A Bodega de Antônio Siqueira Por:José Cícero


Nunca me esqueço do Seu Antonio Siqueira... da sua bodega; do designer de seu belo balcão de cedro curvado e liso pela ação dos anos. Do seu jeito manso, austero e fino - o homem mais bem informado daquele lugar num tempo em que até o rádio era um privilégio para poucos. 

Menino curioso sempre o escutava contando as notícias que ouvia no seu aparelho de válvulas, para o povo da comunidade. Todos o tinham como um delegado (juiz de paz), resolvia muitas encrencas entre os matutos com a tenacidade da sua voz embasada no bom conceito que detinha. Era uma uma figura singular e respeitado por todos. 




Longe e já homem feito fiquei profundamente triste quando soube que morrera tragicamente em Missão Velha num acidente rodoviário. Triste fiquei igualmente quando estes dias vindo do Juazeiro onde fui escolher um carro resolvi à francesa entrar na Missão Nova. O pequeno povoado dantes alegre em que vivi parte importante da minha infância. 

contudo fiquei desolado quando não avistei o velho prédio da sua bodega (agora totalmente descaracterizado, tampouco a casa da minha vó), nem o brejo, nem as árvores, nem a cacimba, nem o engenho, nem a levada-riacho que trazia a água do pé da serra, nada... apenas a capela ainda está lá quase como no passado agora com um Santo Antonio (assim como eu) meio desolado pela saudades de um passado que não voltará jamais. 

Missão Nova agora é apenas uma grande lembrança que nunca me deixará; onde quer que eu vá, onde quer que eu ande. 
E seu Antonio Siqueira seguramente é parte desta minha história, dentre tantos outros personagens da velha Missão Nova que não existe mais.


José Cícero - Aurora, CE
Pesquisador, Escritor
Conselheiro do Cariri Cangaço

A Lendária Fazenda Abóbora Parte 1 Por:Rostand Medeiros

Sede da Fazenda Aboboras

Desde que comecei a ler temas relacionados ao ciclo do cangaço, a sua figura maior, Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, e a história do Nordeste no início do século XX, um local em especial me chamava atenção pelas repetidas referências existentes em inúmeros livros. Comento sobre uma antiga propriedade denominada Abóbora, localizada na zona rural do município de Serra Talhada, próximo a fronteira com a Paraíba e não muito distante das cidades pernambucanas de Santa Cruz da Baixa Verde e Triunfo.

Vamos conhecer um pouco de sua história e da visita que realizei a este local.Uma Rica Propriedade. Quem segue pela sinuosa rodovia estadual PE-365, que liga as cidades de Serra Talhada a Triunfo, antes de subir em direção a povoação de Jatiúca e as sedes dos municípios de Santa Cruz da Baixa Verde e Triunfo, percebe que está em um vale cercado de altas serras, que dão uma beleza singular a região. Atrás de uma destas elevações se encontra a Fazenda Abóbora.

Até hoje esta fazenda chama atenção pelas suas dimensões. Segundo relatos na região, suas terras fazem parte das áreas territoriais de três municípios pernambucanos. Aparentemente no passado a área era muito maior. Ali eram criados grandes quantidades de cabeças de gado, havia vastas plantações de algodão, engenho de rapadura e se produziam muitas outras coisas que geravam recursos. No lugar existem dois riachos, denominados Abóbora e da Lage, que abastecem de forma positiva a gleba.[1] Com tais dimensões, circulação de riquezas, no passado o lugar era ponto de parada de muitos que faziam negócios na região e transportavam mercadorias em lombo de animais, os antigos almocreves. No lugar estes transportadores do passado eram recebidos pelo “coroné” Marçal Florentino Diniz, que junto com irmão Manoel, dividiam o mando na propriedade.

Manoel Severo e Rostand Medeiros

Informações apontam que Virgulino Ferreira da Silva, quando ainda trabalhava como almocreve, realizou junto com seu pai e os irmãos vários transportes de mercadorias entre as regiões de Vila Bela (sua cidade natal, atual Serra Talhada) e Triunfo.[2] Certamente em alguma ocasião, o jovem almocreve teve a oportunidade de conhecer a fazenda do “coroné” Marçal e de seu irmão Manoel. Além destes o almocreve da família Ferreira conheceu o impetuoso filho do fazendeiro Marçal, Marcolino Pereira Diniz.[3]

Chefe de bando inteligente e perspicaz, Lampião buscava antes do confronto, o apoio e as parcerias com os antigos proprietários rurais e assim agiu junto aos donos da Fazenda Abóbora. Após assumir a chefia efetiva de seu bando, depois da partida do seu antigo chefe, o mítico cangaceiro Sinhô Pereira, Lampião frequentou em várias ocasiões as terras da Abóbora, onde o respeito do chefe e dos seus cangaceiros pelo lugar estava em primeiro lugar.

