Canyons do Talhado...

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Diário de Viagem, Canyons
Gruta do Talhado, Dia 29, 11h

Talhado, um dos passeios marcantes do São Francisco

Mas não vivemos só de cangaço, rsrsrs; as meninas vão ter também muita diversão por aqui. Se temos o passeio até a Grota do Angico, quando descemos o São Francisco, sentido nascente/foz; o passeio a Gruta do Talhado é também fascinante. Aqui fazemos justamente o contrário: Subimos o majestoso Velho Chico a partir do lago da usina de Xingó no sentido foz/nascente e dalí até a sensacional parada na Gruta do Talhado. Um dos mais bonitos pontos deste lado do rio, com direito a refrescante contato com as águas do caudaloso franciscano em uma estrutura e equipamentos de apoio com conforto e segurança para os banhistas.
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Família Sabadia preparado-se para a "voadora"

Para fazer o passeio e conhecer os maravilhosos canyons do São Francisco, com seus paredões chegando a medir cerca de 300 metros de altura e navegando sobre uma impressionante profundidade de cerca de 150 mts, temos a opção de contratar os serviços dos Catamarãs tradicionais que aportam no restaurante Karrancas, em Canindé do São Francisco ou contratar os muitos serviços de navegação pelo rio, desde pequenas "voadoras" emocionantes,  passando por lanchas e catamarãs menores.
 
As imagens impressionam pela grandeza e beleza incomum

Marisa

Sofia
Eu

Depois de muito sol, muito rio, muita água e algumas cervejas...pouco nos resta, agora é descansar para a próxima parada: Angiquinho.

Danielle Esmeraldo
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Cangaceiros desembarcam em Piranhas

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Diário de Viagem, Piranhas
Ponto de Partida, Dia 28 , 8h 30min

Piranhas, ponto de partida para Angico

Na manhã deste dia 28 , tivemos a satisfação de reunir um grupo de pesquisadores do cangaço para mais uma visita a grota do Angico. Retornar ao cenário da morte do Rei do Cangaço nos remete a um dos  mais polêmicos e  controversos episódios do ciclo lampiônico, justamente o de sua morte.

Polêmicas a parte, todas as discussões envolvendo o referido 28 de julho de 1938 me parecem importantes uma vez que nos trazem a cada momento uma nova referência, um novo detalhe, uma nova possibilidade de versão. Claro que muitos asseveram que já se esgotou tudo que se podia com relação a Angico, eu; como um humilde estudante do assunto e um curioso por natureza, prefiro dizer que, ainda existem pontos que teimam em não me convencer...Mas aí é outra história, daqui a pouco tomaremos o Catamarã para mais uma visita obrigatória a Angico.

Cacau, Secretário de Turismo de Piranhas e Severo

Antônio Vilela de Garanhuns

Danielle Esmeraldo e Ricardo Sabadia

Alcino Alves Costa de Poço Redondo

João Paulo do Projeto Memórias, de Dores, Sergipe

A partida se dá do pequeno porto fluvial da cidade de Piranhas, que fica no estado das Alagoas. Tendo a nascente do São Francisco como referência, teremos Piranhas ao lado esquerdo rumo a foz, logo a seu lado teremos Entre Montes, local da casa da família Rosa; de Pedro e Durval Rosa; também do lado Alagoano. Angico fica a cerca de 11 km rio abaixo, do lado de Sergipe, se desembarca no município de Canindé do São Francisco e a grota fica na divisa entre esse e o municipio de Poço Redondo.

Jairo Luiz, anfitrião em Piranhas e Angico

Danielle, Washington Rodrigues e Alcino Costa

Eliseu Gomes Neto, Lelêu, de Delmiro Gouveia

Manoel Moura, do Projeto Memórias, de Dores

Manoel Severo
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Navegando o Opará até Angico

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Diário de Viagem, Piranhas
Opará, Dia 28 , 9h 30min
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Estamos descendo o Velho Chico, à nossa esquerda Alagoas, à direita Sergipe

Opará, essa é a denominação do Velho Chico, pelos indígenas. O majestoso rio da integração nacional, nasce no município de São Roque de Minas, na Serra da Canastra, em Minas Gerais, a aproximadamente 1200 metros de altitude, atravessa o estado da Bahia, fazendo sua divisa ao norte com Pernambuco, bem como constituindo a divisa natural dos estados de Sergipe e Alagoas, tendo por fim sua foz no Oceano Atlântico, drenando uma área de aproximadamente 641 mil km² e atingindo 2 830 km de extensão.

