Exu, Terra de Luiz Gonzaga e do Cariri Cangaço !


O último dia 21 de janeiro foi especialmente importante para a agenda do Cariri Cangaço 2017. Mais uma vez estivemos no município de Exu, no alto da Chapada do Araripe em terras abençoadas por Deus e pelo grande Luiz Lua Gonzaga, Pernambuco de vez recebe a bandeira do Cariri Cangaço, onde a Alma Nordestina de Encontra.

Reuniões com vários segmentos do governo municipal e da sociedade civil marcaram aquele sábado de sol forte e nuvens esparsas no céu azul como só o sertão pode testemunhar. Partindo de Crato no Ceará, o Cariri Cangaço representado por seu Curador, Manoel Severo, por um dos Conselheiros, Kydelmir Dantas, Ingrid Rebouças e Nerizangela Silva, estiveram por todo o dia com intensa agenda na terra berço de Bárbara de Alencar.

  Manoel Severo, Bibi Saraiva e Kydelmir Dantas começam a definir o maravilhoso quebra-cabeça do Cariri Cangaço Exu 2017...

O primeiro encontro, na Pousada Albuquerque, com o Coordenador Local do Cariri Cangaço, pesquisador e escritor Bibi Saraiva, teve como pauta o nivelamento dos últimos acertos da programação prévia, como a escolha dos locais para as conferencias, os temas, os convidados, a agenda cultural, as visitas técnicas e a infraestrutura que estará aguardando em Exu, todos os participantes que virão de todo o Brasil. "Sem dúvidas Exu estará de braços abertos pra receber a magnitude do evento que é o Cariri Cangaço, que trará para nossa cidade um público extremamente qualificado de todo o Brasil, para nós é uma grande honra, já estamos trabalhando para em Julho realizarmos esse inesquecível evento" revela Bibi Saraiva.

Exu, guarda uma tradição como poucos em nosso nordeste. Terra de vultos como Bárbara de Alencar e Luiz Gonzaga, reserva surpresas e misticismo como a passagem do Beato Zé Lourenço no Sítio União e o emblemático e significativo conflito entre as família Alencar , Saraiva e Sampaio. "Realmente Exu é um celeiro de forte tradição cultural e histórica, a chegada do Cariri Cangaço a Exu só confirma a força e a credibilidade do evento, já consolidado como o maior do Brasil" arrisca Kydelmir Dantas.

  Caravana Cariri Cangaço visita o Parque Aza Branca, anfitrião do Cariri Cangaço Exu 2017
Ingrid Rebouças e a casa de Luiz Gonzaga
 Ingrid Rebouças, Bibi Saraiva, Nerizangela Silva e Kydelmir Dantas
Bibi Saraiva e Manoel Severo

As visitas ao Parque Aza Branca e ao Colégio Bárbara de Alencar, como também à residencia de Joquinha Gonzaga, sobrinho e parceiro próximo do Rei do Baião, confirmavam ponto a ponto cada momento do esperado evento que terá sua data confirmada ainda nesta semana. "Inicialmente estávamos agendados para o final de Julho, agora diante de espetaculares novas perspectivas, teremos uma mudança de data, mas dentro do mês de Julho, sem dúvidas a família Cariri Cangaço não perde por esperar" fala Manoel Severo. O Parque Aza Branca e o Colégio Barbara de Alencar serão os anfitriões das conferencias do Cariri Cangaço Exu 2017, tanto em sua abertura como no festejado encerramento do evento.

"Não podíamos vir a Exu e continuar a construção do Cariri Cangaço sem as bençãos do maior de todos: Luiz Gonzaga, e essas bençãos vieram através de seu sobrinho e herdeiro musical Joquinha Gonzaga" revela Kydelmir Dantas. "Ficamos muito felizes com o entusiasmo com o qual não só Joquinha mas toda sua família acolheu o Cariri Cangaço, sem dúvidas teremos momentos realmente sensacionais em nosso Cariri Cangaço Exu" confirma Manoel Severo.

