A Extraordinária Invasão a Paulo Afonso Território de Grandes Encontros


Como em todas as outras 27 edições, o Cariri Cangaço reuniu na cidade de Paulo Afonso, na Bahia, entre os dias 24 a 27 de Março de 2022, uma legião imensa de pesquisadores, escritores, curiosos e verdadeiros apaixonados pela história do cangaço e do sertão. Segundo informações da organização do evento, estiveram reunidos no Cariri Cangaço Paulo Afonso, representantes de 13 estados da federação: Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Bahia, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná e Distrito Federal; numa autêntica festa da integração da alma nordestina espalhada por este imenso Brasil.

Marcus Vinicius e Manoel Severo
Bismarck Oliveira, Ivanildo Silveira e Manoel Severo
Gilmar Teixeira, Celia Maria, João de Sousa e Lili
Bismarck Oliveira, Manoel Severo e Narciso Dias
José Tavares, Padre Agostinho, Luiz Antonio, Luiz Ferraz Filho, 
Jorge Figueiredo e Louro Teles
Geraldo Ferraz, Wescley Rodrigues e João de Sousa
Paulo Roberto Neves, Manoel Severo e Joana
Ivanildo Silveira e Rossi Magne
Kiko Monteiro e Ângelo Osmiro
Nadja Claudino, Aretusa Simoneta e Marcus Vinícius
Manoel Severo e Afrânio Oliveira

"Sem dúvidas havia muita expectativa com relação ao Cariri Cangaço Paulo Afonso 2022; somado ao fato de não termos realizado eventos da marca nos últimos dois anos em função da pandemia do COVID 19, pesquisadores, escritores, apaixonados e curiosos da temática de todo o Brasil, invadiram literalmente a terra de Maria Bonita. Já nos dias imediatamente anteriores ao evento, tínhamos confirmados em acomodações da rede hoteleira em Paulo Afonso, exatos 247 pesquisadores convidados; penso que sem dúvidas esse número passou dos 300 participantes, uma vez que não conseguimos o controle e a informação de todos que vieram a Paulo Afonso" revela o curador do Cangaço, Manoel Severo.

Valdir Nogueira
Louro Teles e Manoel Severo
Adriano Carvalho, Manoel Severo e Orlando Carvalho
Ângelo Osmiro, Zeca, Tomaz Cisne, Aretusa, Betinho Numeriano, Ivanildo Silveira, 
Manoel Severo, Aline Melo e João de Sousa Lima
Ivanildo Silveira, Amélia Araújo e Kiko Monteiro
Marcus, Terezinha, Maria Otília, Manoel Severo, Aretuza Simoneta e Noádia Costa
Archimedes Marques, Bismarck Oliveira, José Irari e Professor Pereira
Ivanildo Silveira, Maria Otília, Manoel Severo

Distribuídos pela rede hoteleira local, que mantinha os hotéis Belvedere e Bela Vista, como os principais, a grande família Cariri Cangaço mantinha o constante encontro seja no hall de seus respectivos hotéis, seja dentro da programação do evento, seja no momento do almoço festivo ou do jantar após a dinâmica atividade do dia, fazendo valer a máxima de seu próprio curador: "Cariri Cangaço, mais que um Evento, um Sentimento".

Sulamita Buriti, Devanier Lopes e Francimary Oliveira
Herton Cabral, Paulo de Tarso e Junior Almeida
Aretusa Simoneta, Rosane e Geraldo Ferraz e Noádia Costa
Wescley Rodrigues
Um Cariri Cangaço especial, com direito a Noivado com mais de 200 testemunhas e benção do Capelão 
do Cariri Cangaço, Padre Agostinho.
Que Deus os abençoe: Gabriel Barbosa e Andressa Ketlin

Para João de Sousa Lima, Conselheiro Cariri Cangaço e responsavel pela organização do encontro, "Toda nossa equipe se desdobrou para proporcionar o melhor para nossos convidados, na verdade, foi uma agenda intensa, espero que tenhamos conseguido corresponder às expectativas dos amigos de todo o Brasil que lotaram Paulo Afonso nestes quatro dias de evento. Já estamos pensando no próximo Cariri Cangaço Paulo Afonso".

