Belo Monte Por Mucio Procopio


Não sei o autor dessa tela que compartilhei de Dally Rocha, atraves do facebook, e crio na minha imaginação esse cenário como uma representação da defesa do Belo Monte onde se retrata a inclemência do sol, que pela sua cor amarelada já se aproxima do ocaso, mas permite se observar a silhueta das plantas da caatinga como o cactus conhecido como palmatória e árvores sem folhas com a presença do Conselheiro protegido pelas tropas de defesa, talvez ali conduzida pelo grande estrategista Pajeú, que pode ser o primeiro de chapéu estilo cangaço que viria em 1917, vinte anos depois do fim da guerra em 1897.

Atrás do seu comandante Pajeú o corpo da tropa, tudo observado pelo mentor espiritual Antônio Conselheiro que na verdade não participava das incursões de ataques nem na ação defensiva, a sua rotina de orações nem na guerra foi interrompida, segundo relato dos irmãos Antônio e Honório Vila Nova que abandonaram O Belo Monte, a pedido do Conselheiro que não queria que a história do Belo Monte desaparecesse, como os que ali, estavam, sem que o mundo soubesse da possibilidade de uma conivência pacífica com base na religiosidade com ordem e trabalho como tinha vivido entre junho de 1893 a setembro de 1897. Graças a essa visão do Conselheiro hoje conhecemos um pouco mais daquela grande e ousada experiencia comunitária.

Mucio Procopio, pesquisador
Conselheiro Cariri Cangaco
Natal RN

Cangaço, disputas políticas e lutas inter familiares no sul do Ceará Por:Romero Cardoso

Coronel Izaias Arruda

O sul do Ceará é considerado um verdadeiro oásis no sertão, convergência de migrantes fugidos das secas há tempos imemoriais e palco de lutas sangrentas entre facções políticas e disputas inter familiares no século passado. As intermináveis lutas interpartidárias que explodiram nesta região sertaneja firmaram a repulsa entre os clãs Arruda e Paulino, nucleados, respectivamente, nos municípios de Aurora e Missão Velha, ambos localizados no Estado do Ceará. O cenário das contendas não se diferenciava dos anos que antecederam a restituição da oligarquia Accyoli, o qual firmou a arraigada disputa pelo poder entre os “coronéis” do cariri cearense.

Um pacto firmado entre os mandatários caririenses na então vila de Joazeiro, elevada à categoria de cidade no ensejo desse bizarro acordo, tentava selar a paz entre os estamentos superiores da sociedade sertaneja agro-pastoril da área de exceção correspondente ao cariri cearense. Discórdias políticas denotaram a instabilidade entre os dois clãs, resultando em desarmonias envolvendo o “coronel” Izaías Arruda, famoso coiteiro de Lampião, inclusive responsável pela trama que redundou na tentativa de ataque a Mossoró, e o “coronel” Manuel Ribeiro Dantas, a quem os Paulino eram ligados.


O Pacto dos Coronéis em tela de Assunção Gonçalves 

A beligerância teve seu ápice no ano de 1925, quando “em meio a uma áspera disputa política que já durava meses, ferem-se vários tiroteios em Missão Velha entre os “coronéis” Izaías Arruda (dos mais fortes coiteiros que Lampião possuía no Ceará) e Manoel Ribeiro Dantas, o Sinhô Dantas, este último, chefe político municipal” (MELLO, 1985, p.100). Durantes meses a questão política se desenrolou de forma mais ou menos inconstante, resultando em violento tiroteio nas ruas de Missão Velha, ocasionando ferimento à bala em um dos filhos do “coronel” Manoel Ribeiro Dantas. No entanto, o mais encarniçado ataque desferido pelo “coronel” Izaías Arruda se concentrou ao sítio Barreiro, reduto de seu desafeto. Entre os defensores encontrava-se um sertanejo valente e destemido de nome João Paulino, membro de uma família guerreira, tarimbada na luta armada sertaneja dos séculos XIX e XX.

Prestigiado pelos governos Federal e Estadual, o resultado lógico para a política de época foi a ascensão do “coronel” Izaías Arruda à política regional. O encaminhamento “natural” dos fatos redundou na sua dominação efetiva, chegando a ocupar o cargo máximo do poder executivo em sua área de influência. Os dissabores, contudo evidenciariam a essência da complexa relação inter-social existente no sertão. Em maio de 1926, João Paulino investiu contra um correligionário de Izaías Arruda, de nome Jose Gonçalves. Novamente Missão Velha estava em pé-de-guerra, denotando o insustentável grau de ebulição entre os clãs em luta armada, agora concentrado entre Arruda e Paulino. O desafio custaria caro, principalmente ao mais exaltado de todos.