 Kydelmir Dantas, Joquinha Gonzaga, Manoel Severo e Bibi Saraiva
 Secretário Rodrigo Honorato comanda reunião do Cariri Cangaço em Exu

A ultima reunião do dia aconteceu com o Secretário de Cultura, Turismo e Esporte de Exu, Rodrigo Honorato, representando o prefeito Raimundinho Saraiva, contou ainda com a ex-secretaria de cultura Helenilda Moreira,  com a representante do setor de hospedagens, Isabel Albuquerque, com o Coordenador Local do Cariri Cangaço, Bibi Saraiva e ainda Manoel Severo, Kydelmir Dantas, Ingrid Rebouças, Nerizangela Silva, Iris e Iane Saraiva . Na oportunidade foram apresentadas as sugestões finais de programação. O secretário Rodrigo Honorato evidenciou a grande expectativa de receber o Cariri Cangaço, "É uma grande honra para Exu receber um evento da grandeza do Cariri Cangaço, estaremos todos comprometidos em proporcionar o que estiver ao nosso alcance para fazer um grande Cariri Cangaço e receber todo o Brasil que com certeza virá participar desse grande evento". Ao final ficou definido um próximo encontro para os meses de Março ou Abril para fechar os detalhes do grande encontro.

Cariri Cangaço Exu 2017
Visita de Trabalho
21 de Janeiro de 2017

Controvérsias Cangaceiras Por:Junior Almeida

O tema cangaço a todos apaixona e vicia também. Parece uma droga, no bom sentido, é claro, pois enquanto mais se toma conhecimento de determinado fato, mais se vai em busca de mais e mais. Assim como um dependente químico vai atrás das porcarias que lhe matam, os viciados (se assim podemos dizer) em cangaço vão em busca de conhecimento através de depoimentos de pessoas mais velhas, de visitas a locais que ocorreram fatos históricos e principalmente de livros confiáveis que possam ajudar no seu entender. Não é raro um aficionado pelo tema desembolsar quantias consideráveis em livros raros.
A história cangaceira é ampla, e parece ser inesgotável em fatos, que mesmo depois de tanto tempo, insistem em aparecer, como há pouco tempo atrás quando o pesquisador João de Sousa Lima descobriu e revelou para o público, Moreno e Durvinha, cangaceiros do bando do capitão Virgulino, desaparecidos desde os tempos do cangaço, e “achados” em Minas Gerais. Existem muitas controvérsias de fatos ocorridos, de datas de batalhas, de nascimentos e também de nomes. A data de nascimento de Maria Bonita, por exemplo, a maioria dos estudiosos sabe ou aceita, que foi dia 8 de março de 1911, mas desde 2011, ano do suposto centenário de Maria de Déia, que o pesquisador Voldi de Moura Ribeiro, alega ter provas que a data correta do nascimento da rainha do cangaço é 17 de janeiro de 1910.

Manoel Severo e Junior Almeida

Com Lampião não é diferente, muito pelo contrário, a sua história é repleta de datas e nomes que não se batem, deixando confusos pesquisadores experientes e mais ainda quem está apenas engatinhando nos estudos do cangaço. Numa rápida pesquisa na internet a enciclopédia livre da rede, Wikipedia, mostra que Virgulino nasceu em 4 de junho de 1898, data essa que consta do batistério de Virgulino, fornecido pela Diocese de Floresta. Procurando um pouco mais, logo encontramos a data de 7 de julho de 1897, essa segundo o Cartório de Registro Civil do 3° Distrito de Tauapiranga (antigo Barro Vermelho), município de Serra Talhada.
A família de Lampião pela parte do pai, essa sim é uma verdadeira festa de nomes e datas divergentes, que levam a crer que foram atos intencionais para despistar seus inimigos. Perdedores da guerra contra os Montes, no Sertão dos Inhamuns no Ceará, os Alves Feitosas fugiram para vários lugares do Nordeste, então não seria seguro se manterem com seus nomes verdadeiros. Até o velho Zé Ferreira, pai de Lampião, considerado como agregador e manso da família também é encontrado na história com alguns nomes diferentes. José Ferreira da Silva, José Ferreira de Lima, José Ferreira de Barros e até José Ferreira de Magalhães.
A mãe de Lampião, que se sabe, era quem armava os filhos, pois dizia não criar moças, essa é encontrada na história com vários nomes diferentes grafados em diversos documentos de Virgulino como também dos seus irmãos. São “todas Maria, mas, com sobrenomes diferentes. Maria Sulena da Purificação, Maria Vieira da Soledade, Maria Vieira do Nascimento, Maria Lopes da Conceição, Maria Santina da Purificação, Maria Ursulina da Purificação, Maria Lopes, Maria Ferreira Lopes, Maria José Lopes, Maria Jacosa e Maria Selena da Purificação.
Quem se deu ao trabalho de se esconder tanto em nomes diferente, com certeza teve o que esconder.

