Em seguida às visitas as Fazendas Pitombeira e Carnaúba, a caravana Cariri Cangaço seguiu para espetacular recepção aos convidados realizada pelo tradicional e acolhedor distrito de Bom Nome no município de São José de Belmonte. Tendo como grande anfitriã Cilene Pereira Valões e toda a equipe da Escola de Referência Napoleão Araújo, a comunidade e as família de Bom Nome realizaram uma das maiores festas de toda a programação do Cariri Cangaço 2022.
Cilene Pereira Valões ao lado de Manoel Severo
"Cilene abraçou o Cariri Cangaço de uma forma absolutamente extraordinária, talvez com a mesma força do tamanho de seu amor por sua querida terra: Bom Nome. Hoje vivemos uma festa inesquecível aqui em Bom Nome, todo o compromisso de Cilene foi assumido por toda comunidade do lugar, que lotou essa quadra esportiva, proporcionando uma das maiores recepções ao Cariri Cangaço. Uma festa cheia de história, memória e afeto. Nossa gratidão a toda equipe da escola de Referência Napoleão Araújo que se desdobrou com o que tem de melhor; arte, cultura, artesanato, culinária... Sairemos daqui hoje levando Bom Nome em nosso coração, a partir de hoje, Bom Nome é terra do Cariri Cangaço". Manoel Severo, curador do Cariri Cangaço
Equipe da Escola de Referência Napoleão Araújo, um show a parte...
Por volta das 13h30 do dia 12 de novembro de 2022, chegava a Bom Nome a caravana Cariri Cangaço, a recepção ficou a cargo do Grupo de Bacamarteiros da Pedra do Reino. O estampido seco e ensurdecedor dos destemidos bacamartes e o entusiasmo dos participantes nos lembravam a força inegável do sertão. Neste dia Bom Nome escreveu sua historia com a força de sua tradição e de seu povo ao receber pesquisadores de todo o Brasil em mais uma grande festa do Cariri Cangaço.
Quem nos conta é o Conselheiro Cariri Cangaço, Valdir Nogueira: "Surgido em 1902, com a primitiva denominação de “Malhada do Bom Nome”, impulsionado com uma concorridíssima feira, dada a sua excelente localização, Bom Nome, 2º Distrito do município de São José do Belmonte, tem suas preliminares originadas no século XIX, surgido na antiga fazenda Sabonete, de propriedade de José Carlos Rodrigues, remanescente da Casa da Torre da Bahia, e onde foi estabelecido um dos grandes currais pertencente aos membros da família Pereira do Pajeú. Todavia, além dessa família, no início, seu principal contingente humano também se constituiu dos Rodrigues do Nascimento, Ferreira da Cunha, Bezerra, Gomes e Barbosa Leal, Ribeiro de Freitas, Araújo, dentre tantas outras.
Conselheiros Cariri Cangaço Clênio Novaes e Valdir Nogueira
Manoel Severo e os Bacamarteiros da Pedra do Reino
Grupo de Bacamarteiros da Pedra do Reino, uma festa a parte
no Cariri Cangaço Bom Nome 2022
Ora, quando foi criado o município de Belmonte em 02 de outubro de 1890, emancipado do município de Vila Bela, através de lei, o novo município foi dividido em três distritos com as respectivas denominações:1º Distrito: Belmonte (Sede); 2º Distrito: Boqueirão;3º Distrito: Santa Maria. Por portaria de 22 de dezembro de 1902, o 2° distrito de Boqueirão teve sua sede transferida para a fazenda Carnaúba, dada a influência política do seu proprietário o coronel Manoel Pereira Lins (Né da Carnaúba). No entanto, por portaria de 3 de julho de 1919, o povoado de Bom Nome se tornou então nesta data sede do 2º Distrito de São José do Belmonte.
coronel Manoel Pereira Lins, o Né da Carnaúba, sentado à direita
A história é uma colcha de retalho onde cada pedaço se completa e dar novo espaço e nova tonalidade para aquilo que se quer construir. Pois bem, a história de Bom Nome está intrinsecamente ligada a lendária fazenda Carnaúba do coronel Manoel Pereira Linz, que também foi um dos doadores no ano de 1918 do Patrimônio de Santo Antônio de Bom Nome. Prefeito de Belmonte, figura importante no sertão do Pajeú, grande liderança política, este senhor vivenciou todo período do cangaço lampiônico e a última fase da luta entre os dois tradicionais clãs Pereira e Carvalho que por muitos anos se digladiaram no sertão do Pajeú, tendo participação ativamente nos eventos de defesa e ataque da sua família Pereira contra os Carvalhos. E foi justamente nesse momento agudo da questão Pereira e Carvalho que no distrito de Bom Nome foi instalado um comando com reforço de praças numa ferrenha perseguição a Sinhô Pereira e Luiz Padre, primos do coronel Né da Carnaúba, onde se destacaram nomes como o capitão José Caetano e o capitão Theófhanes Torres. A partir de então Bom Nome começou a fazer parte constante nos noticiários de jornais.
