Em Mossoró é Realizado o XVIII Fórum do Cangaço, III Encontro de Saberes Históricos e o I Diálogos Paulo Gastão

Lemuel Rodrigues, Ângelo Osmiro, Paulo Gastão Junior, Antônio Robson, 
Manoel Severo, Geraldo Maia e Marcilio Falcão

Aconteceu nos últimos dias 13 a 15 de junho de 2022, na cidade de Mossoró, a partir de promoção do Departamento de História da Faculdade de Filosofia e Ciências Sociais (Fafic) e da SBEC - Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço, o XVIII Fórum do Cangaço, conjuntamente o III Encontro de Saberes Históricos e o I Diálogos Paulo Gastão.

A solenidade de abertura aconteceu nas dependências do Auditório da FAFIC/UERN e teve como primeira Mesa o tema: Revisitando a Historiografia do Cangaço, mesa composta por Cid Augusto - Faculdade Católica do RN; Ângelo Osmiro - Presidente do GECC e Marcílio Falcão - UERN/SBEC.

Cid Augusto , Marcílio Falcão e Ângelo Osmiro
Público presente no Auditório da FAFIC/UERN
Patrícia Gastão, Cid Augusto e Kydelmir Dantas

A programação teve sequência na manha da terça-feira com a Mesa que discutiu o filme "Baile Perfumado" e contou com a participação de Aderbal Nogueira, Ângelo Osmiro e Josué Damasceno, a apresentação também aconteceu no Auditório da FAFIC/UERN.

Aderbal Nogueira, Josué Damasceno e Ângelo Osmiro
Benedito Vasconcelos

A segunda e última noite do Fórum do Cangaço teve como tema: “95 anos do ataque de Lampião a Mossoró: Novos enfoques e possibilidades”, acontecida às 19 horas com a coordenação de Geraldo Maia e a participação de Marcilio Falcão e Antônio Robson.

Antônio Robson, Geraldo Maia e Marcilio Falcão
Lemuel Rodrigues, Manoel Severo e Geraldo Maia

"Só temos que parabenizar à iniciativa da UERN e da SBEC pela realização do XVIII Fórum do Cangaço, conjuntamente com o III Encontro de Saberes Históricos e o I Diálogos Paulo Gastão, pela qualidade das temáticas desenvolvidas e pelos debatedores de alto nível. Os confrades Lemuel Rodrigues, Geraldo Maia e Marcilio Falcão estão de parabéns pela grande realização" Ressalta Manoel Severo, curador do Cariri Cangaço.

Lemuel Rodrigues e Heldemar Garcia

Segundo o professor doutor Lemuel Rodrigues (UERN/SBEC), “Os 95 anos da resistência dos mossoroenses ao bando de Lampião serve para refletir sobre nossa História mas também sobre nossa cultura e identidade e como o poder público pode usar os fatos históricos como retórica política. E como não poderia deixar de lembrar do Fórum do Cangaço em sua XVIIIV edição, bem como o I Diálogos Paulo Gastão e o III Encontro de Saberes Históricos, discutem os 95 anos da resistência e a violência rural no Brasil republicano”.

Angelo Osmiro e Manoel Severo
Manoel Severo e Ricardo Meira Arruda
Abimael Silva e Manoel Severo

O encerramento do Forum se deu na manha de quarta-feira, 15 de junho, com a Visita Técnica aos principais cenários históricos de Mossoró. Visita coordenada por Geraldo Maia, Lemuel Rodrigues e Marcilio Falcão.

XVIII Fórum do Cangaço, conjuntamente o III Encontro de Saberes Históricos e o I Diálogos Paulo Gastão - 13 a 15 de junho de 2022

Lançado, "Lampião: a construção de um mito" Por:Maria Otilia Souza


Aconteceu na noite do último dia 11 de junho de 2022, às 19horas, no antigo Cine Teatro Municipal de Capela; um dos espaços históricos mais tradicionais  do sertão sergipano; a cerimonia de lançamento do livro "Lampião: A construção de um Mito" da  professora e escritora capelense Maria Otília Cabral Souza. A escolha do precioso local de lançamento nos remete a um dos episódios mais marcantes da presença de Lampião em Sergipe; foi ali no Cine Teatro de Capela, que Lampião e seu bando estiveram na noite de 25 de novembro de 1929 e assistiram ao filme "Anjo das Ruas".

