ABLAC Comunica !


Caros Confrades desta tão importante Academia:

Antes da fundação da ABLAC, ainda na qualidade de historiador, enderecei dois requerimentos ao IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), um para a sucursal de Sergipe e outro para a Central de Brasília, cujos requerimentos visam reconhecer o tema CANGAÇO como sendo PATRIMONIO HISTORICO CULTURAL IMATERIAL DO BRASIL, fato que se concretizado será de suma grandeza para os nossos objetivos, pois os órgãos públicos poderão melhor patrocinar os nossos eventos, melhor permear os nossos propósitos.

Assim, no dia de hoje recebi via e-mail a resposta afirmando que o meu requerimento se tornou um processo administrativo n°01450.002854/2019-11 para a sua análise e devido julgamento. Satisfeitíssimo com a decisão, agora já na qualidade de presidente da ABLAC encaminhei MANIFESTO que agora lhes apresento, apoiando o meu próprio requerimento, ou seja, de tudo engrossando aquele DOCUMENTO que não trazia tantos detalhes.

Assim sendo, solicito a quem se interessar a também se manifestar como pesquisador e membro da ABLAC endereçando a mensagem para o e-mail: registro.dpi@iphan.gov.br.

Solicito àqueles componentes que possuem páginas virtuais, que em nomes dos seus sites manifestem os seus entendimentos e solicitem a juntada dos documentos ao referido processo administrativo. Solicito que em nome do Cariri Cangaço o amigo Manoel Severo também se manifeste perante àquele órgão. Solicito que os amigos presidentes dos Grupos de Estudo do Cangaço do Ceará e Paraíba mandem os seus reforços, em especial o amigo Ângelo. O amigo que pode relatar a quantidade de livros que já foram lançados sobre o tema e outros informes importantes. Solicito àqueles que possuem páginas no Facebook que de igual modo encaminhem as suas opiniões e postem tudo aqui que foi dito, pedindo apoio de todos e também das suas próprias opiniões que podem ser selecionadas e encaminhadas para juntada aos autos.

Dr Archimedes Marques,
Pesquisador e Escritor
Presidente da ABLAC e Conselheiro Cariri Cangaço

A Defesa de Jararaca Por:Honório de Medeiros

Honório de Medeiros, Bárbara e Manoel Severo

“Quem tudo compreende, tudo perdoa” (Leon Tolstoi).

No dia 9 de junho de 2017, a partir das nove horas da manhã, em Mossoró, no Fórum Municipal, atuei como advogado de defesa no júri simulado, sob a presidência do juiz Breno Valério Fausto de Medeiros, que julgaria Jararaca. Era a comemoração do aniversário da defesa de Mossoró ante o ataque do bando de Lampião. A acusação ficou a cargo do advogado Diógenes da Cunha Lima. Terminados os trabalhos o Conselho de Sentença houve por bem inocentá-lo por seis votos a um (6X1). Segue, abaixo, o texto que norteou minha participação.

1. Esta é uma história de perdão, não de julgamento. “Quem tudo compreende, tudo perdoa”. 

2. Antes, entretanto, peço permissão às senhoras e senhoras para mergulhar nas águas do meu próprio passado. 

3. Pois foi aqui mesmo, nesta Mossoró libertária, que eu nasci e cresci, ao lado da Igreja de São Vicente. 

4. Ali ficava a casa de Rodolpho, depois a de Alfredo, e em frente, a dos Hollanda. Do lado, a de Joaquim Perdigão. Atrás, a de Pacífico Almeida. No final, a de Ezequiel Fernandes. Era o chamado Bairro Novo, escassamente povoado. A todas essas casas dominava a Igreja, à sombra da qual jogávamos bola e brincávamos de bandeirinha, no mesmo chão que foi pisado pelos cangaceiros, dentre eles José Leite de Santana. 


5. Por que estiveram ali? Por que atacaram Mossoró? 

6. Por que atacaram Mossoró? 

7. Compilei quatro teorias. José Leite de Santana é fundamental para que se entenda a quarta teoria. José Leite de Santana, Ferrugem e Mormaço disseram que Lampião nunca pensou em invadir Mossoró. José Leite de Santana abriu o jogo para Lauro da Escócia. José Leite de Santana quis falar com Rodolpho Fernandes e não deixaram. José Leite de Santana por isso mesmo foi morto. 

8. Mas como falar em José Leite de Santana sem falar no cangaço? Como falar no cangaço sem falar da época no qual o cangaço aconteceu? Como falar daquela época sem recordar as condições de vida do sertanejo nordestino, fonte de onde o cangaço emanou? Como falar dessa fonte sem entender a crucial diferença entre os resignados e os que não se submeteram? Como abordar essa questão sem perceber que dentre os que não se submeteram estão aqueles que tomaram o caminho do mal, enquanto outros, o do bem? Como não compreender que nem sempre a opção pelo caminho do mal foi algo ao qual se pudesse resistir, tamanha a incapacidade de se ter, nas próprias mãos, o próprio destino? 

