Serra do Umbuzeiro: Ponto culminante de Paulo Afonso Por:João de Sousa Lima

João de Sousa Lima no alto da Serra do Umbuzeiro

Uma das visões mais lindas da região de Paulo Afonso encontra-se na Serra do Umbuzeiro.A Serra tem 507 metros de altura à nível do mar e é 259 metros mais alta que a cidade de Paulo Afonso que tem 248 metros a nível do mar.A Serra é cercada por histórias e povoados por onde Lampião passou, sendo ela uma das mais famosas trilhas do Rei do Cangaço.Logo na sua subida encontra-se o conjunto arquitetônico de Dona Generosa, uma das maiores coiteiras de Lampião e onde o Rei do Cangaço fazia seus famosos bailes.Descendo a Serra chega-se a casa de Maria Bonita.Descendo pelo outro lado temos a casa da cangaceira Durvinha, no povoado Arrasta-Pé.Logo após a casa de Generosa temos a Lagoa do Mel, lugar onde Lampião fez o famoso tiroteio com a volante do tenente Arsênio e nesse combate perdeu seu irmão mais novo, o Ezequiel. A Lagoa do Mel situa-se no povoado Baixa do Boi. Ainda na subida da Serra próximo a casa de Generosa encontramos a cruz de Zé Pretinho, assassinado pela polícia como coiteiro de Lampião. Na Serra também foi onde Lampião escondeu a metralhadora do tenente Arsênio que encontrava-se inutilizável por está faltando uma peça tirada pelo tenente antes de sua fuga. O coiteiro que encontrou a metralhadora e a entregou a polícia tomou uma surra de "bimba de boi", esse foi seu pagamento pela boa ação.

As formações rochosas da subida da Serra do Umbuzeiro são verdadeiros espetáculos da natureza.no seu cume um cruzeiro marca o lugar que se realiza peregrinações e orações.Um dos mais belos por do sol nordestino.


O fotógrafo João Tavares e João de Sousa Lima escalando a Serra
Ricardo Cajá e João Lima na subida da Serra.
O Cruzeiro e a maravilhosa vista do alto da Serra.

Para agendar um visitação e a escalada da Serra do Umbuzeiro, Paulo Afonso conta com ótima estrutura de transportes e hospedagens, além de equipe de guias que realizarão um ótimo excelente trabalho de acompanhamento.ATENDTOUR - 75-9143-6895 ou 8865-2432 (Eduardo Cruz)
Obs: Todas as fotos postadas aqui são do renomado fotógrafo João Tavares.


Cangaceiros de Elise Jasmin Por:Cicinato Neto

Ivanildo Silveira e Cicinato Neto em dia de Cariri Cangaço

Em 2006, foi publicado o livro "Cangaceiros", da francesa Élise Jasmin. Trata-se de uma edição de luxo, trazendo as fotos conhecidas dos cangaceiros e dos principais componentes de volantes. A maioria das fotos é do acervo de Benjamim Abraão, da década de 1930. Quase todas as fotografias são comentadas pela autora. Destaque para um escrito introdutório do mestre Frederico Pernambucano de Mello. O livro ressalta-se pela beleza e pelo cuidado na sua edição, embora tenha pequenos defeitos, entre os quais a indicação errônea de alguma fotografia ou de algum detalhe como o nome de um cangaceiro.

Estrutura: Texto de Frederico Pernambucano; A Guerra das Imagens; Fotografias de Cangaceiros e componentes das volantes; Comentários sobre as imagens. 