Rodrigues de Carvalho, autor do livro “Serrote Preto” (1974), informa nas páginas 252 a 254 que ocorreu uma intensa e positiva relação de amizade entre Lampião e a família Diniz principalmente com o “jovem e pretensioso doutor” Marcolino Diniz, que chegou há cursar durante algum tempo a Faculdade de Direito em Recife, mas não concluiu. Esta relação ambígua de amizade entre estes ricos membros da elite agrária da região e o facínora Lampião foi posta a prova em duas ocasiões.


Marcolino Diniz, sentado, filho do poderoso Cel. Marçal Florentino Diniz

A primeira no dia 30 de dezembro de 1923, quando Marcolino Diniz é preso pelo assassinato do juiz de Direito Ulisses Wanderley em um clube de Triunfo. Marçal solicita apoio de Lampião para tirar Marcolino da cadeia, se necessário a força. Juntos vão acompanhados de um grupo que gira em torno de 80 a 100 cangaceiros armados. Não Houve reação dos carcereiros. A segunda ocorreu no mês de março do ano seguinte. Após o episódio do ferimento do pé de Lampião na Lagoa Vieira e o posterior ataque policial na Serra das Panelas, onde o ferimento de Lampião voltou a abrir e quase gangrenar, é a família Diniz que parte em socorro do cangaceiro. Marçal e Marcolino cederam apoio logístico para a sua proteção, transporte, medicamentos e plena recuperação com o acompanhamento dos médicos José Lúcio Cordeiro de Lima, de Triunfo e Severino Diniz, da cidade paraibana de Princesa. Sem este decisivo apoio, certamente seria o fim do “Rei do Cangaço”.[5]
Lagoa Vieira-Foto-Alex Gomes

Foi igualmente na propriedade Abóbora que Lampião conheceu Sabino Gomes de Gois, também conhecido como “Sabino das Abóboras”.[6] Frederico Pernambucano de Mello, autor do livro “Guerreiros do Sol-Violência e banditismo no Nordeste do Brasil” (2004), nas páginas 243 a 246, informa que Sabino efetivamente nasceu na Fazenda Abóbora, sendo filho da união não oficial entre Marçal e uma cozinheira da propriedade. Consta que ele trabalhou primeiramente como tangedor de gado, o que certamente lhe valeu um bom conhecimento geográfico da região.

Valente, Sabino foi designado comissário (uma espécie de representante da lei) na região da propriedade Abóbora, certamente com a anuência e apoio do pai. Organizava bailes e em um destes envolveu-se em um conflito, tendo de seguir para o município paraibano de Princesa. [7]

Depois, entre 1921 e 1922, acompanhou seu meio irmão Marcolino para Cajazeiras, no extremo oeste da Paraíba. Marcolino Diniz desfrutava nesta cidade de muito prestígio. Era presidente de clube social, dono de casa comercial, de jornal e tinha franca convivência com a elite local. Sabino por sua vez era guarda costas de Marcolino e andava ostensivamente armado. Nesta época Sabino passou a realizar nas horas vagas, com um pequeno grupo de homens, pilhagens nas propriedades da região. O autor de “Guerreiros do Sol” informa que teria sido Sabino que coordenou a vinda do debilitado Lampião para ser tratado pelos médicos José Lúcio Cordeiro de Lima e Severino Diniz. A amizade entre o “Rei do Cangaço” e o filho bastardo de Maçal Diniz, nascida na Fazenda Abóbora, teria então se consolidado a ponto deste último se juntar a Lampião e seu bando, em uma posição de destaque, no famoso ataque de cinco dias ao Rio Grande do Norte, ocorrido em junho de 1927.

Continua...

