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A construção discursiva de personagens históricos Por:Wescley Rodrigues

Wescley Rodrigues

Mais uma vez vem a baila o livro do ex magistrado Pedro de Morais, intitulado “Lampião, o Mata Sete”, que afirma ter sido o “Rei do Cangaço” um homossexual que viveu um triângulo amoroso e uma relação de fachada com Maria Bonita e Luiz Pedro, seu lugar tenente. As opiniões a cerca da obra são acaloradas, uns criticam, outras tratam-na com ar jocoso, e ainda há aqueles que a demonizam na tentativa de criar uma barreira para que os leitores não tenham acesso a tal produção. A priori deixo claro que não estou aqui para fazer uma defesa do livro em questão, mas para propor um novo olhar que historicamente, sociologicamente e antropologicamente estamos esquecendo, ou não queremos tirar as nossas vendas do comodismo para vislumbrá-la.

Primeiramente é bom salientar que sou completamente contrário a qualquer forma de censura a livros, vivemos em uma sociedade e estado democrático de direito, na qual a liberdade de expressão é princípio elementar que depõe a favor da dignidade da pessoa humana. Só porque um livro vai contra os nossos princípios ou as ideias que temos como verdadeiras, isso não nos autoriza a censurá-lo, pois ao fazermos tal, não estaremos longe do que fez a Igreja Católica com a sua lista de livros proibidos, ou a ditadura militar brasileira que impediu a circulação de toda obra que atentasse contra os seus princípios distorcidos de sociedade.


Não li na integra a obra do referido escritor, haja vista diretamente não poder criticá-lo ou elogiá-lo, mas confesso que pretendo ler, ao contrário da repulsa que alguns amigos pesquisadores do cangaço estão tendo com a obra, pois acredito que só através de uma minuciosa leitura é que estarei gabaritado para fomentar e construir as minhas análises de forma consistente sobre o escrito.

Mas para não me alongar na ideia apresentada, trago ao foco uma questão importante, essa diz respeito à fabricação dos personagens históricos. Antes de Lampião e seus cabras serem protótipos do Nordeste ou da sua dita masculinidade, cabras machos, de fibras, eles são produtos e sujeitos históricos. Como sujeitos históricos são fabricados, construídos, mediante discursos e narrativas. Falo isso por não acreditar em uma verdade histórica, mas uma verossimilhança, uma interpretação autorizada pelos documentos de um passado que já foi, o qual não poderemos resgatá-lo, somente interpretá-lo, representá-lo, mediante os vestígios que chegam ao presente. Essa é uma concepção que atenta de frente contra a teoria positivista de história que ainda vigora na atualidade.


Por ser uma figura histórica que é ditos por um corpus escriturário, Lampião é essa figura que congrega discursos, representações. O livro do Pedro de Morais ajuda-nos a entender um pouco dessas facetas narrativas que os mitos em torno das figuras históricas constroem. Esses são discursos que trazem em si a marca de seu lugar de produção. Por isso, conclamo os amigos a lerem a obra “Lampião, O Mata Sete”, não como um livro de história no sentido positivista, mas, como diriam os teóricos da história francesa, uma vertente de resignificação de personagens históricos a partir de propagandas de épocas distintas, uma página de entendimento de como a fabricação de um mito envolve polêmica e opiniões nem sempre comprováveis, mas que vão tornando-se válidas a partir de sua resignificação simbólica e infiltramento no imaginário e cultura histórica. Tal fabricação de personagens se deu com Napoleão, Hitler, Jesus Cristo, Delmiro Gouveia, Antônio Conselheiro, Padre Cícero, e tantos outros personagens históricos.

Acredito na necessidade de se abri um espaço no Cariri Cangaço 2012 para se debater tais questões fazendo um paralelo com o livro abordado há pouco.

