Cariri Cangaço Paulo Afonso 2022 chega a Malhada da Caiçara e ao Museu Casa de Maria Bonita !


A joia da coroa ! Quando nos referimos a essa expressão estamos dando ênfase ao que temos de melhor. Em Paulo Afonso temos uma manancial inesgotável de cenários importantes e vitais dentro da historiografia do cangaço, além de inúmeros personagens que escreveram com sangue, suor e lágrimas algumas dessas trágicas paginas sertanejas, entretendo nossa joia da coroa tem nome e sobrenome: 
Maria Gomes de Oliveira, a Maria do Capitão ! nascida bem ali na terra do condor, numa pequena fazenda no povoado de Malhada da Caiçara, zona rural da bela Paulo Afonso... 

Ingrid Rebouças e João de Sousa Lima no Museu Casa de Maria Bonita

Ainda do povoado do Riacho (25km do centro de Paulo Afonso pela BR110) se passa pela Vila de Dona Generosa e mais 13km de estrada de terra, chegamos ao solo sagrado berço da rainha do cangaço; Maria Bonita. Naquela época, final de 1929 e começo dos anos 30, Lampião já havia se tornado presença constante no terreiro de seu Zé de Felipe e dona Déa; Maria Joaquina Conceição Oliveira; principalmente pela ligação que mantinha com o coiteiro Odilon Café. Nessas idas e vindas o destino acabaria pregando uma peça no maior de todos os cangaceiros e a partir dali a historia do cangaço seria contada de outra forma, nascia a presença das mulheres, de forma efetiva, nos bandos cangaceiros e o casal mais famoso dos sertões.

João de Sousa Lima, Ingrid Rebouças e Manoel Severo
João de Sousa Lima no Museu Casa de Maria Bonita

Novamente anfitrionados pelo Conselheiro João de Sousa Lima, presidente da Comissão Organizadora do Cariri Cangaço Paulo Afonso 2022, chegar à Malhada da Caiçara e ao Museu Casa de Maria Bonita, é como voltar no tempo, é como se a qualquer momento a jovem Maria de Déa; que era a segunda filha do casal Zé de Felipe e dona Déa; saísse por uma daquelas portas e se colocasse debruçada em uma das singelas janelas da casa restaurada... Maria, com 18 anos na época em que conheceu Virgulino Lampião, já vinha de um primeiro casamento fracassado com um primo, o sapateiro Zé de Nêne, e a partir daqueles primeiros encontros com o chefe dos cangaceiros nasceu o romance maia famoso do cangaço e eternizado pela literatura de cordel e cantadores dos mais distantes rincões sertanejos. 


"A construção — uma casa de reboco de 50 metros quadrados — abrigou a cangaceira de 1911 a 1929, quando ela conheceu Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião. Depois de passar por uma restauração, o imóvel virou ponto turístico da cidade, em 2006. Até hoje na vizinhança da casa ainda vivem os parentes da família de Maria Bonita. No local, estão expostos alguns objetos da família, da história de Maria Bonita e reproduções de fotos dos cangaceiros."


Maria Déa, A Bonita Maria de Lampião, ou Maria Gomes de Oliveira, nasceu no dia 8 de março de 1911, no Sítio Malhada do Caiçara, em Curral dos Bois, atual Paulo Afonso, filha de José Gomes de Oliveira, conhecido como Zé Felipe e Dona Maria Joaquina, conhecida como Dona Déa. Era a segunda numa família de dez irmãos. Casou ainda muito cedo, aos 15 anos de idade com o primo, José Miguel da Silva, o Zé de Nêne, sapateiro e reconhecido boêmio da região. Naquela época já era notório o forte gênio da morena filha de Zé Felipe, costumeiramente o casal estava envolvido em brigas fundamentalmente em função do ciúme de Maria. Sempre que brigavam a jovem se abrigava na casa dos pais; foi justamente em uma dessas oportunidades que em 1929 teria havido o primeiro contato de Maria Déa com o Rei dos Cangaceiros, Virgulino Ferreira. Naquele dia Virgulino passaria pelas terras do Sítio Tara do conhecido coiteiro Odilon Martins de Sá, vulgo Odilon Café, e depois se dirigiria para as terras da Malhada do Caiçara, ali por longos meses havia construído uma sólida base de sustentação em terras baianas, estava entre amigos. Ao se despedir da família de Zé Felipe se dirige à morena Maria e pergunta se sabe bordar, ato contínuo deixa alguns lenços de seda para o ofício da sertaneja, prometendo voltar em breve para buscá-los. Parece-nos que já naquele momento o destino começava a traçar suas linhas na direção da maior mudança da história do cangaço: a entrada das mulheres nos bandos cangaceiros. E assim; Maria, Durvinha, Aristéia, Moça, Adília, Dadá, Enedina, Cristina, Lídia, Eleonora, Quitéria, Adelaide, Nenem, Sila, Rosinha... mudariam para sempre a feição do cangaço nordestino de Virgulino Lampião.