Célia Maria e Quirino Silva
Capitão Quirino, Paulo Roberto Neves e Manoel Severo
Geraldo Ferraz, Moacir Assunção e Manoel Severo
Rose Souza, Manoel Severo e Manoel Belarmino
Junior Almeida e Isalete Alencar
Terezinha, Maria Otília, Manoel Severo, Aretusa e Noádia Costa
Rubelvan Lira, Luiz Ferraz Filho e casal Celso, de Serrinha
Noádia Costa, Aretusa Simoneta, Junior Almeida e Wescley Rodrigues
João de Sousa e Raul Meneleu
Rita Pinheiro
André Nunes, Manoel Severo, Bismarck Oliveira e Quirino Silva
Sulamita Buriti, Célia Maria e Fracimary Oliveira
Professor Jorge , Manoel Severo e Maria Otília

Luma Holanda, pesquisadora e escritora, recém empossada Conselheira do Cariri Cangaço e também membro da Comissão Organizadora, revela: "Foi um trabalho duro de quase quatro meses entre o planejamento e a efetivação real de tudo o que iria acontecer nesse Cariri Cangaço Paulo Afonso. A liderança de João de Sousa Lima e confiança depositada em cada um de nós pelo nosso timoneiro Manoel Severo, nos deram a tranquilidade necessária para darmos o nosso melhor, e assim hoje, estamos com a sensação do dever cumprido, e isso é maravilhoso, parabéns a toda equipe"

Valdir Nogueira, Joaquim Pereira e Luiz Ferraz Filho
Clênio Novaes, José Alcântara, Valdir Nogueira e José Irari
Fred Santos, Noádia Costa e Aretusa Simoneta
Junior Almeida, Ze Tavares, Isalete Alencar, Amelia Araujo e Luiz Ferraz Filho
João de Sousa, Manoel Severo e Valdir Nogueira
Quirino Silva, Aline Melo e Celia Maria
Helynho Santos, Beto Patriota, Manoel Severo e Melque
Francimary Oliveira

A cada evento, a cada realização a certeza do êxito a partir da cooperação de todos os envolvidos. Os desafios de planejar e efetivar uma agenda dinâmica em tão poucos dias, acompanhar o acolhimento de todos, a logística de movimentação e refeições, a infra estrutura de cada momento do evento, enfim, exigem entrega e muita responsabilidade, coisas que não faltaram no Cariri Cangaço Paulo Afonso 2022.

Aretusa Simoneta e Manoel Severo

Quirino Silva e Betinho Numeriano
Wescley Rodrigues
Narciso Dias, Ângelo Osmiro, Junior Almeida e Kiko Monteiro
José Tavares e Ana Gleide
Narciso Dias e Neli Conceição
Helga Diniz e Valdir Nogueira
Narciso Dias, Emmanuel Arruda, Bismarck Oliveira, Ivanildo Silveira e Luiz Ferraz Filho
Fred Santos, Roberto, Cel Otávio, Sulamita e Rubelvan Lira
Rosália, Neli Conceição, Célia Maria, Josenilda Bitencourt

"Severo sempre ressalta que o Cariri Cangaço é uma grande construção coletiva, uma união de fatores, recursos e esforços dos vários parceiros e colaboradores, que resultam no sucesso de tudo que tem a marca Cariri Cangaço, e em Paulo Afonso não foi diferente, só temos a parabenizar a equipe da Comissão Organizadora, foi um encontro extraordinário, como sempre" confirma o Conselheiro Cariri Cangaço, Professor Pereira, da cidade de Cajazeiras na Paraíba.

Nadja Claudino e Josué Santana
Noádia Costa, Aline Melo e Wescley Rodrigues
Flávio, Aretusa e Fábio
Narciso Dias
Fabiane, Elane Marques, João de Sousa, Archimedes, Afrânio Oliveira e Manoel Severo
Josevaldo Matos e Neli Conceição
Noádia Costa, Júnior Almeida, Luciano Costa, Vanessa, Zé Tavares, Isalete Alencar
Luiz Ferraz Filho
Mucio Procópio, Ivanildo Silveira e Valdir Nogueira
Adriano Carvalho e Padre Agostinho

Cariri Cangaço Paulo Afonso
Onde o Brasil de Alma Nordestina se Encontra
Mais que um Evento, um Sentimento

Redação Cariri Cangaço Paulo Afonso

24 a 27 de Março de 2022

De Bosta Seca a Volta Seca Por: Guilherme Machado

Volta Seca

Em 1929 Um menino por nome Antônio dos Santos chegar em Guloso atual Novo Triunfo vilarejo a 4 léguas distante de Bom Conselho atual Cicero Dantas Lampião foi visitar um amigo oculto o delegado Antonio Guerra, este casado com a filha de um dos maiores fazendeiros da região, Saturnino Nilo ( Nilo das Abobreiras) este foi avô do deputado Baiano Marcelo Nilo. Lampião conversava com o delegado a espera
da hora
do almoço, quando Ezequiel e outros Cangaceiros foram dar uma volta nos arredores atrás de cavalos foi quando encontrou um moleque com mais ou menos 10 ou 11 anos com uma franga em baixo dos braços, provavelmente roubada em algum galinheiro dos arredores do Guloso.

