Assembléia Legislativa Homenageia Manoel Severo e o Cariri Cangaço no Dia da Literatura Cearense

É com muita satisfação que convidamos a todos para participar da Sessão Solene celebrando o Dia da Literatura Cearense; quando o curador do Cariri Cangaço, Manoel Severo, será homenageado em nome do Cariri Cangaço; ao lado de outras personalidades da vida literária cearense; pela Assembléia Legislativa do estado do Ceara. A solenidade acontece na próxima terça-feira, dia 19 de novembro às 19 hrs no Plenário 13 de Maio, em Fortaleza.
A Sessão Solene é uma iniciativa da Assembléia Legislativa do estado do Ceará a partir de requerimento do deputado Heitor Ferrer. Para o curador do Cariri Cangaço, Manoel Severo, "o presente reconhecimento, compartilho de maneira humilde com a imensa família Cariri Cangaço de todo o Brasil; grande responsável nestes últimos 10 anos pelo lançamento de 76 novas obras literárias sobre temáticas voltadas para a memoria, historia e tradições nordestinas, tornando o Cariri Cangaço uma das mais exitosas iniciativas do gênero no Brasil.


Nazaré Reverencia Manoel Neto !


Missa de Aniversário dos 40 anos da morte do grande volante e destemido 
MANOEL DE SOUZA NETO, 
Capela de Nazaré do Pico 
Dia 16 de Novembro de 2019
as 10 horas da manhã.

Lamartine e o Tiro que Matou Lampião...


Lamartine Lima entre os Conselheiros do Cariri Cangaço, Juliana Pereira, 
João de Sousa e Manoel Severo

Transcrevemos depoimento do pesquisador e médico, Lamartine Lima a cerca da palestra do Conselheiro Cariri Cangaço, Ivanildo Silva por ocasião do Cariri Cangaço 10 Anos na cidade de Juazeiro do Norte no Ceará com o tema:"O tiro que matou Lampião".

"Meu caro Ivanildo, parabenizo-lhe pelo seu muito bem pesquisado trabalho que resultou na cuidadosa, minudente e substancial conferência “O tiro que matou Lampião”, por você proferida no dia 25 de julho de 2019, às vésperas do 81 aniversário da morte daquele chefe cangaceiro. Como você sabe, passei 25 anos vinculado ao meu Mestre Estácio de Lima, que me preparou e nomeou Médico Legista do Instituto Nina Rodrigues, que o fui durante 30 anos, em consequência do que também fui seu Assistente nas suas quatro Cátedras de Medicina Legal - Faculdade de Medicina da Bahia da UFBA, Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública, Faculdade de Direito da UFBA e Escola de Formação de Oficiais da Polícia Militar do Estado da Bahia - antes havendo sido universitário voluntário guia do Museu Estácio de Lima daquela instituição. 

Mesmo antes das cabeças dos sete cangaceiros - Lampeão, Maria Bonita, Corisco, Azulão, Zabelê, Canjica e Maria de Azulão - terem sido colocadas no museu, eu as conheci no gabinete vizinho da Sala Oscar Freire, de autópsias do antigo Nina, onde trabalhava o embalsamador de todas elas, o francês Dr. Charles René Pittex, com quem depois eu laboraria durante uma década. Estudei todas aquelas cabeças, antes e depois de sepultadas, no intervalo de trinta anos, e apenas Lampeão e Canjica haviam recebido tiro no crânio, em combates diferentes. 

Eu havia estado acompanhando o Prof. Estácio e sua futura sucessora Profa. Maria Theresa Pacheco em viagem de estudos pela Europa durante três meses do ano de 1973, quando tivemos a oportunidade de conhecer bem, através do Prof. Césare Gerini, o Gabinete do Prof. Césare Lombroso, de quem aquele era o quarto sucessor na Cátedra de Medicina Legal da Universidade de Turim, onde estavam guardadas, junto com a cabeça do próprio Lombroso, outras partes corpóreas dele e muitos cérebros de criminosos por ele estudados, mas sobretudo chamava-me a atenção o crânio do famoso assassino Giuseppe Villela, em que Lombroso identificara a anormal fosseta mediana occipital (regressão anatômica), à qual aquele célebre homem de gênio atribuía o grave desvio comportamental e criminal de Villela. 

