Cariri Cagaço Rumo a Lisboa


Em menos de uma semana dois encontros, muita conversa e uma certeza: Vamos preparando as malas; o Cariri Cangaço está mais perto de Lisboa. A noite do ultimo dia 11 de dezembro no restaurante Forneria Coriolano, em Fortaleza, o Curador do Cariri Cangaço, Manoel Severo, passou às mãos do professor doutor, Jorge de Sá da ULisboa e do doutor Carlos Beato, da Associação 25 de Abril, o Projeto Final do Cariri Cangaço Lisboa, primeiro empreendimento com a marca Cariri Cangaço, fora do Brasil.

Manoel Severo estava acompanhado do empresário Marciano Girão e do advogado Djalma Pinto e o momento selou o compromisso da realização do evento em terras portuguesas pela primeira vez. "O objetivo do Cariri Cangaço Lisboa é promover e fortalecer a integração entre as culturas do Brasil e Portugal a partir desse fórum qualificado de estudo de temas vitais para a uma compreensão  do perfil do povo nordestino que é o cangaço, como também criar possibilidades de futuros fóruns de discussões,  reunindo  pesquisadores de temas correlatos dos dois países e demais nações lusófonas em eventos  a serem realizados nessas nações" revela o empresário Marciano Girão.

Marciano Girão e os objetivos de cruzar o Atlântico
Carlos Beato, Jorge de Sá e Manoel Severo

Já o professor doutor Jorge de Sá, da Universidade de Lisboa comenta: "Chegando a Lisboa estaremos reunindo as instituições ligadas e estaremos apresentando o Anteprojeto, certamente em breve já teremos uma definição de formato e também de datas". Manoel Severo, curador do Cariri Cangaço reforça:"Apresentamos na noite de hoje uma espécie de Anteprojeto, com as linhas mestras do Cariri Cangaço em Portugal, definindo um padrão e um formato, sugerindo temas, enfim, agora os doutores Jorge de Sá e Carlos Beato, que são nossos embaixadores em Portugal deverão realizar os ajustes necessários e daí teremos o Projeto finalizado talvez já dentro de um mês".

O Anteprojeto contemplou principalmente os principais temas a serem explorados em Portugal; "pensamos em temas basilares e fundamentais para a compreensão do fenômeno cangaço e seus principais protagonistas" e continua Manoel Severo: "é notório o interesse de nossos anfitriões pelo tema cangaço e por seu principal ícone que é Lampião, sem dúvidas nossa responsabilidade é reunir um grupo qualificado de pesquisadores brasileiros para proporcionar um debate de alto nível em terras lusitanas".

Marciano Girão, Carlos Beato, Jorge de Sá, Manoel Severo e Djalma Pinto

"Estamos testemunhando os primeiros resultados de um trabalho de mais de quatro anos que hoje começa a tomar realmente forma, e com um detalhe totalmente novo, aliás especialmente novo, pela primeira vez estaremos reunindo um grupo de pesquisadores brasileiros, conselheiros e amigos do Cariri Cangaço para contar essa história que possui tanta força que é o cangaço, do outro lado do oceano; sem dúvidas um grande desafio que começamos a vencer" fala Manoel Severo, curador do Cariri Cangaço.

No todo, o evento deve ter entre 2 e 3 dias, reunindo professores e alunos de Lisboa, principalmente dos cursos de Historia, além de intelectuais e produtores de cultura e curiosos que contarão além de conferências, com debates, apresentações de documentários e exposição de fotos, numa primeira edição do Cariri Cangaço fora do Brasil. A data ainda não esta definida, o que acontecerá dentro de no máximo um mês. "É prioritária a questão da data pois temos uma verdadeira legião de confrades que precisam organizar suas agendas para possibilitar a presença em Portugal, dessa forma estaremos ultimando essa questão junto aos doutores Jorge de Sá e Carlos Beato. Só para se ter uma ideia, já recebemos manifestações de mais de 20 pesquisadores desejando se somar a caravana do Cariri Cangaço Além Mar", finaliza Manoel Severo.