Prof. Ms. Wescley Rodrigues
Sócio da SBEC
Sousa - PB  

Padre Cícero no panteão dos homens Por:Wescley Rodrigues

Wescley Rodrigues

Novamente o grande mestre Alcino, homem de fibra e arguição sem precedentes, nos brinda com um dos seus textos (ver postagem abaixo) , agora abordando um tema que para nós, estudantes da história nordestina, é muito caro e gera dificuldades em ser abordado devido o grau de polêmica e contradições que o envolve. Falar da figura do Pe. Cícero é debruçasse sobre toda uma realidade social e cultura que passava o Nordeste brasileiro em fins do Império e início da República.

Assim como o amigo Alcino, sou um pouco suspeito a falar do personagem do padre, pois por muito tempo despojei-o da áurea de santidade para colocá-lo no panteão dos homens de sua época que davam suporte a República Velha e ao poder das oligarquias. No entanto, como nenhuma concepção é cristalizada na história, porque pode cair no risco de se tornar dogma, atualmente estou revendo o meu conceito a respeito do dito “santo de Juazeiro” e como Alcino mesmo falou, o maior milagre do padre foi o Juazeiro do Norte.

Pedindo licença ao nobre amigo escritor, só faria uma ressalva. Discordo plenamente da ideia apresentada a respeito da Teologia da Libertação, pois essa imagem foi a imagem que uma elite nacional ligada a Igreja Católica quis proliferar. A Teologia da Libertação antes de tudo foi um grito dos excluídos, uma nova forma de vivenciar o catolicismo sem as amarras de cultos pomposos, vestes cobertas de requetrefes. Pregavam que a fé deveria se aproximar mais dos populares, que a Igreja deveria ser mais atuante nas causas populares, que o Cristo não é somente o dos altares, mas o Cristo se fazia vivo na figura de cada irmão que sofre e necessita de amparo e ajuda. Era necessário essa opção preferencial pelos pobres, coisa que a Igreja Católica só fará após o movimento da Teologia da Libertação. Sendo assim, demonizar esse movimento renovador é continuar realimentando um distanciamento entre a Igreja e os seus fiéis, proibindo que os pobres tenham o seu lugar dentro dessa instituição.

Cordial abraço

Prof. Ms. Wescley Rodrigues
Brasília - DF

Aristéia, fonte de vida e experiência Por:Wescley Rodrigues

João de Sousa, Lili, Wescley e Aristéia

Fiquei surpreso quando, na tarde do dia 28 de janeiro, abri o email enviado pelo amigo e pesquisador João de Sousa Lima, comunicando o falecimento da ex-cangaceira Aristéia. Logo me veio a memória o início do mês de junho de 2011, quando tive a oportunidade de conhecer aquela mulher de uma grandeza e força inquestionável, e a fragilidade de uma menina no auge dos seus 98 anos. Essa é uma boa lembrança que Fortaleza me deixou como marca indelével.

Não sei ao certo distinguir os sentimentos que se misturavam e imbricavam naquele momento, apesar da experiência enquanto historiador, as teorias a respeito das fontes e documentos, eu via naquela mulher mais do que uma ex-cangaceira, mais do que uma fonte para compreender o fascinante e complexo mundo do cangaço.

Como nos lembra o filósofo Walter Benjamin, aquela era uma fonte de experiência, um livro que nunca será escrito devido a sua complexidade, um livro que nunca será lido e compreendido no seu todo devido a sua profundidade. Temos que nos contentar, enquanto historiadores, curiosos, pesquisadores e estudiosos do cangaço, com os pequenos vestígios que vão sendo deixados, haja vista a vida humana ser muito mais do que podemos entendê-la e condensá-la em palavras.


As experiências vivenciadas por Aristéia naquele meio áspero do cangaço, que ela fazia questão, inúmeras vezes, de salientar que aquela era uma “vida de cão”, sofrimento, que não guardava nenhuma saudade daqueles tempos idos, infelizmente morreu junto com ela. Mais uma fonte de história e vida se esgotou, resta-nos satisfazer-nos com os seus depoimentos, em linguagem simples, por vezes tímida, pragmática, mas com uma riqueza inquestionável. Alguns pesquisadores questionam a importância daquela mulher para o cangaço, haja vista não ter tido uma participação efetiva no meio do bando e ter passado pouco tempo no conviveu dos cangaceiros, relegando-a a um patamar inferior. No entanto, sempre questionei essa visão, pois, como nos é ensinado nos bancos acadêmicos, não podemos hierarquizar fontes, fontes são fontes, cada uma com suas peculiaridades, limitações e riquezas.

