Cariri Cangaço em São Paulo Por: Heldemar Garcia

Manoel Severo ao lado dos confrades Napoleão Tavares Neves, Antônio Amaury e Múcio Procópio

O Cariri Cangaço tem agenda cheia neste próximo final de semana em São Paulo; o curador do Cariri Cangaço, Manoel Severo, embarca ainda nesta sexta-feira para São Paulo, onde cumpre agenda profissional nos próximos tres dias. Dentro das atividades previstas, visita e participação no Parque do Ibirapuera do Lançamento do Dicionário de Adriano Marcena e a partir de domingo será hospede do pesquisador e escritor Antônio Amaury Correa de Araujo. Para Manoel Severo "é sempre uma grande satisfação rever os amigos de São Paulo e, ser recebido pela família de Amaury e dona Renê é sempre uma grande honra; de quebra vamos talvez conversar um pouquinho sobre cangaço, quem sabe ?!"

Heldemar Garcia
Assessor de Imprensa e Marketing
Cariri Cangaço

Vem aí o II Festival de Músicas do Cangaço

Anildomá e confrades em mais um dia de Cariri Cangaço
  
O II FESTIVAL DE MÚSICAS DO CANGAÇO acontecerá no dia 28 de abril de 2012, na Estação do Forró, em Serra Talhada/PE, Terra de Lampião e Capital do Xaxado.

INSCRIÇÕES:
As inscrições das músicas poderão ser efetuadas pessoalmente, por e-mail ou via Correios, no período de 23 / 01 / 2012 a 10 / 03 / 2012.

Maiores informações, pelo E-mail: festivaldemusicasdocangaco@gmail.com
Anildomá Willans de Souza

Almas de Lama e Aço...

João Souto, Lili e Múcio Procópio

Amigo Severo,
A nossa amiga Lili, filha de Moreno e Durvinha colocou a venda o livro "Almas de Lama e de Aço" 
 de Gustavo Barroso. Preço R$ 600,00
A mesma me pediu que divulgasse entre os amigos. 
Os interessados entrar em contato com a mesma pelo e-mail: lilicangaceirra@hotmail.com
Saúde e paz para você e família.


Abraços, Professor Pereira

E por falar em Sinhô Pereira, não perdemos por esperar !

Leandro Cardoso, Sousa Neto, Wilson Seraine e Rubinho Lima

Caro amigo Severo. Saudações! 
Estou trabalhando em algo sobre Sinhô Pereira, mas em passos lentos, em razão da sobrecarga de trabalho por aqui. 
Mas, se Deus quiser, estarei colocando a obra no Cariri Cangaço deste ano.

Leandro Cardoso

NOTA CARIRI CANGAÇO: Ter a oportunidade de mais uma vez contarmos com o talento, a competência e o zelo de um trabalho com a marca e o quilate de Leandro Cardoso, certamente é motivo de satisfação e expectativa para toda nação que é apaixonada pela história do nordeste, mas... em particular enche a família Cariri Cangaço de orgulho por ter a sinalização vossa, de que teríamos seu lançamento em nosso Cariri Cangaço 2012. Nosso abraço de reconhceimento e gratidão.

Prenuncio de uma guerra anunciada Parte II Por:Manoel Severo


O ano é 1915 quando vamos reencontrar Né Dadu, retornando de Triunfo após ser absolvido de crime de morte de João Jovino. Naqueles dias uma volante se formava para capturar um dos maiores desafetos da família Carvalho. Sob o comando do Tenente Teófanes Ferraz Torres e contando ainda com os Carvalho: Antonio e José da Umburana e João Lucas das Piranhas, atacam São Francisco , mas não encontram Né Dadu, espancando fortemente uma negra de nome Antonia Verônica, governanta do lugar, conhecida por “Mãe Preta”  e prendem o mais novo dos filhos de D. Constança, irmão de Né Dadu: Sebastião Pereira, então com 16 anos.