Para Manoel Severo, "sem dúvidas uma das visitas mais aguardadas de nossa programação do Cariri Cangaço Paulo Afonso 2022, será essa ao Museu Casa de Maria Bonita. Chegando aqui é como se estivéssemos sendo transportado no tempo. Já estive aqui ao lado do João de Sousa inúmeras vezes mas sempre é uma emoção diferente. O lugar tem um magnetismo absolutamente forte. Agora é aguardar o mês de março e vir conosco neste grande Cariri Cangaço Paulo Afonso.

CARIRI CANGAÇO PAULO AFONSO 2022
24 a 27 de Março de 2022
Paulo Afonso
BAHIA-BRASIL

Redação Cariri Cangaço

Paulo Afonso; 16 de Dezembro de 2021

Dona Generosa a Maior Coiteira de Lampião na Bahia e o Cariri Cangaço Paulo Afonso 2022


Quem passa pela BR 110 a cerca de 25km do centro de Paulo Afonso, vai encontrar um simpático povoado com a tradicional igrejinha ladeada por pequenas casas de um lado e do outro e uma bucólica pracinha, chegamos ao povoado do Riacho, zona rural de Paulo Afonso. Poderíamos fazer referência ao Riacho como mais um distrito , povoado ou arruado da simpática urbe Paulo afonsina, se não fosse a forte e emblemática historia que liga o referido povoado ao cangaço de Virgulino Ferreira.

Manoel Severo e João de Sousa Lima em visita ao distrito de Riacho
Serra do Umbuzeiro

É a partir do povoado do Riacho que vamos encontrar um pedaço importante da presença do rei do cangaço em terras baianas. Vamos a primeira parada: encravada no sopé da Serra do Umbuzeiro; porta de entrada para a região do Rio São Francisco; no município de Paulo Afonso, acha-se a incrível e enigmática "Vila da Dona Generosa", dali se vislumbra os 507 metros da majestosa  Serra do Umbuzeiro, bem pertinho dos Picos do Tará e da famosa Malhada da Caiçara. Lampião passou boa parte da primeira metade da década de 30 andando por essas bandas , a partir das boas relações que mantinha com vários coiteiros locais, inclusive e principalmente, dona Generosa. 

Capelina e Cemitério na Vila de Dona Generosa
Manoel Severo e João de Sousa Lima
João de Sousa Lima e Ingrid Rebouças

Dona Generosa era uma das maiores coiteiras de Virgulino Ferreira em terras baianas, morreu com mais 100 anos ainda na década de 1950, não teve filhos naturais, adotou outros e a esses legou um conjunto arquitetônico que marca a presença forte da sertaneja; aqui na vila de dona Generosa, formada pela casa grande, capela, cemitério e outras três edificações contíguas, foram realizados inúmeros bailes quando os cangaceiros eram recebidos pelas  mocinhas do lugar; tudo com muito respeito, lembra João de Sousa Lima: "Lampião vinha muito aqui em Generosa que realizava os bailes e convidava as meninas da redondeza, mas tudo acontecia no mais alto respeito, nenhum cangaceiro tirava liberdade aqui não, dançavam a noite toda sem problema". Seu Agenor, neto de Generosa, certa vez nos falou:" quando os meninos desciam a serra para o baile aqui na casa de minha avó, dizem que dava para sentir o cheiro do perfume deles de longe..." Os meninos, no caso, eram os cangaceiros.

