Cinzas de Antônio Amaury Depositadas no Leito do Velho Chico , o Último Adeus no Cariri Cangaço Piranhas 2022

Dia Histórico: João de Sousa Lima, Carlos Elydio, Manoel Severo... 
e o ultimo adeus a Antônio Amaury no Cariri Cangaço Piranhas 2022

Quis o destino que o último adeus ao grande pesquisador e escritor do cangaço, Antônio Amaury Correa de Araújo, tivesse como palco o seu amado sertão, como cenário o território abençoado das caatingas nordestinas e como principal protagonista as águas caudalosas do Velho Chico. Eram cerca de 9 horas e 30 minutos da manhã do dia 30 de julho do ano da graça de 2022,  quando o universo Cariri Cangaço testemunhou ; entre as margens sergipanas e alagoanas do Rio São Francisco; o momento solene quando Carlos Elydio; filho de Amaury; ao lado de Manoel Severo, curador do Cariri Cangaço e de representantes dos mais destacados grupos de estudos do cangaço do Brasil; depositou as cinzas do gigante imortal paulista de alma nordestina, no leito do rio que ele tanto amou... Mais de 300 pesquisadores deram seu último adeus a Antônio Amaury numa manhã histórica e memorável.

Antônio Amaury, em essência, recebe o último adeus do sertão que ele tanto amou...
Momento histórico e memorável... Parte Antônio Amaury para mais uma extraordinária jornada nas caudalosos aguas do Velho Chico.
Manoel Severo exalta a memória de Antônio Amaury, Carlos Elydio deposita respeitosamente as cinzas de seu pai no leito do rio São Francisco.


O Mestre...

Amaury Corrêa de Araújo nasceu em 22 e de novembro de 1934 na cidade de Boa Esperança do Sul - SP, filho de Elydio Corrêa de Araújo e Benedicta Abib Araújo. Teve sua formação acadêmica em Belas Artes e Odontologia na cidade de Araraquara, onde também se casou no ano de 1961 com dona Rene Maria Tavares de Araújo. Mudou-se para São Paulo, onde teve os filhos Antônio Amaury, Carlos Elydio e Sérgia Rene (que viria a lhe dar dois netos, Henrique e Marcelo). Em São Paulo exerceu a profissão de cirurgião dentista tanto no consultório particular como chefiando as equipes de dentista de alguns sindicatos (Congas, construção civil e condições de veículos do transporte público de São Paulo). Produziu farto material sobre seus estudos, publicados em mais de 14 livros, cordéis, filme, documentários, ora como autor, ora como consultor. Proferiu um incontável número de palestras, sendo um incentivador de todos aqueles que manifestassem interesses nessa seara. Morreu aos 86 anos nessa mesma cidade de São Paulo, sendo reconhecidamente um dos maiores pesquisadores da historiografia do cangaço, tendo produzido um incomensurável número de entrevistas com as fontes primárias dessa saga.

"Mestre, segundo o "Aurélio" significa: Professor de grande saber e nomeada, o que é versado em qualquer ciência ou arte, oficial graduado de qualquer profissão... Para mim, Mestre é tudo isso e mais: É aquele que coloca a alma, o coração e todos os seus talentos e esforços, naquilo em que acredita, naquilo pelo qual tem paixão, naquilo que faz o "olho brilhar". Abraços, cumprimentos, como vai esse ou aquele...o tempo está assim, aliás: assado... Os amigos , o governo, os transportes, as manifestações da praça da república, e... "Cangaço"! Pronto, os olhos daquele espetacular paulista de alma sertaneja começaram a brilhar; sem dúvidas, estava diante do Mestre."
Manoel Severo, curador do Cariri Cangaço, durante um de seus últimos encontros com Antônio Amaury, em São Paulo em Setembro de 2015.

Cataramarã Delmiro Gouveia conduz doutor Amaury para mais uma jornada...

A Razão...

Quando se estava construindo a agenda Cariri Cangaço para o ano de 2022, estabelecidas as sedes onde iriam ser realizados os eventos presenciais pós pandemia; Paulo Afonso, Piranhas e Serra Talhada; surgiu a imperiosa necessidade de homenagear o pesquisador e escritor Antônio Amaury Corrêa de Araújo, falecido ainda em 26 de fevereiro de 2021. Dessa forma, Manoel Severo, curador do Cariri Cangaço, entrou em contato a família, através de Carlos Elydio, filho de Amaury, para compartilhar o desejo do Cariri Cangaço e confirmar a agenda em que seria prestada a justíssima homenagem, foi quando Carlos Elydio confidenciou o desejo de que as cinzas de seu pai, fossem depositadas no território amado por ele e no qual passou boa parte de sua vida: O sertão do nordeste, a região  do baixo São Francisco, o leito do Velho Chico.

