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Angico: A história revisitada Por:João de Sousa Lima

João de Sousa Lima e Antônio Vilela
Dia 1º de abril de 2012, um domingo de Ramos, dia de oração para muitos fieis e por outro lado o que em nossa cultura comemora-se “Dia da Mentira” serviu para tornar verdadeira a história, sendo reconhecido um capítulo que por muito tempo se manteve sem o seu devido valor.   Lembro que tudo começou em 2008 quando Eu, Vilela e a equipe jornalística do Diário do Pernambuco, em visita para gravar uma entrevista com Antonio Vieira, soldado de volante e que residia na cidade alagoana de Delmiro Gouveia, prometemos ao velho combatente que iríamos realizar uma homenagem ao seu amigo de farda e companheiro de batalha, o soldado Adrião Pedro de Souza, que foi o único policial que morreu quando do confronto que matou o cangaceiro Lampião e mais dez companheiros incluindo sua mulher, a famosa Maria Bonita.
Em março de 2011 durante o evento do Centenário de Maria Bonita acontecido também na cidade alagoana de Piranhas, quando lá chegou o grupo de pesquisadores, escritores e estudiosos do tema cangaço oriundos de Paulo Afonso, fomos apresentados a Décio Canuto, neto do soldado Adrião e que tinha vindo de Maceió pra participar do evento e falar da possibilidade dos escritores realizarem a homenagem ao seu avô. Falamos para Décio que esse era um projeto meu e de Vilela e que vínhamos amadurecendo desde 2008, falando inclusive da promessa feita a Antonio Vieira. Vilela ficou encarregado de colher mais informações com os familiares de Adrião e que ainda residiam próximos a sua cidade Garanhuns.

A Placa que resgata a memória de Adrião
Depois de quatro anos do compromisso firmado com Antonio Vieira a promessa foi cumprida. Dia 1º de abril de 2012 saímos de Paulo Afonso, Eu, Jadilson Ferraz, Edson Barreto, Elaide Barreto e Evelin Barreto. De Garanhuns veio Vilela, sua esposa Da Paz, seu filho Hans Lincoln, a nora Soraya Crystina e o pesquisador de São Bento do Una, Edvaldo Primo.    Chegamos ao porto de Piranhas, embarcamos na canoa “O Cangaceiro”, comandada por Célio e descemos o Rio São Francisco até a Grota do Angico.Na Grota, lateral a pedra onde se situa a homenagem aos cangaceiros escolhemos uma pedra e fixamos a cruz e a placa com o seguinte texto:
Desempenhamos nossa obrigação e retornamos com a confiança do dever exercido e com a certeza da reparação histórica que por tantos e tantos anos ficou como lacuna sobre o capítulo acontecido naquela manhã fria de 28 de julho de 1938. Agora descanse em paz Adrião Pedro de Souza, descanse em paz Antonio Vieira.
Que os remanescentes de Adrião possam se orgulhar dos atos de suas últimas horas de vida, que a policia em seus arquivos resguarde o mérito desse brioso guerreiro, que a história lhe atribua o respeito merecido informando pontualmente que na Grota do Angico doze pessoas (e não onze) tombaram sem vida naquele fatídico dia frio.
João de Sousa Lima
Sóico da SBEC, Conselheiro Cariri Cangaço
www.joaodesousalima.blogspot.com

Vem aí mais um documentáro sobre Maria Bonita Por:João de Sousa Lima

Gilmar Teixeira, Fiego Antunes, João de Sousa Lima e Edson  Barreto

Maria Bonita é tema de um documentário que está sendo realizado pelos formandos em jornalismo  Louise Farias e Diego Antunes, com assessoria histórica de João de Sousa Lima e Gilmar Teixeira. O vídeo intitulado "Nas terras de Maria" narra a passagem do cangaço na cidade de Paulo Afonso, dando um enfoque principal nas mulheres cangaceiras. O professor Edson Barreto e outras personalidades que estudam  a temática estão entre os entrevistados no vídeo e já estamos aguardando o lançamento para os próximos meses. 

