Isaias Arruda e os Marcelinos no Incêndio da Ponte do Rio Salgado Por:Calixto Junior

Fazendo parte do grupo de Lampião, ficaram juntamente a João Marcelino (Vinte e Dois), Chumbinho (que estava ferido), Caracol e outros no Morro Dourado, entre Aurora e Missão Velha, quando da excursão a Mossoró e à região do Jaguaribe. José Gonçalves, Delegado de Polícia em Missão Velha, tornou-se camarada do grupo, procurando-os sempre por intermédio de Izaias Arruda, Prefeito Municipal. Em nome deste, fornecia mantimentos, fumo e cachaça aos bandoleiros. 
Certa feita, cerca de quatro horas da tarde, José Gonçalves chegava a Morro Dourado, onde comunicava ao grupo de bandoleiros que tinha ordem do seu chefe para fazer um serviço e, por isso, precisava do auxílio daqueles, que se prontificaram a segui-lo. Por volta das onze da noite, chegava o grupo a Missão Velha, tendo antes, José Gonçalves, avançado na frente com dois dos bandoleiros que carregavam duas latas de querosene enfiadas, pelas argolas, num pau. 
Calixto Junior e Manoel Severo
José Gonçalves, nas proximidades da ponte ferroviária, declarou que o serviço era tocar fogo naquele próprio federal. O plano de incêndio foi todo organizado na ocasião, ficando Cansanção de sentinela, com bala na agulha do rifle, para ver se vinha alguém. Enquanto isso, Balão abria as latas de querosene que eram após, levadas por João Vinte e Dois que, auxiliado pelos outros, “embebia” os dormentes da ponte com aquele líquido. Em seguida, todos atearam fogo em diversas partes, só se retirando do local quando verificaram que o fogo não podia ser apagado.
João Tavares Calixto Junior

O Brasil de Luto, Morre Christiano Câmara Por:Manoel Severo

Christiano Câmara e sua amada Douvina

Esta manha de 22 de Março de 2016 o Brasil amanheceu mais triste. Partiu para sua mais espetacular viagem, nos tempos dos Céus, o inigualável memorialista Christiano Câmara. Vitima de complicações cardíacas e pulmonares faleceu na madrugada de hoje aqui em Fortaleza. 
O que poderemos dizer ? 
Muito e muito mais, mas não será necessário... Os que conheceram e compartilharam da grandeza desse Brasileiro com "B" maiusculo, sem dúvidas guardam e elevam do coração uma prece de luto e gratidão a Deus por nos ter permitido tê-lo ao nosso lado. Vai com Deus grande Christiano !!! Ficaremos aqui procurando a passos trôpegos, seguir teu exemplo de paixão, dedicação e força...

Manoel Severo

O Brasil perde Christiano Câmara

Christiano Câmara por "tribunadoceará" em 03/11/2014...
Quem passa pela rua Baturité, ou rua da Escadinha, como é popularmente chamada, ouve de longe a música dos anos 20. O som vem de uma vitrola e convida a entrar na casa. O casal Christiano e Douvina Câmara aguarda ansioso para receber os visitantes. Apaixonado pela música e cinema, o pesquisador de 79 anos transformou a casa em que nasceu em um museu de cultura.
“Se você vai a uma festa hoje em dia, você sabe de onde vem o som, mas se você escuta uma música nessa vitrola, você não sabe de onde vem. O som ocupa toda a casa, onde você estiver vai sentir a música”, justifica o dono da casa, exibindo com orgulho a decoração do seu lar.
Em 1952, quando tinha dezessete anos de idade, começou a colecionar discos de cera e de vinil, além de filmes da década de 30. Atualmente possui um acervo com 20 mil discos, 4 mil fitas VHS que pouco a pouco estão sendo convertidas para DVD e 800 quadros com fotos de artistas que marcaram época. “Eu gosto porque as pessoas ficam curiosas em ver como eram os artistas, os autores, a moda”, defende.
As 50 estantes que adornam a residência são cuidadosamente espanadas e organizadas por sua esposa, Douvina Câmara, que não se importuna com a quantidade de artigos. “Eu vi que aquilo era importante pra ele, então resolvi ajudar. Não me incomodo não, pelo contrário, eu acho é bonito”, comenta.
casa de 90 anos, localizada no Centro de Fortaleza, é mais uma raridade que Christiano Câmara preserva. Seus irmãos tentaram derrubar a casa para dar lugar a um estacionamento, mas o pesquisador fez o que pôde para impedir. Com o apoio do político Cid Saboia de Carvalho, o caso correu na Justiça e a posse da residência foi dada ao casal. Aos poucos, a casa recebeu livros, enciclopédias de amigos que o ajudaram a compor o acervo. Entre eles, um jornal Desmoiselles, de 1901, e oito pares de cadeiras que pertenceram ao Cine São José no ano de 1917.
Conhecedor e referência sobre música, Christiano escreveu centenas de artigos para a imprensa cearense e durante alguns anos apresentou um programa de rádio chamado “Para você recordar”. A paixão deu nome ao cômodo da casa que mais gosta: Sala Francisco Alves, onde reúne discos, com obras raras de 1910. Em meio a tantas antiquidades, um objeto contrasta o ambiente. “Me deram um computador e eu achei uma máquina fabulosa de gravar CD e DVD. Aí me disseram: ‘você não ligou na internet não? Liga, tem tudo lá.’ Tem tudo coisa nenhuma! A internet dá, inclusive, informação errada”, brinca.
Casados há 58 anos, Douvina e Christiano têm três filhas e cinco netos. A paixão aconteceu quando Douvina saiu de Jaguaribe e veio morar em Fortaleza com os pais. “Ela veio morar aqui em frente, foi sedução a domicílio”, Christiano sorri com um olhar apaixonado contemplando a esposa. Aos 77 anos, Douvina se diverte com as brincadeiras do marido e exibe com orgulho publicações em livros nas quais Christiano menciona a esposa.
"Convido a todos os amigos para rever esta postagem ainda do ano de 2012, quando tivemos a honra de receber o Gigante Christiano Câmara em uma de nossas Noites GECC-CARIRI CANGAÇO na Saraiva Mega Store em Fortaleza..."


