Zezé Patriota e sua curta vida no Cangaço Por:Hesdras Souto

No final da década de 20 do século passado, o banditismo assombrava o nordeste brasileiro a todo vapor. O cangaceirismo, fruto, dentre outras coisas, da profunda concentração de renda e terra, era matéria recorrente em jornais de vários cantos do Brasil. Um homem notabilizou-se e ganhou fama por suas estratégias e afrontas, chamava-se Virgulino Ferreira da Silva, vulgo Lampião, O Rei do Cangaço, epíteto ganhado não por acaso. Lampião foi, sem dúvida, o mais bem sucedido líder cangaceiro que houve no Brasil. E por que não no mundo?

Apesar de ser o nome mais emblemático quando falamos sobre o Cangaço, diversos outros cangaceiros salteavam vilas e cidades por todo o Nordeste. O Sertão do Pajeú, no interior de Pernambuco, foi o solo mais fértil a parir cangaceiros. Assim como Lampião, herdeiro de Sebastião Pereira e Silva, o Sinhô Pereira, que também nasceu no Pajeú, outros grandes vultos do cangaço brotaram pelas margens desse mítico rio. Quem nunca ouviu falar em Manoel Baptista de Morais, o lendário Antônio Silvino, O Rifle de Ouro, que precedeu o “Rei do Cangaço”, ou ainda Adolpho Meia-Noite, o cangaceiro de ascendência inglesa, que por sua vez precedeu o Rifle de Ouro? Todos são filhos do Pajeú, todos banharam-se nesse rio e todos beberam de suas águas.

Outros dois cangaceiros contemporâneos de Lampião e igualmente nascidos na região do Pajeú foram Manoel Rodrigues e José Patriota, que agiram principalmente entre Flores, Afogados da Ingazeira, São José do Egito e nas cidades paraibanas limítrofes com Pernambuco, como Teixeira, Desterro e Patos. 

Vamos nos ater a figura de José Patriota ou Zezé Patriota, como ficou conhecido. Nascido no povoado de Umburanas, atual cidade de Itapetim, em 01/05/1896, segundo consta em cruz aposta em sua homenagem, localizada na zona rural do município citado. Era filho do casal Miguel Archanjo Patriota e Antônia Maria do Espírito Santo. É importante salientar que não acreditamos nessa data de nascimento já que não encontramos nenhum registro de batismo com seu nome, ao contrário de seus irmãos, Levino, Antônio, Argemiro e Miguel.

As informações sobre a vida de Zezé Patriota ainda são escassas. O que sabemos sobre ele, até o presente, é o que foi repassado pela história oral e o que consta nos jornais. Por exemplo, não sabemos precisamente o motivo de ele ter entrado para o cangaço. O que podemos especular, baseado nas notícias dos jornais, é que sua vida no cangaço foi curta.

Segundo a história oral, em 1926, Zezé Patriota cometeu um homicídio no povoado de Bom Jesus, hoje Tuparetama (PE), vitimando o senhor Francisco Fidelis. O possível motivo foi uma desavença familiar envolvendo uma criança. Em setembro desse mesmo ano saem as primeiras notícias sobre os crimes de Zezé Patriota.Numa delas (Jornal do Recife – 18/09/1926), Manoel Rodrigues e José Patriota tinham feito um grande assalto à Fazenda Europa, de propriedade do senhor Secundino de Souza Limeira, tendo os criminosos espancado até os seus familiares, fato noticiado pelo próprio Secundino em carta enviada à redação do jornal. Essa notícia nos leva a crer que Zezé (José) Patriota começou sua vida de cangaceiro no bando de Manoel Rodrigues, que de acordo com o referido jornal tinha apenas nove homens (Jornal do Recife – 31/06/1926).Posteriormente, Zezé Patriota formou seu próprio bando, sendo o substituto de Manoel Rodrigues, como consta na matéria do Diário de Pernambuco, de 14 de setembro de 1926, também reproduzida no jornal paulista O Combate (SP) em 24/09/1926.

