Pereira versus Carvalho , a mais Extraordinária Guerra do Sertão, nos Grandes Encontros Cariri Cangaço


Nesta próxima quarta-feira, dia 14 de abril, os Grandes Encontros Cariri Cangaço trazem um dos conflitos mais emblemáticos dos sertões nordestinos com estreita relação com o fenômeno do Cangaço, notadamente com os ciclos de Sinhô Pereira e Virgulino Ferreira da Silva. 

Direto do vale do Pajeú, Manoel Severo, curador do Cariri Cangaço, recebe os pesquisadores e memorialistas, Luiz Ferraz Filho, de Serra Talhada, antiga Vila Bela e Valdir Nogueira, de São José de Belmonte para nos contar a verdadeira face do conflito entre os clã Pereira e Carvalho; a gênese, as implicações, os interesses, as tramas, Sinhô Pereira, Luiz Padre e Virgulino Ferreira se encontram nesse espetacular emaranhado da mais cruel historia nordestina.

PEREIRA x CARVALHO
A Mais Extraordinária Guerra do Sertão
DIA 14/04/2021
19H30
Canal do YouTube do Cariri Cangaço

A Passagem de Virgínio Moderno por Pesqueira Por:Junior Almeida

Casarão da Fazenda Catolé
Contou-nos o bancário aposentado e também pecuarista Fred Brito, de 69 anos, residente em uma propriedade da zona rural de Buíque, Pernambuco, que na madrugada do dia 6 de junho de 1936 um grupo de 12 bandoleiros e mais uma mulher, sob o comando de Virgínio Fortunato da Silva, o cangaceiro Moderno, chegou à Fazenda Catolé, em Pesqueira, no Agreste do mesmo Estado, pertencente ao seu avô, Rogério Cavalcanti de Brito (1888-1974), chamado por ele, e todos os netos, carinhosamente de “Padre Dinho”, onde no local, a súcia fez prisioneiro um morador da fazenda, de nome Severino Panelada, forçando-o a bater à porta da casa sede, para acordar seu patrão e compadre.
Severino quando bateu na porta, seu compadre Rogério perguntou o que se tratava, àquela hora da noite, tendo o morador respondido que sua esposa estava doente, precisando de ajuda, de um remédio de Dona Adelaide. A versão foi dita por Panelada conforme a orientação prévia dos cangaceiros. Rogério abriu a porta e foi logo rendido, sendo todos da casa abruptamente acordados.
Nessa época, a sua mãe, Lenira de Lima (1918-2010), era noiva do seu pai, Renato Tenório de Brito (1915-1979), filho mais velho do casal Rogério e Adelaide e, por uma grande falta de sorte, segundo Fred, sua mãe e uma irmã dela, a mais velha, de nome Irene, tinham ido à fazenda conhecer a família do futuro marido, portanto, ficaram também sob ordens dos sicários.
À esquerda da entrada do casarão, existia um quarto grande, usado para orações, o qual era chamado por todos de o “quarto de São Pedro”, pois o fazendeiro Rogério era devoto do santo que a História diz ter sido o primeiro Papa. Nesse cômodo existia uma mesa de madeira, espécie de altar, forrada com elegante toalha de linho branco, que ia até o chão, e sobre ela vários santos e santas, dentre eles, uma bela imagem do santo pescador. O que pouca gente sabia, é que embaixo desse altar, ocultos pelo grande tecido, ficavam guardados dois rifles calibre 44.

Casarão da Fazenda Catolé, em Pesqueira, Pernambuco, que serviu de cenário no filme "O Cangaceiro", de 1997