Trecho significativo (edição utilizada: São Paulo, Terceiro Nome, 2006, p. 23-24):
"Enquanto seus predecessores tinham feito de sua existência no cangaço um meio de obter vingança, após 1926 - e, mais especificamente, a partir dos anos 1930 - o grupo de Lampião fez do cangaço um meio de adquirir bens materiais, riquezas, e uma notoriedade que lhe permitia obter respeito de parte da classe abastada da sociedade do sertão e de algumas personalidades da vida pública e política da região. Embora muitos jornalistas fizessem questão de demonstrar desprezo por um grupo de indivíduos que se limitavam a imitar a sociedade do litoral, Lampião e seus cangaceiros exerciam sobre eles certo fascínio, gerado por essa mistura de riqueza, extravagância e barbárie. E, mesmo a contragosto, os jornalistas desempenhariam seu papel, publicando muitas fotografias e falando recorrentemente desses personagens de romance. Não foi por acaso que, em 1936, Lampião aceitou ser fotografado - e, principalmente, filmado - por Benjamim Abrahão. Sempre desconfiado dos jornais que publicavam artigos sobre ele cujo conteúdo não podia controlar, Lampião certamente compreendeu que as fotografias e o filme de Benjamim Abrahão lhe permitiriam impor uma imagem sobre a qual nenhuma intervenção, nenhuma distorção seria possível. E se, por um lado, diversos autores e jornalistas divertiam-se evocando a inabilidade de sua linguagem, que evidenciava suas origens camponesas, sua representação fotográfica e cinematográfica, muda e incontestável, deveria mostrar claramente seu sucesso e o de seu grupo. Benjamim Abrahão desempenhou seu papel e pagou caro: morreu em Águas Belas, Pernambuco, no dia 9 de maio de 1938, com 42 golpes de faca".

Cicinato Neto 
http://cicinato.blogspot.com/

O sertão: da caatinga, dos santos, dos beatos e dos cabras da peste


Por conta das comemorações do seu sétimo aniversário, o Museu Afro Brasil – instituição da Secretaria de Estado da Cultura do Estado de São Paulo – está expondo, até o dia 1º de abril de 2012, uma grande mostra:

“O sertão: da caatinga, dos santos, dos beatos e dos cabras da peste”. 

A exposição exibe aproximadamente 800 obras, entre pinturas, esculturas, gravuras, ex-votos, roupas, fotografias, instalações e documentos, reproduzindo o ambiente no qual vive o homem do sertão nordestino. Entre tantas obras em exibição chama a atenção dos visitantes as vestimentas do Beato José Lourenço, líder da comunidade do Caldeirão de Santa Cruz do Deserto, localizada no município de Crato, além de fotos do acervo da Aba-Filme com retratos do Beato Antônio Conselheiro, do Padre Cícero e da Beata Maria Araújo.

Fonte: Coluna Armando Rafael / www.blogdocrato.blogspot.com




O Museu Afro Brasil é uma instituição pública, subordinada à Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo e administrada pela Associação Museu Afro Brasil - Organização Social de Cultura.

O Museu conserva um acervo com mais de 5 mil obras, entre pinturas, esculturas, gravuras, fotografias, documentos e peças etnológicas, de autores brasileiros e estrangeiros, produzidos entre o século XV e os dias de hoje. O acervo abarca diversas facetas dos universos culturais africanos e afro-brasileiros, abordando temas como a religião, o trabalho, a arte, a diáspora africana e a escravidão, e registrando a trajetória histórica e as influências africanas na construção da sociedade brasileira.



O Museu Afro Brasil é um museu histórico, artístico e etnológico, voltado à pesquisa, conservação e exposição de objetos relacionados ao universo cultural do negro no Brasil. Localiza-se no Parque do Ibirapuera, em São Paulo, no "Pavilhão Padre Manoel da Nóbrega" – edifício integrante do conjunto arquitetônico do parque projetado por Oscar Niemeyer na década de 1950. Oferece diversas atividades culturais e didáticas, exposições temporárias, conta com um teatro e uma biblioteca especializada.



Inaugurado em 2004, o Museu Afro Brasil nasceu por iniciativa de Emanoel Araujo, artista plástico baiano, ex-curador da Pinacoteca do Estado de São Paulo e atual curador do museu. Em 2004, Araújo - que já tentara frustradamente viabilizar a criação de uma instituição voltada ao estudo das contribuições africanas à cultura nacional - apresentou a proposta museológica a então prefeita de São Paulo, Marta Suplicy. Encampada a ideia pelo poder público municipal, iniciou-se o projeto de implementação do museu. Foram utilizados recursos advindos de patrocínio da Petrobrás e do Ministério da Cultura (Lei Rouanet).