Cruz marcando o local onde Zezé Patriota foi morto - Sítio Mocambo, Itapetim – PE. 

No mês de abril do mesmo ano, Zezé Patriota tinha ido ao Rio Grande do Norte cometer crimes, lá encontrou outros cangaceiros que se juntaram a ele. Após resistência da polícia potiguar, eles passam pela Paraíba e entram em Pernambuco, indo assaltar a Fazenda São Pedro, no município de São José do Egito, à época pertencente ao senhor Alfredo Dantas Vilar. O bando foi recebido a tiros pelos defensores da propriedade. Nesse combate Zezé Patriota foi ferido no pé e fugiu em direção ao Sítio Mocambo.

Após o assalto frustrado na Fazenda São Pedro, a Volante do Tenente Alencar e do Sargento Arlindo Rocha foram no rastro de Zezé Patriota, quando, no dia 12 de maio de 1927, por volta das 17 horas, fim de tarde no Sítio Mocambo, lugar de seu nascimento, sua vida de cangaceiro chegou ao fim. Zezé Patriota foi encontrado dentro da caatinga e lá foi morto pela Volante.A notícia foi imediatamente reportada ao Chefe da Polícia em Recife através de um telegrama enviado pelo Tenente Alencar.O primeiro jornal a noticiar o fato foi o pernambucano A Província, em 13 de maio de 1927. Posteriormente o Diário de Pernambuco, em 15 de maio de 1927. 

A notícia da morte do Zezé Patriota também foi notícia em dois jornais do sudeste, no Gazeta de Notícias (RJ) em 15/12/1927 e no Diário da Noite (SP) em 26/12/1927. José (Zezé) Patriota foi um dos muitos cangaceiros do nosso Pajeú e sua vida errante ainda precisa ser estudada. Afinal, a história do cangaço também faz parte de nossa história.

Hesdras Souto é Sociólogo, Pesquisador e Membro-Fundador do Centro de Pesquisa e Documentação do Pajeú – CPDOC-Pajeú               

Respeita Januário nos "Grandes Encontros Cariri Cangaço"


Falar de Nordeste e de sertão, é falar de um dos maiores ícones de nosso chão e para todo o sempre: Seu Luiz; Luiz Lua Gonzaga; o Rei do Baião! O Cariri Cangaço te convida para ao lado de Manoel Severo receber os convidados; pesquisadores renomados do universo "Gonzaguiano", Wilson Seraine Filho, Paulo Vanderley e Rodrigo Honorato, para numa Sala de Reboco bater um papo pra la de especial sobre Luiz Gonzaga.

Grandes Encontros Cariri Cangaço
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 Vida e Obra de Luiz Lua Gonzaga,
SEXTA FEIRA, as 20h 
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Casarão do Coiteiro Adauto Felix em Cajueiro Por:Rangel Alves da Costa

Rangel Alves da Costa no casarão dos Félix

Pela sua proximidade com o Rio São Francisco, a Gruta de Angico, os sertões de Poço Redondo e as alagoanas Piranhas e Entremontes, pelos idos dos anos 30 Cajueiro era um verdadeiro reduto de famosos coiteiros, principalmente os da família Félix, como os irmãos Manoel Félix e Adauto Félix. Também de outros renomados nomes como Lourival Félix, Erasmo Félix e Messias Caduda. 

Adauto Félix era figura de proa na comunidade ribeirinha, sempre vivendo nas suas entranhas e arredores. Um dia, depois de juntar os trocados na sua lida do dia a dia, lançou o olhar sobre uma casa grande, verdadeiro sobrado, de paredes largas e dependências confortáveis, com muro à frente e arquitetura esmerada, e resolveu adquirir para nela fincar sua família. E foi assim que o sobrado então pertencente a Durval Rodrigues Rosa (o mesmo Durval político e ex-prefeito de Poço Redondo, que nasceu e por muito tempo viveu na região) passou a ser de propriedade do famoso ribeirinho. 