Junior Almeida - Capoeiras-PE
Pesquisador do Cariri Cangaço

Cem Anos da Grande Tragédia em Garanhuns Por:Roberto Almeida


Neste mês de janeiro de 2017 completa 100 anos que ocorreu a hecatombe de Garanhuns. Uma página triste da história do município, quando mais de duas dezenas de pessoas foram assassinadas em função de atitudes intempestivas, equívocos, brigas políticas e por vingança.

A ORIGEM DO CONFLITO - Do fim do século XIX até 1912 a família Jardim deteve o poder em Garanhuns. A partir desse ano a política passou a ser comandada pelo coronel Júlio Brasileiro. A rivalidade entre essas duas facções políticas era grande e envolvia também a família Miranda, aliada dos Jardins. Em 1916 é formado um forte grupo de dissidentes, com a participação da família Jardim, para concorrer à prefeitura, tendo candidato o Dr. José da Rocha Carvalho.

O grupo tinha o apoio de nomes de prestígio na época, como o major Sátiro Ivo,  os médicos Rocha Júnior e Borba de Carvalho e do próprio prefeito da época, Francisco Vieira dos Santos, que foi eleito pelo grupo do coronel, mas rompeu com este. Os situacionistas, então, para não perder o poder lançaram a candidatura do deputado Júlio Brasileiro ao Governo Municipal e este obteve uma vitória expressiva.

A eleição foi anulada por conta de denúncias de irregularidades, o povo teve de voltar às urnas e Júlio, sem concorrentes, ganhou outra vez. Não chegou a assumir por conta da tragédia do ano seguinte. Segundo os historiadores o coronel era um “fidalgo rural educado”, que fazia amigos com facilidade. Ele não era violento, mas tolerava abusos de seus correligionários. Foram os familiares do coronel, principalmente seu irmão mais novo, Eutíquio, que precipitaram a tragédia.


SALES VILA NOVA – O capitão Sales Vila Nova era amigo e compadre de Júlio Brasileiro. Tinha, no entanto, um caráter irrequieto e mania de ser do contra. Começou a denunciar, através de artigos de jornais, abusos praticados pelo grupo que estava no poder. Eutíquio então, contratou seis homens para dar uma surra de cipó de boi no Capitão.

Embora fosse pacato - ninguém podia julgar que pudesse matar alguém - Vila Nova não suportou a humilhação. Pegou um trem para o Recife, foi até o Café Chile, que era vizinho ao Diário de Pernambuco, e neste local, encontrando o coronel Júlio Brasileiro disparou vários tiros e matou o líder político garanhuense.

Quando a notícia do assassinato chegou a Garanhuns a viúva do coronel,  Ana Duperon, exigiu vingança.Disse que não derramaria uma lágrima pelo marido enquanto ele não fosse vingado. Vila Nova agiu por conta própria, tendo matado Júlio Brasileiro como forma de se vingar da surra que lhe fora dada. Mas a família do coronel botou na cabeça que tudo tinha sido uma trama envolvendo a oposição, à frente as famílias Jardim e Miranda.

Houve então como que um complô, envolvendo Ana Duperon, o delegado e tenente Antônio de Pádua, o juiz José Pedro de Abreu, o oficial reformado Antônio Padilha e diversos correligionários de Júlio Brasileiro, para assassinar os considerados responsáveis pela morte do deputado. Foi formulado um plano para levar os inimigos para a cadeia pública, sob o pretexto de dar-lhes segurança.

Tudo não passou de uma armadilha e os que foram detidos foram mortos dentro do prédio público, sem nenhuma chance de defesa. Padre Benigno Lira ainda tentou evitar a tragédia chamando os Brasileiro à razão. Não conseguiu. A cadeia foi invadida, o Cabo Cobrinha tombou defendendo a vida dos que estavam sob a sua guarda e a chacina foi praticada covardemente.

Foi preciso vir um trem do Recife com reforço policial para acalmar os ânimos em Garanhuns. Depois dos crimes praticados na cadeia, outras mortes aconteceram, de modo que o gesto tresloucado de Sales Vila Nova resultou no final das contas em mais de 20 pessoas mortas, entre familiares dos Brasileiro, dos Jardim, dos Miranda, além de bandidos contratados para a matança que também tombaram.

