Estes Bravos de Floresta Por:Cristiano Ferraz

Denis Carvalho, Leonardo Gominho, Marcos de Carmelita, Joao de Sousa Lima, Cristiano Ferraz e Manoel Severo; o Cariri Cangaço chega a Floresta.

Floresta é, indiscutivelmente, uma cidade cuja história está intrinsecamente ligada à do cangaço. Suas terras foram palcos de lutas onde seus filhos foram atores de destaque. Como se pode falar em cangaço sem citar a questão entre Cassimiro Gomes da Silva (o lendário Cassimiro Honório) e Zé de Souza? E os desentendimentos entre Lampião (e seus irmãos Antônio e Livino) e os moradores da vila de Nazaré (praticamente uma só família)?

Em Floresta surgiram nomes de volantes conhecidos por sua bravura e tenacidade no combate ao cangaceirismo. Nomes como os filhos de João Flor: Manoel, Odilon e Euclides (citando apenas três), Antônio Gomes Jurubeba com os seus Pedro e João Gomes de Lira. Manoel Neto, Hercílio Nogueira, David e João Jurubeba, os irmãos Tomaz, e toda uma geração de rapazes que se dedicaram à árdua tarefa de trazer de volta a paz e a segurança ao povo sertanejo.

Esses nomes acima citados, fizeram parte da chamada Volante dos “Cabras de Nazaré”. Assim como eles, dezenas de florestanos “queimaram” sua mocidade no que Frederico Pernambucano de Mello chamou de “Guerra do Sol”. Entre esses gostaríamos de destacar três:



José Freire da Silva

José Freire da Silva, o Zé Freire, que entre tantas outras missões participou ativamente com inigualável bravura, no chamado fogo do Mundé, onde foram mortos os cabras Sabiá e Zé Marinheiro. Nesse renhido combate pereceu também o comandante da Força, o anspeçada Manoel Gomes de Sá Filho (Sinhozinho).

Zé Freire estava também entre os poucos que se atreveram a, junto com Manoel Neto, dar apoio aos Gilos na fazenda Tapera, atacada por Lampião e cerca de cem cangaceiros em agosto de 1926. Mesmo a contragosto do comandante Antônio Muniz de Farias.

Seu Dé

José Rodrigues de Souza, Seu Dé, pelos anos de serviço dedicados às Forças Volantes, com destaque para o combate onde, ao lado do então Sargento Euclides de Souza Ferraz (o Euclides Flor), na escuridão da noite foi ferido no braço. Esse combate se deu contra o grupo do cangaceiro Moreno em abril de 1938, três meses antes da morte de Lampião no coito do Angico em Sergipe.


Manoel Polmata

Manoel Joaquim de Souza, o Manoel Polmata; pelos longos anos dedicados a essa luta desigual, muitas vezes acompanhando Manoel Neto, até mesmo no estado da Bahia. Manoel Polmata esteve presente, inclusive no duro combate da Serra Grande em novembro de 1926. Ali, foi um dos que ajudaram a retirar o comandante baleado nas duas pernas para local seguro, livrando-o da morte certa, sangrado “a ferro frio” pelos cangaceiros de Lampião.

Assim como Zé Freire, Seu Dé e Manoel Polmata, poderíamos citar diversos outros nomes de pessoas que com sua bravura colaboraram com a difícil tarefa de combater o cangaço. Esses com certeza estão para sempre escritos nos anais da história de Pernambuco. Mas deixemos para depois, agora é reforçar o convite para vir a Floresta no grande Cariri Cangaço Floresta, de 26 a 29 de maio deste 2016.

Cristiano Ferraz
Pesquisador e Escritor
Floresta, Pernambuco.

Em Julho....Água Branca !