Kydelmir Dantas, Mucio Procópio, Manoel Severo, Romero Cardoso e Antonio Vilela

A revanche aconteceu a 11 de junho de 1926. Jose Gonçalves e inúmeros jagunços fornecidos por Izaías Arruda desalojaram os inimigos entrincheirados na povoação conhecida por Ingazeira. Os vencidos buscaram refúgio em Aurora, recebendo a proteção do “coronel” Cândido Ribeiro Campos, parente dos Paulino. Formou-se um contingente considerável de capangas, visto que a ameaça de um ataque era iminente. Este não se concretizou graças à oportuna intervenção do “coronel” Antônio Luís Alves Pequeno, chefe político do município do Crato, definindo normas para amainar os ânimos exaltados. Dentro do acordo firmado, houve a transferência dos Paulino para o extremo oeste do Estado da Paraíba. Estacionam na cidade de Cajazeiras do Padre Rolim, em um sítio conhecido por Lagoa do Arroz, propriedade de um sertanejo de nome João de Brito.

Cerca de quarenta e oito camaradas de armas, incluindo familiares, acompanharam João Paulino neste êxodo forçado pela violência da política caririense. Durante várias oportunidades, forças volantes cearenses adentraram o território paraibano à caça dos desafetos do todo poderoso “coronel” Isaías Arruda. O alvo principal era João Paulino. Violência extrema era a característica maior dessas tropas formadas por policiais e jagunços, ambos pouco diferenciados no modus operandi. Novamente é firmado um acordo de convivência salutar, embora fosse parte da trama arquitetada pelo imperdoável Arruda. Achando que tudo havia se normalizado em sua região de origem, resolveu João Paulino seguir viagem à localidade das Antas, município de Aurora, intuindo recuperar algumas cabeças de gado de sua propriedade que haviam ficado por lá quando da retirada forçada.

Homens de Jose Gonçalves e Izaias Arruda

A esposa de João Paulino, que atendia pelo nome de Tapuia, verificou quando da partida do esposo que o patuá de rezas fortes, ostentado por cangaceiros e homens que se envolviam em questões, havia sido esquecido, como prenúncio da tragédia que estava preparada por Arruda. João Paulino, conforme nos contou a Sra. Ângela de Brito Lira, filha do proprietário do sítio Lagoa do Arroz, fazia uso de um rosário de quinze mistérios e cento e cinqüenta Ave-Marias com um saquinho repleto de orações fortes e mandingas. Segundo se propalava, o objetivo era “fechar” o corpo contra balas e armas brancas.

Corria o mês de setembro de 1926. O regresso ao Ceará foi feito na companhia de um irmão, de nome José Paulino, e um cunhado conhecido por Bidoza. A tocaia armada pelo “coronel” Izaías Arruda fora preparada no lugar Serrota. João Paulino foi alvejado por mortífera descarga, atingindo em cheio a veia femural. O requinte de crueldade da traição foi completado quando seus algozes obrigaram seu cunhado a terminar de matá-lo. Após o martírio de João Paulino, Izaias Arruda ainda figurou destacadamente nas crônicas da violência regional. 

Exercendo influência sobre o cangaceiro Massilon “Benevides” Leite, instigou e organizou o ataque do bando de Lampião a Mossoró, em 13 de junho de 1927. O resultado foi o fracasso vergonhoso diante da decisão da população mossoroense em cerrar fileiras com o prefeito Rodolfo Fernandes na defesa da cidade ameaçada.

Sousa Neto, Manoel Severo, Bosco Andre e Jose Cicero na Estacão da RVC em Aurora, palco do assassinato de Izaias Arruda

Quando da retirada vexatória dos cangaceiros em direção ao cariri cearense, confiantes na “neutralidade” do Estado onde se localizava a “Meca sagrada” dos sertanejos, apressa-se em por em prática suas táticas de traição, tentando envenenar o “rei dos cangaceiros”. Em 1928, embora desfrutando prestígio efetivo em dois municípios – Missão Velha e Aurora – Arruda tombou morto no trem, quando transitava pelo município de Aurora (MELLO, 1985, p. 101). Os autores, Francisco e Antônio Paulino, agiam movidos pelo desejo de vingança. Cangaço e política se articulavam em uma só expressão da realidade forjada conforme os parâmetros definidos pela inflexível moral sertaneja que marcou o tempo das contendas entre os chefes políticos de outrora.

Jose Romero Cardoso

Pesquisador, Escritor - Mossoro, RN


BIBLIOGRAFIA CITADA/CONSULTADA:
CHANDLER, Billy Jaynes. Lampião, o “rei dos cangaceiros”. Trad. de Sarita L. Barsted. Rio de Janeiro/RJ: Paz e Terra, 1980.
MELLO, Frederico Pernambucano de. Guerreiros do Sol: O banditismo no Nordeste do Brasil. Recife/PE: FUNDAJ: Ed. Massangana, 1985.
PINHEIRO, Irineu. O Joazeiro do Padre Cícero e a Revolução de 1914. Rio de Janeiro/RJ: Irmãos Pongetti Editores, 1938.
Entrevista:LIRA, Ângela de Brito. João Pessoa/PB, 15 de outubro de 1990.

A Espetacular Aventura da Expedição Cariri Cangaço Angico


Era Julho de 2010, em uma de nossas Caravanas Cariri Cangaço ao Angico ao lado de nossos Conselheiros Cariri Cangaço, inesquecível Caipira de Poco Redondo, Alcino Alves Costa, Jairo Luiz , Joao de Sousa Lima e outros companheiros pesquisadores quando se falou em organizarmos pela primeira vez uma expedição Cariri Cangaço para pernoitar em Angico, revivendo os últimos momentos do Rei Cego, no cenário de seu ultimo ato...