Para formar o acervo inicial, Emanoel Araujo cedeu 1100 peças de sua coleção particular em regime de comodato. Ficou decidido que o museu seria instalado no Pavilhão Padre Manoel da Nóbrega. A 23 de outubro de 2004, o Museu Afro Brasil foi inaugurado, na presença do Presidente Luís Inácio Lula da Silva e de outras autoridades.


Para conhecer, visite: http://www.museuafrobrasil.org.br/

Dona Isaura e o Cangaço Por:João Paulo

João Paulo, Severo e Manoel Moura

No início de 2009, na busca das memórias de N. Sra. das Dores (SE), tive a oportunidade de conhecer a senhora Isaura Lopes Clementino. Estava em busca de memórias do cangaço, capítulo da história nacional e local que ecoa até hoje, mesmo decorridos 73 anos da morte de seu maior ícone (28 de julho de 1938), Virgulino Ferreira da Silva (1898-1938) - o Lampião, e do início do declínio do movimento.



No auge dos seus quase 100 anos de lucidez e demonstrando forte ligação com o tema, dona Isaura nos relatou, em várias conversas desde então, fatos que elucidam algumas das mais importantes dúvidas que existiam na história do cangaço em terras dorenses, em especial no que diz respeito à relação mantida entre o “rei do cangaço” e o Coronel Vicente Ferreira de Figueiredo Porto (1876-1949), o Figueiredo da Tabúa, do qual o pai da nossa personagem (João Clementino) foi homem da mais alta confiança, confiança atestada pelo saudoso cirurgião dentista Eduardo de Andrade Porto (neto do coronel) em entrevista ao Projeto Memórias no ano de 2006.



Esta pernambucana de Triunfo, que desde os 15 anos reside no município de Dores, nos relatou que a vinda da família Clementino a Sergipe está intimamente relacionada à Lampião, já que o mesmo determinou a João, seu genitor, que desse cabo da vida do vizinho, Pedro Quelé, que havia lhe dado “aborrecimento”. Diante da negativa de João Clementino, justificada pela boa relação que mantinha com o vizinho de propriedade e compadre, o mesmo passou a ser ameaçado de morte por Virgulino, o já temido e afamado Lampião. A decisão de sair de Triunfo para evitar que o cangaceiro desse fim a sua família, a qual Clementino resistiu mas fora aconselhado por um irmão que dava coito a Lampião, veio após o recebimento de uma carta assinada pelo próprio cangaceiro, que em forma de ameaça dava o ultimato: “corre corre minha burrinha, tu corre mais do que eu, vai dizer a João Clementino que o Pedro Quelé morreu”.

Após curto período no estado de Alagoas a família de dona Isaura desembarcou no Cajueiro, N. Sra. das Dores (SE), onde seu pai e seu irmão (Pedro Clementino) se tornaram empregados do Coronel Figueiredo. Foi nessa propriedade que, tempos depois, os Clementinos se veriam novamente envolvidos na história do cangaço.

No fim dos anos 1930, pouco antes da chacina de Angicos, a fazenda Cajueiro foi invadida por um grupo de cangaceiros liderado por José Ribeiro Filho (1913-1981), o Zé Sereno, e desejosos de extorquir dinheiro do Coronel. Diante da negativa, houve serrado tiroteio, que só não resultou na morte de Figueiredo graças à ajuda e coragem de Pedro Clementino. Continua ...

João Paulo Araújo de Carvalho
historiador, mestre em História, professor e colaborador do Projeto Memórias - Dores -SE -  contato: joaopaulohistoria@gmail.com

Segredos da Natureza Por:Josenir Lacerda

Imperdível !

