Hoje tem Nazaré nos Grandes Encontros Cariri Cangaço


Os Grandes Encontros Cariri Cangaço desta quarta, 21 de julho, as 19h30 ao vivo no canal do Cariri Cangaço no YouTube, Manoel Severo; curador do Cariri Cangaço; recebe os pesquisadores e descendentes do bravo provo nazareno; Hildebrando de Souza Nogueira Neto - "Netinho Flor" e Emanuel Nogueira - "Zinho Flor" ,  para nos contar uma das mais espetaculares sagas desta guerra sertaneja que foi o cangaço. O programa "Lampião e os Nazarenos - A Sangrenta Guerra no Sertão" trará os principais combates, os principais personagens e tudo o que de mais importante aconteceu neste verdadeiro embate de gigantes nas caatingas tórridas do sertão nordestino.

 

Cenas dos bastidores do que virá na noite desta quarta-feira


AO VIVO NESTA QUARTA, DIA 21/07/21 AS 19H30
CANAL DO YOUTUBE DO CARIRI CANGAÇO


Missa do Vaqueiro: A Fé que Move todo o Sertão, o Jacó não está só !

A tradicional Missa do Vaqueiro de Serrita é o resultado da homenagem prestada pelo povo do sertão ao vaqueiro Raimundo Jacó, célebre por sua coragem e talento na arte da lida e oficio com o gado. Jacó foi assassinado nesta mesma fazenda Lages, local atual do parque, em julho de 1954. A missa teve como idealizadores, seu primo Luiz Gonzaga, o Rei do Baião, o Padre João Câncio e o poeta Pedro Bandeira

O parque Raimundo Jacó, localizado no município de Serrita, sertão pernambucano, sedia a Missa do Vaqueiro; evento cultural e religioso que chega neste ano de 2021 a sua 51ª edição. Ao longo de meio século veio reunindo vaqueiros de todo o nordeste, numa das mais tradicionais e eletrizantes manifestações da fé sertaneja, unindo em uma celebração única: religiosidade, tradição, cultura, musica de raiz e fé.

Esse ano de 2021 a Missa do Vaqueiro precisa de cada um de nós ! Vem com a gente e nos ajude a perpetuar essa verdadeira festa da Alma Nordestina!

A 51ª Edição da Missa do Vaqueiro sera realizada através de uma live no proximo dia 25 de julho a partir da 9h ds manha no Cabal do YouTube da "Missa do Vaqueiro". Esse ano a Celebração esta sendo bancada pela iniciativa de vários amigos, assim, contamos com todos, segue o PIX da Missa do Vaqueiro, nos ajude como puder.

PIX 28.258.109/0001-42

Associação Rebanho Cultural

"Todos que percorrem os sertões de nosso nordeste, são apaixonados por nossa história e cultura, exploram o fundo de nossa alma ressaltando os valores que nos fazem únicos, conhecem a força dessa "mata branca" espetacular; a magia de suas cores, sons, aromas, e sabem que aqui se estabeleceu uma cultura única no planeta, aqui temos o sol como grande irmão e que a cada amanhecer nos concede bençãos para mais um dia de conquistas. Aqui é a Nação dos Vaqueiros, berço de Luiz Gonzaga e Virgulino Ferreira, paixão de Padre Cícero e Conselheiro, esse é o nordeste que conhecemos, construído por homens e mulheres de Raiz, Força e Fé. Helena Câncio é uma gigante ! Dessas pessoas que ao longo do tempo se consolidaram como referência de garra, luta, determinação, talento e paixão. Sertaneja arretada que abraçou muitas paixões e por elas se dedicou por toda vida; viúva de uma das lendas do sertão pernambucano; João Câncio, o padre vaqueiro, que ao lado de Luiz Gonzaga e Pedro Bandeira criaram a Missa do Vaqueiro de Serrita em homenagem a Raimundo Jacó; trouxe para si a responsabilidade de perpetuar uma das maiores Festas Nordestinas." Manoel Severo, curador do Cariri Cangaço.

"A Fundação Padre João Câncio surgiu com o objetivo de explorar, promover, pesquisar e incentivar sob todas as formas o desenvolvimento da cultura sertaneja. Integramos o projeto do artesanato de Serrita a revitalização do Evento Missa do Vaqueiro, agregando a ele um conjunto de informações que define a história, expressada na arte do nosso povo."Revela Helena Câncio.

TODOS JUNTOS PELO JACÓ !