A represália dos Pereira veio logo em seguida, quando é morto José da Umburana em emboscada de Vicente de Marina, o morticínio continua, desta feita mais um Pereira tomba, Né Dadu morre em 16 de Outubro de 1916, vítima de covarde traição de um ex-cabra dos Carvalho, Zé Rodrigues, Zé Grande ou simplesmente “Zé Palmeira” que o matou com seu próprio rifle no lugar Poço do Amolar, na fazenda Serrinha. Esse caboclo Zé Palmeira havia se aproximado de Né Dadu após ardilosa trama traçada pelos próprios Carvalho, simulando o rompimento do referido cabra com a família inimiga. Apesar de Atento e desconfiado Né dadu acabou sendo ludibriado pelo audacioso golpe e acabaria sendo vítima fatal do mesmo.


A morte do irmão empurrou definitivamente o mais jovem da família para o mundo do crime, nascia ali aquele que seria o mais valente de todos os cangaceiros, segundo o próprio Virgulino Ferreira: Sebastião Pereira, vulgo Sinhô Pereira. Partindo na sanha da formação de seu grupo, Sebastião Pereira partiu em busca do Coronel Zé Inácio, do Barro, conhecido coiteiro e protetor de bandidos, dali saiu com um grupo de 20 cabras, tendo como seu lugar tenente seu primo, Luiz Padre, rumo a Vila Bela, no Vale do Pajeú.

Invadindo São Francisco, depredou e queimou a loja de Antonio da Umburana e tomou a pequena vila, partindo dali para as fazendas dos Carvalho, Umburanas e Piranhas, depredando, queimando, matando animais, destruindo cercas, arrasando tudo. Os Carvalhos diante de tanta fúria se retiraram para a cidade, finalizando assim a primeira grande investida do grande cangaceiro.

Sobre a eterna peleja entre os clãs vamos ter o episódio da invasão à fazenda Piranhas, narrado por inquérito na própria delegacia de Vila Bela, como segue: “... no dia 1º corrente apresentaram-se voluntariamente a prizão os indivíduos José Alves de Barros e José de tal conhecido por José Caboclo e Francisco Alves de Barros, Cincinato Nunes de Barros, Antonio Carvalho de Barros, conhecido por Antonio da Umburana, Antonio Alves Frazão, José André, Feliciano de tal, João Ferreira, Francisco Porphirio, Antonio Teixeira, Antonio Pedro da Costa Neto, Antonio Pequeno, José Flor e João Tapia todos denunciados neste município como incursos no artigo 294 por terem morto ao cangaceiro Paixão na ocasião em que os mesmos se defendiam do ataque feito a fazenda Piranhas pelo grupo chefiado por Sebastião Pereira e Luiz Padre dos qual fazia parte o referido Paixão (Informe ao Chefe de Polícia pelo delegado de Vila Bela, 5/9/17).

Algum tempo depois Sebastião Pereira mataria o assassino de seu irmão Né Dadu, o indivíduo Palmeira, na localidade de Viçosa em Alagoas, tendo Luiz Padre sangrado o matador de seu pai Padre Pereira, Luis de França, em São João do Barro Vermelho. Em outra oportunidade na localidade de Queixada, sob a proteção do Coronel Pedro da Luz, acabou encontrando Antonio da Umburana que igualmente perderia a vida... assim se configurava a vingança dos primos, Sebastião e Luis Padre.