Hoje as 20 horas no SESC Crato,
lançamento de
Segredos da Natureza
Josenir Lacerda e João Nicodemos
Não perca!

NOTA CARIRI CANGAÇO: Aos amigos Josenir Lacerda e João Nicodemos, o nosso afetuoso abraço de celebração; pelo talento, pela perseverança e pelo amor à arte às nossas mais singelas manifestações de nordestinindade.

Acredito nas pessoas...sempre vai valer a pena Por:Manoel Severo

...sempre vai valer a pena !

Quando estamos dispostos a fazer, mesmo que uma simples reflexão a cerca do que representa a comunicação, vamos nos deparar sem dúvida nenhuma com uma das mais concretas constatações: Que maravilha ! Na verdade a comunicação é um grande presente de Deus; para quem acredita em Deus; eu, não só acredito, como respeito e amo. Pois sim; voltando à comunicação; esse instrumento maravilhoso que é o presente da comunicação, concede sentido à vida, torna tudo mais prazeroso, compartilha idéias, conhecimentos, impressões, aproxima sentimentos, pessoas, vidas, almas.

A internet entrou de vez na vida de todos, em menor ou maior grau, acabamos todos fazendo parte de uma grande e universal família, onde as distancias e as limitações geográficas foram deixadas para traz e essa tão cantada "comunicação" agora não conhece fronteiras. Os emails, as redes sociais, os sites, blogs, portais, enfim; acabaram no colocando em um mesmo caldeirão.

Nosso humilde espaço cariricangaco.com  nessa fantástica globosfera digital, também nasceu com esse sentimento: congraçamento, encontro, celebração. Congraçamento, encontro e celebração de uma grande família, a família Cariri Cangaço de todo o planeta. Por aqui passam e se abancam todos, grandes e  anônimos pesquisadores, escritores de uma, duas ou mil palavras, curiosos, atentos, desatentos, amantes e amados, tanta gente, que passaria o dia tentando adjetivar.


Aqui, nosso objetivo principal não é trazer apenas a informação, mas, e sobretudo, é traduzir sentimentos. Muitos não compreendem isso e até se aborrecem. Lamento. Não vamos abrir mão de dizer que adoramos e torcemos por nossos amigos, não vamos abrir mão de dizer a todo instante que vale a pena acreditar nas pessoas, em suas qualidades, em seus talentos e acima de tudo em seus sonhos... E que aqui, é e sempre será um lugar onde todos podem, e devem sentir-se em casa.

Apreciar ou não um estilo literário, concordar ou não com um texto, assimilar ou não uma idéia, acreditar ou não em um relato, são próprios da condição e da dinâmica de nossa racionalidade, intelectualidade, convicções, é o que faz a vida ter sabor; as diferentes cores do arcoiris é que fazem no céu o espetáculo. Infelizmente ainda temos companheiros que não conseguem perceber que não há mais espaço...nem tempo, para o terrível desperdício da vida !


Aqui temos grandes textos, matérias e artigos sensacionais, mas quando postamos um pequeno recado, um simples comentário que seja, uma fotografia de um ou de muitos, juntos e misturados, solitários ou sorridentes, na verdade queremos dizer: Que saudade ! Saibam que estão e estarão sempre em nosso coração e que essa nossa caminhada em defesa da história, memória e tradições de nosso chão, das nossas raízes, vale a pena.

Por favor, compreendam que esse espaço foi construído; apesar de nossas inúmeras e enormes insuficiências; com o sentimento de harmonia e união, amamos nossos amigos e estamos aqui apenas por eles: E  são muitos; uma média de 1.100 visitas por dia; assim, em respeito a esses mesmos amigos, esse blog permanecerá sempre com a mesma linha de quando foi criado: Despretensiosamente leve, responsável e respeitoso, abrangente e acima de tudo, apaixonado por seus leitores.

Manoel Severo 
Curador do Cariri Cangaço

Bonessi, um coração de ouro !