MISSA DO VAQUEIRO DE SERRITA 2021

Lampião e os Nazarenos : A Sangrenta Guerra no Sertão nos Grandes Encontros Cariri Cangaço

A história de um povo se constrói com personagens fortes e cenários marcantes. Nazaré do Pico, a lendária vila que completou em 2017 cem anos; berço dos mais ferozes perseguidores de Virgulino Ferreira da Silva, vulgo Lampião; constroe sua historia a partir de personagens inesquecíveis; inesquecíveis pela coragem, destemor e paixão, paixão por sua terra, por sua honra. A atual Nazaré do Pico, já foi Carqueja, que já foi Nazaré; a vila que nasceu da antiga fazenda Algodões, foi o resultado de um sonho do filho do professor Domingos Soriano Ferraz, "Manu" ; que via nascer naquele lugar uma vila. Dali até a realização do sonho foi rápido. Ao sonho se uniram outros jovens e entre esses, os filhos de João Flor, era agosto de 1917 quando foi inaugurada a primeira feira de Nazaré, dali para frente aquele povo iria ser protagonista de uma das mais sangrentas guerras no sertão:

LAMPIÃO x NAZARENOS


Entre os nazarenos mais famosos podemos citar : Antônio Gomes Jurubeba, Manoel Neto, João Gomes de Lira, Manoel Flor, Odilon Flor, Euclides Flor, Davi Jurubeba, Arcôncio, Afonso, Hercílio, Lero, dentre outros. Muitos dos bravos Nazarenos morreram nas mãos de Lampião e seu bando , dentre esses: Gabriel de Sousa (Bié), Olímpio Gomes Jurubeba, Inocêncio de Sousa Nogueira, José Alves de Sousa Ferraz, Idelfonso de Sousa Ferraz (Idelfonso Flor), Cândido de Sousa Ferraz, João Gregório Neto, Hercílio de Sousa Nogueira, Adalgísio de Sousa Nogueira e João Cavalcanti de Araújo (João de Anísia)...

Os Filhos de João Flor

Os Grandes Encontros Cariri Cangaço desta quarta, 21 de julho, as 19h30 ao vivo no canal do Cariri Cangaço no YouTube, Manoel Severo; curador do Cariri Cangaço; recebe os pesquisadores e descendentes do bravo provo nazareno; Hildebrando de Souza Nogueira Neto - "Netinho Flor" e Emanuel Nogueira - "Zinho Flor" ,  para nos contar uma das mais espetaculares sagas desta guerra sertaneja que foi o cangaço. O programa "Lampião e os Nazarenos - A Sangrenta Guerra no Sertão" trará os principais combates, os principais personagens e tudo o que de mais importante aconteceu neste verdadeiro embate de gigantes nas caatingas tórridas do sertão nordestino.


    GRANDES ENCONTROS CARIRI CANGAÇO

LAMPIÃO E OS NAZARENOS

DIA 21 DE JULHO DE 2021 , ÁS 19H30

AO VIVO NO YOUTUBE DO CARIRI CANGAÇO

Nonato Lima é Gente que Faz no Cariri Cangaço Personalidade desta segunda-feira ao vivo no Instagram

Cearense, natural de Quixadá, o jovem instrumentista Nonato Lima vive a música desde sua infância quando teve seu primeiro contato com a sanfona. Tocando na noite, logo ganhou destaque e reconhecimento, seu estilo particular de criar e improvisar o elevou como músico e instrumentista, possibilitando sua participação em diversos programas locais e nacionais, bem como o respeito e admiração de ícones a música como Dominguinhos e Richard Galliano (acordeonista francês). 

Em sua trajetória, Nonato Lima competiu em festivais nacionais e internacionais, sendo campeão em todos. O primeiro festival, em 2010, ocorreu em Limoeiro do Norte - CE, o segundo em Fortaleza- CE (2012) e o terceiro em Juazeiro da Bahia (2015). Fez turnê pela Europa levando a música brasileira através de seu acordeon pela França, Bélgica e Suécia. Além das apresentações, o músico foi convidado pelo grande acordeonista francês Richard Galliano para participar de um documentário sobre sua vida. 

No Brasil, Nonato Lima fez shows com Richard em São Bento do Sul – PR, acompanhou diversos artistas como Dominguinhos, Liv Morais, Raimundo Fagner, Flávia Wenceslau, Marcos Lessa, dentre outros, e atualmente é integrante da Banda Acaiaca e da Orquestra Sanfonas do Ceará, além de priorizar seus projetos instrumentais com solo, duo, trio e quarteto, e a gravação do seu primeiro CD solo com músicas autorais. Nonato Lima participou do Encontro Internacional de Acordeon que ocorreu em Santa Catarina chamado ”Accordion Festival”, das Olimpíadas Rio 2016, levando o nome do Ceará para o mundo. Finalizou o ano de 2016 no Festival Choro e Jazz de Jericoacoara com seu projeto trio. 