João de Sousa Lima
Sócio da SBEC, Conselheiro Cariri Cangaço
www.joaodesousalima.blogspot.com

Existia amor no Cangaço ? Por: João de Sousa Lima

Ex-Cangaceira Durvinha e João de Sousa Lima

Ouvindo uma das entrevistas da cangaceira Dadá realizada pelo escritor Antônio Amaury, a cangaceira fala sobre Corisco, do ódio que a princípio sentiu dele pelo estupro, porém diz que depois foi se enamorando do cangaceiro, do seu carinho para com ela, do seu tratamento cordial. Dadá foi aprendendo a conviver com o homem que no começo sentiu rancor e por ele depois se apaixonou, no depoimento ela diz que Corisco foi o grande amor dela, que ela mesmo estando casado com outro, sonhava sempre com o cangaceiro, nos sonhos sentia cheiro de flores, sonhava com os longos cachos dos cabelos do amado, Corisco deixou em seu coração um amor que jamais foi esquecido.

A cangaceira Durvinha foi apaixonada por Virgínio, com ele seguiu para o cangaço com a penas 15 anos de idade e viveu um grande amor. Durvinha morreu dizendo, mesmo estando na presença de seu companheiro moreno, que Virgínio foi um grande amor em sua vida. Quando estive com Durvinha pela primeira vez;  passei 30 dias a seu lado; convivi no seu dia a dia e pude confirmar que ela dedicou um grande amor a Virginio e por ele foi muita amada, ela me confidenciou também que sempre sonhava com o famoso cangaceiro.


Durvinha ao lado de seu grande amor: Virgínio

Em um depoimento deixado por Sila ela falou que nunca foi amada no cangaço, porém esse foi um depoimento isolado e os depoimentos isolados não dão créditos para afirmativas históricas que possam se pensar como definitivas,ou seja, não se pode mudar o curso da história apenas por um depoimento, ele tem que fazer parte do contexto, ser analisado, pensado, discutido, porém nunca tomado como um sentimento definitivo generalizando um fenômeno que foi tão diversificado e ao mesmo tempo tão distinto.

No cangaço houve amor sim e posso provar através dos inúmeros depoimentos que tenho gravados, palavras de mulheres que conviveram e viveram as dores e os amores do cangaço!!!


João de Sousa Lima
Paulo Afonso-BA
Sócio da SBEC, ALPA e UNEHSH
Conselheiro Cariri Cangaço

Gato, o mais cruel cangaceiro Por:João de Sousa Lima

Jackson, interprete de "Gato", filme de João de Sousa Lima


Santílio Barros era o verdadeiro nome do cangaceiro Gato e não se tem na história do cangaço, outro homem que tenha sido tão sanguinário, perverso e frio como foi este cangaceiro. Era filho de Ana ( Aninha Bola) e Fabiano, um dos sobreviventes da guerra de Canudos, seguidor do reverenciado beato Antonio Conselhereiro. Era índio da tribo Pankararé.

Alem de Gato, duas irmãs sua foram pro bando: Julinha, amante de Mané Revoltoso e Rosalina Maria da Conceição, companheira de Francisco do Nascimento, o cangaceiro Mourão.

Mourão mesmo sendo cunhado e primo de Gato, acabou sendo morto por ele, depois que Mourão e Mormaço acabaram uma festa, acontecida no Brejo do Burgo, onde deram alguns tiros colocando a população em pavorosa fuga, Gato sendo cobrado por Lampião que pediu providências por ser o pessoal de sua família, perseguiu e matou os dois companheiros enquanto eles pegavam água em um barreiro, em um dos coitos no Raso da Catarina.  Mourão deixou Rosalina grávida e desta gravidez, nasceu Hercílio Ribeiro do Nascimento, ainda vivo e residindo no Brejo do Burgo.

Gato por pouco não matou sua própria mãe por esta ter feito comentários sobre as constantes passagens dos cangaceiros por sua casa. Gato foi até a casa da mãe com a finalidade de corta sua língua, quando foi dissuadido por alguns familiares do macabro intento, mostrando pra mãe dois facões e dizendo: Este aqui é o cala boca corno e este é o bateu cagou!  
   
Gato ainda matou sete pessoas de sua família, em represália a um sumiço de bodes e cabras que estava acontecendo e sendo creditado a Lampião. O cangaceiro perseguiu os envolvidos e encontrando em uma casa de farinha, Calixto Rufino Barbosa e Brás, ceifando a vida dos dois e seguindo até a casa de Valério, na fazenda Cerquinha, onde assassinou Luiz Major e os dois filhos Silvino e Antônio e o sobrinho Inocêncio. Um duro castigo para um pago sem provas.