Por ser aquele espaço um local sagrado da casa, ficou livre da sanha dos sicários, que reviraram tudo dentro da residência, à procura de objetos, joias, dinheiro e, claro, armas. No meio dos cabras, tinha um com um violão velho, com apenas três cordas. Enquanto a casa estava sendo saqueada, as mulheres foram obrigadas a cozinhar para o bando. Menos mal que a despensa estava abastecida, com produtos da própria fazenda e os comprados na feira de Pesqueira, que já naquela época, era realizada nas quartas-feiras.
A cozinha da casa era enorme, do dizer de Fred Brito, “daria para fazer um forró naquele espaço” e, foi justamente isso que os cangaceiros queriam. Com o precário instrumento, ligeirinho improvisaram um “baile”. Um dos salteadores pegou na mão da menina/moça Lenira, de apenas 17 anos, cantou uma quadra que dizia “não quero dengo/não quero choro/, quero a menina do cabelo loiro”, referindo-se a Lenira, e a chamou pra dançar. Sem receios, com coragem tirada não se sabe de onde, ela aceitou, mas o cangaceiro não quis dançar. Era um teste. O bandoleiro disse:
Eu peguei a sua mão e lhe chamei pra dançar, pensando que você não ia e, se dissesse que não dançava, eu ia fazer você dançar nua, aqui na vista da gente. Ia tirar a roupa e ia dançar nua.
Depois do ocorrido, Lenira disse que “se já estava pensando que morreria quando os cabras invadiram a casa, depois do susto que passou com a história da dança, achava que iria cair durinha ali mesmo”.
Logo que invadiu a casa, Virgínio Moderno disse a que vinha: queria três contos de réis do fazendeiro, para que, segundo ele, pudesse deixar Rogério, sua família e propriedade em paz. O grande problema é que o fazendeiro não dispunha, naquele momento, de avultada quantia em casa, então, os cangaceiros, ao deixar a fazenda, o levaram como refém. Só para se ter uma noção do que daria para comprar com tanto dinheiro, naqueles dias um saco com 50 quilos de farinha de mandioca estava custando 18$000 (dezoito mil réis), o feijão preto, saco de 60 quilos, 36$000. Com mesmo peso, o feijão mulatinho era vendido por 60$000 e o milho a 17$000.

Ruinas atuais do Casarão

Renato Brito, como já foi dito, era o filho mais velho de Rogério e Adelaide, e pediu permissão a Virgínio para selar um cavalo para seu pai ir montado, pois sabia que seu genitor não aguentaria o trupé da caminhada dos cabras. O argumento do primogênito, para o fazendeiro Rogério Brito ir montado, enquanto os cangaceiros iriam a pé, era que “se iam matar seu pai, que matassem logo, ou então permitissem ele ir a cavalo.” Com o consentimento de Moderno, o rapaz trouxe um animal de nome “Revoltoso”, para que o pai pudesse acompanhar a marcha do bando, perguntando em seguida ao chefe do bando, como faria para encontrá-los depois, para pagar o dinheiro do resgate. Virgínio respondeu:
Nós vamos para os lados de Boa Sorte (atual Venturosa). Você é um homem de fazenda, vai saber pegar o rastro de 13 pessoas e apenas um cavalo.
Depois da saída do grupo da Fazenda Catolé, levando seu proprietário como refém, Renato Brito foi até Pesqueira, distante quatro léguas da Catolé, arranjar o dinheiro do resgate com amigos. Fato curioso, é que os cabras do bando trocaram de roupa na fazenda, deixando para trás as vestes sujas de tantas andanças e combates, com algumas delas até manchadas de sangue, peças essas, que depois foram expostas nas Casas José Araújo, na cidade de Pesqueira.
Na terra do doce e da renda, Renato conseguiu o dinheiro com Severino do Leite, e célere, seguiu a pista do bando, encontrando-o no local Carrapateira, meia légua depois de Venturosa, sentido Garanhuns. No local, um fato inusitado aconteceu: ao receber o pacote de dinheiro, Moderno conferiu o valor e devolveu Rogério à família, dizendo que mesmo que seu filho não tivesse conseguido a quantia exigida, não matariam o fazendeiro, pois, segundo o cangaceiro, “um homem bom daqueles não se matava”. Especula-se que ou Virgínio costurou um acordo futuro, para proteção ou outro tipo de vantagem, ou durante a caminhada, o fazendeiro fez, na medida do possível, amizade com os cabras, pois, se sentiu tão à vontade, ao ponto de pedir a Virgínio um cachorro que acompanhava o bando, tendo Moderno dito que não dava “porque aquele cão pagava muitos dos cabras ruins sob seu comando”. Rogério e Renato Brito, pai e filho, voltaram para sua Catolé, em Pesqueira, depois das cinco da tarde daquele dia.