NOTAS
[1] Relatos transmitidos em entrevista gravada junto ao Sr. Antônio Antas, da cidade paraibana de Manaíra, em dezembro de 2008. O Sr. Antônio, parente de Marcolino Diniz, conviveu com o filho de Maçal quando este estava idoso e vivendo na Comunidade de Patos do Irerê. Vale ressaltar que é relativamente pequena a distancia da sede da Fazenda Abóbora para a cidade de Manaíra.
[2] Relato transmitido ao autor em entrevista gravada junto ao Sr. Antônio Ramos Moura, em agosto de 2006, em Santa Cruz da Baixa Verde.
[3] Para Frederico Pernambucano de Mello, autor do livro “Guerreiros do Sol-Violência e banditismo no Nordeste do Brasil” (2004), na página 244, afirma que Maçal Diniz conheceu Lampião e seus irmãos quando os mesmo já eram membros do bando de Sinhô Pereira, cangaceiro que igualmente recebeu proteção e apoio deste fazendeiro em 1919.
[4] Entrevista gravada com Antônio Antas, dezembro 2008.
[5] Sobre o combate de Lampião na Lagoa Vieira ver – tokdehistoria.wordpress.com/2011/02/10/quando-lampiao-quase-foi-aniquilado
[6] Segundo Frederico Pernambucano de Mello, Sabino também era conhecido como Sabino Gomes de Melo, Sabino Barbosa de Melo, ou ainda com os denominativos Gore, Gório ou Goa. Ver “Guerreiros do Sol-Violência e banditismo no Nordeste do Brasil” (2004), pág. 243.
[7] Rodrigues de Carvalho (pág. 164) afirma que Sabino nasceu na Paraíba, no lugar denominado Pedra do Fumo, então município de Misericórdia, atual Itaporanga. Pela lei estadual nº 3152, de 30 e março de 1964, o antigo distrito de Pedra de Fumo foi desmembrado do município de Itaporanga e elevado à categoria de município com a denominação de Pedra Branca, localizado a cerca de 20 quilômetros de Itaporanga. Pelo que escutamos durante nossas visitas a região, acreditamos que a versão do autor de “Guerreiros do Sol” é mais correta.

Rostand Medeiros, pesquisador e escritor
Natal, Rio Grande do Norte
Fonte: tokdehistoria.com

Não sou "Chico Chicote"! Por:João Tavares Calixto Junior



Era julho de 1928 e Izaias Arruda de Figueiredo, Prefeito de Missão Velha mandava dizer ao Tenente José Bezerra, de Joaseiro, que não era 
Francisco Chicote e sim, Izaias Arruda, e que não temia nem "ao Diabo"... 

Isto, em virtude desse oficial ter enviado 
a Missão Velha o Tenente Antônio Leite, que junto a dez praças, tentou prender a João Serra, facínora acobertado em casa do régulo aurorense.

João Tavares Calixto Junior
Pesquisador e escritor
Juazeiro do Norte, CE

PARA ENTENDER: O Tenente José Bezerra foi o principal protagonista de umas das mais covardes chacinas do ciclo coronelístico do sertão de nosso nordeste, quando comandando mais de 100 homens cercou e depois de 36 horas de muita bala acabou com a vida de Chico Chicote, nas Guaribas, em Porteiras.

Lampião em Limoeiro do Norte Por:Custódio Saraiva


Uma das marcantes passagens do bando de Lampião no estado do Ceará, foi sem dúvidas sua chegada à cidade de Limoeiro do Norte, na região do Jaguaribe, divisa com os estados do Rio Grande do Norte e Paraíba, por ocasião da volta de Virgulino após o frustado ataque a 
Mossoró em junho de 1927.

Veja abaixo um pouco mais sobre esse marcante episódio...


Fonte: Youtube
Alex Chaves Monteiro

Salve Diana Triunfo Rodrigues ! Por: Manoel Severo


No dia 29 de novembro a casa de Diana Rodrigues foi transformada em Patrimônio Cultural e Literário de Pernambuco pela União Brasileira de Escritores. 

Diana Triunfo Rodrigues e o reconhecimento justo de um Patrimônio...


O evento contou com a presença de 15 escritores vindos do Recife, da Academia Serratalhadense de Letras, do Instituto Histórico Geográfico do Pajeú, familiares e amigos triunfenses . Data em que foi comemorada também os 50 anos de sua formatura de Magistério do Colégio Stella Maris.





Viva Diana !!!
Viva Triunfo !!!

Vem aí Novidades ! A Mulher Cangaceira: Imagens de Maria Bonita na Historiografia e no Cordel por Nadja Claudino


Olá, Manoel Severo e amigos do Cariri Cangaço ! 
Tudo bem?
Venho compartilhar com você uma boa notícia, passei no Mestrado em História, da Universidade Federal da Paraíba. O tema do meu projeto é “A Mulher Cangaceira: 
Imagens de Maria Bonita na Historiografia e no Cordel (1930-1938)”.

Serão dois anos de intenso estudo acerca do cangaço,
em especial, sobre a inserção das mulheres nos 
grupos de cangaceiros.
Gostaria muito de contar com sua indispensável colaboração no decorrer da realização dos estudos. Tenho certeza que teremos um diálogo muito profícuo a respeito da pesquisa. E que o Cariri Cangaço muito tem a contribuir na elaboração desse trabalho.
Um grande abraço. 

