Visita anunciada... Por:Fernando Lima Verde

Padre Cícero o patriarca de Juazeiro do Norte

Acompanhando as últimas postagens do Cariri Cangaço sobre Padre Cícero gostaria de manisfestar também minhas impressões; que não nascem de uma profícua pesquisa, pois pesquisador não o sou; apenas de leituras cotidianas uma vez que sou um apaixonado pelas coisas do Juazeiro e também do período da velha república.

Vendo a matéria de Alcino Costa e principalmente a do professor Wescley Rodrigues sobre a natureza e a estrutura política da época do santo padre do Juazeiro, quando a maior de todas as oligarquias mandava no Ceará; Noqueira Acioly, é nítido que para se manter no poder, era necessário estar afinado com a politica aciolina; e sabemos que Padre Cícero juntamente com seu braço forte, Floro Bartolomeu, era um franco defensor dessa oligarquia, inclusive sendo esse zelo, a razão maior da criação do Pacto dos Coronéis; dito isso, não cabe em minha cabeça a idéia de que algo pudesse acontecer ou "se aproximar" de Juazeiro do Norte sem o prévio conhecimento de Padre Cícero.


 Nogueira Acioly


Os tentáculos do poder dos coronéis era muito grande, entretanto não seria responsável afirmar ou sugerir que havia proteção deliberada de padre Cícero a Lampião, não há sinais fortes nessa direção nem tão pouco a presença da família Ferreira em Juazeiro credencia tal afirmação; mas para mim está claro, apesar da versão contida em Nertan Macedo, que padre Cícero tinha conhecimento das intensões de Virgulino Ferreira. Padre Cícero era um dos homens mais bem informados de sua época, trocava correspondencias com as maiores autoridades do nordeste, recebia um cem número de pessoas por dia, e Virgulino não apareceu em Juazeiro como num passe de mágica, veio percorrendo estradas, entrando e sendo recebido inclusive em algumas cidades pelos seus principais líderes, daí teria sido sem dúvidas "uma visita anunciada".

Obrigado ao companheiro Severo por nos permitir fazer parte dessa família e trazer também a nossa opinião sobre tão polêmico tema, ao mesmo tempo em que parabenizo a todo o pessoal da SBEC e do Cariri Cangaço pelo excelente trabalho realizado.

Fernando Cesar Lima Verde
Fortaleza-Ceará

Pilão Deitado de Manoel Perigo Por:Maristela Mafuz


Severo, conheci um xará seu na Superintendência do Trabalho, que faz telas muito bonitas. Hoje ele me enviou foto de uma tela, daí resolvi enviar para que todos pudessem conhecer.

Tela: Pilão Deitado
Autor: Manoel Perigo Neto
contato:manoel.perigo@mte.gov,br

Maristela Mafuz

Padre Cícero no panteão dos homens Por:Wescley Rodrigues

Wescley Rodrigues

Novamente o grande mestre Alcino, homem de fibra e arguição sem precedentes, nos brinda com um dos seus textos (ver postagem abaixo) , agora abordando um tema que para nós, estudantes da história nordestina, é muito caro e gera dificuldades em ser abordado devido o grau de polêmica e contradições que o envolve. Falar da figura do Pe. Cícero é debruçasse sobre toda uma realidade social e cultura que passava o Nordeste brasileiro em fins do Império e início da República.

Assim como o amigo Alcino, sou um pouco suspeito a falar do personagem do padre, pois por muito tempo despojei-o da áurea de santidade para colocá-lo no panteão dos homens de sua época que davam suporte a República Velha e ao poder das oligarquias. No entanto, como nenhuma concepção é cristalizada na história, porque pode cair no risco de se tornar dogma, atualmente estou revendo o meu conceito a respeito do dito “santo de Juazeiro” e como Alcino mesmo falou, o maior milagre do padre foi o Juazeiro do Norte.

Pedindo licença ao nobre amigo escritor, só faria uma ressalva. Discordo plenamente da ideia apresentada a respeito da Teologia da Libertação, pois essa imagem foi a imagem que uma elite nacional ligada a Igreja Católica quis proliferar. A Teologia da Libertação antes de tudo foi um grito dos excluídos, uma nova forma de vivenciar o catolicismo sem as amarras de cultos pomposos, vestes cobertas de requetrefes. Pregavam que a fé deveria se aproximar mais dos populares, que a Igreja deveria ser mais atuante nas causas populares, que o Cristo não é somente o dos altares, mas o Cristo se fazia vivo na figura de cada irmão que sofre e necessita de amparo e ajuda. Era necessário essa opção preferencial pelos pobres, coisa que a Igreja Católica só fará após o movimento da Teologia da Libertação. Sendo assim, demonizar esse movimento renovador é continuar realimentando um distanciamento entre a Igreja e os seus fiéis, proibindo que os pobres tenham o seu lugar dentro dessa instituição.