João de Sousa Lima, Carlos Elydio, Manoel Severo, Jacqueline e Celsinho Rodrigues
Manoel Severo, Jacqueline e Celsinho Rodrigues, Kydelmir Dantas, Leandro Cardoso, 
Padre Agostinho e Narciso Dias
Padre Agostinho e as Bênçãos sacerdotais
Carlos Elydio, guardião das cinzas e da memória do pai...

"A emoção diante da revelação nos encheu de entusiasmo por ter a oportunidade de junto à família e a tantos amigos de tantos rincões brasileiros; admiradores do doutor Amaury, de seu trabalho e de sua paixão e entrega pelo tema cangaço; testemunharmos esse momento histórico e memorável para a historiografia do cangaço: depositar as cinzas do doutor Amaury no leito do rio São Francisco, ainda por cima, dentro de uma programação do Cariri Cangaço, empreendimento que ele, doutor Amaury, era um verdadeiro entusiasta desde seu primeiro momento. E assim logo a Comissão Organizadora do Cariri Cangaço Piranhas, tendo a frente nosso Conselheiro Celsinho Rodrigues, começou a preparar todas as providências logísticas para concretizarmos o sonho, e o dia chegou, eram por entre nove e nove e meia da manhã do sábado, 30 de julho de 2022, quando solenemente, Carlos Elydio, tendo como testemunhas, mais de 300 convidados, depositava as cinzas do Mestre no velho Chico" fala um emocionado Manoel Severo.   

"Quando Severo me falou que iríamos realizar esse momento extraordinário das cinzas do Dr Amaury aqui no Cariri Cangaço Piranhas, com muita alegria e honra, imediatamente  começamos a nos movimentar para planejar a melhor forma de prestar essa última homenagem, pensamos em cada detalhe para que tudo pudesse correr bem e daí com a ajuda de Severo e do Conselho; com Dr Leandro Cardoso, Ângelo Osmiro, como também o Luiz Ruben; que não pôde comparecer; fizemos uma agenda completa de homenagem ao grande pesquisador, com conferências sobre sua vida, sua obra, as repercussões, enfim, além da Comenda de "Personalidade Eterna do Sertão" entregue nessa mesma noite pelos representantes dos Grupos de Estudos;  dali nasceu a agenda em homenagem ao Dr Amaury no Cariri Cangaço Piranhas" afirma o Conselheiro Celsinho Rodrigues.

Espaço Angico
Convidados às margens do velho Chico
Homenagem e o último adeus a Antônio Amaury

O Último Adeus...

Sábado, dia 30 de julho de 2022, com o sol já se posicionando como principal testemunha do que iria ocorrer, o horário marcado para a concentração e saída do Catamarã Delmiro Gouveia; uma cortesia da MFTur; do porto de Piranhas rumo ao momento onde teríamos o ato solene das cinzas, foi de 8 da manhã. Pouco a pouco pesquisadores, admiradores, convidados de todo o Brasil que lotavam a cidade de Piranhas, começaram a chegar. Perto das 9 da manha partiram o Catamarã com lotação esgotada e mais outras embarcações para atenderem ao grande público presente.

As Bênçãos por Padre Agostinho, tendo o sertão por testemunha...
Carlos Elydio depositas as cinzas do pai no leito do rio São Francisco
As cinzas de Antônio Amaury são acolhidas pelas águas do rio São Francisco 
e se tornam um

Exatamente no ponto estabelecido de partida para a Trilha do Angico, a embarcação atracou, os convidados e demais participantes foram convidados a desembarcar e acompanhar o momento histórico e solene das margens do rio. De nosso lado esquerdo o estado das Alagoas, do direito, o estado de Sergipe, e daí sob as orientações do curador do Cariri Cangaço, Manoel Severo, as bênçãos de Padre Agostinho, as presenças dos representantes da SBEC, Leandro Cardoso; do GECC, Ângelo Osmiro, do GPEC, Narciso Dias, o protagonismo principal de seu filho, Carlos Elydio e o testemunho de centenas de admiradores, as cinzas de Antônio Amaury Correa de Araújo foram recebidas pelas águas da integração nacional, ali, sob o aplauso de uma legião de fãs; o rio e Amaury se tornaram um... 