Em 2017, participou de vários festivais, em especial o “Floripa instrumental” junto a grandes nomes da nossa música; foi homenageado pela Assembléia legislativa do estado do Ceará em resgate à música popular brasileira. Apesar da pouca idade, Nonato Lima já tem uma bela bagagem musical, tendo em destaque suas composições gravadas pelas maiores orquestras do Brasil sendo uma delas a Spok Frevo Orquestra, com sua sua participação. Também gravou o DVD da Cantora Alexandra Nicolas, quando pode partilhar o palco com renomados músicos como: João Lyra, Luciana Rabelo, Celsinho Silva e Mauricio Carrilho. A trajetória do instrumentista cearense Nonato Lima já o levou para atuar com diversos nomes da música, com destaque para: Elba Ramalho, Anastácia, Saulo ex banda Eva, Waldonys, Maciel Mello, Amelinha, Toninho Horta, Hermeto Pascoal, Alexandro Penezzi, Egberto Gismonti, Zé Paulo Becker, Alexandre Ribeiro, Macaúba do Bandulim, Adelson Viana, Zé do Norte, Lucinha Menezes, Spok Frevo Orquestra, Adelmário Coelho, Arismar do Espírito Santo e Regional Época de ouro (grupo mais antigo de choro do Brasil). 

Sua mais recente participação foi no Sertão Central Festival de Acordeon, em Madalena - Ceará. Desta vez, o músico foi convidado a participar do Júri e avaliar as apresentações de vinte acordeonistas de todo o Brasil, além de levar aos participantes a oficina com o tema “Harmonia e Improvisação” e o Show instrumental Nonato Lima Trio com a participação dos Músicos Miqueias Santos (contrabaixo) e Denilson Lopes (bateria), presenteando o público com um rico repertório.

Nonato Lima é Gente que Faz é o convidado especial de Manoel Severo para o programa Cariri Cangaço Personalidade desta proxima segunda-feira, dia 19 de julho de 2021 às 20h , ao vivo no Instagram, segue lá: @cariricangaço.

NOTA DE PESAR: Parte o Conselheiro Manoel Serafim Cornélio...

NOTA DE PESAR

É com profundo pesar que o Conselho Alcino Alves Costa, do Cariri Cangaço, cumpre o doloroso dever de informar o falecimento de seu Conselheiro, pesquisador Manoel Serafim Cornélio, acontecido neste sábado, 17 de julho de 2021, na cidade do Recife, Pernambuco, vitima da COVID 19. Manoel Serafim que havia perdido sua genitora a menos de um mês para o vírus, lutava com bravura contra o mesmo, mas diante de uma série de complicações não suportou, vindo a falecer no final da tarde deste sábado. O Cariri Cangaço se une às Orações da família enlutada e de todos os amigos, notadamente da querida cidade de Floresta.

Manoel Serafim era empresário; comerciante na cidade pernambucana de Floresta. Esteve a frente da Comissão Organizadora dos eventos Cariri Cangaço Floresta nos anos de 2016 e 2017, assumindo uma das cadeiras de Conselheiro do Cariri Cangaço ainda no ano de 2016.

Conselho Alcino Alves Costa

A Música Nordestina e sua Influência na Música Brasileira, Grandes Encontros Cariri Cangaço


Os Grandes Encontros Cariri Cangaço desta quarta, dia 14 de julho de 2021, promete um passeio extraordinário; desde os primórdios, da origem da musica brasileira, suas principais influências; nativa, dos índios, dos colonizadores europeus e do negro, consolidando uma sensacional miscigenação de batidas, batuques, ritmos e movimentos, fazendo da musica brasileira uma música única.

A trajetória dos principais protagonistas , os grandes compositores, os grandes interpretes, os bastidores, as curiosidades e a presença forte da música nordestina influenciando a musica popular brasileira.