O grande valor daquela mulher foi, sem sombra de dúvidas, a sua experiência. Talvez muitos pesquisadores não davam-lhe grande crédito porque ela não dizia o que nós queríamos escutar, ela não fazia apologia ao cangaço, revestindo-o com as vestes do heroísmo, mas não cansava de afirmar a miséria daquela vida, o quanto aquilo era ruim, depoimento que acaba convergindo para o que afirmavam as ex-cangaceiras Sila e Adília.
Durante as mais de duas horas que passei conversando com dona Aristéia no quarto daquele hotel, entre risos, lágrimas, raiva e dor, pude beber daquela fonte, deleitar-me com tanta sabedoria advinda daquela mulher já marcada pelo tempo, com o corpo frágil e as rugas que dava-nos a dimensão do tempo vivido por ela e da credibilidade de suas palavras.

Lembrava com saudade das comidas do cangaço, talvez única lembrança boa guardada na sua memória referente ao tempo de bandoleira, de como os cangaceiros cozinhavam bem. Revirando os escombros da sua memória trazia a tona o cheiro dos perfumes usados sob aquele sol escaldante das caatingas sertanejas. Parecia está novamente tendo em mãos aqueles frascos com odores de um passado remoto. Eis a riqueza da memória, primeira guardiã da história, primeira forma de história, sem rigidez de método, técnica, rigor acadêmico, mas sim seguindo as suas próprias nuanças, as do tempo vivido, das experiências. Resta-nos apenas a lembrança daquela mulher e a alegria de um dia ter os nossos caminhos se cruzado. Que o repouso eterno possa trazer-te a paz que tanto almejavas, sem dores, sofrimento e perseguição. Fica a saudade!

Prof. Ms. Wescley Rodrigues 
Sousa -PB

Sem método é muito difícil se construir uma história Por:Wescley Rodrigues

Wescley Rodrigues

Acaba de ser lançado, na capital de Sergipe, o livro “Lampião, o mata sete”, de autoria do ex juiz de direito Pedro de Morais. Em linhas gerais, a obra, segundo relato da mídia, versa sobre um possível triângulo amoroso entre Lampião, Maria Bonita e Luiz Pedro. Nas pesquisas do autor ele chegou a conclusão de que Lampião tinha sido atingido por uma bala no seu saco escrotal que fez com que este ficasse impotente.

Mas o interessante na obra não é esse ponto, mas sim o que diz respeito a afirmativa que seria Lampião homossexual, sendo que todos os casos que ele teve com mulheres ao longo de sua vida era apenas para ludibriar o meio social em que ele estava. E Maria Bonita? É apresentada como uma mulher perversa, intrigueira, que apenas era uma espécie de “cobaia” para maquiar a homossexualidade do dito “Rei do Cangaço”.

Há ainda outra peculiaridade na obra, essa diz respeito a Luiz Pedro, homem de confiança de Lampião, que na verdade não passava do amante do líder cangaceiro, sendo o ativo nessa relação, praticando atos sexuais tanto com Lampião como Maria Bonita. Frente a isso, me vêm a mente algumas questões interessantes que como historiador e estudioso do cangaço não poderia deixar passar despercebido.

Não canso de dizer que na história do cangaço e nas pesquisas desenvolvidas, muitos escritores esquecem de que qualquer trabalho histórico precisa de um método, método que possa dá caráter de cientificidade a produção e ajude a elucidar as lacunas dos fatos do passado. Sem método é muito difícil se construir uma história que prime pela verdade ou pelo menos pela verossimilhança. O método não é algo somente de acadêmicos ou daqueles que são portadores de um diploma universitário e fazem da história um ofício, mas o método é uma espécie de rota que faz com que não nos percamos no meio do arsenal de informações que vamos adquirindo ao longo das pesquisas.