9. Esses são os outsiders, os irridentes, os insubmissos, os irresignados, os diferentes, os revolucionários. Esses são o sal da terra, para o bem ou para o mal. Trágico quando é para o mal, como no caso de José Leite de Santana; sublime, quando o é para o bem, como no caso de tantos aos quais devemos nosso avanço enquanto espécie. 

10. O cangaço é a história de rebeldes. Podemos subjugar rebeldes. Podemos condenar rebeldes. Podemos matar rebeldes. Mas não podemos impedir que a memória de suas existências acicate o nosso repouso envergonhado. O cangaço é a história de homens que resolveram se vingar; de homens que não aceitaram serem escravos; de homens que optaram por sobreviver SEM LEI E SEM REI, nos mesmos moldes dos desbravadores dos nossos sertões, numa liberdade absoluta, uma liberdade de fera, a liberdade da qual nos falou Hobbes em O Leviatã. O cangaço foi o último suspiro dos desbravadores do Sertão, aqueles mesmos que disputaram a terra com os índios ferozes, palmo a palmo, sangue a sangue, numa guerra contínua e esquecida do resto do mundo. A guerra dos bárbaros. 


11. José Leite de Santana foi assim. Percebemos isso em seu olhar na célebre fotografia tirada na prisão em Mossoró. Passei muito tempo olhando para a fotografia. Ali não estava apenas o olhar de quem está ferido. Ali estava, muito mais que isso, o olhar de quem foi subjugado à força, mais uma vez. É o olhar de uma fera de quem tiraram sua liberdade. É o olhar de quem vai morrer. 

12. José Leite de Santana já nasceu subjugado, e contra essa subjugação lutou até o último instante: nasceu bastardo, pobre, preto e desvalido. Um infame. Infame antes mesmo de ser um homem mal. 

13. Não se trata de dizer que o meio fez a escolha dele. Não podemos cair nessa armadilha. Ele escolheu seu caminho. Outros fizeram opções diferentes. O comum dos mortais escolheu vergar sob o peso da escravidão diária. Pagou por isso. Mas antes mesmo da escolha, o destino já o tinha jogado na lata de lixo dos dejetos humanos. 

14. Como julgar José Leite de Santana com os nossos olhos? Um homem que não tinha o que comer, se não chovesse, e não chovia; não tinha médico; não tinha dentista; não tinha transporte; não tinha estudo; não tinha dinheiro; não tinha passado, não tinha presente, não tinha futuro, não tinha nada. 

15. Pois foi este homem, refugo da vida, que nos permitiu levantar um pouco a cortina, o véu que esconde a verdade dos fatos, morreu violentamente e o povo o transformou em herói e o santificou. 

16. Herói por que ousou a coragem da loucura ou a loucura da coragem de viver sem lei e sem rei, os últimos deles. 

17. Santo por que intercede, lá entre os acolhidos pela infinita bondade de Deus, pelos que sofrem, para assim purgar as dores que causou neste mundo de miséria e sofrimento. 

18. Não é possível ver-se nas intercessões dessa alma torturada a quem o julga lá no Alto, em defesa dos que ficaram para lhes minorar a dor, um pedido de perdão por todo o sofrimento que causou quando vivo? 

19. Não é ele um dos cainitas, dos quais nos falou Herman Hesse, um dos escolhidos por Deus para ser as trevas que valorizarão a luz? 

20. Por que não podemos perdoá-lo, se perdoamos São Paulo; Pe. Cícero; Santo Agostinho; Maria Madalena; São Longino, o chefe dos soldados romanos que, no caminho para a crucificação de Jesus, perfurou o peito dele com uma lança? 

Foto emblemática da defesa na casa de Rodolpho Fernandes

21. Somente a Santa Igreja pode, pelo Princípio Petríneo das Chaves, dizê-lo oficialmente santo. Mas assim como Padre Cícero, para o povo, ele já o é. 

22. Se o condenamos hoje, condenamo-lo novamente; se o absolvemos estamos a ele ofertando o nosso perdão. 

23. Reconstituamos os últimos dias de José Leite de Santana: 13 de junho, final da tarde: é ferido; 14 de junho, pela manhã: é traído por Pedro Tomé; à tarde: concede a célebre entrevista a Lauro da Escócia; o ordenança do sargento Kelé tenta lhe arrancar o dedo, para ficar com um anel; 15 de junho: identifica os cangaceiros na foto de José Octávio; 16 de junho: o Tenente Laurentino de Moraes viaja para Natal; 17 de junho: o Tenente Laurentino volta de Natal; 18 de junho: o laudo cadavérico é assinado pelo Juiz Eufrásio Mário, pelo Tenente Laurentino de Moraes e por Dr. João Marcelino; 19 de junho: manda pedir para falar em particular com Rodolpho Fernandes; 20 de junho, naquela noite tenebrosa, às 23 horas, mais ou menos, é assassinado sob a vista dos Tenentes Laurentino de Moraes, Abdon Nunes e João Antunes; Sargentos Pedro Sylvio, João Laurentino Soares, Eugênio Rodrigues; Cabos José Trajano e Manoel; soldados Militão Paulo e João Arcanjo; motorista Homero Couto. 