Cadeia de Garanhuns do inicio do século XX

LIVROS – Os acontecimentos de 1917 foram noticiados por toda a imprensa da capital e jornais do Centro Sul. O assunto foi abordado também em livros como “A Anatomia de Uma Tragédia – A Hecatombe de Garanhuns”, do juiz Mário Márcio de Almeida e "História de Garanhuns", do historiador Alfredo Leite.

Mais recentemente, o professor Cláudio Gonçalves de Lima publicou “Os Sitiados”, em que narra a história da hecatombe usando técnicas de romancista. Desde o ano passado foi criada uma Comissão do Centenário da Hecatombe de Garanhuns.  Esta organizou,  de 5 a 15 de janeiro de 2017 uma significativa programação para marcar os 100 anos da tragédia que aconteceu no município.

“O fato histórico completará 100 anos no próximo dia 15 de janeiro e será lembrado com uma exposição, palestras, culto de ação de graça e missa”, informam os que integram a Comissão. Haverá também sessão solene na Câmara de Vereadores, caminhada e uma placa alusiva a data que será fixada no prédio da Compesa, na Praça Irmãos Miranda, local onde ocorreu a chacina. Naquela época, no local, funcionava uma delegacia e a cadeia pública da cidade.   

Conselheiros Cariri Cangaço, Antonio Vilela e Geraldo Ferraz no 
Centenário da Hecatombe de Garanhuns

CONFIRA A PROGRAMAÇÃO 
05 a 30/01 – Exposição do Memorial da Hecatombe de Garanhuns. Local: Instituto Histórico e Geográfico de Garanhuns - Praça Dom Moura, 44 - Centro -  Horário: 08:00 às 17:00 horas.

10/01
– Apresentação dos trabalhos da Comissão da Hecatombe – Vereador Audálio Ramos Machado Filho. Local: Instituto Histórico e Geográfico de Garanhuns. Horário: 19:30 horas.

11/01
– Palestra: “O Cangaço no Agreste Meridional” – Professor e escritor Antônio Vilela. Local: Instituto Histórico e Geográfico de Garanhuns. Horário: 19:30 horas.

12/01
- Palestra: “Hecatombe de Garanhuns – Interpretação Baseada na Política Salvacionista” – Professor e Escritor José Cláudio Gonçalves de Lima. 
Local: Academia de Letras de Garanhuns. Horário: 19:30 horas.

13/01
– Sessão Solene Câmara de Vereadores de Garanhuns – Homenagem do 9º BPM ao Cabo Cobrinha e aos soldados mortos na Hecatombe de Garanhuns e palestra: O jovem Tenente Theophanes Ferraz Torres e suas enérgicas providências na Hecatombe de Garanhuns - Escritor Geraldo Ferraz – Horário: 19:30 horas.

15/01
– Caminhada da Paz “Caminhantes do Parque”– Saída ás 07:00 horas do 
Parque Euclides Dourado.

- Fixação de placa na Loja de Atendimento da Compesa (antiga cadeia).
 Local: Praça irmãos Miranda. Horário: 09:00 horas.

 - Culto na Igreja Presbiteriana Central. Horário: 10:00 horas.

- Missa na Catedral de Santo Antônio. Horário: 19:30 horas.

Apoio: Prefeitura Municipal de Garanhuns, Instituto Histórico e Geográfico de Garanhuns, Academia de Letras de Garanhuns, Compesa, 9º BPM, CDL, Caminhantes do Parque, Igreja Presbiteriana Central, Diocese de Garanhuns e SESC Garanhuns.

Roberto Almeida
Fonte:http://robertoalmeidacsc.blogspot.com.br/2017/01/cem-anos-da-grande-tragedia-em-garanhuns.html

Inaugurado e Restaurado em Aurora o Casarão do Cel. Xavier


Sexta-feira, 30 penúltimo dia da gestão do prefeito Adailton Macedo 
quase no apagar das luzes, Aurora recebia uma grande obra popular, diga-se de passagem com muita pompa e alegria. Trata-se do Casarão do Cel. Francisco Xavier de Souza(antiga Cnec) agora completamente restaurado e mantidas suas características originais. Um trabalho que ficou belíssimo na opinião de todos quantos participaram do grande acontecimento inaugural ocorrido na noite de sexta.

