Manifestações do Brasil pela restauração da Casa do Jacu

Todos em defesa da Restauração das Casa de Chico Pereira em Nazarezinho !

João Pessoa – PB, 09 de julho de 2013.  
Venho através desta, solicitar o empenho das autoridades do executivo da prefeitura da cidade paraibana de Nazarezinho, no restauro da casa grande da fazenda Jacu, a qual é berço de nascimento de Francisco Pereira Dantas o "Chico Pereira," o qual lutou com todas as forças ansiando por justiça, até enveredando pelas hostes cangaceiras no intuito de preservar a honra da família, onde teve o pai assassinado nos idos dos anos 20. Chico Pereira tornou-se ícone de grande relevância na história nordestina e do Brasil. Como pesquisador e leitor assíduo da literatura cangaceira vemos que em diversos livros inerentes ao tema mencionam a trajetória desse sertanejo paraibano. Portanto, em participação no Parahyba Cangaço em 16/06/2013, constatamos as atuais condições físicas das dependências da casa da fazenda Jacu, onde requer um restauro urgente naquela edificação.Durante as palestras onde o prefeito de Nazarezinho o Sr. Salvan Mendes e o presidente da câmara de vereadores prestigiavam o evento demonstraram interesse em verificar as reais condições junto a pasta de infraestrutura do município em se empenharem na conservação desse patrimônio histórico,  e deixou os participantes confiantes e honrados ao verem os chefes do executivo local sensíveis com a elaboração desse projeto. A casa centenária da família Pereira Dantas merece ser restaurada para que sirva de estudos e conhecimentos históricos, com a criação de um museu e uma biblioteca inseridos na secretaria de educação e cultura, para que a juventude local e circunvizinhas bem como aos estudiosos de toda parte do Nordeste e do país possam acrescentar no roteiro de pesquisas a inserção do referido município. Acreditamos na sensibilidade das autoridades, pois, com esse feito deixarão para posteridade um marco histórico para o município de Nazarezinho.Um cordial abraço!
Narciso Dias -Presidente do GPEC (Grupo Paraibano de Estudos do Cangaço) e Conselheiro do Cariri Cangaço.
 
 
Mossoró – RN, 08 de julho de 2013.
  A Casa do Jacú é uma relíquia deixada por Chico Pereira. 
Não podemos deixar em pleno abandono um patrimônio nacional, desde que o movimento cangaceiro foi abraçado pelo país, desde o momento em que escritores pertencentes a Academia Brasileira de Letras registraram os fatos ocorridos dando ênfase dos acontecimentos daquela época e o mundo inteiro ficou inteirado. Registramos a vinda de Billy Janes Chandler ao Nordeste para pesquisar o fenômeno e defendeu tese na universidade americana.Linda Lewin aqui esteve para estudar problemas idênticos, só que centralizou suas pesquisas nos sertões da Paraíba, principalmente na região onde estão localizados Sousa, Nazarezinho e Princesa Isabel.Assim todos juntos clamamos as autoridades que o apoio dado será transformado  em maior número de pesquisas coordenadas pelas Universidades e pelos organismos que hoje já encontram-se aptos e dispostos para comandar a grande luta - registrar os fatos ocorridos em Nazarezinho; levar conhecimento aos seus residentes; incentivar o fluxo turístico a nível regional e nacional; implantar uma biblioteca representativa que venha atender os anseios daqueles que procuram o conhecimento; implantar como consequência a produção de artesanato nas suas mais variadas formas; criar uma data anual para as referidas comemorações; incentivar concursos literários sobre este e outros assuntos correlatos para preparação do aluno jovem com as melhores perspectivas ao futuro; manter a chama do conhecimento sempre acessa com a presença de pesquisadores com conhecimento de causa para haver real crescimento das propostas apresentadas; juntar o cangaço com  a paleontologia já devidamente conhecida e que a soma de ambas dará resultante significativa; fazer conhecida a região em apreço, tendo a cultura como veiculo propulsor; incentivar aos  poetas de cordel para maiores investimentos e finalmente retornarmos as nossas origens para condensarmos tudo em estudo dos mais significativos. A Paraíba, por Nazarezinho, tem que continuar mostrando sua dinâmica, o caráter da sua gente, a força de vontade frente a um patrimônio invejável e mais, precisamos legar o melhor dos melhores as futuras gerações. Sr. Prefeito e Senhores Vereadores aguardamos ansiosos com o apreço que os Senhores haverão de dar a causa, que hora nos dedicamos, pois, ela pertence aos Nazarenos e como a adotamos, a todos nós nordestinos.Esperançoso me despeço e fico no aguardo de notícias alvissareiras.Sozinhos nada somos, porém, com o pensamento voltado para com a comunidade haveremos de restaurar a Casa de Chico Pereira, implantarmos um museu, fazer funcionar uma biblioteca, um Centro de Referência e local que centralizará a produção do artesanato local e regional. Ainda quero chegar aos Senhores para lhes informar, que já estou há 40 anos ou mais nesta luta e só tenho colhido frutos da melhor qualidade. Desde que fundei a Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço – SBEC, que meu ânimo não arrefeceu, muito pelo contrário, hoje vislumbro um novo mundo de trabalho NAZAREZINHO. Vamos unidos, coesos, preparar o futuro da juventude da terra de Chico Pereira.
Paulo Medeiros Gastão - Pesquisador, escritor, estudioso do cangaço e fundador da Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço (SBEC)