24. Coube aos soldados o trabalho sujo, como coube quando mataram Lampião, na degolação de Maria Bonita ainda viva. As volantes eram semelhantes ou piores que os cangaceiros. 

25. Dirá depois Luiz da Câmara Cascudo: “Ferido de morte, acuado como uma fera entre caçadores, impassível no sofrimento, imperturbável na humilhação como fora em sua existência aventurosa e abjeta, herói-bandido, toda a valentia física e a resistência nervosa da raça de índios e dominadores dos sertões, reviviam nele, empoçado no sangue, vencido e semimorto. Aquela força maravilhosa, orientada para o crime, dispersava-se lentamente..." 

26. Absolvamos o cangaço e perdoemos José Leite de Santana. Ou, melhor, perdoando José Leite de Santana, absolvamos o cangaço.

Jararaca, preso e ferido, na Cadeia Pública de Mossoró, algum tempo antes de ser morto pela polícia, no cemitério de Mossoró, na noite de 20 de junho de 1927.

Honório de Medeiros
Pesquisador e Escritor
Conselheiro Cariri Cangaço, Natal RN

O Cangaço e o Mundo do Corta-cabeças Por:Rangel Alves da Costa

Rangel Alves da Costa e Manoel Severo

Tempos medonhos, sangrentos, aterrorizantes, foram os idos cangaceiros. Tocaias, emboscadas, violentos combates, sangue espalhado nos carrascais sertanejos, gritos de fuga, urros de dor, gemidos de agonia. Como um poema drummondiano ao avesso, cangaceiro matava volante, que matava cangaceiro, que vivia pra não morrer, e todos matando o sertanejo, que muitas vezes nem tinha nada a ver com a história. 
Um mundo de terríveis atrocidades e de insanas violências. No rastro do cangaço, nas mesmas veredas percorridas por cangaceiros e soldados, sem as marcas do sangue, do ódio e da violência contra qualquer um. Ninguém estava totalmente protegido em meio aos canos fumacentos das armas, as lâminas afiadas dos punhais e as iras esbravejadas em cuspidas de fogo. Muitos mortos foram simplesmente deixados aos urubus, aos carnicentos das matas. Muitos foram enterrados em cova rasa, e poucos tiveram uma cruz com epitáfio qualquer. “Aqui morreu mais um”, talvez sintetizasse melhor a carnicenta moldura. 



Difícil de acreditar, mas apenas pedaços de corpos foram enterrados por falta do restante dos membros. Troncos foram sepultados sem a cabeça, cabeças foram enterradas sem o restante do corpo. Canário, por exemplo, morto à traição em setembro de 38 pelas mãos do também cangaceiro Penedinho, teve apenas seu tronco enterrado nas proximidades de onde tombou sem vida, e sua cabeça enterrada em outro lugar. 

E assim aconteceu porque após sua morte, logo que tomou conhecimento do ocorrido, o tenente Zé Rufino, comandante de volante e temido caçador de cangaceiros, rapidamente se dirigiu até a Fazenda Coruripe, no sertão sergipano de Poço Redondo, e passou o punhal no pescoço do morto, decepando a cabeça. E com ela retornou ao seu quartel de comando na baiana Serra Negra, do outro lado da fronteira sergipana. Certamente que o sepultamento da cabeça ocorreu por lá. 

Outro que teve a cabeça enterrada sem o restante do corpo foi o cangaceiro Pau Ferro. O ano era 37, o mês era agosto. Um grupo de cangaceiros, dentre os quais Corisco, Mariano, Mané Moreno, Moita Braba, Zé Sereno, Mormaço e Juriti, assenta coito nas beiradas do Riacho das Quiribas, distando nove quilômetros daquela povoação de Poço Redondo. A junção de cangaceiros renomados assim não era pra todo dia, e por isso mesmo resolvem festejar o encontro. Estavam proseando sina e destino quando, sem perceber, foram avistados por um moço chamado Miguel, que por aquelas bandas seguia em direção à casa do sogro. 

A arte de Carybe

Seguindo, do alto Miguel avistou a cangaceirama lá embaixo no riacho. Surpreso e assustado, imediatamente retornou e logo cuidou de avisar ao destacamento de polícia local. Passo seguinte, a soldadesca vai em direção ao riacho se certificar da veracidade daquela notícia. Era verdade. Os cangaceiros, em grande número, estavam ali acoitados. O que fazer, então, com um pequeno número de soldados perante aquelas feras em grande quantidade? Enfrentá-los seria certeza de morte, ainda que os cabras das caatingas sequer tivessem percebido suas presenças. Decidiram, por medo, recuar. 

Mas no recuo, e quando já se imaginando distanciados demais, eis que fazem algo desastrado. Dois soldados atiram para trás, sem pretensão alguma de acertar qualquer coisa. E uma bala acaba atingindo e matando o cangaceiro Pau Ferro, do subgrupo de Mané Moreno. Arrependidos, Mas já era tarde demais. Apertaram ainda mais a fuga, pois sabiam que a tempestade sangrenta estava a caminho. 