Cariri Cangaço Lisboa
11 de Dezembro de 2017
Apresentação do Anteprojeto
Restaurante Coriolano, Fortaleza
Fotos: Ingrid Rebouças

O Trágico e Covarde Assassinato de José Nogueira, da Serra Vermelha Por:Luiz Ferraz Filho


Os livros sobre a história brasileira sempre trouxeram no capitulo sobre a Coluna Prestes o simbolismo da liberdade. Porém, nada foi mais aterrorizante para a população do Sertão do Pajeú, no mês de fevereiro de 1926, do que esses revoltosos sulistas. Vinda da Paraíba em direção ao Pajeú sob o comando do general Izidoro Dias Lopes, a Coluna Prestes contou com o "reforço" da boataria que estava alinhada ao bando de Lampião, para assim aterrorizar ainda mais o sertanejo. 

E foi esse boato que fez muitos fazendeiros da região abandonarem suas casas para se emprenhar na caatinga como esconderijo. Somada a isso, tinha também um batalhão patriotico para combater os revoltosos e que confundia ainda mais a população. Ao passarem por Betania (PE), onde esfomeados saquearam o comercio local, os revoltosos marcharam em direção ao povoado de São João do Barro Vermelho (Tauapiranga), distrito de Serra Talhada. De lá, desceram pelas margens do Riacho São Domingos em direção a lendária vila de São Francisco, também distrito de Serra Talhada. 

Serra Vermelha vista da Fazenda de Zé Nogueira

Entre essas duas localidades, os revoltosos encontraram a Fazenda Serra Vermelha, na época fonte rica para o abastecimento da tropa composta de seiscentos ou oitocentos soldados. Com a barriga cheia, precisavam eles de uma pessoa da região para servir como "guia dos revoltosos" e nada melhor que um homem conhecido e respeitado por todos para usarem como "escudo". E foi assim que o influente dono da fazenda, José Alves Nogueira, acabou "sequestrado" pelos revoltosos. Três dias sem nenhuma regalia, andando a pé sob olhares dos soldados até ser libertado próximo ao povoado de São João do Barro Vermelho (Tauapiranga). 

Cruz no terreiro da casa demarcando o local onde foi covardemente assassinado Zé Nogueira pelo cangaceiro Antônio Ferreira.

Aliviado, mal podia imaginar José Nogueira que voltando para sua Fazenda Serra Vermelha passaria por situação ainda pior. Ao chegar, José Nogueira pediu para um dos moradores ir avisar aos parentes e familiares que estava tudo bem com ele e que  estava em casa. E nisso, aproveitou para ir na vazante (plantação no baixio) olhar uma cacimba que abastecia o lugar. Depois de algum tempo lá, José Nogueira recebeu um recado de Antônia Isabel da Conceição (Isabel de Luis Preto) que inocentemente disse que a força volante de Nazaré (comandada por Manoel Neto) estava no terreiro da casa esperando ele. Desconfiado, José Nogueira ainda perguntou: - Tem certeza que é a força ?. Tenho sim, respondeu Isabel. 

O fazendeiro João Nogueira (neto de Zé Nogueira e bisneto do major João Alves Nogueira), na calçada onde foi assassinado o avô em fevereiro de 1926
Domingos Alves Nogueira (neto de José Nogueira) 

Ao subir da cacimba em direção ao terreiro da casa, José Nogueira avistou o bando de Lampião com 45 cangaceiros enfurecidos após sairem derrotados na tentativa de invasão ao povoado de Nazaré do Pico. Homem de firmeza, continuou José Nogueira o trajeto mesmo sabendo que dificilmente escaparia da morte. Nisso, o cangaceiro Antônio Ferreira, aproximou-se dele e falou: - É hoje José Nogueira. Ele ele respondeu: - Seja o que Deus quiser. 