Gato foi casado com Antônia Pereira da Silva (foto acima, ainda viva, com 104 anos), também índia Pankararé como seu marido. O casamento aconteceu “Nas Caraíbas”, fazenda de Sinhá, no Brejo do Burgo. Gato carregou a outra prima Inacinha e na justificativa de permanecer com as duas primas, teve seu projeto descartado por Antônia, espancando-a. Antônia contou a Lampião o acontecido e no outro dia, fugiu pra casa de um tio que morava na beira do Rio São Francisco, onde ficou por muito tempo escondida.

Gato encontrou a morte depois do ataque a cidade de Piranhas, em Alagoas. Fato acontecido depois da prisão de sua amada Inacinha, realizada pelo tenente João Bezerra. Inacinha estava grávida e neste combate saiu ferida. O tiro entrando nas nádegas e saindo no abdômen. Por muita sorte a criança não foi ferida. Gato pede ajuda a Corisco e este organiza o ataque a cidade Alagoana. No trajeto, Gato sai disseminando a morte. A data se tornaria, para algumas famílias, uma lembrança dolorosa. Era 29 de outubro de 1936. Dentre os mortos feitos por Gato, estavam Abílio, Messias, Manuel Lelinho e Antônio Tirana. Sendo refém de Gato, o jovem João Seixas Brito, que seria sangrado alguns minutos depois, quando jurou que não havia policiais na cidade e ao romper o som dos primeiros disparos, ocasionados pe los poucos moradores que se negaram a fugir, abandonando a cidade, o rapazinho de 15 anos de idade foi barbaramente assassinado. 
Gato e Inacinha


Assim que os cangaceiros entraram na cidade, o delegado Cipriano Pereira e mais oito soldados fugiram deixando os moradores desguarnecidos. Os populares tiveram que suprir a falta dos “Homens da Lei”. Formaram-se poucos grupos de resistência e entre alguns dos habitantes que lutaram estava Cira Brito, esposa do tenente João Bezerra. No cemitério estava Joãozinho Carão e mais alguns companheiros e em um dos sobrados, estavam Chiquinho Rodrigues e Joãozinho Marcelino.

Chiquinho Rodrigues portava um rifle cruzeta e tinha um estoque de 260 cartuchos, dos quais deflagrou 170. Existe uma polêmica em razão do tiro que atingiu o cangaceiro Gato. Uns dizem que o autor do foi Chiquinho Rodrigues, outros creditam o certeiro disparo, a Joãozinho Carão. A verdade é que gato saiu baleado e morreu três dias depois do confronto, acabando-se assim um dos mais cruéis homens que engrossaram as fileiras do cangaço.

João de Sousa Lima
Membro da SBEC, 
Conselheiro Cariri Cangaço

Uma cicatriz por vingança Por:João de Sousa Lima

 
A Rainha do Cangaço, Maria Bonita, acabara de perder seu primeiro filho. A natureza lhe negara naquele instante o direito de perpetuação da espécie humana. As lágrimas da triste mãe encharcaram a cova rasa e solitária do filho que não viu o mundo, enquanto o leite materno, fonte divina da vida, secava na dor da trágica perda. No seu sofrido silêncio desaparecera a ansiedade antes vivida. A sua angústia se apagara durante o resto do dia frustrante e da noite mal dormida.

O consolo virá na serenidade da alvorada. Com o novo amanhecer, renascerão novas esperanças e só as esperanças curam os traumas doloridos do dia a dia. Durante as próximas noites, sob as tendas dos esconderijos e a luz das inúmeras fogueiras, velhos companheiros e seguidores de lutas alegrarão os corações tristes dos Reis do Cangaço. 

O velho e fiel coiteiro, Venceslau, cobriu a criança em um lençol e a enterrou a poucos metros da sua residência, nos fundos da sua propriedade, no povoado Campos Novos. A parteira Aninha regressou ao povoado Nambebé. Lampião e Maria Bonita agradeceram ao fiel coiteiro Lau pelo apoio recebido e com o restante do bando partiram caminhando lentamente, em silêncio, na direção da casa do casal Aristéia e Quinca, no povoado Várzea.

 João de Sousa Lima, Geraldo Ferraz e Alfredo Bonessi em tarde de Cariri Cangaço
Nas proximidades do Nambebé os cangaceiros ouvem o barulho de um animal de montaria e buscam rapidamente os arbustos e pedras existentes no local e se entrincheiram. Todos apontam suas armas para o lado aonde vinha o som do tropel. Entrincheirados e prontos para o combate Lampião reconhece o cavaleiro que se aproxima. Era mais um dos seus incontáveis coiteiros. O burro pára bruscamente. O homem desce rápido do animal, pois tem pressa em revelar o segredo de sua urgente viagem, mais uma notícia de traição:

     - Capitão, pur pouco vocês num fôro atacados. Assim que vocês saíro dos Campos Novos, lá chegou uma força do guverno, cum mais de trinta hômim.  
      