Manoel Severo e Rangel Alves da Costa e a emblemática sandália de Alcino...

Perante o amigo morto, a cangaceirama virou na gota serena, cuspiu fogo e jurou vingança ao inimigo desconhecido. Ora, desconhecido por que não conseguiu alcançar nenhum soldado. E a vingança veio mais tarde, quando um ensandecido Corisco comandou o cerco a Poço Redondo, tocaiando vereda e quintal, até redundar na morte dos soldados Tonho Vicente e Sisi (que não tinha nada a ver com a morte de Pau Ferro), em local hoje conhecido como As Cruzes dos Soldados.

Morto Pau Ferro, enterrado pelos companheiros ali mesmo, no outro dia sua cabeça já vagava pela povoação de Poço Redondo. Mas como pode ter acontecido assim? Certificando-se de que a cangaceirama já havia arribado coito, alguns soldados e pessoas da comunidade foram até o riacho para saber se algum cangaceiro havia sido morto pelos disparos em correria. E lá encontraram a cova fresca de Pau Ferro. Depois de desenterrado, sua cabeça foi cortada por Tonho Bioto e levada até as ruelas poucas de Poço Redondo. E por ali mesmo enterrada.

Mais uma cabeça cangaceira cortada e sepultada sem o resto do corpo. E quantas cabeças do cangaço foram decepadas? Os retratos demonstram os macabros troféus. Cinco, oito, dez cabeças, tomando uma só moldura. Cabeça cortada de Lampião, de Maria Bonita, de um cangaço inteiro. Talvez o restante do corpo não importasse quanto aquelas faces tortas e olhos retorcidos. Deram mais valor à cabeça do que ao restante, e talvez por isso o cangaço continua na cabeça e comendo o juízo de muita gente.

Rangel Alves da Costa, Pesquisador , escritor e poeta
Conselheiro Cariri Cangaço - Poço Redondo -SE

Assim Era Dadá - A Vida Pós Cangaço de Sérgia da Silva Chagas Por:CEEC/UNEB


Fonte YouTube: Centro de Estudos Euclydes da Cunha – CEEC/UNEB.

É com muita alegria que viemos, através desta, comunicar que, depois do lançamento na Sala Walter da Silveira da Biblioteca Central do Estado da Bahia, estamos finalmente disponibilizando o nosso novo documentário, ASSIM ERA DADÁ - A VIDA POS CANGAÇO DE SÉRGIA DA SILVA CHAGAS, de forma gratuita e integral, no Canal do YOUTUBE do Centro de Estudos Euclydes da Cunha – CEEC/UNEB.

No Canal do CEEC, vocês também poderão encontrar nossa filmografia completa, composta por documentários em curta e longa metragem, além de poder acompanhar o CEEC ENTREVISTA, nosso programa de entrevistas com pesquisadores e amigos do centro. Portanto, se vocês possuírem uma conta no YouTube, inscrevam-se no Canal do CEEC para acompanhar nossas futuras produções.

Canal do CEEC: 

Essa ação faz parte de um esforço contínuo do CEEC para facilitar o acesso do público em geral às produções realizadas no âmbito do centro, pois entendemos que todo conhecimento produzido por nós deve ser tratado como bem público e distribuído democraticamente.

Dessa forma, gostaríamos de sugerir que se após assistir o documentário ASSIM ERA DADÁ, vocês puderem, quiserem e tiverem disponibilidade, por favor, compartilhem o link do documentário em suas redes sociais para que este possa cumprir sua função social e alcançar o maior número de pessoas possíveis.

Para notícias e informes sobre o CEEC,  sigam a gente também no Facebook. FanPage: https://web.facebook.com/ceecuneb/

Professor Manoel Neto
Coord. do Centro de Estudos Euclydes da Cunha – CEEC/UNEB

Lampião, Sangue em Belmonte em 3 Versões Por Raul Meneleu



Em O Canto do Acauã, na página 157 da sua segunda edição, revista e ampliada, temos a narrativa do histórico episódio sobre Ioiô Maroto e a morte do coronel Gonzaga, narrada por sua autora, Marilourdes Ferraz, que nos conta: "... Apenas quatro meses depois do grande assalto à Água Branca o olho de lince de Virgulino mirou a riqueza de Luís Gonzaga Lopes Gomes Ferraz, residente em São José do Belmonte. Esse senhor gozava do apreço e admiração das pessoas da terra por sua capacidade de trabalho e probidade. Igual à imensa maioria dos sertanejos, teve um difícil começo na vida; foi almocreve e iniciou suas atividades comerciais junto a seu pai, Cândido, e ao seu irmão, João, ainda na vila de São Francisco. 

Quando ali não foi mais possível permanecer, os comerciantes partiram e entre eles estavam Gonzaga e Francisco Pita, mais conhecido por Chico Pita. Este, transformar-se-ia em industrial no agreste pernambucano, mas Gonzaga não foi tão longe, ficando ali mesmo no sertão, em São José do Belmonte, onde seria atingido pela violência na segunda quinzena de outubro de 1922. 