Lampião mandou todos baixarem as armas e começou a conversar com o velho fazendeiro. Após a palestra, Lampião observou ele muito cansado, doente e asmático, liberando o fazendeiro. Deu voz de reunir e começou a seguir no destino da caatinga quando escutou um tiro. Tinha sido o cangaceiro Antônio Ferreira que havia covardemente atirado nas costas de José Nogueira. Vendo o ocorrido, Lampião reclamou dizendo que o velho estava doente e quase "morto". Então, Antônio Ferreira (que era irmão mais velho de Lampião) falou:

- Matei , tá morto e pronto. 

Era 26 de fevereiro de 1926. Calçou Antônio Ferreira as alpercatas (sandalias de couro) do falecido e seguiu junto ao bando caatinha a dentro. Segundo o fazendeiro João Nogueira Neto (neto de José Nogueira), durante anos o local onde o avô paterno foi assassinado ficou manchado com o sangue nas pedras. No local, os filhos do fazendeiro depois fincaram uma cruz para demarcar a tragedia. O corpo de José Nogueira foi enterrado no dia seguinte, do outro lado do riacho, no cemitério da Serra Vermelha. Deixou ele a viúva Francisca Nogueira de Barros (Dona Dozinha, tia dele) e sete filhos. 

Luiz Ferraz Filho,
Pesquisador, Serra Talhada-Pernambuco
FONTE : (LIRA, João Gomes de - Memorias de Um Soldado de Volante) - (AMAURY, Antônio e FERREIRA, Vera - O Espinho de Quipá) - (FERRAZ, Marilourdes - O Canto do Acauã) - (SOBRINHO, Jose Alves - Zé Saturnino - Nas Pegadas de Um Sertanejo). FOTOS/ENTREVISTADOS: João Nogueira Neto e Domingos Alves Nogueira (netos de José Alves Nogueira).

O Cariri Cangaço e o Movimento Armorial Por:Manoel Belarmino

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Foi com imensa felicidade que recebi a notícia, através do curador do Cariri Cangaço Manoel Severo Barbosa, que uma das edições do Cariri Cangaço em 2018 será na cidade de São José do Belmonte, em Pernambuco. No chão sagrado da Pedra do Reino. Sou cordelista e loucamente apaixonado pelo Movimento Armorial.
E o que é o Movimento Armorial? Este movimento surgiu sob a inspiração e direção de Ariano Suassuna, com a colaboração de um grupo de artistas e escritores do Nordeste e contou com apoio da Universidade Federal de Pernambuco. Teve início no âmbito universitário, mas ganhou apoio oficial da Prefeitura do Recife e da Secretaria de Educação do Estado de Pernambuco.
O Movimento Armorial nasceu oficialmente, no Recife, no dia 18 de outubro de 1970, com a realização de um concerto e uma exposição de artes plásticas realizadas no Pátio de São Pedro, no centro da cidade do Recife.
O principal objetivo do Movimento Armorial foi a valorização da Cultura Popular Nordestina, pretendendo realizar uma arte brasileira erudita a partir das raízes populares da cultura do País. Segundo Suassuna, sendo "armorial" o conjunto de insígnias, brasões, estandartes e bandeiras de um povo, a heráldica é uma arte muito mais popular do que qualquer coisa. Desse modo o nome adotado significou o desejo de ligação com essas heráldicas raízes culturais brasileiras. Surgiu aí a Arte Armorial Brasileira tendo como traço comum principal a ligação com o espírito mágico dos "folhetos" da Literatura de Cordel, com a Música de viola, rabeca ou pífano que acompanha suas cantigas, e com a Xilogravura que ilustra suas capas, assim como com o espírito e a forma das Artes e espetáculos populares das raízes do povo nordestino.
O Movimento Armorial interessou-se pela pintura, música, literatura, cerâmica, dança, escultura, tapeçaria, arquitetura, teatro, gravura e cinema.