Mas hoje, infelizmente, o casarão do saudoso Adauto Félix está praticamente abandonado, sem portas, tomado pelo mato e pela força do tempo. Ao adentrar, logo se percebe a pujança de outrora, o que deixa o visitante entristecido pelo abandono a que foi relegada esta grandiosa página da história de Cajueiro e de Poço Redondo. Dizem (e não era nem pra dizer isso) que discordâncias entre os herdeiros se tornou o grande empecilho para que o casarão tenha uma digna destinação. Esperamos que logo tudo se resolva. Ou os verdadeiros donos de tudo logo resolverão a questão: O tempo vai se arvorar do que é seu. Dos escombros não restarão nem a poeira nem o pó.


Em Cajueiro, o casarão do coiteiro Adauto Félix fica em elevação privilegiada, de onde se pode avistar a beleza rústica e bucólica da povoação ribeirinha estendida no município de Poço Redondo. Desde os degraus aos fundos, tudo parecendo fundido no ferro da paciência. Entretanto, tudo já envelhecido pelo abandono humano e o desgaste do tempo. Mas a estrutura é tão sólida que sua inteireza impressiona. Galhagens e folhas vão se acumulando para dificultar a subida nos degraus. Na mureta da frente ainda a beleza do encosto de proteção e das vigas, onde muita gente no passado se debruçou para apreciar a beleza do rio logo adiante, do Velho Chico e sua passagem em fina flor. 

A firmeza da velha construção de paredes grossas, largas, em tijolo dobrado e cimento grosso, faz lembrar uma fortaleza assim construída como proteção contra os ataques de hordas inimigas. Apenas um pedaço ou outro do reboco mostrando suas chagas abertas. Que feridas feias são as do abandono! Os sulcos nas paredes causados por pontas de paus ou outros objetos, mas não pela ação do tempo. Salas e quartos grandes, amplos, espaçosos demais. Portas e janelas altas, estreitas, mas com a madeira já carcomida de tempo. No chão, o cimento duro, corroído pelos passos dos anos e o solado da renegação. Pelos cantos, paredes e chão, o amarelado da poeira e do pó que vão se acumulando nas coisas velhas. Tudo tão belo e tão triste. Tudo tão nostálgico e angustiante. Difícil imaginar que uma construção com tamanha beleza tenha se tornado, ao invés de símbolo da preservação das memórias familiares, em mera estrutura ao deus dará. E ao adentrar, é como se vozes chamassem, dissessem, clamassem: venha, estou aqui, me faça renascer!

Rangel Alves da Costa
Pesquisador e Escritor
Conselheiro Cariri Cangaço, Poço Redondo-SE

Chico Jararaca Por Geraldo Júnior

Ao centro da imagem está o ex-cangaceiro Chico Jararaca, tendo a sua esquerda o Jornalista Ailton Medeiros e ao lado oposto o Professor Adauto Guerra.

Quando tudo parece estar caindo no ostracismo, surgem pessoas, fatos e imagens inéditas para reacender a chama das pesquisas e da curiosidade e isso nos dá força para seguir adiante por saber que ainda há muito para ser resgatado. Hoje me deparei com a fotografia de um ex-cangaceiro do bando de Antônio Silvino, que ao menos para mim, era até então desconhecida. Trata-se de Chico Jararaca, natural da região do seridó no estado do Rio Grande do Norte, que andou com o "Rifle de Ouro" no tempo em que este dava as cartas e era apontado como o "Governador do Sertão", denominação que a imprensa e populares da época cederam a Lampião anos depois.

A partir de agora vou começar a preparar um documentário sobre o personagem e em breve trarei outras novidades a respeito de outros personagens da história que tanto corremos atrás.


Mais um resgate.