Ruínas da Casa Grande de Dona Generosa
Serra do Umbuzeiro

Aqui também na Vila de Dona Generosa foi morto Zé Pretinho. Na verdade Zé Pretinho foi preso por Douradinho nas proximidades do povoado Arrasta-Pé e passou com ele todo amarrado, montado em um burro, na casa da cangaceira Durvinha. Dona Santina, mãe de Durvinha, tentou dar um copo com leite a Zé Pretinho, o Douradinho quebrou o copo jogando-o na calçada da casa. Zé Pretinho foi morto na frente da casa de Generosa, amarrado em um pé de barriguda, onde fizeram “tiro ao alvo”, depois de morto foi esquartejado e deixado no lugar; Generosa mandou enterrá-lo lá mesmo, existindo ainda no lugar o túmulo de pedras e uma cruz que marcam o lugar da tragédia.

Visitar a localidade Riacho, a Vila de Dona Generosa, o Tará, a Malhada da Caiçara e a Serra do Umbuzeiro é programa indispensável para quem vem ao Cariri Cangaço Paulo Afonso 2022 .Em vários pontos passamos por vegetações como cactos, macambira, mandacaru e o kipá além das plantações de cactos palma, nos transportando para o cenário mágico das caatingas nordestinas, cheias de mistério, encanto e aqui, particularmente: história.

CARIRI CANGAÇO PAULO AFONSO 2022
24 a 27 de Março de 2022
Paulo Afonso
BAHIA-BRASIL

Redação Cariri Cangaço

Paulo Afonso; 16 de Dezembro de 2021


Reuniões Começam a Definir o Cariri Cangaço Paulo Afonso 2022

Várias reuniões de trabalho marcaram a visita do Cariri Cangaço a Paulo Afonso para a construção da agenda de 2022. "A partir de agora vamos sentar com o João de Sousa Lima e os vários parceiros, dos vários segmentos, para equacionarmos todos os principais pontos referentes ao nosso Cariri Cangaço Paulo Afonso 2022, e faremos isso em tempo recorde uma vez que só temos um dia para essas reuniões e visitas, será puxado" revela Manoel Severo. Para João de Sousa Lima, "como Severo esta com a agenda corrida, vamos aproveitar para confirmarmos os principais pontos de  nosso Cariri Cangaço Paulo Afonso, como os parceiros, visitas, palestras, temas, infraestrutura necessária, enfim".


Primeira encontro: Definida a data do Cariri Cangaço Paulo Afonso, 
dias 24 a 27 de março de 2022. 
Ingrid Rebouças, Manoel Severo, João de Sousa Lima e Fabiane Guerra

O primeiro encontro definiu a data do evento, o formato e as principais ações necessárias para sua realização. Paulo Afonso que deveria ter sido contemplado ainda  no ano de 2019, foi adiado em função da pandemia do COVID 19, e desta vez abre o calendário do Cariri Cangaço no ano de 2022 em março.

O segundo encontro de trabalho aconteceu nas dependências do Hotel Belvedere em Paulo Afonso, reunindo representantes do IGH-Instituto Geográfico e Histórico de Paulo Afonso, da Casa de Cultura, como também da Associação de Guias Turísticos, além do Dr Juliano Medeiros, proprietário do Hotel Belvedere, que será o hotel oficial do Cariri Cangaço Paulo Afonso 2022.

Jorge Robson ; presidente associação dos guias de turismo, Glauber Araújo; pesquisador, João de Sousa Lima, Dr. Juliano  Medeiros; empresário do Hotel Belvedere, Manoel Severo e Fabiane Guerra; gerente da secretaria de cultura.

Flávio Motta; diretor do IGH Instituto Geográfico e Histórico de Paulo Afonso, Jorge Robson ; presidente associação dos guias de turismo, Glauber Araújo; pesquisador, João de Sousa Lima, Manoel Severo, Eduardo Cruz; secretaria de Cultura e Fabiane Guerra; gerente da secretaria de cultura.

