva até hoje.
Exatos 34.199 dias. Este foi o tempo transcorrido de 23 de outubro de 1920, elevação à categoria de cidade de Nossa Senhora das Dores; até hoje, 11 de junho de 2014, dia da glorificação literária do município.
Tal como quem espera um Messias Prometido, a população desta comuna aguardou pacientemente todos esses dias, para presenciar a instalação da ADL – Academia Dorense de Letras.

Não. Não é a primeira. Também não será a última a ser implantada no interior de Sergipe; mas, por enquanto, é a nossa querida irmã caçula. Outras virão, porque, como vulgarmente se diz, a “fila tem que andar”. 
Em breves dias, esta província do Cacique Serigy assistirá ao despontar do primeiro sodalício literário de âmbito regional no Estado e quiçá no Brasil. Virá em missão de paz, com o escopo de colaborar com o trabalho já brilhantemente desenvolvido pelas coirmãs municipais e estadual. 
Refiro-me à ALAS – Academia Literária do Amplo Sertão Sergipano que engloba 12 (doze) municípios criteriosamente eleitos para comporem o mapa literário do Alto e Médio Sertão desta unidade federativa.
Nós, alanos, Leunira Batista Santos Sousa, Edivan de Jesus Santos e este que lhes dirige a palavra, representando todos os outros confrades e confreiras do conglomerado acadêmico de Sergipe que, pelos mais diversos e justos motivos, não puderam comparecer a esta solenidade; prestamos as mais sinceras homenagens à vizinha coirmã, desejando-lhe, e aos seus membros, o mais retumbante sucesso.
Obrigado." Palavras de Vasko Vasconcelos

João Paulo
Nossa Senhora das Dores
Sergipe

O Cordel em Portugal

A Literatura de Cordel, com seus folhetos e xilogravuras, acabou mesmo em Portugal?

O poeta brasileiro Franklin Maxado acha que não, pois está a relançar em Lisboa o seu folheto "PORTUGAL NAS MÃOS DE DEUS, NOS PÉS DO CRISTIANO E PARES E NOS BRAÇOS DO ZÉ POVINHO" e outros titulos seus no dia 12 de junho às 18,30 h no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa; Avenida Professor Aníbal Bettencourt, 9  ao lado da Biblioteca Nacional. 
    
O lançamento dos folhetos e do livro "O que É Cordel" foi antes da seleção de futebol portuguesa embarcar para o Brasil. Assim, o interesse pelo Cordel no país  continua e o poeta ( com quase 50 anos de ofício e 400 folhetos publicados) já foi contactado para fazer , pelo menos, mais duas apresentações no Porto, além de poder mostrar as cópias de xilogravuras que faz para capas de seus folhetos, mesmo numa época em que  há computadores e linguagem globalizada. 


O lançamento também pode abordar essa discussão entre os presentes, Pois o Cordel foi levado de Portugal para o Brasil onde ele até hoje se atualiza como arte e convive com o computador.  

Agradeço a atenção,
Franklin Maxado, o Nordestino.

Neco da Pautilha Por:Fabricio Lobel


Certo dia, Neco, como era conhecido o ex-policial Manoel Cavalcanti de Souza, saiu de sua barbearia e deu de cara com Lampião e seus homens lhe esperando. Magrelo, Neco pulou de volta para a barbearia e viu a parede do lugar ser crivada de balas de fuzil. Com medo de morrer, correu entre três cangaceiros e ganhou o mundo. 
Aquele era o sexto confronto entre ele e Lampião. Neco tinha apenas 17 anos quando se alistou na volante para perseguir Lampião. Perdeu muitos amigos no combate ao "rei do cangaço". No embate de Maranduba, em Sergipe, teve que sepultar colegas e um de seus tios sem covas abertas com paus e facão. 
Cruz dos Nazarenos, na Maranduba
Neco da Pautilha
Uma vez, na margem esquerda do rio São Francisco, em Alagoas, se abrigou em uma escola. Na parede da sala de aula, viu escritos os nomes de vários alunos. Escolheu o que achou mais bonito: Maria Ribeiro dos Anjos. Sacou então uma bala de sua cartucheira e com ela riscou seu nome acima do de Maria. Anos depois, encontrou a dona daquele nome. Os dois se apaixonaram e viveram um casamento de quase 80 anos, à revelia do sogro.
Neco passou o final da vida sentado na varanda de sua casa, em Floresta(PE), contando as histórias do cangaço, sempre enérgico e risonho. Após o cangaço, foi alfaiate, sapateiro, caixeiro-viajante e funcionário público. Não considerava Lampião um criminoso. Quando criança, até se alegrava coma chegada do cangaceiro à sua vila de Nazaré, quando todos dançavam ao som do xaxado. Morreu na quinta 29 de maio de 2014, aos 101, tido como um dos últimos combatentes de Lampião.

Fabrício Lobel
Gentileza do envio: Benedito Vasconcelos - SBEC