A Espetacular Triunfo... Por:Manoel Severo

O Lago e o Teatro Guarani, marcas registradas da bela Triunfo

Quem visita a serra da Baixa Verde, encravada bem na divisa entre os estados de Pernambuco e Paraíba, vai encontrar um cem números belezas distribuídas pela natureza exuberante, vegetação própria e fontes de água límpida, espalhadas por todos os lugares. É aqui, no alto de seus 1.010 metros de altitude que se encontra a bela Triunfo. 

Seus primeiros habitantes foram os índios Cariris; depois de fazenda, arrendada por Domingos Pereira Pita e em 1870, através da Lei Provincial nº. 930, passou a freguesia de Nossa Senhora das Dores, desmembrada de Flores, e elevou a povoação de Baixa Verde à categoria de vila, com a denominação de Triumpho. Em 13 de junho de 1884 através da Lei Provincial nº. 1.805, foi criada a comarca de Triunfo e com isso a vila da Baixa Verde foi elevada à categoria de cidade. Seu nome teve origem a partir de uma luta ocorrida entre a poderosa família dos Campos Velhos, da cidade de Flores, e os habitantes desda mesma povoação da Baixa Verde.

Família Cariri Cangaço em visita à Casa Grande das Almas em Triunfo
Heldemar Garcia e o Castelo, anexo à Casa Grande das Almas

Neste último mês de Julho de 2014, a Caravana Cariri Cangaço, formada por seu curador; Manoel Severo, Heldemar Garcia, Ingrid Rebouças, Narciso Dias, Jorge Remígio e Jair Tavares; foram recebidos em Triunfo pela pesquisadora e escritora Diana Rodrigues;  uma das mais destacadas memorialista de Triunfo. Foi uma visita de trabalho incrivelmente proveitosa além de termos tido a oportunidade de revisitar e matar a saudade das belezas do lugar, como a Casa Grande das Almas.

A Casa Grande das Almas, propriedade emblemática do inesquecível Assis Timóteo, é visita obrigatória para quem vai a Triunfo. Como um museu vivo, a Casa Grande das Almas, a partir da hospitalidade e amabilidade de Assis Timóteo, sempre acolheu a todos que ali chegam. Hoje, já não temos o estimado amigo e confrade Assis Timóteo entre nós, mas sua energia e aura, continuam presentes em cada canto, em cada detalhe; desde a arquitetura robusta, mobília e obras de arte, de todas as naturezas, rebuscada; passando pelos suntuosos jardins, singela capela e espetacular mausoléu; onde hoje repousa seu corpo; até seu mais recente sonho, inacabado, o Castelo da Casa Grande das Almas. Assis permanece, na verdade em nosso coração.

Ingrid Rebouças e Diana Rodrigues

Nossa visita foi de trabalho, mas não poderíamos deixar de registrar um momento de reconhecimento. Uma das virtudes que procuramos cultivar ao longo dessa firme caminhada do Cariri Cangaço, é a gratidão. Gratidão é na verdade virtude que precisa ser exercitada, praticada... Quem acompanhou o nascimento de nossa grande família de Vaqueiros da História, não poderá deixar de reconhecer o empenho e a dedicação de Diana Rodrigues; essa mulher sem igual, intelectual de primeira linha, um ser humano ímpar; dessa forma nossa visita a Triunfo também marcou a entrega do Diploma de Amiga do Cariri Cangaço a Diana Rodrigues.

Jair Tavares, Manoel Severo, Narciso Dias e Jorge Remigio na entrega do Diploma a querida Diana Rodrigues
Casa Grande das Almas, o espírito de Assis Timóteo, guardado nos mínimos detalhes
Capela e Mausoléu, simplicidade e beleza
Jorge Remigio e o Mausoléu da Casa Grande das Almas

A bela e aconchegante Triunfo se destaca em todo o vale do Pajeú; sua altitude acaba nos proporcionando uma temperatura média em torno de 19 graus, entretanto na quadra chuvosa, entre maio e julho, chegamos a 8, 10 graus, se traduzindo numa verdadeira suíça pernambucana; o lago que marca a entrada da cidade com o majestoso Teatro Guarani nos dão a dimensão exata da beleza de triunfo.