 
Natal – RN, 09 de julho de 2013.
Se torna desnecessário apresentar uma longa digressão acerca da necessidade da restauração e tombamento da Casa do Sítio Jacu, assim como da necessidade da criação do Museu do Cangaço em Nazarezinho.O fundador da Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço (SBEC), disse, por mim, tudo quanto eu gostaria de expressar acerca desse assunto. Acrescento, apenas, algo muito particular constatado por mim, na condição de quem passou pelo serviço público em cargos de ponta tanto em nível federal, quanto estadual ou municipal, se me é permitida essa imodéstia, qual seja que nada é tão relevante, no sentido de firmar o nome do gestor público para o presente e a posteridade, quanto seu compromisso com a cultura. As obras passam e deixam no ocaso, em curto espação de tempo, aqueles que as empreenderam. A cultura, entretanto, é algo vivo, dinâmico, que se recicla e perpetua, sem deixar de expressar, em todos os seus instantes, os nomes dos que a ela se dedicaram. Não por outra razão na Europa e nos Estados Unidos há grandes museus, galerias, festivais de arte e música com o nome de seus instituidores, permanentemente lembrados pelo ávidos consumidores de cultura - algo muito próprio dos dias atuais. Então vamos nos dar as mãos e construir cultura para a história, construindo história para a cultura. 

Prof. Me. Honório de Medeiros
 Escritor e Advogado

 
Paraná, 10 de julho de 2013.
Os pesquisadores do fenômeno do Cangaço, que tive a enorme satisfação de conhecer durante o Cariri Cangaço, trazem para a sociedade brasileira um verdadeiro exemplo de como devemos tratar a cultura nacional: com carinho, mas sem perder a rigorosidade da ciência. Desta forma, esta pequena voz do Sul vem se unir a estes baluartes e guardiões de tão enorme tesouro no pleito pelo museu, pois assim como afirma José Marti, um dos pensadores da revolução cubana: Sem cultura, não há liberdade. 
Prof. Dr. Luiz Zanotti
Unicentro-Paraná
 
Salto – SP, 10 de julho de 2013.
 Exmo. Prefeito do Município de Nazarezinho - PB, Sr. Salvan Mendes Pedrosa, Eu, José Sabino Bassetti, pesquisador sobre o cangaço e amante da história nordestina, em apoio ao Grudo de Estudos do Cangaço do Ceará - GECC, a outros pesquisadores e entidades, venho pedir as autoridades competentes deste município, o empenho na restauração da casa de Chico Pereira localizada na Fazenda Jacu.O imóvel acima referido, faz parte da rica história nordestina, sendo protagonista de tão importante movimento social, destacadamente na região.
A restauração do imóvel acima citado, seria um marco positivo na sua gestão, e muito ajudaria a manter viva uma história de tanto valor histórico cultural.Peço encarecidamente sua máxima atenção ao referido assunto, e antecipadamente agradeço em nome de todos.
 José Sabino Bassetti-Escritor e Pesquisador
 

Nazaré do Pico homenageia o centenário de João Gomes



 13 de julho de 2013 em Nazaré do Pico 

Floresta - Pernambuco


14:00 - Mesa Redonda ( Clube Recreativo)
            Tema: Nazaré do Pico: Historiando as Raízes do Cangaço

           Palestrantes - Paulo Moura - Recife/PE, 
Antônio Vilela Souza - Garanhuns/PE, 
João de Sousa Lima - Paulo Afonso/BA
Lançamento da 3ª edição do livro "Lampíão - Memórias de um Soldado de Volante", de autoria do Ten. João Gomes de Lira

 16:30 - Merenda

 17:00 - Inauguração do Busto / Apresentação de grupos culturais

 19:00 - Missa (Capela Nª Sra. da Saúde)

 22:00 - Festa na praça

Um agradecimento especial à 
Prefeitura Municipal de Floresta pelo apoio ao evento. 

Att. Lemuel Rodrigues
Presidente da SBEC

O Cangaço não Acabou, Parte 1 Por:Severino Coelho

Cangaceiro de Aldemir Martins

O crime surgiu com o aparecimento do homem na Terra e, qual sinistra sombra, sempre acompanhou e acompanhará a humanidade, não havendo fórmula mágica nem políticas públicas capazes de dizimá-lo, pois faz parte da natureza humana.A luta permanente e insistente é tentar diminuir o seu grau de sofisticação, evitar a sua proliferação no meio social e eliminar a atividade empresarial criminosa, quando já se evidencia a criação de um Estado paralelo.

A lei do Estado Legal perdeu a sua característica de intimidação, hoje, prevalecendo com eficácia e atuação imediata o código secreto do banditismo, cuja sentença promana do calibre da pistola. Desde as primeiras civilizações, ao cunhar a lei, esteve presente um dos seus objetivos primordiais que é limitar e regular o procedimento das pessoas diante de condutas amplamente consideradas como nocivas e reprováveis.

Um dos escritos mais antigos é o código sumeriano de "Ur-Nammu" que data de aproximadamente 2100 a.C. no qual se vêm arrolados 32 artigos que preconizavam penas para atos delitivos. O Código de Hamurabi que é compilação maior e posterior, dentre outros regramentos penais contra o crime, adotava a chamada Lei de Talião ou a conhecida lei do olho por olho, dente por dente, que concedia aos parentes da vítima o direito de praticar contra o criminoso a mesma ofensa e, no mesmo grau por ele cometida.

