O Grande Combate de Serra Grande Parte 1 Por:Manoel Severo

Louro Teles, João de Sousa Lima, Manoel Severo e Afrânio Gomes; no Cariri Cangaço

Serra Grande sem dúvidas é um dos episódios mais marcantes de todo o ciclo do cangaço nordestino, o combate épico, que envolveu mais de 400 atores, entre volantes e cangaceiros, entrou para a história como o maior embate de todo o cangaço. A Serra Grande abrange os municípios de Calumbi, Flores e Serra Talhada, mas tem o cenário do combate localizado no atual município de Calumbi, antigamente pertencente a Flores. E é em Calumbi que vamos encontrar mais um valoroso vaqueiro e rastejador da história: Lourinaldo Teles.

Pesquisador zeloso e dedicado, o conhecido "Louro Teles" vem ao longo de sua vida se debruçado principalmente sobre os principais combates do cangaço, dentre eles: Serra Grande e Serrote Preto. Convidamos a todos a acompanhar a primeira parte da empreitada de Louro Teles e entender melhor esse que foi o maior combate do cangaço: O combate da Serra Grande.

"Lampião preparou a emboscada de Serra Grande cerca de 30 dias antes do combate..."


Louro Teles na Serra Grande

Em breve a segunda parte !!!

Fonte do Vídeo: Youtube

Vem aí a FLIBO


A Feira Literária de Boqueirão - FLIBO é realizada pela ABES  -Associação Boqueirãoense de Escritores, é um evento anual que conta com o apoio do poder público, universidades, instituições culturais, empresas privadas e ainda núcleos e academias literárias. Contempla vários segmentos culturais, tais como: música, teatro e especialmente a LITERATURA; agita o setor turístico, como hotéis e pousadas, além de bares e restaurantes, durante os três dias de evento.

Na sua quinta edição, o evento prima pela periodicidade e pelo compromisso de envolver a comunidade do município de Boqueirão e de cidades circunvizinhas, através de projetos realizados com as escolas durante todo o ano letivo, começando em março e culminando em novembro, quando da realização da 5º FLIBO, no projeto "Minha Escola na Flibo".

A 5ª Flibo terá como atividades principais: palestras, oficinas, mini-cursos, bate-papo com autores, Saraus, lançamentos literários, contações de estórias, teatro de fantoches, "de repente, poesia" e ainda MPB na Praça, além de, é claro, muita POESIA!


Venha, participe!
http://flibopb.blogspot.com.br/

Nota Cariri Cangaço: A Flibo acontece no município de Bouqueirão, região metropolutana de Campina Grande em nosso querida Paraíba.

Crônica para Luitgarde... Por: Renato Casimiro


 
Renato Casimiro, Manoel Severo e Luitgarde Barros

Boa Tarde para Você, Luitgarde Oliveira Cavalcanti Barros. Como a 43 anos já passados e vividos, será muito prazeroso, logo mais, abraçá-la neste reencontro durante a abertura do IV Simpósio Internacional sobre Padre Cícero, aqui no Memorial.Será inevitável, Luitgarde, que me ocorram velhas lembranças desde aquele dia, numa manhã ensolarada de domingo, na residência de Mons. Azarias Sobreira, em Fortaleza, quando dele recebi a incumbência para protegê-la e facilitar-lhe a vida nas pesquisas a caminho do Juazeiro.


O que foi possível fazer desde então, varou este novo século, carregando para a atualidade uma maravilhosa vivência de nossas famílias, de tantas outras famílias deste Cariri, em torno da memória e das histórias destas nossas terras.Pena que o tempo abateu do nosso convívio um grupo numeroso de gente maravilhosa que fazia este relacionamento, velhas e amadas criaturas, guardiãs da tradição e de afetos que marcaram definitivamente os nossos trajetos curiosos.


Agora você está de volta, aos apelos intransferíveis dos que partilharam grandes emoções, trabalhos e reflexões acadêmicas, para revisitar os caminhos antigos. E aí, jagunça? (para lembrar-lhe o apelido posto e merecido, do seu velho colega docente de faculdade, Darci Ribeiro), que ânimo ainda lhe traz a esta santa terra do Tabuleiro Grande, em busca dos caminhos de nosso Patriarca?

Padre Roserlânido, Luitgarde Barros e Aderbal Nogueira



No começo de 1971, Luit, você era uma estudante na UFRJ e depois na PUC de São Paulo, e chegou aqui para realizar a pesquisa que redundaria no belíssimo A Terra da Mãe de Deus, sua dissertação de mestrado, depois tornada livro de leitura e menção obrigatórias a quem desejasse continuar-lhe a missão. Fazia pouco, mas você havia deixado a Fisioterapia, graduação anterior pela Escola de Reabilitação do Rio de Janeiro, em 1966, para se tornar antropóloga, licenciando-se e bacharelando-se em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, em 1968. 


Daí por diante, foi o que vimos e pelo qual tanto vibramos: Doutorado em Ciências Sociais pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, em 1980; Pós-Doutorado em Antropologia pela UNICAMP, em 1999 e, de novo, outro Pós Doutorado em Ciência da Literatura pela UFRJ, em 2008. Invejo-a, Luite, por vê-la sempre com tanto gás, agora, depois da aposentadoria na UFRJ, novamente professora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), tanto em graduação quanto em pós-graduação, porque não é fácil, e seria temeroso, dispensar a sua larga experiência na área de Antropologia, com ênfase nos temas de pensamento social brasileiro, movimentos sociais, catolicismo popular, antropologia política, antropologia da violência, antropologia da literatura, memória e história oral. 