     - Alguém me traiu! Você sabe quem foi que denunciô nosso coito?
     - Sei sim; foi Pimba, do Nambebé.
     - Ta bom, pode ir.        
   
Virgolino pagou a informação e por alguns minutos se perdeu nos seus pensamentos, formulando sua defesa contra a volante e sua vingança contra o delator.O traidor era velho conhecido dos cangaceiros, o verdadeiro nome de Pimba era Francisco Teixeira Lima e era irmão do fiel 
coiteiro Lixandrão, pai dos cangaceiros Bananeira e Tutu.
Poucos minutos depois, Lampião chega ao Nambebé e cerca a casa de Pimba, os cangaceiros invadem a residência e vasculham todos os cômodos, não encontrando o traidor. A velha casa de taipas é revirada. A esposa do homem sentenciado a morrer protege os filhos com o escudo do próprio corpo. Dona Maria e os filhos João Preto, Zé de Pimba, Anacota, Jeoventina, Júlia, Elvira e Rita se abraçam enquanto os cangaceiros quebram alguns móveis e pratos.Naquela ocasião eram duas Marias, frente a frente, ligadas por sentimentos diferentes, lutando por um objetivo comum: a sobrevivência.A Maria mãe, aflita, pede ajuda a outra Maria, a Rainha do Cangaço. Já se conheciam de outras vezes, em circunstâncias menos violentas. A mãe desesperada implora e pede clemência para aquela que ainda não havia amamentado mais que havia sentido a dor do parto e a infelicidade da perda do filho pela morte traiçoeira.
     - Maria, peça a Lampião pra não matar a gente!
     - Quem mata vocês é a língua!
    
Nesse momento chega o irmão de Pimba, o fiel coiteiro Lixandrão.O velho conhecido cumprimenta Lampião com um aperto de mão e fala:
     - O sinhô me cunhece e sabe que eu sô um hômim interado e cumigo num tem falsidade. O que meu irmão fez não tá certo e eu prometo que não acontecerá outra vez. Por isso estou aqui pra lhe pedir que não mate ele e nem a sua família.
     - Muito bem, Lixandre, diga aquele safado que erre o meu caminho e tenha cuidado com o que fala.
Lampião sai da casa e se reúne com seus comandados no terreiro.Quando se preparavam para seguir viagem, chega outra Maria, a esposa de Lixandrão e diz a Lampião que um dos cangaceiros invadiu sua residência e tomou seu xale. Lampião não procurou saber quem tinha sido, apenas colocou a mão no bornal, puxou algumas notas e pagou o prejuízo à mulher.Lixandrão agradeceu por Lampião ter atendido ao seu pedido de não matar o irmão Pimba e desejou boa sorte aos cangaceiros. Lampião ainda movido pela ira, mal respondeu e começou a seguir seu itinerário.
    
Quando os últimos telhados das casas do Nambebé desapareceram no emaranhado dos galhos secos, eis que surge na frente dos cangaceiros a presa tão procurada: Pimba.O angustiado sertanejo é envolvido em um cordão humano. Lampião fala:
     - Caba safado, anda dando difinição de cangaceiro pras volantes!
O homem esmorece, sente a indesejável morte aproximando-se e ajoelha-se chorando, pedindo por tudo quanto é santo para que não o matassem.
     - A sua sorte, caba sem vergonha, é que hômim de minha qualidade tem palavra e eu prometi num lhe matar, mais vou dexá uma lembrança minha, pra que você nunca mi esqueça. Da próxima  veiz que você mi denunciá num tem disculpa, você mim paga com sua vida.
  