Ampliando suas atividades comerciais, Gonzaga conseguiu reunir bens consideráveis depois de longos anos de extenuante trabalho, movido pelo desejo de assegurar o futuro de sua família. Além de comerciante, era também fazendeiro, industrial, proprietário de uma usina de beneficiamento de algodão e de armazéns. Efetuava transações com couro de caprinos e com algodão, prestava assistência aos agricultores da região através de pequenos financiamentos e não se recusava a auxiliar parentes e amigos. Foi ele que ofereceu uma boa quantia como ajuda financeira para a construção da igrejinha de Nazaré. 

Família do Coronel Gonzaga (foto Valdir Nogueira)

Gonzaga há muito tempo vinha atendendo às exigências dos cangaceiros, fornecendo-lhes dinheiro, tecidos e objetos, para ser deixado em paz, até que sobreveio o incidente que o levou a cair no desagrado dos bandoleiros. Estava ausente de casa quando chegou um mensageiro com uma relação de pedidos a serem atendidos; sua esposa, indignada, negou-se a atender às exageradas solicitações, com um comentário final que o irritou: "Que fossem trabalhar como meu marido sempre o fizera". 

Antes mesmo desse episódio, ainda em maio daquele fatídico ano de 1922, parte do grupo de Sebastião Pereira, incluído Lampião, interceptou na estrada um comboio de tecidos para Gonzaga, proveniente de Arcoverde; a mercadoria foi arrebatada e fartamente distribuída entre os componentes do bando e moradores das proximidades a fim de silencia-los enquanto outra parte foi queimada. O comerciante sofreu com isso enormes prejuízos; depois disso, temendo outros assaltos e como medida de precaução, reuniu um grupo de homens armados para a sua segurança. Foi então que ocorreu outro fato desagradável. 


Cariri Cangaço em visita histórica à casa do coronel Gonzaga


O tenente Montenegro, comandante de uma força volante do Ceará que estava no encalço de Sebastião Pereira em terras pernambucanas, recebeu uma carta falsamente escrita em nome de Gonzaga,(vejam a segunda versão*) na qual se denunciava Crispim Pereira, mais conhecido por "Yoyô Maroto", como colaborador dos cangaceiros. Esse oficial, sem pistas ou sem informações sobre o grupo, foi levado a acreditar na carta-denúncia e antes de regressar ao Ceará passou pela casa de "Yoyô", procedendo a uma rigorosa arguição que levou "Maroto" a passar por sério vexame. 


Inconformado com o acontecido, Gonzaga logo entrou em contato com "Maroto" para explicar-lhe a sua inculpabilidade no caso. Este simulou acreditar na inocência de Gonzaga, tanto que dias depois lhe tomou emprestada uma máquina de descaroçar algodão. Foi nesse tempo que o comerciante resolveu dispensar o pessoal armado que se encontrava à sua disposição encarando com incredulidade um boato que então corria sobre um suposto ataque contra ele, promovido por seu compadre "Yoyô Maroto" juntamente com Lampião .  

Yoyô Maroto 

E o ataque aconteceu realmente. No dia 20 de outubro, às cinco horas da manhã, a residência de Gonzaga estava cercada por numeroso grupo de cangaceiros liderados por Lampião e "Yoyô Maroto". Gonzaga pelejou com todo empenho ouvindo os golpes de machados contra as portas, que foram arrebentadas. Quando os facínoras conseguiram entrar, Gonzaga refugiou-se no sótão, mas uma tábua do assoalho cedeu e ele caiu no meio da horda, que o liquidou friamente. Seguiu-se o saque, estendido a um armazém vizinho pertencente a Gonzaga; as mulheres da casa foram violentamente despojadas de suas jóias.  

Foi então que o cangaceiro Zé Terto, apelidado de "Cajueiro", vendo aquela situação constrangedora para as mulheres, reuniu-as num compartimento e postou-se à entrada em guarda, não permitindo que os companheiros tentassem outras violências. Aliás, era esse o comportamento habitual de "Cajueiro" durante os assaltos, proteger as mulheres contra ataques sexuais; dizia relacionar essa atitude com seus próprios sentimentos de respeito à sua mãe. 

Os cangaceiros aquartelados na casa invadida respondiam agora ao tiroteio do bravo sargento José Alencar de Carvalho, que mesmo enfermo estava à frente de seu pequeno destacamento composto por oito soldados, tentando impedir que o assalto se estendesse a outras casas e estabelecimentos comerciais. Também extraordinária foi a atuação do parente e vizinho de Gonzaga, Manuel Gomes de Sá; juntamente com os filhos, João e Antônio, também sustentou a resistência, disparando contra os cangaceiros desde o início. O bando não conseguiu suportar por muito tempo o tiroteio cerrado do famoso sargento Alencar e bateu em retirada; deixava três mortos (Antônio "da Cocheira", "Baliza¹" e "Berdo") e seis feridos (entre os quais "Yoyô Maroto" e Cícero Costa).  