Tenho num canto especial da biblioteca aqui de casa, com grande afeição, o ajuntamento magnífico das leituras de quase tudo o que você produziu nestes anos em livros sobre Padre Cícero, Arthur Ramos, Lampião, Nelson Werneck Sodré, Octávio Brandão, Nise da Silveira, Guerra-Peixe e a memória e a história oral dos bairros portuários do Rio de Janeiro, bem como uma boa parte da mais de uma centena de capítulos de livros e artigos em periódicos e jornais, no Brasil e no exterior.


Aí eu a encontro, firme, ereta, digna e competente para transitar leve e solta por conteúdos tão apaixonantes. Aí eu a encontro irredutível nas suas convicções, a não fazer concessões fáceis e a interpretações simplórias que nos ajudam a compreender esta realidade que ainda nos cerca, por exemplo, no contexto da grande nação romeira.


Seja bem vinda a esta sua terra, professora Luitgarde Barros, você que é cidadã juazeirense de tantos méritos. Méritos estes lembrados por serviços continuados de permanente atenção a tantos quantos que se socorreram da sua competência em todos estes anos.

Renato Casimiro, Juazeiro do Norte
(Crônica lida durante o Jornal da Tarde, da FM Padre Cícero, Juazeiro do Norte, em 17.11.2014)

Talento e Sertão, uma mistura sensacional ! Por: Manoel Severo

Casarão de Patos em São José de Princesa : Patos de Irerê

O nome de nosso querido "Sertão" teve origem em épocas de nossa colonização. Os portugueses no período das entradas e bandeiras, quando desbravavam o interior de nosso Brasil a partir do litoral do querido nordeste,  percebendo a absurda diferença climática típica do semiárido; quente e seco; começaram a chamar de "desertão". Logo, essa denominação foi sendo entendida como "de sertão", desaguando em "Sertão".
Na verdade o sertão é o nosso habitat, nosso chão... nossa pátria ! Aqui vivem homens e mulheres apaixonados pelo seu lugar, acostumados com a dureza da vida e dispostos, sempre, a vencer desafios.


Neste começo de novembro nosso estimado confrade, companheiro e amigo, pesquisador e escritor Rostand Medeiros esteve ao lado de Álvaro Severo e Francisco Mourato, recepcionando a equipe da TV Brasil na produção de mais um sensacional documentário sobre esse Espetacular Sertão.
O cenário das filmagens foi o vale do Pajeú, no município de Serra Talhada e depois a maravilhosa serra que divide os estados de Pernambuco e Paraíba, desaguando no município de Princesa Isabel e São José de Princesa.

 Rostand Medeiros e a equipe "sertaneja" da Tv Brasil...

Já vai longe o tempo dos primeiros processos de interiorização de nosso país e de nosso sertão; os séculos XVI e XVII ficaram para trás, mas até hoje esse torrão de "mata branca" que só existe aqui , nos surpreende e encanta; foi esse encantamento que fez com que Bianca Vasconcellos, Alexandre Nascimento, Eduardo Domingues e Célio Rodrigues, da equipe da TV  Brasil saíssem daqui apaixonados...

Estradas, veredas, cercas e porteiras; muito gado: bode, cabra, boi, vaca. Tatus, Nhambus e quantos mais desejaram participar... Os vaqueiros da história se encontrando com os vaqueiros de gibão, "guerreiros do sol", com a devida permissão de Frederico Pernambucano; a cada minuto um novo cenário, uma nova emoção, um novo sertão descortinado para o Brasil inteiro conhecer.


 Esse Sertão maravilhoso e a bela casa de Pedra em Serra Talhada

Todas as histórias e lendas, dos matutos aos letrados, esse sertãozão de Nosso Senhor, tem muita coisa pra mostrar ! Rostand Medeiros, Alvaro Severo e Francisco Mourado que o digam... Só para ilustrar o quão grande é o nosso amor pelo nordeste e por esse chão. As visitas foram a Serra Talhada em Pernambuco; Princesa, São José de Princesa e Manaíra, na Paraíba.


 ...a cada minuto um novo cenário, uma nova emoção, um novo sertão descortinado para o Brasil inteiro conhecer

Em Serra Talhada, a velha Casa de Pedra , primeira edificação da região, remanescentes dos colonizadores; em Princesa e Patos de Irerê, a tradição do mandonismo próprio da época da velha república e dos grandes coronéis com a espetacular "Revolta de Princesa"; o Solar de Zé Pereira e o Casarão de Patos, consolidam a presença nordestina, firme na história do Brasil. 



O que dizer mais ? Nada mais a dizer, a não ser, abraçar aos amigos desbravadores e apaixonados pelo sertão como nós; Rostand Medeiros, Augusto Severo e Mourato. Aos que chegam para filmar e ficar; Bianca Vasconcellos, Alexandre, Eduardo e Célio Rodrigues: Se abanquem, se avexe não... tudo está só começando !