E perguntaram como é o seu nome menino? "Antônio" respondeu o molecote, e perguntou o Cangaceiro: você sabe onde tem cavalos por aqui? E sem tutibiar o moleque respondeu "sei me acompanhe!" e levou os cangaceiros em todos os currais da região onde tinha bons cavalos de fazendeiros. Em virtude da franga que o menino levava em baixo dos braços os cangaceiros passaram a chama-lo de Tonho da Pinta!

Quando chegaram ao Guloso com o menino, Lampião olhou e perguntou: mais onde diabo vocês vai com este menino? Achamos este peste no mato Capitão ele nos ajudou a achar boas montarias ( risos ) com esta franga nas mãos nos botamos seu apelido de Tonho da Pinta; O delegado interveio! Tonho da Pinta? por aqui nos conhecemos ele como Bosta Seca! E falou Lampião ah é:Bosta Seca vá lavar aqueles cavalos, mais cuidado para não sujar os cavalos de bosta ( risos ). Tonho não perdeu tempo banhou os cavalos em tempo recorde e chamou a atenção de Lampião que lhes deu 50 mil réis, até ai o menino ja estava familiarizado com os cangaceiros e eles ao menino que já conhecia a todos pelos seus nomes.

de Bosta Seca a Volta Seca

Lampião perguntou se ele já tinha comido e ele respondeu que não; logo o moleque estava almoçando na casa do delegado com toda a cabroeira de Lampião, não calava a boca dava conta de tudo e sabia de tudo da vida de todo mundo. Um dos cangaceiros sugeriu que levassem o moleque, a principio Lampião não aprovou disse: este moleque tem a língua solta! de tanto os cangaceiros insistirem Lampião aceitou que o moleque fossem com eles.

Assim que o bando saiu do Guloso o moleque foi na garupa do cavalo de Corisco. Em Tanque Novo atual Duas Serras, Lampião mandou um Bilhete ao Coronel Saturnino Nilo pedindo uma quantia em dinheiro e o portador foi o moleque Bosta Seca. Depois seguiram viajem para Bom Conselho onde prenderam dois Soldados do destacamento de Salvador que vinham servir em Bom Conselho e os dois foram Sangrados por Bosta Seca, onde foi parar nos noticiários da capital; nos jornais saiu a nota escrita soldados mortos e estrangulados pelo terrível cangaceiro "Estrume Seco" por não poderem escreverem Bosta Seca... Com presteza a sabedoria logo logo o molecote teve o reconhecimento de suas perversidades por Lampião que exigiu que o bando o chamasse de Volta Seca, e assim foi feito, e o malfeitor passou a chamar Lampião de Padrinho.
Fontes. Livros Raposa das Catingas. As 4 Vidas de Volta Seca. Jornal da Bahia 1932.
Guilherme Machado, pesquisador e escritor
Bahia, 06 de julho de 2022

No Rastro de Lampião - Lançamento do Podcast Cariri Cangaço


Lançamento do Podcast Cariri Cangaço
01 de julho de 2022
NO RASTRO DE LAMPIÃO
Manoel Severo, Ângelo Osmiro e Ricardo Beliel

A Gruta do Angico em Poço Redondo Por:Manoel Belarmino

A Gruta da Grota, do Angico

Muitas pessoas escrevem "Grota do Angico" dando nome ao lugar onde morreram Lampião, Maria Bonita e os outros nove cangaceiros no dia 28 de julho de 1938. Outras escrevem "Gruta do Angico" como costuma escrever o escritor Rangel Alves da Costa. Vale dizer que naquele lugar, geograficamente falando, existe uma gruta e uma grota. Existe as duas coisas. Portanto, estaria correto se alguém escrevesse assim: "na gruta da grota do Angico".