Família Cariri Cangaço nos belos jardins da Casa das Almas
Narciso Dias

Na verdade, estar em Triunfo é um privilégio espetacular; não só por todas as belezas naturais e seu clima sem igual, mas e principalmente pela amabilidade dos triunfenses, pela energia vibrante daquela terra e por termos ali amigos verdadeiramente queridos.

Manoel Severo
Curador do Cariri Cangaço

Daqui pra lá e de lá pra cá... Por: Luitgarde Barros

Jonasluis de Icapuí, Lamartine Lima e Luitgarde Barros, no Cariri Cangaço 2013

Boa tarde, Severo e Aderbal. Obrigada pelo envio das notícias todas do Cariri Cangaço. Estava com saudade de vocês e de nossos eternos papos. Tenho tido notícias dos eventos, mas estou atolada até o pescoço com compromissos como estar fazendo as orelhas do segundo volume das “Memórias de Ulysses Lins de Albuquerque” - autor de Moxotó Brabo, “Três Ribeiras” e “Um sertanejo e o Sertão” - e embarcar no dia 18/8 para um giro pelo Panamá e um Congresso na Costa Rica. Voltando de lá no dia 1/9, no dia 3 embarco para um Congresso de Comunicação em Foz do Iguaçu, de onde retorno no dia 8.

Em 15/10 estarei em Arapiraca alagoas, recebendo, com mais 9 professores velhos aposentados, o título de Professor Honoris Causa da Universidade Estadual de Alagoas – UNEAL. Quando nos encontramos pessoalmente, tenho um mundo de coisas para discutirmos. Em novembro nos veremos no Cariri, no Seminário sobre Padre Cícero, não é mesmo?

Abraço a todos, obrigada por estarem aí escrevendo tantos novos capítulos dessa história triste do sertão.

Abraço amigo,
Luitgarde Barros
Rio de Janeiro - RJ

Água Branca recebe o Cariri Cangaço Por:Manoel Severo


Água Branca sem dúvidas é uma das mais aconchegantes cidades de nossa Alagoas,  sua tradição e memória podem ser testemunhadas pelo imenso e espetacular patrimônio arquitetônico, testemunhas vivas, embora mudas de um passado cheio de história e cultura. Água Branca está localizada na micro-região do Sertão Alagoano, sua altitude de 550 metros acima do nível do mar nos permite "enxergar" de um belíssimo mirante, boa parte das divisas com Pernambuco e Bahia.

Ali, a Caravana Cariri Cangaço foi recebida pelo historiador, pesquisador e escritor Edvaldo Feitosa, grande confrade e amigo, que a cada passo nos presenteava com um pouco da história de sua bela cidade. O nome Água Branca tem origem pelo conjunto de fontes naturais existentes na região; inicialmente fora Mata Pequena, depois Matinha de Água Branca, e atualmente Água Branca.

Jadilson Ferraz, Manoel Severo e o famoso Casarão da Baronesa de Água Branca
 
Manoel Severo, Edvaldo Feitosa e Jadílson Ferraz em Água Branca
 

Os primeiros a chegar e a desbravar essas terras foram Vieira Sandes, oriundos de Itiúba, pequeno povoado próximo a Porto Real do Colégio, em Alagoas, atraídos pelas riquezas da região e fertilidade de seu solo. Em 1770 foi construída a capelinha bem no meio "do nada", que até hoje se mantém viva. 

Edvaldo Feitosa, recentemente lançou sua obra "Água Branca, História e Memória" onde nos traz toda a história da bela cidade. Até o século XVII, o território de Água Branca pertencia a Paulo Afonso, que era província de Alagoas e era conhecida pela denominação de Mata Grande. À sesmaria de Paulo Afonso conhecida por Mata Grande, pertencia também o território do município de Piranhas, e hoje os atuais municípios de Delmiro Gouveia, Olho D'água do Casado e Pariconha. 

Em 24 de abril de 1875, o povoado foi emancipado e instituído a Vila de Água Branca. Por divergências políticas, a Várzea do Pico, onde se realizava as grandes feiras de gado, foi chamada Vila do Capiá e em 1893 passou a ser sede da vila de Água Branca. Em 1º de junho de 1895 a sede passou definitivamente à Vila de Água Branca. Somente em 02 de junho de 1919, através da Lei nº 805, a vila passa a categoria de cidade de Água Branca.