Um prédio centenário que antes corria o risco de cair e de se perder para sempre um pedaço importante não apenas da história arquitetônica de Aurora, mas de toda a região. Adquirido pela gestão municipal;assim como a casa do agente da Rffesa; onde hoje funciona a sede da Secult, o casarão do Cel. Xavier constitui - conforme disse o secretário José Cícero em sua fala,"é o que há de mais autêntico ainda presente, da rica historiografia aurorense de meados do século XIX, algo que não podia passar despercebido pela geração do presente e tampouco desaparecer como estaria destinado, caso não fosse a ação providencial desta gestão. O casarão portanto é um testemunho vivo de parte significativa da história de Aurora e região", acentuou.

Secretário José Cícero e Prefeito Adailton Macedo

O prédio agora, lindamente decorado e revitalizado recebeu a denominação de Casa da Cultura Moacir Soares Pinto e Centro Cultural Aldemir Martins; dois filhos da terra; sendo devidamente transformado num dos mais festejados equipamentos culturais da cidade abrigando dentre outras coisas: o museu municipal, a sede da banda de música Sr. Menino Deus, o auditório Dona Santô e a escola de música maestro Esmerindo Cabrinha da Silva, também oportunizará espaço para exposições temáticas permanentes e temporárias, artes e ofícios no sentindo de fomentar o desenvolvimento cultural do município, disse o secretário. 

A solenidade foi prestigiada por um grande número de pessoas, além de muitas autoridades dentre as quais a vice-prefeita Mariquinha, o ex-prefeito João de Zeca e o prefeito eleito Júnior Macedo, bem como todos os secretários da gestão. A banda de música municipal fez a abertura da solenidade ao executar, além dos hinos nacional e do município belos dobrados do passado. Fizeram uso da palavra o secretário de cultura professor José Cícero e o prefeito José Adailton Macedo. 


O padre Antonio José - pároco da cidade, realizou a benção do prédio diante da multidão que se fez presente. Segundo o prefeito e o próprio secretário, os recursos para à obra foram fruto de emenda parlamentar conseguida através do deputado federal Mauro Benevides, contando também com o apoio logístico do ilustre aurorense Francisco Sobreira(Gato) presidente da Associação dos ex-funcionários situada da Reffesa na capital cearense. Parabéns Aurora pela preservação de uma parte fundamental da sua história, posto que tudo começou ali.

Por:Redação Aurora
Fonte:http://blogdaaurorajc.blogspot.com.br/

Os Caminhos de João de Sousa Lima


João de Sousa Lima em uma das edições do Cariri Cangaço

Há muitos anos venho vasculhando os caminhos e veredas em busca das histórias do cangaço, ouvindo cangaceiros, soldados, coiteiros e testemunhas das histórias. Tanto chão percorrido para se chegar a uma pesquisa centrada e responsável. Tantas estradas vencidas, tantas rotas traçadas e atravessadas.No meio de tantos trajetos encontrei nosso povo, o nosso povo com seus sentimentos, suas façanhas, momentos vividos, capítulos registrados.

Feito águia que se eleva na amplidão do infinito, de olhar aguçado, procurando o que lhe sacia a fome, eu trilhei os sertões para saciar-me dos marcantes fatos vividos por homens e mulheres que viveram e viram passar em suas vidas os episódios do cangaço.Vi em tantos corações as marcas da dor. Em tantas almas as cicatrizes eternas de um tempo que parece nunca passar. Vi sorrisos escondidos em prantos e prantos que se aliviaram em risos. Vivi seus tormentos, entendi suas ações, sofri com suas histórias e seus lamentos. Mais também compreendi seus amores vividos, amores bandidos, amores roubados, sofridos e tantos outros nunca esquecidos, amores eternos, em cujas faces desaguam as lembranças desses amores amados entre dores, risos, prantos e encantos.


Esquadrinhei corações, muitos quase de pedras, outros apesar das idades ainda juvenis em suas recordações de que o amor havia sido eternizado. Aprendi em alguns momentos que o coração é terra que ninguém pisa e ao mesmo tempo é caminho que o homem anda. Vai entender as coisas do amor. Vai ouvir as histórias dos que viveram tão intimamente o cangaço, que viram suas vidas envolvidas nas diversas tramas desse mundo tão controverso.

Nunca julguei os atos do meu povo, apenas ouvi, considerei, me encantei, controlei as emoções quando elas pediam lágrimas para entender aqueles mundos tão diferenciados do meu. Um mundo tão distante de minha realidade e tão perto do meu entendimento. Quase um CHAMADO, como disse minha amiga, a índia Pankararé Alzira. Eu ouvi tantas histórias, muitas tristes, sombrias, desumanas e apesar de tudo elas me tornaram mais humano.