Costumo dizer que somos brasileiros, cidadãos de todos os estados, pernambucanos, baianos, paraibanos, cearenses...enfim, mas nossa verdadeira pátria chama-se Sertão.
Manoel Severo
Curador do Cariri Cangaço
Fotos:Álvaro Severo e Bianca Vasconcellos

Cangaço em Debate: GPEC na Tv Câmara


Nesta última semana tivemos a grata oportunidade de acompanhar a lúcida e responsável entrevista dos confrades, pesquisadores do cangaço, membros do Cariri Cangaço e do GPEC - Grupo Paraibano de Estudos do Cangaço; Narciso Dias e Jorge Remígio, à Tv Câmara, da capital João Pessoa. 


Vale a pena conferir na íntegra...



Fonte:https://www.youtube.com/watch?v=5d3dIBSDLpU&list=UUyqHJyftZwZ-JN982EYM32A&feature=share

Sedição de Juazeiro Por:Jonasluis DA SILVA de Icapuí

Jonasluis de Icapuí, Manoel Severo e Aderbal Nogueira

Em 2011 o Cariri Cangaço promoveu o lançamento em primeira mão do primeiro capítulo da minissérie 
Sedição de Juazeiro. Para um platéia seleta de pesquisadores e historiadores de todo o Brasil; Jonasluis,da Silva de Icapuí, Manoel Severo, Aderbal Nogueira, Renato Dantas, Daniel Walker e Renato Casimiro formaram no palco,
do Teatro do SESC 
o rol de pesquisadores convidados 
para o Debate sobre a espetacular obra
Sensacional !

Veja na íntegra a minissérie
Sedição de Juazeiro



Sedição de Juazeiro é uma minissérie brasileira produzida para a rede pública de televisão cearense, dividida em 4 capítulos, do gênero guerra, baseada no confronto ocorrido em 1914 entre as oligarquias cearenses e o governo federal, e lançada no dia 22 de Agosto de 2012 no Cine-Teatro João Frederico Ferreira Gomes, anexo II da Assembleia Legislativa do Estado do Ceará.

Aprovada pela CEIC, Comissão Estadual de Incentivo à Cultura, através do I Edital Mecenas do Ceará 2008, foi produzida pelas produtoras JLS Comunicação e Editora e Laser Vídeo em parceria com a APEC, Associação de Estudos e Pesquisa Técnico-Científica, entidade sem fins lucrativos, ligada à Faculdade Integrada da Grande Fortaleza.

Sinopse: Na segunda década do século XX, declara-se uma dualidade de poderes legislativos no Estado do Ceará. Tropas são enviadas de Fortaleza pelo governador Franco Rabelo para Juazeiro do Norte. Padre Cícero, Floro Bartolomeu e seus soldados esperam o ataque. O governo central decreta a intervenção federal no Ceará. Trinfa a Sedição de Juazeiro, a guerra de 1914.

Elenco: Magno Carvalho, Ary Sherlock, Alcântara Costa, Angelim de Icó, Aldo Anísio, Fernando Cattony, Enrique Patrícius, Jean Nogueira e grande elenco.
Direção: Daniel Abreu
Roteiro: JonasLuis DA SILVA, de Icapuí
Produção: Daniel Abreu e Jeanne Feijão
Produção Executiva: Ângela Tavares, 
José Liberato Barrozo Filho e Marina Abifadel

Fonte:https://www.youtube.com/watch?v=GvhBH7AL8nQ

Lagoa do Limo ou Lagoa do Lino ? O Cangaço em Mairi-Ba Parte I Por:Vicente Figueiredo


O cangaço é um fenômeno resultante dos conflitos rurais entre famílias poderosas, da desigualdade social, e da ausência do poder publico, especialmente no sertão nordestino. Segundo o historiador paulista Marco Antônio Villa[1], durante as grandes secas que ocorreram na região, os poucos recursos que o governo federal enviava para a sobrevivência dos flagelados eram na grande maioria desviados pelas autoridades regionais. Não é difícil imaginar as arbitrariedades cometidas pelos mandões locais, os senhores do "baraço" e do "cutelo".

Virgolino Ferreira da Silva, vulgo Lampião, entre as décadas de 1920 e 1930 do século XX, foi o bandido mais notório do Brasil. Nascido em uma pequena vila pernambucana, à época Vila Bela, hoje Serra Talhada, no ano de 1898, numa família de remediadas posses. Em suas andanças percorreu sete estados nordestinos e ficou quase 20 anos no cangaço como sua principal liderança. Extremamente estrategista inovou o cangaço adotando uma nova estética e dividindo seu bando em vários subgrupos, para os quais indicou como chefes diversos companheiros entre àqueles que se destacaram pela lealdade, valentia e espírito de comando, sendo mais conhecidos Corisco, Zé Baiano, Zé Sereno, Labareda, Gato, Mariano, Azulão e outros mais (2).


Esses grupos operavam diferentes áreas de vários estados, método que usavam para confundir e despistar seus perseguidores, especialmente as polícias estaduais, as denominadas volantes[3]. Com a morte de Virgulino Ferreira e grande parte do seu bando em 28 de julho de 1938, o cangaço perdeu sua força, não só pelas crescentes baixas e destroçamento dos bandos, como também, em razão do isolamento decorrente de uma nova política oficial, concebida como modelo para o Estado Novo que incluía a imagem de modernidade e desenvolvimentismo, incompatível como grupos marginais como os cangaceiros, representações da incivilidade e atraso, mazelas sociais que precisavam ser erradicadas. 