Inicialmente pensamos em todas as possibilidades, na logística e principalmente nas impressões que seriam captadas pelos pesquisadores, desde a saída do porto de Piranhas ate a fatídica Grota. O tempo foi passando e a essa ideia se somaram muitos outros companheiros de Cariri Cangaço, com destaque para nosso querido Paulo Gastão, Aderbal Nogueira, Ivanildo Silveira e Capitão Alfredo Bonessi...

Manoel Severo, Alcino Costa, Jairo Luiz e Gabriel Barbosa

O tempo passou, perdemos Alcino, realizamos três edições de nosso Cariri Cangaço em Piranhas, 2013, 2014 e 2015, e acabamos por não efetivar o ousado intento. Chegou 2016 e nossa quarta edição em Piranhas. Estava decretado que nesta edição iriamos sim realizar nosso intento, a partir da decisão de nosso Conselheiro Celsinho Rodrigues. 

A organização e planejamento nasceu ainda em Fevereiro deste ano e ficou a cargo de Celsinho Rodrigues que contou com o apoio do Conselheiro Joao de Sousa Lima e do confrade Louro Teles, a esses se somaram, Ivanildo Silveira, Petrucio Rodrigues e Camilo Lemos, estava consolidada a Primeira Expedição Cariri Cangaço Angico. Mas, para contar essa historia vamos recorrer aos confrades Joao de Sousa Lima e Camilo Lemos, a partir de Artigos em seus blogs.

Os pioneiros, Giovane, Jose Lopes Tavares, Cristiano, Richard, Sálvio, Maria Oliveira, Sargento Romilson e Vaneildo Bispo

Nao sem antes registrar que outra iniciativa do mesmo gênero e igualmente tao grandiosa também viria a se registrar naquela mesma oportunidade. Sob a coordenação de vários confrades, responsaveis pesquisadores da temática, como Cristiano Ferraz, Jose Lopes Tavares, Giovane Gomes de Sa, Sálvio Siqueira, Richard Pereira, Vaneildo Bispo, Sargento Romilson e a espetacular presença da primeira mulher, Maria Oliveira, de Poco Redondo, participando de maneira inédita e  ousada desta empreitada vitoriosa, inauguravam no dia anterior a façanha tao sonhada por muitos e executada por poucos... Dessa forma dois grupos de amantes da historia e da memoria do sertão haviam de maneira sensacional realizado um feito nunca antes realizado. Avante !

Mas, para contar essa historia vamos recorrer aos confrades Joao de Sousa Lima e Camilo Lemos, a partir de Artigos em seus blogs.

Artigo de Joao de Sousa Lima...
Conselheiro Cariri Cangaço


Camilo Lemos, Louro Teles, Joao de Sousa Lima, Ivanildo Silveira, 
Petrucio e Celsinho Rodrigues

Dia 27 de julho de 2016, sai de Paulo Afonso as 13:20 hrs. O caminho me levou a Piranhas, cidade alagoana famosa por seu belíssimo casario colonial bem preservado e também por fazer parte da história como um dos roteiros  históricos do  cangaço. Em Piranhas me dirigi a pousada “O Canto” e depois de acomodado recebia as visitas dos amigos Petrúcio Rodrigues e Jaqueline Rodrigues. O encontro festivo foi regado com água e a degustação de vinhos e queijos de finas produções. Depois descemos para o centro histórico  para reencontrarmos os amigos e pesquisadores do cangaço. 

No Armazém Velho Chico encontramos Lourinaldo Teles, Ivanildo Silveira, Jair Tavares, Narciso Dias e Catarina, Pereirinha, Alan Alves, Luiz Ruben e Ângela, Neli Conceição, Sávio, Wescley, Guerhansberg, Emanuel Arruda, Geraldo Ferraz e Rosane, Reginaldo Rodrigues, Antonio Edson, Afrânio, Thomaz Cisne, Juliana, Lívio, Aderbal e Celsinho Rodrigues. Saboreamos uma rodada de tilápia e tapioca, porém a verdadeira aventura ainda iria começar e consistia em muito mais que um simples encontro e nossa participação na XIX Missa do Cangaço. Faríamos uma visita técnica a Grota do Angico onde passaríamos a noite.


As 23h começou de fato nossa experiência, embarcamos  no Catamarã  “Sertão”, comandado  por Hugo. Estávamos em seis pessoas: Eu, Celsinho Rodrigues, Ivanildo Silveira, Lourinaldo Teles, Petrúcio Rodrigues e Camilo Lemos.

Noite escura e fria descemos as águas correntes do Velho Chico.  As 23:45 chegamos a pousada Remanso (mesmo percurso feito pelos policiais há 78 anos para matarem Lampião, Maria Bonita e parte de seu grupo). Em Remanso os motores da embarcação foram desligados e em total silêncio ouvimos o tinir de chocalhos de cabras e bodes do outro lado do rio, em terras sergipanas.