 Capela construída ainda no século XVI
 O fabuloso casário, patrimônio arquitetônico de Água Branca
 

Água Branca foi cenário do primeiro ato Rei do Cangaço, Virgulino Ferreira; aqui, em 1922, Lampião, recém "nomeado" líder do bando de Sinhô Pereira ataca Água Branca e assalta o casarão da Baronesa Joana Vieira, viúva do Barão de Água Branca. Água Branca, também vem a ser o berço de um dos mais destacados cangaceiros da história: Cristino Gomes da Silva Cleto, Corisco - O Diabo Louro ; quando ainda se chamava "Matinha de Água Branca" ,ainda povoado de Mata Grande. 

 Do espetacular Mirante de Água Branca se vislumbra boa parte dos territórios de Paulo Afonso, Delmiro Gouveia, Mata Grande...
Das Virgens, Edvaldo Feitosa, Manoel Severo, Heldemar Garcia, Ingrid Rebouças e Jadilson Ferraz
Edvaldo Feitosa, Felipe Falcão, Manoel Severo e Reinaldo Falcão

Água Branca sem dúvidas é roteiro obrigatório de todos aqueles que pesquisam não só a temática do cangaço, mas as coisas do sertão. Sua tradição e história fazem parte do manancial de riquezas, tão próprias de toda a região. Água Branca recebeu a visita  da Caravana Cariri Cangaço no último mês de Julho de 2014. 

Manoel Severo
Curador do Cariri Cangaço

O Espetacular Cariri Cangaço Piranhas 2014 Por:Benedito Vasconcelos

Benedito Vasconcelos e Manoel Severo

"Prezado Manoel Severo,desejo externar a minha opinião sobre o espetacular evento turístico-cultural Cariri Cangaço Piranhas-AL 2014.

Durante toda minha militância cultural, poucas vezes participei de um evento tão organizado e proveitoso como este. A divulgação prévia, feita por você , as palestras escolhidas, o cenário do local ; a bela e cativante cidade histórica Piranhas-AL; e a organização impecável, feita pelo pessoal da Comissão Organizadora, capitaneada pelo incansável amigo Jairo Luis, fizeram do Cariri Cangaço Piranhas , um marco difícil de ser repetido. 

Parabéns pelo evento e um 
grande abraço extensivo ao Jairo Luis."

Benedito Vasconcelos Mendes
Presidente da SBEC
Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço

Lançamentos no Cariri Cangaço Parayba 2014 ! Por: Wescley Rodrigues

 
Wescley Rodrigues e o Cariri Cangaço Parayba 2014

Na tarde do dia 23 de agosto, na cidade de Nazarezinho – PB, teremos o lançamento em terras paraibanas de grandes obras que nos ajudam a entender o mundo do cangaço e do Nordeste brasileiro.Esse é um momento ímpar no qual poderemos interagir com os autores e debater temas relevantes e contraditórios para os novos rumos que os estudos do nosso sertão estão tomando.

Das terras baianas teremos a presença do escritor de Paulo Afonso João de Sousa Lima, que lançará a nova edição do livro: “Lampião em Paulo Afonso”, uma das obras emblemáticas para entendermos um pouco da ação de Lampião e seus cabras na Bahia. Com uma nova roupagem, João de Sousa brinda-nos com a beleza de uma leitura fluente e uma narrativa envolvente.Das terras sergipanas receberemos o escritor e pesquisador Archimedes Marques com o seu livro “Lampião contra o Mata Sete”. Obra de grande fôlego que tem como principal objetivo rebater, baseando-se em documentos e pesquisas sólidas, as afirmativas sobre a possível homossexualidade de Lampião e o triângulo amoroso vivido entre o “Rei do Cangaço”, Maria Bonita e Luiz Pedro.E da terra que ensinou a Paraíba a ler, Cajazeiras, teremos a agradável presença do jornalista e advogado Francisco Cardoso, lançando os livros: “O Judas e o Cafajegue” e “O Veneno da carne”.Sem sombra de dúvidas esse será um momento ímpar para o fomento da cultura e a formação de leitores no referente a temática do cangaço e as coisas do sertão.

João de Sousa Lima, Archimedes Marques e Chico Cardoso

Ainda dentro da programação do dia 23 de agosto, teremos o lançamento do livro “Assim era Lampião e outras histórias”, do escritor e ex-presidente da Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço (SBEC), Ângelo Osmiro. Com uma pesquisa sólida, o autor passeia pelas várias fases do cangaço atentando para as suas especificidades, focando suas análises em alguns cangaceiros emblemáticos. 