Soldado Heleno

A facção contrária perdeu, além de Gonzaga, o soldado Heleno; houve um ferido, João Gomes de Sá. O trauma provocado pelo trágico desaparecimento de Gonzaga levou sua esposa, Martina, a retirar-se do sertão com sua família, fixando residência no Sudeste do país. Com ela seguiu a família de seu cunhado, João Lopes Gomes Ferraz. Gonzaga, que foi também prefeito de São José do Belmonte, deixou os seguintes filhos: José, médico na Marinha Mercante (falecido); Napoleão, químico (falecido); Laércio, funcionário do Banco do Brasil; Ramiro e Otacílio, dentistas; e as filhas Nair, Diva, Maria de Lourdes e Edy (as duas últimas falecidas)." 

¹ - Segundo Baliza (Dic. Biográfico Cangaceiros e Jagunços pg 66 - Renato Luís Bandeira

* A segunda versão:  

Já no livro de José Bezerra Lima Irmão, Lampião a Raposa das Caatingas, a tratativa entre Gonzaga e o tenente Montenegro deu-se não por causa de carta anônima, e sim por um conchavo, pois a política afasta até mesmo irmãos, quanto mais compadres. 


Nos tópicos "Lampião faz justiça à sua maneira" na pg 122 sobre o "Desagravo a loiô Maroto e a morte do coronel Gonzaga, o autor cita sua fonte no escritor Billy Jaynes Chandler em seu livro Lampião o rei dos cangaceiros.**


Desagravo a Ioiô Maroto — a morte do coronel Gonzaga 

"Dando seguimento ao seu projeto de vingança, o próximo passo de Lampião foi o cumprimento da promessa feita a Sinhô Pereira, com relação aos maus-tratos infligidos à família de Crispim Pereira de Araújo, conhecido como Ioiô Maroto. O episódio era ainda resquício das desavenças históricas entre as famílias Pereira e Carvalho. Ioiô Maroto, fazendeiro em Belmonte, Pernambuco, parente de Sinhô Pereira, havia tido um problema com o coronel Luís Gonzaga Gomes Ferraz (coronel Gonzaga), prefeito (intendente) daquela cidade, ligado à família Carvalho, porque, apesar de serem compadres e amigos, Ioiô votara contra sua chapa na eleição para prefeito. 

Aborrecido com o fato, Luís Gonzaga aproveitou o ensejo da passagem de uma força policial do Estado do Ceará que tinha andado por Pernambuco à procura de jagunços de Zé Inácio do Barro e fez um conchavo com o comandante, o tenente Peregrino Montenegro, para que a volante fosse à fazenda São Cristóvão, de Ioiô Maroto, e desse uma surra nele. Os soldados fizeram mais que isso: saquearam a casa, maltrataram o fazendeiro e fizeram propostas obscenas às mulheres da família. Ioiô, profundamente desgostoso, sentindo-se desmoralizado, deixou de ir à cidade, não tirava a barba nem cortava o cabelo.  


Lampião procurou Ioiô Maroto e disse ao que vinha. Maroto ponderou que não queria vingança, entregava tudo a Deus. Lampião insistiu: — Eu prumiti a Sinhô Perera que risurvia esse negoço, e vou risorvê. Vá tirá essa barba e corta esse cabelo, seu Maroto! Quero qui o sinhô vá cumigo, pra vê a coisa! Vão se arrependê do dia qui pensaro qui o sinhô nun era home! 



Sinhozinho Alencar

O coronel Luís Gonzaga, também conhecido como Major Gonzaga, além de fazendeiro era também comerciante, dono do maior armazém da cidade, vizinho da sua residência, na praça da igreja. Lampião entrou em Belmonte com uns 70 cangaceiros na madrugada de 20 de outubro de 1922. Levava em sua companhia o jovem Tiburtino Inácio de Sousa, vulgo Gavião, filho de Zé Inácio do Barro, amigo de todas as horas de Sinhô Pereira. Chovia muito. Gonzaga e os vizinhos acordaram com uns estrondos, que a princípio pensaram ser trovões — eram os cangaceiros derrubando o portão do muro e em seguida a porta da cozinha a golpes de machado. 


Um vizinho foi correndo avisar ao sargento José Alencar de Carvalho Pires, conhecido como Sinhozinho Alencar, tido como sujeito valente, dotado de uma pontaria invejável. Embora na cidade só houvesse 7 soldados, alguns moradores se juntaram à polícia e logo começaram a atirar dos telhados e janelas das casas próximas. Os primeiros a entrar na casa foram Livino e Cajueiro. Na sala de jantar, toparam com dona Martina, mulher de Luís Gonzaga. — Cadê o Majó Gonzaga? — perguntou Livino. — Tá aí... — respondeu a mulher, assustada. Os cangaceiros espalharam-se pela casa, vasculhando cada cômodo — casarão enorme, com um corredor central, quartos de um lado e do outro. 