As 23:50 os motores do “Sertão” foram religados e seguimos para a fazenda Angicos. Antes da chegada, as 23:58, o barco parou, a porca do parafuso do leme se soltou e ficamos a deriva por alguns segundos. Ficamos conversando sobre a experiência e observado um céu negro e estrelado. Três minutos depois o ajudante de embarcação consertou a pane e as 00:01 o barco estava novamente  percorrendo o São Francisco.

As 00:05 atracamos em Angicos, desembarcamos e as 00:15 foi disparado por Lourinaldo Teles, um tiro calibre 38. O estampido fez um eco que lembrou quase uma rajada, um ronco espalhou-se por entre os cânions.



As 00:25 começamos a trilha. No “Alto das Perdidas” fizemos uma parada e filmamos e debatemos sobre o ataque aos cangaceiros comandado pelo tenente João Bezerra, o aspirante Francisco Ferreira de Melo e o sargento Aniceto Rodrigues.

Recomeçamos a trilha e as 01:15 chegamos a Grota do angico onde encontramos nove pessoas já acampadas e que nos aguardavam com redes e barracas armadas. Juntamo-nos a Sálvio Siqueira (meu primo e conterrâneo de São José do Egito), Cristiano Ferraz e Geovane Macário (de Floresta), Romilson Santos (de Aracaju), Vaneildo Bispo (de Canindé do São Francisco), José Lopes Tavares ( de Verdejantes, PE), Maria Oliveira (Poço Redondo, Sergipe), Cícero Rodrigues (Maceió), Richard Torres Pereira (Serra Talhada).


 Local onde havia sido ficada a Cruz em memoria de Adriao

Um fato observado e que contrariou a todos quando chegamos a Grota do Angico foi encontrarmos um ato covarde de depredação e vandalismo que resultou na destruição da cruz e da placa em homenagem ao soldado Adrião Pedro de Souza, morto no dia do ataque a Lampião e que eu havia participado da expedição para colocá-la no lugar três anos atrás. Um dos guias que esteve na segunda feira, dia 26, no local disse ter visto uma mulher ligada diretamente com a história do cangaço (essa mesma mulher já tinha roubado em outro momento a cruz que o tenente João Bezerra colocou na Grota, na década de 1970, homenageando os cangaceiros) e um famoso guia colocando algumas placas lá e no outro dia, na terça feira, quando retornou a Grota do Angico, a cruz e a placa já tinham desaparecidos. Dois crápulas sem respeito e responsabilidade com a história.

1:49 observamos o nascimento da luz minguante saindo ao som do saudoso Luiz Gonzaga, todos cercando uma fogueira que nos aquecia da fria neblina e que assava um bode em espetos improvisados de madeiras. As 4:50 houve uma descarga de 15 tiros, calibre 380, realizada pelo policial Cristiano Ferraz, simulando o ataque das volantes.

Giovane Gomes de Sa, Louro Teles, Salvio Siqueira, Ivanildo Silveira, Joao de Sousa Lima, Jose Tavares Lopes, Richard Pereira e Petrucio Rodrigues

O dia amanheceu, era 28 de julho de 2016, 78 anos da morte de Lampião e Maria Bonita. As 08:00 chegou o aluno de cinema baiano Lourival Custódio filho com seu pai Lourival Custódio, seu tio Rui Vieira  e o amigo Marcos Antonio. Aos poucos foram chegando mais pessoas para participarem da missa, grupos de alunos, pesquisadores, turistas, jornalistas, escritores. Em uma das caravanas apareceu o padre Agostinho, sacerdote carioca que não perde um evento do cangaço.

Dezenas de pessoas se aglomeraram próximos as cruzes na Grota do Angico, a missa foi realizada. Aos poucos as pessoas foram saindo da Grota. Reunimos nosso grupo e também seguimos para o restaurante Angico onde saboreamos um gostoso peixe e falamos da experiência vivida na Grota do Angico. Fartos seguimos para Piranhas para participarmos do Cariri Cangaço. 



Em Piranhas, na pousada O Canto, em silêncio, viajei nas imagens gravadas no pensamento...a trilha, os amigos, os sorrisos, o eco irradiante do silêncio do Velho Chico, a lua brilhante, a fogueira... a cruz roubada, a placa arrancada, os vândalos, criminosos da história... bandidos ocultos na luz da evidência de um crime que desejo que não fique impune... Canalhas que se apoderam da fábula do cangaço e se sentem donos do que ao povo pertence...

Preferi ficar com a lembrança da noite fria e estrelada, marcada pela cor de uma bonita lua que se descortinou ao longe em seu esplendor e da fogueira que nos aqueceu, dos sorrisos dos amigos e da aventura vivida, nas cinzas esvoaçantes da fogueira que se desmanchou ao vento do nascer do dia, que sirvam como adubos para as velhas matariam que cercam as histórias e os mistérios da Grota do Angico.