Pensamos em procurá-la em Lampeão. Acontece que o tiro que o famoso cangaceiro recebera na região fronto-parietal direita e produzira ampla fratura craniana, deformara a sua cabeça e, ainda em Alagoas, o Dr. Lages Filho a recompusera ajustando e suturando os tecidos moles cefálicos, o que foi reforçado depois pelo Dr. Pittex. Assim, o Prof. Estácio, e mais tarde eu também, estudaria através de Raios X o endocrânio do bandido nordestino, sem muitas conclusões. 

Conselheiro Cariri Cangaço, Ivanildo Silva por ocasião do Cariri Cangaço 10 Anos

Há muitos anos, quando eu era Secretário Geral do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia, estive com o Dr. Jaime de Altavila Filho, Presidente do Instituto Histórico de Alagoas, que me mostrou aqueles objetos, o punhal e a cartucheira de Lampeão, com as evidências dos tiros que receberá no tronco. Depois que Mestre Estácio se aposentou, o seu despeitado sucessor no Nina mandou fechar o museu e sepultar todas as cabeças. Só 30 anos depois disso, no início deste século XXI, quando as descendentes de Lampeão e Maria Bonita me pediram para conseguir a exumação das cabeças, e eu a fiz, pude encontrar sem as partes moles e exposto o crânio fraturado de Virgulino Ferreira da Silva, tendo o osso occipital indene e absolutamente normal. A sua conferência enriquece bastante o décimo ano do Cariri Cangaço e engrandece a academia de estudos cangaceiros." 

Muito agradecido, amplo e firme abraço do velho amigo
Lamartine".

O Sertão Sob as Lentes de Nova Iorque: Silvino Ataca Novamente



No dia 27 de outubro do corrente ano, O CPDoc-Pajeú, através de um artigo assinado pelo coletivo, trouxe ao conhecimento do público uma reportagem publicada no dia 27 de março do ano de 1971 no jornal americano The New York Times que, a partir da análise de cunho etnográfico acerca da procissão de São José ocorrida em 19 de março desse mesmo ano São José do Egito (PE), descrevia o flagelo enfrentado pela população do município durante a seca de 1970 e tecia uma  crítica à política de desenvolvimento regional até então implementada pelos governos que, segundo o articulista americano, negligenciava “a agricultura rural” e “manteve nordestinos em suas terras inóspitas e vivos nos níveis de subsistência durante a seca”.

Diante da repercussão que esse artigo teve, tendo sido veiculado em vários sites, blogues e programas de rádio da região, o CPDoc-Pajeú decidiu disponibilizar parte de seu acervo e de sua produção através da publicação de uma série intitulada “O Sertão sob às lentes de Nova Iorque”, conjunto de artigos a serem produzidos a partir das reportagens publicadas pelo The New York Times que tem como foco as áreas do Sertão nordestino. Nesse sentido, hoje estamos reportando a publicação de 04 de agosto de 1907, que descreve a ação do cangaceiro Antônio Silvino e seu grupo ao atacar um engenho (plantação de açúcar) localizado a “duzentas milhas” da Capital, o que colocou 400 praças da força policial do Estado de Pernambuco em seu encalço.

Nessa ação, que sofreu reação de apenas um homem, morto de imediato, Antônio Silvino e seu grupo conseguiram do proprietário, a título de extorsão, a bagatela equivalente a dois mil dólares e obrigou a abertura da loja (bodega ou barracão) do engenho para que os trabalhadores dessa propriedade distribuíssem, entre si, a mercadoria estocada na loja. Silvino ainda ameaçou retornar e punir o proprietário se este perseguisse algum dos trabalhadores que, porventura, recebessem os produtos provenientes da loja.   Na reportagem, não existe indicação precisa da localização do engenho em questão, mas a informação de que a última ação do grupo de Antônio Silvino registrada pela imprensa teria sido realizada em janeiro daquele ano em um engenho localizado perto da povoação de Santa Cruz nos faz presumir tratar-se da região serrana de Triunfo/Baixa-Verde, histórica produtora de cana-de-açúcar e que fica, justamente, a mais de 200 milhas da Capital. Nessa ação, que culminou com a invasão da povoação de Santa Cruz o grupo de Silvino teria cometido mortes e estabelecido uma cobrança de valor equivalente a 50 dólares a título de extorsão.