Caro Amigo Severo, importante são tuas colocações sobre a Comunicação. Um tema profundo e para sérias reflexões. A comunicação na natureza extrapola os nossos sentidos. Todos os seres se comunicam. O leão, considerado a fera mais perigosa, ruge de amor. Todos os animais se comunicam de uma maneira ou de outra. Saber, entender e decodificar os sinais de comunicação transmitidos entre os seres é algo espetacular. Os seres humanos desde a pré-história deixaram desenhados em cavernas alguma forma de comunicação para serem interpretadas pelas futuras gerações. O surgimento das diversas línguas deu-se, segundo a Bíblia, na construção da Torre de Babel, uma alegoria referente a prepotência do homem mortal em querer alcançar a Deus. O trinado dos pássaros, gorjeios e arrulhos são manifestações de alegrias e de amor. O barulho das ondas do mar, os ruídos das águas que despencam em cascatas, os trovões das nuvens carregadas, os estrondos das lavas de um vulcão que sobem as alturas – tudo isso podem ser interpretados como um forma de comunicação. Se os seres humanos não sabem se comunicar como deviam, não se entendem, como fazer para que o progresso da humanidade não sofra com os diferentes tipos de comportamentos humanos ?

Para isso Deus é perfeito em tudo e nos deu a consciência como tribunal mundano, um coração e um pensamento para nos comunicarmos com ele. O coração e o pensamento não só servem para nos comunicar com Deus, mas também com todas as coisas que nos rodeiam, principalmente com outras pessoas, daí a importância de enviarmos a todos os nossos amigos e amigas pensamentos bons, de amor, de paz, de prosperidade e de amizade. Nada se perde na natureza e tudo fica registrado no grande livro do destino e da vida, até mesmo os nossos pensamentos- livro esse que após a nossa morte será aberto, lido e contabilizado entre bem e mal, e cujo conteúdo se bom ou ruim selará nosso destino para sempre.

Temos vistos pessoas rotuladas como místicas, videntes, religiosas, poderosas- que adivinham a vida e o destino das outras pessoas, mas não adivinham o seu - a subirem montanhas para se harmonizarem, para entrarem em contado com Deus- eu simplesmente dou risadas para isso. Ora, se Deus se comunica conosco pelo pensamento e mora no interior do nosso coração, para que sair do lugar de onde estou ? – Onde eu estiver, seja qual seja a minha condição e situação, a Felicidade, a Alegria e a Paz estarão sempre ao meu alcance – e Deus estará sempre presente. Se Deus está no interior de cada coração, então somos todos iguais perante Deus; se todos os corações estão harmonizados com Deus infinito, então somos um com criador.

Deus é amor, e portanto, somos amor - todos devemos praticar o amor e deixar de lado as vaidades, as antipatias, as ganâncias, os maus pensamentos, e distribuir o amor, a alegria e a felicidade porque:“o amor é a única coisa que se multiplica, quando se divide” (Bonessi). Então meus amigos, quando vires alguém orgulhoso, vaidoso, prepotente porque detém algum cargo publico mundano, ou é abastado de riquezas materiais, ou porque escreveu vários livros, se julga sábio, e pensa que está acima de todos – tenham pena dele – porque com certeza essa pessoa está afastada de Deus. “ mestre é aquele que aprende e não o que ensina” - “quando o discípulo está pronto, o mestre aparece” - Quem tem Deus no coração é amigo sincero, divide o conhecimento com o único objetivo de engrandecer a cultura das pessoas, reparte de bom agrado aquilo que sabe, esclarece as mentes que estão duvidosas direcionando-as ao caminho certo, estende a mão amiga a quem precisa e socorre com atenção quando se é procurado – exemplo de Jesus – sabendo pela virtude que “cada alma que se eleva, eleva o mundo”.

Saber se comunicar é uma arte, e assim como o artista busca exprimir em seu trabalho a perfeição, o escritor em seus escritos, o poeta em seus versos, os amigos em suas amizades, o Cariri Cangaço procura nos unir ao redor de um ponto de luz nesse mundo de trevas e aflição: esse ponto de Luz chama-se Manoel Severo e sua brilhante obra.Assim Seja.