Vejamos: Gruta é uma "cavidade de forma e profundidade variáveis, encontrada frequentemente em rochas calcárias ou em arenitos de cimento calcário". Grota é uma "cavidade, na encosta de serra ou de morro, provocada por águas das chuvas, ou, em ribanceira de rio, por águas de enchentes". E ainda sobre o significado de gruta, alguns dicionários dizem que gruta significa: "depressão causada pela água nas ribanceiras de rios; gruna". O mesmo significado de grota.
Não está errado quem chama Angico de grota e está certo quem chama aquele lugar de gruta. Posso afirmar que o correto mesmo é manter o topônimo conforme foi dado pelos que ali viveram e fizeram a história. Se eles chamavam aquele lugar de Gruta do Angico é porque ali é a Gruta do Angico, lugar que geograficamente está localizado inteirinho em Poço Redondo.

Manoel Belarmino, pesquisador e escritor
Conselheiro Cariri Cangaço - Poço Redondo SE

No Ar o Novo Projeto: Podcast Cariri Cangaço , primeiro episódio NO RASTRO DE LAMPIÃO

Heldemar Garcia, Ricardo Beliel, Luciana Nabuco, Manoel Severo e Ângelo Osmiro

A última sexta-feira, dia 01 de julho de 2022, marcou o lançamento do mais novo empreendimento da marca Cariri Cangaço. A data marcou o lançamento do PODCAST Cariri Cangaço, um  programa em parceria com o Podcast "de tudo um pouco" do jornalista Heldemar Garcia. O programa foi gravado em parceria com os estúdios do Instituto Opnus. Para o jornalista Heldemar Garcia "esse é mais um projeto de sucesso do consagrado Cariri Cangaço, a parceria entre o Cariri Cangaço, nosso Podcast e o instituto Opnus, é a certeza de muita coisa boa que vem por ai, ainda mais falando de Severo, que não para nunca!" 

Neste primeiro programa Manoel Severo recebeu; Ângelo Osmiro, Conselheiro Cariri Cangaço e presidente do GECC - Grupo de Estudos do Cangaço do Ceará e Ricardo Beliel, fotojornalista, pesquisador e que lançou recentemente "Memórias Sangradas"; num bate papo descontraído e que versou sobre as experiências de ambos durante os anos de pesquisas sobre o cangaço, nas caatingas sertanejas do nordeste.
Manoel Severo, Ângelo Osmiro e Ricardo Beliel na estreia do Podcast Cariri Cangaço

Sobre o novo projeto, Ângelo Osmiro fala: "É uma grande honra participar do programa inaugural de mais uma iniciativa de sucesso do Cariri Cangaço, hoje o maior empreendimento do gênero, no Brasil. Foi um programa leve, descontraído e que sem dúvidas todos os expectadores vão gostar. Hoje contamos aqui no Podcast Cariri Cangaço, um pouco de nossa história, de nossas andanças e experiências, foi muito bacana".

Já Ricardo Beliel ressalta a grande e já exitosa iniciativa do Cariri Cangaço, "eu que já conhecia e acompanhava de longe o excelente trabalho de Severo e do Cariri Cangaço, como também o trabalho do Osmiro e de tantos outros amigos do Cariri Cangaço, hoje esta participando programa de estreia do Podcast Cariri Cangaço é uma grande satisfação. Sem dúvida uma experiência gratificante, é como Severo sempre diz: Avante".

...bate papo descontraído e que versou sobre as experiências de ambos durante os anos de pesquisas sobre o cangaço, nas caatingas 
sertanejas do nordeste.
Ricardo Beliel, Manoel Severo e Ângelo Osmiro

É Manoel Severo quem revela, "o projeto de nosso Podcast Cariri Cangaço consiste em proporcionar aos muitos apaixonadas pela história do sertão e do cangaço mais uma possibilidade de conhecer de perto esse grande universo. Os programas serão gravados em nossos estúdios aqui em Fortaleza e sem dúvidas teremos muita coisa boa pra mostrar. Nesse primeiro momento terá veiculação em nosso canal no YouTube e estamos ultimando os acertos para veicular nos principais tocadores de podcast."

Manoel Severo e Heldemar Garcia
Heldemar Garcia e Ricardo Beliel

Cronologia Cariri Cangaço: com o advento em fevereiro de 2020 da Pandemia do COVID 19, o Cariri Cangaço que mantinha uma agenda dinâmica e surpreendente de eventos presenciais, se reinventa e inaugura mais duas frentes de propagação da memoria e historia do sertão. Em setembro de 2020 é criado o Canal do Cariri Cangaço no YouTube e ao mesmo tempo é lançado o primeiro programa do canal; SEMANAL e AO VIVO nasceu ali os "Grandes Encontros Cariri Cangaço"; reunindo para conferências e debates, on line, algumas das mais destacadas personalidades do universo da pesquisa e estudo de temas nordestinos. Em um ano e seis meses meses de realização o Cariri Cangaço realizou mais 60 programas ao vivo de "seus" Grandes Encontros.