Manoel Severo

A cultura pernambucana ganha o mundo da moda Por:Olivia de Souza

Adriano Marcena

Historiador por formação, Adriano Marcena é o que podemos chamar de um verdadeiro "escavador cultural". A partir de uma necessidade observada nas escolas, onde detectou uma carência de conhecimento sobre a história, comportamento e os costumes que permeiam o universo simbólico pernambucano, Marcena debruçou-se durante 11 anos em pesquisas e viagens, que resultaram no calhamaço de mais de mil páginas chamado Dicionário da Diversidade Cultural Pernambucana (Cel Editora), lançado em 2010.
A temática regional do livro agora ganha projeção nacional durante o São Paulo Fashion Week (SPFW), que acontece de 19 a 24 deste mês, no prédio da Bienal, no Parque de Ibirapuera, em São Paulo. O escritor teve trechos de sua obra espalhados pelas páginas da revista Mag!, publicação do evento que este ano homenageia o estado de Pernambuco, sendo um dos entrevistados da edição. No próximo sábado (21), Marcena participa de uma noite de autógrafos que vai servir como lançamento nacional de sua obra.
O Dicionário esmiúça desde termos “banais” como carro-de-boi ou coloral, a expressões e gírias populares utilizadas em futebol, culinária, fauna, flora, datas comemorativas, personalidades importantes, geografia, entre outros. Partindo do significado do termo, Marcena realiza um verdadeiro estudo de contexto, costumes e comportamento, traçando um verdadeiro raio-x de Pernambuco. “A ideia era fazer um livro que contemplasse esses elementos da cultura pernambucana, agora também numa perspectiva histórica e antropológica. Que explicasse um pouco da nossa trajetória cultural. Em termos de facilitar a consulta, eu pensei num dicionário”, explica o escritor.
Depois do reconhecimento por unanimidade através do Conselho Estadual de Cultura e do Conselho de Educação, o livro obteve repercussão muito boa dentro das universidades e no exterior. A novidade este ano é o lançamento da edição escolar que vai servir como ferramenta para os professores dentro da sala de aula. “Depois disso começo a adaptação para a versão mini”, revela.
Quebrando barreiras - Inicialmente surpreso pelo contato inusitado com a organização da SPFW, Marcena conta que ficou feliz com o resultado do trabalho. “Meu livro acabou servindo de base para a produção da revista, que soube traduzir bem o que viria a ser esse sentimento nosso de pernambucanidade”, comenta. Apesar de termos regionais como “saia de xita” ou “sandália de couro” estarem aparentemente distante da moda cosmopolita nos holofotes da SPFW, Marcena diz que a aproximação entre esses dois “mundos” se faz necessária.
 “Eles foram muito atenciosos porque se detiveram na questão cultural. Termina sendo um abrir de portas, porque nós, de certa maneira, ainda temos um complexo de vira lata muito grande, quando é necessário ir lá pra fora para sermos legitimados aqui dentro. Precisamos olhar para nós mesmos como uma contribuição. Acredito que o livro veio para quebrar essa lógica perversa, porque ele fala de nós daqui de dentro enquanto construção cultural”, conclui.

Olívia de Souza
Foto:Paulo Uchôa/LeiaJá Imagens

Isaias Arruda e a Iluminação de Missão Velha Por Bosco André

Bosco André para a Laser Vídeo


Sem dúvidas um dos personagens mais marcantes do ciclo dos coronéis, de nosso Cariri foi Isaias Arruda, o aurorense que se tornou a "custa de bala", prefeito de Missão Velha. São muitos os episódios em que o coronel Izaias Arruda, mostra sua forte personalidade e poder. Dias passados trouxemos uma entrevista do amigo Zé Cícero, sobre a emboscada e posterior morte de Isaias na Estação da RVC em Aurora; para variar um pouco de sua propalada ligação com Virgulino, trazemos um pequenino trecho; de menos de 1 minuto; de uma outra entrevista,  concedida pelo confrade Bosco André ao companheiro Aderbal, onde nos é contado como foram colocados os postes de eletrificação de Missão Velha, ao final dos anos 20 do século passado.

Manoel Severo
Imagens de documentário da Laser Vídeo 
de Aderbal Nogueira

O Curioso mundo da moda...