"Sem dúvidas será um programa interessante, dinâmico, vamos trazer desde João Pernambuco com seu primeiro grupo Caxangá, passando pelos Turunas de Pernambuco depois os Turunas da Mauricéia, desaguando no maior ícone da musica nordestina, seu Luiz Gonzaga, depois Marinês, Jackson do Pandeiro, enfim chegando ao Bolero, à Bossa Nova e por fim o Tropicalismo, os Novos Baianos e o Pessoal do Ceará, o programa promete" , revela o pesquisador Victor Samuel da Ponte, que ao lado de seu irmão, o também pesquisador João Conrado da Ponte, são os convidados especiais de Manoel Severo, neste programa imperdível.

Diferenças e Semelhanças entre Lampião e Chico Pereira Por: Guerhansberg Tayllow

Chico Pereira

Em semanas atras (precisamente no dia 26 de maio), tive a oportunidade de participar de um “bate bola” sobre o cangaço juntamente com Manoel Severo e Raul Meneleu, na plataforma Youtube, no canal do Cariri Cangaço. Gostaria de expressar minha felicidade em compartilhar aquele momento junto com Manoel Severo, Raul Meneleu e os ouvintes. Mas, a escritura deste breve texto tem como objetivo tentar responder uma pergunta que ficou incompleta (diante do compromisso com o tempo estipulado): quais as principais diferenças e semelhanças entre Lampião e Chico Pereira no universo do cangaço?
 Manoel Severo me fez essa pergunta fazendo menção aos dois trabalhos produzidos por mim. Trata-se dos livros: Nas redes das memórias: as múltiplas faces do cangaceiro Chico Pereira, publicado em 2017; Virgulino cartografado: relações de poder e territorializações do cangaceiro Lampião (1920-1928), lançado em 2020.

Vamos direto aos pontos!

A principal semelhança entre os dois cangaceiros reside na entrada ao cangaço. Ambos ingressaram nessa forma de banditismo a partir de conflitos familiares, cujos interesses estavam no caso de Chico Pereira, na disputa direta pelo poder político local do município de Sousa no sertão paraibano. Já no caso de Lampião estavam na disputa territorial da Ribeira do São Domingos. Os desafetos dos familiares de Chico Pereira e de Lampião estavam (no momento do conflito) por cima na política estadual e, portanto, detinham maior controle sobre o aparelho de poder do Estado (como a polícia e os juízes). A família de Chico Pereira estava ligada a outro grupo familiar de maior poder: os Gomes de Sá, que estavam em decadência política no município de Sousa. Já a família de Lampião foi descrita pela historiografia do tema como uma família satélite dos Pereiras do Pajeú Pernambucano. Tanto os Gomes de Sá como os Pereiras (Pereiras do Pajeú Pernambucano) estavam ligados historicamente ao Estado Português, cuja tradição adivinha do processo de povoamento e do poder agrário. Contudo, com o nascimento da República, ambas famílias (Gomes de Sá em Sousa e os Pereiras no Pajeú Pernambucano) viram seus poderes políticos entrarem em decadência com a ascensão de outros grupos familiares. Foi nesse contexto complexo permeado pelas disputas em torno do poder político, econômico e territorial, que emergiram os cangaceiros Chico Pereira e Lampião.

Virgulino Ferreira, Lampião

Outra semelhança está no fato de Chico Pereira e Lampião terem entrado no Cangaço com a mesma idade: 22 anos.

Partindo da ideia que Chico Pereira teria nascido em 1900 e entrado no cangaço em 1922, posso afirmar que esse personagem se tornou cangaceiro com apenas 22 anos de idade. Já no caso de Lampião, tomando 1898 como data de nascimento e 1920 como a sua entrada no cangaço, também se pode afirmar que Lampião tinha 22 anos quando ingressou nessa forma de banditismo. É verdade que muitos autores de renome afirmam que Lampião já era cangaceiro antes de 1920, porém, consultando a documentação escrita de época não se encontra base para tal afirmação. O primeiro grupo de cangaceiros que Lampião fez parte foi chefiado pelo seu tio Antônio de Matilde, cujas ações estão documentadas somente a partir da segunda metade de 1920.

Sobre as diferenças...

Chico Pereira entrou no cangaço após vingar a morte do pai. Lampião entrou no cangaço movido pelo ódio contra os seus adversários que haviam provocado o desmantelamento territorial e familiar dos Ferreiras. Esse sentimento de ódio levou Lampião ao cangaço, fator que contribuiu diretamente para a morte da sua mãe e do seu pai. Mesmo com a morte dos pais, Lampião nunca matou os seus desafetos da ribeira do São Domingos, embora tenha tentado em inúmeras oportunidades. O projeto de vingança de Lampião aos poucos foi sendo marginalizado e a partir de 1924 é possível dizer que Lampião esteve mais preocupado em alimentar o compromisso com sua rede de protetores do que com a vingança contra os Nogueiras Alves de Barros. Além disso, no decorrer dos anos outros inimigos foram aparecendo na ordem do dia. É que o Lampião foi se refazendo enquanto cangaceiro, tornando o cangaço a “família”, o seu meio de vida, a sua profissão.