Ângelo Osmiro

Sem sombra de dúvidas é uma obra que ajuda-nos a ter um panorama do que foi o cangaço. Também teremos o lançamento do livro “Retalhos de História: culturas políticas e educação no Nordeste do Brasil”, organizado pelos alunos do Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Federal da Paraíba. Na referida obra encontramos o capítulo: “O ‘Rei Lampião’ e a questão do banditismo social”, escrito pelo historiador Wescley Rodrigues. Nesse capitulo especificamente almeja-se rebater a ideia de ter sido Lampião um bandido social, que tirava dos ricos e distribuía com os pobres, ideia cristalizada na década de 1970.

É o Cariri Cangaço ajudando a fomentar cultura no sertão paraibano!

Veja Programação Completa do 
Cariri Cangaço Parayba 2014 no link:

http://cariricangaco.blogspot.com.br/2014/08/cariri-cangaco-parayba-2014.html


Saudações cangaceiras.
Wescley Rodrigues
Conselheiro Cariri Cangaço, Sócio da SBEC

Cariri Cangaço Piranhas, um Marco na História Por: Ane Ranzan

Ana Ranzan e Paulo Britto

Amigo Manoel Severo, o mês de Julho/2014 será um mês inesquecível em minha vida!!! Foi minha primeira participação em um evento do “Cariri Cangaço”. Sempre sonhei em participar, mas minhas atividades profissionais me impediam. Fiquei muito feliz em conhecer pessoalmente muitos dos participantes e receber o carinho de todos, fazendo com que rapidamente me sentisse em casa, entre meus familiares.

Piranhas, por si só, já nos deu o primeiro toque de especial acolhimento, afinal nos é muito amada e cheia de histórias da família Britto Bezerra, e cidade de amigos muito queridos. Neste Seminário tive o prazer de presenciar pérolas que não há dinheiro que pague:

Receber do confrade Luiz Ruben uma miscelânea de valor incalculável. Estou certa que este foi um dos melhores presentes que a família do Coronel João Bezerra recebeu ao longo desses anos todos. Conhecer seu trabalho nos emocionou... Pois imagino o quanto você peregrinou para levantar tão grande, belo e precioso trabalho. MUITO OBRIGADA em nome de toda a família.

Família de Paulo Britto e Manoel Severo no Cariri Cangaço Piranhas 2014
Mesa de Debates de um dos dias de Cariri Cangaço Piranhas 2014

Ouvir do Professor Wescley Rodrigues que, debruçado no tema diz: “precisamos pesquisar mais a história do Coronel João Bezerra”. Foi gratificante. Presenciar as colocações pontuais e tão pertinentes suas, Manoel Severo e dos amigos Aderbal Nogueira, Jairo Luiz Oliveira, Narciso Dias, Ivanildo Silveira, dentre outros, sobre a importância de se estudar o Cangaço, também pelo trabalho das Volantes, material tão rico, extenso e vasto.

E como sabemos, os anos que o Coronel João Bezerra participou no combate ao cangaço, devem conter histórias que contam sua experiência única, em sua trajetória por mais de uma década. Entre outras coisas, dias de cansaço, sofrimento e exaustão. Preocupação e cuidado com seu efetivo, com o povo nordestino e com sua família. Estratégia nos mínimos detalhes. 

Abraçou a missão que lhe foi confiada e que culminou com o combate de Angico em 28 de julho de 1938. Porém, sua carreira não acabou ali, prestou - por mais 17 anos - serviços à honrosa Polícia Militar do Estado de Alagoas, exercendo vários outros cargos, até aposentar-se em 1955. Portanto, acho que esta é uma história que merece ser estudada!!!

Paulo Britto e Manoel Severo

Percebi que o propósito da SBEC/Cariri Cangaço é de abrirem o estudo para uma macro visão e a partir dos seminários, agregar às pesquisas, também, a parte da arqueologia. Parabéns por mais essa conquista. Isso denota que o grupo estuda com muito empenho o assunto. Trabalho sério é assim, analisando e diligenciando, cuidadosamente, por vários ângulos o mesmo tema.

Fomos duplamente presenteados, por Piranhas e pelo evento. Para mim, este Cariri Cangaço - Piranhas/AL 2014, teve um papel de extrema importância para o estudo. Vindo daí a continuidade para outros futuros Seminários e cada vez mais, o aprofundamento após debates e trabalhos exaustivos, como forma de colaborar para que a história seja bravamente delineada.