Conselheiros Clênio Novaes, Valdir Nogueira, Manoel Severo e Luiz Ferraz Filho
A beleza e o talento artístico e cultural da meninas de Bom Nome, alunas da Escola de Referência Napoleão Araújo e a homenagem ao padroeiro do distrito Santo Antônio
"De parabéns estão todos os bonomenses que de alguma maneira contribuíram para que este acontecimento cultural pudesse acontecer como realmente aconteceu: pleno de sucesso e brilho intenso. Muito especialmente pela determinação e ousadia desta figura incansável; uma baluarte chamada Cilene Pereira, gestora da Escola Napoleão Araújo neste distrito e toda a sua dinâmica equipe por sinal muito atuante naquele tradicional educandário, também o apoio da Prefeitura Municipal de São José do Belmonte, por meio da Secretaria de Turismo, Diretoria de Cultura, Câmara de Vereadores e movimentou a vila com uma rica programação que surpreendeu e encantou a todos os ilustres visitantes." Comenta Valdir Nogueira.
Professora Lurdes e a canção Ave Maria Sertaneja
"Gente de Raiz, Força e Fé..."
O xaxado tradicional dos sertões nordestinos, na pisada doce e precisa das meninas de Bom Nome passando pela força e o talento dos jovens aboiadores que a todos emocionaram. Foi a grande festa do Cariri Cangaço em Bom Nome.
"Testemunhar a extraordinária festa que a comunidade de Bom Nome aqui em São José de Belmonte proporcionou nessa tarde para o Cariri Cangaço foi realmente algo que nos emocionou a todos. O pessoal das escolas, as crianças, as famílias, todo o zelo com o resgate histórico, as apresentações, o almoço com cardápio regional, enfim, Bom Nome hoje escreveu seu bom nome nos anais de nosso Cariri Cangaço, estão todos de parabéns , principalmente nossa anfitriã, Cilene Pereira" fala Gilmar Teixeira, Conselheiro Cariri Cangaço de Feira de Santana na Bahia.
Conselheiro Cariri Cangaço Gilmar Teixeira
José Francisco e Elita Maria
Manoel Severo e Klyvio Barros
Conselheiro Cariri Cangaço Quirino Silva e Zenon Pereira
Rita Pinheiro, Garimpeira da Cultura
Conselheiros Archimedes e Elane Marques, Geraldo Ferraz e Rosane
Conselheiro Leonardo Gominho e Cássia Gominho
Conselheiro Luiz Ruben e Ângela Maria
Conselheiro Joaquim Pereira e Erivelton Silva
Delegado Luiz Antônio
Conselheiro Junior Almeida e Israel Maria
Darlan Valverde e Bacamarteiros da Pedra do Reino
Afrânio Oliveira, Conselheiros Calixto Junior, Ivanildo Silveira e Ângelo Osmiro
e Tomaz Cisne
Conselheiros Moustafa Veras e Manoel Severo
Da extraordinária recepção festiva, almoço e apresentações artísticas no Ginásio Estadual em Bom Nome, a caravana Cariri Cangaço seguiu pelas ruas do distrito conhecendo os principais cenários de episódios marcantes da época áurea do cangaço no Pajeú, como por exemplo a "cruz de Pedro Santa Fé"... Na vila de Bom Nome, dentro da cronologia do cangaço alguns eventos importantes merecem serem lembrados: Em Bom Nome em 28 de janeiro de 1917 foi assassinado por forças policiais o cangaceiro Pedro Santa Fé, vulgo “Pedro Braquió”, do grupo de Manoel Pereira da Silva Filho (Né Dadu). Pedro Santa Fé foi um dos assassinos de Eustáquio de Carvalho, morto em 1907.