João de Sousa Lima, Historiador, Escritor
Membro da ALPA- Academia de Letras de Paulo Afonso e Conselheiro do Cariri Cangaço.
Paulo Afonso, 31 de julho de 2016
Fonte:http://joaodesousalima.blogspot.com.br/2016/07/cariri-cangaco-de-piranhas-nos-78-anos.html


Artigo de Camilo Lemos...

Pesquisador do Cariri Cangaço

À pedido do pesquisador e conselheiro do Cariri Cangaço Jorge Remígio, vou tentar descrever as minhas impressões sobre a Visita Técnica a Grota do Angico, município de Poço Redondo-SE, realizada na madrugada do dia 27 para o dia 28 de julho de 2016. E assim poder ajudar de alguma forma nas discussões em torno do que aconteceu na madrugada do dia 28 de Julho de 1938. Mesmo sabendo que qualquer conclusão será relativa, será aproximada do que de fato ocorreu. São apenas as minhas impressões.
Por ocasião do CARIRI CANGAÇO realizado durante a semana do cangaço em PIRANHAS-AL, entre os dias 28 e 30 de Julho de 2016. Cheguei à véspera em Piranhas, pois pretendia assistir a Missa em homenagem aos mortos na Grota do Angico-SE na manhã do dia 28. À Convite de Petrúcio Rodrigues e Celsinho Rodrigues (idealizador da experiência), fui incorporado ao grupo de pesquisadores que contava com: Ivanildo Silveira, (pesquisador, Conselheiro do Cariri Cangaço e membro da SBEC), João de Souza Lima (historiador, escritor, membro da ALPA – academia de letras de Paulo Afonso, Conselheiro Cariri Cangaço), Lourival Telles (pesquisador de grande experiência),eu, Camilo Lemos, cuja única certeza é de ser Vascaíno (pesquisador), os já citados conhecedores da região desde o berço, Celsinho Rodrigues (pesquisador, conselheiro do Cariri Cangaço e bisneto de Chiquinho Rodrigues), Petrúcio Rodrigues (pesquisador, gente muito boa e sobrinho de Chiquinho Rodrigues).
Obs.:As anotações de horário foram feitas por João de Souza Lima, que escreveu esta experiência no seu blog. Embarcamos no Catamarã SERTÃO, comandado por Hugo Araújo Gonçalves, experiente navegador do São Francisco.
23h00min: Começa a experiência de repetir o mesmo trajeto feito pela volante comandada pelo tenente João Bezerra, 78 anos antes. No percurso foram desligadas as luzes da embarcação para verificar a visibilidade...
23h45min: Na altura da fazenda REMANSO, as luzes e o motor do SERTÃO foram desligados. Na noite fria, na imensidão do São Francisco, as estrelas apareceram dando uma visão deslumbrante e inesquecível da paisagem, deu uma ideia do que João Pernambuco e Catulo da Paixão Cearense quiseram dizer na sua “LUAR DO SERTÃO”. Ouvimos perfeitamente o som dos animais vindo das margens. Na água e entre os paredões ouve-se perfeitamente. Na escuridão é possível ver as duas margens do rio. Segue o barco.
00h00min: Atracamos
00h15min: Desembarcamos
Experiência de disparo de arma de fogo curta, calibre 38, efetuado por Louro Teles na entrada da trilha, ainda na margem do rio. Fiquei a uma distância de aproximadamente 10 metros do disparo. Depois do estampido seco e metálico característico de um revolver e, dentro de um intervalo entre um a dois segundos, o eco produzido nos paredões se aproxima ao som de um trovão, sentimos a onda sonora retornando como um longo “ronco”, “mais parecia uma rajada”, como descreveu João de Souza Lima.
Louro Teles, Petrucio Rodrigues, Joao de Sousa Lima, Celsinho Rodrigues, 
Ivanildo Silveira e Camilo Lemos
Às 00h25min Entramos na trilha, a mesma utilizada pelo Ten. João Bezerra, Aspirante Ferreira de Melo, SGT. Aniceto e mais 45 policiais volantes, orientados pelo coiteiro Pedro de Cândida e seu irmão Durval Rosa 78 anos antes. Em fila, intercalada pelas lanternas, entramos em terras sergipanas. Essa trilha tem aprox. 800m. A Visibilidade é muito baixa. Desligamos as lanternas e esperamos a visão se adaptar ao escuro. Repetimos este procedimento em diversos pontos. Em todas às vezes a visibilidade era quase nula. A Trilha hora estreita, hora íngreme e em certos trechos com terreno  acidentado de pedras soltas, torna a caminhada difícil. Mesmo com a s lanternas acesas, o caminho é difícil.  
No trajeto imaginava como teria sido à 78 anos. 48 homens com armamento, munição, sob uma forte tensão, o corpo em alerta, olhos e ouvidos no silêncio e na escuridão, um caminho tortuoso e apenas uma certeza (?). Iriam encontrar um forte grupo armado cujo líder era “nada mais nada menos” que LAMPIÃO. Meu corpo começou a reagir, veio o instinto de sobrevivência aguçando todos os meus sentidos: o ouvido treinado de músico não procurava mais acordes, mas qualquer ruído; meus olhos procuravam o caminho, meus pés, a melhor pedra.  Embora já acostumado a trilhas noturnas, essa tinha um sabor especial, a história envolvia todos nós.
No Alto das Perdidas, uma pausa para debate envolvendo dúvidas, conclusões, fatos. Repetimos a experiência de ficar totalmente no escuro. Um céu de lua minguante nos dava pouquíssima luminosidade. Desse local onde o Ten. João Bezerra dividiu a volante, ouvimos o primeiro grupo de pesquisadores que havia chegado à tarde. Uma observação: diferente das condições climáticas da mesma data em 1938, não chovia. Portanto, nem o grupo que já estava acampado, nem nós estávamos “Encobertos” pelo som da chuva, tampouco o acampamento estava em surdina.  Ouvíamos os sons vindos da grota.
01h15min: CHEGADA NA GROTA
– “LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO”
 – “PARA SEMPRE SEJA LOUVADO”
Cristiano Ferraz, José Lopes Tavares, Giovane Macário Gomes de Sá foram os primeiros a nos receber. Além dos citados acima, Já estavam no local os pesquisadores: Cícero Rodrigues, Richard Torres Pereira, Romilson Santos, Vaneildo Bispo, Maria Oliveira e Sálvio Siqueira, uma outra Expedição nos aguardava.
Dois fatos me causaram uma grande surpresa, perguntado ao grupo que encontramos se teriam ouvido disparo feito por nós no início da trilha, a resposta foi negativa.  Em seguida  deparamo-nos com uma desagradável cena, a ausência da placa e da cruz posta em homenagem ao soldado Adrião Pedro de Souza. Lamentavelmente arrancada, em desrespeito a esse ser humano, a historia e a todos os pesquisadores do tema. Devo confessar, a cruz do soldado causou-me estranheza ao vê-la pela primeira vez. Estranheza maior foi notar naquele momento sua ausência. Neste instante, veio-me na lembrança o escritor e historiador, Antônio Vilela, um dos que homenageou o soldado Adrião com a placa e a cruz.
O acampamento estava montado.  Armamos nossas redes, tive o auxilio de José Lopes Tavares que teve a atenção de verificar se estava tudo certo. Coisa de quem tem nobreza. Resolvi passar a noite em claro, conversei individualmente com alguns dos que estavam acordados e em pequenos grupos que se formaram em torno da fogueira. A lua já estava sob nossas cabeças, já passavam das 01h50min. Entramos no dia 28 de julho.
Local onde estava fixada a Cruz em memoria do soldado Adriao
E o tempo passou na grota...
Entre 04h30min e 04h45min, Cristiano Ferraz (policial, escritor e pesquisador) efetuou uma série de disparos com pistola calibre 380 dentro da Grota, próximo do local onde estão as cruzes. Minha localização era a uma distância de um metro à esquerda de Cristiano. Segundo ele, recebi o maior impacto sonoro devido a minha posição. No terceiro disparo, meu tímpano estalou, ressoando um apito contínuo. Mas foi possível observar a diferença do som e do eco nesse local. O ambiente agora era uma baixa cercada de pedras com vegetação alta. O som teve menos eco e foi mais brilhante do que o disparo efetuado no início da trilha. A visibilidade ainda era baixa.
Como nos informou Fábio Carvalho (pesquisador e especialista em armas de fogo): As armas curtas que geram 115 decibéis podem atingir uma altura superior e essa intensidade é considerada uma zona de ruído perigosa.  Armas classificadas como Sub Sônicas atuam na área abaixo de 330m\s ex. revolver CAL.38. Armas classificadas como Super Sônicas, a exemplo do Fuzil, ultrapassam os 330 m\s gerando estampidos muito mais altos. Seria preciso um decibelímetro para termos uma medição precisa. Com esses dados é possível ter uma ideia do volume sonoro gerado pelos disparos de dezenas de fuzis e três metralhadoras. Por maior que seja a experiência em combate, os efeitos do impacto sonoro geram uma “desorientação”. Embora se tenha treinamento para manter o foco, como por exemplo, os lutadores de MMA são condicionados a “ouvir” apenas a voz do seu treinador durante a luta. A questão é a diferença entre pessoas gritando e fuzis disparando. O que torna a tarefa mais difícil.