 Doutor Amaury permanece entre nós...

"No primeiro momento efetivamente sozinho após as tocantes homenagens ao meu pai Antônio Amaury, estava contemplando o Baixo São Francisco e evocando memórias de sua obra. Evocava as primeiras e fortes impressões acerca de Piranhas e Delmiro Gouveia passadas pelo documentário que deu início ao Globo Repórter, “O Último Dia de Lampião”, baseado no seu primeiro livro “Assim Morreu Lampião” tomaram a criança de 10 anos pela curiosidade e deslumbramento quando sou trazido ao presente, olhando na direção da grota do Angico, sobre o Velho Chico, um carcará que sobrevoava solitário, destacando-se no cenário. As primeiras palavras que pude ler de seus trabalhos, quando ele convida os leitores a se imaginarem um carcará sobrevoando esse mesmo lugar, vieram a mim com aquela sua voz calma, incisiva que convidava a todos a escutarem com interesse tudo quanto dizia. E nesse momento em que nos deparamos com os mistérios da vida e da morte, tive a visceral sensação de sua presença e sua benção na figura daquele ave altaneira. Não tenho como traduzir a profundidade desse momento e creio mesmo que só compreenderei isso ao longo dos anos vindouros. Que eu tenha competência e capacidade para cuidar e dar continuidade ao seu legado" Carlos Elydio...

Festa do Cariri Cangaço nas despedidas a Antônio Amaury
Flávio, Washington, Fábio Villa, João de Sousa e Kiko  Monteiro
Caravana de Paranatama
Gilmar Teixeira, Ciço do Pife e Pedro Popoff
Jacielma Silva e Louro Teles
Damata Costa, João e Arusha Kelly

"Testemunhamos nesta manhã, aqui no Cariri Cangaço Piranhas , a maior de todas as homenagens ao grande pesquisador e escritor Antônio Amaury, um dia histórico com um momento inesquecível que a todos emocionou, nos resta a lembrança do grande pesquisador e amigo que por tanto tempo esteve ao nosso lado nas veredas das pesquisas do cangaço" revela o Conselheiro Cariri Cangaço, João de Sousa Lima.

"É como Severo falou, é o encontro da essência do doutor Amaury com a terra e o rio que ele tanto amou, sem dúvidas ver tantos amigos, de todos os lugares do Brasil, admiradores, pesquisadores, escritores respeitados compartilhando esse momento ao lado do Carlos Elydio, foi muito emocionante" , diz Luma Holanda, pesquisadora e escritora, Conselheira do Cariri Cangaço.

Cariri Cangaço, Território de Grandes Encontros
Ângelo Osmiro e Carlos Elydio
Marcus Vinicius, Beto Patriota, Jorge Figueiredo, Carlos Elydio, Luma Holanda, 
Célia Maria e José Alcântara
Vilson da Piçarra, Luiz Ferraz, Antônio Lima, Joaquim Pereira, Clênio Novaes, 
Ricardo Beliel, Luiz Antônio e Julierme Wanderley
Sertão Nordestino, Conselheiro Jorge Figueiredo
Ivanildo Silveira, Luma Holanda, Ciço do Pife e Ricardo Beliel

"Não temos palavras para traduzir essa manhã do Cariri Cangaço Piranhas. Essa homenagem à memória do doutor Amaury, a presença de seu filho, nosso amigo Carlos Elydio, toda a solenidade das cinzas no São Francisco, memorável. Doutor Amaury lá do céu com certeza esta muito feliz por reencontrar o chão e as águas do nosso sertão" fala o Conselheiro Cariri Cangaço Ivanildo Silveira.

"Nós que fazemos o Conselho do Cariri Cangaço e eu particularmente também representando o GPEC - Grupo Paraibano de Estudos do Cangaço, nos sentimos honrados por participarmos desse momento histórico. Acho que nunca houve uma concentração tão grande de pesquisadores e escritores de temas nordestinos como nesse Cariri Cangaço e em especial nesse momento aqui às margens do velho Chico. Todos guardarão na memória e poderão dizer a seus netos que estavam aqui no dia de hoje" confessa Narciso Dias, presidente do GPEC.