Livino entrou no quarto do casal, olhou atrás da porta, debaixo da cama, escancarou os armários. Nada do homem. Ao ouvir um ruído no sótão, Livino subiu a escada, forçou a porta e meteu a cabeça para espiar lá dentro. Mas o sótão era muito escuro. Gonzaga, de pijama, com uma pistola Browning na mão, recuou para o fundo do compartimento. Por azar, uma tábua do assoalho arrebentou e ele estatelou-se no chão, na sala da frente. Com uma perna quebrada, ele entrou num quarto e tentou saltar a janela, mas foi agarrado e arrastado de volta à sala.   



Sótão de onde caiu o coronel Gonzaga


Ioiô Maroto aproximou-se manejando o rifle cruzeta. Gonzaga arregalou os olhos, levantou os braços, as mãos espalmadas e trementes, suplicando clemência. Ioiô deu-lhe três tiros — dois no coração e um no meio da testa. Lampião abaixou-se, tirou a aliança do coronel e enfiou nela o próprio dedo médio. Contemplou a valiosa joia e calculou: — Esta vale pelo meno um conto de réis... Jogou em cima do corpo roupas e lençóis, e tocou fogo. Dona Martina despejou um balde de água sobre o corpo, debelando as chamas, de modo que o morto ficou apenas chamuscado. 

Um cangaceiro chamado Vereda ia arrastando Abgail (Biga), filha de Gonzaga, para um quarto, mas foi impedido por Cajueiro: — Você nun vai fazê isso, Vereda, só se me matá premero. Quais foi as orde qui nóis recebeu? Depois disso, dona Martina e a filha foram postas na despensa, e o cangaceiro Fiapo foi encarregado de protegê-las até o momento da retirada." 

** A terceira versão: 

Trago agora para os amigos, a obra apontada pelo autor do livro Lampião: Raposa das Caatingas, como referência, essa é terceira versão que comento. Billy Jaynes Chandler em seu livro Lampião o rei dos cangaceiros, na referência que faz ao assassinato de Luis Gonzaga, diz que não se sabe ao certo se Maroto pediu a Lampião para - se vingar, ou se Lampião, ao ouvir o que tinha acontecido a seu amigo acorreu e induziu-o a agir, pois contam as duas histórias. Uma versão conta que Sebastião Pereira, antes de deixar o cangaço, pediu a Lampião, na despedida, para matar Gonzaga. 



"Lampião... Uns dois meses depois, matou, de novo, por vingança, desta vez em Pernambuco. Foi um dos crimes mais famosos do princípio de carreira, pois a vítima foi um chefe político muito conhecido, Coronel Luís Gonzaga de Souza Ferraz.*¹º 

Gonzaga, que morava na cidade Belmonte, em Pernambuco, perto da fronteira com Ceará, não era inimigo pessoal de Lampião, mas este ajudou a matá-lo, por causa do amigo, Ioiô Maroto.  


Maroto era parente de Sebastião Pereira, que um dos companheiros de Lampião no cangaço, enquanto que Gonzaga pertencia à família dos Carvalho, inimigos tradicionais de Pereira. Durante anos, Gonzaga viveu armando intrigas contra os Pereira, também morou em São Francisco, a cidade natal de Sebastião Pereira. Mas o que realmente provocou o assassinato, foram os maus tratos que Maroto sofreu nas mãos de uma força da polícia do Ceará, que tinha vindo para Pernambuco, para caça aos bandidos. Em Belmonte, o comandante fez amizade com Gonzaga. No caminho de volta ao Ceará, os soldados passaram por São Cristóvão, a fazenda de Maroto e o maltrataram, bem como à sua família. Além de saquear a casa e dependências, eles insultaram Maroto e fizeram propostas obscenas às mulheres da família. Maroto pôs a responsabilidade da afronta a Gonzaga."   


E continua Billy Jaynes: 

"Não se sabe ao certo se Maroto pediu a Lampião para - se vingar, ou se Lampião, ao ouvir o que tinha acontecido a seu amigo acorreu e induziu-o a agir, pois contam as duas histórias. Uma versão conta que Sebastião Pereira, antes de deixar o cangaço, pediu a Lampião, na despedida, para matar Gonzaga.  


Imagem atual da casa do Coronel Gonzaga

De qualquer modo, Lampião e Maroto, à frente de setenta homens, chegaram a Belmonte, uma pitoresca cidadezinha situada num planalto, numa região de serras, na madrugada do dia 20 de outubro. Ao entrarem na cidade ainda adormecida, pensaram que não precisavam se preocupar, pois haviam só sete soldados no destacamento da polícia. O bando então se encaminhou para a casa de Gonzaga, situada na praça principal. A futura vítima era um fazendeiro abastado, e homem de negócios, e seu armazém, o maior da cidade, ficava pegado à casa.  