O Rio São Francisco tem seu "descobrimento" creditado ao navegador Américo Vespúcio, que navegou em sua foz em  1501, e seu nome em homenagem ao Grande Francsico de Assis  se dá pela data da expedição , 04 de outubro, dia em que o mundo cristão festeja São Francisco.

Rumo ao Catamarã Cangaceiro...destino:Angico, desse porto saiu a volante do Tenente João Bezerra para matar Lampião

Ricardo Sabadia no Porto de Piranhas

O Cangaceiro, companheiro que nos leva a Angico

No caminho: O povo do Rio

Começamos da deixar Piranhas para tras...

O trajeto do porto de Piranhas até a Grota do Angico é feito pelos Catamarãs, O Cangaceiro e Volante, ambos da família Rodrigues Rosa, tendo a frente o companheiro Célio Rodrigues. São cerca de 11km rio abaixo, do lado alagoano o município de Piranhas, do lado sergipano o município de Canindé do São Francisco. 

Danielle Esmeraldo

Jairo Luiz e Alcino Costa

Lia Sabadia

Família Rodrigues Rosa: Angesila, Washington e Célio

Marisa Sabadia e Danielle Esmeraldo

Todo o trajeto fluvial é simplesmente fascinante, a beleza do rio, uma imensidão de azul nos cercando por todos os lados, ao longe, nas duas margens a vegetação rala, típica da caatinga, o verde das últimas chuvas e no céu, um ou outro pássaro parecendo nos observar...e saber para onde iríamos. Perto de trinta minutos depois, chegaríamos ao pier do Restaurante Angico e dalí seguiríamos pela trilha utilizada pela volante, até a grota mais famosa do planeta.

Antônio Vilela e Ricardo Sabadia

Famíllia Cariri Cangaço reunida mais uma vez

Catamarã O Cangaceiro

 Desembarque no pier do Angico

Washington Rodrigues, Vilela e Alcino Costa
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No rastro de João Bezerra a Lampião

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Diário de Viagem, Canindé e Poço.
Grota:Angico, Dia 28, 11h 30min

Passo a passo até o cenário do último ato de Virgulino
 
Do desembarque na pequena praia fluvial do restaurante Angico até a grota são mais ou menos 800 metros da mais pura caatinga braba. Os mandacarus, xique xique, caibreiras, espinhos, urtigas, as pedras e pedregulhos de todos os tamanhos sem falar no sol abrasador são nossas companhias naturais. Nossa bagagem: muita água, protetor solar e uma bengala improvisada para o decano do grupo: Alcino Alves Costa.  
 
Washington Rodrigues e o futuro memorial Angico

Pesquisadores e a polêmica das fotografias...

No rastro das volantes

De encontro a Virgulino e seu bando

A trilha utilizada pelos soldados de João Bezerra ha 72 anos atras é a mesmo que os visitantes percorrem nos dias de hoje; com uma ou outra pequena modificação, fruto da ação da natureza e do tempo; de resto, temos a real impressão dos passos dos 49 homens que deram cabo de Lampião naquela manhã de julho de 1938.

No Alto das Perdidas, 
a primeira polêmica...

O Alto das Perdidas, já bem perto do ponto central do coito do Angico, foi o local onde as tropas comandadas por João Bezerra pararam para definir; de acordo com a localização do bando, indicada pelos irmãos Pedro e Durval Rosa; como se daria o cerco, a aproximação e o ataque.

Temos na obra do Dr. Antonio Amauri, "Assim morreu Lampião", detalhes importantes e elucidativos sobre esse crucial momento. O que sabemos é que o grupo teria se dividido em tres ou quatro colunas; mais crível que tenha sido em tres colunas, com o comando de um grupo sob as ordens do sargento Aniceto, um outro sob as ordens do aspirante Ferreira de Melo e o principal sob as ordens do tenente Bezerra.

As tres colunas teriam sido orientadas a cercarem o bando e atacarem sob o sinal de João Bezerra; ao final, os homens de Ferreira de Melo em função das circunstãncias; a aproximação perigosa do cangaceiro Amoroso; deu inicio ao combate, ali estavam os protagonistas dos primeiros e decisivos balaços, Maria, Lampião e Luiz Pedro, certamente foram alvejados pelos homens de Ferreira de Melo.