Na idade média a noção de crime não era muito clara, freqüentemente confundida com outras práticas reprováveis que se verificavam nas diversas esferas legais, administrativas, contratuais, sociais (strictu sensu), e até religiosas. A criminalidade não é uma doença curável que se encontra o remédio curador em qualquer farmácia de esquina. Apenas conhecemos os seus efeitos desastrosos que redundam em pânico e amedrontam o cidadão de bem.


Cangaceiros de Caribé

Alertamos, sim, para que se alcance a extirpação da criminalidade na fase da Terra, e verdadeiramente encontremos um mundo de paz, somente no dia em que o homem acabar com a própria violência que carrega dentro de si. Na verdade, a Sagrada Escritura, o Livro dos Livros, há praticamente dois mil anos tem registrado, pelo ensinamento deixado por Jesus Cristo: “Vocês não compreendem que nada do que vem de fora e entra numa pessoa pode torná-la impura, porque não entra em seu coração, mas em seu estômago, e vai para a privada? É o que sai da pessoa que a torna impura. Pois é de dentro do coração das pessoas que saem as más intenções, como a imoralidade, roubos, crimes, adultérios, ambições sem limite, maldades, malícia, devassidão, inveja, calúnia, orgulho, falta de juízo. Todas essas coisas más saem de dentro da pessoa, e são elas que a tornam impura.” (Marcos, 7, 18-23).

Pode-se interpretar, então, que a consciência humana é quem cria os projetos, que passam a nortear as condições de vida e direcionam o viver de cada pessoa, na busca da felicidade individual. Noutras palavras, cada pessoa possui a consciência moral, que é uma lei interna no íntimo do ser humano. Ela que lhe impõe, no momento oportuno, o fazer o bem e evitar o mal. Essa consciência moral emite um julgamento da razão, pelo qual a pessoa reconhece a qualidade moral de um ato concreto que vai planejar ou vai executar ou que já o praticou.

Com a consagração do princípio nullo crimem nulla poena sine legem (não há crime sem pena prevista em lei), crime e pecado se confundiam pela persistência de um vigoroso direito canônico que às vezes confundia (e até substituía) a legislação dos Estados. Deve-se, portanto, àquele princípio a formulação atual de várias legislações penais que, em verdade, não proíbem nenhuma prática, mas simplesmente tipificam condutas e preconizam as respectivas penas àqueles que as praticam. Assim é correto dizer que não há lei que proíba alguém de matar uma pessoa. O que há é uma lei que tipifica esta ação definindo-a como crime, e prescreve-lhe as diversas penas aplicáveis àquele que a praticou, levando em conta as diversas circunstâncias: atenuantes ou agravantes presentes ao caso concreto.



Cumpre examinar, preliminarmente, a complexidade existente quanto à origem das organizações criminosas, face às diferenças circunstanciais apresentadas por cada país. Note-se que, "no Reino Unido e na Espanha, por exemplo, a existência de uma regulamentação sobre o consumo de drogas, o jogo e a prostituição faz com que os grupos organizados sejam de caráter distinto dos existentes no Japão, onde as organizações que se dedicam ao controle do vício e da extorsão têm uma grande proeminência. Em muitos países do Terceiro Mundo, além da exploração da droga, o crime organizado se dedica à corrupção de funcionários públicos e políticos".

O Interessante se faz comentar que organizações criminosas, como a Máfia italiana, a Yakuza japonesa e as Tríades chinesas apresentam traços comuns, uma vez que surgiram no início do século XVI como uma maneira de defesa contra os abusos cometidos por aqueles que detinham o poder. Ademais, "para o crescimento de suas atividades contaram com a conivência de autoridades corruptas das regiões onde ocorriam movimentos político-sociais". Outrossim, foi relatado que o primeiro caso de terrorismo, vertente do crime organizado, ocorreu em 1855, ocasião que os anarquistas franceses atentaram contra Napoleão III, sendo que esses encontraram guarida de refúgio na Bélgica, cujos governantes recusaram-se a conceder-lhes a extradição. Tal fato originou a Lei francesa de 28 de julho de 1894.

Registre-se, ainda, que no Brasil, a associação criminosa derivou do movimento conhecido por cangaço, cuja atuação desenvolveu-se no sertão do Nordeste, durante os séculos XIX e XX, partindo da vingança pessoal à maneira de lutar contra as atitudes de jagunços e capangas dos grandes fazendeiros, além do efeito de contestação ao coronelismo desenfreado.

"Personificados na figura de Virgulino Ferreira da Silva, O Lampião, (1897-1938), os cangaceiros tinham organização hierárquica e com o tempo passaram a atuar em várias frentes ao mesmo tempo, dedicando-se a saquear fazendas, vilas, e pequenas cidades, extorquindo dinheiro mediante ameaça de ataque e pilhagem ou seqüestrar pessoas importantes e influentes para depois exigir resgates. Para tanto, relacionavam-se com fazendeiros e chefes políticos influentes e contavam com a colaboração de policiais corruptos, que lhes forneciam armas e munições". 



Os famosos cangaceiros que ficaram registrados na história, como líderes dos bandoleiros nas caatingas nordestinas foram: Jesuíno Brilhante, Antônio Silvino, Sinhô Pereira, Virgulino Ferreira da Silva (Lampião), Corisco, Chico Pereira etc. eles utilizavam no enfrentamento dos ataques a tática de guerrilha.