Apesar de Antônio Silvino já ter sido muito referido na bibliografia especializada sobre cangaço, o retorno à sua história, bem como às de outros cangaceiros, ainda é um campo fértil para compreendermos as dinâmicas sociais que se desenvolveram nos sertões nordestinos nos séculos passados, mas que ainda não foram plenamente evidenciadas do ponto de vista historiográfico nem tampouco analisadas com profundidade sob o ponto de vista sócio-antropológico. Por exemplo, sobre a origem social dos cangaceiros, a bibliografia nacional e internacional sobre cangaço, de um modo geral, trata-os, de forma quase automática, como sendo de origem pobre, pertencente aos estratos sociais explorados, despossuídos ou alijados dos postos de decisão política. Mas esforços recentes de estudo em cooperação realizados por Aldo Branquinho e Yony Sampaio, ainda não publicados, já apontam para a origem distinta da família de Antônio Silvino. Ele simplesmente descende de Gonçalo Ferreira da Costa, beneficiário por concessão de datas de sesmarias no Cariri da Paraíba, cujos filhos foram também sesmeiros no Cariri e rendeiros das fazendas da Casa da Torre no Alto Pajeú.

Compreendemos que caberá ao esforço de novos estudiosos o desvendamento dos detalhes e as nuances de dinâmicas sociais não evidenciadas (obscurecidas muitas vezes por apegos a pressupostos teóricos simplificadores) e analisar os processos sociais (com as devidas repercussões psicológicas) de empobrecimento, disputas internas e entre grupos rivais, crise e ascensão de elites agrárias e políticas que possibilitaram, por exemplo, a vida, o surgimento e a ação de Manoel Batista de Moraes, o célebre cangaceiro Antonio Silvino.


Quem somos?
"O Centro de Pesquisa e Documentação do Pajeú – CPDoc, nasceu da carência de estudos e pesquisas sobre a história do pajeú e suas adjacências feitos por pesquisadores autóctones. A necessidade de conhecer e tornar notória nossa história secular levou a um pequeno grupo de estudiosos e pesquisadores de vários ramos do saber a se unirem em torno de um grupo cujo elo mais forte é o amor por sua terra, por seu povo, sua cultura e suas raízes."


Hesdras Souto
CPDoc-Pajeú


Francisco Ferreira de Mello ...


Força Policial Volante sob o comando do Tenente PMAL Francisco Ferreira de Mello (Chico Ferreira), em fotografia colhida quando a tropa retornava da fazenda Angico, local da morte do cangaceiro Lampião.O registro foi feito dias após a morte do Rei do Cangaço, ocorrida após cerco policial em 28 de julho de 1938, pelo fotógrafo do jornal carioca A Noite. Ao lado do Tenente Chico Ferreira (promovido após a morte de Lampião) está o jornalista Melquíades da Rocha, do jornal A Noite e que fez uma ampla cobertura jornalística sobre a operação militar que resultou no extermínio de Lampião, Maria Bonita e mais 9 elementos do famoso bando e também na morte do Soldado PMAL Adrião Pedro de Souza. 

Foto cortesia de Paulo Britto.
Postagem por Wasterland Ferreira

Gustavo Barroso e a Casa de Conselheiro Por:Bruno Paulino


"O contista e jornalista Gustavo Barroso quando foi correspondente da revista ''O Cruzeiro'', na década de 40, uma vez visitou Quixeramobim, estava escrevendo sobre a vida de Antônio Conselheiro para o periódico de maior circulação nacional. Fausto Nilo - cujo pai costumava ler "os sertões" - era menino e leitor da revista, ficou entusiasmadíssimo ao saber que a história de sua morada iria sair no Cruzeiro. Gustavo Barroso foi quem primeiro divulgou nacionalmente a casa do conselheiro, num momento em que se iniciava um revisionismo e reconstrução histórica do personagem"
Bruno Paulino

Romeiros do Padim Ciço Por:Rangel Alves da Costa


Dá-se o nome de romaria aos grupos de pessoas que viajam em peregrinação aos locais sagrados, guiados pela fé e pela crença, objetivando sempre a demonstração de gratidão religiosa ou a retribuição por graças alcançadas. Romeiros, pois, são tais pessoas que seguem a pé, em animais ou outros meios de transportes, vencendo cansaço e até as dores de enfermidades, para ter-se diante daquilo que reputam como divino ou milagroso. Muitas vezes, a simples presença é como alívio ou cura.
Os objetivos da romaria podem ser diversificados, mas a real penitência sempre se volta para o pagamento de promessas, a alimentação da fé e a demonstração de amor e gratidão ao templo, ao santo ou ao local tido como sagrado. É neste sentido que os romeiros de antigamente faziam quando, neste período do ano, já ao findar o mês de outubro, seguiam em grupos até Juazeiro do Norte, na região do cariri cearense, para louvar a vida, os feitos e os milagres de Cícero Romão Batista, o Padre Cícero Romão, ou simplesmente “Padim Ciço”.