Cordial abraço

Prof. Ms. Wescley Rodrigues
Brasília - DF

Padre Cícero Por:Alcino Alves Costa

Alcino Alves Costa em dia de Cariri Cangaço em Juazeiro do Padre Cícero

No meu entender, um vaqueiro da história, um daqueles rastejadores das coisas de nossos sertões e de seu povo, tem que envidar todos os meios possíveis e imagináveis para não ser tendencioso em seus trabalhos literários, já que a história não é, nunca foi e não será teoria e sim, fatos acontecidos e registrados nas mais diversas versões, mas, infelizmente, tenho que reconhecer uma verdade absoluta. Em relação à vida e o viver do padre Cícero eu sou tendencioso. A realidade é que não tenho nenhuma condição de discorrer sobre esse tão apaixonante assunto. Por quê? Além da escassez de conhecimento sobre a história do notável criador do Juazeiro, o meu sentimento e o meu espírito não encontra nenhuma deficiência que possa desqualificar a quase que divina grandeza desse verdadeiro santo sertanejo. Portanto sou suspeito.

Tenho orgulho e prazer em idolatrar os padres Ibiapina, Damião, Donizete, Frei Galvão e o próprio padre Cícero. Mas, vejam a ironia do destino. Desde os tempos fulgurantes da Teologia da Libertação, quando alguns teólogos em seus brados inflamados e cheios de ódio para com aqueles que possuíam terra e gado, procuravam jogar família contra família, sociedade contra sociedade, povo contra povo, eu me afastei por completo da igreja. Deixando a igreja de lado, por não aceitar e nem acreditar naquele novo proceder dos representantes do catolicismo. E assim, não aceitando aquela nova posição da igreja, procurei refúgio e consolo espiritual nas palavras de Alan Kardec e Bezerra de Menezes, porém sem deixar em nenhum instante de minha vida de me valer de Nossa Amada Mãe Santíssima e de nosso Amado Mestre e Senhor Jesus Cristo.

Voltando ao Padre Cícero o assunto em pauta é: ele protegia cangaceiro? Ele protegia Lampião? Claro! O Padre Cícero protegia cangaceiros. Protegia Lampião. Sob qual fundamento e baseado em que eu faço essa afirmação? Ora, meus amigos, o padre Cícero nasceu e carregou por toda encosta de sua vida a sublimação do amor em toda a sua abrangência. Ele amava todos. O rico, o pobre, o preto o branco, o letrado o analfabeto, o caboclo o praciante, também o ladrão e o criminoso, o bandido e o malfeitor. Esses eram a sua grande preocupação. Aqueles que ele orava todos os dias para tirá-los do abismo do crime. Enfim, a todo ser humano, a todos os filhos de Deus, fosse cangaceiro ou qualquer desvalido da sorte; também os grandes e famosos cangaceiros foram por ele amados, dentre eles Sinhô Pereira, Luís Padre e o próprio Lampião.


Alcino Costa, João de Sousa, Ângelo Osmiro e Ivanildo Silveira, no Museu vivo de Padre Cícero, em Juazeiro do Norte, no Cariri Cangaço

Se em março de 1926, o padre Cícero recebeu ou não Lampião em sua residência ou em qualquer outra localidade, não deslustra a sua excelsa vida. Mesmo porque, o padre Cícero jamais iria se recusar em receber quem lhe procurasse.Aliás, nos registros históricos do célebre escritor Nertan Macedo, o filho do Crato diz nas páginas 136 e 137 de seu livro “Lampião”:“(...) Já muito alquebrado e, como de hábito, sentado a segurar velho e nodoso cajado, estava o Padre, em casa, quando a beata Mocinha irrompeu quarto adentro, comunicando”:

- Meu padrinho, aconteceu uma desgraça!
- Que desgraça, criatura? - perguntou o Padre.
- Lampião está aqui!
- Mas quem mandou esse homem entrar no Juazeiro? - insistiu o ancião.
E, chamando um dos seus caseiros, ordenou:
- Diga a Lampião que venha cá! Quero saber com ordem de quem ele veio ao Juazeiro!
Ai Lampião, na companhia de alguns cabras, compareceu à presença do Padre Cícero.
Este o recebeu em casa, cajado na mão, sentado na cama.
- Meu padrinho... - foi balbuciando, cheio de humildade, o Capitão, ajoelhando-se com os cabras.
Mas a palavra do patriarca saiu cortante:
- Cale a boca, Lampião! Você é um condenado! Você vai pro inferno pelos seus crimes praticados! Faça como Sinhô Pereira e Luís Padre: vá pra Goiás...
- Mas, meu padrinho, eu não posso atravessar tanto sertão a pé, numa viagem desta...
- Cale a boca, Lampião! - repetiu duramente o Padre, reiterando-lhe a exortação de que o Capitão abandonasse o cangaço e fosse embora para Goiás, como já havia feito os outros chefes de bando, Sinhô Pereira 
e Luís Padre...