Virgínio, no centro, ao lado de Durvinha

Sobre essa passagem do cunhado de Lampião por Pesqueira, o Diário de Pernambuco publicou no dia 7 daquele mês a seguinte nota:
BANDIDOS NO LUGAREJO IPANEMA.
O COMANDANTE DE UMA DAS FORÇAS VOLANTES TELEGRAFA A SECRETARIA DE SEGURANÇA.

Ontem, à noite, a Secretária de Segurança recebeu telegrama do comandante de uma volante em Pesqueira. Informava que alguns bandidos passavam pelo lugarejo denominado Ipanema. A volante saiu em seu encalço, travando ligeiro tiroteio. Os cangaceiros, porém, fugiram em debandada. A polícia não sabe si se trata de Lampião ou do grupo de Virgínio.
No dia 9 o mesmo jornal publicou:
OS BANDIDOS EM PESQUEIRA
UM TELEGRAMA DO PRESIDENTE DA ASSOCIAÇÃO COMERCIAL
Recebemos ontem de Pesqueira o seguinte telegrama: “PESQUEIRA, 7 – Confirmando meu telegrama publicado nesse jornal sobre a passagem de um grupo de cangaceiros neste município, foi atacada, ontem, a fazenda Catolé, distante apenas 15 quilômetros desta cidade. Foi sequestrado pelos assaltantes o proprietário da mesma fazenda sr. Rogério Brito, para cujo resgate exigiram três contos de réis. (a) Antônio Araújo, presidente da Associação Comercial”.
Seis décadas depois da invasão da Catolé, um número bem maior de cangaceiros esteve na propriedade, com direito a cavalos, tiros e mortes, mas tudo isso de mentirinha, é claro, pois na verdade, o que aconteceu naquela propriedade, foram gravações de cenas da refilmagem do filme “O Cangaceiro”, de Lima Barreto, de 1953. Na nova versão, que estreou nos cinemas de todo Brasil em 1997, o ator Paulo Gorgulho, fazia o papel do Capitão Galdido, e Luíza Tomé, viveu Maria Bonita. O elenco ainda contava com o experiente Joffre Soares, Ingra Liberato, Jece Valadão, Othon Bastos, o sanfoneiro Dominguinhos, dentre outros. A bela casa da Fazenda Catolé nem de perto se parece com as dos tempos de Rogério Brito, muito menos da época que o filme “O Cangaceiro” teve algumas cenas gravadas lá, o que não faz tanto tempo. Recentemente (2020) um youtuber da cidade de Pesqueira esteve no local e mostrou que o que fora um imponente casarão, hoje está em ruínas.

Junior Almeida, pesquisador e escritor  - Capoeiras -PE

Conselheiro Cariri Cangaço

*Fontes: Fred Brito, Canal Raniery Mendonça, no Youtube, Blog Pesqueira Lendária e Eterna e Jornal Diário de Pernambuco.
**Fotos: Cangaceiro Moderno, fonte Blog do Mendes; Casarão da Fazenda Catolé, fonte Blog Pesqueira Lendária e Eterna; Print do filme O Cangaceiro, de 1997; Ruínas do casarão, fonte Canal Raniery Mendonça, no Youtube; Fazendeiro Rogério Brito

Carybé Retrata o Cangaço Por: Beto Rueda

O grande artista plástico Hector Julio Páride Bernabó(Carybé), retratou o cangaço em várias formas de sua expressão artística, contribuindo para o enriquecimento e divulgação do tema.