Outro elemento preponderante são os documentos, eles são a alma das pesquisas históricas, sejam documentos oficiais, relatos orais, fotografias, mapas, gravuras, etc. Eles possibilitam-nos falar não de forma aleatória, mas nos dão um respaldo, nos servem de pilar para fazermos afirmativas a partir do nosso lugar social de escritores. No entanto, apesar de serem importantes para as pesquisas, não podemos nos deixar levar por eles, pois nem sempre eles são detentores de verdades. Os documentos, como nos ensina o método histórico, devem ser questionados, problematizados, debatidos. Devemos conversar com esses documentos e também entender o lugar de sua produção e construção. Assim, nem todo documento só por ser histórico contem a verdade ou uma verossimilhança.

Pois bem, depois dessa explanação reflitamos um pouco a obra referendada acima. O autor afirma que para a elaboração da mesma ficou no campo das conjecturas, não tendo como ter acesso a fontes primárias, o que já coloca o trabalho em um patamar extremamente problemático. Para a história é preciso de provas, não só fazer ligações, acreditar em hipóteses. Ou você parte da hipótese a prova documental, ou é melhor se calar, pois isso já foge completamente do que se entende hoje como história. Tal afirmativa da homossexualidade de Lampião e do seu poliamor é problemática, pois não se tem documentos palpáveis em que se possa afirmar tal ideia. Qualquer trabalho que fale do passado tem que entender a temporalidade do período estudado, e até onde me consta - não estou afirmando que não tinha -, a homossexualidade no sertão nordestino era um tabu nas décadas de 1920, 1930 e 1940. Ainda não tínhamos passado pela revolução sexual, os homossexuais eram tratados como doentes que precisavam de tratamento, e nesses usavam-se métodos de “cura” extremamente desumanos, como por exemplo eram trancados em manicômios, passavam por tratamentos de choque, eram agredidos por serem tratados como sujeitos sem moral que precisavam ter a sua conduta reabilitada a partir da agressividade.

O fato de Lampião ter voz afeminada, traços e atitudes mais “finas” para aquele meio “áspero” em que viviam – não estou afirmando um “determinismo geográfico” – não vêm a provar que ele era homossexual, pois é uma evidência muito pobre para se lapidar tal afirmativa. O problema em questão não é se ele era ou não era gay, mas a problemática está em não termos as provas documentais que prove isso, o que impossibilitaria de fazermos tal afirmação, até porque sua sexualidade não mudaria em nada o papel que ele desempenhou na história, até porque o que ele fez ou deixou de fazer no meio da caatinga com Luiz Pedro e Maria Bonita, só dizia respeito a eles.

Fora essa afirmativa que é comum na literatura sobre o cangaço de que Lampião era mais delicado nos traços e político no falar e se relacionar, não há nenhuma prova documental até o presente momento que comprove a sua impotência e homossexualidade, até porque em uma realidade social extremamente fálica, onde o culto a masculinidade se ligava ao genital, como tão bem trabalho o historiador Durval Muniz de Albuquerque Júnior, no mínimo era vergonhoso para o sujeito impotente sair espalhando a sua incapacidade de “expelir sementes” e ter ereção.

Concordo com o autor Pedro de Morais quando ele afirma ter por parte dos estudiosos do cangaço uma supervalorização da figura dos cangaceiros e do próprio Lampião que era bandido. Mas temos que entender que essa imagem também é uma construção histórica, daí teríamos como função entender porque de bandido ele passou a ser exaltado, quais os interesses que estariam nivelados em tal mutação representacional. O fato dele ser “bandido” não desqualifica a sua história, pois tanto os bandidos da caatinga, quanto os das favelas, o do congresso nacional, como os generais do exército ou os líderes religiosos católicos, protestantes, judeus ou mulçumanos, são seres históricos e precisam ser entendidos e historiados dentro de sua realidade. Não podemos marginalizar a imagem dos cangaceiros só por eles serem bandidos, mas temos que ter cuidado com essa supervalorização, que devem ser entendidas pelos estudiosos.