Nas primeiras luzes do dia, vi a GROTA sair das trevas e se transformar numa paisagem lunar, parecia encoberta por uma leve poeira cinzenta. Até 04h20min aproximadamente não se distingue a silhueta humana a mais de cinco ou oito metros. Por volta das 05h00min, Celsinho Rodrigues, Cristiano Ferraz, Ivanildo Silveira, Lourinaldo Teles e eu fomos checar prováveis locais como o Poço do Tamanduá e a Mesa, bem como Árvores Centenárias “testemunhas” daquele tempo e pedras marcadas pelos disparos feitos no amanhecer de 28 de julho de 1938.
Com as explicações sobre movimentação em combate dadas por Cristiano Ferraz, além das indicações de locais, rotas usadas e distância entre elas, feitas por Celsinho Rodrigues e complementadas por Ivanildo Silveira mais Louro Teles, podemos ter ideia de prováveis trajetos feitos por Volantes e Cangaceiros. Dessa forma, encerramos a Visita Técnica por volta das 06h00min e permanecemos no local onde assistimos a MISSA. Foi uma experiência, ainda incompleta, porém, muito rica. Um verdadeiro privilégio poder contar e aprender com pessoas de vasto conhecimento e acima de tudo de coração bom. Abraço Jorge Remígio! Agradeço pela oportunidade de poder compartilhar com todos vocês.
Camilo Lemos, Natal RN 