Enquanto o aflito sentenciado era seguro por Luís Pedro, Lampião puxa um canivete de um dos bolsos e se aproxima do trêmulo catingueiro. Pimba chora e clama por todos os santos. O Rei do Cangaço, impiedosamente, abre uma ferida em forma de cruz na testa do moribundo sertanejo, deixando uma eterna cicatriz como pagamento pelo vacilo de sua denúncia e traição. O grito de Pimba é abafado por mãos fortes e firmes. O sangue escorre por sobre o nariz e a boca, ensopando a gola da camisa. Os cangaceiros soltam a vítima quase desfalecida, muito mais pelo medo que pela dor. O grupo pega uma das veredas que dava acesso a mataria fechada e some rapidamente. Pimba, ainda de joelhos, puxa um lenço do bolso, cobre o ferimento, levanta-se e, apressadamente, segue para sua casa.
O preço cobrado pela traição de Pimba saiu de bom tamanho, em outras circunstâncias, para preservar a vida dos cangaceiros, o traidor não teria sido poupado. Durante muitos anos Pimba teve que usar chapéu de couro com uma lapela cobrindo a permanente tatuagem. Uma cruz por lembrança, uma eterna marca por castigo.  
Em agosto, tudo e isso e muito mais no lançamento da segunda edição de "Lampião em Paulo Afonso" de João de Sousa Lima.

João de Sousa Lima
www.joadesousalima,blogspot.com

Aos verdadeiros vaqueiros da história Por:João de Sousa Lima



João de Sousa Lima, Diana Lopes, Vilela e Dra. Maria Amélia


Nos últimos anos temos seguido incansavelmente, por questões mesmo do pouco tempo que nos resta, incursionado no campo da pesquisa histórica do cangaço, mundo que abrange além dos cangaceiros, soldados volantes, coiteiros, beatos, padres, missionários, sertanejos que viveram a  época em questão e dela foi parte de alguma forma. Na realidade estamos vivenciando os últimos suspiros dos homens e mulheres que viveram essa saga. Dentro de no máximo 10 anos perderemos essa  história oral que tanto corremos atrás. Todos eles passarão, como é natural a todo vivente,  deixando seus rastros escritos no caderno dos caminhos nordestinos.
Diante de tantos registros equivocados e mal intencionados que estão surgindo, de pessoas sem o mínimo respeito com as histórias e suas verdades, loucuras tiradas unicamente dos pensamentos disformes, haverá um tempo em que contarão que Lampião entrou no Raso da Catarina pilotando um possante helicóptero equipado com bombas teleguiadas e mira a LASER. Haverá um tempo onde os absurdos contatos sobre o cangaço ultrapassarão o entendimento até mesmo da tecnologia que se fará presente no momento.  Lampião será o próprio “Júlio Verne”, com sua ficção submersa das 20 mil léguas submarinas. No futuro a história contará lampião indo à lua, travando combates com seres extraterrestres e derrubando suas máquinas que atingem a irrisória velocidade de 400.000 km em míseros 2 segundos, usando apenas uma velha “Baliadeira”.
Por hora já surgiu Lampião jogador de bola no Raso da Catarina e sendo um ótimo zagueiro, Lampião brigando na caatinga como se fosse o Tarzan  e pulando de galho em galho. Mais recentemente Lampião tornou-se corno e homossexual, esse último impropério escrito por um juiz aposentado que por se sentir inútil no seu descanso e talvez esquecido  em sua repousante  autoridade, se deu ao capricho de difamar um homem que viveu à margem da lei, tendo por ferramenta de trabalho sua luta defendida pelo poder da arma com uma incansável estratégia de sobrevivência e que em momento algum deixou caminhos que indicassem esse comportamento. Refletindo sobre tal afirmação e infundada situação senti pena dos homens que esse juiz  julgou em seu longo caminho de magistrado.
Aos que levam a causa com mais seriedade, aos homens valorosos e ajuizados que conheci e que resistem na árdua labuta de poder registrar a verdade dos fatos e que merecem meu respeito e as considerações das gerações vindouras, dedico meu reconhecimento e minha gratidão:
Antonio Amaury, Frederico Pernambucano  de Mello, Sabino Basseti, Ângelo Osmiro, Aderbal Nogueira, Múcio Procópio, Geraldo Ferraz, Ivanildo Silveira, Kiko Monteiro, Lívio Ferraz, Manoel Severo, Sérgio Dantas, Rubervânio Lima,  Carlos Megalle, Carlos Eduardo, Carlos Elydio, Jack De White, Wescley Nunes, Antonio Vilela, Alcino Alves Costa, Wilson Seraine, Thomas Cisne, Juliana Schiara, Ana Lúcia, Paulo Gastão, Leandro Cardoso Fernandes,  Pedro Luis,   Voldi Ribeiro, Luiz Ruben, Gilmar Teixeira, Honório de Medeiros, Jorge Robson, Narciso, Rostan Medeiros, Francisquinha, Kydelmir Dantas, Pereirinha, Nely Conceição, Raimundo Marins, Jairo, Inácio Loiola, Bosco André, Julio Schiara, Jadilson Ferraz, Paulo Moura, Zé Cícero, Archimedes Marques, Alfredo Bonessi, Cicinato Ferreira, Diana Rodrigues, Reclus, Alcivandes, Juracy  Marques, João Souto, Josué, Barros Alves, Petrúcio Luiz, Edson Barreto, Afrânio Cisne, Wolney  Oliveira, Felipe Marques, Marcos Passos, Haroldo Magno, Antonio Galdino, Lamartine Lima, Juarez Conrado, Sousa Neto, Oleone Coelho.
Como diria meu amigo Severo: “OS VERDADEIROS VAQUEIROS DA HISTÓRIA”.
Homens que dedicaram tempo, trabalho, paciência e responsabilidade para contar um pouco do seu passado e de sua própria vida.