Celso Rodrigues, Manoel Severo, Sonia Jacqueline, Celsinho Rodrigues  e o casal Edvaldo Feitosa; organizadores em Água Branca


A cada Edição do Cariri Cangaço realizado nesse imenso Brasil, um novo município é contemplado dentro de sua programação cultural. Em 29 de Julho de 2016, será a vez da histórica cidade de Água Branca, no estado de Alagoas. E, O que é o Cariri Cangaço?
O Cariri Cangaço é um Evento Histórico Científico-Cultural promovido pelo Instituto Cariri do Brasil com o apoio da SBEC - Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço, pelo GECC - Grupos de Estudos do Cangaço do Ceará, pelo GPEC - Grupo Paraibano de Estudos do Cangaço .Esse seguimento da História, da Memória e da Cultura Brasileira, através de seminários e debates, com a temática o "Cangaço", reúne a sociedade civil, estudantes, professores, escritores, pesquisadores e historiadores de todo Brasil. Como é do nosso conhecimento, no contexto geral da História brasileira, a cidade de Água Branca, no estado de Alagoas, figura como rota do cangaço e estará promovendo de maneira inédito uma edição do Cariri Cangaço neste próximo mês de Julho de 2016.

Edvaldo Feitosa
Pesquisador e escritor
Organizador do Cariri Cangaço em Água Branca


Casarão da Baronesa de Água Branca: cenário do primeiro assalto de Virgulino Lampião, chefe de grupo.

"Com as bênçãos de Deus, estaremos em julho em Água Branca, Alagoas, para visitar esse casarão no grande Cariri Cangaço. Pertence à família do Barão de Asa Branca e foi invadido por Lampião. A baronesa de Água Branca, dona Joana Vieira Sandes, era viúva do Barão de Água Branca; Joaquim Antônio de Siqueira Torres; e já contava mais de 90 anos quando sua residencia foi invadida e assaltada por Lampião e seu bando. Por muito tempo as jóias roubadas da Baronesa de Água Branca, ornaram a figura da rainha do Cangaço, Maria Bonita.
 


Esse crucifixo em ouro maciço 22 quilates, uma magnifica peça, segundo o Dr Orlins Santana de Oliveira Membro do Instituto Histórico da Bahia, Membro do Instituto Genealógico da Bahia, estava à venda em 2005 em Salvador. Ele diz textualmente que "Foi vendido para fora do Estado por 12 mil reais. Um comerciante deve ter levado. Fiquei muito sentido pela perda do acervo do cangaço. Na época não tinha recursos para adquirir o mesmo. Salvador era o local mais perto para as volantes revenderem os achados. E tudo vinha pela via ferroviária." - Hoje faz parte de uma coleção particular conforme livro "Estrelas de Couro" 
de Frederico Pernambucano de Melo"


Raul Meneleu, pesquisador de Aracaju

O Fascínio e o Mito Por:Jorge Remigio

Arte de Eduardo Lima

"O fascínio por Lampião que muitas pessoas externam, seja nordestinos ou não, vem de uma criação, uma construção ao longo do tempo, de uma figura mitológica. Os cordelistas tiveram grande influência nesse imaginário. Junto com repentistas, cantadores de meio de feira, mais tardiamente a literatura e o cinema, distorceram a realidade do cangaço. É o que chamamos de inversão de valores. Lampião foi bandido? Foi. É incontestável. Agora, como falei, sua imagem foi ganhando outros contornos ao longo dos anos. Álibis como vingador, vítima dos poderosos, injustiçado, foram se aglutinando a valores exaltados pela cultura sertaneja da época, como: coragem, valentia, tudo isso formou um amálgama, resultando em uma visão positiva daquele que foi o maior bandido do fenômeno cangaço. Lampião hoje é um mito. Impossível acabar o mito. Mas é importante também, ter uma visão histórica do personagem e também do que foi o cangaço."

Jorge Rempígio
Pesquisador, Sócio do GPEC
Conselheiro Cariri Cangaço
João Pessoa

O Filho de Mané Neto Por:Marcos de Carmelita

Manoel Gomes de Sá e Marcos de Carmelita

Manoel Gomes de Sá ( aos 81 anos, filho de Manoel Neto; Mané Fumaça ou Cachorro Azedo; e de Otacilia Gomes de Sá , residente em Floresta. Seu Manoel conta que seu pai não aceitava que uma mulher dissesse que tinha um filho com ele. Em uma visita que fez ao pai em Ibimirim, ele o alertou que o chamasse de tio, não queria que seus inimigos tomassem conhecimento que tinha família. Para todos Manoel Neto o apresentava como um sobrinho. 