Mais uma vez a noite Cariri Cangaço-GECC foi coroado de sucesso. A Conferência "A História na Música" com o grande musicólogo, memorialista, colecionador, Christiano Câmara foi sensacional. Todos os que tiveram a oportunidade de participar foram brindados; além do entusiasmo e carisma natural do palestrante, que é um ser humano incomum; com o que de melhor poderíamos esperar sobre a fantástica viagem da história através da música.

Leo Kawisner, Adail Colares e o grande público da noite na Saraiva
Presidente do GECC, Ângelo Osmiro e Wilton Dedê
Edilson e Aldo Anísio

O Encontro foi aberto pelo Curador do Cariri Cangaço, Manoel Severo, que deu as boas vindas a todos os presentes e reforçou a parceria de sucesso entre o Cariri Cangaço-GECC e o grupo Saraiva para logo em seguida dizer da grande satisfação de receber o palestrante da noite, Christiano Câmara. Em seguida o Presidente do GECC, escritor Ângelo Osmiro deu os informes do Grupo de Estudos do Cangaço do Ceará. 

O documentarista Aderbal Nogueira foi o responsável pela apresentação de Christiano Câmara um "homem que dispensa apresentações" , que assumiu o comando da noite com  maestria e talento para o deleite de todos. Por mais de duas horas Christiano proporcionou ao público da noite uma palestra cheia de charme, humor e conhecimento, vestindo de luxo mais um encontro do Cariri Cangaço-GECC.

Aderbal Nogueira, Tomaz Cisne e Manoel Severo
Lívio Ferraz e Sarinha Saraiva
Maristela Mafuz e dona Douvina


Estiveram presentes 57 convidados, entre sócios e amigos do Cariri Cangaço-GECC, além da equipe da FGF Tv, que gravou todo o encontro e que será disponibilizado dentro da programação da emissora, como também estará disponível a todos os leitores deste blog. Dentre as presenças; além de dona Douvina Câmara, esposa do conferencista da noite, sua filha e neta; da diretoria do GECC: Ângelo Osmiro, Manoel Severo, Aderbal Nogueira e Tomaz Cisne, além dos sócios: Wilton Dedê, Afrânio Gomes, Adail Colares, Maristela Mafuz, Coronel Gutemberg Liberato, Lapa Carabajal, Edilson Junior, Leo Kawisner, Aldo Anísio, Ricardo Albuquerque, Lívio Ferraz, Alexandre Cardoso, Ivan Guimarães, Pitonho, Ricardo Simões, Odilon Camargo, dentre outros.


Arlindo, grande fotografo e produtor de cinema
Leo Kawisner, Ricardo Albuquerque e Manoel Severo
Aderbal Nogueira e Cel Gutemberg Liberato
Odilon Camargo e Manoel Severo
Lapa Carabajal e Christiano Câmara



Cangaceiros e Volantes - Violência Latente Por:Raul Meneleu


Raul Meneleu e Manoel Severo

A história do cangaço é rica em acontecimentos que mostram que o sofrimento sempre estava em maior quantidade nos braços da população sertaneja, perdidas nas pequenas cidades, vilas e povoados do agreste nordestino, onde eram espremidos entre as volantes e os cangaceiros, todos sedentos de sangue e mentes fartas de maldade.