Nadja Claudino
Pesquisadora, João Pessoa - PB

Foi Matos Peixoto quem matou Izaias Por:João Tavares Calixto Junior

JOSÉ CARLOS DE MATOS PEIXOTO: Para Jáder de Carvalho, o verdadeiro assassino de Izaías Arruda.


Pensou e disse o contrário sobre o que se sabia da morte de Izaias Arruda, o jornalista e escritor comunista Jáder de Carvalho em seu "A Esquerda", em edição de agosto de 1928. Para ele quem assassinou o Prefeito de Missão Velha foi mesmo o recém empossado Governador do Estado, Matos Peixoto !

Explica: "IZAIAS ENCARNOU NA ADMINISTRAÇÃO DE MOREIRA DA ROCHA, O CHEFE SUPREMO DA POLÍTICA SERTANEJA, TORNANDO-SE MAIOR QUE O PADRE CÍCERO". Apregoa que o novo Governador, desprestigiando-o, entregou-o, inerme e sem defesa, às mãos dos seus inimigos, e dentre estes, os Paulinos. Logo, para Jáder, fora Peixoto o autor intelectual, pois consentiu o crime, cruzando os braços e logo provocando a Izaias o seu inteiro desvalor...

João Tavares Calixto Junior
Pesquisador e escritor
Juazeiro do Norte

O Grande Combate da Serra Grande Parte 2 Por:Louro Teles

Manoel Severo e Louro Teles em plena caatinga...

O mês era Novembro, o ano:1926...A luta que iniciou perto das oito da manhã daquele dia 27, se seguiu até o final do dia com um resultado desastroso para as tropas volantes, preponderantemente pela vantagem inegável do posicionamento estratégico do bando de Lampião em cima da serra; uma garganta de quase duas léguas de extensão; enquanto as volantes subiam quase de peito aberto de encontro ao ataque cangaceiro. Pela primeira vez na guerra contra os cangaceiros, estavam sendo usadas metralhadoras, no caso, duas hot Kiss. 

Primeiro chegaram as forças de Manuel Neto e Arlindo Rocha, aguardavam a chegada de Higino Belarmino para entrarem juntos na garganta da Serra Grande, segundo Marilourdes Ferraz em seu livro O Canto do Acauã, “tornava-se difícil traçar um plano com segurança relativa para os soldados. A serra, muito acidentada, era um local adequado para emboscadas”, o que com certeza veio a ser fatal para as forças volantes. O grupo cangaceiro estrategicamente localizado estava dividido em três frentes, aguardando a chegada dos soldados, que se organizavam; para o enfrentamento, entretanto as forças policiais não conseguiam se entender sob que plano executar para o embate vital. Vamos entender um pouco mais desse combate na segunda parte do documentário do pesquisador Louro Teles, de Calumbi, Pernambuco.

"Foi nesse canto aqui, em cima da serra, que Lampião escreveu a carta para o governador de Pernambuco..."


Louro Teles na Serra Grande


CARTA DE UM GOVERNADOR PARA O OUTRO

Senhor governador de Pernambuco,
Suas saudações com os seus.
Faço-lhe esta devido a uma proposta que desejo fazer ao senhor para evitar guerra no sertão e acabar de vez com as brigas. (...) Se o senhor estiver no acordo, devemos dividir os nossos territórios. Eu que sou capitão Virgulino Ferreira Lampião, Governador do Sertão, fico governando esta zona de cá por inteiro, até as pontas dos trilhos em Rio Branco. E o senhor, do seu lado, governa do Rio Branco até a pancada do mar no Recife. Isso mesmo. Fica cada um no que é seu. Pois então é o que convém. Assim ficamos os dois em paz, nem o senhor manda seus macacos me emboscar, nem eu com os meninos atravessamos a extrema, cada um governando o que é seu sem haver questão. Faço esta por amor à Paz que eu tenho e para que não se diga que sou bandido, que não mereço. Aguardo a sua resposta e confio sempre.

Capitão Virgulino Ferreira Lampião, Governador do Sertão.