Fonte https://camilolemosartecultura.wordpress.com
Fotos - Camilo Lemos e Louro Teles

O Sertao Anarquico de Lampiao

Brasilia testemunhou na noite do ultimo dia 10 de agosto, no Espaço Cultural do restaurante Xique Xique, o lançamento da obra do estimado amigo, professor, pesquisador e escritor Luiz Serra. “O Sertão Anárquico de Lampião”,  traz um olhar diferenciado e especial sobre esse que sem duvidas se traduz entre os mais polêmicos de nosso nordeste.
Luiz Serra nos traz uma abordagem pessoal sobre esse sertão de todos nos e de Lampião !  “Anárquico”, considerando as crônicas e os mitos épicos construídos ao longo do tempo. A narrativa fundamentada em estudos culturais tem informações inéditas e uma possível teoria sobre a misteriosa morte do Rei do Cangaço e seu bando.
Luiz Serra
“A construção narrativa de Luiz Serra está fundamentada, ontológica e epistemologicamente, na escola historiográfica dos Estudos da Cultura, cujos pressupostos começaram a ser formulados na década de 1920, na França, com a École des Annales.Liderados por Lucien Febvre e Marc Bloch, a partir dos Annales, a historiografia começou a ser reinventada com vertentes mais flexíveis de análise, como a Nova História, a História das Ideias e a das Mentalidades.A Nova História também passou a defender a relevância dos perdedores, dos pobres, dos personagens anônimos e dos anti-heróis. Os cangaceiros, por exemplo, encontram-se nesse escopo”. Comenta Carlos Hugo Studart Corrêa jornalista, professor universitário e historiador brasileiro, doutor em História, pela UnB, no prefacio da Obra.


Com a palavra Luiz Serra,a abordagem acompanha uma sequência temporal desde o século XIX aos anos trinta do século XX, no cenário nordestino. Aqueles acontecimentos nucleares e profundos para a alma brasileira, no cenário do sertão nordestino, que inflamou os nervos daqueles bravos brasileiros.Como um cobertor de acalmia, o inevitável messianismo, com os padres Cícero e Ibiapina, e o Conselheiro do Belo Monte de Canudos. Era a prática religiosa adaptada às agruras do sertão, além do mais, havia as rezas de corpo fechado, para aqueles que ficavam no fogo cruzado, quando não em situações críticas de corpo a corpo! Os coronéis sertanejos tentavam “governar” seus domínios a ferro e fogo, aliando-se a milícias ou a cangaceiros, quando não, arregimentavam verdadeiros exércitos de jagunços armados, como foi o caso do célebre coronel José Pereira, de Princesa, na Paraíba.
E continua Serra,“nesse furdunço geral, chegou a Coluna Prestes serpenteando uma fileira de 1500 milicianos revoltosos e, no interior do sertão, foi combatida por todos os segmentos: tropas do governo, batalhões arregimentados, ditos patrióticos, e até o bando de Lampião chegou a instantes de fustigamento distanciado. Lampião, arguto conhecedor do esconso sertão da caatinga, sai-se airosamente no ano de 1936, e aparece nas telas do cinema da capital, do Rio de Janeiro. Inevitavelmente entraria em ação o poder central na figura de Getúlio Vargas, e da sutileza politica intervencionista, sai a solução para o fim do cangaço sertanejo.Estará no capítulo derradeiro comentário de uma possibilidade estratégica para a queda de Lampião.

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Piranhas Por:Benner Britto

Benner Britto

Estar em Piranhas - AL é sempre prazeroso, mas em companhia de familiares e amigos é ainda melhor. Mais uma vez, em busca de rever amigos e - principalmente - acompanhar meus Pais, Paulo Britto e Ane Ranzan, fui àquela cidadezinha belíssima, cravada entre montanhas, na beira do "Velho Chico", para participar do maior e melhor evento relacionado ao tema Cangaço, tema este que envolve Cangaceiros (criminosos) e Volantes (Policiais Militares).

O Cariri Cangaço, família de estudiosos, pesquisadores, historiadores, colecionadores e afins, que tive o prazer de conhecer já na primeira edição em 2009, na região do Cariri Cearense, com a iniciativa do Ilustre amigo Manoel Severo Barbosa, reuniu - neste último evento - dezenas de pessoas, vindas de 16 estados da federação. Algo incrível, que só poderia ser realizado com a dedicação do Curador Severo, da Prima Sonia Jacqueline, do primo/Irmão Celsinho Rodrigues , da amiga/cunhada Patricia Brasil, e dos admiráveis Conselheiros (são tantos que seria impossível citar todos).