Não há que se ter um olhar que julgue as façanhas vividas por nossos povos. Não há que se ter preconceitos sobre os que eles viveram em suas trajetórias de vidas. Ao homem não cabe julgar os fatos.Dentre tantas histórias duras e inesquecíveis houveram recomeços, muitos que andaram à margem da lei se tornaram justos, fieis, honestos, amorosos.


Os Homens e Mulheres que tantas agruras viveram durante o cangaço, transformaram seus sofrimentos em  caminhos coloridos e floridos.


Nessas estradas eu percorri muitas veredas, conheci muitas pessoas, descobri quão importante nosso povo é para a compreensão das atitudes tomadas em momentos da vida que marcam nossas histórias.Percorri muitos caminhos, veredas, estradas. Conheci histórias, vasculhei memórias, entendi meu povo.Cansado dos longos trajetos, me recolho para um descanso. As histórias, essas permanecerão eternamente dentro de mim, pois elas são como chamas que nunca apagam de nossas memórias.

A história segue seu rumo natural, creio ter deixado para a posteridade um relevante trabalho de pesquisa histórica. Meus escritos servirão para entender o que foi esse capitulo vivido em solo nordestino.

Fonte:http://joaodesousalima.blogspot.com.br/
João de Sousa Lima, Paulo Afonso-BA
Pesquiador e Escritor
Conselheiro do Cariri Cangaço

Hecatombe de Garanhuns


Grande Palestra do Conselheiro Cariri Cangaço, pesquisador e escritor Geraldo Ferraz

Centenário da Hecatombe de Garanhuns
13 de Janeiro de 2017
Câmara Municipal de Garanhuns, Pernambuco
19h 30min

Cortar a Cabeça de Cangaceiro...O Por quê ! Por:Iaperi Araujo


Cortar cabeças, ou morte por degola ou a separação da cabeça do corpo é uma prática muito antiga. Ela tem um significado politico, ou seja, o da subjugação do vencido. Sob, o aspecto religioso cristão, a cabeça separada do corpo, não permitiria a ressurreição do morto. A bíblia fala do corte da cabeça de João Batista, a pedido de Salomé. Em Canudos, após a derrota de Conselheiro a degola, foi geral (triste página de nossa história...). Mesmo, após sua morte, foi procedida a exumação e o corte de sua cabeça.
Em 1926, quando da passagem da Coluna Prestes pelo nordeste, ocorreram casos de degola tanto feita pelos revoltosos, quanto pelos legalistas. No cangaço, esse procedimento teve uma ocorrência muito grande, sobretudo na 2ª fase do fenômeno, em que as cabeças eram apresentadas às autoridades, e, os matadores eram promovidos. A ordem era geral, ou seja, matar e trazer a cabeça. 

Cabeças de Serra Branca, Eleonora e Ameaça.
A separação da cabeça do resto do corpo, mutilando-o, fragmenta a ideia da imortalidade. No caso da degola procedida em Angico (morte de Lampião, Maria e mais 9 cangaceiros), por ocasião da degola de MARIA, após o corte da cabeça, alguns policiais informaram que colocaram o dedo no canal medular extraindo parte da massa cinzenta-encefálica.
O próprio Tenente João Bezerra informou que após as mortes de cangaceiros em Angico, as cabeças tiveram que ser cortadas, pois ficava impossível, trazer os corpos em face das dificuldades encontradas.

Professor Iaperi Araujo
Rio Grande do Norte

As Mulheres Cangaceiras Por:Kydelmir Dantas


Num levantamento de mais de 1000 títulos, a maioria no acervo pessoal, são poucas a Mulheres Cangaceiras que foram contempladas pelo ‘jornal do povo’: Os folhetos ou romances de cordéis. Logicamente, a mais ‘biografada foi Maria Bonita, em seguida Dadá e pronto... 