Fonte do Vídeo: Youtube

Solenidade marca Instalacao da Academia Literária do Amplo Sertão – ALAS


O município de Nossa Senhora da Glória, promoveu na noite do ultimo dia 15 de novembro a solenidade de instalação da Academia Literária do Amplo Sertão – ALAS, que tem como lema principal “Sol omnibus nascitur” (O sol nasce para todos) e que tem como patrono o saudoso Alcino Alves Costa. O evento aconteceu na Escola Pe. Léon Grégoire.
A Academia Literária do Amplo Sertão - ALAS terá como campo principal de atuação 12 municípios do alto sertão sergipano e pretende desenvolver ações de incentivo e promoção da literatura, bem como de toda manifestação cultural e artística no território alano. Dentre os membros fundadores da ALAS temos companheiros dos municípios de Gararu, Poco Redondo, Monte Alegre de Sergipe, Canindé, Sao Miguel, Porto da Folha, Feira Nova, dentre outros.

Vasko Vasconcelos, Jose Bezerra Lima Irmao, Archimedes e Elane Marques
A Solenidade estiveram presentes José Anderson Nascimento, Presidente da Academia Sergipana de Letras; o Professor Jouberto Uchôa, Magnífico Reitor da UNIT; Domingos Pascoal, membro da Academia Sergipana de Letras; Francisco Nogueira (Chico do Correio), prefeito de Nossa Senhora da Glória; Benjamin Batista, Presidente da Academia de Cultura da Bahia; Eliane Quadros, professora da Universidade do Estado da Bahia (UNEB); Jorge Henrique Santos, Presidente da Academia Gloriense de Letras; João Paulo Araújo de Carvalho, Presidente da Academia Dorense de Letras; a poetisa Verônica Sales, da Academia Gloriense de Letras; Antônio Saracura, da Academia Itabaianense de Letras, o escritor Archimedes Marques e sua esposa, a também escritora Elane Lima Marques. 
Na oportunidade, foi lançada a antologia “Abrindo Alas”, uma coletânea de textos e poemas produzidos pelos membros da novel academia. Foram também lançados os livros “O Espelho da Felicidade”, de Leunira Batista, e “Lampião – a Raposa das Caatingas”, de José Bezerra Lima Irmão.
Manoel Severo - Cariri Cangaço 

O Lendário Poço do Ferro ! Por:Jorge Remígio

Jorge Remigio, Jair Tavares e Narciso Dias no local onde foi sepultado Antônio Ferreira

No dia 18 de setembro de 2014, viajei de João Pessoa-PB, com os amigos e companheiros do nosso grupo, Narciso Dias e Jair Tavares, tendo como destino a cidade de Floresta-PE. Um dos objetivos principais dessa incursão aos sertões do Moxotó e do Pajeú pernambucano, era justamente visitar a emblemática Fazenda Poço do Ferro do lendário Coronel Ângelo da Gia. Por corruptela Anjo da Gia. Localizada a uns 12 km após Ibimirim-PE na PE 360 que dá acesso à cidade de Floresta-PE.

Ao chegarmos na porteira da fazenda, àquela sensação palpitante de está pisando no solo de um dos locais onde se deu um dos episódios mais relevantes e controversos na história do cangaço. A morte por acidente com arma de fogo do irmão primogênito e braço direito do já Rei do Cangaço, aquele que exercia com maestria a tática letal da retaguarda, o Antônio Ferreira. 


Neste local aconteceu o "sucesso" com Antônio Ferreira

Foi um "sucesso", na linguagem cultural do sertanejo. Fato protagonizado pelo cangaceiro Luiz Pedro do Retiro.Os primeiros contatos com os moradores da fazenda foram frutíferos.Povo simples,humilde e bastante solícito A casa grande que pertenceu ao coronel Anjo da Gia já não existe mais. Em conversa com moradores,
fomos informados que a casa onde ocorreu o episódio que vitimou Antônio Ferreira, ficava a uns 300 metros no sentido sul.

Ao chegarmos ao local indicado,o Sr.João muito cordato, afirmou que residia há muitos anos naquele local e prontificou-se a nos levar até a cova onde o irmão de Lampião, o Antônio Ferreira estava enterrado. Seguimos em fila indiana o Sr.João, seus filhos e o cachorro, encantados com a presença de pessoas estranhas ao seu cotidiano. Seguimos a comitiva em caminhar acelerado numa caatinga rala e solo bastante pedregoso, por uns trezentos metros até chegarmos ao local tão esperado. 

Sede da fazenda Pau Ferro de Angelo da Gia, e o local da cruz de Antônio Ferreira


Foi muito gratificante para nós que estudamos e temos o prazer em desvendar e garimpar os locais que são marcos na história do cangaço.Estávamos ali,diante da cova de um dos cangaceiros de maior destaque na fase primeira do cangaço Lampiônico. Fiquei pensando: "são raras as visitas a essa cova" Tudo era inédito para nós naquela hora escaldante do meio dia.Ficaram muitas lembranças e boas fotografias da ribeira do Moxotó.