 Afirmei no “bate bola” com Severo e Raul, que Lampião se tornou um bandido político, um cangaceiro profissional.

Diferentemente de Lampião, Chico Pereira não fez do cangaço seu meio de vida, caso tenha feito, foi por um curto espaço de tempo, ali pelos idos de 1924-1925. Estou mais propenso a acreditar que Chico Pereira não tomou o cangaço como um meio de vida, dado que não teve uma vida nômade pela qual é fundamental para um cangaceiro profissional. Pelo contrário, Chico Pereira manteve hábitos do mundo sedentário, como casar e construir uma família fora do banditismo, foi assim que teve 3 filhos com sua esposa Jardelina. Já Lampião manteve o nomadismo como perspectiva de vida, o exemplo maior foi viver e reproduzir juntamente com sua companheira Maria Bonita dentro do cangaceirismo. Chico Pereira, inclusive, tentou abandonar de vez o cangaço o que ocasionou a sua prisão e posteriormente sua morte. Já Lampião, nunca se deixou capturar pela polícia e sua morte ocorreu quando estava em atividade no cangaço. 

Clássica foto de Lampião e familia, em Juazeiro do Norte - 1926

Outra diferença marcante foi o tempo e os espaços de atuação. Chico Pereira atuou entre os anos de 1922-1928, percorrendo pontos dos territórios de Pernambuco, Paraíba e do Rio Grande do Norte. Neste último estado, Chico Pereira concentrou sua atuação na região do Seridó. Como sabemos, o Rio Grande do Norte, não foi objeto de criação de redes de protetores por parte de Lampião. A atuação de Lampião foi muito maior e mais complexa do que a de Chico Pereira. Tendo atuado entre os anos de 1920-1938, percorrendo pontos dos estados de Alagoas, Pernambuco, Paraíba, Ceará, Rio Grande do Norte, Bahia e Sergipe. Além de Lampião ter percorrido mais espaços durante mais tempo, também o fez com mais intensidade nas atividades cangaceiras do que Chico Pereira. Logo, Lampião foi muito mais registrado pelos meios de imprensa e pelos processos criminais.

Lampião e Chico Pereira estiveram juntos entre os anos de 1924-1925, o que rendeu maior conhecimento da opinião pública sobre Chico Pereira, dada a fama que Lampião já detinha e, que foi paulatinamente crescente, sobretudo a partir de 1925. Por que sobretudo 1925? Porque foi nesse ano que Lampião começou a ser objeto político da imprensa recifense que fazia oposição ao governo Sérgio Loreto. Em outras palavras, a imprensa oposicionista de Recife usou e abusou das ações de Lampião para atacar o governador Sérgio Loreto.  

Com relação as formas de combate dos dois cangaceiros, não é possível fazer uma devida comparação, pois temos pouco registro sobre as ações de Chico Pereira em combate. As narrativas disponíveis apontam na direção que Chico Pereira também foi um bom estrategista assim como Lampião. O fato foi que os dois usaram o dueto emboscada/retirada como forma de guerra nômade. Diante de uma vida mais movimentada, Lampião teve que utilizar a guerra nômade do cangaço muito mais do que Chico Pereira. Não significa dizer que um era melhor em combate do que o outro.

Uma grande diferença entre os dois está nas redes de proteção. Enquanto Chico Pereira esteve agarrado as relações com os correligionários do pai e, ao seu grande protetor, Antônio Suassuna (irmão do governador João Suassuna), Lampião produziu uma vasta rede de protetores em vários estados e alguns de forma simultânea. Nenhum cangaceiro se relacionou com protetores como Lampião. Nenhum cangaceiro soube ser tão político como Lampião, dada a sua capacidade de traçar alianças, de fazê-las, desfazê-las e refazê-las em outras bases. Ser político é a capacidade de superar o fim de uma aliança com a reconstrução de outras. Isso Lampião fez muito bem e de forma singular. Chico Pereira se agarrou demais ao seu protetor Antônio Suassuna, não foi capaz de perceber que no universo do cangaço, cangaceiro não pode se movimentar ou recorrer aos mesmos lugares o tempo todo. No quesito costurar redes de proteção Lampião não pode se comparar a nenhum outro cangaceiro. O único ponto em comum estava na importância de se relacionar com os protetores para sobreviver naquela vida. Mas o como se relacionar foi muito próprio de cada cangaceiro e, sem dúvidas, Lampião foi o rei, o capitão e o comandante nesse quesito. Por gentileza, não entender essa afirmação como uma apologia ao bandoleiro, mas como um reconhecimento histórico da sua capacidade relacional, que sem dúvidas alguma, esteve a serviço da vida e da morte.