Editorial: A Rainha do Cangaço

POR JULIA SALGUEIRO
Inspirada no sertão nordestino, a marca pernambucana 2 Primas apresenta A Rainha do Cangaço. O tricoline 100% algodão, a malha de algodão orgânico, a sarja com elastano (algodão) e 100% seda pura tingidos naturalmente a partir da botânica brasileira, inspiram texturas e até ilusão de ótica que remete à camurça, preservando o requinte da estação.
Maria Bonita, musa inspiradora, traduz o estilo da mulher guerreira, forte e determinada sob o olhar do cotidiano da mulher contemporânea, com o tempo completamente preenchido por atividades que exigem a criatividade para estar bem vestida em período integral, sem deixar de lado o romantismo.
O resultado são vestidos, saias, macacão, camisas e calças, tudo com uma pitada de originalidade nos detalhes que fazem a diferença nas mangas e nos bolsos, além de plissas e dos cortes geométricos das próprias peças. A referência às cartucheiras utilizadas pelo cangaço é outra particularidade que reserva a autenticidade.
Editorial: A Rainha do Cangaço
Fotos: Ronald Luv | Styling: Nestor Mádenes | Beleza: Téo Miranda | Modelo: Nayara Berenguer | Editoria: Julia Salgueiro | Edição e Arte: Raul Nigro
A marca 2 Primas, comandada por Patrícia Brito e Mayara Pimentel, é pioneira em Pernambuco a propagar o Lohas (“Estilos de Vida de Saúde e Sustentabilidade“, na sigla em inglês), que significa adotar parâmetros de produção de baixo impacto ambientale de responsabilidade social. Além da escolha de tecidos a partir de recursosecologicamente corretos e que enfatizam a durabilidade, também adotou o uso detingimento natural da botânica brasileira e a produção em parceria com cooperativas de mulheres da comunidade.
2 Primas – Celebre sua Beleza mais Consciente

(81) 3034.3779/ 9793.4224/ 9793.4241

contato@duasprimas.com
Av. Marechal Juarez Távora, 440/ loja 6
Galeria Siena Center, Setúbal. Recife – PE.

Agradecimentos a Patrícia Brito, Mayara Pimentel e Ariella Dias.

NOTA CARIRI CANGAÇO:  Navegando neste universo imensurável que é a rede mundial de computadores, nos deparamos com esse Editorial de Moda, com nossa Rainha do Cangaço como Musa inspiradora. Achamos incrivelmente belo e de um talento e sensibilidades incríveis, daí pensei em trazer a este blog e mostrar um pouco dessa arte aos amigos da família Cariri Cangaço; abraços a todos, Micheline Garcia: Assessoria de Mídias Digitais.

Mané Véio: O feroz da Santa Brígida Parte II Por: Alcino Costa

José Cícero, Alcino Alves Costa e Bosco André , no Angico


Vamos voltar a contar a incrível história de Mané Véio, o grande protagonista do cerco de Angico. Agora em Goiás deixa de ser Manoel para se tornar Euclides Marques da Silva, o nome de um irmão falecido na Bahia. Fixa residência na cidade de Goiania. Torna-se joalheiro. Casa-se com uma bela moça chamada Maria Bosco da Silva e com ela procura recomeçar a sua nova vida. Nascem dois filhos. Uma menina, chamada Jovina, e um garotinho batizado com o nome  de Jacob. Anos depois o casal muda-se para São Paulo. Vão morar no Bairro da Liberdade. O seu meio de vida, a sua subsistência, continua sendo o comércio de jóias e ouro. 


O ciúme era uma constante, uma chaga cruenta na vida deste ex-soldado de volante. Aliado a tão medonho, doloroso e maléfico sentimento, o gênio extremamente violento do antigo “contratado” jogou no abismo a convivência, o sossego e a paz existente entre o baiano do Raso da Catarina e sua nova e também desafortunada esposa. Aquela vida harmoniosa do princípio, quando os dois em parceria comerciavam jóias e ouro juntos, havia chegado ao fim. E Maria começou a ser espancada pelo perverso marido. 


Mané Véio, ou Antônio Jacó, ou Euclides Marques.


Não suportando aquela triste e medonha situação, temerosa e apavorada com as torturas e brutalidades do companheiro, a goiana pediu o divórcio, não tinha como continuar vivendo debaixo de tanto sofrimento. O advogado contratado por Maria Bosco chamava-se Othoniel Brandão. Ele iria cuidar do desquite. Ao tomar conhecimento da decisão da esposa, o homem da Santa Brígida se revoltou, chegando a tentar enforcá-la, o que não aconteceu em virtude da intervenção imediata dos vizinhos. Após este grave incidente Maria prestou queixa na polícia. Mesmo assim, dias depois, o marido abandonado tentou a reconciliação, alegando que amava a sua companheira e mãe de seus filhos.