Em Março de 2021 estreia na plataforma Instagram mais um programa da marca: "Cariri Cangaço Personalidade" , com um outro formato e essência, entrevistando também semanalmente e ao vivo, personalidades do mundo das artes e das culturas. Em junho de 2021 o Canal do YouTube do Cariri Cangaço inovou com mais um programa ao vivo e bimestral: Cariri Cangaço Opinião; mais polêmico, controverso, provocador, tudo na direção do fomento  e consolidação da memoria e historia do sertão. E agora seguindo a dinâmica da inovação o Cariri Cangaço lança seu primeiro programa sob a forma de Podcast.

Veja o primeiro episódio do Podcast Cariri Cangaço
NO RASTRO DE LAMPIÃO
Manoel Severo, Ângelo Osmiro e Ricardo Beliel


Lançamento do Podcast Cariri Cangaço
01 de julho de 2022

Há 118 Anos é Apeado do Poder em Crato, o Coronel José Belém de Figueiredo pelos Rifles do Santo André Por: Valdir Nogueira

Coronel José Belém de Figueiredo

29 de junho de 1904, após 3 dias de tiroteios, o coronel José Belém de Figueiredo, chefe político do Crato e então vice-presidente do estado do Ceará, ligado a família Pereira do Pajeú, é deposto por tropas particulares comandadas pelo coronel Antônio Luiz Alves Pequeno. Tropa esta trazida do sertão do Pajeú, estado de Pernambuco para auxiliar o chefe político cearense. Em seguida a deposição do coronel José Belém de Figueiredo, o coronel Antônio Luiz Alves Pequeno, é grimpado ao poder municipal naquela comuna, lógico, pelos rifles da fazenda Santo André, de propriedade do belmontense Antônio Clementino de Carvalho, o famoso Antônio Quelé, principal desafeto da família Pereira. 

Quelé possuía o maior plantel de jagunços ao norte do rio São Francisco, fornecendo braços armados para desempatas contendas em toda região. A fazenda Santo André, era uma das vigas mestras da disputa sangrenta entre os dois tradicionais clãs Carvalho e Pereira . Por sua vez, o coronel Antônio Luiz Alves Pequeno, era primo do combativo MONSENHOR AFONSO ANTERO PEQUENO pároco de Belmonte e Vila Bela, no princípio do século passado, e envolvido também no conflito do Crato.

Valdir José Nogueira de Moura, Pesquisador e Escritor - Conselheiro Cariri Cangaço ; 02 de julho de 2022 São José de Belmonte PE

"A Bala e a Mitra" - Terceira Edição Lançada em Garanhuns Por: Junior Almeida


Foi lançado ontem, 2 de julho, no auditório do Seminário São José, aqui em Garanhuns, pela Editora Verbo Encarnado, de São Paulo, a terceira edição do livro A Bala e a Mitra, da jornalista recifense Ana Maria César. O evento foi especialmente escolhido para esta data, por coincidir com o 65º aniversário de morte do 5º Bispo de Garanhuns, Dom Expedito Lopes, assassinado pelo Padre Hosana Siqueira, único caso desse tipo no Brasil. O evento, prestigiado por um bom número de pessoas, começou ainda sem a presença da autora, que veio de Recife, e se atrasou por conta das chuva em todo trajeto, foi um pouco diferente de demais eventos literários, pois, teve antes do seu início, a reza do terço, comandada por membros da confraria Dom Expedito Lopes. 

A colunista Kitty Lopes foi a mestre de cerimônias do evento, tendo a mesa das autoridades composta por Ivonete Xavier, presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Garanhuns – IHGG -, Dom Paulo Jackson, Bispo Diocesano, do psiquiatra Bruno Lopes, presidente da Confraria Dom Expedito Lopes, além do seu irmão, Padre Thiago, que é postulador da causa de beatificação de Dom Expedito, em sua fase romana, e que escreveu um dos capítulos de A Bala e a Mitra.