Conselheiro Cariri Cangaço Manoel Belarmino e a "cruz de Pedro Santa Fé"
Anita Paixão e Manoel Severo
Conselheiros Cariri Cangaço, Joaquim Pereira, Clênio Novaes e Valdir Nogueira
e pesquisador Zé Bezerra
Padre Agostinho Capelão do Cariri Cangaço, presença marcante em todas as agendas
Logo a Caravana Cariri Cangaço chegava à Capela de Santo Antônio, tradicional templo em devoção ao padroeiro do lugar. Ali com a capela totalmente lotada as boas vindas foram dadas por Manoel Severo e Valdir Nogueira para logo em seguida a anfitriã da tarde, Cilene Pereira Valões fazer uma apresentação da historia do distrito e de seus principais episódios ligados ao cangaço.
No dia 2 de setembro de 1919, por volta das 4 horas da tarde, depois de várias ameaças, o povoado de Bom Nome foi atacado pelo grupo de Sinhô Pereira e Luiz Padre. Após incendiar a propriedade do coronel Francisco Ramos Nogueira (avô de José Ramos, ex-governador de Pernambuco), da família Carvalho, o grupo atacou Bom Nome, havendo tiroteio com as praças que ali se achavam, chegando logo depois o capitão José Caetano com sua força, tiroteando com o referido grupo que conseguiu romper o cerco em que fora envolvido pela polícia.
Cilene Pereira Valões e as memórias e Bom Nome
Cilene Pereira Valões recebe do poeta Cícero Aguiar Diploma de
"Amiga da Academia de Poetas do Sertão Central de Pernambuco"
Manoel Severo e Valdir Nogueira
Em Bom Nome foi assassinado José Gomes de Sá, primeiro nazareno vítima do banditismo. Primogênito do Sr. Manoel Gomes de Sá Ferraz, florestano e primo do Coronel Luiz Gonzaga Gomes Ferraz, José Gomes de Sá, do sítio Caneta onde residia, no dia 7 de novembro de 1920 se dirigiu para a feira de Bom Nome, onde foi vender uma carga de algodão e resolver outras questões atinentes aos seus negócios comerciais, todavia ao retornar para a sua residência foi cruelmente atacado próximo aquele vilarejo por cangaceiros do bando de Sinhô Pereira, que saquearam a carga de alimentos que trazia nos animais além de todo o dinheiro que foi levado. Seu corpo, varado por tiros e punhaladas foi ali abandonado.
Sinhô Pereira e Luiz Padre
Em 29 de julho de 1921 Bom Nome sofreu outro ataque por parte de cangaceiros do grupo de Sinhô Pereira. Mesmo com a resistência do capitão José Caetano, os bandidos conseguiram ainda incendiar uma bolandeira, de propriedade do comerciante Cícero Bezerra e cortaram também o fio telegráfico. Na tarde de 24 de agosto de 1921, depois de uma peleja na fazenda Carnaúba com a força do capitão José Caetano, onde travou-se renhido tiroteio que resultou na morte do bandido Luiz Macário, cabra de total confiança de Sinhô Pereira, seguiu este com seu grupo em direção a Bom Nome, porém no caminho, bem próximo à vila encontraram com o Sr. João Bezerra do Nascimento, no entanto, na ira em que estava possuído, em decorrência da morte de Luís Macário, desfechou Sebastião Pereira um tiro naquele inocente homem e o matou.
Capela de Santo Antônio em Bom Nome
visitas as Fazendas Pitombeira e Carnaúba, a caravana Cariri Cangaço seguiu para espetacular recepção aos convidados realizada pelo tradicional e acolhedor distrito de Bom Nome no município de São José de Belmonte. Tendo como grande anfitriã Cilene Pereira Valões e toda a equipe da Escola de Referência Napoleão Araújo, a comunidade e as família de Bo
Cilene Pereira Valões e família na festa do Cariri Cangaço Bom Nome 2022
Valdir Nogueira, Luiz Ferraz Filho, Cícero Aguiar, Joaquim Pereira e as homenagens da Academia de Poetas do Sertão Central de Pernambuco
Otávio Cardoso, Manoel Severo e Julierme Vanderlei
Em princípios de novembro de 1921, nas proximidade de Bom Nome a polícia travou mais um tiroteio com o grupo de Sinhô Pereira. O delegado de Belmonte, acompanhado de uma força policial, depois de minuciosas indagações, conseguiu descobrir o roteiro do grupo de cangaceiros chefiado por Sebastião Pereira. Tratou de emboscá-lo, o que, com efeito, realizou. Em seguida, rompeu fogo contra o grupo sendo correspondido. Com a força policial participou gente dos Carvalhos: o destemido Antônio Alves de Carvalho (Antônio Cipriano), Mariano Mendes de Moura (esse participou do assassinato de Padre Pereira) e Miguel Umbuzeiro. O tiroteio durou mais de uma hora, terminando com a debandada da polícia, em face do grupo ter se livrado da emboscada. Nesse fogo morreram dois policiais e dois outros saíram gravemente feridos. Outros desapareceram. Consta que os componentes do grupo de cangaceiros nada sofreram. O delegado de Belmonte temendo a derrota do resto da força, diante da audácia dos bandidos, recuou para o povoado de Bom Nome, onde ficou aguando o auxílio do capitão José Caetano, que ali chegou de Vila Bela acompanhado de um contingente de 60 praças.