Nascido em 7 de fevereiro de 1911, na pequena cidade de Lanús, subúrbio de Buenos Aires, o pintor viveu em Gênova e Roma (Itália) dos 6 meses aos 8 anos. Em 1919, veio morar no Brasil onde completou os estudos secundários no Rio de Janeiro e estudou na Escola Nacional de Belas Artes. Em 1927, retornou para a Argentina, onde trabalhou em diversos jornais, até que o periódico "Prégon" o contratou para viajar por vários países fazendo e enviando desenhos e reportagens de onde passasse. Com isso, Carybé começou a ter contato com várias culturas e diferentes formas de expressão artística, que influenciaram o seu trabalho como pintor. Em uma dessas viagens conheceu Salvador, onde começou a ter contato com a cultura baiana.


Até meados dos anos 40, Carybé viveu entre vários países, mas sempre retornando ao Brasil. Neste período, trabalhou como ilustrador de obras literárias e traduziu o livro Macunaíma, de Mário de Andrade, para o espanhol, neste mesmo ano ele conquista o Primeiro Prêmio da Câmara Argentina del Libro por sua ilustração do livro Juvenília, de Miguel Cané, ícone da literatura argentina. Em 1943, fez sua primeira exposição individual e ilustrou o livro "Macumba", Relatos de la Tierra Verde", de Bernardo Kordan.


Em 1946, casou-se com Nancy, na província argentina de Salta, com quem teve dois filhos, o artista plástico Ramiro e a bióloga Solange. Após várias viagens para Salvador, em 1950 foi morar definitivamente na capital baiana, onde, através de uma carta de recomendação de Rubem Braga, foi contratado para fazer murais em prédios e obras públicas.

Durante os quase 50 anos em que viveu na Bahia, Carybé desenvolveu uma profunda relação com a cultura e com os artistas de Salvador. As manifestações culturais locais, como o candomblé, a capoeira e o samba de roda, passaram a marcar a sua obra. Ao lado de outros artistas plásticos, como Jenner Augusto, Mário Cravo e Genaro de Carvalho, participou ativamente do movimento de renovação das artes plásticas no Estado.


Bastante eclético, Carybé experimentou ao longo de sua vida grande parte das técnicas artísticas conhecidas, como aquarelas, desenhos, esculturas, talhas, cerâmicas, entre outros. Além desses trabalhos, destacou-se também na criação de diversos murais pelo mundo, entre eles, um no Aeroporto de Nova York.

Em 1955 ele obtém o prêmio de melhor desenhista na III Bienal de São Paulo. Sua obra atinge o montante de cinco mil produções, dentre pinturas, desenhos, esculturas e delineamentos iniciais de alguns trabalhos. Suas ilustrações enriquecem publicações de famosos literatos, entre eles Jorge Amado e Gabriel García Márquez.

Em 1957, o artista naturalizou-se brasileiro. Entre seus grandes amigos no país, destacou-se o escritor Jorge Amado, que escreveu, em sua homenagem, "O Capeta Carybé". Na obra, o artista foi definido como "feito de enganos, confusões, histórias absurdas, aparentes contradições, e, ao mesmo tempo, é a própria simplicidade". Carybé fez desenhos em inúmeras obras de Amado, além de ilustrar trabalhos para livros de outros autores de grande expressão, como Mário de Andrade, Gabriel García Márquez e Pierre Verger.


O artista também escreveu livros como "Olha o Boi" e foi co-autor da obra "Bahia, Boa Terra Bahia", com Jorge Amado. Em 1981, após 30 anos de pesquisa, publicou a Iconografia dos Deuses Africanos no Candomblé da Bahia. Realizou também roteiros gráficos, direção artística e figurinos para teatro e cinema. Foi diretor artítico, figurinista e figurante no filme O Cangaceiro de Lima Barreto onde desenhou mais de mil e seiscentas cenas do filme, quase quadro a quadro.

Em virtude de seus trabalhos voltados para a cultura afro-brasileira, enfocando seus ritos e orixás, principalmente em princípios dos anos 70, ele conquistou um importante título de honra do Candomblé, o obá de Xangô. Parte de sua produção encontra-se hoje no Museu Afro-Brasileiro de Salvador, englobando 27 painéis simbolizando os orixás baianos, produzidos em madeira de cedro.