Obs.- desculpem se algum nome ficou de fora, avise-me que acrescentarei, porém não insistam em colocar nessa relação um tal  PEDRO MORAIS.  

 Uma turma boa e com boas intensões históricas.
 Kiko e Ivanildo: trabalho sério e responsável
 Ângelo, Narciso, João, Wescley, Ivanildo, Vilela e Thomas: Seguindo a linha do entendimento e da vercidade.

A maior reunião  de estudiosos dos temas relacionados ao Nordeste.

Jorge Robson, João e dois sobrinhos do cangaceiro Esperança.
 Kiko e sua amada esposa no dia que conheceram a biografia de Maria Bonita.

 Turma em pesquisa no Raso da Catarina


 Pereira, João, Pedro Luiz, Sousa Neto e Kiko.
Reunião dos que estudam com seriedade o tema
João, Frederico, Francisco Lira e um dos diretores do IBAMA.

seguindo os ensinamentos do decano de Poço Redondo
Marcos Passos "guiando" o barco até a Grota do Angico, com João e Felipe Marques
Os debates informais como aprendizado sempre acontecidos nas rodas de amigos; Ângelo Osmiro e Renato Cassimiro.
Trabalho sério e dignificante das mãos de Severo
João e Vold
João de Sousa Lima
www.joaodesousalima.blogspot.com

João de Sousa Lima na Folha Sertaneja

Antônio Galdino, diretor da Folha Sertaneja e João de Sousa Lima
O mundo do cangaço  despertou esses dias em pavorosa notícia, tudo por  culpa do Juiz aposentado, o senhor Pedro Morais que estaria lançando um livro onde aponta Lampião como Gay e Maria Bonita  como adúltera, digo que estaria lançando por que a família do cangaceiro moveu uma ação judicial  por se sentir ofendida com a falsa notícia do homossexualismo do Rei do Cangaço e a infidelidade de sua esposa Maria Bonita e a justiça de Sergipe proibiu a publicação e a comercialização do livro: Lampião - o Mata Sete.

Para os homens e mulheres que estudam o cangaço com seriedade e imparcialidade, salientando que não se trata aqui de homofobia ou qualquer outro tipo de preconceito, no cangaço não existiu casos de homossexualismo, nenhum estudo em todos os aspectos do fenômeno apontou essa prática. Sobre  Maria Bonita ser adúltera já ouvimos vários absurdos principalmente um suposto caso dela com o homem de confiança de Lampião, o cangaceiro Luiz Pedro, tudo fruto da imaginação de pessoas que tentam macular a figura dessa sertaneja  sem ter argumentos nenhum que comprovem tais traições e os casos de traições no cangaço conhecemos todos e os resultados que foram gerados por tais atitudes.