"A homenagem de meu companheiro Rafael Ramos ao meu pai"
diz Carlos Elydio sobre a Urna que acolheu as cinzas de Antônio Amaury.

A urna que serviu de depósito às cinzas de Antônio Amaury foi entregue por Carlos Elydio na noite do dia 30 de julho, ao secretário de cultura da cidade de Piranhas-AL, Eduardo Clemente, para que fique exposta
no Museu do Sertão.

João de Sousa Lima e Manoel Severo
Nerizângela Silva
O último adeus...
João de Sousa Lima, Celsinho Rodrigues e Fabio Villa

"...Aqui na “Lapinha do Sertão”, a graciosa cidade de Piranhas -AL, o epicentro da derrocada do cangaço, paraíso natural do Baixo São Francisco, terra de bons encontros e da última viagem que fiz com meu pai. Nesse pouso fui recebido tão acolhedoramente, de braços abertos pelo querido Celsinho Rodrigues e sua amabilíssima mãe Jaqueline que, juntamente com o grande curador do Cariri Cangaço, Manoel Severo, que me possibilitaram realizar a missão de entregar as cinzas do maior e mais longevo pesquisador da historiografia do cangaço nas águas do Rio da Integração Nacional, junto ao pequeno porto da fazenda Angicos -Poço Redondo. Um rio que, como ele, veio do Sudeste fertilizando a cultura sertaneja com seus estudos aprofundado por essa paixão que mobilizou sua Vida. Ele, que foi titulado, merecidamente, como cidadão piranhense, agora flui, como seus livros e suas memórias no coração e ensinamentos que tantos indivíduos brilhantes agregou ao seu redor. Sua generosidade, desprendimento e entusiasmo proporcionaram a mim receber, em seu nome, uma enxurrada de gratidão, reconhecimento, carinho e admiração de tantos quantos foram tocados pela sua existência verdadeiramente significativa. Pude, finalmente, junto de seus muitos amigos e admiradores chorar a sua morte para essa vida e festejar seu renascimento para a imortalidade daqueles que, não sendo egoístas e mesquinhos, compartilham seus conhecimentos e aprendizados com o povo" testemunha Carlos Elydio.

Conselheiro Cariri Cangaço Pedro Popoff; 
com 16 anos, o mais jovem conselheiro do Cariri Cangaço
Dantas Suassuna
Gilmar Teixeira, Carlos Elydio e Luma Holanda
Valdir Nogueira, Dantas Suassuna, Leandro Cardoso e Kydelmir Dantas

O Conselheiro Cariri Cangaço, Leandro Fernandes, sobre a partida de doutor Amaury: "Lembrei-me do verso de Fernando Pessoa: “A morte é só a curva da estrada/Morrer é não ser visto”. A construção da nossa eternidade começa aqui e agora, e só sucumbe à morte os que se dão ao esquecimento. Morrer é ser esquecido. Disse em versos Francisco Otaviano: “quem passou pela vida em branca nuvem/e em plácido repouso adormeceu/(...) foi espectro de homem, não foi homem/ só passou pela vida e não viveu”. E nesse ponto, meus amigos, confrades e confreiras, Antônio Amaury foi exemplar. Viveu plenamente um sonho profícuo, com extensa frutificação, cujas sementes foram espalhadas pelos bons ventos da arte, da beleza e do conhecimento."

Odilon Nogueira e Conselheiro Bismarck Oliveira
Conselheiro Jair Tavares e Mestre Folheteiro Jurivaldo
Cariri Cangaço e a Alma Nordestina no ultimo adeus a Antônio Amaury