Existiam grupos e subgrupos, comandados por homem de valentia, que numa empreitada maior, juntavam-se e invadiam as pequenas cidades interioranas. Com uma diferença tática de organização criminosa da atualidade, eles não arriscavam penetrar nas cidades de porte médio e metrópoles. Por exemplo, a primeira vez que ousaram invadir uma cidade grande, no caso Mossoró - RN, o grupo de Lampião deu-se mal. Aos poucos, eles foram se aperfeiçoando, atualizaram os seus métodos de atuação, modernizaram os seus estratagemas, acompanharam o processo tecnológico e chegaram a invadir e dominar as regiões metropolitanas do país, inclusive com as suas ramificações internacionais.

Os subgrupos que agem nas pequenas cidades e assaltam a bancos ainda não receberam o título de graduação, a sua participação perante a cúpula dá-se através de parceria com o valor de contribuição do resultado obtido e aquisição de armamentos bélicos e substâncias entorpecentes.
O antigo e autêntico cangaceiro nordestino caracterizava-se pela sua indumentária: roupa de cáqui, chapéu de couro, com as abas quebradas para cima, duas cartucheiras cruzadas no tórax e uma cercada nos quadris, um rifle, uma pistola, um facão afiado, um bornal, um par de sandálias de rabicho, cabelos puxados à brilhantina, cordão de ouro e o pescoço envolto de patuás e vivia no meio das caatingas ressecadas do sertão.
Enquanto que o novo e moderno cangaceiro, que atua em todas as regiões, o distintivo é sua vestimenta de etiqueta, paletó, gravata, sapatos macios, relógio de marca, cabelos escovados, freqüenta hotéis e restaurantes de cinco estrelas, mansões e palácios, gabinetes e escritórios notórios, utiliza celular, Internet e televisão, municiado de armas de fogo de alto potencial ofensivo, dinheiro depositado em contas secretas no exterior, desvios e gastos excessivos do dinheiro público. Mudou somente o perfil do cangaceiro da antigüidade para o gangster da modernidade.

Continua Parte II...
Severino Coelho Viana

Parabéns ao grandioso filho de Nazaré Por:Ana Lúcia

Ana Lúcia em visita ao inesquecível João Gomes de Lira

No início do século XX da República Velha do então Presidente Hermes da Fonseca, nascia a 03 de Julho, numa quinta-feira na Fazenda Jenipapo no Município de Floresta, Pernambuco, João Gomes de Lira. Era o ano de 1913. O governador era Emídio Dantas Barreto. Neste ano o processo histórico de Divisão Regional do Brasil ficou dividido em cinco “brasis”: Setentrional, Norte Oriental, Oriental e Meridional. João Gomes de Lira nasceu na Região Norte Oriental onde Pernambuco estava inserida.

Neste contexto, é importante salientar que o Nordeste, antes de ter essa denominação, serviu como palco de Movimentos Sociais em que, cangaceiros, cabras e jagunços eram terríveis protagonistas destes levantes. Em Pernambuco, a maior liderança do Movimento do Cangaço chamava-se Virgulino Ferreira da Silva – Lampião.

Homem de extrema inteligência comandou diversos ataques, destruições e mortes pelos sertões dos sete Estados nordestinos e para por fim a este banditismo, a Polícia recrutava jovens destemidos para a missão de coibir esses abusos criando as volantes. No Estado de Pernambuco, na cidade de Floresta, no importante distrito de Nazaré do Pico, destacava-se a figura de João Gomes de Lira que se alistou e logo se incorporou na Polícia Militar de Pernambuco, então com 18 anos de idade, para combater o cangaceirismo e o banditismo no sertão.

Em sua trajetória de vida no trabalho, social e afetiva, sempre mostrou dignidade, bondade e imparcialidade em suas decisões. Passou pela hierarquia militar se destacando ao longo da carreira como soldado, comissário, delegado e por último Tenente com muita eficiência e competência aos olhos de toda sociedade sertaneja.

Com poucos estudos não frequentou os bancos escolares com assuidade como desejava, mas, mediante suas memórias como policial atuante, se fez pesquisador do tema Cangaço lançando, após muitos anos de pesquisas, com grande sucesso em dois volumes, o livro Memórias de um Soldado Volante que é um referencial para todos aqueles amantes da História do Brasil e em especial aos bravos soldados nazarenos que participaram diretamente fazendo assim parte da História.

João Gomes de Lira, recebendo a Caravana Cariri Cangaço: Bosco André, Jack de Witt, José Cícero e Manoel Severo 

A João Gomes de Lira, um homem de vida exemplar que foi  pai, avô, tio, amigo de todos, simples, educado, atencioso, acolhedor, pacífico e sempre solícito, todo nosso respeito. Se estivesse vivo, estaria completando 100 anos de idade no dia 03 de Julho de 2013. Agora em Nazaré do Pico, antiga Carqueja em que muitos ainda chamam este pequeno distrito grandioso por sua importância histórica por este nome, será palco de uma merecida e linda homenagem a este valoroso homem que muito honrou a Polícia Militar de Pernambuco como soldado atuante combatendo o banditismo social do Cangaço.

A todos esses valorosos soldados nazarenos que serviram com garra a Polícia militar de Pernambuco lutando contra o banditismo, toda a glória e coroa de louros. Parabéns ao grandioso filho de Nazaré do Pico, o senhor João Gomes de Lira a quem eu conheci de perto e aprendi a admirá-lo. Aqui, rendo minha humilde homenagem.