Os poucos sobreviventes, sucumbiram a repressão violenta, optando pela rendição ou dizimados pelas forças militares, as conhecidas volantes, como foi de Corisco, morto em 25 de maio de 1940, pelas mãos do José Rufino – aquele mesmo que queria “passar de pato a ganso” – como afirmara Lampião, em Brotas de Macaúbas, em território baiano. Antes, contudo, nas muitas escaramuças com a polícia baiana, outros grupos sucumbiram, a exemplo do que ocorreu com Azulão e seus companheiros abatidos no ano de 1933, na fazenda Lagoa do Limo município de Monte Alegre, atualmente Mairí [4].

Município de Mairi, Bahia

Segunda a narrativa oral dos meus avôs, antes de chegar a Lagoa do Limo, Azulão e seu bando deixaram rastros de sangue na região. Na mesma semana em que foram mortos passaram pela Fazenda Morrinhos, de Zezé Almeida, localizada entre os municípios de Várzea da Roça e Mairi, ocasião na qual os bandidos assaltaram a casa e assassinaram o vaqueiro, o proprietário e o seu filho. Os prisioneiros foram levados para varanda, local em que um dos cangaceiros golpeou o rosto do fazendeiro com o rifle e indagou onde havia escondido o dinheiro. Enquanto isso os demais vasculhavam a casa em busca de jóias e ouro, Zezé ainda sem entender o que ocorria interrogou o que estava acontecendo, recebendo como resposta um tiro fatal.

Zabelê revirou os bolsos do morto encontrando um conto de réis, quantia que repassou para o Chefe.  O filho de Zezé correu para socorrer o pai, porém, foi executado a tiros por Canjica; Maria, companheira de Azulão, soltou o vaqueiro e ordenou que ele fosse preparar a comida, que ao se recusar obedecer a cangaceira foi atingido com um tiro nas costas, Azulão ainda o apunhalou na clavicular, como se sangra um boi e ato contínuo a cangaceira impressionada com a quantidade de sangue que brotava do cadáver, benzeu-se e, toda arrepiada disse: 

“Nóis tomo cortado[5]”!! 

Segundo tio Manezinho, o sangue dos corpos corria pelo terreiro da fazenda. Depois da chacina seguiram tranquilamente como se nada houvesse acontecido. No final da tarde chegaram a Fazenda Carrancuda que ficava cerca de três léguas dali, na chegada observaram os arredores da casa para terem a convicção que não havia alguma volante por perto.  Logo depois cercaram a moradia de João da Carrancuda a procura de dinheiro e jóias, mas o fazendeiro nada tinha para oferecer, sendo então espancado violentamente e as suas filhas só não foram estupradas porque a cangaceira  Maria, companheira de Azulão, intercedeu. 


De acordo como o depoimento do meu tio avô Manoel Ferreira Dias, mais conhecido como Manezinho, na passagem do grupo de Azulão na região da Várzea da Roça eles também surraram uma curandeira, surgindo daí uma história segundo a qual, essa mulher teria feito um “trabalho” para deixa-los “bobados[6]”, circulando sem poder sair dessa região da Lagoa do Limo e facilitando assim a ação das seus perseguidores. Importante destacar que a prática de curandeirismo[7] no Sertão é a mistura do candomblé africano com elementos da cultura indígena, o conhecido Candomblé de Caboclo, por isso que as casas de candomblés são chamadas de casas de curadores, diferente do candomblé de matriz puramente africana que conhecemos em Salvador e Recôncavo baiano.

Sobre este fato ouvi do meu tio Pedro Lopes, morador do Bom Sucesso, povoado daquele município, dizer que no ano de 1933 uma volante oriunda de Jeremoabo e integrada com a Força[8] do sargento José Fernandes de Mundo Novo - ambas cidades sediadas na Bahia - e sob a chefia do Tenente José Rufino passou pela região em busca dos cangaceiros que estavam escondidos naquelas localidades. Segundo ele as volantes seguiam em direção da Fazenda Lagoa do Limo, pois já tinha informação onde os “cabras” estavam acoitados[9]. Os bandidos chegaram à noite, Azulão gritou o coiteiro Zeca das Batatas para prepara a comida, Zeca abriu a janela lentamente e depois foi a porta com um candeeiro na mão, dizendo para os cangaceiros entrasse logo, no interior da casa o dono avisou que era melhor irem se arranchar no mato próximo da roça de mandioca. Advertiu que ali estava infestado de “macacos[10]”. 


Volante do Tenente Zé Rufino, em pé à esquerda

Quase todos os dias passa uma Volante por essas bandas. Com essa informação Azulão colocou o cangaceiro Canjica de vigia na frente da casa, enquanto os demais jantavam. Quando os militares chegaram à fazenda onde os bandidos se alojavam encontraram uma mulher a quem interrogaram sobre o paradeiro do bando, a qual afirmou nada saber, não tendo mesmo visto nenhum cangaceiro na região. O comandante estava muito desconfiado da resposta, já que rastos de alpercatas marcavam o solo dando evidencia de muita gente no terreiro da casa, quando naquele momento chegava um garoto do mato, filho da mulher interrogada, com uma cabaça onde havia transportado água, sendo que neste instante um dos chefes das volantes indagou ao menino de onde ele vinha, momento em que a mãe do garoto começou a chorar temendo que os soldados lhes matassem. 