Por quase toda a sua vida, o pintor acreditou que o seu apelido Carybé provinha de um pássaro da fauna brasileira. Somente muitos anos depois, através do amigo Rubem Braga, descobriu que a sua alcunha significava "mingau ralo", o que lhe rendeu diversas brincadeiras.Freqüentador do terreiro de candomblé Ilê Axé Opô Afonjá, Carybé morreu aos 86 anos, no dia 1° de outubro de 1997, em Salvador, durante uma cerimônia no próprio terreiro. O artista deixou como legado mais de 5.000 trabalhos, entre pinturas, desenhos, esculturas e esboços.

Por Beto Rueda

REFERÊNCIA:
ARTISTAS, Arte. Biografia de Carybé e suas obras. < https://arteeartistas.com.br/biografia-de-carybe-e-sua-obra>. Acesso em 29 mar.202

O Coito Perfeito (e Sangrento) Por Rangel Alves da Costa

No mundo cangaceiro, era no coito que a cangaceirama se escondia, repousava ou se entrincheirava até novamente arribar seu destino. Quando o repouso era só de passagem, qualquer sombreado de umbuzeiro servia, mas não quando havia pernoite ou descanso mais demorado. Então, o local de estadia tinha que ser bem escolhido e oferecer meios de proteção contra as surpresas inimigas. Imaginava-se que do local estratégico, não só fosse dificultada a chegada de estranhos como fosse possível avistar qualquer movimentação suspeita ao redor e até mais adiante.

Angico, o mais famoso dos coitos, depois se mostrou como de péssima escolha aos cangaceiros. Ao invés de acoitados e protegidos, ficaram entrincheirados entre serras e montes, e ao largo da beirada de um rio, à mercê do ataque dos soldados e seus comandantes conhecedores da região. Quando a soldadesca chegou já não havia o que fazer. Era como um ninho de passarinhos cercado por gaviões. Não muito distante de Angico, ainda dentro dos sertões sergipanos de Poço Redondo, há um coito que se pode chamar de perfeito: o Coito da Pia das Panelas, na região da Comunidade Areias.

Em meio à caatinga, tufos de mato, arvoredos sertanejos e mandacarus e xiquexiques, uma colcha de pedras grandes se estende quase nos escondidos. Entre as pedras, fendas e buracos desigualam o colchão pedregoso. Por cima, verdadeiros buracos foram sendo escavados pela própria natureza e onde muita água é juntada em tempo de chuvarada. São as chamadas pias. Algumas delas cabem até mais de uma pessoa. Assim, um local perfeito para um coito cangaceiro, pois em meio à vegetação fechada e espinhenta, do alto é possível avistar as distâncias, entre as fendas é possível posicionamento para ataques, e as pias servindo como verdadeiras trincheiras para defesa e contra-ataque.

Por isso mesmo que o Coito da Pia das Panelas era um dos preferidos da cangaceirama quando de passagem pela região. E não há notícia de nenhum ataque das volantes na localidade. Mas, por outro lado, há notícias de terríveis acontecimentos no coito, e envolvendo os próprios cangaceiros e outros sertanejos. Nada menos que cinco mortes no coito e ao redor: Lídia de Zé Baiano, morta pelo próprio companheiro; Coqueiro, o delator da traição de Lídia; Zé Vaqueiro e Preta de Virgem. A quinta morte foi a de Rosinha, logo adiante. Do alto do coito se avista o Riacho Quatarvo, alguns passos mais abaixo, onde a companheira de Mariano foi morta, a mando de Lampião, pelas mãos de Zé Sereno, Juriti, Balão e Vila Nova. Quem conhece o passado da região e o que por ali ocorreu nos tempos cangaceiros, é como se os vultos ainda rondassem e os gritos ainda ecoassem por todo lugar. O sangue um dia jorrado ainda está por ali, as ossadas também. Fantasmas da história que ainda assombram. Num coito perfeito, um leito carrasquento de mortes.

Rangel Alves da Costa, pesquisador e escritor

Conselheiro Cariri Cangaço - Poço Redondo-SE