Hoje a ida até Juazeiro do Norte, terra do Padre Cícero e da fé do nordestino, é feita de modo muito mais seguro, ligeiro e através de meios de transporte modernos e confortáveis. É uma viagem qualquer, a passeio, com hora de partida e de chegada, acaso algum contratempo não surja. Muito diferente de antigamente, quando viajar a terra sagrada dos nordestinos significava esforço, sacrifício e extrema abnegação. Somente a fé para chamar e conduzir o sertanejo em meio a tantas atribulações na viagem e estadia.


Nos dias de agora, basta fretar um ônibus de turismo ou tirar da garagem o possante de luxo e seguir viagem. As paradas são poucas, os restaurantes oferecem do bom e do melhor nos instantes de fome, as vias são asfaltadas e as distâncias parecem muito mais encurtadas. Agora imaginem uma viagem longa e cansativa, por muitos trechos de chão batido, em cima de uma caminhonete, rural ou caminhão pau de arara. E num apinhado tão grande de gente que mal dava para abrir a boca para as cantigas e rezas de romaria.


Mas quanto mais sacrifício mais demonstração de amor ao santo padrinho do nordestino e do sertanejo. E assim porque desde muito que o Padim Pade Ciço foi santificado pelo povo, desde muito que a fé em seus milagres está presente na vida de tantos. Mesmo sem o reconhecimento oficial do Vaticano, o Santo do Juazeiro já foi entronizado pela fé de um povo que o devota proteção, cura e desatribulação. Exemplo disso está na sala dos ex-votos onde troncos e membros em madeira, representando as partes curadas, estão expostos como demonstração das graças alcançadas.

Dona Maria havia sido desenganada pela medicina. Com problema tamanho e sem mais jeito a dar pela ciência humana, um dia se ajoelhou perante a imagem do Padim Pade Ciço e, após lágrimas e orações, ao santo pediu intercessão de cura e prometendo que se boa ficasse, a partir daquele ano não faltaria a mais nenhuma romaria. E no mês de outubro lá estava ela subindo num pau de arara e levando consigo a prova da cura em madeira: duas pernas. Desenganada estava, mas o santo nordestino lhe permitiu restabelecer suas forças e ficar curada daquelas dores terríveis que até a impediam de caminhar.

Assim com Sebastião, com Jurema, com Quitéria, com Leontino. Todos curados pela intercessão do Padim Pade Ciço, pelo desejo do santo dos pobres e dos desvalidos. Por isso mesmo que dificilmente há uma casa onde não esteja presente a imagem do milagreiro ou mesmo uma fitinha de fé. E não adianta querer justificar que a cura foi obtida por outros meios. Ora, o povo não quer saber se houve receita e médico, se houve injeção ou comprimido, se houve dieta e cuidado. O que importa mesmo ao povo é a certeza de que através da fé foi atendida pelo Santo de Juazeiro.


Daí que, no passado, tanto sacrifício para pagar promessas, para visitar o túmulo do santo padre, para entrar ajoelhado nas igrejas, para ouvir missas e sermões, para receber a água benta de Juazeiro, para avistar a estátua, para chorar a seus pés. Mais de dia de viagem, levando a devoção no peito e farofa com carne seca no saco de viagem. Mulheres já partindo com lenços na cabeça, vestidos compridos, dinheirinho escondido nas pregas das anáguas, em atitudes que somente a fé e a devoção extremadas podiam justificar.

E de Juazeiro retornar renovadas, espiritualmente fortalecidas, e trazendo sempre uma garrafinha de água benta, meia dúzia de rapaduras e um punhado de fitas. E a promessa de retornar. E a certeza de que o altar nordestino está mesmo em Juazeiro e no pedestal santificado está o Santo Padim.