A cerimônia de lançamento contou com a participação de familiares da autora, autoridades e personalidades do universo literário e acadêmico da região, entre eles; a prefeita  municipal Silvany Manlak; o vice- prefeito Antônio Arimatéa; o ex- presidente da FAMES Cristiano Cavalcante; o pároco da cidade Padre Aécio; Conceição Barreto Alves, Presidente da Academia Capelense de Letras e Artes-ACLA; Archimedes Marques, Presente da ABLAC e sua esposa, Elane Marques; Ismael Pereira, artista plástico e escritor, além de um grande número de convidados que prestigiaram o evento.

Escritora capelense Maria Otília Cabral Souza
Ismael Pereira, artista plástico e escritor,
Archimedes Marques e demais autoridades presentes

Nesta obra, que tem apresentação do ilustre Dr. Manoel Severo, curador do Cariri Cangaço; a autora aborda a criação da imagem de Lampião como elemento simbólico do Nordeste, e por esse viés semiótico mostra os elementos que influenciaram esse processo, a exemplo da fotografia e seu caráter simbólico na construção e perpetuação do mito Lampião, a literatura de cordel como gênero épico na construção do herói popular, a visão midiática que o cinema propõe e sua postura crítica, a visão romanceada do herói bandido no romance e na música e por último, o papel da cultura de massa na descaracterização de Lampião. 

"Para mim foi uma enorme honra ter sido convidado para prefaciar esta obra prima da literatura cangaceira, da professora e escritora Maria Otília. Hoje resgata-se uma divida grande com o município de Capela e Otília o faz com propriedade, grandeza e muito talento, próprios dos filhos apaixonados por sua terra e por sua história, esse livro com certeza ja se configura como um dos clássicos do cangaço. Parabéns querida Otília, parabéns Capela, parabéns Sergipe, Avante !" 
Manoel Severo, Curador do Cariri Cangaço; que participou do lançamento de maneira virtual.

Segundo a autora, "O desejo de transformar pessoas complexas e lendárias como Lampião em imagem símbolo  torna-se cada dia mais forte, e na fronteira entre o passado e o presente quando impera o desconhecimento predomina a necessidade de reinventa-lo. Não importa ser, importa parecer. É nesse momento que o passado histórico doloroso se perde ancorado em novas interpretações. Destroem-se os valores históricos e se refaz uma nova imagem de Lampião. Ele se transforma em um produto de consumo exótico, extravagante e deixa para trás sua história, sua verdade.

Família o porto seguro para o desenvolvimento da obra
Lançamento seguido de noite de autografos
Nesta obra a autora dá relevante destaque a dois importantes episódios de Lampião em Capela. História que há mais de 90 anos encontrava -se esquecida. Após árdua tarefa de compilar informações, dirimir dúvidas, filtrar narrativas passadas, na incessante busca da verdade comparada, procurou narrar com extrema fidelidade fatos já conhecidos e vários outros inéditos com riqueza de detalhes e registros fotográficos desses dois episódios: Uma entrada inesperada em 1929 e uma tentativa frustrada em 1930 graças a coragem dos capelenses que lutaram com heroísmo em defesa da cidade.

Lançamento do livro "Lampião: A construção de um Mito" da  escritora  Maria Otília Cabral Souza - Capela, SE ; 11 de junho de 2022

Da Batalha entre Montes e Feitosas veio o nome "Arraial", Origem dos Dantas e Ribeiros de Missão Velha Por:João Macedo

Casa do Cel. José Dantas (Zeca Dantas) no Arraial

Arraial é um território de Missão Velha que povoa minha memória. Reduto dos Dantas e Ribeiros, foi lá onde pontuou meu avô Zeca Dantas, caminhando prosista no alto do velho aqueduto, obra feita para carrear a água das cabeceiras do Salgado para o balouçante canavial. Onde também transitavam os que vinham de Juazeiro para Missão Velha margeando desde 1925 a linha do trem.

Adiante do Arraial, onde o mesmo Salgado se precipita em pedras gigantes, formando a anciente Cachoeira, ergue-se o Barreiro, canto de repouso do Padre Cícero, de Dr. Floro Bartolomeu, e depois lugar das empreitadas do Cel. Sinhô Dantas. No Arraial, acrescente-se, nasceu minha mãe, que anos a fio lembrava das enchentes pavorosas do rio e de sua infância mesclada da escuridão do velho sótão da casa de Zeca Dantas, cômodo superior onde aplacava a fotobia terrível do tracoma que assolava naqueles tempos. E, ainda, foi no Arraial de cima, beirando o Salamanca, que meu pai extendeu com suor sua produção de rapadura e amealhou pastagens para o gado, que lhe renderam arduamente a educação dos sete filhos na capital.