Cortesia: Alexandre Muniz - Trapiá Cia Teatral de Caicó RN

Geraldo Antônio de Souza Júnior

O Marco Cordeliano: Um lembrete para incentivar o estudo Por Carlos Alberto Silva

Carlos Alberto: "O MARCO CORDELIANO: um lembrete para incentivar o estudo..."

O marco no cordel recebeu a influência do desafio da cantoria. Entende-se, que, o marco é uma obra-prima de um cordelista, rica em extensão e profundidade, difícil de ser desafiada e similar, metaforicamente, a um marco fronteiriço ou de propriedade, a uma fortaleza, a um castelo, etc..

Na história do cordel brasileiro, vários cordelistas produziram e publicaram os seus marcos, entre outros: Leandro Gomes de Barros (1865-1918), com O MARCO BRASILEIRO; João Martins de Athayde (1880-1959), com O MARCO DO MEIO MUNDO; José Adão Filho, O MARCO PARAIBANO; Manoel Tomaz de Assis (ou Tomaz Limão), com O MARCO DO SERIDÓ; Joaquim Francisco de Santana (1877-1917), com A FORTALEZA QUE LEVANTEI DENTRO DE UMA LAGOA...


De acordo com as informações existentes, do conjunto de marcos publicados, o único que teve contestador foi O MARCO DO MEIO MUNDO, do grande Athayde, por Leandro Gomes de Barros, através, do COMO DERRIBEI O MARCO DO MEIO MUNDO; e, por José Adão Filho, pelo meio de DESTRUIÇÃO DO MARCO DO MEIO MUNDO.

Como sugestão de leituras:
1) MARCOS E VANTAGENS, de Átila Almeida e José Alves Sobrinho (Seleção e Organização).
2) CANTOS DE GUERRA: Cantadores Negros e as Disputas em torno do Gênero do Marco (1970-1930), de Paulo Teixeira Iumatti. (publicado recentemente).
3) O MARCO: Uma Metodologia de Análise, da professora Luciany Aparecida Alves Santos (artigo).
 




As imagens foram copiadas da cordelteca do Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular, da cordelteca da Fundação Casa de Rui Barbosa e da hemeroteca da Biblioteca Nacional.

Carlos Alberto Silva

Pesquisador, Natal-RN

Reminiscências de Maria Bonita Por:Raul Meneleu Mascarenhas


Dia 28 de julho de 2020 fez 82 anos da morte de Maria Bonita. Muito de sua história, desde o seu nascimento até o dia de sua morte, a única certeza que tínhamos era esta data de 28 de julho de 1938, o dia de  sua morte.E mesmo assim ainda paira dúvidas para alguns, aquele acontecimento da fuzilaria do Angico onde ela e Lampião, com mais nove companheiros foram mortos pelas volantes comandadas pelo tenente João Bezerra.

O título desse artigo diz bem com a imagem lembrada do passado dela, pois o que se conserva na memória são lembranças vagas ou incompletas fornecidas por parentes e escassas fontes da Igreja Católica, material este carcomido por traças e descasos de conservação. Infelizmente as autoridades religiosas não conservaram a tais, não por má fé, mas por talvez faltarem a tais uma consciência histórica por não enxergarem o futuro, talvez por não perceberem tais documentos como história de sua própria igreja, paróquia  e rebanho.

Os escritores da Saga Cangaço foram ao campo, investindo seus recursos de tempo e dinheiro do próprio bolso pois faltavam-lhes patrocínios de entidades de cultura, tanto as  particulares como as governamentais, como aliás aconteceu na história do homem sobre a face da terra, sendo que apenas poucos destes pesquisadores foram amparados oficialmente. Imaginem agora no nosso Brasil onde a cultura sempre foi posta em patamar inferior.

