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O Estado Maior do Cangaço Por:Cicinato Neto

Magérbio de Lucena

Lampião e o Estado Maior do Cangaço - Hilário Lucetti e Magérbio de Lucena - Estudo feito por dois estudiosos do Cariri cearense sobre os maiores nomes do cangaço no Nordeste: Lampião, Luís Pedro, Labareda, Sabino Gomes, Massilon, os irmãos Engrácia, Antônio Matilde, Antônio Ferreira, Livino Ferreira, Jararaca, entre outros.
 
Edição utilizada : 2ª edição, Fortaleza, Gráfica Encaixe, 2004 (a primeira edição é de 1995).
Trecho significativo:
Declarações do cangaceiro Oliveira aos pesquisadores sobre Lampião:
"Durante o tempo que andei com Lampião, quando a gente entrava no Ceará, ele dizia logo: - Coidado, qui é um istado qui eu arrespeito! E ninguém tomava nada de ninguém, não matava ninguém. Lampião não gostava de dar surras, dizia: Prá pegá um pobi, um paisano dizarmado dá u'a pisa, não é vantage prum homi. Vantage prum homi é falá arto prá ôto homi armado! Não se dava bolos. As moças tinham que ser respeitadas. O padre Cícero tinha pedido para ele respeitar moças, senhoras casadas e seus romeiros, dizendo que se fizesse isso, ele morreria velho em sua cama. Quando entrô no Juazeiro, deram-lhe armas, fardamento e a patente de capitão prá deixar aquela vida, mas o governo e a polícia do Pernambuco não deixaram. Lampião dizia:
Ninguém quêra si apossá de muié de vergon'ia o que mi dizibedecê eu atiro pra matá! E se o o cabra teimasse, morria mesmo".
O tratamento dos feridos era uma coisa desmantelada. Lavava-se era com cachaça, pois não havia álcool e colocava-se emplasto de sal com pimenta. Nunca fui ferido, mas vi muito baleado sofrer com ferimento aberto e tendo que andar sem parar, correndo da polícia. Se o ferimento era grande, deixava-se o baleado com algum coiteiro. Quando não tinha jeito, se abreviava a morte do companheiro, a pedido dele mesmo como foi feito com Sabino". (p. 204-5).


Cicinato Ferreira Neto
www.cicinato.blogspot.com

NOTA CARIRI CANGAÇO: Para adquirir um exemplar desta obra de Hilário Lucetti e Magérbio de Lucena, entrar em contato com Professor Pereira, através do email: franpelima@bol.com.br

Padre Cícero e Lampião Por:Cicinato Neto

Cicinato Neto e Manoel Severo

Gostaria também de participar do debate sobre o relacionamento entre o padre Cícero e Lampião. Como pesquisador e estudioso do cangaço, gostaria de ressaltar os aspectos seguintes:


a) Não acredito na hipótese de que o padre Cícero tenha sido o responsável direto pelo deslocamento do bando de Lampião à cidade de Juazeiro em 1926. A presença de Lampião na "Meca do Cariri", na verdade, constituiu-se um grande empecilho para o padre, criticado diariamente nos jornais da capital, especialmente "O Nordeste" por ser um suposto protetor de bandidos. Os homens ligados a Floro Bartolomeu e ao Batalhão Patriótico, encarregados de combater a Coluna Prestes, usaram a influência do sacerdote para conseguir convencer Lampião a ir para o Juazeiro. O padre, desnorteado pelos acontecimentos (Floro agonizava no Rio de Janeiro e morreria logo em seguida), foi incapaz de evitar a chegada dos cangaceiros;

Padre Cícero e Benjamin Abrahão

b) Alguns escritores enfatizam que o padre protegia a família de Lampião em Juazeiro e que, por isso, mantinha contatos diretos com ele. Na célebre visita do cangaceiro, em março de 1926, Lampião teria sido inclusive recebido pelo padre Cícero. Não há provas irrefutáveis de que isso tenha acontecido. Mas, controvérsias à parte, o que se observou é que, no período depois do ano de 1927, ninguém mais falou de algum contato entre Lampião e o Padre. As supostas cartas que o sacerdote enviava ao chefe cangaceiro não foram mais mencionadas. Lampião, vaidoso como era, não deixaria de mencionar, aos quatro ventos, o recebimento de uma carta dessas ? ou não?