Manoel Severo, João de Sousa Lima e Manoel Belarmino

Uma grande importância é dada aos folhetos da Literatura de Cordel, por achar que neles se encontra a fonte de uma arte e uma literatura que expressa as aspirações e o espírito do povo brasileiro, além de reunir três formas de arte: as narrativas de sua poesia, a xilogravura, que ilustra suas capas — da qual o principal representante no movimento é o artista Gilvan Samico — e a música, através do canto dos seus versos, acompanhada muitas das vezes por viola ou rabeca.
Os espetáculos populares do Nordeste, encenados ao ar livre, com personagens míticas, cantos, roupagens principescas feitas a partir de farrapos, músicas, animais misteriosos como o boi e o cavalo-marinho do bumba-meu-boi, são também importantes para o Movimento Armorial. O mamulengo ou teatro de bonecos nordestino também é uma fonte de inspiração para o Movimento, que procura além da dramaturgia, um jeito nordestino de encenação e representação.
O Movimento Armorial congrega nomes importantes da cultura nordestina, além do próprio Ariano Suassuna, Guerra-Peixe, Antonio Madureira, Francisco Brennand, Raimundo Carrero, Gilvan Samico, Géber Accioly entre outros, além de grupos como o Balé Armorial do Nordeste, a Orquestra Armorial de Câmara, a Orquestra Romançal e o Quinteto Armorial.


Aí vem o mestre Manoel Severo e traz uma noticia dessa! Noticia no seu blog que o Cariri Cangaço será na São José do Belmonte. E que certamente essa Edição terá como tema principal o Cangaço e a Arte Armorial. Já estou contando os dias para mergulhar num mundo de encantamento armorial, da Pedra do Reino e da história nordestina. Somente o Cariri Cangaço pode nos proporcionar tamanha oportunidade para conhecermos melhor e com mais profundidade a nossa cultura nordestina. Em 2018 será duplamente emocionante o Cariri Cangaço. De Poço Redondo e Serra Negra ao chão sagrado armorial da Pedra do Reino de São José do Belmonte.

Manoel Belarmino,
Pesquisador, Cordelista
Poço Redondo, Sergipe

Cariri Cangaço Presta Homenagem a Portugal e à Revolução dos Cravos

Djalma Pinto, Dra Neuma, Carlos Beato, Jorge de Sá e Manoel Severo

A Noite desta última segunda-feira, dia 04 de Dezembro,  marcou mais um importante momento na construção do grande e ousado empreendimento que será o Cariri Cangaço Lisboa, a travessia de nosso projeto além mar, chegando a Península Ibérica, mas precisamente em Portugal. O casal, Dr Djalma Pinto e Dra Neuma receberam em sua residencia em Fortaleza, o Professor Jorge de Sá da ULISBOA  e Doutor Carlos Beato da Associação 25 de Abril, da capital portuguesa.


 Djalma Pinto, anfitrião do jantar recepção
 Manoel Severo e Djalma Pinto

O jantar de recepção às destacadas personalidades do país irmão reuniu vários convidados e marcou a entrega do Diploma de Amigo do Cariri Cangaço ao Doutor Carlos Vicente de Morais Beato, militar destacado; combatente da Revolução dos Cravos; ex-prefeito da cidade portuguesa de Grândola, ex-deputado federal e vogal do Conselho das Ordens Nacionais. 

Na programação do jantar o curador do Cariri Cangaço fez uma apresentação da temática; origem, desenvolvimento e repercussões do cangaço até os dias atuais como também apresentou os principais números do Cariri Cangaço, além do Projeto Ousado de "Além Mar" que deverá se consolidar entre os anos de 2018 e 2019.


 Manoel Severo e a homenagem a Carlos Beato 
Carlos Beato recebe o Título de "Amigo do Cariri Cangaço" das mãos de Djalma Pinto, Dra Neuma, Professor Jorge de Sá e Manoel Severo.

"Foi uma honra em nome do Cariri Cangaço prestar a homenagem na noite de hoje a uma personalidade da estatura moral e história como o doutor Carlos Beato, com toda sua espetacular trajetória de vida. Hoje testemunhamos um pouco do sentimento daqueles homens que ainda na década de 70, mas precisamente em abril de 1974 se levantaram para restituir a paz social e a liberdade do povo português" revela Manoel Severo.