Mais do que nunca clamo aos estudiosos do cangaço que respeitem o passado e a história, respeitem os documentos, questionem as verdades, “nem tudo que parece, é”, como diz o ditado popular. Fazer história é lidar com vidas, vidas que deixam memórias que precisam ser respeitadas. É preciso ter um respeito para com o passado, como também para com os vivos do presente que merecem ter pelo menos uma aproximação do que é a verdade.

Prof. Wescley Rodrigues
Brasília – DF

Um monumento aos acontecimentos de Angico Por:Wescley Rodrigues

Wescley Rodrigues

Acabo de ler o livro “Lampião – Sua morte passada a limpo”, dos pesquisadores José Sabino Bassetti e Carlos César de Miranda Megale. Confesso que me surpreendi com a qualidade e a riqueza da obra. Como apaixonado pelo cangaço, que fez dessa paixão objeto dos meus estudos históricos, tenho acompanhado há alguns anos a produção bibliográfica que é publicada sobre a temática, e tenho que confessar que me surpreendo como estamos envoltos por obras extremamente pobres, repetitivas e, por vezes, que distorcem os acontecimentos criando causos e inverdades. Mas essa é a dinâmica do mercado, notoriedade, fama, e a possibilidade de alimentar o ego com o “título” de escritor.

No entanto, a referida obra, na minha opinião, se enquadra no seleiro das melhores já produzidas sobre o tema cangaço e, consequentemente, sobre o fatídico amanhecer de 28 de julho de 1938, dia em que o “Rei do Cangaço” teve a sua morte decretada, como também o cangaço recebeu seu golpe certeiro que levaria a desintegração e o seu extermínio posteriormente.

A priori pensava o que poderia apresentar de novidade naquelas páginas, haja vista tanto já ter sido falado a respeito de Angico e nenhuma conclusão palpável ter se chegado, sendo questionado até mesmo a morte de Lampião, a única certeza que poderíamos ter. Mas ao abrirmos as páginas dos livros, os nossos olhos vão passeando por uma narrativa extremamente rica, gostosa, e fácil. Sem teorias mirabolantes, sem conjecturas sem fundamentos, os autores vão trazendo versões e questionando a veracidade de tudo o que já foi dito usando para isso simplesmente a razão, despojando-se do seu amor pela temática e comprometendo-se com a verdade.

Ângelo Osmiro, Narciso Dias, João de Sousa, Wescley Rodrigues, Ivanildo Silveira e Antônio Vilela, no Cariri Cangaço 2011

Presenteiam-nos com uma obra rara que condensa toda a discussão que ao longo desses 73 anos vem desafiando a história com os seus caminhos tortuosos, suas lacunas e perguntas sem respostas. As versões vão emergindo naturalmente, e com a maestria dos escritores eles conseguiram retirar dessas conjecturas as próprias contradições que desqualificariam a versão.

Acredito que a razão foi o ponto fulcral da obra, o olhar dos pesquisadores não se voltaram para o “achismo”, não se deixaram levar pelos depoimentos puro e simplesmente, mas questionaram as fontes, problematizaram, usaram métodos distintos para chegar a resolução dos problemas, exemplo que deve ser seguido por qualquer pesquisador do cangaço antes de lapidarem as suas obras, pois só através dos pressupostos do método historiográfico com crítica as fontes, fidelidade aos objetivos, imparcialidade, despojamento do amor pela temática, por mais difícil que isso seja, conseguiremos construir obras sólidas, que não só encantem o leitor, mas traga a tona a verdade, ou pelo melhor a verossimilhança do acontecido. Só assim vamos construindo o conhecimento e esclarecendo cada vez mais as tortuosas lacunas que ainda teimam em nos desafiar.