Afora Sila e Lídia, praticamente mais nenhuma teve ‘direito’ a uma biografia não autorizada. Este trabalho, apresenta os nomes de 86 Mulheres que, por qualquer motivo  (amor, aventura, ilusão ou rapto) ingressaram no cangaço a partir de 1930. Foi baseado nas fontes de pesquisas seguintes: 

AMANTES E GUERREIRAS - Geraldo Maia do Nascimento. Mossoró - RN, Coleção Mossoroense, 2016; CANGACEIROS. Élise Jasmin. Terceiro Nome, 2006. DADÁ. José Umberto Dias. Salvador - BA, 1989. DICIONÁRIO BIOGRÁFICO: CANGACEIROS & JAGUNÇOS. Renato Luis Bandeira. Salvador. 2ª ed. 2015; GUERREIROS DO SOL. Frederico Pernambucano de Mello. Recife, 1985; LAMPIÃO: AS MULHERES E O CANGAÇO – Antônio Amaury Correia de Araújo. São Paulo - SP, 1984; LAMPIÃO ALÉM DA VERSÃO: MENTIRAS E MISTÉRIOS DO ANGICO. Alcino Alves Costa. Aracaju – SE. 1999; MARIA BONITA: A TRAJETÓRIA GUERREIRA DA RAINHA DO CANGAÇO. João de Sousa Lima. Paulo Afonso – BA. 2005.

Kydelmir Dantas, autor.
Poeta e Escritor, Sócio da SBEC
Conselheiro Cariri Cangaço 

Turismo Rural:Casarão em Água Branca pode se transformar em Museu

Fazenda Cobra, em Água Branca

Os assentados que residem na Fazenda Cobra, em Água Branca, pedem ao Governo do Estado que transforme o o casarão do lendário coronel Ulisses Luna,  seja transformado em um museu rural para visitação pública. O Casarão tem mais de 150 anos e pertenceu ao colonizador do Sertão de Alagoas Ulisses Luna e atualmente está prestes a desabar necessitando de reparos para continuar de pé.

O imóvel teve seus moveis levados pela família do coronel Ulisses Luna e atualmente o local possui espaço para se implantar um projeto de turismo rural, já que possui área estacionamento nos jardins que ainda tem resquícios do período que o lendário coronel viveu com sua família. Uma pequena capela também existe no local com o túmulos da esposa e da filha do colonizador do Sertão. O velho casarão foi usado também para gravação e várias cenas da novela Velho Chico e filmes e no inicio do seculo 20 abrigou o industrial Delmiro da Cruz Gouveia, que havia fugido de Pernambuco com a filha do governador daquele estado.
O casarão do coronel Ulisses Luna era usado para reuniões políticas daquela região e também foi um dos redutos, que o cangaceiro Lampião nunca tentou tomar ou saquear, pois temia o velho líder político. O casarão, segundo Maria Aparecida Sandes, neta do coronel Ulisses Luna, era uma dos mais belos do Sertão de Alagoas.  Possuía um lindo jardim com muitas rosas e arvores. Ao lado uma capela erguida para as celebrações religiosas da família, principalmente no Natal, quando todos se reuniam. A Capela ainda resiste ao tempo junto com o casarão.
A estrada em frente ao Engenho Cobra era passagem obrigatória dos colonos da época, que tinham o costume de sempre reverenciar o velho líder político. Os homens tiravam o chapéu e as mulheres se inclinavam um pouco, em respeito ao “coroné”, que era o protetor de todos na região. Engenho produzia cana e havia também a criação de gado e cabras e ovelhas.


Coronel Ulisses Luna
Atualmente o antigo Engenho Cobra pertence aos assentados do Movimento Sem Terra. São doze famílias que foram beneficiadas com a propriedade do local que havia sido abandonada pela família do Coronel Ulisses Luna. O imóvel possuía um mobiliário raro do século 19 e inicio do século 20. Peças lindíssimas foram retiradas pela família e levadas, que segundo relatos dos moradores atuais, para o estado do Rio de Janeiro.
Atualmente o velho casarão se encontra em precárias condições, já que é de todo de sapé e possui um sobrado, que pesa sobre a estrutura, precisando urgentemente de reparos. Os lideres do MST, que são hoje os proprietários das terras, utilizavam até pouco tempo atrás, o casarão para o funcionamento de uma escola de crianças, mas diante do perigo de desabamento, as atividades foram suspensas. O local também foi utilizado nos últimos meses como cenário para gravação de cenas da telenovela Velho Chico, da Rede Globo.
Mozart Luna: Jornalista graduado pela Universidade Federal de Alagoas e pós graduado em Gestão Estratégica de Empresas e Markenting pelo Cesmac/Maceió. Exerceu o cargo de coordenador de sucursais da Gazeta de Alagoas e O Jornal.Foi apresentador e diretor executivo do Programa Circuito Alagoas na TV Pajuçara (Record)e TV Alagoas (SBT) durante 11 anos.Atualmente é produtor de programas de televisão e apresentador dos programas de televisão Conheça Alagoas e Conexão Municípios da TV Mar, canal 25 da net. Editor da Coluna Integração da Gazeta de Alagoas,e repórter do Boletim Integração da Rádio Gazeta de Alagoas.
Fonte:http://meioambienteeturismo.blogsdagazetaweb.com/2016/12/06/assentados-cobram-recuperacao-de-casarao-para-se-transformar-em-museu-do-sertao/