Obra do pesquisador e escritor Voldi Ribeiro

Na página 79 sob o título "UMA ANÁLISE ACERCA DO DIA 08 DE MARÇO DE 1911" data defendida sem comprovação documental por alguns escritores, Voldi analisa em síntese crítica, os registros de tais, que a partir do ano de 1997 passaram a defender esta data, isto sem comprovação documental e que simplesmente se basearam em relatos verbais familiares que também não foram comprovados. 

Antes as datas defendidas por autores mais antigos, variava de ano, desde 1906 a 1912.

Na análise Voldi apenas indica os autores e não indica as obras.

Voldi traz o resultado de sua pesquisa com documentos comprobatórios encontrados nas Paróquias de Santo Antônio da Glória e São João Batista de Jeremoabo, em sua busca, juntamente com o Pesquisador, Teólogo e Comunicador Social, Padre Celso Anunciação. Em conversa de mais de uma hora por telefone, entrevistei o autor dias 26 e 28 de julho de 2020, que me informou está sendo elaborada uma segunda edição,  ampliada.

Estive com Voldi em diversos encontros do Cariri Cangaço, onde ele compartilhava comigo o assunto e ano passado estivemos em Juazeiro do Norte, onde o autor entregou-me em mão sua obra com uma dedicatória amável que agradeço imensamente. Nesta obra, ele traz fotografias de tais documentos, onde não pode existir mais dúvidas de data de nascimento de Maria Bonita. Abaixo exponho as fotos e procuro fazer argumentações extra-livro.

Transcrição do trecho da página: "Aos sete dias do mês de setembro de mil nove centos e dez, baptisei solenemente a Maria, nascida a desessete de janeiro de mil nove centos e dez filha natural de Maria Joaquina da Conceição. Foram padrinhos Agripino Gomes Baptista e Maria Joaquina da Conceição. E para constar fiz este assento que me assigno.

Vigário Euthymio José de Carvalho”

Que dúvida pode persistir se a evidência maior é o Batistério de Maria? E por que duvidar de um atestado de Batismo (conforme foto abaixo) emitida pela Paróquia de São João Batista e assinada pelo Pároco e Padre José Ramos Neves?

Alguém pode dizer: Por que os pesquisadores de renome não encontraram esse Batistério da mulher mais famosa do cangaço? 

Respondo com um talvez: Talvez porque faltou-lhe um amparo maior que o Pesquisador Voldi Moura obteve, ao aliar-se com um Pesquisador entendido no assunto religioso dos batismos da Igreja Católica e conhecedor dos meandros e aceito por seus pares de religião, onde pode escarafunchar as documentações que estavam por assim dizer, aguardando o momento propício para ser revelada ao público. O escolhido e abençoado foi Voldi Moura Ribeiro.

Mas vamos além e foquemos nas demais documentações que nunca tinham sido acessadas por pesquisadores mais afamados. Temos o Batistério de uma das irmãs de Maria Bonita, que se chamava Antônia

 

O nome completo de Antônia era Antonia Maria da Conceição. (foto aCIMA)

Essa certidão de Batismo traz também apenas o primeiro nome, como era o costume da época, pois o batizando automaticamente levaria o nome dos pais. Vejam que esta certidão traz o nome do pai. A de Maria Bonita não. Por certo o pai não estava presente ou Maria Bonita “poderia” ser filha de outro homem. Mas vou deixar essa tese para em outra ocasião dissertar sobre ela.

Em vista desse “achado” os próximos livros que forem escritos sobre o assunto com certeza irão trazer essa data de 17 de janeiro de 1910 mesmo que não queiram dar o crédito ao autor da descoberta, Sr. Voldi Moura Ribeiro.

Na internet existem diversos blogs e páginas com a data não comprovada de 8 de março, seguindo escritores que não pesquisaram e basearam suas afirmativas pelos livros lidos. Coincidentemente o Dia Internacional da Mulher é 8 de março. Claro que gostaríamos de ter essa data internacional como sendo a do nascimento de Maria Bonita, mas infelizmente não é.