Sobre Lampião um enrustido gay escreveu certa vez essa mesma história que ora se repete e que gerou problemas, uma  confusão generalizada e ate quase apanhando de uma das netas do cangaceiro,  reflexo um estudo equivocado de um desajustado que por falta de coragem em assumir sua opção de vida tentou caluniar  outra pessoa. Eis que agora chega com esse absurdo um JUIZ, um Homem da Lei, acostumado julgar casos e sentenciar.
Baseado em que depoimento histórico ele escreveu esse absurdo? Que referências ele pesquisou para citar como reais essas informações? Abalizado em que fundamentação lógica ele se apoiou? Digo com certeza que o senhor Pedro Morais fundamentou suas pesquisas na arte da criação fictícia, fruto único do seu pensamento, fugindo à principal regra do verdadeiro pesquisador e historiador que é levantar fatos, analisá-los e confrontá-los. O livro foi feito apenas com o pensamento de causar polêmica e ganhar dinheiro, eu mesmo faço questão de não tê-lo em minha biblioteca.
Como Juiz o senhor Pedro Morais deve ter usado suas sentenças baseadas no aprendizado de tantos anos de estudos, na imparcialidade de sua função e nas leis que julgam o certo e o errado, assim como  na visão da efígie  representativa  da balança que é segurada por uma pessoa cega, onde os pratos da justiça não pendem para nenhum dos lados. Como escritor ele se perdeu na mediocridade da arte e desconhece o princípio básico dos verdadeiros homens que investigam a história. Como pesquisador ele é a própria estátua que representa  a Lei: CEGA João de Sousa Lima 
Da Redação do Folha Sertaneja:
O escritor e pesquisador João de Souza Lima é reconhecido nacionalmente como um dos pesquisadores mais sérios sobre o cangaço. Foi amigo de Moreno e Durvinha e, de quando em vez está almoçando com a cangaceira Aristéia, com quem já viajou para Brasília, Fortaleza e outros lugares para onde é convidado para fazer palestras. É membro da Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço - SBEC, do Instituto Histórico e Geográfico - IGH, de Paulo Afonso, da Academia de Letras de Paulo Afonso - ALPA e de outras instituições de pesquisa. Também produz documentários em vídeo como o que narra a história do Cangaceiro Gato, um índio Pankararé da região de Paulo Afonso. Dentre vários livros sobre o tema cangaço, que publicou, destacam-se Lampião em Paulo Afonso (esgotado), Moreno e Durvinha, A trajetória guerreira de Maria Bonita, a Rainha do Cangaço, este já em 2ª edição e com uma edição produzida em braille em Macaé, no Rio de Janeiro. Tem ainda co-parcerias e vários outros livros. É referência para produtores de TV, jornais e revistas quando o assunto remete ao ciclo do cangaço no Nordeste brasileiro.
Antônio Galdino - Diretor Jornal Folha Sertaneja
http://www.folhasertaneja.com.br/

Serra do Umbuzeiro: Ponto culminante de Paulo Afonso Por:João de Sousa Lima

João de Sousa Lima no alto da Serra do Umbuzeiro

Uma das visões mais lindas da região de Paulo Afonso encontra-se na Serra do Umbuzeiro.A Serra tem 507 metros de altura à nível do mar e é 259 metros mais alta que a cidade de Paulo Afonso que tem 248 metros a nível do mar.A Serra é cercada por histórias e povoados por onde Lampião passou, sendo ela uma das mais famosas trilhas do Rei do Cangaço.Logo na sua subida encontra-se o conjunto arquitetônico de Dona Generosa, uma das maiores coiteiras de Lampião e onde o Rei do Cangaço fazia seus famosos bailes.Descendo a Serra chega-se a casa de Maria Bonita.Descendo pelo outro lado temos a casa da cangaceira Durvinha, no povoado Arrasta-Pé.Logo após a casa de Generosa temos a Lagoa do Mel, lugar onde Lampião fez o famoso tiroteio com a volante do tenente Arsênio e nesse combate perdeu seu irmão mais novo, o Ezequiel. A Lagoa do Mel situa-se no povoado Baixa do Boi. Ainda na subida da Serra próximo a casa de Generosa encontramos a cruz de Zé Pretinho, assassinado pela polícia como coiteiro de Lampião. Na Serra também foi onde Lampião escondeu a metralhadora do tenente Arsênio que encontrava-se inutilizável por está faltando uma peça tirada pelo tenente antes de sua fuga. O coiteiro que encontrou a metralhadora e a entregou a polícia tomou uma surra de "bimba de boi", esse foi seu pagamento pela boa ação.

As formações rochosas da subida da Serra do Umbuzeiro são verdadeiros espetáculos da natureza.no seu cume um cruzeiro marca o lugar que se realiza peregrinações e orações.Um dos mais belos por do sol nordestino.


O fotógrafo João Tavares e João de Sousa Lima escalando a Serra
Ricardo Cajá e João Lima na subida da Serra.
O Cruzeiro e a maravilhosa vista do alto da Serra.

Para agendar um visitação e a escalada da Serra do Umbuzeiro, Paulo Afonso conta com ótima estrutura de transportes e hospedagens, além de equipe de guias que realizarão um ótimo excelente trabalho de acompanhamento.ATENDTOUR - 75-9143-6895 ou 8865-2432 (Eduardo Cruz)
Obs: Todas as fotos postadas aqui são do renomado fotógrafo João Tavares.