Jorge Remígio,
Pesquisador - GPEC
João Pessoa, Paraiba

100 Anos da Prisão de Antônio Silvino Por: Manoel Severo

Geraldo Ferraz e mais uma grande obra sobre a prisão de 
Antônio Silvino por Theophanes Ferraz

Nascido no dia 02 de Setembro de 1875, em Afogados da Ingazeira-PE, filho de Francisco Batista de Morais e Balbina Pereira de Morais, Manoel Batista de Morais, mais conhecido como "Né Batista", era irmão de Higino, Zeferino e Francisco Batista de Morais.

Foi a partir da morte do seu pai, conhecido como "Batistão do Pajeú" que, em companhia do irmão Zeferino, enveredou pelos caminhos do cangaço, no ano de 1896. Movido pelo sentimento de vingança, mata Desidério, o assassino do seu pai, adota o nome de Antonio Silvino e se torna um dos mais temidos cangaceiros que precederam Lampião, liderando o bando do seu finado tio Silvino Ayres.



Antonio Silvino foi preso pelas tropas do major Theophanes Ferraz, comandante das tropas oficiais da polícia pernambucana, no final de novembro de 1914 na cidade de Taquaritinga-PE, e transferido para a Casa de Detenção do Recife. Após julgamentos pelos crimes praticados, o judiciário aplicou-lhe uma pena total de 39 anos e quatro meses de reclusão. 

Após cumprir mais de 23 anos de prisão, o velho cangaceiro, incentivado por amigos do cárcere, dirigiu uma "Carta", ao Presidente Getúlio Vargas solicitando o " Indulto ", haja vista que, no seu entendimento, já era demasiado o tempo de recolhimento á prisão, pois, achava que já tinha pago pelos seus crimes.


Tudo isso e muito mais, teremos, na mais nova obra do pesquisador e escritor Geraldo Ferraz de Sá Torres em " Theophanes Ferraz Torres - O Centenário da Prisão do Cangaceiro Antônio Silvino e o Julgamento do Século" acontecendo neste próximo dia 27 de novembro, próxima quinta-feira, no Clube dos Oficiais, em Recife.
Lançamento do Livro
"O Centenário da Prisão do 
Cangaceiro Antônio Silvino e o 
Julgamento do Século"
Por:Geraldo Ferraz
Dia 27 de Novembro de 2014
19 horas no Clube dos Oficiais
Recife- Pernambuco

A Prisão de Antônio Silvino Por:Rostand Medeiros


Teophanes Torres

O aprisionamento de Lampião não se me afigura impossível. Nada importa diga ele que prefere a morte. Antônio Silvino também o dizia, mas, apenas se viu baleado, foi o primeiro em fazer questão de mansamente se entregar à justiça. Restabelecido ulteriormente, voltaram-lhe no presídio os ímpetos brutais, como na manhã em que, entre descomposturas do calão mais vil, sacudiu um pão na cara de um desembargador.