Frederico Pernambucano de Melo, historiador e membro da Academia Pernambucana de Letras, veio a reconhecer a descoberta de Voldi Moura, quando em palestra no Museu do Estado de Pernambuco, Recife, em 14 de dezembro de 2011, transcrita no próprio livro LAMPIÃO E O NASCIMENTO DE MARIA BONITA quando disse:

“... o Brasil, a quem a história acendeu uma vela no dia 8 de marco útimo, julgando assinalar os cem anos de seu nascimento. Acendeu por engano, ao que se constata no momento, a data festejada parecendo não ser a verdadeira.

No vazio de registro escrito, que persistiu até meses atrás, esse 8 de março teria prosperado com base no testemunho de parentes, fonte reconhecidamente precária quando se trata de datas. Para não falar do caráter confuso e pouco explicado desse testemunho. Contra o qual se insurge agora o resultado de levantamento feito há pouco no arquivo da Diocese de Jeremoabo, Bahia, pelo sociólogo Voldi Ribeiro, auxiliado pelo padre Celso Anunciação, que deu como resultado a descoberta do batistério da cangaceira-mor. Documento que a torna mais velha em pouco mais de um ano, vez que nascida aos 17 de janeiro de 1910, ao que reza o papel da sacristia amarelecido pelo tempo. Teria morrido, assim, com 28 anos e seis meses de idade, naquele 28 de julho de 1938, para os que apreciam as exatidões. E conseguido negar um pouquinho de idade para o marido famoso, como toda mulher que se preza...”

Não sabemos como o grandioso pesquisador Antônio Amaury Correia de Araújo veio a obter essa data refutada de 8 de março, mas se corrige ao referenciar a descoberta do Sociólogo Voldi Moura, quando em seu livro “Lampião - As Mulheres e o Cangaço” segunda edição, de 2012, página 162 faz constar uma devida correção:

"Maria veio ao mundo em 8 de março de 1911*

*Data invalidada após o amigo pesquisador Voldi de Moura Ribeiro, haver encontrado uma carta enviada por mim em 16 de março de 1971, buscando informações sobre documentos de Maria Bonita. Essa carta foi encontrada por Voldi em 22 de agosta de 2011. ”

Reconhece então o nobre Escritor e Pesquisador, a declaração de Certidão de Nascimento feita pelo Padre José Ramos Neves em que atesta o nascimento de Maria Bonita em 17 de janeiro de 2010. (veja foto acima)

Na enciclopédia Wikipedia no link   abaixo  

https://pt.wikipedia.org/wiki/Maria_Bonita), 

encontramos ainda a falsa data de 8 de março de 1911 onde foi posta uma pequena nota que pode ser aberta ao teclar nesse um [1] que diz: “Segundo o Antônio Amaury, a certidão de batismo em nome de Maria Bonita não pode ser localizada. Maria deve ter nascido por volta do ano de 1908 (ARAÚJO 1984, fls. 168) e creio que os administradores da página, já deveriam ter mudado a data para 17 de janeiro de 1910 o ano de seu nascimento.


Aqui encerro minhas considerações a respeito da data de nascimento de Maria Bonita.

Raul Meneleu , pesquisador e escritor - Conselheiro Cariri Cangaço.

Fonte:https://meneleu.blogspot.com - Caiçara do Rio dos Ventos

Cariri Cangaço e Antônio Amaury - Lampião e Isaías Arruda Por:Aderbal Nogueira

Fonte: YouTube  Canal: Aderbal Nogueira

Mais uma vez o documentarista e Conselheiro Cariri Cangaço Aderbal Nogueira, nos brinda com o resgate de momentos marcantes de nosso Cariri Cangaço, com Temas e Conferencistas de primeira linha. Desta vez Aderbal nos traz , momentos da participação do Mestre Antônio Amaury em nosso Cariri Cangaço Aurora 2010, na manha do sábado, dia 21 de agosto de 2010. 

