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O valor cultural do Nordeste Por:Carlos Eduardo

Carlos Eduardo

O sociólogo Voldi escreveu um texto cuidadoso criticando as acusações do Sr Pedro de Morais sobre um possível comportamento homossexual de Lampião e outros membros de seu bando de cangaceiros (Ver postagem neste mesmo blog). Sua critica é bem construída e a hipótese apresentada no livro do Sr Morais, é indefensável. Voldi vai além, faz uma análise do comportamento de parte da sociedade brasileira em tempos atuais e declara seu entendimento: “Penso que o Sertão do nosso Nordeste seja a única área verdadeiramente definidora de um caráter BRASILEIRO”. Acho que Voldi exagerou nessa afirmação.

Em outro trecho, Voldi discordando da forma como parte dos meios de comunicação tratam a cultura nordestina, declara: - em nome de uma palavrinha mágica “FICÇÃO”, roteiristas e diretores têm adotado quase sempre o tom jocoso e depreciativo, como se o povo do SERTÃO nordestino fosse somente essa coisa que causa risos e diverte a nação. Adiante, o sociólogo inconformado fala de um desprezo nacional pelo sertão nordestino e sua gente.

Eu, muito humildemente quero divergir das opiniões de Voldi, pois não concordo absolutamente com essa opinião de que a nação vê o nordestino e sua cultura com desprezo e falta de seriedade. Nem tão pouco que o caráter brasileiro será exclusivamente resultante do povo nordestino. Para dar um exemplo bem simples e atual, no Carnaval do Rio de Janeiro, foram homenageados o Rei do Baião Luiz Gonzaga, a literatura de cordel, São Luis do Maranhão, e o escritor Jorge Amado. Entendo que a homenagem foi o reconhecimento do valor cultural da poesia nordestina e do talento dos dois artistas representantes da região. 

Carlos Eduardo
Rio de Janeiro

Um homem de bem... Por:Carlos Eduardo


Carlos Eduardo Gomes

Recentemente comentei aqui no blog Cariri Cangaço um artigo onde Alcino Costa disse que apesar de cangaceiro, Luis Pedro era um homem de bem. Eu não podia concordar com essa afirmação, apesar de estar de acordo com a linha de pensamento do autor, que no meu entender queria dizer que o cangaceiro de Triunfo, apesar de fazer parte do bando criminoso, conservava dentro de si alguns princípios morais que faziam parte do código de valores do sertanejo naquela época.


Refletindo um pouco mais sobre essa classificação de “homem de bem”, gostaria de reafirmar meu ponto de vista, pois um homem de bem é exatamente Alcino Alves Costa. Conheci esse bom amigo no ano de 2000, em Piranhas. Desde essa época assisti várias apresentações do Caipira, como ele mesmo gosta de ser chamado, bem como inúmeras intervenções em outras palestras, conversas informais sobre o cangaço, todas, sempre muito respeitosas, democráticas, sem nunca tentar impor sua verdade. Apesar de Alcino, nascido em Poço Redondo, trazer no seu sangue traços de cangaceiro e das vitimas dos bandoleiros, sempre ouviu o contra ponto, ponderou, sem considerar que por ter crescido entre os que fizeram a história, isso fizesse com que sua versão fosse única e verdadeira. Alcino não se nega a ler e ouvir opiniões divergentes, apesar da critica firme, mas educada. Não discrimina, não é preconceituoso, nunca será autoritário. Não usa antolhos.

No seu livro Lampião Além da Versão, Alcino homenageia seus 34 filhos naturais. Em outro comentário meu aqui no blog, disse que toda família Cariri Cangaço adotou Alcino como pai e hoje além dos  filhos de sangue, o Caipira tem mais uma centena de novos filhos que o adotaram.

Alcino é um homem de bem e jamais seria um cangaceiro, assim como nenhum cangaceiro pode ser chamado de homem de bem.

Carlos Eduardo Gomes
RIO DE JANEIRO

Simbora para outra brigada em outro local... Por:Carlos Eduardo Gomes

Carlos Eduardo Gomes

Foi um grande esforço. O Cariri Cangaço 2011 exigiu um grande sacrifício para acompanhá-lo. Acorda cedo, toma o café a jato, corre para o ônibus, tome estrada. Visitas, palestras, almoço e ônibus de novo. Simbora para outra brigada em outro local. Novamente palestras, filmes, debates, cansaço, fome, sono... amanhã tem mais. Foi assim durante seis dias, intensos em atividades, conhecimento, confraternização, contestações, fotografias, etc.

Apesar do esforço físico, a compensação de estar com os amigos e poder absorver informações que num estudo solitário talvez ficassem desconhecidas, ou subavaliadas, supera o desgaste e dá animo para a reflexão e analise do que foi exposto durante o evento.

Não há duvida de que o Cariri Cangaço vem aprimorando-se a cada ano. 2011 trouxe maior uso de recurso áudio-visual. Lampião não foi abandonado, mas teve a companhia de outros protagonistas. A visita a FLONA Araripe-Apodi mostra que a organização do evento está preocupada com a conscientização de preservar o meio ambiente. Novos parceiros surgiram. A comunidade brasileira dos cangaceirólogos teve maior representação (17 estados). A visita a Porteiras foi inesquecível, uns choraram de emoção, outros estão chorando de saudades. Publico mais exigente, palestrantes melhor preparados, documentados, achando menos e comprovando mais. E a hipótese levantada por Gilmar Teixeira? Eu era cético em relação a essa possibilidade, mas confesso que com tantas coincidências... o assunto ainda vai ocupar muita gente por muito tempo.

Eu comecei falando do cansaço, da fome, do sono, mas esqueci do assunto com tantas outras coisas mais importantes e agradáveis. O Cariri Cangaço é assim: Tem que ter entusiasmo, coragem, algum vigor, mas em troca você sai do Ceará (pra quem é de fora) já pensando na próxima edição.

No meu caso, passei esses dias sem saber que estava com o tendão de Aquiles parcialmente rompido, sofrendo para subir e descer do ônibus, acompanhar a tropa nas visitas e foi bom não saber disso, pois prefiro ficar bom da cabeça e doente do pé.

Agora é a vez do Cariri Cangaço virtual (blog) cumprir sua parte e dar continuidade ao congresso. Mãos a obra! Parabéns a todos, organizadores e participantes.

Carlos Eduardo Gomes

Rio de Janeiro