Junior Almeida e Ana Maria César

Em sua fala, Ana Maria César disse como como se deu o início de sua pesquisa para o livro.  Ela, que é filha do juiz do caso, Amaro de Lyra e César, disse que em 1980, ainda residindo em Caruaru, encontrou o relatório do seu pai sobre o famoso crime, e que o documento foi o ponto de partida para o livro, que atualmente está na terceira edição. Depois, segundo ela, foi ao cartório em que estava arquivado o processo e tirou uma cópia do documento.A autora revelou que tempos depois o processo sumiu do cartório e, que existe hoje em dia apenas uma cópia deste documento histórico doada por ela ao Memorial de Justiça de Pernambuco, no bairro do Brum, em Recife.

Ana Maria, visivelmente emocionada, disse que se sentia agradecida a Deus por ser, segundo ela, um instrumento Dele para reparar a verdade histórica, pois, antes dela publicar sua obra, existiam várias versões equivocadas sobre o episódio, como por exemplo, a que “Padre Hosana tinha matado Dom Expedito por que o bispo estaria namorando com a sua mulher”. Ao final de suas palavras, Ana Maria César foi aplaudida calorosamente.Um momento de grande emoção do evento, foi quando a Irmã Justina, de 87 anos, uma das sete freiras da primeira turma da congregação fundada por Dom Expedito, falou. A religiosa do Instituto das Missionárias de Nossa Senhora de Fátima do Brasil estava com o Bispo no Hospital Dom Moura, segurando seu oxigênio enquanto ele estava ferido, e junto com outros religiosos, presenciou a sua morte.

Corpo de Dom Expedito

Irmã Justina, junto com Cândida, residem no Rio de Janeiro e, são as últimas religiosas vivas que estavam com o 5º Bispo de Garanhuns no momento de sua passagem. Apoiada em uma bengala, a religiosa contou que no hospital, vendo seu fim se aproximar, Dom Expedito fazia orações em latim, nas quais pedia o perdão para o Padre Hosana e, que um o médico que o assistia achou que ele delirava, passando, então, o Bispo a falar em português.Dom Paulo, ao falar, lembrou de alguns momentos da vida de seu antecessor. Destacou a humildade e a pobreza material de Dom Expedito, citando o caso em que seu pai, pedreiro de profissão, não foi à sua ordenação de padre por que não possuía um simples par de sapatos. Lembrou também que seu algoz, o destemperado Padre Hosana zombava dele, pois se dizia um fazendeiro, enquanto seu Bispo e superior não passava de um pobretão.

O atual Bispo de Garanhuns ainda relembrou algumas transgressões do Padre Hosana, como uma agressão ao próprio Dom Expedito, um ano antes de seu assassinato e, também do aborto da mulher Maria José, concubina do então padre de Quipapá, isso em 1953. Disse também que Padre Hosana queria a todo custo que Maria José abortasse novamente, no ano de 1955, tendo ela fugido para não cometer mais esse pecado.

Dom Paulo Jackson disse que em 24 de março de 1956, nasceu o filho de Padre Hosana e Maria José, bem longe de Pernambuco. O Bispo revelou ainda que Quitéria, a outra mulher de Hosana, teve um filho dele. Que um pintor de paredes, que trabalhou no “Palácio do Bispo” foi que lhe revelou que era neto de Quitéria e Padre Hosana, se dizendo filho do pecado.

Dom Paulo destacou que mesmo Dom Expedito sendo acusado injustamente de dar ouvidos à fofocas, de ter sido agredido pelo Padre Hosana em 1956, e no ano seguinte ser baleado, vindo a morrer por conta dos ferimentos, perdoou tudo; as pessoas que o caluniavam a até seu próprio algoz. O bispo finalizou dizendo que “vai fazer um decreto para que todos os padres da Diocese rezem para Dom Expedito, pedindo a sua beatificação.” Padre Thiago, como dito, postulador da causa de beatificação de Dom Expedito em Roma, disse não ter dúvidas de “que ele é santo”.

Depois das falas sobre o livro e o trágico episódio de julho de 1957, Ana Maria César autografou os exemplares da nova edição de A bala e a Mitra, obra, que ao lado de A Vida de Dom Expedito Lopes Bispo Mártir de Garanhuns, de Frei Fernando Francisco da Silva, são indispensáveis para a História de Garanhuns, bem como a História da Igreja. 

Junior Almeida, pesquisador e escritor - Conselheiro Cariri Cangaço 

Capoeira, PE 03 de julho de 2022

Fonte: Blog do Roberto Almeida