Esse registro da história atesta muito bem o tamanho descomunal da injustiça que se faz com o santo dos romeiros. Aqueles que não têm compromisso com as possíveis verdades da história não se cansam de registrar apenas aquilo que seja do seu agrado e que seja de sua vontade.
Queiram ou não, o padre Cícero foi um homem que tinha o seu espírito e o seu sentimento muito além das coisas terrenas. Porém, não poderia ser diferente, ele era um ser humano, alguém que também pecava e viveu suas provações. Todavia, nenhuma dessas provações, nenhum de seus pecados, nenhuma posição política alcançada, nem o seu desmedido amor pelo seu Juazeiro, que é sem dúvida alguma o seu maior milagre, nem sua luta em favor de seus amados romeiros desvirtuaram o seu sublime amor pelos preceitos divinos. Numa prova que o seu espírito estava além, muito além, do viver terreno e das vicissitudes da terra.


Beata Mocinha e Padre Cícero: Museu vivo no Horto, Juazeiro do Norte

Portanto, minha querida família sertaneja, desde aquele venturoso dia 24 de março de 1844, quando na então Vila Real do Crato, uma criancinha nasceu de Joaquim Romão Batista e dona Joaquina Vicência Romana, alcunhada carinhosamente de dona Quinô, era também o nascimento de uma nova era, a era comandada por um homem que só queria para a sua gente, para seu povo, para o seu amado cariri e seu amado sertão, PAZ E AMOR.

Saudações cangaceiras
Alcino Alves Costa
O Caipira de Poço Redondo
Conselheiro Cariri Cangaço, Sócio da SBEC

Vem aí mais um documentáro sobre Maria Bonita Por:João de Sousa Lima

Gilmar Teixeira, Fiego Antunes, João de Sousa Lima e Edson  Barreto

Maria Bonita é tema de um documentário que está sendo realizado pelos formandos em jornalismo  Louise Farias e Diego Antunes, com assessoria histórica de João de Sousa Lima e Gilmar Teixeira. O vídeo intitulado "Nas terras de Maria" narra a passagem do cangaço na cidade de Paulo Afonso, dando um enfoque principal nas mulheres cangaceiras. O professor Edson Barreto e outras personalidades que estudam  a temática estão entre os entrevistados no vídeo e já estamos aguardando o lançamento para os próximos meses. 

João de Sousa Lima
Sócio da SBEC, Conselheiro Cariri Cangaço
www.joaodesousalima.blogspot.com

A Dona de Lampião Por:Wanessa Campos


Hoje, Dia Internacional dedicado a Mulher, nosso encontro marcado é com "A Dona de Lampião" da escritora e jornalista,
 Wanessa Campos.

Cariri Cangaço

O que as lentes registraram ! Por:Aderbal Nogueira

Aderbal Nogueira

Caros amigos, segue um resumo de nossa viagem de carnaval na Caravana Cariri Cangaço-GECC. Fica nosso agradecimento a Diana Rodrigues, Assis Timóteo, Selminha, André Vasconcelos, Jairo Luiz, João de Souza e Alcino Costa, pela acolhida sempre cordial aos amigos que em suas terras pousam em busca da história.

O piano que faz as vezes de trilha sonora é de nosso amigo Lívio Ferraz, que nos brindou com um concerto na casa de Dr. Assis na cidade de Triunfo. No mais, nosso muito obrigado a todas as pessoas que estiveram presentes nessa gravação nos dando valorosa contribuição no resgate da história.