É evidente que o assalto foi por vingança, mas uma vingança que trazia lucro. Ao tentarem entrar na casa, os cangaceiros foram recebidos à bala. Isto serviu para alertar a polícia e outras pessoas na cidade. Seguiu-se, então, um tiroteio que durou umas quatro a cinco horas. Quando terminou, Gonzaga estava morto e seu armazém tinha sido saqueado. Maroto estava vingado. Terminado o trabalho, o bando teve que abrir seu caminho à bala, porém, com vítimas: quatro ou cinco cangaceiros morreram. 

Maroto nunca pagou pelo crime. Na confusão que se seguiu, a polícia não estava em condições de processá-lo, e portanto, ele continuou a viver em paz, e bem protegido, na sua fazenda, a uns dez quilômetros da cidade. Quando as condições melhoraram e finalmente foi aberto um processo contra ele, deixou a região e se refugiou na casa dos Feitosa, em Inhamuns, Ceará. Os Feitosa tinham adquirido a fama de dar proteção aos fugitivos da lei, de mais prestígio. 

Coronel Luiz Gonzaga Ferraz

Alguns anos antes, mais ou menos em 1905, os Feitosa tinham também dado proteção a vários membros da família de Antônio Silvino, quando estavam sendo perseguidos pela polícia de Pernambuco. Seus descendentes, assim como os de Maroto, ainda vivem em Inhamuns. Os descendentes de Maroto se misturaram com os Feitosa."

* 10 - A narração da morte de Gonzaga se baseia principalmente numa entrevista com João Primo de Carvalho, Belmonte, 30 de julho de 1975. O Diário de Pernambuco deu uma pequena nota, no dia 21 de outubro de 1922. Ver também Wilson: Vila Bella P 338-340.  

Vemos assim três versões mais ou menos iguais, se complementando em informações, mas com alguns conflitos. Nessa avaliação não me arvoro em opinar o que está certo ou errado, pois sei que até mesmo grandes historiadores e pesquisadores, colhem suas investigações na procura da verdade, buscando-as nas indagações a pessoas que viveram à época ou que ouviram a história de quem esteve presente, também averiguando jornais, revistas, e livros, explorando e indagando. E que a mente humana é falha em guardar os acontecimentos ao longo dos anos que se passaram

Raul Meneleu, Pesquisador
Conselheiro Cariri Cangaco
Aracaju, Sergipe

Seminário das Academias Literárias de Sergipe 2019 Discute Cangaço !

Aconteceu na manha do ultimo sábado, 31 de agosto de 2019, tendo como anfitriã a Academia Gloriense de Letras e na Câmara de Vereadores de Nossa Senhora da Glória, a V edição do Seminário das Academias Literárias de Sergipe - V SALS, evento que reuniu representantes de várias academias sergipanas.

 José Bezerra Lima Irmão, Tancredo Wanderley e Rangel Alves da Costa
 José Bezerra Lima Irmão

O principal tema do encontro foi o Cangaço, tendo três mesas compostas por grandes pesquisadores reconhecidos nacionalmente sobre a temática. A primeira mesa, teve como protagonistas os pesquisadores e escritores, José Bezerra Lima Irmão e o Conselheiro Cariri Cangaço, Rangel Alves da Costa com Tancredo Wanderley, mediador. A segunda, trouxe a expressão do Cangaço na literatura de cordel, tendo como palestrantes o Conselheiro Cariri Cangaço, Manoel Belarmino, além de Gilmar Ferreira, Salete e Jorge Henrique.A terceira mesa trouxe o tema "Cangaço Amanhã" com a participação de pesquisador e escritor Robério Santos e contou com mediação de Solange da Gama.
Manoel Belarmino
Archimedes e Elane Marques, Rossi Magne e José Bezerra 
Conselheiros Archimedes e Elane Marques, representando o Cariri Cangaço
 Robério Santos e Rossi Magne
Além das mesas de debates houve também a apresentação da Bienal do Livro de Itabaiana pelos pesquisadores e escritores Domingos Pascoal e Antonio Saracura. Tendo também o poeta Santo Souza sendo homenageado pela professora Anabi e por Gilmar Ferreira.
Dentre as instituições presentes estavam: Academia Sergipana de Letras, Academia Gloriense de Letras, Academia Aquidabãense de Letras, Cultura e Artes, Academia Tobiense de Letras, Academia Japaratubense de Letras, Cultura e Artes, Academia Cristinapolitana de Letras e Humanidades, Academia de Letras Brasil/Suíça Núcleo Internacional Sergipe, Academia Sergipana de Cordel, Academia Brasileira de Cordel, Academia de Letras de Aracaju, Academia Literária do Amplo Sertão Sergipano, Academia Estanciana de Letras, Academia Dorense de Letras, Academia Barracoqueirense de Letras e Artes, Academia Groairense de Letras, Academia Canideense de Letras e Artes, Academia Maruinense de Letras, Academia Riachuelense de Letras, Academia Estudantil de Sergipe, Academia Literária de Vida, Movimento Via Láctea, além do Conselho Consultivo do Cariri Cangaço, representado pelos Conselheiros, Elane e Arquimedes Marques, além dos conferencistas, Rangel Alves da Costa e Manoel Belarmino.
V Seminário das Academias Literárias de Sergipe - V SALS