Ângelo Osmiro: O Guardião da Verdade no Sertão das Letras Por Gilmar Teixeira

Ângelo Osmiro

Há homens que atravessam o sertão não a cavalo, nem de alpercatas gastas, mas armados de livros, paciência e verdade. Ângelo Osmiro é um desses. Caminha pela caatinga da história com o cuidado de quem sabe que cada pegada mal dada pode virar invenção, e que cada palavra fora do lugar pode trair a memória de um povo inteiro. Pesquisador, historiador e escritor, Ângelo não coleciona apenas quase três mil livros sobre o cangaço; ele coleciona respeito. Respeito pela história autêntica, pelos registros confiáveis, pelas vozes que realmente viveram o fenômeno sertanejo. Em tempos de modismos fáceis e romantizações perigosas, ele escolheu o caminho mais difícil: o da verdade. E quem escolhe esse caminho, invariavelmente, se torna referência. Na sua biblioteca — que mais parece um santuário do sertão — convivem Lampião e Benjamin Abraão, coronéis e beatos, Antônio Conselheiro, Padre Cícero, Padre Ibiapina, Frei Damião, Pedro Batista. Todos ali não como lendas folclorizadas, mas como personagens históricos, humanos, contraditórios, reais. Ângelo Osmiro não aceita atalhos: para ele, a história não se inventa, se pesquisa.

Cearense de Fortaleza, nascido em 5 de junho de 1963, formado em História pela UVA, servidor público por profissão e sertanejo por vocação, ele construiu uma trajetória sólida também nas instituições: presidiu a Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço, é membro da ABRAES, da SCGH, da SBEC, Conselheiro do Cariri Cangaço, e de tantas outras casas onde o saber ainda tem valor. Seus livros, Curiosidades do Cangaço, Da caatinga do Góes a Jaguaruana, Assim era Lampião e outras histórias, e Lampião e Benjamin Abraão, não são apenas obras publicadas; são marcos de um compromisso assumido com o Nordeste.

Mas Ângelo não vive só de arquivos, atas e fotografias amareladas. Vive de afetos. Torcedor apaixonado do Fortaleza — desses que sofrem, vibram e até adoecem quando o time cai —, ele sabe que a vida é feita de derrotas e resistências. E acima de qualquer paixão clubística, está o amor pela família: filhos e netos que já aprendem, desde cedo, a amar a literatura nordestina. É aí que mora a maior vitória: o legado que continua. Chamam-no, com justiça, de Doutor no assunto. Mas ele é, antes de tudo, um ser humano especial, educado, inteligente, firme nas convicções e generoso no compartilhar do saber. Dentro da historiografia do sertão nordestino — e especialmente do cangaço — Ângelo Osmiro é unanimidade. Quem pesquisa, quem estuda, quem lê, sabe: ali está um guardião da memória.

Num sertão onde tantas histórias se perdem no vento, Ângelo Osmiro fincou estacas de verdade. E enquanto houver alguém disposto a ouvir o Nordeste como ele escuta, o cangaço não será mito vazio — será história viva, contada com responsabilidade, paixão e honra.

Gilmar Teixeira, Conselheiro Cariri Cangaço - Feira de Santana