Para o advogado Djalma Pinto, anfitrião e promotor do jantar:"Realmente uma noite ímpar, todos somos privilegiados em receber em nosso solo os excelentíssimos doutores, Jorge de Sá e Carlos Beato e a homenagem do Cariri Cangaço através de nosso amigo Manoel Severo retrata todo nosso respeito e admiração". Já o empresário cearense Marciano Girão pontua:"A noite de hoje começa a consolidar por todas as conversas que tivemos com nossos convidados de Portugal, a presença certa do Cariri Cangaço em terra portuguesas". 

Carlos Beato e Revolução dos Cravos...

"Era 24 de abril de 1974 e Portugal definhava sob uma ditadura que durava mais de 50 anos. Naquela manhã, no quartel da Escola Prática de Cavalaria, em Santarém, 70 quilômetros ao norte de Lisboa, o capitão José Salgueiro Maia encontrou o tenente-substituto Carlos Beato (então com 27 anos) e disse a ele, em segredo: — Rapaz Beato, é esta noite.

O que aconteceria naquela noite foi um levante organizado por um grupo de capitães e jovens oficiais portugueses com o objetivo de derrubar a ditadura de Marcelo Caetano, instaurar a democracia em Portugal e acabar com uma guerra colonial em Angola e Moçambique completamente impossível de vencer do ponto de vista militar. “E eu, claro, quando ouvi o capitão Maia me dizendo que tudo ia acontecer e que seria naquele dia, senti um calafrio que me congelou. Você pode imaginar: uma coisa é conspirar e outra diferente é saber que tudo vai começar em horas”, diz Beato, de 67 anos.


 Carlos Beato e as lembranças fortes do 25 de Abril de 1974

Há uma foto famosa, reproduzida em inúmeros textos, brochuras e cartazes e que se tornou um ícone histórico, que mostra o capitão Salgueiro Maia, considerado o herói da Revolução dos Cravos, falecido em 1992, com o fuzil de assalto em suas costas, olhando para frente. Ao lado há um soldado com capacete e bigode, com a gola abotoada até em cima olhando para o seu mestre com uma aparência assustada(foto acima).“Claro que eu estava um pouco assustado. Foram os momentos decisivos: quando estávamos esperando que Marcelo Caetano se rendesse, por volta das quatro da tarde do dia 25 de abril. Um helicóptero de artilharia voava sobre nós e a qualquer momento podia disparar fogo e armá-la. O ditador estava trancado na sede do quartel general da polícia do Largo do Carmo, protegido por soldados leais, e, do lado de fora, o povo, junto com a gente, que queria entrar e fazer justiça com as próprias mãos”, acrescenta. Beato, vestido de terno e gravata, afável, simpático, sorri hoje ao lembrar a quinta-feira nublada que parecia não acabar, mas que mudou a vida inteira de Portugal com uma revolução sem derramamento de sangue. Tudo havia começado à meia-noite: no gabinete do quartel de Santarém de Maia, os oficiais envolvidos no golpe estavam esperando o sinal: naquela hora deveria tocar na Rádio Renascença a música Grândola, Vila Morena, de José Afonso. A transmissão, em uma época sem telefones celulares, significava que o plano prosseguiria em todos os quartéis do país. Não tocar a música significava que algo tinha dado errado. Beato, emocionado, nervoso, se levanta para continuar contando a história 40 anos depois: “E lá estávamos, esperando que a música tocasse, com os mapas de Lisboa na mesa do capitão. Chegou a meia-noite e nada. E a meia-noite e dez, e nada. Eu já estava enrolando os mapas, porque parecia que não tocaria quando, logo depois de meia-noite e quinze, começamos a ouvir a canção. E naquele momento pensei: não tem mais volta”.