Prof. Ms. Wescley Rodrigues Dutra
Brasília - DF

As palavras chegam a ser insuficientes Por:Wescley Rodrigues

Wescley Rodrigues, Lili e Danielle Esmeraldo

O que falar do Cariri Cangaço depois de tantos depoimentos magníficos narrando, por meio de experiências vivenciadas, toda a grandiosidade desse evento que já se configura como o maior do gênero no país? As palavras chegam a ser insuficientes e pobres para expressar quanto de grandioso, construtivo, divertido é o Cariri Cangaço. Não é só mais um evento que busca elucidar fatos históricos, vai além, é um encontro de amigos, uma família unida em torno de uma temática e paixão comum: o Cangaço.

É oportuno recordarmos a lapidar frase de Tristão de Ataíde que dizia: “A primeira condição para se realizar alguma coisa, é não querer fazer tudo ao mesmo tempo”. E assim, o curador do Cariri Cangaço, o gentry Manoel Severo, foi construindo um evento a pequenos passos, mas com a grandeza das grandes iniciativas.

O Cariri Cangaço já nasceu grande! A cada edição temos a oportunidade de descortinar um pouco das belezas do cariri cearense, um mundo que se abre ao deguste e desejo dos nossos olhos de esmiuçar o novo. As riquezas naturais unem-se a simpática do povo e a sabedoria que emana da fonte perene que é o Cariri Cangaço, matando a nossa sede de conhecimento e gestando no nosso âmago o desejo que logo chegue o ano de 2012.

Cada momento é marcante, seja durante as visitas técnicas que ajuda-nos a desbravar a riqueza natural e cultural do cariri, os debates acalorados nos quais permanece, apesar das divergências de opiniões, o respeito mútuo e a admiração; e as alegrias do translado de uma cidade para outra, cujos ônibus tornam-se celeiros de socialização e troca de experiências.

Não tem como ficar indiferente ao Cariri Cangaço, tratá-lo como mais um evento sobre o cangaço, ele é muito mais do que isso, é um projeto grandioso demais para enquadrar-se somente na categoria de evento cultural, é o reencontro de uma família, e o florescer de novos conhecimentos.

Resta-nos somente agradecer do fundo dos nossos corações a toda equipe do amigo Severo e Daniele pelo esforço, dedicação, acolhimento, respeito e ajuda. Vocês são partes essenciais, “pontos de luz” que guiam esse maravilhoso evento. Marcas indeléveis vocês deixaram nas nossas memórias e lembranças. Como nos lembra Sartre: “O homem não é nada mais do que aquilo que faz a si próprio”, e vocês se fizeram merecedores do nosso carinho e admiração. Com minhas saudações cangaceiras e meu abraço fraterno,

Prof. Wescley Rodrigues

Brasília - DF

Cariri Cangaço, onde conhecimento, sabedoria e fraternidade se encontram Por:Wescley Rodrigues

Confraria Cariri Cangaço

Nos aproximamos de mais uma edição do Cariri Cangaço. Entre os dias 20 a 25 de setembro, os olhares e perspectivas dos amantes da história regional nordestina se voltam para o Cariri cearense, objetivando beber da fonte abundante de conhecimento que jorrará dessas terras férteis nos seus vários aspectos.

Com um tema instigante: “Da Insurreição a Sedição”, pretende-se aprofundar os debates sobre um dos acontecimentos mais inusitados da historia cearense, mas tão pouco conhecido no âmbito regional. Falar do cariri cearense é, antes de tudo, falar de história. Região onde o arcaico e o moderno se encontram em uma perfeita harmonia. Local de fé exacerbada, crendices fascinantes e mitos que desafiam a nossa racionalidade.

Sob o signo da fé popular e do misticismo surgiu uma micro região fincada em um homem, o padre Cícero Romão Batista. O Ceará não teria tal projeção nacional e até mesmo internacional se Cícero Romão Batista não tivesse existido naquelas paragens e feito do seu ministério religioso um dos mais contraditórios de nossa história.