Por fim, voltando para as semelhanças que não escondem suas diferenças...

Gostaria de finalizar o texto falando sobre o guardião da memória. Isso porque Chico Pereira e Lampião foram objeto de escritos no âmbito familiar que desejaram construir e proteger uma memória. No caso de Chico Pereira, o Guardião foi o próprio filho, o Padre Pereira, que escreveu o importante livro Vingança, não, publicado em 1960. Trata-se de um texto de grande erudição, cujo escritor partiu do seu lugar social de padre e filho para reescrever o passado trágico do pai por meio de outros significados. Quem estiver lendo essas letras e ainda não leu ou desconhece o livro Vingança, não, por favor, faça esse investimento para si mesmo: leia esse livro. Além da riqueza poética, literária, cristã e memorialista, vale destacar que o livro do Padre Pereira foi um dos primeiros textos escritos por familiares de ex-cangaceiros, ou seja, foi um dos primeiros a narrar a história pela ótica do cangaceiro (até então era muito comum as narrativas partirem de ex-volantes ou de intelectuais do folclore e da literatura). 

Manoel Severo, Raul Meneleu e Guerhansberg Tayllow nos Grandes Encontros Cariri Cangaço, no YouTube

Do lado de Lampião, tivemos os trabalhos memorialísticos da sua neta, Vera Ferreira, que iniciou seu trabalho de escrita com o clássico livro De Virgolino a Lampião, em parceria com o importante memorialista Antônio Amaury. Vera Ferreira e o padre Pereira, apesar de falarem de distintos lugares de formação, compartilharam um objetivo em comum: reconstruir e guardar a memória dos seus respectivos familiares. Tarefa difícil, pois no território da memória a cristalização de uma narrativa dita verdadeira será questionada, reelaborada e reescrita através de outros interesses, mesmo que esses outros apresentem semelhanças e diferenças...

Guerhansberg Tayllow , pesquisador e escritor 
Lastro, Paraíba

[1] Para acessar o “bate bola” ver: https://www.youtube.com/watch?v=jHP4qLDtS-U&t=7442s

Cecília Amorim é a convidada de hoje do Cariri Cangaço Personalidade

 

Não nos cansamos em descobrir a imensidão de talentos musicais espalhados por este maravilhoso solo nordestino, das terras do Maranhão ate o recôncavo baiano, passando pelo litoral e pela enigmática caatinga sertaneja, meninos e meninas nos encantam com seu talento e arte, consolidando esta espetacular cultura que só conhecemos aqui. O Cariri Cangaço possui o compromisso de descobrir, divulgar e apoiar esses meninos de nosso chão, que possuem no coração a verdadeira alma nordestina, a nos encantar a todos. 


Nesta segunda, Manoel Severo , curador do Cariri Cangaço, recebe ao vivo na plataforma do Instagram, no Programa Cariri Cangaço Personalidade, a sanfonerinha e cantora, Cecília Amorim, da cidade de Limoeiro do Norte na região Jaguaribana do Ceara. "Olá, sou Cecília Amorim; artista, cantora e  sanfoneira, tenho 13 anos e sou natural da cidade de Limoeiro do Norte, no Ceará; começei a cantar aos 7anos em casa, depois entrei para o grupo de Coral da Igreja " Coral Mariano Mirim ";  fiz parte  do grupo de teatro aqui da cidade: " Teatro c'enas" de Dalva Rodrigues; participei  de dois festivais de música em que consegui o primeiro lugar em ambos graças a Deus. Atualmente estou aprendendo sanfona e continuo cantando e mostrando meu trabalho através das minhas redes sociais, será uma honra estarmos juntos no Cariri Cangaço Personalidade".

Cariri Cangaço no Instagram

Segue lá: @cariricangaço

Cariri Cangaço Personalidade

O Ataque a Valdivino Lobo, o Assalto que Mudou a Historia do Cangaço nos Grandes Encontros Cariri Cangaço.