Alfredo Bonessi – SBEC - GECC




Doutor Amaury , pesquisador, escritor e gentleman Por:Sousa Neto

Antônio Amaury e Sousa Neto

Desde muito tempo recebi do amigo Leandro Cardoso um convite a ir a São Paulo visitar o mestre Antonio Amaury, em minha opinião, o maior expoente nacional no estudo da temática cangaço. A receptividade do ilustre casal Amaury e Renê já era propalada por todos como irreparável e sem igual.Procurei nessa ultima edição do Cariri Cangaço me aproximar mais dessa figura tão inspiradora e gentil e beber um pouco dessa fonte sublime. Foi ai que recebi do próprio o convite para fazer uma visita a sua casa e conhecer o seu vasto acervo.


Aproveitando-me de uma viagem do amigo Leandro e família a São Paulo fiz as malas e parti. Não pude suportar a ansiedade e antes mesmo da chegada do amigo Leandro lá estava eu a bater a porta daquele homem manso e Cortez.  Foi para mim um privilegio indescritível ouvir daquele que tanto me inspirou dizer: “Sousa Neto quanta honra recebê-lo em minha casa”. Parecia não está acreditando.Durante alguns dias em São Paulo a tarde era sagrada, lá estava-mos na casa do Dr. Amaury que abriu além do seu coração, a sua série de mais de sete mil entrevistas feitas durante cinco décadas. Entre tantas, Leandro e eu pedimos para ouvir Sinhô Pereira e Cajueiro (Seu Francisco e Quinzão) foi arrebatador! Jamais pensei ouvir a voz desses dois personagens tão estudados por mim.

Sousa Neto, Antônio Amaury e Dr. Leandro Cardoso Fernandes

Buscamos ver ainda algumas obras raras, objetos da coleção do grande pesquisador. Tudo estava a nossa disposição como afirmava esse gentleman, esse paulista mais nordestino que conheci. Foi realmente inesquecível! Agradáveis tardes em São Paulo ao lado de dois formidáveis escritores.Quero aproveitar e fazer aqui um agradecimento ao Dr. Leandro Cardoso, pessoa extremamente carismática e em especial ao nosso anfitrião Dr. Antonio Amaury por nos dar esse prazer inolvidável.  

Caro Severo e amigos do Cariri Cangaço; desse encontro algo vai nascer. Preparem-se para conhecer ainda mais a Saga de Sinhô Pereira por Dr. Antonio Amaury, Dr. Leandro Cardoso, Dr. Napoleão Tavares e Sousa Neto.



Um abraço a todos!
Sousa Neto

Luiz Gonzaga e Lampião Por:Arievaldo Viana

Ilustrações: Rafael Lima Verda

A figura lendária de Lampião fascinava Luiz Gonzaga desde a infância. Em meados da década de 1920, quando o Rei do Cangaço passou com seu bando pela Serra do Araripe rumo a Juazeiro do Norte, o futuro Rei do Baião desejou ardentemente conhecer o temível bandoleiro e, quem sabe, tocar algumas músicas para a cabroeira dançar. O velho Januário, mais sensato e comedido, resolveu ouvir os apelos de Santana e foi se refugiar no mato com a família, com medo dos cangaceiros. Outras famílias fizeram o mesmo.

Se estabeleceram sob uns pés de oiticica, fizeram um foguinho de trempe para cozinhar o feijão e esquentar o café, enquanto as coisas se acalmassem. O que aconteceu a seguir, eu descrevo em cordel, trechos de um livro que acabo de lançar pela coleção “Do Nordeste para o mundo”, coordenada por Arlene Holanda, intitulado “Luiz Gonzaga, o embaixador do sertão”. A obra, vencedora de um prêmio literário promovido pela Secult, acaba de ser lançada pela Editora Íris.