As mulheres que divulgassem esse segredo eram abandonadas por ele. Manoel Neto sempre dizia não ser homem para se casar e ter família, devido a vida que levava. Com a saúde um pouco debilitada, seu Manoel tem nas veias o sangue do lendário Nazareno, o maior e mais feroz perseguidor de Lampião e dos irmãos Ferreira, o Tenente Mané Neto. Essa fotografia foi tirada nesta data, 06 de abril de 2016 e em breve divulgaremos o vídeo com ele.

Marcos de Carmelita
Pesquisador e Escritor
Floresta, PE

Todos a Aracaju ! Por:Manoel Severo


Existem pessoas que se notabilizam pela sua espetacular capacidade de aceitar e vencer desafios. Ao longo de nosso caminhada de rastejador das caatingas, andando por este imenso sertão de "meu Deus", pelas veredas da vidas, buscando os fragmentos da verdade histórica, temos tido a oportunidade de encontrar verdadeiros tesouros, um desses tesouros, possui nome e sobrenome: Elane Marques.

Archimedes e Elane Marques e Manoel Severo

Nesta noite de sexta-feira, 15 de abril de 2016, uma das mais novas escritores da temática Cangaço, Elane Marques lança na Sociedade Semear em Aracaju, sua mais nova obra: 
SILA - Do Cangaço ao Estrelato.

Muito se tem discutido sobre o papel da mulher no universo do Cangaço; as motivações, a capilaridade e acima de tudo suas repercussões. A partir de 1930, o líder máximo cangaceiro se deixou apaixonar pela "Morena da Terra do Condor"... Ali o casal mais famoso do sertão; Lampião e sua Maria; inciavam uma nova saga dentro desse que foi um dos mais significativos fenômenos da história nordestina.

Elane Marques em mais um momento de homenagens dentro do Cariri Cangaço.

A pesquisadora e escritora Elane Marques, esposa de um dos mais destacados escritores da temática cangaço; Archimedes Marques; autor do festejado e abalizado "Lampião Contra o Mata Sete", emprestou toda sua força de trabalho e talento para nos trazer um recorte dessa mesma saga feminina. Elane desta vez se debruça sobre Ilda Ribeiro de Sousa, mais conhecida como SILA, cangaceira, companheira do líder de sub-grupo, Zé Sereno.

Grupo de Zé Sereno, a segunda vista à nossa esquerda: Sila.

Sila - Do Cangaço ao Estrelato, procura traçar um paralelo a partir dessas duas controvertidas situações antagônicas da vida desta sertaneja que nasceu no dia 26 de outubro de 1919 na querida Poço Redondo, Sergipe e que acabou vivendo dois anos no cangaço, ao lado de Zé Sereno, com quem teve quatro filhos e viria a falecer em fevereiro de 2005. 

Elane Marques com o faro e a determinação que lhes são peculiares, aborda um tema mais que polêmico, e por assim dizer, cheio de muitas possibilidades. Com seu mais novo livro, nos provoca um novo olhar sobre a presença da mulher no cangaço e os horizontes surpreendentes reservados pelo destino . Assim, só nos resta dizer: Parabéns querida Elane Marques !!! Todos a Aracaju ! 

Manoel Severo
Curador do Cariri Cangaço

Heróis do Sertão... Angico ! Por: Jorge Remigio

Quem teria sido o verdadeiro herói em Angico?
Foto: Volante do Tenente João Bezerra em Piranhas, AL

A grande dificuldade que temos ao analisarmos fatos históricos muito distante da nossa contemporaneidade, são justamente os valores que sofreram vicissitudes ao longo do tempo. O Sertão é uma cultura. Costumo dizer que o Sertão é um paîs. Isso porque são tão fortes e emblemáticos os seus valores, que não é incomum e também perdoável e aceitável quando cometemos algum deslize. 

Se analisarmos o significado da palavra herói no sentido lato, no sentido "clássico" como o amigo Raul Meneleu Mascarenhas, descreveu em comentário certo dia, claro que não vai ser enquadrado no episódio de Angico. Mas, temos que atentar, que a palavra herói, no Sertão daquela época e também de um tempo não tão distante, se encaixa em várias situações. 