Quando Lampião andava pelo mundo, com certeza não tinha sido o Bom Deus dos Céus, que o tinha colocado por aqui, e muito menos mandado  Zé Rufino, o maior caçador de cangaceiros com suas tropas, pois eram cobras e escorpiões, quando enfezados, usavam de todo o poder de suas peçonhas para azucrinarem a vida do sertanejo das caatingas.



Muitos ocorridos terríveis foram obras das Volantes que em sua busca insana de matar e cortar a cabeça de cangaceiros, desprezavam a lógica e quando entravam nos povoados e cidadezinhas, faziam coisas piores que Lampião e seus facinorosos companheiros.

Em um relato de um desses malfeitos das Volante, temos o que se deu com a Volante de Zé Rufino, onde temos o seguinte histórico em que estavam no rastro de Lampião e seu bando, pega não pega, e o Rei dos Cangaceiros, sempre andando na frente e sabendo dos passos da volante. 

Estavam em Sergipe, onde Lampião tinha total apoio e uma grande rede de coiteiros e sentia-se muito a vontade nos coitos da região de Poço Redondo, Sergipe. Quem nos oferece esse histórico, é Alcino Alves Costa, em capítulo de seu livro "Mentiras e Mistérios de Angico" sob o título "Fogo da Laginha na Lagoa do Domingo João"



Pois bem, Zé Rufino em sua tenacidade, quando chegava nos locais que os cangaceiros haviam se arranchado, só encontrava os restos de comida e pontas de cigarro, capim deitado e amassado e isso fazia que ficasse cada vez mais desconfiado que tinha gente na frente deles "avisano os cangacero". 


Desanimados e com raiva, entraram no povoado e aborrecidos encontram um idoso de nome Trancolino, e o espancaram sem motivo nenhum, depois obrigaram dois rapazes a fazerem uma corrida e o perdedor levou uma forte sova, e não se dando por satisfeitos colocaram dois irmãos para brigarem, obrigando-os a esmurrarem-se e como recompensa cada um levou uma bofetada de cada soldado da Volante. 

Os habitantes do povoado sem compreenderem essas absurdas atitudes em que Zé Rufino nada fazia para para-los. Era assim naqueles tempos de aflição; de um lado os cangaceiros, do outro as volantes, e imprensado estavam os sertanejos.

Raul Meneleu, pesquisador
Aracaju-SE

Fonte-http://meneleu.blogspot.com.br/2016/03/cangaceiros-e-volantes-violencia-latente.html

Paixão e Cangaço Por:Jorge Remigio

Jorge Remígio ao lado de João de Sousa Lima, Manoel Severo e Urbano Silva

Nós e muita gente que estuda o fenômeno Cangaço, não pode de forma alguma se apaixonar pelos personagens. Até sobre Lampião, o estudioso e grande folclorista Luiz da Câmara Cascudo, falou: " Você pode entender Lampião sem se solidarizar com ele". A nossa análise tem que ser histórica. Se a pessoa objeto do estudo é um bandido, temos que entendê-lo e estudá-lo, à partir dessa condição. 

Olha, digo aos senhores, sem sombra de dúvidas: Não existe bandido bom. Claro que quando postamos algum artigo ou comentário explicitando um ponto de vista negativo sobre cangaceiros, até mesmo em um seminário ou mesa de bar, a reação é quase imediata dos que já sedimentaram uma defesa obtusa, " a polícia, as volantes eram pior"...

Pergunto de imediato se a pessoa tem elementos que possam provar ou se existe algum estudo de pesquisa nessa área, abordando a estatística. Claro que não somos ingênuos e sabemos as arbitrariedades, desvios de conduta, abuso de autoridade cometidos por policiais e alguns comandantes. Mas, vai longe a comparação com às atrocidades cometidas pelos bandoleiros do Sertão, principalmente na era lampiônica.

Jorge Remígio - Pesquisador João Pessoa, PB
Conselheiro Cariri Cangaço

E Mossoró... Lampião Acovardou-se ?

Bando de Lampião em Limoeiro, retornando de Mossoró

O documentarista e pesquisador do Cangaço, sócio da SBEC e do GECC e Conselheiro Cariri Cangaço, Aderbal Nogueira, reanimou nesta última semana um salutar polêmica sobre o ataque de Lampião a Mossoró, senão vejamos...