Agora é só acompanhar um pouco da Caravana, em vídeo na postagem abaixo.
Aderbal Nogueira - Laser Vídeo

Caravana Cariri Cangaço - GECC Por: Laser Video


Vídeo produzido por Aderbal Nogueira
Laser Vídeo

Diretor do GECC - Sócio da SBEC
Conselheiro Cariri Cangaço

Passagem das Pedras e a Caravana Cariri Cangaço Por:Manoel Severo


Um personagem inusitado roubou toda a cena por ocasião da visita da Caravana Cariri Cangaço-GECC ao Sítio Passagem das Pedras, berço do maior de todos os cangaceiros, Virgulino Ferreira da Silva. Esse personagem trata-se de uma pequena ovelha, linda; preta e branca; que por sua docilidade e domesticidade parece mais um animalzinho domestico; com um pequeno esforço, "passaria por um gato ou um pequeno cachorro..." A ovelhinha segue todos os passos da caseira do local, obedece a seu chamado e come arroz com leite, até parece personagem de Ariano Suassuna no Auto da Compadecida. Quando visitarem a Passagem das Pedras não esqueçam de cumprimentar esse pequeno personagem que é sem igual

O personagem principal do último dia da Caravana Cariri Cangaço-GECC
Totalmente restaurada a fazenda Passagem das Pedras traz à memória a infância do menino Virgulino

Como comenta nosso confrade e proprietário do lugar, Carlos Eduardo "Ali é um lugar polêmico e importante. Uns dizem que o parto foi de um lado da cerca, outros dizem que foi do outro lado. Mas foi naquele chão que veio ao mundo o Capitão Virgulino......." , o fato é que de um lado ou do outro da cerca, nasceu Virgulino Lampião, bem vizinho as terras da família de Zé Saturnino e o resto todos já sabem....

Múcio Procópio e o registro da visita
Juliana Ischiara
Aderbal Nogueira e Afranio Gomes
A Casa de dona Jocosa se transforma em Museu sob a guarda da famosa Serra Vermelha...

Hoje a fazenda mantém a casa de dona Jocosa (avó de Virgulino) totalmente restaurada, o pequeno museu mantido em parceira com a Fundação Cabras de Lampião; de Anildomá Willians e Cleo, é ponto de visita obrigatório para todos os amantes do tema cangaço. Uma das visões mais impressionates da própria fazendo são as da Serra Vermelha, vislumbrada ao longe, mais ao sul da fazenda. Marcante como tudo o que relaciona com a vida de Lampião.

Manoel Severo

Fazenda São Miguel e a Caravana Cariri Cangaço Por:Manoel Severo

Batentes da acolhedora fazenda São Miguel, do inesquecível Luiz de Cazuza

Outra ausência por demais sentida no decorrer da Caravana Cariri Cangaço-GECC, foi sem dúvidas a de "seu" Luiz de Cazuza; patriarca da fazenda São Miguel, ali bem vizinho a Passagem das Pedras, berço de Virgulino e seus irmãos. Por tanta vezes estivemos visitando o lugar e éramos recebidos com a mesma simpatia e carinho pelo seu Luiz e toda sua família.

O olhar do companheiro Aderbal Nogueira com certeza buscava algo além da mobília ou dos personagens daquela tarde de quarta-feira de cinzas. A figura singela, frágil, mansa, mas firme, do sertanejo que aprendemos a admirar e a querer bem, já não iria aparecer... Foram tantos os momentos e recordações, foram tantas as lembranças e histórias repassadas que foi difícil segurar as lágrimas da saudade do bom e afável Luiz de Cazuza...

Luiz de Cazuza em foto de dezembro de 2010 por ocasião de uma de nossas visitas a São Miguel

Seu Luiz veio a falecer no dia 28 de março de 2011, deixando um legado de trabalho e dedicação à família tão marcantes como sua forma de viver e receber os amigos. Naquela tarde de quarta-feira não reencontramos com o velho amigo, mas deixamos em sua casa a marca de nosso respeito e saudade.

Manoel Severo

Floresta Por:Manoel Severo


O número 251 da principal praça de Floresta, em Pernambuco, marca a emblemática sede do quartel da Força Pública, comando central das volantes na luta contra o cangaceirismo dos idos dos anos 20. Por ali sentaram praça, famosos oficiais e sertanejos que dedicaram boa parte de suas vidas à luta contra o banditismo das primeiras décadas do século passado. Destaque para o comandante Teophanes Ferraz Torres, um dos mais festejados oficiais da briosa policia militar de Pernambuco. 

A outrora imponente sede da Força Pública hoje, é o retrato do abandono...

O município de Floresta emancipou do município de Flores, possui 3 distritos e dentre esses está Nazaré do Pico, terra dos famosos Nazarenos, Nazaré por sua vez fica geograficamente entre Serra Talhada, antiga Vila Bela, e Floresta, dessa maneira fazendo do lugar um centro de efervescência na luta contra o banditismo. Foi para Floresta que Livino Ferreira, irmão de Lampião, foi levado por ocasião de sua primeira e única prisão, quando os irmãos Ferreira ainda não eram  cangaceiros profissionais, antes mesmo de entrarem no bando de Sinhô Pereira. 