Amigo Severo, parabéns a você como Curador do Cariri Cangaço, sempre atencioso com todos e muito bem preparado para conduzir, com maestria, ética e profissionalismo os Seminários. Que Deus o abençoe. O nosso agradecimento a você e a todos que fizeram desse encontro um marco nessa história.

Forte abraço,
Ane Ranzan
Recife, Pernambuco

A Nova Face do Cangaço Por:Manoel Severo

Aderbal Nogueira, Manoel Severo e a Nova Face do Cangaço

Quantos anos se passaram, quantas histórias foram contadas, quanto chão percorrido, quanta violência e dor, quanto mistério... Quanto ainda temos para descobrir ? Apesar de toda controvérsia o cangaço se notabiliza como um dos mais intrigantes e fascinantes fenômenos de nosso sertão, de nosso nordeste. Só para falar no ciclo de Virgulino Ferreira, o Lampião, foram 20 anos de lama e aço...

Pesquisadores, rastejadores, curiosos, professores e alunos... vaqueiros da história, homens e mulheres de todas as idades e de todos os lugares se dedicam há muitos anos, de corpo e alma, a desvendar e aprofundar o estudo cangaço, tão presente entre nós até os dias de hoje,

Aderbal Nogueira, à frente da Laser Vídeo, com o apoio do Cariri Cangaço, da SBEC - Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço e do GECC - Grupo de Estudos do Cangaço do Ceará, lançam seu mais novo empreendimento, o Projeto "A Nova Face do Cangaço". Um conjunto de documentários trazendo imagens e depoimentos nunca antes vistos, propondo um novo olhar para o estudo da temática.

Vejam um Piloto de Apresentação...
A Nova Face do Cangaço
Um Projeto com a Marca Laser Vídeo 
de Aderbal Nogueira
Apoio: Cariri Cangaço, SBEC & GECC

Para Ângelo Osmiro, presidente do GECC, "o projeto é uma iniciativa mais que oportuna no momento em que percebemos o estudo do cangaço ganhando uma nova dimensão, sem dúvidas haveremos de ter muita novidade". Já Aderbal Nogueira da Laser Vídeo ressalta "a grande oportunidade de unir o saber da história oral com as recentes iniciativas do estudo do cangaço a partir da academia, isso sem dúvidas precisa ser comemorado, estamos juntos nesse desafio, à exemplo do Projeto Arqueologia do Cangaço, lançado no Cariri Cangaço Piranhas 2014".

O Projeto embrionário já possui seu "norte", agora os parceiros envolvidos se dedicam a construir o conteúdo e buscar incentivos financeiros para muito em breve lançarmos em grande estilo e para todo o Brasil.

Manoel Severo
Curador do Cariri Cangaço

O Livro do Filho de Chico Pereira Por: Francisco Frassales Cartaxo

Francisco Frassales Cartaxo 

Primeiro, chegou o padre. Depois, pouco tempo depois, apareceu o livro “Vingança, não”. Muito antes, o povo do sertão já sabia quase tudo sobre o cangaceiro Chico Pereira. O trabalho, as brigas, o amor, as andanças, a aliança com Lampião, os malfeitos protagonizados por ele, a morte envolta em mistério e insinuada traição política. Cresci ouvindo minha mãe contar, em gotas homeopáticas, episódios cheios de violência, ternura e dúvidas que corriam na boca do povo. 

Dona Isabel, minha mãe, cearense de Várzea Alegre, carregava no coração o sentimento despedaçado por lembranças de perseguição política, de injustiças, sua família escorraçada do Cariri pelas improvisadas milícias dos partidários do padre Cícero e Floro Bartolomeu. Terminou por esbarrar em Cajazeiras. Com apenas dez anos de idade, ela colara à poeira da fuga marcas fortes de vingança. Mais fortes do que a perda dos bens que seu pai, Zuza da Inácia, vendera a preço de ocasião, ao sair de São José de Lavras, contrariado, carregando no bolso um salvo-conduto assinado pelo patriarca do Juazeiro.