Não é uma banalização do emprego do termo, mas a adequação aos valores culturais dos sertanejos. Por exemplo: Uma pessoa que executa uma vingança de um ente querido em condições desfavoráveis ou não, era considetado um herói. Já ouvi do próprio saudoso Alcino Alves Costa, na cidade de Aurora quando se referia a marcha que Lampião encampou daquela cidade até a longinqua Mossoró, percorrendo em três dias e meio, mais de trezentos quilômetros, falou que Lampião era um herói, por ser tão resistente e obstinado. Eu entendi o emprego da palavra herói utilizada pelo escritor. 

Poderia citar várias situações em que o sertanejo, o matuto o tabaréu emprega o termo herói. A morte de Lampião, também foi a morte do cangaço. Por que não creditar esse ato heroico ao comandante da operação. O Tenente João Bezerra ?

Jorge Remígio
Pesquisador, Sócio do GPEC
Conselheiro Cariri Cangaço

Diálogos em Nazaré... Que Venha o Cariri Cangaço


O Cariri Cangaço chega a Nazaré


A cada dia que passa o entusiasmo toma conta de todos nós que fazemos o Cariri Cangaço. Quando pensamos em um evento, o construímos a partir do desejo de mostrar a quem nos visita o que temos de melhor; em nossa memoria, historia, tradições culturais, enfim... O pouco talento que possamos ter emprestamos nessa direção; entretanto também a responsabilidade nos impõe o desafio de também fazer o melhor para nossos anfitriões, assim tem sido por onde o Cariri Cangaço passa.


Nosso próximo empreendimento, o Cariri Cangaço Floresta 2016, não é diferente, tanto em Floresta como em Nazaré do Pico, nosso esforço e dedicação está voltado antes de tudo para a valorização da família Florestana. Desde sua gênese, desde as primeiras reuniões o Cariri Cangaço procura refletir o anseio e o desejo daqueles que com muita alegria e honra, nos acolhem.

 Primeiras reuniões de trabalho em Nazaré, com Mabel Nogueira, Rubelvan e Lucinha Lira, Manoel Severo, Cristiano Ferraz, Maria Amélia e Manoel Serafim
 Netinho Flor e Manoel Severo e abaixo, imagens de um dos encontros do Cariri Cangaço em Nazaré

Nazaré e a toda a família Nazarena vem se mobilizando e unindo força e talento para receber da melhor forma a todos os que participarem do Cariri Cangaço Floresta 2016; em Nazaré; que será dia 27 de maio, com programação extremamente dinâmica, das 8:30 da manha às 21 horas !!! Dessa forma os Organizadores locais, sob orientação dessa Curadoria do Cariri Cangaço, não medem esforços para realizarmos um grande evento.

Maria Amélia e Elisabete Meneses nos "Diálogos" com a comunidade escolar da Terezinha Lira
Alunos de Nazaré conhecem de perto o Cariri Cangaço 

Reuniões de trabalho e planejamento, pesquisas, visitas a familiares, visitas e trabalhos com a comunidade escolar, comerciantes  e empresários, poder público, enfim, demonstram o grau de comprometimento de toda coletividade Nazarena, o que nos deixa cheios de entusiasmo e aumenta em muito nossa responsabilidade. "Um povo sem história... é um povo sem raiz!!!" confirma Elizabete Menezes para os alunos da Comunidade Escolar Terezinha Lira, por ocasião da apresentação do Cariri Cangaço ao lado de uma das organizadoras locais, Maria Amelia Araujo.

"Com toda essa movimentação de integração para debater o Cangaço, não sabemos dimensionar o quanto está sendo e o quanto vai ser importante a realização do Cariri Cangaço Floresta, para toda a nossa gente.... Que venha maio e que chegue ligeiro!" revela o "nazareno" Luciano Lira.

 Suely Jurubeba, Luiz Ferraz, Maria Amélia e Rubelvan Lira em mais uma reunião de trabalho para o Cariri Cangaço em Nazaré
Suely Jurubeba e Luiz Ferraz ao de Adelmo Puça

Um dos pontos altos da Programação em Nazaré do Pico, além das visitas e conferencias, serão as homenagens do Cariri Cangaço aos mais ilustres filho de Nazaré. " O Cariri Cangaço Cariri irá fazer uma homenagem mais do que justa, por exemplo no caso de Davi Jurubeba; pois quando um parente era baleado ele saia carregando nas costas para aquele não ser sangrado pelos inimigos...Sua coragem é motivo de orgulho para família JURUBEBA. Sem contar que apoio foi fundamental para o tio Gomes Jurubeba" revela Mabel Nogueira.