Antonio Silvino preso.
Antônio Silvino preso.
Quando a captura de Lampião parece a tanta gente sonho irrealizável, vem a propósito recordar como se deu a de seu terrível predecessor.
O que desgraçou Antônio Silvino foi a perseguição sem tréguas que lhe moveu uma de suas vítimas mais humildes. Bem diz o povo que “não há inimigo pequeno” e que “mutuca é que tira boi do mato”…
Sargento Alvino, promovido a alferes após a captura de Antonio Silvino
Sargento Alvino, promovido a alferes após a captura de Antonio Silvino
José Alvino Correia de Queiroz era obscuro comerciante no sertão de Pernambuco, quando Antônio Silvino lhe saqueou o pequeno estabelecimento. Reduzido à miséria, jurou vingar-se e entrou a polícia daquele Estado. Acreditaram nos seus propósitos e fizeram-no sargento.
Inteirado de que Silvino transitaria por certa faixa do município de Taquaritinga, o Sargento Alvino buscou informações de João Vicente e Joaquim Pedro, moradores naquelas paragens. Ambos negaram a pés juntos ter qualquer conhecimento a respeito. Mas, tão jeitosamente o miliciano conduziu as investigações, que a esposa de João Vicente o orientou:
- Quando o Sr. chegar à casa de nosso vizinho, o Joaquim Pedro, e encontrar as mulheres torrando galinhas ou fazendo comedoria de sobra, pode apertar o pessoal que o “capitão” Antônio Silvino está escondido perto, no mato…
O oficial Theophanes Ferraz Torres, comandante da volante que capturou Silvino. Valente e destemido, seria um grande perseguidor de Lampião.
O oficial Theophanes Ferraz Torres, comandante da volante que capturou Silvino. Valente e destemido, seria um grande perseguidor de Lampião.
No dia esperado, 27 de novembro de 1914, os policiais, sob o comando do Alferes Teófanes Torres e do Sargento José Alvino, estavam no local referido, de nome Lagoa Laje.
Assim que penetrou na residência de Joaquim Pedro, o Sargento Alvino se encaminhou diretamente para a cozinha, atrás de cuja porta se lhe deparou pendurada uma banda de ovelha. E viu chegar desconfiado, pelo quintal, um rapazola com um tabuleiro à cabeça, cheio de tigelas, colheres e pratos. Interrogado, o recém-vindo explicou, titubeante, que havia ido deixar comida a uns “trabalhadores”, num roçado.
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Concomitantemente, o Alferes Teófanes submetia Joaquim Pedro a interrogatório, e este negava que soubesse do paradeiro de Silvino. Aparece o sargento e, depois de falar na ovelha morta e de mostrar o tabuleiro com os restos de comida, pede permissão para forçar o velho sertanejo a não continuar mentindo. Ato contínuo, tranca-lhe, numa alcova, a mulher e os filhos e ordena que os soldados desembainhem os sabres.
Nos antigos jornais e revista por mim pesquisados, esta foto consta como sendo a força policial que lutou e capturou Antonio Silvino, mas muitos pesquisadores apontam como sendo o próprio bando de Antonio Silvino.
Nos antigos jornais e revista por mim pesquisados, esta foto consta como sendo a força policial que lutou e capturou Antonio Silvino, mas muitos pesquisadores apontam como sendo o próprio bando de Antonio Silvino.
Nesse momento, mais nervosa, uma filha do ameaçado pede, da alcova:
- Meu pai, por caridade, descubra logo!
Joaquim Pedro roga que não lhe batam e justifica-se, alegando que logo não disse a verdade por temer a vingança de Silvino, no caso de a polícia o não prender ou matar. E confessa que o celerado está escondido não longe dali. Eram cinco horas da tarde e urgia assaltar os cangaceiros, antes que a noite sobreviesse.
Também nos jornais de época esta mulher foi apresentada como Antônia de Arruda, amante de Silvino.
Também nos jornais de época esta mulher foi apresentada como Antônia de Arruda, amante de Silvino.
Sob as ameaças de ser liquidado, se desse o menor sinal aos bandidos, Joaquim Pedro vai mostrar o esconderijo deles. Com todas as precauções imagináveis, a tropa se aproxima da malta criminosa.
Antônio Silvino estava deitado numa pedra, sobre a qual se debruçava copada oiticica. Perto, divertiam-se alguns de seus cabras, a jogar um sete-e-meio. Ao ouvir a primeira descarga, Silvino gritou, motejante:
Ferimentos de Antonio Silvino após a sua captura.
Ferimentos de Antônio Silvino após a sua captura.
- Espera aí, rapaziada! Deixem, ao menos, os menino acabar esta mão!
Mas o fogo irrompeu violento e sem intermitências, dos dois lados. Com o cair da noite, o tiroteio deixou de ser correspondido. O Alferes Teófanes e o Sargento Alvino acreditaram que Silvino tivesse fugido. Suspeitando, todavia, que ele se quisesse vingar de Joaquim Pedro, foram entrincheirar-se na casa deste.