Rangel Alves da Costa, Pesquisador e escritor - Conselheiro Cariri Cangaço.
29 de Outubro de 2019 - blograngel-sertao.blogspot.com

Sessão Solene da Academia Lavrense de Letras Acontece em Fortaleza

Cristina Couto e Manoel Severo: Conselho do Cariri Cangaço na Festa da Academia Lavrense de Letras

Aconteceu na noite desta ultima quinta-feira, 31 de outubro de 2019, no bairro Meireles na cidade de Fortaleza mais uma Sessão Solene da Academia Lavrense de Letras. Presidida pela escritora Cristina Couto, a Arcádia empossou um novel acadêmico que tomou assento na cadeira de número 30. Assumiu como mais novo membro efetivo da ALL o escritor e poeta Jesus Alves Pereira.

O mais novo acadêmico da ALL, escritor Jesus Alves Pereira
Cristina Couto, Benedito Vasconcelos e Fátima Lemos
Ingrid Rebouças, Manoel Severo, Cristina Couto e Susana Goreti

Em noite concorrida que contou com a presença; além de membros efetivos e correspondentes da Academia Lavrense de Letras; representantes de várias outras instituições literárias, familiares e convidados que participaram da Sessão Solene que contou ainda com a entrega oficial da Estola de Conselheira do Cariri Cangaço, pelo curador Manoel Severo, à presidente da Academia e também Conselheira do Cariri Cangaço, Cristina Couto.

Manoel Severo na Sessão Solene da ALL
Cristina Couto recebe a Estola do Conselho do Cariri Cangaço
Manoel Severo e Rômulo Alexandre

A solenidade ainda marcaria a Conferência "Martin Soares Moreno: A fundação do Ceará e a Jornada do Maranhão" pelo advogado e representante da Câmara Brasil-Portugal, Dr Rômulo Alexandre Soares; como também de forma solene houve o lançamento da edição de número 03 da Revista da Academia Lavrense de Letras, com artigos de vários colaboradores, dentre esses: Cristina Couto, Manoel Severo, Calixto Junior, Rômulo Alexandre, Ângelo Osmiro, dentre outros.

3ª Edição da Revista da Academia Lavrense de Letras
Linda Lemos, presidente da ALJUG, Benedito Vasconcelos, presidente da SBEC
 e Manoel Severo, presidente do Cariri Cangaço
Ingrid Rebouças, Manoel Severo,Cristina Couto, Benedito Vasconcelos e Susana Goreti

Ainda dentro da solenidade da Academia Lavrense de Letras-ALL, foi lançado o livro “ Vivências de um Menino em uma Fazenda Sertaneja”, de autoria do Prof. Benedito Vasconcelos Mendes, presidente da SBEC. A Presidente da ALL, Cristina Couto solicitou  à escritora Linda Lemos, Presidente da Academia de Letras Juvenal Galeno-ALJUG para fazer a apresentação protocolar do livro do Professor Benedito. Após o discurso de apresentação da citada obra, o Prof. Benedito Mendes agradeceu à escritora  Linda Lemos e à Presidente Cristina Couto pelos elogios que fizeram ao livro recém-lançado.

Manoel Severo, Cristina Couto e Rômulo Alexandre
Susana Goreti, Benedito Vasconcelos, Cristina Couto, 
Manoel Severo, Ingrid Rebouças e Ruy Gabriel
Fátima Lemos
Marcelo Leal


Sessão Solene da Academia Lavrense de Letras
Fortaleza, 31 de Outubro de 2019.

Padre Azarias Sobreira Por:Arievaldo Viana


“O Patriarca do Juazeiro”, biografia do Padre Cícero escrita pelo Padre Azarias Sobreira tem uma história interessantíssima. Conforme divulguei no primeiro livro desta série, “Sertão em Desencanto”, Padre Azarias, quando adolescente, hospedou-se na fazenda de meus bisavós Fitico e Mercês, nascendo daí uma amizade que perdurou pelo resto da vida. Foi por orientação do Padre Azarias que o velho Fitico resolveu construir a capelinha do Castro, dedicada à Jesus, Maria e José. Foi nessa pequena igrejinha que recebi a água e os Santos Óleos do batismo e, oito anos depois, recebi a Primeira Comunhão.