Já Suely Jurubeba fala da emoção das emoções: "Obrigada ao Cariri Cangaço pela merecida homenagem ao meu tio!! Ele foi tudo isso que vc falou em termo de valentia. Como tbm foi muito família. Nunca aceitou erros. Nem que fosse dos mais próximos. Destaco minha grande admiração por minha avó e seus irmãos".

Mabel Nogueira, Luiz Ferraz, Rubelvan Lira e Lucinha Lira: Preparativos finais para o Cariri Cangaço em Nazaré.

Em um outro momento tivemos mais um encontro da Família Nazarena na direção do consolidação do grande Cariri Cangaço em Nazaré. Mabel Nogueira ao lado de Rubelvan e Lucinha Lira, receberam os amigos Maria Amélia Araujo, Luiz Ferraz Filho e ainda Suely Jurubeba , Abimal Lira e Adelmo Puça em um grande encontro de trabalho quando foram acertados os últimos ponteiros para a grande Festa do Cariri Cangaço em Nazaré. Então, é aguardar maio chegar !!!

Manoel Severo
Curador do Cariri Cangaço

Confirmado: Água Branca chega ao Cariri Cangaço !!!


Hoje, recebemos o importante e decisivo apoio de nosso querida Água Branca, em Alagoas para a realização de nosso Cariri Cangaço em Água Branca, em Julho ! Parabéns ao embaixador do Cariri Cangaço, professor Edvaldo Feitosa.
Nossa gratidão à Gestão Municipal, na pessoa da Prefeita Albani Sandes Gomes e ao Legislativo na pessoa de seu Presidente, Sr. Maciel Coito e demais Vereadores, como também a toda sociedade organizada que se une a mais esse grande empreendimento de sucesso com a Marca Cariri Cangaço!
Vamos sim construir mais uma página importante na historiografia de nosso sertão ! Água Branca nas Alagoas, dia 29 de julho, dentro da Programação de nosso Cariri Cangaço Piranhas 2016. Em breve...
Cariri Cangaço, onde o Brasil de Alma Nordestina se Encontra !
Manoel Severo
Curador do Cariri Cangaço

Lançamento em Fortaleza: Pajeú em Chamas !!!



CONVITE


LANÇAMENTO DO LIVRO:
"PAJEÚ EM CHAMAS,
O CANGAÇO E OS PEREIRAS,
CONVERSANDO COM SENHOR PEREIRA" 
DE HELVÉCIO NEVES FEITOSA.

 Ideal Clube
Fortaleza, CE
14 de Abril de 2016 
Às 19 Horas

Benjamim Abrahão de Firmino Holanda Por:Lailson Feitosa


O livro de Firmino Holanda intitulado Benjamim Abrahão, publicado no ano 2000 pela Fundação Demócrito Rocha foi mais um edição de um fantástico trabalho integrante da Coleção Terra Bárbara. Sua introdução – Um náufrago no Sertão o autor aborda a sagacidade do homem aventureiro, sagaz, que busca em outras plagas as satisfações para a vida. Neste ínterim, Firmino Holanda cita um exemplo de um compatriota do biografado, naufrago que se casaria com uma índia amazônica, tornando-o cacique da referida aldeia, uma alusão à destreza de lhe dar com condições adversas.

Benjamim Abrahão, de forma parecida, porém desembarca sem maiores sustos em Pernambuco, após alguns anos em Recife, tem a cidade de Fortaleza o início de sua jornada pelo Sertão Cearense. Focado nas técnicas de fotografias e filmagens, novidade tecnológica do século XX, o Sírio-libanês partirá sertão adentro em busca de seus objetivos. Nesta empreita, acaba envolvido com dois personagens singulares que desenharia o Nordeste brasileiro para sempre, o líder religioso Padre Cícero Romão Batista, e o cangaceiro Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião.