Nesta segunda reunião de trabalho, Manoel Severo apresentou aos presentes a origem e a história do Cariri Cangaço, fazendo um pequeno resumo das realizações, do desenvolvimento e da presença forte do evento nos municípios que sediam as edições. "Esse momento foi muito proveitoso pois definimos o hotel oficial do evento, além de apresentar todos os pontos do Cariri Cangaço Paulo Afonso a representantes da Casa de Cultura, do IGH e da Associação de Guias, parcerias fundamentais para nosso evento aqui em Paulo Afonso" confessa João de Sousa Lima, presidente da Comissão Organizadora.

O Cariri Cangaço é uma grande construção coletiva, a união de fatores, recursos e esforços dos vários parceiros e colaboradores é que contribui sem dúvidas, para o sucesso do evento, e em Paulo Afonso não será diferente. "A Comissão Organizadora em Paulo Afonso, com o irmão João de Sousa a frente, com a Luma Holanda, o Flávio, a Fabiane, enfim, e que contara com representantes e o apoio de várias instituições como o IGH-Instituto Geográfico e Histórico de Paulo Afonso, da Casa de Cultura, da Associação de Guias Turísticos, da Prefeitura e da Câmara Municipal, da Academia de Letras de Paulo Afonso, enfim, isso aumenta nossa responsabilidade mas nos deixa absolutamente entusiasmado para realizar mais um grande Cariri Cangaço, o primeiro de 2022" fala Manoel Severo, curador do evento.

O segundo encontro de trabalho aconteceu 
nas dependências do Hotel Belvedere em Paulo Afonso

Uma ultima reunião de trabalho marcaria a presença do curador do Cariri Cangaço, Manoel Severo Barbosa, em Paulo Afonso. Acompanhado do Conselheiro Cariri Cangaço João de Sousa Lima e do engenheiro Flávio Motta, vice-presidente do IGH/PA, foram recebidos pelo presidente da Câmara Municipal de Paulo Afonso, vereador Pedro Macário Neto e pela presidente da ALPA, a poetisa e escritora Gorette Moreira. Nas dependências da Câmara Municipal de Paulo Afonso o encontro consolidou a parceria tanto da Câmara Municipal como da ALPA - Academia de Letras de Paulo Afonso ao Cariri Cangaço, evento que será realizado na cidade em março de 2022. 


"Receber o apoio da Câmara Municipal, através de seu presidente, Pedro Macário Neto e da ALPA através da estimada Gorette Moreira, aumenta em muito nossa responsabilidade com nosso Cariri Cangaço Paulo Afonso em março de 2022"


Sobre o encontro falou a presidente da Academia de Letras de Paulo Afonso, Gorette Moreira: "Eu tenho uma história muito bonita com o cangaço e sempre estive presente nos eventos desse segmento, e com o Presidente da Câmara Municipal de Paulo Afonso, tive a grata satisfação de receber na manhã desta sexta-feira (17) de dezembro, os coordenadores do Cariri Cangaço, Manoel Severo Barbosa e Ingrid Rebouças."

O curador, idealizador e produtor do evento, Manoel Severo, falou sobre o seminário e da importância em trazer mais informação sobre a história e a magia do cangaço para a população pauloafonsina. Explanou a sua felicidade em estar trazendo o evento para a cidade e informou que será realizado entre os dias 24 a 27 de Março, fazendo assim com que o município baiano seja a próxima rota na agenda do Cariri Cangaço para 2022.


CARIRI CANGAÇO PAULO AFONSO 2022
24 a 27 de Março de 2022
Paulo Afonso
BAHIA-BRASIL

Redação Cariri Cangaço

Paulo Afonso; 16 de Dezembro de 2021

Paulo Afonso Chega em Grande Estilo ao Cariri Cangaço 2022 !

João de Sousa Lima comanda o Cariri Cangaço Paulo Afonso 2022

Foi na cidade de Paulo Afonso que a semente da construção e realização do primeiro Cariri Cangaço foi semeada pela primeira vez: "Era fevereiro de 2009 e estávamos participando do Seminário Internacional do Centenário de Maria Bonita; convidados pelo amigo João de Sousa Lima. O evento era uma realização da UNEB e Prefeitura de Paulo Afonso. Ora, depois da programação, cheguei para João de Sousa e disse, -João tenho a ideia e já o formato de um evento desse lá no Cariri do Ceará, e aí vamos junto? Ele aceitou o desafio e dali partimos juntos com a SBEC e GECC para a construção do primeiro Cariri Cangaço" lembra Manoel Severo, curador do Cariri Cangaço.