"Será que podemos dizer que Lampião ao não entrar em Mossoro ACOVARDOU-SE? ninguém nunca falou nisso mas acho que quando ele viu onde tava se mantendo acabou refugando. O que acham amigos?"

Carlos Henrique... "Eu acho que Massilon botou muita coisa na cabeça dele, então ele não quis se envolver, mas demorou pra perceber que era cilada..."

José Tavares... "Não consigo me convencer que Massilon Leite foi realmente o grande idealizador do ataque a Mossoró. Na verdade, Massilon Leite sempre foi por demais subordinado aos grandes coronéis norte-rio-grandense, com perfil mais próximo a comandante de jagunços, do que de um líder cangaceiro propriamente dito. Sua estreia relação com Quinca e Benedito Saldanha era de enorme dependência. Vivia em suas propriedades e toda as ações comandadas por Massilon passavam necessariamente pelo crivo dos irmãos Saldanha.



Estou cada dia mais apto a crer na possibilidade de ter sido Décio Holanda o grande idealizador do ataque a Mossoró. Principalmente porque Massilon não tinha tanta influencia, nem tamanho poder de persuasão, para de uma só vez conseguir convencer os coronéis (financiadores) e cangaceiros (executores), que sequer ele os conheciam. "

Massilon

E continua José Tavares... "Assim, creio que o plano do ataque a Mossoró deve ter começado de cima para baixo: Décio Holanda convenceu o seu sogro Tilon Gurgel e o cel Isaías Arruda, só então os grupos cangaceiros foram por eles arregimentados para a execução do plano. 


Eu não diria que Lampião se acovardou. Ele estava em um ambiente em que não lhe era propicio, já que a sua especialização era nas caatingas. Ele percebeu que se fosse em frente haveria a grande chance dos cangaceiros passarem pela mesma situação que aconteceu com as volantes na batalha de Serra Grande. Portanto, acho que foi uma retirada estratégica e necessária para evitar uma iminente derrota em um terreno que lhe era completamente desconhecido."

Codinome "Volta Seca" opina..."Esse Aderbal Nogueira atira de ponto na suas indagações. A resposta à sua indagação, pode ser vista de vários ângulos: 1º ) Acovardou-se; 2º ) Estratégia de combate ; 3º) Esperar como as coisas ficam e depois meter o peito; 4º ) Viu que aquele ambiente, não lhe era propício para o tipo de luta que sempre enfrentara e ganhara......Faço minhas as palavras do pesquisador José Tavares, ditas , logo acima, e, acrescento: a) Lampião perdeu o elemento " surpresa ", que sempre estava ao seu favor nos ataques que realizava; b) A sua visão estratégica lhe aguçou a mente, ao perceber, que a cidade estava muito bem armada; cerca de 300 defensores contras algo em torno de 50 cangaceiros; e todos bem colocados em locais estratégicos, e, com excelente visão ; campanários das igreja; em cimas das casas;etc. 

Uma das frentes de defesa nas trincheiras de Mossoró

E continua "Volta Seca"... "Logo, inteligente como ele era, deliberou no sentido de que Massilon, Sabino e Jararaca, cada um fizesse uma frente, e atacassem, no sentido de chegar na casa do Prefeito Rodolfo Fernandes, que estava municiado e sendo defendido por muitos atiradores postados em cima de sua residência - Intendência , e nas casas circunvizinhas. c) Lampião ficou com alguns homens, no local do cemitério esperando o desfecho e, não disparou nem um tiro; desse local para o cenário da refrega; dá em torno de uns 200 metros. Pressentido que o combate lhe era desfavorável, retirou-se, de imediato, tendo perdido dois importantes cangaceiros: Colchete e Jararaca. Além de alguns outros feridos, um deles, veio a falecer depois. Indago: Esse fato de Lampião ter ficado no cemitério, enquanto o combate se desenrolava, pode ser considerado como COVARDIA ou como ESTRATÉGIA MILITAR prudente ? Com a palavra os estudiosos .

Aderbal Nogueira: "Estrategia ? nesse caso não sei... Mandar outros enquanto ele estava a salvo... Que ele era um grande estrategia isso não tenho duvidas, mas nesse caso acho que quando viu a "coisa" disse "vou é nada, mando os outros pra fogueira" se fosse tu, ia?

Adriano Pinheiro: "Eu usaria outra palavra para classificar a atitude de Lampião, esperteza, pois com tudo que ocorreu no trajeto até chegarem a Mossoró;  invasões, sequestros, a ida de Massilon a Apodi, etc...; com as patacoadas de Massilon, o tamanho da cidade e a estratégia de defesa, montada pelos sitiados ele deve ter pensado: " Vôte, te dana, quem pariu Mateus, que balance, eu vou voltar é daqui mesmo..." é o que eu penso."