Vista panorâmica do distrito de Bom Nome, São José do Belmonte, a partir do Monte de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro
De Bom Nome também saiu o famoso cangaceiro, o negro Vicente de Marina. Sua fama de bom atirador chegou aos ouvidos de Sebastião Pereira que o convidou a entrar no seu bando vingador. Vicente se tornou o homem de melhor pontaria do bando de Sinhô. Em Bom Nome ainda reside familiares seus. Contar a história do distrito do Bom Nome sem falar no pequeno santuário de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro é impossível. Bem próximo da Vila, está localizado numa elevação, que por sinal, é a mais alta da redondeza, um bucólico morro conhecido como Monte de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, que ao mais descuidado observador denota a devoção e a simplicidade do seu povo. É voz corrente no lugar que o bandoleiro Lampião sempre que por Bom Nome passava, subia o monte para rezar para sua madrinha e protetora Nossa Senhora. O Distrito de Bom Nome no município de São José de Belmonte é Cenário do Cariri Cangaço Serra Talhada 2022.
Veja o Cariri Cangaço Bom Nome 2022
por José Francisco
Canal Lampião, Cangaço e Sertão
Pesquisador José Francisco
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Cariri Cangaço Serra Talhada-Calumbi-Bom Nome . .....
12 de novembro de 2022 - Recepção no Distrito de Bom Nome - Belmonte
Seguindo a agenda do primeiro dia de atividades o Cariri Cangaço partiu da Fazenda Pitombeira em Serra Talhada para visitar outro dos principais cenários históricos de toda região do Pajeú. Chegamos ao Distrito do Bom Nome, território precioso do município pernambucano de São José de Belmonte e ali à Fazenda Carnaúba; berço de uma das mais tradicionais famílias do sertão nordestino; a família Pereira, sem dúvidas outro dos cenários mais emblemáticos de todo o Pajeú. A Fazenda Carnaúba do lendário Né da Carnauba, palco de alguns dos mais significativos e simbólicos episódios do começo do século XX na Pajeú.
Fazenda Carnaúba; berço de uma das mais tradicionais famílias do sertão nordestino; a família Pereira, sem dúvidas outro dos cenários mais emblemáticos de todo o Pajeú. A Fazenda Carnaúba do lendário Né da Carnauba
Eram cerca de meio dia e meia do sábado, dia 12 de novembro de 2022, quando a caravana de pesquisadores Cariri Cangaço de todo o Brasil chegou a Fazenda Carnaúba, sendo recepcionada pelas atuais proprietárias; Francisca Conrado (dona Santinha) e sua filha Lilianne e de maneira muito especial por Cilene Pereira Valões; neta de Né da Carnaúba e anfitriã do Cariri Cangaço Bom Nome e ainda, pelo vereador Paulo Pereira.
Do patamar da singela Capela da Fazenda Carnaúba o Conselheiro Cariri Cangaço, Joaquim Pereira, fez a apresentação do contexto histórico e principais acontecimentos que tiveram como cenário a emblemática Fazenda , desde o casamento do senhor José Pereira da Silva com Jacinta Océria de Santo Antônio que recebeu do pai, José Carlos Rodrigues, como dote de casamento, a Fazenda Carnaúba ate se tornar o feudo principal e berço da tradicional família Pereira do Pajeú."
Conselheiro Joaquim Pereira
Joaquim Pereira e o contexto histórico da fazenda Carnauba
Conselheiro Carlos Alberto
"A sede da Carnaúba data dos princípios do século XIX, época do Brasil Imperial, e era uma das mais prósperas fazendas de gado de toda a região do Pajeú. Cenário de embates entre Pereira e Carvalho, e do cangaço, cada detalhe dessa lendária fazenda exala história." cita Valdir Nogueira.