Irredutível, Maria Bosco não aceitou a pretensão do marido. O que queria, o que lhe interessava era ficar ao lado do filho e da filha, e longe, muito longe, do pai deles. Sem alternativas, Mané Véio, mesmo a contra gosto, terminou por concordar com a separação e a divisão amigável dos bens. Na 2ª Vara da Família e das Sucessões a vitória da vítima foi total. Além da pensão para ela e os filhos, ainda aconteceu à partilha e divisão dos pertences de ambos e os filhos ficaram sob a tutela de dona Maria. 


Mesmo tendo aceitado o desquite, o antigo caçador de bandidos não se conformava com aquela separação. Agoniado, ameaçava assassinar a antiga companheira. A sua maior preocupação, o seu maior temor, era vê-la acompanhada de outro homem. Dominado pelo ciúme, costumava rondar a residência da ex-mulher, à Rua Pirapitingui, no prédio 97, apartamento 84, no Bairro da Liberdade. Assombrada com as ameaças, Maria Bosco procurou as autoridades policiais explicando a sua grave situação. Aconselhada pelos militares, comprou um revolver calibre 22, tirou porte de arma, e carregava a sua pequena arma em sua bolsa.


Os meses foram se passando. Aquela aflição continuava. O mês de julho de 1966 despontou. Chega o dia 13. É uma quarta-feira. Dona Maria,  acompanhada de sua filha Jovina Marques da Silva, sai do apartamento e vai até um açougue comprar carne. O filho caçula, Jacob, que sempre acompanhava a mãe, dessa vez não a acompanhou para jogar uma pelada com seus amiguinhos de infância. Na volta, após comprar a carne, um pistoleiro espreitava os passos de Maria. Era ele Josafá Marques da Silva, meio irmão de Mané Véio. Este bandido assim agia cumprindo ordem de seu mano que o incumbiu de assassinar a sua própria esposa. 

Em um ponto da Rua Pirapitingui, Maria aparece ao lado da filha, uma linda mocinha de apenas 16 anos de idade. O assassino está de tocaia, a espera de suas vítimas. Pouco mais do meio dia mãe e filha surgem ao longo da rua. Caminham despreocupadas por uma calçada. O verdugo sorrateiramente se aproxima delas. Saca um revolver “S & W”, calibre “32”. Aciona o gatilho de sua homicida arma. Dois tiros atingem mortalmente dona Maria, uma ainda jovem mulher, com apenas 40 anos de idade. Um balaço perfurou o tórax e o outro se alojou um pouco abaixo do peito. Vendo a mãe baleada e cambaleante, Jovina se interpôs entre ela e o cruel assassino. Este sem compaixão e sem piedade, mesmo sabendo que ali estava uma menina-moça no verdor de sua florida existência, e além do  mais, sua sobrinha, uma vez que ela era filha de Mané Véio, não titubeou, atirou para matá-la. Este terceiro tiro também foi mortal. A bala atingiu o peito do lado direito da mocinha que cambaleou e caiu nos estertores da morte por cima do corpo de sua mãe.

Este duplo assassinato abalou São Paulo. No outro dia, 14 de julho de 1966, o jornal NOTÍCIAS POPULARES, estampava: “Cangaceiro contratou um bandido para exterminar a família em SP”. E em grandes letras: “PISTOLEIRO MATOU MÃE E FILHA!”. Na sexta-feira, dia 15, o jornal DIÁRIO DE NOTÍCIAS, estampava em grande manchete: “PISTOLEIRO CONFESSA: MATOU PORQUE TINHA PENA DO IRMÃO”. O “DIÁRIO DA NOITE”, também no mesmo dia 15 de julho, estampava: “MATOU A TIROS A CUNHADA E UMA SOBRINHA”. Josafá e Mané Véio foram presos e processados. No dia 25 de outubro de 1967, o responsável pelo assassinato da esposa e da filha foi para o banco dos réus – e foi severamente exemplado.


Alcino Alves Costa
O Decano, Caipira de Poço Redondo
Sócio da SBEC; Conselheiro Cariri Cangaço




NOTA CARIRI CANGAÇO: Agregando ainda mais valor aos dois capítulos da  Saga de Mané Véio, nos trazida pelo grande escritor Alcino Alves Costa, vamos recorrer ao confrade e Conselheiro Cariri Cangaço; Kiko Monteiro em seu espetaculaer "Lampião Aceso". 