Em nossas edição em Aurora 2010 o tema foi “Os 83 anos da passagem de Lampião pelo território aurorense” e teve palestra pelo secretário de Cultura do município professor José Cícero. As dependências do salão paroquial ficaram totalmente lotadas com o grande número de pessoas que compareceram ao evento. A mesa contou dentre outros com o curador Manoel Severo, o escritor Dr. Antonio Amaury, o Secretário de Cultura de Aurora José Cícero, Dr. Napoleão Tavares Neves e Aderbal Nogueira.

Antônio Amaury no Cariri Cangaço 2010
Aurora, Ceará
Imagens e Produção: Aderbal Nogueira
Fonte: YouTube canal Adebal Nogueira

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Memórias Sangradas...Por Ricardo Beliel

Lampeão, Ponto-Fino, Moderno, Salamanta, Antonio de Engracia, Jurema, Mergulhão e Corisco na vila de Pombal, Bahia. 1928. 

O grupo de cangaceiros entrou na modesta vila nas primeiras horas da manhã e, desembestado, o chefe Lampeão pergunta aos que os recebem, um aglomerado de curiosos, se havia algum fotógrafo entre os locais. Por volta das oito horas da manhã o alfaiate, fotógrafo e maestro da Philarmonica XV de Outubro, Alcides Fraga de Mendonça, é levado ao encontro do cangaceiro com sua câmera de tirar retratos. Feita a foto, Alcides pede paciência ao capitão Virgolino e se compromete a entregar o serviço assim que recebesse os químicos necessários para revela-lo, então já encomendados em Salvador. Passados alguns dias, Fraga recebe a visita de um estranho em seu ateliê, que confessa ao alfaiate estar ali a mando do cangaceiro para buscar a encomenda. Lampeão havia deixado Pombal em paz, sem provocar qualquer peleja, para alívio dos vizinhos de Alcides, mesmo assim, o apreciado fotógrafo passou a sofrer acusações de cumplicidade com seus improváveis clientes por membros das policias baianas que passavam pela região. Alcides Fraga, por via das dúvidas, caso a cabroeira voltasse a procura-lo, mudou-se com a família para Piranji, na distante zona cacaueira, e somente após a morte de Corisco pode regressar ao seu saudoso sertão. Da fotografia que poderia tê-lo deixado famoso, herdou apenas um amargo exílio e o afastamento de suas atividades de maestro e alfaiate. Morreu deprimido, solitário, separado da família que amava, na vila de Cipó, distante apenas sete léguas da Pombal que o rejeitara por ter sido o autor de um histórico retrato do temido Lampeão.

trecho do livro "Memórias Sangradas", 
de Ricardo Beliel

Hoje tem Cariri Cangaço no Instagram !


Nesta terça-feira fomos convidados para ao lado do amigo Augusto Martins; historiador e sócio-fundador do Instituto Histórico e Geográfico do Pajeú; para um bate papo sobre o Cariri Cangaço; sua gênese, seu conceito e suas realizações; o mito Lampião, Maria Bonita, sua influência na vida do rei do cangaço e ainda Antônio Silvino ; o Rifle de Ouro. Tudo isso e muito mais, é hoje, dia 28 de julho, no INSTAGRAM DE AUGUSTO MARTINS, pontualmente as 19h avante !!!

Cariri Cangaço no YouTube


Nossas fronteiras não são e nunca serão definidas pela geografia, mas pelo tamanho e a nobreza de nossos sonhos. Dentro das celebrações pelos dez anos de nosso Cariri Cangaço, depois de lançarmos o capitulo "Grandes Artigos Cariri Cangaço" , com postagens especiais e mensais nesse mesmo blog, estamos agora, neste próximo dia 01 de agosto de 2020, lançando em grande estilo, o Canal do Cariri Cangaço no YouTube, onde reuniremos Temas eletrizantes e Convidados muito especiais.

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