De lá para cá, foram necessários 13 anos para termos pela primeira vez, para nossa satisfação e imensa alegria, o Cariri Cangaço oficialmente sendo realizado na cidade de Paulo Afonso. Para isso, Manoel Severo, curador do Cariri Cangaço, participou de um conjunto de reuniões e visitas de trabalho no ultimo mês de dezembro na "capital da energia" nordestina, tendo a frente o Conselheiro Cariri Cangaço, João de Sousa Lima, Presidente do IGHPA - Instituto Geográfico e Histórico de Paulo Afonso e Presidente da Comissão Organizadora do Cariri Cangaço Paulo Afonso 2022.

Igreja de São Francisco

A Igreja de São Francisco de Assis, sede da Paróquia São Francisco de Assis em Paulo Afonso completa, no próximo dia 17 de fevereiro de 2020, 70 anos que foi inaugurada; construída pelos operários da Chesf, foi a primeira Igreja católica erigida na cidade. Sobre uma pequena colina, tem estrutura em pedra da própria região, retirada das obras de construção da primeira usina e de sua barragem. A Igreja de São Francisco é um marco histórico. É um dos poucos patrimônios remanescentes da criação do município e é considerado pela geração atual como um cartão de visitas da nossa cidade. Desde 2015, a Igreja foi tombada como patrimônio histórico, cultural e arquitetônico do município de Paulo Afonso.

O Touro e a Sucuri

A História desta escultura está relacionada com as transformações feitas pelo homem para desviar o curso do Rio São Francisco, aproveitando suas quedas d’água. É uma obra de Diocleciano Martins de Oliveria inspirada no poema de Castro Alves. No monumento, a força da natureza é representada pela Sucuri e o esforço do homem representado pelo Touro, que através da técnica tenta dominá-la.

Ponte Dom Pedro II

Com cerca de 84 metros de altura, a Ponte Dom Pedro II, também conhecida como Ponte Metálica, é uma das principais atrações urbanas de Paulo Afonso. Construída na década de 1950 sobre o Rio São Francisco, fica na rodovia BR 423 , na divisa entre os estados de Alagoas e Bahia; Municípios de Delmiro Gouveia e Paulo Afonso; A  ponte é uma expressão máxima da engenharia da época. Utilizada com frequência para a prática de esportes radicais como; rapel (descida em corda), bungee jump (salto com corda amarrada) e até base jump (voo livre sem amarrações). 

Ponte Pedro II por Jackson Lima

Quem chega a Paulo Afonso pela divisa da BR 423, vindo de Delmiro Gouveia nas Alagoas, chegara à capital da energia logo após passar pela ponte Dom Pedro II, entretanto, ainda em território alagoano, bem ali às margens da rodovia e colada na ponte ao nosso lado direito, temos uma parada obrigatória: A vendinha da Maria da Ponte ! Maria ao lado de seu marido, Raimundo e dos dois filhos, Mateus e Enoque; tocam o pequeno comercio há 5 anos, funcionando como os primeiros anfitriões da encantadora Paulo Afonso, terra de Maria Bonita, a Maria do Capitão.

Maria da Ponte e Manoel Severo

"Nosso intuito é mostrar a todos os convidados e visitantes a força da historia que Paulo Afonso possui, principalmente ligada ao Cangaço. Aqui temos a Serra do Umbuzeiro, a fazenda de dona Generosa; a maior coiteira de Lampião na Bahia; os povoados do Riacho, Arrasta Pé, Salgadinho, com as historias das cangaceiras, Durvinha e Lídia; além do sensacional Raso da Catarina e a Lagoa do Mel; onde foi morto Ezequiel, irmão de Lampião; e o mais importante: A Malhada da Caiçara, onde nasceu Maria Bonita. Sem falar que Paulo Afonso foi o local que mais emprestou filhos e filhas às hostes cangaceiras, mas tudo isso vamos conhecer mais a fundo no sensacional Cariri Cangaço Paulo Afonso 2022 em março, ninguém pode perder" ressalta o Conselheiro João de Sousa Lima, Presidente da Comissão Organizadora do Cariri Cangaço Paulo Afonso 2022.