Um  dos episódios marcantes e definitivos para os destinos do Cangaço; notadamente tendo como principais protagonistas: Sinhô Pereira, Luís Padre,Virgulino Ferreira da Silva - Lampião e Zé Inácio; foi sem dúvidas o emblemático assalto de celerados, sob as bênçãos do mandatário maior do Barro, no Ceará, Major Zé Inácio "do Barro", à Fazenda Dois Riachos, em Catolé do Rocha, na Paraíba; propriedade do coronel da Guarda Nacional, Valdivino Lobo. 

O Ousado acontecimento teve a frente Sinhô Pereira e Ulisses Liberato de Alencar, que comandaram o ataque à fazenda Dois Riachos de Valdivino Lobo; à frente de  cerca de vinte cabras e que tinha ainda o objetivo de invadir as  fazendas vizinhas, pertencentes a Adolfo Maia e a Rochael Maia. A primeira, fazenda de Adolfo Maia foi depredada por Sinhô Pereira e a segunda, a fazenda de Rochael Maia não chegou a ser invadida. 

Major Zé Inacio, do Barro

Sinhô Pereira e Luiz Padre

O assalto ao alto sertão paraibano por Sinho Pereira e Ulisses Liberato teve imediata repercussão, provocando uma feroz perseguição por parte do Estado ao bando celerado e com forte repercussões para história do cangaço a partir dali. Ao ser preso o cangaceiro-jagunço Ulisses Liberato disse em depoimento à polícia, que todo o saque da empreitada, dinheiro e jóias haviam sido entregues ao Major Zé Inácio do Barro...

Coronel Valdivino Lobo e a casa sede da Fazenda Dois Riachos

Para entendermos todo o episódio; sob a disputa pelo mandonismo rural no sertão nordestino, entre Ceara e Paraíba, que veio a  motivar o famoso assalto à fazenda Dois Riachos de Valdivino Lobo; compreender quais suas repercussões nos destinos do cangaço, principalmente para seus principais protagonistas: Ulisses Liberato, Sinho Pereira e Zé Inácio do Barro, Manoel Severo, curador do Cariri Cangaço recebe nos Grandes Encontros Cariri Cangaço, os pesquisadores e escritores, Otavio Maia e Bismarck Oliveira, nesse programa imperdível.


GRANDES ENCONTROS CARIRI CANGAÇO
O ATAQUE A VALDIVINO LOBO
"O Assalto que mudou a historia do Cangaço"
QUARTA - DIA 07/07/2021
AO VIVO às 19h30
Canal do YouTube do Cariri Cangaço

Invasão da Fazenda Dois Riachos Por:Epitácio Andrade


Em entrevista concedida ao escritor Epitácio Andrade, neste dia 05 de outubro de 2015, no restaurante Mangai, em Natal, capital do Estado do Rio Grande do Norte, o cidadão nonagenário Francisco Lobo Maia ¨Chico Lobo¨, de 92 anos, narrou com riqueza de detalhes a invasão da Fazenda Dois Riachos, localizada na zona rural dos municípios de Catolé do Rocha e Belém de Brejo do Cruz, ambos no Alto Sertão paraibano, pelo bando do cangaceiro pombalense Ulisses Liberato de Alencar e do famigerado Sinhô Pereira, um dos mentores do não menos afamado Virgulino Ferreira, o Lampião.


Epitácio Andrade com Chico Lobo
O bando era formado por 20 facínoras, dentre eles, Gato Vermelho, Gavião, Polvinha e o maníaco Chá Preto, que bolinou os seios de uma senhora presente no momento da invasão à fazenda. Na segunda década do século XX, a disputa pelo mandonismo 'coronelístico' no Sertão nordestino motivou o fatídico ataque à fazenda do coronel da guarda nacional Valdivino Lobo, genitor do senhor Chico Lobo.
 