A Fazenda Carnaúba atualmente pertence a Francisca Conrado; dona Santinha; e as filhas Lilianne e Norma, por herança do esposo e pai Vanildo Pereira, este filho do tantas vezes Deputado Argemiro Pereira e neto de Né da Carnaúba. Quem nos conta é Joaquim Pereira da Silva, Conselheiro Cariri Cangaço, "a interação entre as duas sedes; Pitombeira e Carnaúba; sempre foi muito normal, fosse a cavalo ou a pés, nas veredas de ligação entre as duas sedes tinha alguém levando ou trazendo notícias/recados. Coincidentemente, nossas visitas no Cariri Cangaço agora de novembro, a comitiva fara o mesmo trajeto que era feito pelo pequeno grupo em número de sete, dos irmãos Ferreiras (Antônio, Livino e Virgolino), Antônio Rosa, Primo, Meia Noite e João Mariano indo da Pitombeira para Carnaúba para se juntar ao bando de Sinhô Pereira em agosto de 1920"
Cariri Cangaço na Capela da Fazenda Carnaúba pelas lentes de Magno Araújo
Fazenda Carnaúba e o encontro da Alma Nordestina
E continua Joaquim Pereira: "...acontece que eles se apresentaram a Isidoro Conrado , na Pitombeira, inclusive, na ocasião gerou um certo alvoroço pois quando vistos não sabia se cangaceiros ou volantes (para os Pereiras não fazia diferença, ambos causavam medo/terror na época); o próprio Isidoro foi chamado e ao observar disse: tenham calma, estão se aproximando de forma ordeira, ou seja, em fila indiana e mão nas bandoleiras dos seus rifles 44 ou de suas armas. Chegaram, se apresentaram e disseram o motivo, daí foi enviado à campo um vaqueiro de confiança para localizar o bando de Sinhô e foi fácil, ali próximo na Fazenda Carnaúba o encontrou e resto da história todos nós sabemos; nascia logo em seguida o Mito Lampião, assim também foram as duas últimas visitas da Pitombeira para a Carnaúba".
Poeta Cícero Aguiar e Conselheiro Luiz Ferraz Filho
Poeta Cícero Aguiar: "Por aqui andou Sinhô de bravura inquietante, Luiz Padre e Simplício de Manoel comandante ,Lar de Né da Carnaúba, uma figura cativante"
"Que maravilha visitar a lendária fazenda Carnaúba (A nascente dos Pereiras) e o povoado de Bom Nome em São José do Belmonte, local de muita história. Temos o privilégio de visitar esse solo por onde muitos dos meus antepassados caminharam. Um dia realmente emocionante para mim, onde tive a honra de recitar uma poesia na calçada da capela que fica ao lado do cemitério da Carnaúba no Cariri Cangaço Bom Nome 2022" revela o pesquisador e poeta Cícero Aguiar:
Capela e cemitério da Carnaúba
FAZENDA CARNAÚBA
"A nascente dos Pereiras"
Na fazenda Carnaúba
Nesta terra avermelhada
Morou José e Jacinta
Pais de toda Pereirada
Nesta fazenda importante
Foi a primeira morada
Hoje a história contada
Vem lá da povoação
Da lendária Vila Bela
Que é rubrica de sertão
Terra de sangue e bravura
Onde nasceu Lampião
Neste pedaço de chão
A história tem valor
Onde o terreno vermelho
Revela a face da dor
Se teve dor e lamento
Certamente teve amor
Por aqui andou Sinhô
De bravura inquietante
Luiz Padre e Simplício
De Manoel, comandante
Lar de Né da Carnaúba
Uma figura cativante
De Alexandre o gigante
E também de Cipriano
Mortos na Pedra do Reino
Num episódio tirano
Lá no século dezenove
Trinta e oito foi o ano
Vitorino também mano
Francisco agora citado
Mais Antonio e Joaquim
Entes deste pontentado
Filhos desta Carnaúba
Este torrão respeitado
Neste chão abençoado
De Mariana e de João
A prole não é pequena
Tem Ana e Sebastião
Terra de padre Pereira
De Andrelino o Barão
São estampas do sertão
Esses que eu me refiro
Terra de Zé Aguiar
Que com razão eu prefiro
De Izidoro e Cajueiro
De Leônidas e Argemiro
Eu já citei Argemiro
Baraúna do nordeste
Sem esquecer Padre Mina
Geni figura inconteste