Ana Lúcia Granja Souza

Restauro da Casa de Chico Pereira Por:Iris Mendes



Meu amigo, Severo!
Marquei a primeira reunião com o grupo para segunda-feira,na Biblioteca Municipal para darmos andamento ao processo no que diz respeito a casa do Jacu.Teremos as presenças já confirmadas; do Prefeito Salvan Mendes, Prof.Wescley, Cesar Nóbrega, Sergio do CCBNB, Profª.Auxiliadora, Ramon, Danilo Valêncio do Curso de História,representação da família Pereira e outros.
Estamos Muito felizes.

Iris Mendes - Nazarezinho, Pb

Juazeiro, o verdadeiro Milagre do Padre Cícero Por:Daniel Walker


Quem melhor descreve a vida do povoado de Juazeiro a partir da construção da Capela de Nossa Senhora das Dores é Amália Xavier de Oliveira. Mas para a organização deste capítulo recorremos também a outros autores, como padre Neri Feitosa e padre Azarias Sobreira, pois eles têm também boas informações. Consta que o padre Pedro Ribeiro de Carvalho, primeiro capelão de Juazeiro, era muito zeloso; cuidava da pequenina população do lugarejo, formada principalmente de pessoas do campo, ensinando-lhes a rezar e a trabalhar. Na época invernosa a população entregava-se aos trabalhos agrícolas; homens e mulheres iam para a roça ocupando-se no cultivo do arroz, milho, feijão, mandioca e algodão. 

Após a colheita, as mulheres ficavam em casa desenvolvendo trabalhos domésticos e fiando algodão para tecer a roupa dos maridos e dos filhos que elas mesmas costuravam, pois não havia máquina. Os homens se dedicavam aos trabalhos da Fazenda, alimentação do gado, solta das rezes nos pastos, ordenha, vaquejada, desmancha de mandioca, caça, pesca, etc. Todos ali aprendiam o Catecismo, rezavam e trabalhavam sob a orientação do padre que não permitia a promiscuidade e fazia tudo para evitar a discórdia entre os habitantes. Foi assim, nesta atmosfera de paz e tranquilidade, que viveram os primeiros habitantes de Juazeiro de 1827 a 1833, quando faleceu o padre Pedro cercado do respeito e amor de todos que o conheceram.


Amália Xavier de Oliveira

As festas mais concorridas, além das religiosas, eram os casamentos. Eram feitos com grande animação: três dias de festa antes do casamento na casa do pai da noiva ou de outra pessoa que o representasse e três dias na casa da família do noivo, após o casamento; depois destes festejos todos, o noivo tinha o direito de levar a noiva para casa.

Os padres que o substituíram na Capelinha eram também zelosos e piedosos. O povoado ia crescendo; novas casas foram construídas, sempre localizadas em torno da Capela e ao longo das proximidades da margem do rio Salgadinho. Surgiram, então, os primeiros aglomerados: Cacimba do Povo, Rua do Brejo, Feira do Capim, Mercado Velho, Boca das Cobras, Volta, Salgadinho, Mochila, Comboeiro (Malvas).

Com a chegada do Padre Cícero (em 11.04.1872) como capelão e graças a sua dinâmica atuação, já tão difundida nos livros que tratam de sua vida, o pequeno lugarejo sofreu profundas transformações até chegar ao estado em que se encontra hoje. O escritor J. G. Dias Sobreira, em seu livro Curiosidades e factos notáveis do Ceará, informa que quando visitou Juazeiro em 1856, o povoado tinha o seguinte aspecto:

"O povoado, nesse tempo, compunha-se de umas sessenta casas de taipa, umas cobertas de telhas e outras de palha de carnaúba ou de palmeira. A disposição delas não obedecia à regra natural de arruamento. Logo na entrada do povoado, começavam duas fileiras de casas, sem guardar a eqüidistância, no seu prolongamento. Ao seguir iam elas afastando-se, de modo que, tendo no começo uns vinte metros de largura, terminavam com mais de cem metros  ao chegar à igreja. Não havia  estética nem nexo, naquela formação de arruamento”.     


Juazeiro do inicio do século passado

Porém, em 1909, um documento apresentado à Assembleia Legislativa do Ceará, em apoio ao pedido de autonomia municipal para Juazeiro, encontrado por Ralph della Cava nos Arquivos do Colégio Salesiano, informa que antes de se tornar independente do Crato o povoado de Juazeiro já se encontrava em acelerado ritmo de desenvolvimento, graças à ação do Padre Cícero.  Já possuía uma farmácia, um médico residente, um jornal, várias instituições religiosas, como o Apostolado da Oração, fundado pelo Padre Cícero, um escritório de intercâmbio comercial com a capital e uma instituição civil para cuidar do engrandecimento do lugar.  

A zona rural de Juazeiro possuía 22 engenhos de açúcar empenhados na produção de rapadura e subprodutos alcoólicos e cerca de 60 locais equipados para preparar farinha de mandioca. Além do cultivo de arroz, feijão e milho, Juazeiro já se destacava na produção de borracha de maniçoba e algodão. Foi Padre Cícero quem introduziu a borracha no Cariri, na primeira década do século XX. E graças ao seu empenho, o algodão, cuja cultura havia sido quase totalmente abandonada, reapareceu entre 1908 e 1911. Ele chegou a comprar uma máquina de beneficiamento de algodão, movida a vapor. A borracha e o algodão foram os principais responsáveis pelo intercâmbio econômico de Juazeiro com o comércio exportador das grandes casas comerciais da capital cearense, especialmente com a firma francesa Boris Frères e a companhia brasileira de  Adolfo Barroso.