O EMBAIXADOR DO SERTÃO (trechos)

Certa feita Lampião
Passou lá no povoado
O povo da região
Ficou muito apavorado,
Seguia pra Juazeiro
O cangaceiro afamado.



As famílias se esconderam
Com medo de Lampião
Januário e sua gente
Arrumaram o matulão
E foram se esconder
Sob um pé de “sombrião”.



Passados então dois dias
O Gonzaga disse assim
Eu vou lá no povoado
Ver se a coisa está ruim
Eu vou e volto escondido
Podem confiar em mim.

Nisto o velho Januário
Que admirava a coragem
Lhe disse: – Vá com cuidado
Pela margem da rodagem
Observe o movimento
E faça breve viagem.

Luiz foi, observou,
Lampião tinha saído,
Ele que era travesso
Um molequinho enxerido
Voltou em grande carreira
Fazendo um grande alarido:



- Corre gente! Corre tudo
Que Lampião vem chegando!!!
Com mais de cinqüenta cabras
Já vem se aproximando!
Foi enorme a correria
E a meninada chorando.

A rir dessa confusão
Gonzaga então começou;
Mas o velho Januário
Daquilo desconfiou
E devido a brincadeira
Um castigo ele levou.



Foi uma surra e tanto, conforme o próprio Gonzaga declarou mais tarde ao escritor Sinval Sá, autor de “O sanfoneiro do Riacho da Brígida”, a primeira biografia do ‘Lua’, publicada em Fortaleza em 1966.

A roupa dos cangaceiros, aqueles chapéus de couro vistosos, cheios de medalhas e penduricalhos era o que mais fascinava o menino Gonzaga. Por isso, depois de consolidar sua música e projetar-se em todo o Brasil, Luiz Gonzaga cismou de se apresentar na Rádio Nacional vestido de cangaceiro, o que lhe valeu uma séria advertência do diretor Floriano Faissal. Advertência não, proibição sumária.

Mas Gonzaga era teimoso e continuou usando o seu chapéu de cangaceiro nas capas dos discos, nas fotos promocionais e em tudo que era show onde se apresentava. Sua persistência prevaleceu e o figurino incorporado por ele passou a ser imitado por quase todos os cantores do gênero que surgiram nas décadas de 1950 a 1970.

Arievaldo Viana
Texto publicado na revista Nordeste Vinteum

Chapéu de Aba Virada

veja.abril.com.br
gustavoserrate.wordpress.com

Tudo bem, tudo bem, que coisa!! 
Vez por outra acabamos encontrando; mesmo depois de muito tempo; uso para os famosos "chapéis de aba virada" lançados no sertão pelo Rei do Cangaço e imortalizado no mundo pelo Rei do Baião...

Produção Cariri Cangaço

Compadre, me diga aí.....

Baú da Memória !


Onde estamos ? Que dia é esse e o que estamos fazendo ? Com a palavra: Danielle Esmeraldo, Rodrigo Sampaio, Dra. Francisquinha, João de Sousa Lima, Rubinho, Eloisa Farias, Dra. Maria Amélia, Antônio Galdino, Gonzaga de Garanhuns, Aninha, Lily e Alberto Lima...
Se tem mais alguém que quer arriscar... basta dizer . Comenta aí !!

Um monumento aos acontecimentos de Angico Por:Wescley Rodrigues

Wescley Rodrigues

Acabo de ler o livro “Lampião – Sua morte passada a limpo”, dos pesquisadores José Sabino Bassetti e Carlos César de Miranda Megale. Confesso que me surpreendi com a qualidade e a riqueza da obra. Como apaixonado pelo cangaço, que fez dessa paixão objeto dos meus estudos históricos, tenho acompanhado há alguns anos a produção bibliográfica que é publicada sobre a temática, e tenho que confessar que me surpreendo como estamos envoltos por obras extremamente pobres, repetitivas e, por vezes, que distorcem os acontecimentos criando causos e inverdades. Mas essa é a dinâmica do mercado, notoriedade, fama, e a possibilidade de alimentar o ego com o “título” de escritor.