"Paulista, Antônio Amaury, é um dos maiores pesquisadores da vida de Lampião e da história do cangaço, há mais de 60 anos em busca de informações sobre o assunto realizou muitas entrevistas (com pessoas da sociedade, do cangaço e das forças policiais da época e familiares remanescentes). Suas pesquisas minuciosas, diretas, imparciais, fazem-no um autêntico mestre, criterioso e honesto. Nos anos 70, tornou-se conhecido em todo o Brasil ao participar do "Programa 8 ou 800", da TV Globo, respondendo sobre o assunto. Tem vários livros publicados sobre o assunto, entre eles: “Lampião: Segredos e Confidências do Tempo do Cangaço”; “Assim Morreu Lampião”; “Lampião: As Mulheres e o Cangaço”; “Gente de Lampião: Dada e Corisco”; “Gente de Lampião: Sila e Zé Sereno”; “De Virgolino a Lampião”; “O Espinho do Quipá” (estes dois últimos em co-autoria com Vera Ferreira, neta de Lampião); “Lampião e Maria Fumaça” (co-autoria com Luiz Ruben F. de A. Bonfim, de Paulo Afonso – BA); “A Medicina e o Cangaço” (em co-autoria com Leandro Cardoso Fernandes, de Teresina – PI). Seu trabalho mais recente é “Lampião e as Cabeças Cortadas”, também em co-autoria com Luiz Rubem Bonfim. É também Sócio-fundador da União Nacional de Estudos Históricos e Sociais – UNEHS.

Célia Maria e Conselheiros Cariri Cangaço-GPEC: Quirino, Narciso Dias, Bismarck Oliveira, João de Sousa Lima, Luma Holanda e Emmanuel Arruda
Carlos Elydio e Narciso Dias
Conselheiro Cariri Cangaço Leandro Cardoso

"Doutor Amaury possuía fortes ligações com o Cariri Cangaço, desde o nosso começo, desde de nossa primeira edição ainda no ano de 2009 como um de nossos principais incentivadores e apoiadores, sendo figura principal dentre todos os ilustres convidados deste que já se prenunciava como um dos maiores eventos já realizados sobre a temática cangaço. Ao longo de todos esses anos de Cariri Cangaço, tivemos sempre a honra e o grande privilégio de contar com o Mestre Antônio Amaury ao lado de seu filho Carlos Elydio em incontáveis de nossas agendas, sendo referência na pesquisa e estudo da temática cangaço, tê-lo na família Cariri Cangaço sempre foi uma enorme honra coroada hoje com essa maravilhosa despedida, reunindo incontáveis amigos de todo o Brasil, no chão que ele aprendeu a amar e dentro de uma programação do Cariri Cangaço, sem palavras..." revela Manoel Severo, curador do Cariri Cangaço.

Momento de Homenagem ao pesquisador Antônio Amaury Corrêa de Araújo, solenidade de entrega de suas cinzas ao leito do Rio São Francisco. 
Margens, Sergipana e Alagoana, 30 de julho de 2022 Piranhas - Alagoas - Nordeste do Brasil.

Fotos: Louro Teles, Ricardo Beliel, Heldemar Garcia e Helinho Santos

Memórias Sangradas chega ao Cariri Cangaço Piranhas 2022

Ricardo Beliel no Cariri Cangaço Piranhas 2022

A segunda noite do Cariri Cangaço Piranhas 2022 marcou o momento alto do lançamento da extraordinária obra do pesquisador e fotojornalista premiado, o carioca Ricardo Beliel. Com o auditório do Centro Cultural Miguel Arcanjo lotado, no centro histórico de Piranhas, para um plateia que reuniu pesquisadores de vários estados brasileiros, Ricardo Beliel e Luciana Nabuco, puderam apresentar o livro e contar de suas inesquecíveis experiências no transcorrer da pesquisa pelos muitos rincões de nosso sertão, tendo como resultado uma obra prima tanto no zelo com o fragmento histórico, quanto pela beleza incomum e plástica das fotografias.

A espetacular obra de Beliel: Memórias Sangradas, no Cariri Cangaço Piranhas 2022...
Manoel Severo, Luciana Nabuco e Ricardo Beliel

Ricardo Beliel no Cariri Cangaço Piranhas 2022

Manoel Severo, curador do Cariri Cangaço, apresentou Ricardo Beliel e sua esposa, também pesquisadora, jornalista, escritora, ilustradora talentosa, a acreana Luciana Nabuco, Luciana abriu a conferência falando da essência da obra e dos muitos sentimentos que acabaram fazendo parte da construção de "Memórias Sangradas"...

"O livro Memórias Sangradas, vida e morte nos tempos do cangaço é um lindo trabalho de mais de 14 anos, com 125 fotografias e no texto depoimentos diversos e a experiência pessoal do autor em busca de seus personagens em seus próprios ambientes originais são apresentados através de uma narrativa como um diário de viagem. Foram realizadas nove viagens no período de 2007 a 2019 nas regiões dos sertões de Alagoas, Pernambuco, Bahia, Sergipe, Rio Grande do Norte, Ceará, São Paulo e Minas Gerais para a coleta de materiais narrativos e imagéticos de míticos cangaceiros, coiteiros e volantes e alguns de seus descendentes" , lembra Beliel.