Carta de João Brígido a Dr. Pedro Théberg de 19 de dezembro de 1859.

Preocupado com as palavras e seus significados, sempre me intrigou, no entanto, o porquê desse nome Arraial. O dicionário não ajudava: "lugarejo de caráter provisório, temporário". Como assim, se há muito ali era um território extenso e perenemente habitado por tanta gente? Foi então voltando ao século XIX que fui socorrido nesse mister de encontrar razão para esse nome de tom meio messiânico, epopeico - talvez por evocação daquele que fora o mais famoso de todos, o arraial de Canudos.

Dei-me, então, com uma bendita carta de 19 de dezembro de 1859, do historiador João Brígido ao Dr. Pedro Théberge, interessante médico francês radicado no Icó, e nome hoje de uma das principais artérias de Fortaleza. A missiva desvendou que algumas localidades rurais de Missão Velha, região dos Cariris Novos, em tendo sido um dos palcos da famosa batalha entre os Montes e os Feitosas, acabaram recebendo nomes que tiveram a ver com esse conflito. Assim, o “sítio Arraial ficou conhecido por terem ali se acampado essas tropas".

Na mesma linha, surgiu o sítio Emboscadas, "por se terem ali emboscado na beira do Rio Salgado". E, ainda, o sítio Ossos, assim nominado por abrigar por tempo sobre a terra as ossadas dos vários que tombaram na infeliz refrega envolvendo as duas famílias (essa última uma anotação do médico e botânico carioca Dr Freire Alemão, quando de sua passagem por Missão Velha, instruído pelo Professor Bernardino Gomes de Araújo). Nomes todos com marcas sofridas de nossa história civilizatória convertidos em repositórios de muitos afetos e lembranças dos que dali se originaram.

João Macedo Coelho Filho; médico e escritor - (adendos a “Bala de Algodão", Fortaleza: Expressão Gráfica, 2022).

Conferências e Lançamentos de Livros na Segunda Noite de Cariri Cangaço Paulo Afonso 2022

Luma Holanda, João de Sousa Lima, Jacqueline Rodrigues, 
Manoel Severo e Celsinho Rodrigues

Auditório da Escola João Bosco Ribeiro recebeu a segunda noite de Cariri Cangaço Paulo Afonso, dia 25 de março de 2022. A Programação constou de Conferência pelo anfitrião do evento, Conselheiro João de Sousa Lima, com o título "Os Anos de Pesquisa nas Estradas de Paulo Afonso" seguido da apresentação de seu mais  novo trabalho, "Maria Bonita a Rainha do Cangaço". Para uma platéia de pesquisadores e escritores de todo o Brasil, João de Sousa apresentou sua trajetória por terras pauloafonsinas em busca de fragmentos da verdade histórica dos tempos do cangaço.

"Foram muitos anos de minha vida dedicados à pesquisa sobre o cangaço. Muitos cenários, muitos lugares, inúmeras pessoas; ainda remanescentes daquela época dura de nosso sertão; muitas histórias e muitas descobertas, tudo isso faz parte de minha trajetória, o que me enche de satisfação em poder compartilhar com todos, principalmente através de meus livros, hoje a realização do Cariri Cangaço Paulo Afonso 2022; na cidade que me acolheu como filho; coroa todo esse esforço" revela o escritor João de Sousa Lima, Conselheiro Cariri Cangaço.

João de Sousa Lima e a Conferência "Os Anos de Pesquisa nas Estradas de Paulo Afonso"

Para o também Conselheiro Cariri Cangaço Celsinho Rodrigues, de Piranhas, "João é um verdadeiro farejador do sertão, Onde tem algo para ser descoberto tá lá João, um pesquisador com um instinto incrível, e isso todos nós podemos ver a partir de sua trajetória". Ainda sobre o lançamento da noite: "Esse mais novo livro de João, Maria Bonita a Rainha do Cangaço, seria como a joia da coroa de suas obras, pois João ao longo de sua trajetória se dedicou inteiramente a nos trazer a história da rainha do cangaço, inclusive nascida aqui em Paulo Afonso" reforça o Conselheiro Cariri Cangaço Professor Pereira, de Cajazeiras.