João de Sousa Lima, Conselheiro Cariri Cangaço

Paulo Afonso localiza-se no sertão baiano, a 460 km da capital Salvador. Situada às margem do São Francisco, tem localização estrategicamente privilegiada; sendo divisa com os estados de Pernambuco, Alagoas e Sergipe, além de toda sua história e tradição, notadamente ligadas ao Cangaço; possui uma beleza natural extraordinária, com a força do Velho Chico, seus Cânions e o Raso da Catarina. Configura-se também como um dos mais prósperos municípios baianos.

"O município de Paulo Afonso nos meados do século XVIII era habitado por portugueses que chefiados por Garcia d’Ávila, subiram o rio São Francisco chegando onde hoje está localizada a cidade. Isso os levou devido à fartura de água. Encontraram pacíficos índios mariquitas e pancarus, junto a eles cultivaram a lavoura e a criação de gado, em meados de 1705, padres católicos iniciaram a catequese dos silvícolas, com a intenção de evitar que fossem explorados pelos bandeirantes.

Em 3 de outubro de 1725, o sertanista Paulo Viveiros Afonso recebeu, por alvará, uma sesmaria medindo três léguas de comprimentos por uma de largura. Situada na margem esquerda do rio São Francisco, abrangia as terras alagoanas da cachoeira, conhecida, então como “Sumidouro”. Não se conformando com a área que recebeu, o donatário ocupou, além das ilhas fronteiras (entre as quais a da Barroca ou Tapera), as terras baianas existentes na margem direita, onde construiu um arraial que, posteriormente, se transformou na Tapera de Paulo Afonso. A localidade, procurada como pouso de boiadas, começou a exigir desenvolvimento comercial que atendesse à solicitação de gêneros, por parte, não só dos adventícios, como da população local. O lugarejo já era expressivo núcleo demográfico do município de Glória, quando o Governo Federal, em 15 de março de 1948, criou a Companhia Hidrelétrica do São Francisco, com a finalidade de aproveitar a energia da Cachoeira de Paulo Afonso. O acampamento de obras localizou-se nas terras da Fazenda Forquilha. Em torno das instalações da Usina cresceu a Cidade." FONTE WIKIPEDIA




As quedas d’água do Rio São Francisco são características mais marcantes de Paulo Afonso. A Chesf investiu na oferta de condições para atender aos turistas, melhorou os acessos, criou mirantes, montou aquários na Ilha do Urubu, substituiu o antigo bondinho de madeira que ia do Morro do Teleférico para a Ilha do Urubu por outro, austríaco que fica sobre a parte inicial do cânion do rio São Francisco, a 100 metros de altura numa distância de 300 metros entre os Estados da Bahia e Alagoas. A Cachoeira de Paulo Afonso é formada por diversas quedas d’água, recortada em plataformas assemelhando-se a imensos degraus.

 


"Temos o compromisso de mostrar aos nosso convidados o que Paulo Afonso tem de melhor , o Museu Casa de Maria Bonita, O Raso da Catarina, os locais históricos do cangaço, e ainda temos as belezas  naturais da região, simplesmente sensacionais. Teremos sem dúvidas um grande Cariri Cangaço. " Revela Manoel Severo.