Prefeito Rodolfo Fernandes

Danilo David Carvalho "Acho que não foi covardia, foi estrategia mesmo, vamos pensar um pouco como ele: , "a cidade era grande, a maior de todas que já foram atacadas, se a resistência fosse pouca ele chegaria com sua tropa para findar o combate e sua tropa alojada no cemitério poderia esta na chamada retaguarda , no caso de uma retirada o que aconteceu, sua tropa daria cobertura, e por aí vai..."

Manoel Severo... "Caros amigos, essa questão de Mossoró é outro "nó" dentro da historiografia do cangaço, e Aderbal para não perder o jeito, acaba sempre "cutucando" a onça com vara curta !!! Mas me permitam opinar : Quando nos aprofundamos sobre esse ataque de Virgulino a Mossoró, vamos encontrar, e ainda mais a partir de várias reflexões de Honório de Medeiros; um forte componente político "potiguar" por traz da empreitada; certamente houveram erros desde o inicio, na própria marcha a caminho de Mossoró com as bestiais barbáries dos cangaceiros, como que estivessem alardeando o que viria... 

Mossoró, não fazia parte do habitat de Virgulino; suas ligações perigosas e suas conveniências não foram suficientes para colocá-lo a frente do combate numa situação desfavorável. Lampião não tinha "rei nem lei" ; nunca enfrentou o desfavorável a não ser quando inevitável, daí me permitam: Não teria sido covardia, foi como sempre aconteceu: instinto de sobrevivência, que acabou perpetuando seu reinado por vinte anos, esse era Virgulino Lampião, e em Mossoró não seria difidente. Vejam também os exemplos de Uiraúna, Ipueira dos Xavier e inclusive a própria propalada vingança em Frei Paulo, quando da morte de Zé Baiano, sem falar nas vinganças sobre Saturnino e Lucena... Vamos em frente..."

Jararaca, baleado e preso na empreitada de Mossoró

Paulo Guerra: " Ser valente não é sinônimo de besta...
Ele era valente e estrategista viu que ele tinha mais a perder que ganhar se insistisse, foi sensato e tomou a decisão certa recuar e poupar seus comandados daquela arapuca."


Codinome Volta Seca: "Esse Aderbal não tem jeito...Fica na espreita e dá uma cutucada dessa ? A discussão está boa e traz á lume, um fato novo que está sendo estudado: LAMPIÃO...COVARDE OU ESTRATEGISTA NO ATAQUE A MOSSORÓ ? Alguém duvida que Lampião era valente ? É, como o Paulo Guerra falou acima.." Ser valente não é sinônimo de besta..."....Vou só lembrar a vocês, um fato que aconteceu. Certa Vez Lampião e seus cabras cercaram a casa do bravo ex-cangaceiro e, agora, militar Quelé no distrito de Baixa Verde-PE, fogo acirrado, já com alguns mortos por parte da família de Quele, e, de algum cangaceiro. Livino, irmão de Lampião, queria a todo custo, entrar na casa, e lutar com Quelé a ferro frio.Tal atitude, Lampião não consentiu...Ele, Livino muito agitado chamou Lampião de covarde, por não invadir a casa, ao que o rei caolho do cangaço respondeu, mais ou menos nesses termos: " sei com quem estou brigando, e, não quero perder você com sua burrice.." Como se constata, essa personalidade e visão das coisas Lampião tinha de sobra, o que fez com que o mesmo sobrevivesse por quase 20 anos no cangaço conforme falou acima o Dr. Manoel Severo. Assunto aberto e, ainda, em discussão..."


Memorial da Ressistência em Mossoró, imagens gigantes dos invasores

Antonio Correa Sobrinho... "Penso que não há que falar em covardia de cangaceiros e volantes do naipe de um Lampião, Corisco, Luis Pedro, Manuel Neto, Rufino. Pelo menos diante da morte, estes indivíduos demonstraram à exaustão nada temer. Mossoró, para mim, foi um caso atípico na tribulada vida de Lampião. Como disse o valoroso Manoel Severo, Lampião encontrava-se fora do seu habitat, que acrescento além da caatinga, a região drenada pelo rio São Francisco e seus tributários. Mossoró, cidade grande, tipo das que Lampião jamais atacou, e que não havia a seu favor o fator surpresa, eis que já lhe esperava, bastante aguerrida, para completar. 