c) sobre o relacionamento entre Lampião e o padre Cícero, acho que era o chefe cangaceiro que fazia tudo para alardear uma suposta tolerância do religioso à existência do seu bando. Lampião aproveitava-se do temperamento do taumaturgo e propagandeava isso como um apoio. Na verdade, o padre acolheu multidões e, homem do seu tempo, teve que conviver com facínoras e homens cruéis. O preço a pagar pela sua liberalidade foi ser visto, pelas gerações posteriores, ora como pusilânime, ora como coiteiro, ora como um coronel de batina.

cicinato.blogspot.com
Cicinato Neto
Pesquisador, Escritor
Sócio do GECCO

Relatos e relatos Por:Cicinato Neto

Sou pesquisador do cangaço há muito tempo e confesso que já li ou escutei muitos absurdos sobre algum aspecto ou outro ligado ao instigante tema. Como era de se esperar, as biografias dos cangaceiros mais famosos provocam as maiores polêmicas. É verdade que alguns estudiosos sérios têm se dedicado à ardua tarefa de "separar o joio do trigo", mas, infelizmente, ainda há espaço para opiniões e teses, no mínimo, estaparfúrdias. Alguns autores não gostam de mencionar fontes ou se apegam aos relatos mais frágeis, sem nenhum embasamento.A tese do momento, a polêmica da moda, entre os interessados pelo assunto do cangaço, é a que se refere à suposta homossexualidade do cangaceiro Lampião. Não li o livro do juiz sergipano e não sei quais as fontes que ele usou, mas pelo que já li em textos de colegas, como João de Sousa Lima, Alcino Costa ( na foto ao lado do autor do artigo) e Wescley Dutra, o autor apenas deu importância a relatos desencontrados, muito mais lendas do que qualquer outra coisa. 

Quem estuda detidamente o cangaço sabe que o que existe em demasia, nesse campo de estudos, é a invencionice, a maledicência, o "fuxico", a fofoca, a divulgação de "estórias" sem pé nem cabeça. Em todos esses anos de estudo, não tinha observado, com exceção do livro de Joaquim Góis, alguma referência, por exemplo, a um caso amoroso envolvendo Maria Bonita e Luís Pedro, aspecto também mencionado na obra "O Mata Sete", a qual trouxe toda essa celeuma. Como acreditar nisso agora ?


Mas há uma infinidade de outros disparates sobre cangaço e, especificamente, sobre Lampião. Querem alguns exemplos ?

1) Lampião teria perambulado no Piauí (Surpreendi-me, um dia, ao acessar uma página de uma comunidade de uma rede social, com a notícia do lançamento de um livro com essa intrigante tese. Falava-se até numa batalha da Macambira, com 400 soldados contra menos de 100 cangaceiros. Ora, isso não aconteceu no Ceará no fim de junho de 1927, quando Lampião voltava de Mossoró ? Será que estão aproveitando fatos ocorridos e mudando apenas os locais ?

2) Lampião conhecera pessoalmente o artista Luiz Gonzaga, o rei do Baião (não há, em estudos sérios, quaisquer referências a isso, até onde eu sei).

3) Lampião procurara o coronel Horácio de Matos, na Bahia, e foi um dos seus protegidos;

E assim por diante... São inúmeros os exemplos e faria um texto muito grande se fosse enumerá-los um a um. Não sou radical a ponto de negar completamente a possibilidade de que tais fatos - ou pelo menos alguns deles - tenham acontecido. Só não consigo digerir, aceitar ou entender com facilidade o fato de que eles possam se sustentar na literatura cangaceira, porque não há provas relevantes para atestá-los, nem eles foram levados em consideração por aqueles que estudaram o assunto com responsabilidade e seriedade.

Cicinato Neto
www.cicinato.blogspot.com

Cangaceiros de Elise Jasmin Por:Cicinato Neto

Ivanildo Silveira e Cicinato Neto em dia de Cariri Cangaço

Em 2006, foi publicado o livro "Cangaceiros", da francesa Élise Jasmin. Trata-se de uma edição de luxo, trazendo as fotos conhecidas dos cangaceiros e dos principais componentes de volantes. A maioria das fotos é do acervo de Benjamim Abraão, da década de 1930. Quase todas as fotografias são comentadas pela autora. Destaque para um escrito introdutório do mestre Frederico Pernambucano de Mello. O livro ressalta-se pela beleza e pelo cuidado na sua edição, embora tenha pequenos defeitos, entre os quais a indicação errônea de alguma fotografia ou de algum detalhe como o nome de um cangaceiro.

Estrutura: Texto de Frederico Pernambucano; A Guerra das Imagens; Fotografias de Cangaceiros e componentes das volantes; Comentários sobre as imagens. 