Ali, no alto das Perdidas, os pesquisadores; Alcino Costa, Jairo Luiz e Antônio Vilela, com o auxílio de Manoel Severo, Washington Rodrigues e Ricardo Sabadia, tentaram responder algumas perguntas: No meio da noite os policiais teriam tido condições de estabeler a melhor forma de cercar os cangaceiros? Como não conheciam o lugar, nem o relevo, nem a disposição real do coito, que elementos teriam utilizado, além das informações dos coiteiros ? Porque Aniceto não disparou um único tiro? Onde falhou a estratégia militar em permitir ainda a fuga de mais de 20 cangaceiros?

 A primeira polêmica da Caravana ao parar no Alto das Perdidas

Uma das fotografias mais famosas do episódio do cerco de Angico é sem dúvidas a que nos mostra os corpos mortos e insepultos dos cangaceiros, empilhados, e sobre eles seus algozes; inclusive em uma delas aparece Pedro de Cândido e também uma garrafa de bebida sobre o corpo de um cangaceiro. Polêmica: Onde teria sido tirada essa fotografia? Em que local do grota aqueles corpos foram amontoados daquela forma? Como explicar o paradoxo do relevo que aparece na foto e o naturalmente encontrado na grota, onde estão atualmente as cruzes?

A foto em questão: Qual teria sido realmente o local?

Ricardo Sabadia e Jairo Luiz: Mais polêmica quanto ao relevo do lugar onde foi feita a foto

Discussões, versões e interpretações a parte, está em Angico é algo incrivelmente inexplicável. Ali, na manhã fria daquele 28 de julho de 1938, os homens comandados por João Bezerra, Ferreira de Melo e Aniceto, cercaram e mataram 11cangaceiros, entre eles; Lampião e sua Maria. Depois do embate, se encontrava morto um policial, Adrião Pedro de Sousa, doze mortos no mais polêmico e misterioso episódio do cangaço de Virgulino Ferreira da Silva.

Quem teria sido realmente o grande herói de Angico? O tenente João Bezerra? O aspirante Ferreira de Melo? O soldado Antônio Jacó, conhecido por Manel Véi?

Para o Caipira de Poço Redondo, pesquisador e escritor, Alcino Alves Costa, o grande herói de Angico "foi mesmo Virgulino Ferreira da Silva, que ha 72 atras armou esse lamirinto que é Angico e que até os dias de hoje não conseguimos sair dele...vocês podem até achar que é uma bobagem o que eu digo, mas velho acaba ficando mesmo meio bobo e abestalhado, rsrsrs"

Ricardo, Vilela, Severo, Jairo e Alcino

Danielle, Alcino Costa e o verdadeiro herói de Angico: Virgulino

Esse Caipira Alcino ! Se não existisse teria que ser inventado. Na verdade teríamos ainda muito o que postar, apenas considerando a visita a Angico, e em se tratando de Alcino Alves Costa... que não se considera polêmico! Mas, vamos aguardar, estaremos postando em outras oportunidades neste mesmo blog, um conjunto surpreendente de depoimentos, principalmente em vídeo, produzidos durante a visita. Continuem conosco e o nosso Diário de Viagem.

Abraços.

Manoel Severo
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Por dentro do Diário ...

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Por dentro do Diário...de Sofia Gomes

Sofia Gomes na grota do Angico

Eu nunca imaginei que faria uma viagem por cidades do interior do Brasil e que iria ficar tão deslumbrada e tão mais rica culturalmente. Conhecer um pouquinho mais de um país tão grande, fez-me perceber que não posso me limitar a conhecer as grandes capitais do país e do mundo. Fui totalmente surpreendida nessa viagem, conhecendo tantas belezas naturais e conhecendo grandes histórias vivas.

Conhecer um pouquinho da história do cangaço, através de pessoas que fizeram parte dessa história, através da visita a locais por onde passaram os cangaceiros é algo que não tem preço, além de inesquecível. Cada momento me fez refletir um pouco sobre cada dificuldade, cada mistério, cada conquista dessa incrível história. Acabei ainda relacionando o cangaço com a atualidade, observando toda a influência cultural do cangaço para alguns de nossos hábitos. Conhecer a história do nosso país é conhecer a nossa própria história. Vale a pena!

Sofia Gomes

NOTA CARIRI CANGAÇO: a jovem Sofia Teixeira Gomes, é acadêmica de medicina em Fortaleza, é sobrinha do confrade Ricardo Sabadia e nos deu o privilégio de compartilhar momentos inesquecíveis da Família Cariri Cangaço em terras nordestinas. Muito bom, ao final arranjou um novo emprego para daqui a quatro anos em Piranhas e também um admirador secreto...!!!
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