Chico Pereira

Dona Isabel leu o livro “Vingança, não”, de Francisco Pereira Nóbrega, como quem repassa a vida, a lembrar do próprio pai, escondido nas matas, dormindo fora de casa com receio de ser preso, agredido ou morto em pleno desenrolar da “guerra entre Crato e Juazeiro”, em 1914. Parece até que agora revejo minha mãe deitada na rede, a claridade da manhã surpreendendo seus olhos pregados nas últimas páginas do livro-depoimento de padre Pereira. 

— Mamãe, a senhora não dormiu a noite toda...
— Dormir é perder tempo, meu filho.

Relembro a cena, ocorrida há mais de 50 anos, ao reler o mesmo exemplar que as mãos de minha mãe viraram página por página (Livraria Freitas Bastos, 2ª edição, 1961), o coração acelerado, a memória avivada, a forte sensação de que os mortos estão vivos. Os mortos do padre Pereira. E os meus.

Primeiro, chegou o padre. Jovem, preparado, inteligente, fala mansa, ar de alheamento, a querer, quem sabe, decifrar no interlocutor a intenção de descobrir nele um gesto, uma ponta de fio que conduzisse à herança do pai cangaceiro. Padre Pereira chegou a Cajazeiras carregado de novidades. Formou a Juventude Estudantil Católica (JEC) e a Juventude Independente Católica (JIC). Não guardo lembrança da JOC. A JUC, certamente não, pois no meado do século vinte só havia ginásio e escola normal na minha cidade. Trouxe métodos de evangelização até então estranhos à Igreja local. Reuniões em sítios, debaixo de árvores, quebrando a distância entre orientador e orientado, abrindo debates francos, retirando de todos nós, jovens católicos, o ranço de que tudo é pecado. E labareda, fogo do inferno a queimar os pecadores. Padre Pereira mal falava no inferno...


O estigma de filho de cangaceiro ia se esvaindo, sob o manto e a suave presença de sua mãe, dona Jarda. A gente olhava para Jarda e enxergava Maria, a mãe de Jesus. Nem todos, porém, viam assim. Outros alimentavam receios de serem contestados. Algumas novidades introduzidas na prática religiosa pelo jovem sacerdote desagradaram aos poderosos. O prefeito de Cajazeiras, o médico Otacílio Jurema, por exemplo, ao ouvi-lo explicar, do púlpito, o porquê de um gesto considerado afrontoso aos donos do poder, teria dito: não ouvi o padre, ali falou o filho do cangaceiro. 

Primeiro, chegou o padre. Mobilizou a juventude e a sociedade em torno de um assunto tabu — o cabaré de Cajazeiras. Conto como foi. Jornal de João Pessoa publicou uma carta assinado por um desconhecido caixeiro-viajante, Duarte Resende, lamentando a presença do meretrício em local inadequado. Cajazeiras crescera e o cabaré permanecia, bem ali, atrás do cemitério Coração de Jesus, pertinho do Colégio Dom Moisés Coelho. Uma afronta às famílias da terra do padre Rolim. Antes de ser publicada a carta, já estávamos nós, os rapazes da JEC, de posse de sua reprodução em forma de panfleto para distribuir de casa em casa, numa operação, absolutamente, sigilosa. Exigência do padre Pereira para, entre outros objetivos, seduzir os meninos da JEC... Divididos em grupos de duas pessoas, cada dupla foi destacada para agir em um bairro, alta hora da noite, colocando o papel por baixo da porta ou da janela. Neném Moésia (Deus o guarde) e eu enfrentamos um imprevisto. Mal começada nossa tarefa - na atual Rua Engenheiro Carlos Pires de Sá -, alguém pensando que se tratava de ladrões, abriu a janela e meteu bala... Corremos sem olhar para trás... E sem cumprir a missão, claro, pois quem espera por tempo ruim é lajeiro... 

Chico Pereira

Corri até minha casa, o coração saindo pela boca, as pernas feito vara verde, garganta seca, voz entrecortada de angústia e medo. Meus pais, que estavam à minha espera na calçada, riram à beça. Vivi minha primeira experiência de ação clandestina. Uma luta inglória, talvez de pouco sentido social. Porém, isso não conta. Importa realçar a liderança do padre Pereira. Ele era assim, corajoso, inovador, carismático, ousado, cheio de novidades. E mistérios.

E o livro? Não deu tempo. Primeiro o padre, depois o livro.   