O menino, igualmente assustado, então contou ter levado água para alguns trabalhadores e pressionado pelos policiais, os levou até onde estavam os supostos trabalhadores. Feita a aproximação cautelosa do local o Tenente orientou que o garoto apontasse o esconderijo e voltasse abaixado, e deu sinal para que os soldados se espalhassem e tomasse suas posições de combate. Cumprida a determinação, quando os sitiantes aproximavam-se do coito um dos integrantes pisou em um galho seco que estalou chamando atenção dos “cabras”, que estavam no maior folgar comendo ovos cozidos com batata doce e tomando café. 


Cabeças de Zabelê, Maria, Azulão e Canjica

O tiroteio foi rápido e fulminante não havendo tempo para os cangaceiros sacarem as armas, o resultado final foi à morte de três homens e uma mulher, enquanto outros dois conseguiram escapar. Zabelê e Maria Dórea, ou Maria de Azulão como também era conhecida tombaram mortos, Arvoredo e Calais escaparam pela caatinga, Azulão e Canjica caíram baleados. Segundo o escritor José Anderson Nascimento[11], alguns bandoleiros foram decapitados ainda com vida, “Canjica, malferido, implorava-lhes (aos militares, grifo nosso) que não cortasse o pescoço, mas as suas súplicas não foram ouvidas. Azulão diante da aproximação do verdugo grunhiu: "Morri como homem cabra!"  

Após o ritual macabro, os militares vasculharam os bolsos, bornais e chapéus dos cangaceiros, só foi encontrado um canto de réis no bolso de Azulão. Arrancaram os anéis dos dedos do cadáver de Maria e um deles apanhou o trancelim[12] de ouro, embebido de sangue e areia, o qual antes ornava o pescoço da cangaceira”.

Continua...
Vicente Figueiredo
Historiador, Salvador - BA



[1]  VILLA, Marco Antônio. Vida e morte no sertão: história das secas no nordeste nos XIX e XX. São Paulo: editora Ática-2001, p. 190, 192.
[2] Podemos citar ainda Português, Arvoredo, Pancada, Canário, Moita Brava e Moreno.
[3] As volantes eram grupos militares mantidos pelo Estado. Seus membros eram nativos recrutados que conhecia bem a região, para combater o cangaço.
[4] Situado em antiga região aurífera, próxima a cidade de Jacobina, a vila de Monte Alegre passou a chamar-se Mairi, por força do Decreto-lei Estadual nº 141, de 31-12-1943, retificado pelo Decreto Estadual nº 12978, de 01-06-1944.
[5] Cortado as proteções do corpo fechado, na qual os cangaceiros acreditavam.
[6] Bobados derivado de bobo. Expressão de uso corrente entre os sertanejos.
[7] Prática de rezas e curas usadas no interior do Brasil. Sugerimos consulta a medicina popular do Brasil.
[8] Denominação que os sertanejos davam as volantes, aos grupos policiais.
[9] Derivado de coito, ou seja, esconderijo.
[10] Denominação pejorativa que os cangaceiros davam os policiais.
[11] NASCIMENTO, José Anderson. Cangaceiros, coiteiros e volantes. -são Paulo: Editora Ícone, 1998,  P. 228.
[12] Cordão delgado de ouro usado principalmente pelas mulheres

Noite de Festa para o Centro Cultural de Tradições Nordestinas de Sorocaba Por: Selma Araujo


Selma Araujo

Meu povo de fato, eu ainda estou sob o gratificante impacto da Festa do Jantar Posse da Nova Diretoria CCTN Sorocaba- Centro Cultural de Tradições Nordestinas de Sorocaba e Região. O jantar aconteceu empolgante, colorido, ritmado, divertido e arrebatador, no Salão de Festas do SMetal Sorocaba Sindicato Dos Metalúrgicos. Foram horas, minutos, segundos fartos e férteis de interatividade, congraçamento, gargalhadas, informações, descobertas, contatos e muito, muuuuuuito talento! E a EXCELÊNCIA DA PARCERIA que tivemos para o sucesso dessa festividade, dessa celebração aconteceu e por isso cito e agradeço:

Aos parceiros do Sindicato dos Metalurgicos de Sorocaba, na pessoa do seu presidente Ademilson Terto da Silva e de todos que compõe a sua diretoria que gentilmente nos forneceram o espaço para que pudéssemos celebrar esse momento tão especial na história da nossa entidade e o que ela representa na cidade de Sorocaba. Ao Sindicato dos Trabalhadores em Transporte na pessoa Paulo João Estausia, A Loja Dimanos empresário Netinho, Ao Sindicato dos Comerciarios na pessoa do seu presidente Ruy Amorim, A Caravana do Cordel, a presença dos ilustres mestres Aderaldo Luciano, Varneci Nascimento, Josué Gonçalves, a Ong União Para o Bem, que incansavelmente divulgaram nosso evento na pessoa do Dr. Hélio Mauro Silva Brasileiro, Claudia Brasileiro, a Ivone Santiago do Escritório Contábil Pirâmide, a ABAC do Brasil, a ARARATS e a todos que colaboraram adquirindo convites para ajudar. Tanta coisa pra dizer, tanto amor pra manifestar... Tanta gente pra agradecer... Eu queria poder abraçar bem apertado e dizer pessoalmente a cada um : Muito Obrigada !