Mas o crescimento urbano do povoado foi ainda maior do que sua expansão agrícola. O comércio pulsava com a realização de uma feira semanal, realizada aos domingos em frente à Igreja de Nossa Senhora das Dores. Muitos dos comerciantes tinham imigrado para Juazeiro provenientes de pequenas cidades vizinhas e de outros Estados. Mas a atividade econômica principal do povoado provinha de suas indústrias artesanais de onde saíam uma grande e diversificada produção de produtos utilitários e decorativos, além de produtos religiosos. Tudo se desenvolveu tendo em vista atender às demandas de consumo em ascensão e como uma resposta oportuna à incapacidade das limitadas áreas rurais de Juazeiro para absorver os imigrantes nas atividades agrícolas, de imediato após a chegada. 


Dr. Floro Bartolomeu da Costa

Chegando ao povoado, os romeiros, orientados pelo Padre Cícero, trabalhavam na manufatura de vários artigos de uso doméstico confeccionados com matéria-prima local: louças de barro, vasos, panelas, cutelaria, sapatos, objetos de couro, chapéus, esteiras de fibras vegetais, corda, barbante, sacos e outros receptáculos para estocar e expedir gêneros alimentícios. As habilidades manuais do povo e as necessidades do sertão levaram, eventualmente, à fabricação e exportação de instrumentos rurais típicos, tais como, enxadas, pás, facas, punhais, rifles, revólveres, balas e pólvora.

Logo cedo, devido à grande procura de seus produtos, muitos artesãos saíram de suas casas e passaram a produzir em maior escala em oficinas amplas e equipadas de máquinas, localizando-se no centro da cidade para ficarem mais ao alcance dos clientes. Os reflexos do desenvolvimento do povoado estavam bem evidentes nos impostos arrecadados... principalmente para o Crato. Por isso, o desejo de se tornar independente nasceu. 

Segundo o documento apresentado à Assembleia Legislativa do Ceará,  provavelmente organizado por Dr. Floro Bartholomeu da Costa, em 1º de  janeiro de 1909, cuja cópia transcrevemos abaixo: A povoação de Joaseiro, estado do Ceará, tem na presente data: 18 ruas, 4 travessas, etc., com a população de 15.050 habitantes, como se vê abaixo:


Rua Padre Cícero: 2.000 habitantes,
Rua S. Luzia: 1.538 habitantes,
Rua S. Jose: 1.100 habitantes,
Rua S. Francisco: 1.000 habitantes,
Rua S. Antônio: 557 habitantes,
Rua S. João: 603 habitantes,
Rua de S. Sebastião: 552 habitantes,
Rua de S. Pedro: 227 habitantes,
Rua do Rosário: 578 habitantes,
Rua do Perpétuo Socorro: 523 habitantes,
Rua do Cruzeiro: 540 habitantes,
Rua dos Passos: 1.040 habitantes,
Rua da Conceição: 800 habitantes,
Rua das Malvas: 175 habitantes,
Rua Grande do Salgadinho: 1.136 habitantes,
Rua da Cacimba Nova: 480 habitantes,
Praça da Capella de N. S. das Dores: 734 habitantes,
Praça da Liberdade: 345 habitantes,
Travessa de S. José: 287 habitantes,
Travessa de S. Francisco: 250 habitantes,
Travessa da Conceição: 209 habitantes,
Travessa da Rua Nova: 37 habitantes,
Beco do Cemitério Velho: 30 habitantes.

Na relação de profissionais, comércio e pequena indústria, destacamos:
Oficinas de Sapateiros: 20,
Carpintaria: 35, 
Marcenaria: 5, 
Pedreiros: 40, 
Fogueteiros: 15, 
Funileiros: 7, 
Ferreiros: 8, 
Ourives: 2,
Pintores desenhistas: 2, 
Fundição: 1, 
Barbeiros: 3, 
Alfaiates: 3, 
Alfaiates Modistas: 10, 
Padarias: 2, 
Farmácias: 2,
Lojas (Molhados-Mercadorias): 10, 
Lojas (Fazendas-Miudezas): 10, 
Bodegas (Molhados-Bebidas): 20,
Armazéns (Géneros Alimentícios): 10, 
Escolas (particulares, sexo feminino): 12, 
Escolas (particulares, sexo masculino): 6, 
Escolas (públicas, sexo feminino): 1, 
Escolas (públicas, sexo masculino): 1, 
Tipografia: 1,
Igrejas: 2 (uma em construção), 
Cemitérios: 2, 
Bolandeiras Algodão: 1, 
Engenho de ferro para cana: 18, 
Idem, madeira: 4, 
Estação telegráfica, Agência do Correio, Coletoria Estadual, Cartório do Registro Civil, e Serviço de iluminação pública.

Quem poderia imaginar que depois de cem anos Juazeiro seria o que é hoje! Este é o verdadeiro milagre do Padre Cícero!

Daniel Walker
FONTE:http://historiadejuazeiro.blogspot.com.br

Vaqueiros da História


Lendo a história, e dela refazendo os percursos, pelas veredas ensolaradas e espinhentas do chão nordestino... Assim como vaqueiros, vaqueiros da história, como diria o poeta matuto que partiu feliz...