Coisa bem diversa se passava. Silvino fora atingido por uma bala nas espáduas e o seu companheiro Joaquim Moura tivera quebrada uma perna. Os demais cangaceiros se embrenharam, desorientados, na caatinga, favorecidos pelo negrume da noite.
Estando a perder muito sangue, Silvino convidou Joaquim Moura a se entregarem, mas este repelira o convite e, depois de dizer que macaco do Governo não tinha o gosto de botar-lhe as mãos em riba, ele vivo, suicidou-se com um tiro na cabeça. Impressionado ainda mais com o trágico fim do último assecla que lhe restava, Silvino despojou-se das armas e arrastou-se para a casa da mulher que ele ignorava tivesse sido quem o denunciara. O marido dela, João Vicente, a estava censurando por sua leviandade, persuadido de que Silvino, sabedor da denúncia, lhes não perdoaria.
De repente, batem à porta. Quando, de fora, uma voz anuncia que quem bate é Antônio Silvino, João Vicente encomenda a alma a Deus, convicto de que vai morrer. É sua mulher quem se afoita a atender ao chamamento.
Aqui outra imagem do sargento Alvino.
Aqui outra imagem do sargento Alvino.
Ao se abrir a porta, aparece, à luz da lamparina, o vulto do grande salteador. Quase desfalecido e com as vestes rubras de sangue, Silvino está escorado no portal.
- Capitão, que horror é este?
- Mataram-me… arqueja aquele que, acovardado, começava a expiar crimes sem conta.
Conduzido a uma rede, ele pede que chamem a polícia. Vai alguém a Taquaritinga, mas não encontra lá os soldados. Na confusão em que todos se viam, ninguém a princípio se apercebeu de que os policiais poderiam estar pernoitando na fazenda de Joaquim Pedro. À mulher de João Vicente ocorre agora essa possibilidade. Despacham para ali o portador. Quando este bate à porta de Joaquim Pedro, os soldados aperram as armas, crentes de que é Silvino quem chega. Aberta a muito custo uma janela, o mensageiro dá contas de sua incumbência: vem avisar que Antônio Silvino, sozinho, desarmado e gravemente ferido, está em casa de João Vicente e quer entregar-se à prisão.
Expectativa para a chegada do famoso bandoleiro nordestino na Casa de Detenção de Recife.
Expectativa para a chegada do famoso bandoleiro nordestino na Casa de Detenção de Recife.
O Alferes Teófanes suspeita que se trate duma cilada e opina que se aguarde o raiar do dia. Tanto insiste, porém, o Sargento Alvino que, afinal, o seu comandante se dispõe a ir ver Silvino. Ainda assim, o recadista vai seguro pelos cós e advertido de que receberá uma punhalada, ao primeiro tiro com que a tropa seja surpreendida.
Cercada com cautelas a morada de João Vicente, houve grande alegria, quando se patenteou aos olhos de seus perseguidores a mísera situação daquele que se gabava de que, embora sem saber ler, governava todo o sertão! O Sargento Alvino parecia o mais contente. Exigiu que se não fizesse o menor mal a Antônio Silvino e saiu, pelos matos, a cortar umas folhas de quixabeira para lhe lavar as feridas.
Fora destronado o Átila bronco que, durante dois decênios, apavorara a gente matuta do meio-norte e assoalhava não ser passarinho que morasse entre grades… Por trinta anos ia se fechar atrás dele o portão da Penitenciária de Recife!
Multidão a frente da Estação Central do Recife na chegada do famoso cangaceiro.
Multidão a frente da Estação Central do Recife na chegada do famoso cangaceiro.
Foi à tenacidade do Sargento Alvino, à sua argúcia e vontade firme de vingança que se deveu a prisão de Antônio Silvino. Forçoso é, porém, reconhecer que colaborou inestimavelmente nisso a indiscrição duma mulher.
Acontecerá o mesmo, algum dia, a Lampião? Até na ruína dos cangaceiros terá aplicabilidade o cherchez la femme.
Texto acima é do Cearense Leonardo Mota, inserido no seu livro “No tempo de Lampião” e publicado pela Of. Industrial Gráfica, do Rio de Janeiro, em 1931. Esta reprodução é da segunda edição, de 1967. Leonado Mota era cearense da cidade de Pedra Branca, nasceu em 1891 e faleceu em 1948. Estudou a fundo o sertão nordestino, onde descreveu vários aspectos da região em obras memoráveis. 
Antes de Lampião, Antônio Silvino era o cangaceiro mais famoso e seu apelido mais conhecido foi “Rifle de Ouro”. Nascido no dia 2 de dezembro de 1875, em Afogados da Ingazeira, Manoel Batista de Morais entrou para a história como Antonio Silvino. Durante 16 anos, driblou a polícia, praticou saques e assassinou inimigos, mas era tratado pelos poetas populares como um “herói” por respeitar as famílias. A invencibilidade de Silvino terminou no dia 27 de novembro de 1914, quando ocorreu o seu último tiroteio com a polícia. Atingido no pulmão direito, conseguiu se refugiar na casa de um amigo e disse que ia se entregar. Da cadeia de Taquaritinga seguiu, dentro de uma rede, até a estação ferroviária de Caruaru, onde um trem especial da Great Western o levou para o Recife. Uma multidão o aguardava na Casa de Detenção, atual Casa da Cultura. Antonio Silvino tornou-se o detento número 1.122, condenado a 239 anos e oito meses de prisão. Em 4 de fevereiro de 1937, depois de vinte e três anos, dois meses e 18 dias de reclusão, foi indultado pelo presidente Getúlio Vargas. O ex-rei do cangaço morreu em 30 de julho de 1944, em Campina Grande, na casa de uma prima.
Rostand Medeiros
Fonte:http://tokdehistoria.com.br/2013/11/13/