João Carlos Camilo
Espero que todos tenham se deliciado com o ritmo empolgante da Banda Velha Maromba que trouxe um repertório com pérolas de nosso cancioneiro. Não deixaram ninguém ficar parado com o seu jeito peculiar de mostrar o verdadeiro forró pé de serra. E, como não reconhecer a interpretação musical do João Carlos Camilo. Também não poderia deixar de mencionar a suave e ao mesmo tempo quentíssima presença de palco de Lenice Gomes que arrebatou o público com um repertório e canções de Luiz Gonzaga, Elba Ramalho entre tantos nomes da nossa vasta e querida região Nordeste.

Selma Araujo comandou a noite de posse da CCTN

Não tem como classificar minha grata alegria de vê o sucesso da homenagem a minha pessoa feita pelo presidente do Conselho Fiscal do CCTN , Everaldo Calmon que me fez chorar de emoção. Meus sinceros agradecimentos e desejos aos novos diretores, por estarem comigo lado a lado nessa nova caminhada: Carlos Alexandre AraújoLenice Gomes Gomes CruzCassius GamaJonielson Silva de AraujoMaria Silva,Lorenna Pinto da SilvaEveraldo Calmon BarretoSonia So ReGilmar AraujoAline Gomes GarciaGonçaves Foguxo. Juntos teremos a honra de apresentarmos ao público a RIQUEZA DO NOSSO POVO E DA NOSSA CULTURA. 

Grata pelas manifestações via email e telefones, de elogios, agradecimentos observações e estímulos para outras tantas "grandes produções e homenagens” NORDESTINAS que estão a caminho! Por tudo isso que a minha gratidão é sincera. Deus os abençoe!
Selma Araújo
Presidente do CCTN
Fotografias: Foguinho SMetal

Sucesso na 1ª Bienal do Livro de Paulo Afonso

Antônio Galdino promotor da 1ª Bienal de Paulo Afonso

Os cantadores, poetas, repentistas têm por hábito, ao começar suas cantorias feitas no improviso e dentro de uma métrica e harmonia impecáveis e também ao escrever seus folhetos de cordel, invocar a Deus pedindo inspiração e ao fim agradecendo por isso.
À semelhança desses poetas, pouco letrados pelas academias mas de uma criatividade que supera o conhecimento dos doutores e pós-doutrores saídos das maiores universidades do mundo, começo pelo fim, agradecendo pelo sucesso desta 1ª Bienal do Livro de Paulo Afonso, resultado do trabalho de muitas mãos e muitas cabeças que alimentaram o mesmo sonho e tornaram realidade, plantando uma semente que apenas precisa ser cuidada, regada, 
para crescer e dar muitos bons frutos.

Luiz Ruben, João de Sousa, Archimedes e Elane Marques entre os participantes da Bienal

Na construção desse projeto cultural, juntaram-se o jornal Folha Sertaneja em seus 10 anos de vida, a Academia de Letras de Paulo Afonso – ALPA e o Instituto Geográfico e Histórico da Microrregião do Sertão de Paulo Afonso – IGH-MSPA, com o apoio da Chesf e das Secretarias de Cultura e Esportes e de Educação da Prefeitura de Paulo Afonso e alguns empresários da cidade.

Assim, reafirmo o que sempre dizia, em toda a sua vida, o querido professor Gilberto Oliveira: “Até aqui nos ajudou o Senhor (1º Sm. 7:12) Para que os aplausos acontecessem, foram alguns meses de preparação, de muita ansiedade, de intensa busca de apoios. Mesmo com alguns “talvez”, “vamos ver” que, nesse caso são sinônimos de “não”, conseguirmos dar corpo e forma à 1ª Bienal do Livro de Paulo Afonso e ao 1º Encontro de Escritores de Paulo Afonso e Região do São Francisco.

Edvaldo Nascimento e Delmiro na Bienal

Estes, os escritores, dos Estados da Bahia, Alagoas, Sergipe e Pernambuco, disseram SIM desde os primeiros momentos e, como o nosso espaço era pequeno, precisamos encerrar a inscrição bem cedo, poucos dias depois de estarem abertas, porque não tínhamos como acomodar bem a todos. Ainda assim reunimos cerca de 40 escritores, 16 deles vindos de outras cidades dos estados da Bahia, Alagoas, Sergipe e Pernambuco. Alguns, pela atuação na organização do ENEM, lamentaram a impossibilidade de estar entre nós nesse momento.

E exultamos de alegria porque a 1ª Bienal do Livro de Paulo Afonso e o 1º Encontro de Escritores de Paulo Afonso e Região do São Francisco se revestiu do maior sucesso também de público e de crítica, porque muitos entenderam o recado do poeta Castro Alves que dizia: Oh! Bendito o que semeia / Livros... livros à mão cheia... / E manda o povo pensar! / O livro caindo n'alma / É germe — que faz a palma, / É chuva — que faz o mar. Ou de Monteiro Lobato: Um país se faz com homens e livros. Ou ainda deve ter ouvido que “quem não lê, mal fala, mal ouve, mal vê”, também de autoria de Monteiro Lobato.