As motivações de Lampião para se deslocar para tão longe dos seus, dificilmente saberemos com certeza. Leio em "A Arte da Guerra" que os bons generais comprometem-se até a morte, porém não se aferram à esperança de sobreviver; atuam de acordo com os acontecimentos, em forma racional e realista, sem deixar-se levar pelas emoções, nem estar sujeitos a ficar confusos. Quando veem uma boa oportunidade, são como tigres, em caso contrário cerram suas portas. Sua ação e sua não ação são questões de estratégia". Lampião foi um grande estrategista, e os comandantes mais prudentes situam-se sempre na retaguarda. 


Arte de Carybé

Por oportuno, trago aqui algumas opiniões sobre a coragem e valentia de Lampião: "Acabou-se um homem valente que tinha a vaidade de querer dominar o mundo" - Davi Jurubeba. "Morreu um cabra macho!" - Euclides Flor. "Um gênio em tudo." - Optato Gueiros. "Lampião tinha o espírito de Napoleão." - General Liberato de Carvalho. "Ao intrépido forasteiro Capitão Virgulino Ferreira da Silva, vulgo Lampião, com um abraço de Jackson Alves de Carvalho. Capela, 25 de novembro de 1929". Salvo este último, são opiniões de militares que o conheceram e lhe combateram. Já o capelense Jackson Alves, comerciante, era um homem esclarecido, malgrado a pressão que no momento recebia de Lampião, podia utilizar um outro adjetivo no seu elogio ao famanaz, no oferecimento feito no livro da adventista Ellen G. White, mas preferiu qualificá-lo de 'intrépido', que é aquele que não receia o perigo, que não tem medo; arrojado, corajoso. 

De modo que, sinceramente, não vejo como lógico, factível, um fora da lei, um criminoso, uma pessoa com tantos inimigos, desafetos, jurado de morte, de vingança, um fugitivo da Justiça, cangaceiro perseguido por forças civis e militares de sete Estados, sem poder laborar decentemente, e em meio a tudo isto, conseguir articular com tanta gente, pobres, médios e ricos, do povo, donos do poder, a ponto de tecer uma rede de proteção das mais eficazes; fazer marketing, ironizar governantes, comandar levas de cangaceiros, alguns muito mais perversos e cruéis do que ele, e, no final de todas as contas, conseguir ganhar a atenção de milhões de pessoas, para amá-lo ou odiá-lo, contestá-lo ou apoiá-lo, adorá-lo, venerá-lo, detestá-lo, isso já desde seus primeiros anos de ilicitudes, e ainda hoje, quase 78 anos de sua morte, pessoas como eu e os amigos, num grupo do Facebook especialmente para tratar de um tema - cangaço - cuja figura central termina sendo sempre ele, Virgulino Lampião - como disse em cima, não vejo como lógico, factível este cabra ter sido um fraco, um medroso, covarde, sem inteligência, sem argúcia, sem perspicácia, sem estratégia, imprudente, desleal."



Juliana Pereira..."Não, Lampião não acovardou-se. Um indivíduo como Lampião, que sobreviveu por mais de 15 anos no comando de verdadeiras feras assassinas, homens atrozes, não pode, em momento algum, ser observado ou julgado isoladamente. Digo, por um fato isolado, dentro de um fenômeno social como foi o cangaço no nordeste brasileiro. Existe uma coisinha chamada "tirocínio" e, foi exatamente isto, que o manteve no comando por tantos anos e com as polícias de quase todos os Estados do Nordeste em seu encalce. "Refugar", não é sinônimo de acovardar-se, numa briga de rua, de bar, talvez... mas dentro de um exército, grupo organizado ou algo que o valha, com objetivo comum (leia-se objetivo, e não ideologia) não é, e nunca será "acovardar-se", e sim, uma tática que até Alexandre, o grande, Napoleão Bonaparte e outros grande comandantes usaram, para sobrevivência do própria grupo, por isto, todos eles, foram grandes comandantes, por saber o exato momento de ir além ou refugar... TIROCÍNIO!"

Partes transcritas do Grupo Lampião, Cangaço e Nordeste
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Jeremoabo:Cangaceiro e Zé Rufino Por:Pedro Son