A história do lugar exige os melhores ângulos: Aderbal, Múcio e Pedro Luiz

Tanto a praça como as calçadas de frente ao prédio foram testemunhas vivas de muitos e signbificativos momentos da história do cangaço

O registro lamentável da visita da Caravana Cariri Cangaço-GECC ao município de Floresta foi sem dúvida a constatação do atual estado do prédio que foi sede da Força Pública da cidade. Casário de valor histórico e arquitetônico sem igual, se deteriorando com a ação do tempo e pelo abandono. Dali partimos para Serra Talhada, visita obrigatória às fazendas São Miguel de Luiz de Cazuza e Passagem das Pedras, berço dos irmãos Ferreira.

Manoel Severo

Nazaré do Pico e a Caravana Cariri Cangaço Por:Manoel Severo

Capela de Nazaré do Pico

Quando Aderbal Nogueira publicou seu testemunho sobre a Caravana Cariri Cangaço-GECC, externou o sentimento de todos nós. Por quantas vezes passamos por aquelas terras, por tantas oportunidades vivenciamos momentos marcantes e inesquecíveis, cheios de história, memória e muito afeto. Em um desses a saudade e lembrança foram enormes: Nazaré do Pico. Era fundamental para nós, logo que entrávamos na Vila de Nazaré, encontrar logo em seus primeiros metros... A velha e conhecida cadeira de balanço na calçadinha de uma das primeiras casas: João Gomes de Lira.


Desta vez não mais o encontramos, sua missão agora não é mais está entre nós. Todas as suas batalhas, vitorias, experiencias, ficaram guardadas, e bem guardadas como todo o carinho e atenção que ele e sua família sempre nos dedicaram, e dedicaram a todos que o visitavam. Grande tenente João Gomes de Lira esta postagem é em sua homenagem.


Nazaré e as homenagens a seus bravos filhos: Primeira Placa em homenagem aos muitos que tombaram na luta contra o cangaceirismo, aqui a homenagem a Gomes Jurubeba, pai de João Gomes de Lira e a placa da rua principal, Coronel Manoel Neto.

Chegamos a Nazaré do Pico por volta das 15 horas, o sol a pino mostrava a vila quase deserta... De repente ao descer do carro e caminhar pela rua principal: Coronel Manoel Neto, se aprochega um grande amigo de "outros carnavais"; Ulisses de Sousa Ferraz, filho do lendário Euclides Flor, comandante de Volante, Nazareno da Gema. Ulisses foi vereador por sete mandatos e vice-prefeito de Floresta, hoje se dedica a perpetuar a memória do seu lugar e de seus valentes antepassados.

Ulisses de Sousa Ferraz, filho de Euclides Flor
Caravana Cariri Cangaço-GECC em Nazaré
Luca correndo para não perder as fantásticas histórias dos Nazarenos

Primeiro foi Ulisses Ferraz, depois um a um foram se chegando e nós também fomos nos aproximando e de repente toda a vila de Nazaré estava novamente revivendo a memória de seus ilustres filhos. Dona Nanã, ou Ana Severo, que costumava dançar "muito" com Manoel Neto, seu Afonso, sobrinho do brioso militar; seu Totonho que ainda lembra a dor sofrida com a perca do pai, Hercílio Nogueira no fogo da Maranduba, seu Neco Gomes, que guarda na cabeça detalhes do dia a dia dos valentes nazarenos. Pouco a pouco a história era revivida, passo a passo, lá do céu o sol parecia ter dado uma trégua, como se também quisesse ouvir os fenomenais relatos...

Ana Severo, Nanã e Manoel Severo
Seu Totonho Nogueira, Ulisses e Lívio Ferraz e seu Afonso de Sá Sobrinho
Seu Neco Gomes sendo entrevistado por Múcio Procópio
Aderbal Nogueira e a "garimpagem" de fragmentos da história

Por fim é dizer de nossa grande satisfação e alegria em novamente visitar Nazaré do Pico ou, a Vila de Carqueja ou simplesmente Nazaré dos Nazarenos. Aqui sem dúvidas foi palco e cenário de grandes emoções, que se perpetuam com o passar dos anos. Desse solo saíram os mais aguerridos e determinados perseguidores de Lampião. Homens que não sabiam o que significava ter medo...

Múcio, Lívio, Juliana, Afrânio e Pedro Luiz
A bela e simpática Nazaré, nos acolheu sob a guarda da Serra do Pico

A João Gomes de Lira; a todos os valentes Nazarenos, suas famílias, amigos, a essa terra de gente forte, o nosso mais profundo 
respeito e admiração.
A vocês dedicamos essa postagem.

Cariri Cangaço.