Significado Histórico de Lampião e o Cangaço Por:Jadson Oliveira


Como entender hoje, numa realidade social marcada pelo capitalismo neoliberal e globalizado – em crise -, o fenômeno do cangaço que dominou vastas áreas do ainda feudal Nordeste brasileiro de quase 100 anos atrás? Esta questão deve estar rondando a cabeça de intelectuais baianos que vão discutir na manhã do próximo sábado, dia 26, em Salvador, o significado da ação dos cangaceiros, em particular do grupo mais famoso chefiado pelo temido “capitão” Virgulino Ferreira, o Lampião, conhecido como o Rei do Cangaço e considerado por uns como um reles bandido e por outros como o maior guerrilheiro das Américas.
O debate – no auditório 2 (Mastaba) da Faculdade de Arquitetura da UFBa (bairro da Federação), das 8:30 às 13:30 horas – será feito a partir do livro LAMPIÃO, A RAPOSA DAS CAATINGAS, cujo autor, o sergipano residente na capital baiana José Bezerra Lima Irmão, fará a exposição inicial. 

Trata-se dum “alentado livro que deveria ser do conhecimento do público em geral, pelo que traz, nas suas 740 páginas de pesquisa séria, metódica e permeada de ilações de um seguro teor teórico e senso crítico, a par de um estilo literário simples, escorreito e sem as afetações dos escritos acadêmicos, que muito  proveito decerto traria para leitores de todas as idades, etnias e credos políticos e religiosos”.

José Bezerra Lima Irmão e João de Sousa Lima no Cariri Cangaço Piranhas

Tal avaliação é do professor Edmilson Carvalho, que compõe, junto com Jorge Oliver, a Comissão de Organização do evento. Ele diz ainda que o encontro do sábado é uma grande oportunidade “para um velho sonho, sonhado por quantos se dedicam à pesquisa historiográfica do tema do cangaço, por uma ótica renovada, a saber, inserida num contexto de uma sociedade em crise, na qual os mais diversos segmentos da sociedade jogam suas propostas sobre a mesa para o debate”.

Devem participar da discussão reconhecidos representantes da intelectualidade baiana, alguns deles com vasta bagagem em pesquisas e obras relacionadas com o assunto – e correlatas como é o caso da Guerra de Canudos. Dentre eles, Valdélio Silva, Sérgio Guerra, Oleone Coelho Fontes e José Guilherme da Cunha.

Ao apresentar seu livro no blog raposadascaatingas.blogspot.com.br , o autor diz, em texto datado de abril de 2014, que ele é fruto de 11 anos de pesquisas e mais de 30 viagens por sete estados do Nordeste. Explica que “analisa as causas históricas, políticas, sociais e econômicas do cangaceirismo no Nordeste brasileiro, numa época em que cangaceiro era a profissão da moda”.

E arremata: “Lampião iniciou sua vida de cangaceiro por motivos de vingança, mas com o tempo se tornou um cangaceiro profissional – raposa matreira que durante quase 20 anos, por méritos próprios ou por incompetência dos governos, percorreu as veredas poeirentas das caatingas do Nordeste, ludibriando caçadores de sete estados”. 

Faz 78 anos que Lampião (teria então 40 anos de idade), sua mulher de apelido Maria Bonita e componentes do seu bando foram mortos. Embora haja controvérsias, a história oficial registra que foram vítimas duma emboscada comandada pelo tenente João Bezerra, da polícia de Alagoas, no local denominado Angicos,  sertão de Sergipe, ao amanhecer do dia 28 de julho de 1938.

Jadson Oliveira é jornalista
http://midialampiao.com.br/2016/11/23/intelectuais-baianos-aprofundam-significado-historico-de-lampiao-e-o-cangaco/