Esta crônica, publicada no jornal Gazeta do Alto Piranhas, Cajazeiras, nº 324, de 25/02 a 03/03/2005, foi revisada e ampliada para divulgação no www.cariricangaco.blospot.com.br

Francisco Frassales Cartaxo 
Recife, Pernambuco

Cariri Cangaço em Nazaré Por:Manoel Severo

 

Manoel, Euclides, Odilon, Hidelbrando; a famosa família Flor; Davi Jurubeba, João Gomes de Lira, Manoel de Sousa Neto e tantos outros... Nomes eternizados na história por sua bravura, destemor e coragem na luta contra o cangaceirismo, notadamente dos "filhos de Zé Ferreira": Virgulino, Antônio, Levino...

A mais famosa vila da história do cangaço: Nazaré; guarda entre suas pequenas ruas, capela e casario antigo, remanescências de uma das mais ferozes guerras do sertão, quando as famílias Ferraz, Sousa, Gomes e muitas outras do solo castigado da antiga Carqueja deram inicio a mais abnegada perseguição que se tem noticia de todo o ciclo do cangaço. Na mira dos bacamartes dos Nazarenos: Virgulino Ferreira da Silva, vulgo Lampião. 

Zezinho, Netinho, Fernando, Euclides Neto, Manoel Severo e Ulisses Ferraz

Neste último mês de Julho, a Caravana Cariri Cangaço, teve a oportunidade de revisitar Nazaré. Fomos anfitrionados mais uma vez pelos amigos e confrades; Euclides Neto, seu pai Ulisses Ferraz; Hildebrando Neto, Netinho; Fernando Ferraz, José Nogueira Sousa, Julinho, entre outros integrantes da família Flor, além dos companheiros Paulo George e Jonatan Pires de Belém do São Francisco.

Andar pela mística Nazaré é como se pudéssemos ser transportados no tempo até os idos de 1919, 1920... Viver novamente os primeiros desentendimento entre o velho João Flor e os irmãos Ferreira; o polêmico episódio do casamento da prima de Virgulino, Licor; os primeiros combates, o tiro e a prisão de Levino, o recrutamento dos meninos de Manel Neto... Tudo parecia passar ali, na nossa frente, sob o sol abrasador daquela tarde de julho...

Cemitério de Nazaré, campo santo onde repousam os restos mortais dos valentes Nazarenos
 
Manoel Severo, Fernando Ferraz e Julhinho

O almoço ciceronizado por seu Ulisses Ferraz nos permitiu enveredar ainda mais nas histórias daqueles lendários homens que dedicaram toda sua vida ao combate a Lampião. Seu pai, Euclides Flor, irmão dos não menos lendários, Odilon e Manoel Flor, estiveram ao lado de seus primos e parentes nos mais emblemáticos combates do cangaço de toda a história, como Serra Grande e Maranduba, esse último, cenário dos mais tristes para a memória dos Nazarenos.

Manoel Severo e Ulisses Ferraz 
 Caravana Cariri Cangaço em Nazaré
Paulo George e Manoel Severo

A capela, as ruas, a pracinha; os monumentos aos heróis de Nazaré, todos ali; reverenciados de forma solene pelo solo que foi berço. No pequeno cemitério do lugar, repousam muitos desses que fizeram história contra Lampião. Entre uma história e outra, a visita às casas onde fizeram história esses homens, "aqui era o salão de Euclides Flor, aqui eles promoviam os bailes e só entrava de palito, até o prefeito de Floresta foi barrado por Odilon Flor" confirma Hildebrando Neto.

 Serra Vermelha
 Fernando Ferraz, Manoel Severo e Euclides Ferraz Neto
 Hildebrando Neto, Manoel Severo e a memória dos filhos de João Flor
 Euclides Neto, Ulisses Ferraz e Manoel Severo

Euclides Neto, ressalta o empenho que a família está desenvolvendo na criação de um museu, tendo a frente a Associação dos Combatentes das Forças Volantes de Nazaré, "ainda temos muito material e é necessário sensibilizar as família para doarem ao museu, dessa forma, a memória e a história dos nazarenos ficará preservada". Poderíamos passar ali o resto dos dias, o resto do mês, colhendo daqui e dali, fragmentos desta verdadeira saga; infelizmente precisávamos seguir com a Caravana Cariri Cangaço, mas ficou uma certeza, Nazaré permanece mais forte do que nunca e essa força, certamente ninguém jamais irá lhe tirá.

Manoel Severo
Curador do Cariri Cangaço