Quando o Padre Azarias publicou a primeira edição de “O Patriarca do Juazeiro”, fez questão de enviar um exemplar autografado e com uma bela dedicatória para a minha bisavó. Tive contato com esse livro na infância e depois o perdi de vista. Por um desses milagres do ‘deus’ destino, esse livro retornou às minhas mãos graças ao amigo Jander Araújo, que ao ler na página de rosto a seguinte dedicatória “À Dona Mercês de Sousa – uma humilde lembrança do Autor. Fortaleza, 17 de setembro de 1969, Pe. Azarias Sobreira”, entendeu que o livro deveria ficar em meu poder. Foi um dos melhores presentes que já recebi em minha vida.

Arievaldo Viana, poeta e escritor
29 de Outubro de 2019 - Fortaleza, Ceará
 https://acordacordel.blogspot.com/.../reminiscencias.html...

Vem aí: Vida e Morte de Isaias Arruda Sangue dos Paulinos, Abrigo de Lampião


Desde que iniciei minhas andanças pelos carrascais da caatinga deste nosso maravilhoso sertão; notadamente de meu cariri cearense; que um personagem em particular me saltava aos olhos... Num cenário e ambientes explosivos como os do inicio do século XX, por esses lados do Brasil esquecido por Deus; onde a força do bacamarte decidia destinos e estabelecia quem devesse viver, ou morrer; na época dos coronéis de barranco e que o poder era disputado “a bala” nos feudos nordestinos, despontava da pequena Vila d'Aurora; no vale do Salgado; Isaias Arruda de Figueiredo.

Sem dúvidas um homem incomum; inteligente, sagaz, destemido, determinado, de uma coragem incomparável e uma sina: Tornar-se o mais jovem e temido coronel das terras cearenses dos anos vinte. Isaias teve seu destino palmilhado à bala, tanto em suas conquistas como na definição de seu ato final, e fatal em agosto de 1928.


Com uma personalidade arrebatadora, líder inconteste e acima de tudo um predestinado, Isaias Arruda escreveria sua saga no livro de historia do sertão... Às vezes fico pensando o que esse “Coronel Menino” assassinado aos 29 anos poderia ainda ter feito... Mas para responder essa pergunta nada melhor que adentrarmos no universo do “Vida e morte de Isaías Arruda- Sangue dos Paulinos, abrigo de Lampião”, capitaneado pelo brilhante pesquisador e escritor João Tavares Calixto Júnior; uma das mais gratas surpresas no campo da pesquisa do coronelismo sertanejo.

Calixto Júnior ; também Conselheiro do Cariri Cangaço; a partir de um trabalho espetacular; minucioso, dedicado e responsável; de muitos anos, nos apresenta não só os acontecimentos da época, mas e principalmente o perfil, a personalidade, as relações perigosas e principais fatos que tronariam Isaias Arruda quase uma unanimidade: Um homem a frente de seu tempo. O lançamento acontece neste próximo mês de novembro e quando chegar...Boa leitura.

Manoel Severo, curador do Cariri Cangaço.
Texto "Orelha" do Livro Vida e Morte de Isaias Arruda - Sangue dos Paulinos, Abrigo de Lampião, autoria de João Tavares Calixto Junior, Conselheiro Cariri Cangaço.
30 de Outubro de 2019

Todos a Nova Olinda, Vida Longa e Vivas a seu Espedito Celeiro !


A Retirada Por:Rangel Alves da Costa


"Capitão, já tamo arranchado aqui pra mais de três dia, e adescupe dizê mai já tô achano tempo demais a gente num mermo lugar. Quano o Capitão pensa em levantar coito?”. Lampião baixou a cabeça, um tanto pensativo, e sem nada responder naquele instante, mas não demorou muito, depois de levantar os olhos em direção aos horizontes da noite, para afirmar: “Cangaceiro nunca tem hora de chegar nem de partir. É o sopro do vento, o desassossego do bicho e o zunido da mata quem tudo diz. Sinta o que tô dizeno e vai saber a hora da gente levantar coito”.
Noite fechada, de breu. Vaga-lumes voejavam pelo coito sem imaginar sobre quem jogavam suas faíscas de luz. Lampião chamou Maria Bonita e juntos seguiram até a encosta de um lajedo grande mais adiante. A companheira do Capitão se mostrava inquieta, nervosa, assombrada com qualquer coisa. E foi por esse motivo que seu companheiro logo lhe perguntou: “O que lhe aperreia, Maria. Tô sentindo uma estranheza e não gosto que teja assim. Me diga, o que tá acontecendo?”.
“Meu Capitão, nada não. Nem em todo momento a gente se mostra despreocupada. Preocupada eu num tô não, mai também num deixo de tá. Nessa madrugada me veio um sonho que nada lhe contei sobre ele, mai depois que a noite caiu eu comecei a sentir quase tudo que se passava no sonho. Uma noite fechada como essa, com vaga-lumes pelo coito, e também um silêncio estranho que parece trazendo voz, que parece anunciar a presença de gente vigiando a gente. Outra coisa. Também ouvi um piado tão assombroso de passarinho que mais parecia o anúncio de um tempo ruim que chegava. Ainda bem que esse piado não apareceu...”.
Maria Bonita ainda falava quando um piado medonho, o mais arrepiante e espantoso que pudesse existir, surgiu tão alto que mais parecia de um pássaro agourento pousado no meio do coito. Não se sabe sequer de qual lado veio, mas trinou como um terrível prenúncio de algo muito ruim. Maria Bonita se lançou nos braços do Capitão e não pôde conter as lágrimas. Trêmula, perguntou: “Ouviu, meu Capitão?”. Lampião não respondeu. Abraço ainda mais forte a sua Santinha, mas sem demora já estava dando o sinal por todos conhecido. Era hora da retirada, e naquele mesmo instante, sem qualquer demora.