Coronel Valdivino Lobo
Depois de sair, por divergências com o chefe político José Queiroga do município de Pombal, na Paraíba, onde se localiza a Fazenda Estelo, propriedade de seu genitor Francisco Liberato de Alencar, lugar onde nascera em 1894. Ulisses Liberato migrou em 1918 para Milagres, no cariri cearense, onde ficou homiziado na Fazenda Trapiá do major-coiteiro José Inácio de Souza, conhecido como major Zé Inácio do Barro. 
A mando do major-coiteiro Zé Inácio do Barro, Sinhô Pereira e Ulisses Liberato comandaram o ataque à fazenda Dois Riachos. Cuja empreita envolvia semelhante ação criminosa contra outras fazendas vizinhas, como as pertencentes a Adolfo Maia e a Rochael Maia. 
 A fazenda de Adolfo Maia foi depredada por Sinhô Pereira e a fazenda de Rochael Maia não chegou a ser invadida. No percurso do Ceará a Paraíba, o bando enfrentou uma força pública próximo a cidade de Catolé do Rocha o que motivou sua entrada na cidade de Jericó, onde promoveu depredações e roubos. Antes da invasão, os cangaceiros pernoitaram na Fazenda Santana, do senhor Antônio Saldanha, na zona rural de Catolé do Rocha. 
Na época da invasão à Fazenda Dois Riachos, o almocreve e já cangaceiro Ulisses Liberato, casado com a sertaneja Santina Benevides, desde 1919, tinha o Povoado do Jordão, localizado entre os municípios de Patu e Caraúbas, como seu ponto estratégico. No livro Jordão e seus Habitantes, prefaciado pelo mestre sertanista Raimundo Soares de Brito (Raibrito), a escritora caraubense Raimunda Dalila de Alencar Gurgel informa que o povoamento do Jordão começou em 1870. Em 1892, foi construído o açude. 
E foi reconstruído em 1926, depois de arrombar numa cheia.
Escritora Dalila Alencar

Raibrito com A saga dos limões (2011)
Em 1937, foi construída a capelinha de Imaculada Conceição, pelos pedreiros Tião Maia e Zé Pequeno. As senhoras Raimunda Godeiro e Maria dos Anjos auxiliavam na realização das novenas. A imagem da santa foi trazida do Rio de Janeiro/RJ, por dona Brígida Saboia.

Capela do Jordão
Em 23 de setembro de 1943, foi realizada a primeira festa da padroeira.

Em 1964, foi adquirido o harmônio.

Harmônio
No período de 20 a 22 de julho de 1950, ocorreram missões de Frei Damião e Frei Fernando, acompanhados pelo bispo João Batista Portocarreiro.


Em 1926, foi construída a casa de Quincas Godeiro.

Em 1930, teve início o roço da caatinga para a construção da estrada de ferro Mossoró-Souza.


 Estrada de Ferro de Mossoró
Acervo Geraldo Maia

Em 1936, o engenheiro Manoel Marques entregou a estrada de ferro. Da Fazenda Dois Riachos foram subtraídos dois contos e oitocentos mil réis, além de 120 libras esterlinas. Valores integralmente entregues ao major Zé Inácio do Barro, que recompensou Ulisses com 200 mil réis pelo serviço.
Depois do assalto, Ulisses ficou refugiado em Juazeiro por dois meses. No mesmo ano da invasão a sua fazenda, o coronel Valdivino viajou ao Rio de janeiro, capital federal do Brasil, para um encontro com o presidente Epitácio pessoa que fora seu contemporâneo no ciclo ginasial.
Epitácio Pessoa
Era o tempo da ¨Política das Salvações¨, que pretendia instituir uma nova ordem e defendia um combate ao coronelismo. A invasão à  Fazenda do coronel Valdivino teve grande repercussão na imprensa.



O presidente depois de ouvir o relato do ex-colega articulou a integração de autoridades das províncias do nordeste para unir forças numa perseguição implacável ao major-coiteiro Zé Inácio do Barro e um combate sem tréguas ao cangaceirismo. No dia 11 de setembro de 1922, Ulisses Liberato, sem o bando, foi preso na comunidade de Alagoinha, em Lavras da Mangabeira, no Ceará e, em seguida, recambiado para a cadeia do Crato sendo minuciosamente interrogado no dia 24 de janeiro de 1923 pelo delegado major Raimundo de Mores Brito e recolhido à prisão, onde já se encontrava Chá Preto e Polvinha. Chá Preto teve a mão direita decepada à machadada. A pretexto de ser feita a sua barba foi chamado um barbeiro, que realizou um trabalho de um ofício medieval, o barbeiro-cirurgião.
Barbeiro-cirurgião
Cravando-lhe um punhal na subclávia, o maníaco agonizou até a morte.

O major Zé Inácio não resistindo a implacável perseguição, resolveu emigrar para Goiás, aonde veio a ser assassinado, em São José do Duro (uma corruptela de São José do Ouro, hoje no estado de Tocantins). Em setembro de 1923, Ulisses Liberato, com 29 anos foi sumariamente fuzilado. Polvinha o acompanhou na linha de fuzilamento.
Fonte:Lampião Aceso