No entanto, a referida obra, na minha opinião, se enquadra no seleiro das melhores já produzidas sobre o tema cangaço e, consequentemente, sobre o fatídico amanhecer de 28 de julho de 1938, dia em que o “Rei do Cangaço” teve a sua morte decretada, como também o cangaço recebeu seu golpe certeiro que levaria a desintegração e o seu extermínio posteriormente.

A priori pensava o que poderia apresentar de novidade naquelas páginas, haja vista tanto já ter sido falado a respeito de Angico e nenhuma conclusão palpável ter se chegado, sendo questionado até mesmo a morte de Lampião, a única certeza que poderíamos ter. Mas ao abrirmos as páginas dos livros, os nossos olhos vão passeando por uma narrativa extremamente rica, gostosa, e fácil. Sem teorias mirabolantes, sem conjecturas sem fundamentos, os autores vão trazendo versões e questionando a veracidade de tudo o que já foi dito usando para isso simplesmente a razão, despojando-se do seu amor pela temática e comprometendo-se com a verdade.

Ângelo Osmiro, Narciso Dias, João de Sousa, Wescley Rodrigues, Ivanildo Silveira e Antônio Vilela, no Cariri Cangaço 2011

Presenteiam-nos com uma obra rara que condensa toda a discussão que ao longo desses 73 anos vem desafiando a história com os seus caminhos tortuosos, suas lacunas e perguntas sem respostas. As versões vão emergindo naturalmente, e com a maestria dos escritores eles conseguiram retirar dessas conjecturas as próprias contradições que desqualificariam a versão.

Acredito que a razão foi o ponto fulcral da obra, o olhar dos pesquisadores não se voltaram para o “achismo”, não se deixaram levar pelos depoimentos puro e simplesmente, mas questionaram as fontes, problematizaram, usaram métodos distintos para chegar a resolução dos problemas, exemplo que deve ser seguido por qualquer pesquisador do cangaço antes de lapidarem as suas obras, pois só através dos pressupostos do método historiográfico com crítica as fontes, fidelidade aos objetivos, imparcialidade, despojamento do amor pela temática, por mais difícil que isso seja, conseguiremos construir obras sólidas, que não só encantem o leitor, mas traga a tona a verdade, ou pelo melhor a verossimilhança do acontecido. Só assim vamos construindo o conhecimento e esclarecendo cada vez mais as tortuosas lacunas que ainda teimam em nos desafiar.

Prof. Ms. Wescley Rodrigues Dutra
Brasília - DF

Inácio e João, cabras da peste! Por:Manoel Severo

O ex-volante Inácio Ferreira Lima

Certamente todos os apaixonados pelo tema cangaço já conhecem o trabalho e o talento do pesquisador e escritor João de Sousa Lima. Pernambucano de São José do Egito, adotou e foi adotado pela bela Paulo Afonso e a partir dali descobriu sua verdadeira paixão. Com um faro incomum, próprio dos "inquietos", esse incrível rastejador se embrenhou pela caatinga baiana, pelo sopé das serras e beira de riachos e de repente olha o "hôme" trazendo mais e mais novidades sobre o universo do Cangaço. Foi assim com Maria Bonita, Aristéa, Durvinha e Moreno, a família de Lídia, enfim, e agora, esse farejador de relíquias nos apresenta: Inácio Ferreira Lima. Parabéns João, você é mesmo um cabra da peste !

João de Sousa Lima e Inácio Ferreira Lima 

Inácio Ferreira foi um dos soldados que participou do combate que faleceu o cangaceiro Cacheado e foi fotografado com a cabeça do cangaceiro na frente da cadeia de Jeremoabo. Inacio Ferreira Lima reside em um dos povoados de Jeremoabo, Bahia, ele foi soldado das volantes de Odilon Flor, tenente Santinho e Zé Soares.


Em breve teremos essa reportagem
lançada em vídeo.

João de Sousa Lima

Manoel Severo