Manoel Severo e Luciana Nabuco
Ricardo Beliel

E continua o autor: "onze mil quilômetros foram percorridos, em grande parte em precárias estradas do interior sertanejo, resultando no encontro com quarenta e três personagens. São eles que guardam relatos importantes relacionados à história do cangaço - ocorridos na primeira metade do século XX - em quarenta e nove localidades – palco de lutas, amizades, emboscadas, amores e massacres entre cangaceiros, volantes, jagunços, coronéis e camponeses; um mundo sertanejo que está se extinguindo nas suas tradições orais."

"Em cada personagem testemunha-se esse fluxo da memória e do esquecimento, onde os encontros nas pesquisas de campo revelaram uma potente e épica narrativa das memórias pessoais que envolvem tradições e lugares. Os personagens entrevistados, em sua grande maioria pessoas quase centenárias, possuem uma riqueza assemelhada ao mistério da terra. Personagens de um ciclo da história do Brasil que aqui resgatamos para que não fiquem no esquecimento, como pedras silenciosas no meio do caminho." Conclui Ricardo Beliel.

 "Memórias Sangradas, vida e morte nos tempos do cangaço"
de Ricardo Beliel

A mesa da conferência contou ainda com a participação preciosa e as análises abalizadas dos Conselheiros Cariri Cangaço; Carlos Alberto da Silva de Natal, Rio Grande do Norte, que apresentou uma reflexão sobre o contexto histórico e as repercussões da obra de Beliel, e Kiko Monteiro da cidade sergipana de Lagarto, que nos trouxe a importância e a preciosidade artística do trabalho do grande fotografo que é Ricardo Beliel.

Para Manoel Severo, "foi uma noite impressionante, verdadeiramente rica, o trabalho de Ricardo e Luciana é simplesmente fantástico. Trata-se de uma casal cheio de talento, afeto e uma capacidade de trabalho descomunal, daí não poderia ser diferente, nasceu "Memórias Sangradas". Lançamos em Fortaleza em maio e agora para nossa honra, dentro de uma de nossas programações, para nós é uma grande honra".

Conselheiro Cariri Cangaço, Carlos Alberto da Silva e o contexto histórico da Obra de Beliel
Conselheiro Cariri Cangaço, Kiko Monteiro e a importância e a preciosidade artística do trabalho do grande fotografo Ricardo Beliel.
Kiko Monteiro, Ricardo Beliel, Luciana Nabuco, Manoel Severo e Carlos Alberto

Para Celsinho Rodrigues; Conselheiro Cariri Cangaço e presidente da Comissão Organizadora em Piranhas: "mais uma noite ímpar. Testemunhar uma conferência como essa do Beliel e da Luciana, trazendo detalhes tão magníficos da concepção, da pesquisa e da realização desse trabalho excepcional foi um grande presente a todos que estavam no Miguel Arcanjo nessa noite, sensacional, e o livro Memorias Sangradas já nasce grande, um clássico. E além disso, nós da cidade de Piranhas ainda tivemos uma segunda alegria que foi a participação nessa mesma noite da apresentação deste jovem Piranhense, Lucas Gonçalves, que trouxe aos presentes seu trabalho de conclusão de curso, mais uma vez o fenômeno cangaço se faz presente no trabalho dos jovens e o Cariri Cangaço, como sempre, dando o apoio incondicional a esses futuros pesquisadores e escritores".

Manoel Severo e Lucas Gonçalves
Celsinho Rodrigues; Conselheiro Cariri Cangaço e presidente da Comissão Organizadora em Piranhas ao lado de Lucas Gonçalves

Lançamento do Livro "Memórias Sangradas, vida e morte nos tempos do cangaço" - de Ricardo Beliel e Luciana Nabuco - Centro Cultural Miguel Arcanjo, 29 de julho de 2022 Piranhas - Alagoas - Nordeste do Brasil.