 Edvaldo Feitosa, Professor Edson. Luiz Ruben, João de Sousa, 
Archimedes e Elane Marques

Na noite de abertura, dia 05 de Novembro, e era dia de jogo do Flamengo, lembrou o radialista Bob Charles, perto de 200 pessoas lotaram o auditório do Memorial Chesf e até encerramento da Bienal, na tarde do dia 07 de Novembro, perto de 800 pessoas passaram pela Bienal, interagiram com os escritores, com os contadores de história, como Antenor, de Aracaju e Rita Pinheiro, de Salvador, com o humor do pauloafonsino João Bosco e o entusiasmo de outro João Bosco, esse nascido em Rodelas mas morador de Salvador há décadas. Todos também se divertiram e aplaudiram muito a criatividade dos versos de improviso de Rafael Neto que, no final, fez cantoria com Bruno, jovem talento que desponta em Paulo Afonso.

As contações de história da Professora e escritora Rita Pinheiro, foram um sucesso à parte. Utilizando múltiplos recursos como roupas, bonecos, interpretação teatral e músicas a professora colocou, literalmente, a criançada do Educandário Imaculada Conceição e das escolas da rede municipal de ensino e Escola Ministro Oliveira Brito, para cantar e dançar junto com ela. Foi uma festa! Mas sentimos a ausência das universidades sediadas em Paulo Afonso. Apenas a FASETE esteve presente em todos os momentos. Também não vieram os colégios de nível médio, estaduais ou particulares. Apenas o CETEPI – 1 participou.

Pode-se afirmar que os escritores e os que prestigiaram o evento com suas presenças foram unânimes em seus elogios à qualidade do evento. Se assim foi, creditamos o sucesso e trazemos a nossa palavra de gratidão a Deus, que colocou pessoas e instituições no meu caminho e destas veio o apoio para que tudo desse certo. Credito ao trabalho, muito trabalho dos amigos da ALPA e do IGH, que faço questão de nominar aqui: os professores e escritores João de Sousa Lima, Edson Barreto, Roberto Ricardo, Francisco Araújo Filho, José Fernando e Glória Lira. Destaco que os professores Edson Barreto, Francisco Araújo e José Fernando, apesar da intensa carga de trabalho de até 60 horas mensais, sempre encontraram um tempinho para ajudar na construção desse projeto. Gente, como Glória Lira, trouxe a visão feminina e as idéias que tomaram forma e deram brilho ao evento. João de Sousa Lima, também colunista da Folha Sertaneja chegou a entrar pela noite, até quase meia-noite, na Folha Sertaneja, nos últimos dias que antecederam ao evento, tomando um café com pão como jantar para que tudo caminhasse certo.

E assim foi. Ou, como diria Ariano Suassuna, um dos homenageados da 1ª Bienal, através do personagem Chicó, em “O Auto da Compadecida, “...só sei que foi assim...”. 

Aqui, um agradecimento especial aos professores palestrantes do evento: Francisco Araújo Filho que fez uma palestra sobre a importância da palavra, instrumento do escritor; Edvaldo Francisco, professor e vereador em Delmiro Gouveia, que fez brilhante palestra sobre a importância de Delmiro Gouveia para o desenvolvimento regional e o historiador João de Souza Lima, um especialista nos estudos do cangaço que falou com toda segurança sobre o tema para uma platéia atenta e respeitosa.



Elane Marques e Antônio Galdino


Também fica o agradecimento e os aplausos para o professor Francisco Nery, normalmente reservado que se dedicou à pesquisa sobre o seu conterrâneo João Ubaldo Ribeiro e até inaugurou um terno novo para compartilhar suas vivências com este autor, recentemente falecido. E aplausos, de pé, para o jovem poeta repentista Rafael Neto que nos brindou com uma aula espetáculo sobre Ariano Suassuna, falando dos muitos personagens desse autor nordestino, em versos de um cordel que fez em sua homenagem, dentre os outros 68 que já produziu.  Ao destacar a necessidade de apoio para a pesquisa sobre a história e a memória dessa região e apresentar o Dr. Antônio José Alves de Souza, primeiro presidente da Chesf, como o autor da primeira obra escrita sobre Paulo Afonso, insisti na carência de apoios maiores e de políticas públicas para a cultura em Paulo Afonso.

Nesse encontro, tivemos a agradável colaboração do humorista João Bosco, que trabalha no Departamento de Cultura da Prefeitura. Bosco, na sua simplicidade e disponibilidade esteve em todos os lugares e momentos. Operou o computador, distribuiu o jornal, recepcionando os visitantes, interagiu com os escritores, apresentou palestrantes e, com brilhantismo e muitos aplausos arrancou gargalhadas do público com o seu humor irreverente. Aplausos para ele, grande artista pauloafonsino.

Para que a 1ª Bienal acontecesse, a organização do evento contou com a sensibilidade de alguns empresários e de empresas e instituições da cidade.

João de Sousa, Calos Mendonça e Galdino

Quem primeiro disse SIM foi Sebastião Leandro de Morais, da SUPRAVE, que mesmo preferindo o anonimato tem contribuído de forma constante com as atividades culturais de Paulo Afonso. Do seu apoio, consolidou-se o poeta Rafael Neto que hoje é presença de sucesso em cantorias pelo Brasil e até já esteve no Caldeirão do Huck da Rede Globo.