Luma Holanda, João de Sousa, Manoel Severo, Bismarck Oliveira e Junior Almeida na segunda noite Cariri Cangaço Paulo Afonso 2022
Bismarck Oliveira e os lançamentos de , "Cangaceiros de Lampião de A a Z" 
e "O Ataque a Sousa"

Além da Conferência e lançamento de Maria Bonita de João de Sousa Lima, a segunda noite Cariri Cangaço Paulo Afonso ainda reservou os lançamentos das aguardadas obras dos escritores e Conselheiros Cariri Cangaço, Bismarck Oliveira com os livros; "Cangaceiros de Lampião de A a Z" e "O Ataque a Sousa" e Júnior Almeida com o festejado "Lampião em Serrinha do Catimbau".

Júnior Almeida com o festejado "Lampião em Serrinha do Catimbau".
Luma Holanda, João de Sousa, Manoel Severo, Bismarck Oliveira e Junior Almeida na segunda noite Cariri Cangaço Paulo Afonso 2022
Conselheiros Cariri Cangaço Bismarck Oliveira e Júnior Almeida em Noite de Lançamentos no Cariri Cangaço Paulo Afonso 2022

"Os lançamentos da noite de hoje são obras extraordinárias, tanto o João de Sousa com "Maria Bonita a Rainha do Cangaço" ,como Bismarck Oliveira com duas obras em segundas edições revisadas; "Cangaceiros de Lampião de A a Z" e O Ataque a Sousa"  e o amigo Júnior Almeida com o sensacional episodio de "Lampião em Serrinha do Catimbau" dão o tom do que nos espera na noite de amanha com os demais lançamentos" ressalta o Conselheiro Cariri Cangaço, Emmanuel Arruda.

Narciso Dias, Emmanuel Arruda, Prof. Pereira, Bismarck Oliveira, Fagner Lopes, 
Roberto Batista e Manoel Severo
Herton Cabral, Jose Irari, Luiz Ruben, Adriano Carvalho, Ivanildo Silveira, Josué Santana e Junior Almeida
O Mestre dos Cordéis, Jurivaldo
Narciso Dias, Luciano Costa e Vanessa, Manoel Severo, Rubinho e Emmanuel Arruda
Luiz Ruben, Adriano Carvalho, Ângelo Osmiro e Valdir Nogueira
Betinho Numeriano, Ana Gleide, João de Sousa e Manoel Severo
Wescley Dutra e João de Sousa Lima

Durante toda a realização do Cariri Cangaço Paulo Afonso 2022, o hall de entrada do auditório da João Bosco Ribeiro transformou-se numa grande feira e exposição de livros, artesanato, pintura e esculturas com  temáticas sobre o cangaço e sertão; era a reedição da Latada do Livro Cariri Cangaço onde os convidados puderam  entrar em contato com todas as obras lançadas durante o evento como também obras já lançadas e obras raras, consolidando mais uma vez o Cariri Cangaço como um grande difusor da literatura nordestina.

Geraldo Ferraz, Adriano Carvalho e Manoel Severo
Latada do Livro no Cariri Cangaço Paulo Afonso 2022
Leonardo Gominho, Joaquim Pereira, Luiz Ferraz Filho e Adriano Carvalho
Junior Almeida, Prof. Pereira, Ivanildo Silveira e Fagner Lopes

"O Cariri Cangaço é verdadeiramente uma grande festa, um congraçamento extraordinário entre todos aqueles que estudam, pesquisam ou mesmo curiosos sobre a temática e a Latada do Livro, reunindo todo este manancial de obras, é simplesmente sensacional" revela a Conselheira Cariri Cangaço Luma Holanda. Quem completa é a escritora e cordelista Célia Maria: "Encontrar os amigos de todo o Brasil não tem preço, na verdade posso confessar que esperamos com ansiedade cada nova edição do Cariri Cangaço".

Célia Maria, Jurivaldo e Capitão Quirino
Júnior Almeida, Célia Maria e Rita Pinheiro
João de Sousa Lima e Orlando Carvalho

"O Cariri Cangaço tem se notabilizado por ser este grande espaço de encontro; aqui não só as conferências, os debates e as visitas, mas o encontro com a literatura tem seu ponto alto com a Latada do Livro Cariri Cangaço, onde todos encontram todos os lançamentos e obras raras sobre o tema, além do contato com o que temos de melhor na literatura do cangaço e temas correlatos" reforça o Conselheiro Cariri Cangaço e Presidente da ABLAC, Archimedes Marques.

Cariri Cangaço Paulo Afonso - Segunda Noite, 25 de março de 2022