Rangel Alves da Costa

Tributo a Virgulino ! Por:Cabras de Lampião


Por: Anildomá Willians

Manifesto pela Restauração da Casa de Chico Pereira


Um dos pontos altos do Cariri Cangaço Parayba foi a apresentação do Manifesto assinado pela SBEC - Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço e pelo Cariri Cangaço pela Restauração da Casa de Chico Pereira no município de Nazarezinho, Paraíba ...

MANIFESTO

Exmº. Sr. Prefeito do Município de Nazarezinho, autoridades municipais constituídas, cidadãos e cidadãs do estado da Paraíba e demais estados da Federação, família Pereira, o cangaço foi um movimento que marcou a história do sertão nordestino, sendo um movimento que, devido as suas peculiaridades e características não encontramos em outro lugar do mundo, sendo algo eminentemente nosso, um dos elementos caracterizadores da região Nordeste.  Alguns registros históricos pontuam a existência de cangaceiros já no século XVIII, no momento das entradas de gado e de desbravamento dos sertões. No entanto, o apogeu do cangaço deu-se na primeira metade do século XX. Sabemos perfeitamente que a figura do cangaceiro liga-se ao banditismo, a violência, a assassinatos, roubos, estupros e depredações do patrimônio público e privado, mas devemos salientar que esses homens e mulheres chamados por muitos de bandidos, foram fruto da sociedade de sua época.

Essa sociedade marcada pela má distribuição de terra, latifúndios, trabalho escravo ou servil, analfabetismo, descaso por parte da justiça e das autoridades políticas, falta de políticas públicas e trabalho. Todos esses fatores acabaram levando muitos sujeitos a enxergarem no banditismo uma solução imediatista para a resolução dos seus problemas, pois quando bate a fome, como bem disse o médico Josué de Castro no seu livro “Geografia da Fome”, o homem perde todo o seu código ético e moral e deixa a sua fera interna romper as barreiras da conversão social para poder alimentar-se. Essa é a busca desenfreada pela sobrevivência.

Outro fator que carece de uma atenção mais amiúde foi à falta de justiça, haja vista ser a justiça no século XIX e início do XX totalmente parcial, estando à disposição apenas da elite que a manipulava acabando por marginalizar inúmeros sujeitos por meio de ações que levavam a injustiça, plantando no homem um sentimento de revolta. Vitimados muitos viam nas armas a solução para os seus problemas, o meio para alcançar a tão almejada vingança; um refúgio protetor contra uma elite e um sistema coronelístico desumanizador; e um meio de vida para sobreviver apesar de todas as intempéries da vida nômade na caatinga.

O final do século XIX e início do XX surgiram cangaceiros famosos, os quais, por meio das suas ações, se imortalizaram na memória e trova popular. A história dos seus atos foram gradativamente passando de geração a geração. Essas narrativas construíram um espaço memorialístico para a figura do cangaceiro, os quais tinham seus feitos reproduzidos por meio das falas populares, das histórias mirabolantes salientadas pelos caixeiros viajantes ou por meio da deliciosa construção discursiva do cordel. Tivemos nomes que até hoje são lembrados: Jesuíno Brilhante no Rio Grande do Norte, Lucas da Feira na Bahia, Antônio Silvino na Paraíba e Pernambuco, Sinhô Pereira no Pernambuco, Virgolino Ferreira da Silva, conhecido como Lampião, grande ícone do “ser” cangaceiro e que “reinou” nas suas andanças por sete estados do Nordeste brasileiro; e Chico Pereira no sertão paraibano. Poderíamos citar inúmeros outros, mas nos detemos de forma ilustrativa no nome desses.

Nesse contexto apresentado, falar do Nordeste sertanejo é falar do cangaço, não temos como apagar da história esse movimento que mazelou por muito tempo o povo nordestino, muitos pobres que viviam isolados na caatinga. Lembrar do cangaceiro não é um ato de revesti-lo com armaduras de heroísmo, de fazermos apologia a violência e ao banditismo, mas sim, voltar o nosso olhar para um momento crítico da nossa história, buscando entendê-lo, esmiuçá-lo para não cometermos no presente os mesmos erros do passado. Falar do cangaço é analisar antropologicamente o homem sertanejo tão estigmatizado e martirizado com as intempéries climáticas e com a desvalorização política.

Falar do cangaço é discutir o papel da justiça como um meio responsável por lutar pela dignidade da pessoa humana e pelo princípio da equidade. Como coloca Francisco Pereira Nóbrega no livro “Vingança, não”: “Cangaceiro não era apenas o perverso, o tarado. Havia-os também honestos, incapazes da menor crueldade gratuita, de armas em punho só para tentar justiça”.  Em uma sociedade que abria poucas possibilidades para o pleno desenvolvimento dos sujeitos, assumir a vida das armas era uma forma de buscar se fazer ouvir, lutar por seus direitos, haja vista a justiça da época só valorizar a elite.

Estando encravada no Nordeste, a Paraíba não esteve imune à atuação dos cangaceiros, como também era caracterizada por todos esses fatores conjecturais expostos há pouco, que promoviam a segregação social. Ao palmilharmos essa história nos deparamos com a figura do cangaceiro Chico Pereira, um dos maiores ícones do cangaço paraibano, homem de fibra que se fez personagem da história do Brasil e que precisa ter a sua memória preservada.   O que percebemos é que essa história tão rica que temos na cidade de Nazarezinho não é valorizada, estudada, acabando por, gradativamente se perder no tempo, acarretando perdas irreparáveis para a história do Brasil e do cangaço no Nordeste. As futuras gerações tem direito a memória, a história, sendo a história de Chico Pereira não só um patrimônio de Nazarezinho, mas de todo o Brasil e de todos os brasileiros e brasileiras.