Ane e Paulo Britto, Rossi Magne, Benner e Valdecir Britto

Piranhas, cidade onde meu Avô (Cel. João Bezerra da Silva) foi delegado por duas vezes e Prefeito, interventor. Cidade onde minha saudosa Avó Cyra Britto Bezerra nasceu e casou em 1935, foi o local de onde as Volantes, comandadas por meu Avô ,à época Tenente, saíram para realizar o COMBATE de ANGICO ,Poço Redondo/SE, em 28 de julho de 1938, quando tiveram êxito em matar Lampião, Maria Bonita e mais 09 (nove) Cangaceiros. Não devemos esquecer que houve reação dos Cangaceiros, resultando no ferimento de alguns soldados, inclusive meu Avô, e a morte do valoroso Soldado Adrião!!!

Como podem observar nas fotos, em homenagem aos valorosos heróis daquele combate, que exterminaram o mais famoso bandoleiro (Virgulino Ferreira da Silva - vulgo Lampião), tive o privilégio de usar uma réplica da farda do meu Avô!

Por fim, gostaria de agradecer em nome de toda família RANZAN DE BRITTO aos elogios e dizer que foi um prazer participarmos, por mais um ano, de um evento tão grandioso!

VIVA PIRANHAS, A CIDADE DAS VOLANTES!!!!!
São Luís/MA, 1 de agosto de 2016.
Benner Roberto Ranzan de Britto

Neto do Cel. João Bezerra

O Encantador de Amigos agora é Cidadão de Piranhas Por:Junior Almeida

Manoel Severo recebe homenagem de Junior Almeida

"O encantador de amigos"... Justiça seja feita, a frase do título é de Celsinho Rodrigues , que foi muito feliz em acrescentar ao vasto currículo de Manoel Severo Barbosa, o merecido título de encantador de amigos, na solenidade em que ele recebeu o título de cidadão de Piranhas. Tem razão Celsinho. Severo além de um excelente articulador, agregador, um “gentleman”, é na minha modesta opinião um domador de feras.
Existe um ditado que diz que “o bicho mais difícil de lidar, é gente”, pois, por exemplo, uma boiada, com animais enormes, um único vaqueiro tange para um lado e para outro, e os animais o obedecem instintivamente. Gente não. Com pessoas é diferente, cada um age de acordo com sua vontade, cada um tem uma ideia, que muitas vezes não é a mesma de quem está à frente na organização de algo.
Manoel Severo Gurgel Barbosa, fundador e curador do Cariri Cangaço, movimento turístico, cientifico e cultural, que desde 2009 divulga, revela e muitas vezes esclarece a história nordestina, nas áreas do cangaço, coronelismo, messianismo, religiosidade, tradição, cultura, música e até culinária, é quem está à frente dos maiores pesquisadores e escritores do país, além de descendentes de coiteiros, volantes, cangaceiros e também curiosos da temática, verdadeiras “feras”. Sempre muito bem articulado, Severo é o “domador” dessas “feras”, que o seguem para onde ele for.

Vereador Cacau e Manoel Severo, cidadão de Piranhas
Em reconhecimento ao seu incessante trabalho de divulgação da cultura nordestina, em especial do cangaço e fatos acontecidos no município de Piranhas, desde o último dia 28 de julho, data bastante emblemática no mundo do cangaço, o cearense Manoel Severo Gurgel Barbosa é cidadão honorário de Piranhas, nas Alagoas, projeto de autoria do vereador José Cláudio Pereira dos Santos, o Cacau. A honraria foi entregue ao homenageado na noite do dia 28, durante uma sessão solene da Câmara de Vereadores e a abertura do Cariri Cangaço Piranhas 2016, no Centro Cultural Miguel Arcanjo de Medeiros, diante de diversas autoridades e um auditório lotado pelos participantes do evento.
Emocionado com a homenagem, Severo começou sua fala chamando a atenção do fato de mais de metade do território brasileiro estar representado no evento, com participantes de 16 estados do país. Disse que estava ali, junto com pessoas desses lugares, para dizer a Piranhas que valia a pena contar “nossa” história, abraçar esse Sertão que faz parte do “nosso” sangue, da “nossa” alma. O cearense, agora cidadão piranhense, disse que vele à pena dizer para o Brasil, que aqui (no Nordeste) tem gente de fé, de força, que essa raiz que nos move é maior do que tudo. Severo disse ainda que aquele dia era muito especial pra ele, pois recebia um presente sem tamanho, que gostaria de dividir com todos os seus amigos.
Aplaudido de pé ao fim da sessão solene da Câmara e antes da abertura do evento Cariri Cangaço desse ano, Manoel Severo recebeu os cumprimentos das autoridades, amigos e convidados, além das dezenas de pessoas do evento 2016.

Junior Almeida
Pesquisador e Escritor
Capoeiras, Pernambuco

Cariri Cangaço Convida


É com muita satisfação que o Conselho Alcino Alves Costa do 
Cariri Cangaço, convida a todos para a posse de seu Conselheiro
 Geraldo Ferraz na Academia Recifense de Letras e do confrade 
Rossi Magne na Academia Gloriense de Letras. 
Uma grande honra para toda a família Cariri Cangaço !