Trecho significativo (edição utilizada: São Paulo, Terceiro Nome, 2006, p. 23-24):
"Enquanto seus predecessores tinham feito de sua existência no cangaço um meio de obter vingança, após 1926 - e, mais especificamente, a partir dos anos 1930 - o grupo de Lampião fez do cangaço um meio de adquirir bens materiais, riquezas, e uma notoriedade que lhe permitia obter respeito de parte da classe abastada da sociedade do sertão e de algumas personalidades da vida pública e política da região. Embora muitos jornalistas fizessem questão de demonstrar desprezo por um grupo de indivíduos que se limitavam a imitar a sociedade do litoral, Lampião e seus cangaceiros exerciam sobre eles certo fascínio, gerado por essa mistura de riqueza, extravagância e barbárie. E, mesmo a contragosto, os jornalistas desempenhariam seu papel, publicando muitas fotografias e falando recorrentemente desses personagens de romance. Não foi por acaso que, em 1936, Lampião aceitou ser fotografado - e, principalmente, filmado - por Benjamim Abrahão. Sempre desconfiado dos jornais que publicavam artigos sobre ele cujo conteúdo não podia controlar, Lampião certamente compreendeu que as fotografias e o filme de Benjamim Abrahão lhe permitiriam impor uma imagem sobre a qual nenhuma intervenção, nenhuma distorção seria possível. E se, por um lado, diversos autores e jornalistas divertiam-se evocando a inabilidade de sua linguagem, que evidenciava suas origens camponesas, sua representação fotográfica e cinematográfica, muda e incontestável, deveria mostrar claramente seu sucesso e o de seu grupo. Benjamim Abrahão desempenhou seu papel e pagou caro: morreu em Águas Belas, Pernambuco, no dia 9 de maio de 1938, com 42 golpes de faca".

Cicinato Neto 
http://cicinato.blogspot.com/

O enigma de Major Moisés Por: Cicinato Neto

"Em agosto de 1927, o jornal fortalezense 'O Nordeste' publicou reportagem sobre a suspeita atitude do Major Moyses Figueiredo quando Lampião voltava de sua frustrada viagem à Mossoró".

A conferência Cariri Cangaço 2011; em Aurora, falou do mistério sobre a participação de Isaías Arruda e Major Moysés Figueiredo em trama contra Lampião. Havia também suspeita de que Lampião tinha sido beneficiado pela "omissão" dos dois. Mais um grande enigma do cangaço.

Cicinato Ferreira Neto
http://www.cicinato.blogspot.com/

Nota Cariri Cangaço: No blog de nosso estimado amigo Cicinato Neto, temos breves considerações sobre livros clássicos do cangaço e da história nordestina em geral. Reveladas também algumas informações provenientes que pesquisas que o mesmo realizou , vale visitar.

No meio deles, sou apenas um aprendiz Por:Cicinato Neto

Cicinato Neto e Manoel Severo em noite de Cariri Cangaço 2011


Infelizmente não pude participar de toda a programação do III Cariri Cangaço, mas fiquei muito satisfeito em assistir às conferências de Aurora

e Barbalha. Como ocorreu nos dois anos anteriores, o evento foi marcante. Boa organização, oportunidade de encontrar os pesquisadores do cangaço, clima de harmonia e de festa, dinamismo, tudo contribuiu para consolidar o Cariri Cangaço como um evento indispensável para todos nós.

Novamente Severo e Danielle estão de parabéns. Aos amigos pesquisadores o meu reconhecimento. Eventos que podem contar com a presença de Antonio Amaury, Juliana Ischiara, Aderbal Nogueira, Ângelo Osmiro, João de Souza Lima, Professor Pereira, Ivanildo Silveira, Antônio Vilela (entre muitos outros) só podem ter muito sucesso. Gostaria de dar um abraço fraternal em todos os que fazem essa grande comunidade a qual, ano a ano, enriquece o nosso Cariri cearense. No meio deles, sou apenas um aprendiz.

Cicinato Ferreira Neto
Sócio do GECC
Pesquisador e Escritor

Novo Blog na praça, Cicinato Neto.com

Barros Alves,  Antonio Vilela, Angelo Osmiro e Cicinato Neto, em visita a Fazenda Piçarra, em momento Cariri Cangaço

É com muita satisfação que convidamos a todos para visitarem e conhecerem a página na internet, de nosso confrade e amigo, sócio do GECC; pesquisador e escritor,
Cicinato Ferreira Neto.


Produção Cariri Cangaço