Ricardo Beliel é graduado em Jornalismo (FACHA) e pós-graduado em Fotografia nas Ciências Sociais (UCAM), em Comunicação e Políticas Públicas (UFRJ) e em Teoria e Prática da Educação de Nível Superior (ESPM). Foi professor na Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), na Universidade Estácio de Sá e no Ateliê da Imagem. Também foi jurado do Prêmio PETROBRAS de Jornalismo, em 2018. 

Ricardo Beliel iniciou seu interesse pelas artes quando foi aluno do curso de Gravura, ministrado por Fayga Ostrower, Ana Letycia e Ruddy Pozzati, no MAM do Rio de Janeiro e no Centro de Estudos de Arte Ivan Serpa. Em 1973 começa a fotografar, trabalhando com músicos como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Egberto Gismonti e O Terço. Em 1976, entra para o jornalismo como fotógrafo contratado do jornal O Globo, passando depois pela Manchete, Placar, Fatos e Fotos, Veja, Isto É, agência F-4, Manchete Esportiva, Jornal do Brasil, Greenpeace e O Estado de São Paulo. Foi editor de Fotografia da revista Manchete e subeditor no jornal Lance, do qual participou da equipe fundadora. Durante seis anos, fez parte da agência GLMR & Saga Associés em Paris, produzindo reportagens fotográficas na América Latina e na África. Como jornalista e fotógrafo independente tem trabalhos publicados em Grands Reportages, Figaro Magazine, Time, National Geographic, Victory, San Francisco Chronicle, Houston Chronicle, Colors, Geo, La Vanguardia, Los Tiempos, Ícaro, Terra, Próxima Viagem, Marie Claire, Época, Vice, Nova Escola, Placar, Angola Hoje, entre outras revistas e jornais. 

Recebeu da Organização Internacional de Jornalistas o prêmio InterPressPhoto e da Confederação de Jornalistas da União Soviética o prêmio Alexander Rodchenko, ambos em 1991. Foi finalista cinco vezes do Prêmio Abril de Jornalismo, sendo vencedor em três anos consecutivos. Em 1997, foi finalista no Prêmio Esso de Jornalismo, com uma reportagem sobre a expedição da Funai para estabelecer o primeiro contato pacífico com os índios Korubo, na floresta amazônica. Participou de 99 exposições em locais como Kunsthaus, em Zurique; Museo Carillo Gill, na cidade do México; Museo de Bellas Artes, em Caracas; Centro Cultural Banco do Brasil, Centro Cultural Telemar, Museu de Arte do Rio/ MAR e Centro Cultural Justiça Federal, no Rio de Janeiro; e Museu de Arte de São Paulo. Beliel tem obras nos acervos do Museu de Arte do Rio/MAR, do Museu Afro Brasil / SP e da Biblioteca Nacional. 

Sobre a Grota do Angico: 2011 - 2022 Elucidação e Memória do Cangaço Por:Carlos Alberto

Debate Cariri Cangaço 2022 na Grota do Angico

Vindo e radicado no Rio Grande do Norte, têm-se uma grande expectativa em conhecer, historicamente, os fenômenos sociais do Sertão nordestino, entre outros, o cangaceirismo e de seus agentes peculiares: Jesuíno Brilhante, Antônio Silvino, Sinhô Pereira, Chico Pereira, Lampião e outros.

E um dos pontos de memória repleto de significados é a Grota do Angico, localizada em Poço Redondo-SE, ou melhor, local de falecimento de Lampião, Maria Bonita e mais nove cangaceiros e cangaceiras, além, de um membro de volante, em 28 de julho de 1938.

Carlos Alberto na Trilha do Angico: Cariri Cangaço Piranhas 2022

Afirma-se, que, o Cariri Cangaço proporcionou conhecer personagens inerentes ao fenômeno, pesquisadores, cenários, versões históricas e fazer amizades.
Reafirma-se do privilégio de participação, como espectador, do terceiro Cariri Cangaço, em 2011, no Crato-CE, especificamente, no auditório do SESC e observar a mesa de discussão, cujo, o tema era o enigma da Grota do Angico, formada por pesquisadores renomados: Amaury Corrêa, Alcino Costa, Sabino Bassetti, Paulo Gastão, Aderbal Nogueira e Manoel Severo.

No terceiro Cariri Cangaço, no Crato-CE, em 2011, especificamente, no auditório do SESC, uma mesa histórica sobre os acontecimentos da Grota do Angico, em 28/07/1938, a partir da esquerda: Amaury Corrêa, Aderbal Nogueira, Sabino Bassetti, Manoel Severo, Alcino Costa e Paulo Gastão. Foto do Cariri Cangaço.