É preciso preservar para os nossos filhos terem direito de conhecer as raízes da nossa constituição histórica e identitária nacional, pois “a história, por vezes, ironiza os homens” (Nóbrega, 2002, p. 65). Um dos maiores medos dos gregos não era o do julgamento dos deuses, mas sim o julgamento da História, de serem lembrados como covardes ou não serem lembrados pela posteridade. A Constituição Federal de 1988, no seu artigo 23 é muito clara quando determina: 

"É competência comum da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios: [...] III – proteger os documentos, as obras e outros bens de valor histórico, artístico e cultural, os monumentos, as paisagens naturais notáveis e os sítios arqueológicos; IV – Impedir a evasão, a destruição e a descaracterização de obras de arte e de outros bens de valor histórico, artístico ou cultural; V – proporcionar os meios de acesso à cultura, à educação e a ciência". 


A belíssima casa do Sítio Jacú, que pertence a família Pereira, é de um enorme valor histórico, tendo grande importância como patrimônio material para a história do Brasil. Percebemos está a casa ameaçando ruir devido a ação do tempo, necessitando urgentemente reparos e restauro.  Assim, nós pesquisadores(as) pedimos encarecidamente a Prefeitura Municipal de Nazarezinho, ao Governo do Estado da Paraíba e a família Pereira, o restauro imediato, o tombamento da casa citada e a criação de um museu destinado ao movimento social do cangaço, essa seria uma homenagem a memória de Chico Pereira. Pois, como foi dito, hoje Chico Pereira é um patrimônio para todo o povo brasileiro. Gostaríamos que o Exmº. Sr. Prefeito tome uma atitude imediata, antes que a história passe a conhecer Nazarezinho como uma cidade sem cultura e sem memória, que não guarda a sua herança histórica.  

Nazarezinho – PB, 16 de junho de 2013.   
Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço (SBEC)  
Cariri Cangaço  
Comitê em prol da Reforma e Tombamento da Casa de Chico Pereira 

  

Paixão à Primeira Página Por: Sara Saraiva

Sarinha na casa de Chico Pereira em Nazarezinho

Participar da experiência do 
Cariri Cangaço Parayba tornou-se mais que especial devido ao livro 'Vingança,não' , do Padre Pereira Nóbrega. Tive a oportunidade de lê-lo dias antes do evento!

Sou apenas uma iniciante no assunto, não tenho embasamento teórico. Li o livro com olhos leigos, sem críticas, apenas sentimento. E foi paixão à primeira página. Fiquei cativada de tal modo que cheguei a me emocionar em certos capítulos e criei uma enorme empatia pela família Pereira, por sua luta , e principalmente, pela mensagem que eles passam. Assim, pisar no solo onde essa história aconteceu tornou-se algo mágico.

Visualizar os detalhes, embora ruídos pelo tempo, da casa de Chico Pereira e imaginar a ansiedade de Maria Egilda, a angústia de Francisco Pereira, a chegada dos cangaceiros, os cercos da polícia... Transportar a imagem que criamos a partir da leitura e ver que tudo foi tão real... É fascinante. Não há outra palavra para descrever a sensação além dessa.


Sarinha e Manoel Severo, Casa de Chico Pereira

Vivo em meio a textos rápidos na internet e uma juventude que desconhece a própria história. Participar desse evento, para mim,  foi como um despertar.Observar a seriedade e o compromisso com que os fatos passados são discutidos e analisados trouxe-me uma grande curiosidade acerca do Cangaço e da história do nordeste em geral. Resgatá-la, estudá-la e entender o contexto em que se desenrolaram os acontecimentos é uma forma de reconhecer erros,refletir, compreender realidades e mais, evoluir.

A obra de Padre Pereira, por exemplo, foi-me uma grande oportunidade de reflexão. Embora narre uma história de violência, há uma moral esplêndida divulgada logo no título do livro. Uma vez que a própria sociedade induzia a vingança, e que os interesses políticos e econômicos influem mais que o âmbito humano, ver a determinação de Jarda em conduzir seus filhos,com sucesso, a um caminho de perdão, apesar de toda injustiça acometida a família, é um exemplo de persistência e humanidade. Ressalto, deste modo, um trecho do livro que descreve bem esse valor:

  "Vingar-se é menos do que humano, porque é próprio das feras. Perdoar é mais do que humano, porque é próprio de Deus.''


Sara Saraiva
Fortaleza

Caravana Cariri Cangaço percorre o Nordeste Por: Aderbal Nogueira


Em razão do ano eleitoral não tivemos a edição do Cariri Cangaço 2012, entretanto foi possível realizar um maravilhosa Caravana Cariri Cangaço por várias cidades de nosso nordeste, palcos de muitos episódios marcantes do ciclo do cangaço. 

Esse vídeo documentário, produzido pela Laser Vídeo, do confrade Aderbal Nogueira, mostra um pouco do que foi a visita da Caravana Cariri Cangaço aos municípios de Serra Talhada, Triunfo e Floresta em Pernambuco; Piranhas e Delmiro Gouveia em Alagoas; Canindé e Poço Redondo em Sergipe e ainda Paulo Afonso, Santa Brígida e Jeremoabo na Bahia. Na verdade uma das mais sensacionais viagens do Cariri Cangaço.
Bom vídeo !

Manoel Severo