CARIRI CANGAÇO PAULO AFONSO 2022
24 a 27 de Março de 2022
Paulo Afonso
BAHIA-BRASIL

Redação Cariri Cangaço

Paulo Afonso; 16 de Dezembro de 2021

Fatos Anteriores ao Ataque a Fazenda Quixaba Por:Geraldo Ferraz

 
Theophanes Ferraz Torres

Theophanes Ferraz Torres, então capitão, teve que deixar o comando do Esquadrão de Cavalaria e seguiu em agosto de 1918, para o interior, com apoio em Vila Bela, para combater o banditismo e fiscalizar as 7ª, 8ª, 9ª e 10ª Regiões Policiais. No dia 30 de setembro, tomou parte no combate na Fazenda 28, no mesmo município, tendo os bandoleiros, após forte resistência, debandarem do local. Entrava-se em um ano de pavorosa seca cíclica. Em meados de janeiro de 1919, Theophanes recolheu-se e ficou a disposição do Comandante da Força, Coronel José Novaes. Ele vinha de intensas diligências no município de Belmonte. Pelo ato de bravura, na fazenda 28, Theophanes e seus soldados foram Elogiados em Boletim da Força.

No final de janeiro, o Desembargador Antônio Guimarães, Chefe de Polícia, recebia telegrama informando que os grupos liderados por Sebastião Pereira e Praxedes Pereira incendiaram propriedades de Malhados, no lugar Cortado, município de Vila Bela. Os cangaceiros levaram os animais pertencentes a Francisco Carvalho. Em abril de 1919, tiroteio na Vila de São Francisco, município de Vila Bela, forçou o governo a dar início a combate mais efetivo aos bandos de cangaceiros. Estava bem acesa a luta entre Pereiras e Carvalhos. Aquela vila era o quartel general da facção dos Pereiras e dos seus liderados bandoleiros. A Força policial não foi feliz em sua missão. Por este fato, em meados de abril, Theophanes é enviado em diligência para o interior comandando 60 praças.

Casa de Theophanes em Vila Bela, hoje: Serra Talhada

No dia 19 de maio, Teophanes e sua tropa são elogiados, em Boletim, pelo agora comandante da Força, Alfredo Duarte, pelas ações contra o banditismo. No final daquele mês Luiz Padre e Sinhô Pereira ameaçavam atacar o povoado de Bom Nome. Noticiava-se que os chefes concentravam cangaceiros em Barro/CE e na Serra do Catolé/PE, três léguas de Bom Nome. Meados de junho, o Capitão Holanda Cavalcanti, informava ao Chefe de Polícia, que cangaceiros invadiram a Fazenda Chocalho, município de Vila Bela, propriedade de Mário Lyra, cometendo assassinatos e depredações. O banditismo não dava trégua!

No início de julho, Theophanes seguiu para Vila Bela para comandar a 8ª Região Policial (Vila Bela como sede, mais os municípios de Belmonte, Floresta e Jatobá de Tacaratú). O governador, em meados daquele mês, recebeu despacho de Triunfo e Vila Bela comunicando que os cangaceiros estavam concentrados no município de Princesa/PB, com o propósito de invadir Triunfo. A frente do bando achava-se Luiz Leão, assassino do coronel Deodato Monteiro, Luiz Padre e Sebastião Pereira. No dia 06 de agosto, Luiz Padre e Sebastião Pereira lideraram depredações no município de Vila Bela. Para desviar a ação repressiva da polícia, se deslocaram para os limites do Estado da Paraíba e assaltaram a fazenda Santa Rita. Comunicado o ocorrido, Theophanes seguiu para a fazenda assaltada em perseguição aos facínoras. No dia 11 de agosto, Theophanes envia telegrama para o Chefe de Polícia informando que Luiz Padre e Sebastião Pereira ameaçavam atacar a cidade de Vila Bela daí seu retorno para lá para defender a cidade. Devido as medidas adotadas por Theophanes os bandidos desistiram do audacioso plano. Adiantou Theophanes que no cerco na fazenda Santa Rita, tinham apreendido vários animais roubados. Adiantou, também, que o grupo de cangaceiros liderados por Luiz Padre e Sebastião Pereira, fora estes, era composto por 50 homens.