Fala Kiko: "Recebemos da leitora Marylu, uma importante informação via comentário para nossa matéria sobre Manoel Marques da Silva o célebre Mané Véio. Ela nos revelou que Euclides Marques da Silva, nome adotado por ele, faleceu aos 92 anos de idade -saciado de dias - na cidade de Pires do Rio - Goiás - em 09.01.2003 ao lado de sua terceira esposa -a goiana Nori Alves Marques da Silva. Hoje residente na capital - vide: http://lampiaoaceso.blogspot.com/search/label/Man%C3%A9%20V%C3%A9io 

Prenuncio de uma guerra anunciada Parte I Por:Manoel Severo


Sem dúvidas é sempre importante quando nos referimos ao ciclo do cangaço de Lampião,  procurarmos contextualizar o ambiente no qual ele nasceu, viveu, suas origens, o que o cercava; a que tipo de sociedade rural ele estava submetido, e também conhecer as oligarquias dominantes da região e suas implicações no destino do mais famoso filho de Zé Ferreira; hoje trouxemos um pouco da histórica disputa entre os Pereiras e os Carvalho.

Remonta ainda os temos do império a origem da quase eterna guerra entre as famílias Pereira e Carvalho, oriundas do Vale do Pajeú, sertão de Pernambuco, berço de dois dos maiores fenômenos do cangaço nordestino, Sinhô Pereira e Virgulino Ferreira da Silva, vulgo Lampião, não poderíamos de forma alguma retratar um pouco da história desses instigantes personagens sem falar desse pano de fundo que foi a batalha ao longo de quase um século envolvendo membros dessas duas oligarquias sertanejas.

Conta-se que tudo começou ainda em 1838, quando vivíamos a época do império; um representante do Partido Liberal, membro da família Carvalho, Francisco Aves de Carvalho foi acusado de mandante do assassinato do Coronel Joaquim Nunes Magalhães, do Partido Conservador, ligado à família Pereira. Ali começaria a guerra que seria nos idos de 1910 até 1922 pano de fundo para o surgimento deste que seria conhecido por Rei do Cangaço, Virgulino Ferreira.

Dentre as tantas “pelejas” entre as duas ilustres famílias, nos deteremos ao dia 15 de outubro de 1907 quando foi morto a tiros, o coronel Manoel Pereira da Silva Jacobina; o “Padre” Pereira, um ex-seminarista, daí o apelido. Filho do barão do Pajeú, patriarca do Clã dos Pereira, esposo de Dona Chiquinha e pai de Luiz Padre; Padre Pereira era irmão de outro Manoel Pereira, esse, pai do jovem Né Pereira, mais conhecido por Né Dadu e do menino Sebastião, futuro Sinhô Pereira. O assassinato de Padre Pereira a mando de João Nogueira, da família Carvalho, teve como motivo a disputa pela partilha de bens de sua própria esposa, uma Pereira, Dona Benuta, que era sobrinha do referido coronel, o que deveria vir a ser um elo para a pacificação das duas famílias acabou sendo a origem da fase mais sangrenta da luta entre os dois lados.

Sebastião Pereira, sentado e Luiz Padre, de pé.
Padre Pereira, assumiu o comando da família após a morte de seu pai, o Barão do Pajeú. Era tido como um homem de paz, caridoso, que sempre estava fazendo o bem aos sertanejos do Vale do Pajeú. Por sua condição social, e seu caráter de liderança e conciliação, tinha a casa sempre cheia de amigos e agregados, por ser uma figura extremamente querida no seio da região, teria sido escolhido para ser morto pelo Clã adversário.
Dona Chiquinha a viúva, incutia no seio da família o desejo incontrolável da vingança e o ódio foi sedimentando ainda mais o coração dos membros do clã Pereira, principalmente a partir de seu filho único, Luiz Padre, na época com 16 anos. Ainda no mesmo mês de outubro, seu sobrinho, Né Dadu, cunhado de João Nogueira, matava dois membros da família: Joaquim, irmão de Nogueira e um primo deste. Ato seguido João Nogueira emboscava o cunhado com cerca de 20 homens em sua propriedade na Serra Vermelha, o fato é que também João Nogueira acabou sendo morto e a sanha de Né Dadu e seu grupo não parou por ai, ainda sob as ordens de D. Chiquinha mataram outro membro da família Carvalho, Eustáquio Carvalho, proprietário da fazenda Catolé, fato que trouxe ainda mais combustível para a ferrenha luta.