Outro grande privilégio foi de participar do Cariri Cangaço, em Piranhas-AL, em 2022, especialmente, “descer” o rio São Francisco numa embarcação coletiva, na observação do ritual solene das cinzas de um dos maiores memorialistas do cangaço: Amaury Corrêa e serem depositadas nas águas do velho Rio sertanejo e de unidade nacional; depois, trilha adentro, e, novamente, chegar a um dos marcos do fim do cangaço.
Ritual solene das cinzas de um dos maiores memorialistas do cangaço: Amaury Corrêa no leito do São Francisco no Cariri Cangaço Piranhas 2022
Ver, ouvir e acompanhar uma aula de campo sobre o acontecido em 1938, nas palavras de Ivanildo Silveira, Leandro Fernandes e Kydelmir Dantas, no tocante à geografia do lugar, tática, estratégia e ação militares; pois, os explanadores utilizaram acessórios de banners: com mapas e croquis, de forma didática para facilitar o entendimento dos presentes, aliás, num grande número de espectadores.

Debate Cariri Cangaço 2022 na Grota do Angico
Portanto, através, do Cariri Cangaço, concernente à Grota do Angico, naquela exímia mesa do Crato, em 2011; e, a aula de campo, no próprio cenário, em 2022, entrarão, para a memória do cangaço de forma protagonista e definitiva.
Assim seja...

Carlos Alberto da Silva, Pesquisador e Conselheiro Cariri Cangaço-Natal - RN
O Cariri Cangaço Piranhas aconteceu entre os dias 28 e 30 de julho de 2022 na cidade ribeirinha de Piranhas, baixo São Francisco, no estado de Alagoas, nordeste do Brasil.

Seminários Cariri Cangaço - Grande Visibilidade Cultural à Disposição da Literatura, do Cordel e do Artesanato Por:Célia Maria

Célia Maria, multiartista, pesquisadora, cordelista e o Estandarte do Cariri Cangaço

Podemos observar nos encontros promovidos pelo Cariri Cangaço um verdadeiro compartilhamento da história através de seus Seminários. Além da fraternidade que se verifica entre seus participantes, permite-se, sem restrição, o debate de temas ligados à cultura e às artes inerentes ao cangaço, promovendo assim o resgate dos verdadeiros valores da cultura nordestina e em Piranhas não foi diferente.

É facultada aos escritores, historiadores e pesquisadores de diversas áreas culturais, uma abertura especial para lançamento e exposição de suas obras junto à mídia e à comunidade, além da exibição e comercialização de produtos artesanais ligados ao cangaço, manufaturados genuínos de cada região.

Novidades literárias que expressam a verdadeira história que permeou a vivência de nossos antepassados, principalmente no início do século XX, com as peripécias de Lampião, ou ainda assuntos diversos, de relevância ao nosso conhecimento, dentro e fora do tema cangaço. 

Não é a toa que o vasto acervo existente sobre o fenômeno social “Cangaço” no Nordeste, que ora circula pelas bibliotecas de todo o mundo, teve uma grande parcela de suas obras lançadas e gabaritadas através dos seminários Cariri Cangaço, que desde o ano de 2009 chancelou o lançamento de mais de 80 obras literárias:  fabulosa para a preservação cultural do nosso povo e, sobretudo, para o desenvolvimento da nossa educação.  

Célia Maria; pesquisadora, cordelista, artesã, multiartista - João Pessoa- Paraíba
O Cariri Cangaço Piranhas aconteceu entre os dias 28 e 30 de julho de 2022 na cidade ribeirinha de Piranhas, baixo São Francisco, no estado de Alagoas, nordeste do Brasil.

NOTA CARIRI CANGAÇO: Célia Maria, nossa embaixadora do Cariri Cangaço, membro do GPEC - Grupo Paraibano de Estudos do Cangaço, forma ao lado do Capitão Quirino, Conselheiro Cariri Cangaço, um dos casais mais queridos de nossa confraria. De um talento incomum para a literatura de cordel, dança e artesanato, é a responsavel pela criação e confecção do Estandarte do Cariri Cangaço, peça indispensável que solenemente se apresenta em todas as nossas edições a partir de nossa festa de 10 anos.