 Confraria Cariri Cangaço

Na sua terceira edição, sob a idealização de Manoel Severo, acompanhamos de perto a construção de uma história de sucesso. Um evento que não para e, durante os 365 dias do ano, é pensado carinhosamente, para acolher de forma magistral, os maiores nomes e curiosos sobre a temática do cangaço e demais fatores responsáveis pela formação da História do Nordeste e da nordestinidade.

Ao mesmo tempo em que se pensa na grandiosidade do evento, também, inevitavelmente, levantam-se as críticas em torno do mesmo. Os eventos que se voltam para a temática do cangaço e do banditismo em geral, sempre são passivos de concepções críticas de que estão fazendo apologia ao banditismo. De maneira alguma devemos encarar por tal perspectiva, haja vista que, o que seria da história se pesquisadores não tivessem se debruçado sobre as atrocidades cometidas por Hitler ou pelos Cruzados? Teríamos perdido muito.

 Wescley Rodrigues entre os confrades Cariri Cangaço
A nossa história é feita por sangue, barbárie e destruição. Já dizia Walter Benjamin, “todo monumento da nossa história é monumento de barbárie”. No entanto, estudar esses fenômenos é abrir luz para o presente, possibilitar que verdades sociais venham a tona, evitar que os erros do passado sejam cometidos.

Pensar o Cariri Cangaço é, analogicamente, visualizar uma porta aberta para o saber, com seus méritos e defeitos, mas, antes de tudo, com o intuito de enriquecer o conhecimento e a nossa história. Se iniciativas como essa fossem encabeçadas em múltiplas regiões, teríamos um salto substancial nas pesquisas históricas. Assim, ficamos ansiando o momento de reencontrar os confrades antigos e abraçar de forma acolhedora os novos amigos que se juntam a família.

 

Cordial abraço e saudações cangaceiras!

Prof. Wescley Rodrigues
Brasília - DF

Guardiões da memória do cangaço Por: Wescley Rodrigues

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 Wescley Rodrigues ao lado dos amigos Kiko Monteiro, Juliana Ischiara e Narciso Dias, em noite de Cariri Cangaço

Meus nobres amigos e confrades, saudações cangaceiras!
Depois de quase três anos de muito trabalho, pesquisas e dores de cabeça, consegui concluir a minha dissertação de mestrado intitulada: 
“Nas Trilhas do Rei do Cangaço e de suas Representações (1922-1927)”,
defendida pelo Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Federal da Paraíba.
Após esse longo período, é oportuno fazer um balaço do quanto foi gratificante a produção/construção desse trabalho, apesar de todos os percalços da pesquisa, as inconstâncias, pressões e medos os quais se abateram sobre mim. Um ponto bastante positivo, que sem sombra de dúvida ficará marcado nas minhas lembranças, diz respeito aos inúmeros amigos que cruzaram no meu caminho e fizeram o diferencial. Como costumo dizer, e expressei na minha dissertação, esse trabalho foi feito por muitas mãos, mãos amigas, guerreiras e solidárias que me ajudaram por meio do acesso a documentos, livros, sugestões, críticas, não sendo um trabalho somente meu, mas em parte o mérito também pertence a eles(as). Resta-me, então agradecer a toda essa família que gentilmente me acolheu e me enriqueceu como pesquisador, historiador e pessoa. As marcas deixadas por vocês na minha vida são indeléveis; o respeito e admiração serão uma constante. Poucos fenômenos da nossa história têm tantas pessoas dedicadas em guardar a memória dos feitos, acontecimentos e fatos, sendo que, eu considero a SBEC e seus membros como verdadeiros guardiões da memória do cangaço, tendo cada pesquisador as suas peculiaridades, especificidades, méritos e limitações.
Muito obrigado por tudo, por terem entrado comigo nessas “íngremes trilhas do Rei do Cangaço” e terem carinhosamente me acolhido nessa família ímpar.

Um abraço fraterno e fiquem com Deus!
Prof. Wescley Rodrigues
Brasília - DF
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