Pelo seu apoio, pudemos trazer para uma apresentação inesquecível dentro da Mala do Poeta, projeto conduzido há anos pelo poeta Jotalunas, o Trio Dona Florinda que acaba de chegar de vitoriosa turnê pela Europa.


Quem também disse SIM à construção desta 1ª Bienal do Livro de Paulo Afonso foram os empresários Maciel Teixeira, da Loja Milenium, Jugurta Nepomuceno, da Casa o Ferrageiro, José Mauro de Oliveira do San Marino Hotel e Jean Carlos do Residence Hotel.

João de Sousa Lima palestrando na Bienal


Da Prefeitura de Paulo Afonso, veio o apoio cultural através da Secretaria de Cultura e Esportes, gerenciada por Jânio Soares, cronista respeitado que mantém uma coluna quinzenal, ao sábados, no jornal A TARDE e da Secretaria de Educação, gerenciada pela professora Maria Selma de Carvalho que orientou a participação de diretores e de alunos das escolas da rede municipal de ensino.
Além de participarem muito atenciosos e educados das palestras e rirem muito dos momentos de descontração proporcionados pelo humorista João Bosco, também se deleitaram com os Sucos Canaã que o empresário Dinho disponibilizou para todos nas manhãs e tardes quentes do evento.
Da Chesf, conseguimos o apoio do Administrador Regional de Paulo Afonso, Augusto Cézar, que cedeu as instalações do Memorial Chesf, que completou 17 anos em outubro, para sediar este evento. Sem recursos para bancar um evento desse porte, buscamos a interação com os sites, a mídia do rádio, da televisão e esse povo amigo chegou junto, na hora, e deu visibilidade ao que era apenas um projeto, um sonho fadado ao insucesso, tantos foram os nãos que tivemos de administrar.

Essa força da comunicação, da mídia, da internet é a fé que move montanhas. As entrevistas dadas por membros da Comissão Organizadora a Fábio Salvador, no programa RONDA 950 (todas as tardes, das 13 às 16 horas) e a Giuliano Ribeiro e Jorge Papapá, no BALAIO (sempre aos sábados a partir do meio dia até às 16 horas) e ainda ao programa RADAR,(de segunda a sexta – das 12 às 15 horas), conduzidos com muito sucesso por Ozildo Alves, Júnior Padão, Epidauro Pamplona e o repórter Francisco Sales, ambos da Rádio Delmiro FM deram vida à 1ª Bienal do Livro de Paulo Afonso.
Edvaldo Feitosa, João de Sousa e Galdino
Além do site da Folha Sertaneja – www.folhasertaneja.com.br, foi muito importante a força dos siteswww.ozildoalves.com.br, www.bobcharles.com.brwww.acertepauloafonso.com.br, e www.pauloafonsotem.com.br, que interagiram conosco dizendo da sua alegria de ajudar a difundir esse evento. Aos outros sites que compartilharam, a nossa igual gratidão.


Outra força da comunicação que deu grande apoio ao evento foi a TV São Francisco que durante dias fez chamadas no quadro São Francisco Acontece e fez a cobertura do evento na noite de sua abertura através do repórter cinegrafista José Carlos Ferreira que contou com o apoio do repórter Antônio Carlos Zuca.

O maior legado que fica desta 1ª Bienal do Livro de Paulo Afonso, além dos muitos elogios feitos por escritores renomados que já estiveram em muitos eventos como estes e pela excepcional cobertura positiva da imprensa local e regional, foi ver jovens, adolescentes, conversando com escritores e mostrando seus cadernos onde já estavam alguns textos, poesias de uma criação de dá os seus primeiros passos. Isso é muito gratificante para os organizadores deste evento, todos professores, educadores, pesquisadores, historiadores.

Rafael Neto na Bienal


A 1ª Bienal do Livro de Paulo Afonso nasceu quando ao pesquisarmos para a construção do livro “De Forquilha a Paulo Afonso – Histórias e Memórias dos Pioneiros” encontramos que em 60 anos de vida de Paulo Afonso, desde quando ainda era Distrito de Glória, em 1954, mais de cinqüenta escritores, moradores de Paulo Afonso por algum tempo ou por toda a vida, escreveram e publicaram livros sobre esta região.
Por fim, esta Bienal do Livro mostrou a necessidade urgente de que Paulo Afonso tenha, dentre outras, duas coisas importantes para que o município seja referência nacional como a Parati do Nordeste nesse tipo de evento: a criação de espaços maiores e mais aconchegantes para sediar eventos como este e a criação de uma política pública para a cultura, o que certamente ajudará, e muito, a consolidar esse potencial imenso de pensadores, escritores, poetas, humoristas, o teatro, a música, as artes plásticas, todo tipo de nuances que a cultura tem e que a 1ª Bienal mostrou ter Paulo Afonso esse imenso potencial cultural.
A 1ª Bienal acabou. O jornal Folha Sertaneja, em seus 10 anos de vida, se sente feliz em promover esse evento e realizá-lo com aqueles que quiserem fazer parte desta história. A semente foi plantada.
VEJAM O VÍDEO neste link:  http://youtu.be/sBykMHhZTVg
Fonte:http://www.folhasertaneja.com.br/noticia/21865814/cultura-arte/a-1-bienal-acabou-a-semente-foi-plantada/?indice=0
Antônio Galdino - Folha Sertaneja , Paulo Afonso BA