1º Capítulo: Mascate “Árabe” na Meca nordestina
No capítulo inaugural temos, basicamente, um retrospecto dos primeiros momentos políticos, sociais, econômicos e culturais, em curso, no primitivo Juazeiro. O autor desenha em prosa as conjecturas estruturais daquele período que coincide com a chegada do mascate, sírio-libanês, Benjamim Abrahão a terra do Pe. Cícero. Ou seja, ele chega em um tempo de muitas agitações, cujo Lugar crescia e se desenvolvia rapidamente em virtude dos desdobramentos dos fatos extraordinários acorridos a partir de 1889 quando a Beata Maria de Araujo protagoniza o milagre eucarístico numa missa celebrada pelo Padre Cícero.

O autor, ainda, salienta que não foram apenas os fatores religiosos ou místicos que atraiam adventícios para aquele reduto em ascensão, mas também, pessoas ambicionadas pelas riquezas naturais da região do Cariri, cuja funções administrativas recaiam ao nobre reverendo. Foi neste outro contexto que em 1908, dois aventureiros provenientes do estado da Bahia, o médico Floro Bartolomeu da Costa e seu companheiro, francês, Adolfo Van Den Brule que se identificou como conde, e, ambos pretensos exploradores das minas de cobre do Coxá. De imediato pedem guarida ao padre Cícero Romão Batista e permissão para suas pretensões exploratórias.

Alencar Peixoto e Dr Floro

Contudo, esta aproximação de Dr. Floro Bartolomeu, lhe renderiam muito mais o que prometiam com os recursos minerais da região do Cariri, pois Firmino Holanda faz um levantamento, coeso, em apenas um parágrafo sobre a evolução político social do médico baiano em Juazeiro. De um viajante errante, a deputado federal, além de se tornar peça chave de três eventos importantes para a história do Estado do Ceará e da cidade de Juazeiro. Dr. Floro Bartolomeu da Costa, foi à força no desenrolar dos fatos que culminaram na pacificação dos coronéis da região (Pacto dos coronéis), da emancipação política do Juazeiro e do destaque político do reverendo como primeiro prefeito do novíssimo município assim como a nobre vice-presidência estadual.

Foi, também, neste ambiente que chega ao Juazeiro, proveniente de Recife, o Sírio Libanês Benjamim Abrahão, cujo nome verdadeiro seria Jamil Ibrahim. Naquela primeira paragem, Jamil Ibrahim, era apenas um adolescente com pouco mais de 15 anos de idade e teria aportado em Recife em 1913 ou 1916, o autor não sabe ao certo, porém, afirma com certeza aquele jovem garoto era bastante resoluto, pois já comercializava tecidos e alimentos montado a cavalo. 


Foi com essa mesma altives que o Sírio-libanês, por volta de 1920, chegaria à terra da Mãe da Mãe das Dores, e segundo o próprio adventício trazia consigo uma carta de recomendação de um amigo do padre Cícero residente em Recife. Firmino Holanda faz uma citação do Padre Azarias Sobreira quanto ao seu aspecto jovial ao chegar a Juazeiro, dizendo-o que ele, Benjamim Abrahão, mal saíra da adolescência. Portanto, até aqui percebemos que o visitante era bastante jovem ao chegar à crescente Juazeiro.

Ao se encontrar com Padre Cícero, este, ficou sensibilizado por Benjamim Abrahão ser originário de um lugar próximo a Terra Santa (Jerusalém), além de se dizer educado por missionários cristãos no Líbano. O autor esclarece que naqueles tempos a maioria do povo Sírio cultuava o cristianismo, porém coexistindo com os mulçumanos. Assim, Benjamim Abrahão pertenceria em seu país de origem, aos maronitas ou aos melkitas, ambas obedientes a Igreja de Roma, contudo, Benjamim Abrahão pertencia a uma dessas duas correntes cristãs. 

Nos parágrafos seguintes, é abordado a possível cidade de nascimento do biografado e o suposto motivo de sua emigração. Desta forma, Benjamim Abrahão teria nascido na cidade de Zahle ou Zahlah, localizada na região central do Líbano, a oeste de Beirute.

Conforme o autor, no censo de 1890 aponta que existiam mais 350 mil estrangeiros no Brasil, cuja predominância era de alemães e italianos. Os turcos, como eram conhecidos todos os indivíduos de cultura Árabe, coexistindo entre os outros povos colonizadores, porém em números bem menores. Há registros que houve um crescimento da presença deles entre os anos de 1860 e 1870, porém, novamente, inicia outro período de queda da emigração de povos de origem síria para o Brasil. Será a partir do século XX que se evidenciam as maiores levas de migrações sírias para o nosso país.