Em março de 1908 eclodia a resposta dos Carvalho que sob o comando de seu patriarca Coronel Antônio Alves do Exu ataca a vila de São Francisco, berço dos Pereira, à frente de mais de 300 cabras e jagunços.  A defesa dos Pereira fica novamente a cargo de Né Dadu e pouco mais de 25 homens. O combate teria tido outro desenrolar se não fosse a chegada para ajudar os Pereiras de Manuel Pereira Lins, o Né da Carnaúba com cerca de 70 homens e do Coronel Antônio Pereira com mais de 60 cabras, que acabou com a fuga dos Carvalhos liderados pelo Coronel Antônio do Exu.

Naquela época os dois clãs dominavam a política do Vale do Pajeú, de um lado os Carvalho sob a liderança do Coronel Antônio Alves do Exu e seus familiares e agregados. De sua fazenda Barra do Exu, comandava vários outros coronéis de barranco, distribuídos em várias fazendas das redondezas de Vila Bela e outros municípios, com destaque para a fazenda Umburanas de Sindário e seus irmãos Antonio e José. Já os Pereira tinham em Manuel Pereira Lins, da fazenda Carnaúba seu líder maior, o Né da Carnaúba, que sucedia o Coronel Antônio Pereira, forçado a fugir para o Ceará em função de perseguições políticas.

Continua...

Manoel Severo

O abraço cangaceiro da França

Bosco André, Netinho Ferraz e Jack de Witte

Cher Manoel Severo,
Merci pour tes bons vœux pour l’année qui vient !
Desejo famili Cariri Cangaço tambem um feliz ano novo, replete de realizações, com muita saude e felicidade para revender!
Espero tornar a lhe ver para o proximo Cariri Cangaço em setembre! 
Que seria a data provavel ?
Como ja falamos lhe espero com a sua mulher em minha casa para a primavera !!!!!!!
Saudações cangaceiras.

Jack e Michèle de Witte

A alegira de visitar Paulo Afonso Por:Manoel Severo

Paulo Afonso e a cordialidade da recepção do Dr. Luiz Alberto

Visitar a cidade de Paulo Afonso, no norte da Bahia, bem ali, na fronteira "estratégica" para nós, "cangacerófilos"; entre Pernambuco, Alagoas e Sergipe, é sempre uma grande satisfação. Satisfação em todos os sentidos, tanto no que diz respeito ao universo a ser pesquisado, como no reencontro com estimados companheiros e amigos e ainda pela forma cordata e alegre como sempre somos recebidos.

Família Cariri Cangaço em recepção festiva em residencia do Dr Luiz Alberto

Wilson Seraine e o rei Luiz Lua Gonzaga

Sob a batuta do grande João de Sousa Lima, acabamos conhecendo uma dessas pessoas especiais. Falo do odontologista Luiz Alberto, que além de ser um grande profissional da área de saúde possui um amor pelas coisas de nossa terra, incomum; transformando sua agradabilíssima residência em um Memorial das coisas do nordeste, onde convivem em harmonia entre outros, dois reis, o do cangaço e do baião. Ao grande amigo Luiz Alberto e a todos os companheiros queridos de Paulo Afonso: João de Sousa Lima, Antônio Galdino, Janinho, Voldi Ribeiro, Gilmar Teixeira, Luiz Ruben, Rubinho Lima, Jadilson Ferraz e tantos outros, a nossa gratidão.


Ângelo Osmiro, presidente do GECC, entre o casal Luiz Alberto, anfitriões da tarde.

Paulo Gastão e Rubinho Lima

As imagens são cortesia da grande profissional, Driele Mutti do site do "Mais Festa" , que compartilhou conosco a satisfação da grande recepção, que sempre se repete por ocasião de nossas visitas a Paulo Afonso, pelo casal Luiz Alberto.

Manoel Severo