UMA REVOLUÇÃO EM 24 HORAS


  • Em 24 de abril de 1974, um grupo de militares, o Movimento das Forças Armadas (MFA), liderado por Otelo Saraiva de Carvalho, instala em segredo um posto de comando no quartel da Pontinha, em Lisboa. Às 22h55 é transmitida a canção E depois do Adeus, de Paulo de Carvalho, na rádio Emissores Associados de Lisboa.
  • O segundo sinal combinado para começar a revolução, Grândola, Vila Morena, de José Afonso, uma canção proibida pelo regime, é transmitida pela Rádio Renascença à 0h25 do dia 25 de abril. A partir da uma hora da madrugada, os quartéis das principais cidades do país (Porto, Santarém, Braga, Faro) se juntam ao MFA, fecham o espaço aéreo e tomam portos e aeroportos. Ao amanhecer, o Governo perdeu o controle de quase todo o país.
  • O primeiro-ministro Marcelo Caetano se rende aos rebeldes às 17h45. Apesar disso, a polícia política PIDE mata a tiros quatro manifestantes civis às 20h00.
  • À 1h00 do dia 26 de abril, a televisão e rádio públicos apresentam as autoridades do MFA.
Djalma Pinto, Dra Neuma, Carlos Beato, Jorge de Sá e Manoel Severo
 Carlos Beato, Jorge de Sá e Manoel Severo
"Não tenho outra palavra para definir meu sentimento na noite de hoje a não ser meu muito obrigado, obrigado, obrigado, sei não ser merecedor dessa honraria, mas me encontro inteiramente honrado e feliz" revela um emocionado Carlos Beato. 
 Cariri Cangaço na festa de recepção à comitiva de Portugal
 Jorge de Sá, Manoel Severo, Carlos Beato e Marciano Girão
 Amaro Pena
 Dr. Adriano e Manoel Severo
Ingrid Rebouças e Amaro Pena

O jantar recepção ao grupo português na residência do casal Djalma Pinto e Neuma, marcou o fortalecimento dos laços entre o Cariri Cangaço e os convidados especiais; tanto o professor doutor Jorge de Sá, da ULisboa e o doutor Carlos Beato da Associação 25 de Abril, oportunidade que cumpriu mais uma importante agenda na direção da realização do Cariri Cangaço Lisboa. "Saímos dessa noite com a certeza de que estamos mais próximos de nossa ousada empreitada. Vamos formatar o Projeto como um todo e estamos vendo já a possibilidade de uma viagem de trabalho a Portugal para apresenta-lo junto a ULisboa e a Associação 25 de Abril, como sempre digo: Não paramos nunca !!!" Completa Manoel Severo, curador do Cariri Cangaço .   

Recepção a Carlos Beato e Jorge de Sá
Residencia Djalma Pinto, Fortaleza
04 de dezembro de 2017

Castelo Armorial Resgata a Arte em São José de Belmonte...

Castelo Armorial

Quem sai do sul do estado do Ceará com destino a Pernambuco pela BR 116, mas precisamente para a região do Pajeú e da Serra Verde, optando pela entrada das confluências das Rodovias CE 153 e PE 430 invariavelmente passa por São José de Belmonte e passando pelo centro daquela agradável urbe vai se deparar de forma surpreendente com uma edificação incrivelmente inusitada, no meio do sertão nasce um dos mais significativos exemplos da força da arte Armorial: O Castelo Armorial de São José de Belmonte.
Castelo Armorial por Ingrid Rebouças... 
 As torres nos remetem a Idade Média: Mouros e Cristãos 
no alto do céu de nosso sertão...

A iniciativa do empresário e pesquisador Clécio de Novaes Barros, surpreende pela grandeza, ousadia e pela riqueza de todos os elementos que se fazem presentes no Castelo Armorial de São José de Belmonte, nos transportando para o extraordinário universo do Movimento Armorial, criado pelo Mestre Ariano Suassuna. Clécio investiu dinheiro, suor, e muita determinação para a construção de seu sonho: Foram 14 anos entre o planejamento e a construção do Castelo, ao final mais de 2 milhões de reais investidos numa obra extraordinariamente inédita e sem precedentes.
Castelo Armorial por Ingrid Rebouças...  