Na região Nordeste, por volta de 1920, teria chegado ao Ceará cerca de 40 famílias Sírias, cujas origens seriam exatamente de Zahle. Por aquele tempo o Império Otomano em decadência, mantinha com forte resistência sua unificação, cuja área territorial abrangia, também, os territórios da Síria e do Líbano. Contudo, a instabilidade interna, conflitos de grupos separatistas e de ordens étnicas e religiosas entraram em conflagração resultando o deslocamento maciço de libaneses pelo mundo, por aquela década, chegaria ao Brasil, Jamil Ibrahim ou Benjamim Abrahão. 

Lailson Feitosa, Manoel Severo e Emerson Monteiro no Cariri Cangaço em Juazeiro do Norte, setembro de 2015

O autor ainda salienta que o desenvolver dos acontecimentos no oriente próximo, culminariam com a eclosão da primeira guerra mundial, quando os países Balcãs retomam seus territórios e liquidam o Império Otomano. O Líbano, apesar de ser uma pequena faixa de terras fronteiriça ao Sul com Israel, tem um legado histórico de lutas com várias outras civilizações, cujos resultados foram o permanente estado de migração de seus naturais. Naquele conflito mundial de 1914, a França se apropria de seu território tornando-o subjugada, mas, desde os tempos mais remotos que os Sírios já haviam sido cooptados pelos fenícios, egípcios, gregos, persas e romanos. Devido tais conflitos, Firmino Holanda considera que a migração sempre foi uma preocupação constante dos libaneses. 

Árabes, turcos, sírios e por último os libaneses. Firmino Holanda faz uma conjectura desses três elementos identificadores de nacionalidades. Porém, a análise desenvolvida pelo autor se configura numa espécie de estágio social do migrante. Primeiramente, todos os indivíduos daquelas regiões do oriente próximo são chamados de Árabes. Após aportarem em plagas nordestinas passaram serem tratados por turcos, estes eram afáveis e modestos mascates; ao adquirem estabelecimento fixo nos centros urbanos passavam a ser chamados por sírios, contudo, após muito e longos anos de trabalho, e já ricos, com destaque social esses indivíduos passariam a ser conhecidos por libaneses.

Continua, é abordado o importante papel desses empreendedores comerciais no Ceará, eram eles, sinônimos de desenvolvimento e capacidade de administração nos ramos comerciais e industriais. Com suas habilidades comerciais o povo sírio deu ao estado do Ceará destaque no crescimento econômico da várias cidades, inclusive do interior cearense como fez o biografado Benjamim Abrahão. Em Juazeiro o jovem e recém-chegado mascate libanês abre uma loja de artigos religiosos, imagens de santos, sua vocação comercial era pulsante.

Posteriomerte postarei os capítulos seguintes...
Lailson Feitosa, pesquisador e professor
Juazeiro do Norte

URCA Promove Seminário sobre o Caldeirão da Santa Cruz do Deserto



Davi Gomes Jurubeba Por:Manoel Severo

Tenente Davi Gomes Jurubeba

No primeiro dia do ano de 1903, Floresta testemunharia o nascimento de um dos mais bravos combatentes contra o cangaço. O filho de dona Maria Gomes Jurubeba e seu Militão, desde cedo cultivou o sentimento de combate aos filhos de Zé Ferreira. Com o tempo Davi Gomes Jurubeba viria a se notabilizar pela coragem, valentia e destemor, sendo um dos mais tenazes perseguidores de Lampião. 

Em um dos episódios mais marcantes dessa saga, Davi Jurubeba chegou a desafiar o rival para um duelo de punhal. Nada menos que 17 parentes de Jurubeba foram mortos em conflitos com o líder do cangaço. "Eu não era mais valente que os outros, mas, como policial, não podia fugir de bandido." O grande Davi Jurubeba morreu em 2001 aos 98 anos depois de toda uma vida dedicada a retidão e a dignidade. 

DAVI GOMES JURUBEBA, 
Um dos homenageados do Cariri Cangaço Floresta 2016 !

Manoel Severo
Curador do Cariri Cangaço