José Rufino

Em 28 de Julho de 1938, morreu Lampião, este lendário personagem histórico, fonte de estudos dos mais diversos, cantado em verso e prosa e ainda hoje dividindo opiniões mais extremas que ora o coloca como herói e outras como bandido. Jeremoabo está intrinsecamente ligado a este movimento, sendo fonte fornecedora de muitos cangaceiros e de muitos soldados da volante, mas, principalmente, porque aqui nasceu Maria Bonita. Exatamente em nosso município, na localidade Malhada de Caiçara, no município de Santa Brígida, em 1911, nesta época pertencente ao município de Jeremoabo.
A saga do cangaço perdurou entre os anos 1920 e 1930 quando nosso município era o centro mais importante de toda esta região Nordeste da Bahia e, por isso, aqui se concentravam as volantes, contingente de cidadãos recrutados para o combate ao cangaço, dando um dinamismo sócio-econômico importante a Jeremoabo, embora, por outro lado, atraísse a violência e o medo para nossa população, marcados com a atuação cruel dos perseguidores e perseguidos.
Segundo o pesquisador Antonio Amaury Correa de Araujo, as cidades mais importantes para o Cangaço foram Vila Bela, atual Serra Talhada (PE), Jeremoabo (BA), Uauá (BA), Floresta (PE), Piranhas (AL), Delmiro Gouveia (AL), Poço Redondo (SE), Porto da Folha (SE) e Glória (BA). “Foram locais onde funcionaram as sedes das volantes ou de passagens de Lampião”, afirmou Corrêa.


Corisco
Neste contexto, temos que destacar a figura de Zé Rufino, o implacável caçador de cangaceiros, que aqui residiu, fez família e se tornou, por opção, cidadão jeremoabense. O matador de Corisco, página mais lida de sua história, começa a ter sua biografia destacada. Nascido José Osório de Farias, sanfoneiro afamado em seu estado natal, Pernambuco, Zé Rufino foi convidado por Lampião para integrar o bando, que sonhava com sua sanfona alegrando o bando, recusando, e entrando na volante para fugir da vingança do rei do cangaço, que não aceitava uma negativa. Meses depois José Osório engajou-se à polícia chegando a receber graduação de tenente, e a partir daí surgiu o Tenente Zé Rufino. Chegou rapidamente a oficial, alcançando a posição de coronel da Policia Militar da Bahia. Participando de inúmeros combates, Zé Rufino matou muitos cangaceiros, tendo se tornado um dos mais respeitados chefes militares na perseguição ao cangaço, tendo dado fim aos cangaceiros Pai Véi, Mariano, Barra Nova, Zepellin, Canjica, Zabelê, etc., mas Corisco, sem dúvida, foi o que mais lhe deu fama.
Mas o fato que terminou pegando Lampião de surpresa, numa emboscada que ocasionou sua morte, tem também algo a ver com Zé Rufino. Cansado de ver o estrago que o comandante fazia no cangaço, Lampião manda uma mensagem a Corisco que dizia: “Vamos dar uma lição em Zé Rufino, que está querendo passar de pato a ganso.” E acertaram um encontro exatamente na Grota do Angico para acertar uma emboscada contra o então tenente José Osório de Farias, conhecido como Zé Rufino. Para Lampião, o tenente andava ‘atrapalhando’ e era hora de tomar providências. Surpreendido pela volante, não houve tempo para colocar em prática a emboscada contra Zé Rufino.
Passados os anos turbulentos das perseguições aos cangaceiros, Zé Rufino comprou fazendas na região de Jeremoabo, e aqui viveu até seu derradeiro suspiro. Lembro-me, pequeno, de vê-lo, tranqüila e calmamente, andando pelas ruas de nossa cidade, ou sentado nas barbearias contando um pouco de suas aventuras. Sua vida e história foi tema da Conferência de Abertura do Cariri Cangaço 2010, realizado dia 17 de agosto de 2010 na cidade de Barbalha-CE, com o pesquisador Antônio Amaury Correia de Araujo.
Pedro Son
Fonte: www.jeremoaboagora.com.br; www.favascontadas.com.br

Pajeú em Chamas: O Cangaço e os Pereiras Por:Helvécio Neves Feitosa


O livro “PAJEÚ EM CHAMAS: O CANGAÇO E OS PEREIRAS” é o resultado de uma pesquisa cujo foco inicial era a saga de Sebastião Pereira (“Sinhô Pereira”) e seu primo Luís Padre. Com o desenvolvimento da pesquisa, senti necessidade de ampliar o escopo. O produto final resultou em livro com 608 páginas, composto por 12 capítulos.

12 Capítulos de uma grande Saga...
1 – “As causas do cangaceirismo no Nordeste”, com ênfase em aspectos antropológicos e sociais; 
2 – “O cangaceirismo independente e alguns bandoleiros que fizeram história”, no qual se conta um pouco da história dos “pré-lampiônicos”: O Cabeleira, Lucas da Feira, João Calangro, Jesuíno Brilhante e Antônio Silvino; 
3 – “Lampião e os irmãos no cangaço”, com ênfase nas motivações que levaram os irmãos Ferreira ao cangaceirismo e o destino trágico de cada um deles; 
4 – “A origem dos Pereiras em Portugal”, com regressão ao ano de 740 d.C., quando um ancestral lombardo aportou à Galiza (Espanha), vindo da Itália; 
5 – “A origem dos Pereiras no sertão pernambucano”, com abordagem de aspectos genealógicos dos pioneiros (com atualização da descendência de alguns ramos) e a descrição vários episódios históricos, em particular o relato das proezas do invencível Cap. Simplício Pereira da Silva; 
6 – “A origem dos Pereiras Neves nos Inhamuns”, com a descrição da genealogia dos descendentes de Crispim Pereira de Araújo (Ioiô Maroto), uma ramificação que veio para o Ceará em consequência do cangaço; 