Toda a cangaceirama parecia permanentemente preparada para receber esta ordem a qualquer momento. No coito, o repouso não contava com a total retirada da roupa pesada nem com o descanso das armas. Mesmo sem as cartucheiras e embornais, sem os chapéus e jabiracas, a cangaceirama mantinha sobre o corpo o necessário ao enfrentamento dos contratempos. Sempre uma arma ao redor, sempre um olho aberto enquanto o outro tentava dormir, sempre a constante vigília daqueles que nunca descansavam na paz e na despreocupação. Até mesmo os encontros sexuais se davam por entre roupas.
Assim, poucos instantes depois da ordem do Capitão e todos já estavam prontos para a partida. E não havia tempo sequer de perguntar o que tinha acontecido e o porquê daquela pressa toda. Os apetrechos foram juntados nos embornais, as cartucheiras apressadamente repostas, os armamentos deitados ao largo do corpo, as pequenas tendas desfeitas e os canecos e cantis dependurados. “Seguir por onde?”, um cangaceiro perguntou. Mas nem houve tempo de qualquer resposta. Quando a mata adiante se abriu e a bala começou a zunir, então a direção tinha que ser ao contrário.

Rangel Alves da Costa e Manoel Severo
Mas assim não ocorreu. Quando o primeiro tiro inimigo faiscou na pedra e a cangaceirama sentiu que estava sendo atacada, a voz de Lampião se fez mais alta e uma ordem inesperada ecoou: “Sem recuar. Atacar de frente!”. Então a cangaceirama começou a abrir fogo frente a um inimigo invisível. A terrível escuridão não permitia avistar quase nada que estivesse à frente. Os vaga-lumes agora eram os cuspidos das armas chispando no meio da noite. Numa vontade cega de lutar, de atacar o que estivesse pela frente, as armas vomitavam de lado a lado e os gritos anunciavam as investidas e os açoites recebidos. Brados de dor, urros e silêncios mortais.
A mataria amanheceu em estado de devastação. Galhos retorcidos, troncos cravejados de balas, folhagens tingidas de sangue. O combate travado fora tão violento que urubus e outras aves carnicentas despontavam pelos ares em busca de sangue ainda latejante. Mas nenhum morto por ali, nenhum cangaceiro ou volante prostrado em suas dores e aflições. Ora, em guerra tão feroz as vítimas teriam de estar por ali. Mas nenhum morto e nenhum ferido.
As marcas da guerra ainda continuam pelos arredores daquele coito. Até hoje, contudo, ninguém sabe o final daquela vindita travada em meio à escuridão. Entre vencidos e vencedores, apenas a certeza de que os heróis não se eternizaram. Os cangaceiros colocaram a volante em forçado recuou, ou a soldadesca fez com que os homens do Capitão abrissem fogo somente para fugir? Ninguém sabe. Não precisa saber. Não há nenhum herói nem bandido nessa história. Apenas homens que nem sempre sabiam a bandeira de luta que carregavam.
Apenas ficção. Mas bem que poderia ter acontecido assim.

Rangel Alves da Costa, pesquisador e escritor
Conselheiro Cariri Cangaço, Poço Redondo-SE