Lá de Bernardo Vieira
Com raízes no Agreste
Deus por favor me empreste
Um pouco de inspiração
Lembrar Antonio Andrelino
Que era filho do Barão
Dos Valões e João de Ciba
E de José Sebastião
E nas lutas do sertão
Muitas vezes traiçoeira
Não tem como não falar
Do valente Né Pereira
E de Antônio Cassiano
E da fazenda Cachoeira
Dr. Arcôncio Pereira
Foi o primeiro letrado
Que militou na política
Como Custódio Conrado
Lorena grande político
Historiador respeitado
Luiz Wilson aclamado
Um renomado escritor
Luiz do Triângulo foi
Um Pereira de valor
Foi cabra de Zé Pereira
E também foi de Sinhô
Bom nome que tem valor
A Belmonte pertencente
Como a fazenda Cristóvão
De Ioiô e sua gente
Um Pereira de Araújo
Com insígnia de valente
Valentia era patente
Naquele sertão raivoso
Que foi forjado na bala
Por isso tão perigoso
Terra onde o destemido
Se tornava poderoso
Mais tudo foi oneroso
Pra o sertanejo inocente
O estado não protegia
Por ser tão incompetente
Nada tendo a oferecer
Sendo apenas negligente
É preciso que a gente
Procure se aprofundar
Olhar todo o ocorrido
Para poder afirmar
Se havia outro contexto
Para o sertão povoar
E por aqui vou parar
Dando meu simples recado
Falei de meus ancestrais
Alguns, lendas do passado
Perdoem a minha retórica
Tudo que foi rabiscado
Cicero Aguiar Ferreira
2022
Tendo o sol tórrido das caatingas sertanejas como testemunha, tivemos em Bom Nome na Fazenda Carnaúba mais uma vez, o momento alto da programação, que foi a concessão da Comenda "Lugar de Memória Para Perpetuação das Tradições do Sertão" à Fazenda Carnaúba. Na oportunidade o curador do Cariri Cangaço, Manoel Severo, destacou a decisiva importância da Carnaúba como "cenário precioso e decisivo para a perpetuação da memória do sertão, principalmente aqui na Fazenda Carnaúba que testemunhou e foi protagonista de páginas importantes e únicas dessa mesma história sertaneja."
A Comenda "Lugar de Memória Para Perpetuação das Tradições do Sertão" à Fazenda Carnaúba foi recebida pela neta de Né da Carnaúba e anfitriã do Cariri Cangaço em Bom Nome, Cilene Pereira Valões e pelo vereador Paulo Pereira
Gabriel Barbosa e Manoel Severo
Professor Urbano Silva
Aglézio Britto
Cariri Cangaço na Fazenda Carnaúba
Foi também na Fazenda Carnaúba que a famosa carta convocando Lampião para formar junto aos Batalhões Patrióticos em 1926; hipoteticamente escrita por Padre Cícero, veio parar; é Luiz Ferraz Filho que nos conta, "ora, Né da Carnaúba já havia hospedado Padre Cícero aqui na fazenda Carnaúba, então Lampião quando recebeu a carta convocando para o Juazeiro em 26, trouxe a carta aqui para autenticar a veracidade da mesma, pois Né da Carnauba conhecia a letra do padre Cícero".
Né da Carnaúba
Manoel Pereira Lins, conhecido por Né da Fazenda Carnaúba, nasceu no dia 23 de junho de 1868, foi Coronel da Guarda Nacional, filho de Joaquim Pereira da Silva (Joaquim da Carnaúba), exerceu grande liderança no seio da Família Pereira, renomado fazendeiro, foi Prefeito de São José do Belmonte entre os anos de 1902 a 1904, também Vereador em Serra Talhada por três legislaturas, quando precisou nos momentos mais críticos do século passado envolvendo a Família Pereira, também segurou armas. Ao lado do Coronel Antônio Pereira financiou vários gastos nas contendas, faleceu em 1964. Seu Né da Carnaúba foi um dos parentes que aconselhou Sinhô Pereira e Luiz Padre a encostar armas e ir para o planalto central.
Cariri Cangaço na Fazenda Carnaúba
por: Canal Lampião, Cangaço e Sertão
Pesquisador José Francisco
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Cariri Cangaço Serra Talhada-Calumbi-Bom Nome . .....
12 de novembro de 2022 - Fazenda Carnaúba, Distrito de Bom Nome - Belmonte