Dr Helvécio em noite de lançamento

7 – “A guerra entre os Pereiras e Carvalhos”, aborda o sangrento conflito entre as duas poderosas famílias, desde as suas origens ainda na primeira metade do século XIX, com períodos de agudização e de acalmia, mas com prolongada exacerbação no primeiro quartel do século XX, vindo a vitimar mais de 200 pessoas; 
8 – “Conversando com o Cel. Antônio Pereira”, um líder dos Pereiras na ribeira do Pajeú no início do século XX, constando de entrevistas com o famoso protagonista de vários feitos celebrados em prosa e verso, por ocasião da sua prisão na Penitenciária de Fortaleza em 1917 e de uma visita que fez à capital alencarina em 1919; 
9 – “Conversando com Sinhô Pereira”, como o título sugere, aborda uma série de entrevistas em jornais, revistas e livros de diversos autores com o lendário ex-comandante de Lampião e um mito do cangaço; 
10 – “O encontro de Optato Gueiros com Sinhô Pereira e Lampião”, consta de relato feito pelo referido oficial da polícia pernambucana de um encontro inesperado e cordial com os cangaceiros, quando da sua hospedagem não programada com a jovem esposa na casa de uma Pereira, em uma noite escura nos sertões do Pajeú; 
11 – “A vida de Sinhô Pereira e Luís Padre em Goiás”, aborda a saga não menos dramática da famosa dupla em Goiás, com o relato das incríveis refregas com o famoso caudilho Abílio Wolney na antiga Vila do Duro (hoje Dianópolis-TO); 
12 – “Ioiô (ou Yoyô) Maroto e a morte de Gonzaga”, traça um relato, com base em diversas versões escritas, da famosa hecatombe ocorrida no ano de 1922 na cidade de Belmonte (hoje São José do Belmonte), que teve como consequência não só a morte de Luiz Gonzaga Gomes Ferraz, mas o desterro de Ioiô Maroto para os sertões dos Inhamuns no Ceará, vindo a originar a ramificação dos Pereiras Neves naqueles rincões. 

Helvécio Neves Feitosa.

Helvécio Neves Feitosa, autor dessa grande obra, nascido nos Inhamuns no Ceará, é médico, professor universitário e Doutor em Bioética pela Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (Portugal), além de poeta, escritor e folclorista. É bisneto de Antônio Cassiano Pereira da Silva, prefeito de São José do Belmonte em 1893 e dono da fazenda Baixio.

VENDA: Professor Pereira
R$ 65,00 (sessenta e cinco reais) com frete incluso  
Solicitar pelo email: franpelima@bol.com.br 

Cariri Cangaço Por:Marcos Damasceno


"Converso sempre com amigos pesquisadores e professores, enfim, e avaliamos a importância do Cariri Cangaço para a pesquisa e o debate da história do Cangaço e outras histórias relacionadas. Aprendemos muito com esse trabalho popular-acadêmico-cultural, que sabe somar o academicismo com o conhecimento popular. Este projeto salva o passado e garante o futuro. Conhecemos melhor o passado e suas verdades, e deixamos isso registrado para a História. Também, temos a certeza de que as futuras gerações terão registros como subsídios de pesquisa e em mão grandes obras históricas. Não se pode reconhecer este trabalho, sem lhe reconhecer a representação histórico-cultural, a contribuição, o legado. Somos todos bebedores desta fonte de conhecimento, e admiradores desta causa nobre. A missão de amigos, de grande relevância para a nossa região e para nossa sociedade. Abraço! Que Deus esteja sempre convosco, hoje e sempre!

Cariri Cangaço é uma missão. Missão é missão! Sempre difícil, desafiadora. Mas toda missão (de grandeza) constrói história de referência e deixa legado. O Cariri Cangaço é uma missão de amigos. Missionários, que enfrentam desafios e mostram (e provam) um amor telúrico sem igual. Visionários, salvando (e salvaguardando) o passado e garantindo o futuro dessa história. Avante!"

Marcos Damasceno  
Pesquisador e escritor, Teresina-PI