Inácio e João, cabras da peste! Por:Manoel Severo

O ex-volante Inácio Ferreira Lima

Certamente todos os apaixonados pelo tema cangaço já conhecem o trabalho e o talento do pesquisador e escritor João de Sousa Lima. Pernambucano de São José do Egito, adotou e foi adotado pela bela Paulo Afonso e a partir dali descobriu sua verdadeira paixão. Com um faro incomum, próprio dos "inquietos", esse incrível rastejador se embrenhou pela caatinga baiana, pelo sopé das serras e beira de riachos e de repente olha o "hôme" trazendo mais e mais novidades sobre o universo do Cangaço. Foi assim com Maria Bonita, Aristéa, Durvinha e Moreno, a família de Lídia, enfim, e agora, esse farejador de relíquias nos apresenta: Inácio Ferreira Lima. Parabéns João, você é mesmo um cabra da peste !

João de Sousa Lima e Inácio Ferreira Lima 

Inácio Ferreira foi um dos soldados que participou do combate que faleceu o cangaceiro Cacheado e foi fotografado com a cabeça do cangaceiro na frente da cadeia de Jeremoabo. Inacio Ferreira Lima reside em um dos povoados de Jeremoabo, Bahia, ele foi soldado das volantes de Odilon Flor, tenente Santinho e Zé Soares.


Em breve teremos essa reportagem
lançada em vídeo.

João de Sousa Lima

Manoel Severo

Os maiores repentistas da história do Brasil Por:João de Sousa Lima

Canção

Grande é a nação dos violeiros e repentistas do nordeste, os estados de Pernambuco e Paraíba são os dois maiores celeiros de cantadores, estados que deixaram nos anais da história, nomes imortalizados, criadores dos perfeitos motes e construtores das amais perfeitas rimas.Dos nomes que conheci não esqueço de Louro do Pajeú, Dimas, tacílio, Cancão, Jó Patriota e Pinto do Monteiro. Cancão veio em 1970, trazido por meu irmão primogênito Zezé, para que ele conseguisse com Pedro Ferreira (proprietário da empresa SACOL), um patrocínio para imprimir um livro de poesias, hoje tenho guardado a sete chaves uma cópia desse livro.


A famosa tríade formada pelos irmãos Otacílio, Dimas e Louro, nessa foto estão acompanhados de um dos gigantes do improviso: Pinto do Monteiro.
Estive algumas vezes com Louro, em 1986 tomamos muitas caipirinhas no famoso CALABAR (bar na rua principal de São José do Egito).com Pinto estive três vezes em sua residência em companhia do primo João Piancó e de Pinto ganhei uma fotografia onde ele recebe um prêmio por sua trajetória de sucessos.


Louro, o Rei do Trocadilho
Louro do Pajeú, um dos mais autênticos e grandiosos artistas do improviso e na segunda foto,Louro e Jó Patriota
Otacílio (no centro da foto)
Velho Pinto do Monteiro.

Espetacular postagem de nosso confrade João de Sousa Lima em seu: www.joaodesousalima.blogspot.com

Saudades de João Gomes de Lira Por:Aderbal Nogueira

Paulinho, Kydelmir, Tenente João Gomes de Lira, Aderbal Nogueira e Robervan

Há muito tempo atras, quando comecei minhas viagens em busca dos resquícios da história, aprimeira pessoa que conheci foi o querido amigo João Gomes de Lira, homem de fala mansa e de uma tranquilidade congelante. Um memorialista escepcional e acima de tudo um bom amigo.

Como dizia o saudoso Luiz de Cazuza "- Você vê aquele homem de fala mansa , com aquela tranquilidade, foi um dos homens mais valentes que o Pajeú já teve"...
 Grande amigo, João Gomes de Lira
Afrânio Marmita, Aderbal Nogueira e Paulinho, o Guardião !

Tenente Lira teve nos seus últimos anos um guardião a altura, que foi o nobre colega Paulo, pessoa que zelava pela saude e integridade do nosso grande guerreiro das caatingas. João Gomes de Lira me fez encher os olhos de água várias vezes; em uma dessas ao chegar em sua casa onde o mesmo estava adoentado, ele levantou e disse: "-Aderbal você sempre muito bem vindo a esta casa, pois você é meu amigo". Isso eu nunca vou esquecer.

Descanse em paz meu amigo, você faz parte da história de minha vida.

Aderbal Nogueira