O Castelo Armorial tem uma área de cerca de 1.500 metros quadrados distribuídos em salões, auditórios, salas de exposição, salas de aula e ainda um último andar onde os visitantes poderão encontrar em "tamanho real" as mais significativas figuras do universo sertanejo sob o olhar armorial; são cenários, personagens e figuras que em sua grande maioria estiveram presentes na mini-série da Rede Globo, a Pedra do Reino, elementos conseguidos pelos proprietários do lugar junto a Ariano Suassuna.

Clécio Novaes mantém no Castelo Armorial peças que nos trazem a maravilha e o encanto de todas as manifestações artística do sertão, ali ainda poderemos encontrar várias cópias de quadros confeccionados por Ariano e dona Zélia Suassuna; réplicas de Xilogravuras de J.Borges, e uma extensa e rica exposição de fotografias de época retratando a sociedade do começo do século passado, além de artefatos, quadros diversos, peças antigas e de grande valor histórico.

Castelo Armorial por Ingrid Rebouças... 
São José de Belmonte, fronteira entre os estados de Pernambuco, Ceará e Paraíba

Os principais elementos arquitetônicos do Castelo Armorial estão centrados nas representações do "Reino Encantado de Dom Sebastião" . Logo na entrada, sua torre central com esculturas do próprio Rei Quaderna, personagem principal de "A Pedra do Reino" mostram a força da arte armorial. Inúmeras e esmeradas esculturas ornamentam todo o espaço, muitos dos trabalhos são de artesãos de Tracunhaém, na Mata Norte, também em Pernambuco. 

"São José do Belmonte ainda não é destino turístico. Nosso principal atrativo é a Cavalgada à Pedra do Reino, em maio. Pretendemos incluir o município nesta rota, com apresentações de teatro e música e agora com a chegada do Cariri Cangaço a São José do Belmonte, trazendo pesquisadores de todo o Brasil, com certeza estaremos dando um passo importante nessa direção." Ressalta Clécio Novaes.

Visita do Cariri Cangaço ao Castelo Armorial em novembro de 2017

Castelo Armorial por Ingrid Rebouças... 
 Cenários e Personagens em "tamanho real" das mais significativas figuras do universo sertanejo sob o olhar armorial; em sua grande maioria estiveram presentes 
na mini-série da Rede Globo

A Arte Armorial Brasileira é aquela que tem como traço comum principal a ligação com o espírito mágico dos "folhetos" do Romanceiro Popular do Nordeste (Literatura de Cordel), com a Música de viola, rabeca ou pífano que acompanha seus "cantares", e com a Xilogravura que ilustra suas capas, assim como com o espírito e a forma das Artes e espetáculos populares com esse mesmo Romanceiro relacionados.”
Ariano Suassuna ;Jornal de Semana, 20 de maio de 1975
 A Origem do Movimento Armorial
De 1969 a 1974, Suassuna atuou como Diretor do Departamento de Extensão Cultural da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).Foi com apoio desse Departamento que Suassuna, ao lado de outros artistas, criou o movimento armorial em 18 de outubro de 1970.Na ocasião, realizada na Igreja de S. Pedro dos Clérigos no centro da cidade de Recife, houve uma exposição de artes populares e ainda, um concerto.A ideia central do movimento era criar uma arte erudita a partir de elementos populares. Nessa perspectiva, o sertão nordestino é valorizado mediante a riqueza de valores culturais e artísticos.Embora tenha sido iniciado no âmbito acadêmico, o movimento se expandiu. Posteriormente, teve apoio da Prefeitura do Recife e da Secretaria de Educação do Estado de Pernambuco.O objetivo central era criar uma arte brasileira singular baseada nas raízes populares.Idealizado pelo escritor paraibano Ariano Suassuna, essa manifestação abrangeu a literatura, música, dança, teatro, artes plásticas, arquitetura, cinema.  Fonte-https://www.todamateria.com.br/movimento-armorial/
Vem aí...

Cariri Cangaço São José de Belmonte 2018