Sinhô Pereira e Luiz Padre

O governador Manoel Borba, em 30 de agosto, transfere o 3º Batalhão para Triunfo, para facilitar a persiga aos fora da lei. No início de setembro, Luiz Padre e Sinhô Pereira atacaram o povoado de Bom Nome. Quem defendia o local era o Capitão José Caetano. Após o ataque, Theophanes, em companhia de Caetano e o Tenente Costa Gomes, seguiram na trilha do grupo. No dia 06 de outubro, ocorria o combate na Fazenda Quixaba, município de Vila Bela. Capitão José Caetano, Tenentes Manuel Gomes e Lira Guedes, atacaram a Quixaba, com força de 74 praças. A luta era contra Sebastião Pereira e Luiz Padre que comandavam numeroso grupo em local bem entrincheirado. Cabo Higino assaltou a casa pelo oitão e traseira e Sebastião fugiu com o grupo. Às 18 horas daquele mesmo dia, Theophanes envia telegrama para a força informando do ocorrido e de que havia soldados feridos e que seguia para o local conduzindo munição. A fazenda ficava localizada a 8 léguas de Vila Bela.

Capitão José Caetano

Como Theophanes estava acompanhado por, apenas, 4 praças, na Fazenda Exu, do Coronel Antônio Alves, recebeu auxílio de alguns rapazes armados. Légua e meia antes de Quixaba, Theophanes encontra ferido no crânio, o Cabo Marques, acompanhado de duas praças e foi informado que o combate durou duas horas de renhido tiroteio e que os bandidos tinham dado costa. Primeiras horas do dia 7, Theophanes chegava a Quixaba. O Capitão Caetano já havia se retirado, conduzindo soldados feridos. Theophanes foi informado que o produto do roubo ocorrido no povoado de São João, encontrava-se no lugar Umburanas, duas léguas de Quixaba. Theophanes chegou Umburanas, após rigorosa busca e interrogatórios e conseguiu descobrir nas caatingas todo roubo, que constava de: Carga de fazenda avaliada em 2:000$000; e 4 rifles. Theophanes confirma que foi informado erroneamente, nas primeiras notícias, que a Força havia conseguido cercar os cangaceiros. Na realidade a Força, composta por 71 homens, inclusive oficiais, caíram em uma emboscada.

Theophanes relaciona as praças feridas: Cabo Antonio Marques Silva, os Soldados Izidoro Leite Silva, João Mathias Santos, José Soares Costa, Henrique Ludgero Santos, Firmino Jeronymo Silva e Antonio Francisco Xavier, tendo falecido consequência tiroteio, Soldado José de Souza Oliveira, destacado em Belmonte. No dia 08, Theophanes pede recursos médicos devido ao fato de ter vários soldados feridos e informa que se achava recolhido a cadeia, bandido Bernandes Thomé, vulgo Atmosfera, capturado ferido depois tiroteio. No dia 09 de outubro, Theophanes, mais uma vez na companhia do Capitão Caetano e o 2º tenente Costa Gomes, informava que se achava na Fazenda Santa Rita, com o Capitão Carneiro, comandante geral das forças do Ceará, seus auxiliares 1º tenente Dourado e 2º tenente Clovis José Cardim, mais 2º tenente Salgado, Força Paraibana, combinando medidas mais enérgicas para combater os celerados.

Theophanes em São José de Belmonte

Chamado pelo tenente coronel Antônio Batista de Oliveira Correira, comandante do 3º Batalhão sediado em Triunfo, Theophanes, no dia 18 de outubro, informava que seguiu para Belmonte o Capitão Caetano e seus oficiais auxiliares e ficava em Vila Bela, o Tenente Costa Gomes. No final de novembro, Recife vivia momento de greve duríssima, a primeira de grande vulto! Fazia-se necessária a presença do comandante da Cavalaria para, se fosse o caso, reprimir o movimento. Na noite do dia 10 de dezembro, após regressarem de diligências na cidade de Vitória, Theophanes e o tenente José Alvino Correia de Queiroz, quando saiam da Sorveteria Helvética em direção da Ponte da Boa Vista, no Recife, foram vítimas de atentado a tiros, mas não foram atingidos. Não teve nenhuma conotação com o cangaço. Tratava-se da ação delituosa de dois rapazes que tinham arquitetado vingança contra José Alvino. No dia 15 de dezembro, Theophanes recebe elogio do Chefe de Polícia, pelos serviços realizados na Zona Sertaneja.

Geraldo Ferraz, pesquisador e escritor , Conselheiro Cariri Cangaço. Recife, 05 de Janeiro de 2022