80 Anos de Muita História pra Contar...



Já se vão exatos 80 anos desde o longínquo 28 de julho de 1938 quando na grota do Angico; nas barrancas do lado sergipano do Velho Chico o fatídico episódio do cerco e morte de Virgulino Ferreira da Silva, vulgo Lampião, acabaria marcando o fim do cangaço e iniciando uma verdadeira epopeia em busca da verdade em torno da morte do rei do cangaço. Virgulino se configura como o sul americano mais biografado do planeta, mais mil livros buscam contar a história desse fenômeno tipicamente do nordeste do Brasil, grupos de estudos, instituições e academias vem se debruçando sobre o curioso tema que se reveste envolto em "mentiras e mistérios" mesmo passados longos oitenta anos...
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Seminários, simpósios e congressos em várias cidades nordestinas acontecem neste mês de julho, trazendo à mesa a discussão que mobiliza pesquisadores e escritores de todo o Brasil. Dentro desse contexto, a capital baiana Salvador sediou entre os dias 10 e 12 de julho; próximo passado; o "Seminário Angico 80 Anos – O Crepúsculo do Cangaço". Tendo a frente o professor Manoel Neto e o coronel Raimundo Marins, o evento aconteceu na Biblioteca Central dos Barris e foi uma promoção do Centro de Estudos Euclydes da Cunha – CEEC/UNEB, da Biblioteca Pública do Estado da Bahia e do Centro de Memória da Polícia Militar do Estado da Bahia. Com brilhantismo reuniu pesquisadores renomados do tema, como Luitgarde Cavalcanti Barros Oleone Coelho Fontes, José Bezerra Lima Irmão, Luiz Ruben Bonfim, Kiko Monteiro, além da presença importante da jornalista Vera Ferreira, neta de Lampião e Maria Bonita e Indaiá Santos, neta de Corisco e Dadá, dentre outros ilustres participantes.
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Outro grande evento dentro da comemoração dos 80 anos da morte do mais famoso de todos os cangaceiros; Virgulino Ferreira da Silva , Lampião; acontece entre os próximos dias 24 a 26 de julho, também em Salvador, desta vez uma promoção do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia, e que promete reunir pesquisadores e apaixonados pela temática de todo o Brasil. Novamente personalidades da pesquisa do cangaço estarão presentes com destaque na programação para os escritores; José Bezerra Lima Irmão, Oleone Coelho Fontes, José Dionísio Nóbrega e Renato Luiz Bandeira.  

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Alagoas registra presença também no marco dos 80 anos da morte de Lampião a partir da 7
0ª Reunião Anual da SBPC - UFAL Sertão, no município de Delmiro Gouveia. No último dia 19 de julho reuniu na 
Mesa Redonda: "Os 80 anos da morte de Lampião: releituras do Cangaço" os qualificados pesquisadores: 
Luitgarde Barros (UERJ), Aldair Menezes (SEE-SE) e Antonio Fernando Sá (UFS).
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Mesa de Debates na UFAL de Delmiro Gouveiao
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O município de Lagarto no sertão sergipano foi outro que se somou ao conjunto de eventos que marcariam a data dos 80 anos da morte de Virgulino. Para um imensa platéia de estudantes o pesquisador Kiko Monteiro vem apresentando semanalmente neste mês de julho, palestras sobre a temática. Os eventos acontecem no auditório do Pré Seed - Polo Lagarto, sob a coordenação do professor Clécio.
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Kiko Monteiro no Pré Seed em Lagarto,Sergipe
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Mais uma vez a Bahia se faz presente nos eventos comemorativos em alusão aos 80 anos da morte de Lampião, desta vez o acolhedor município de Paulo Afonso reúne personalidades da pesquisa e estudo do cangaço para numa promoção da Academia de Letras de Paulo Afonso - ALPA - em alusão ao Dia do Escritor , dia 25 de Julho, no Clube Paulo Afonso e sob a coordenação do jornalista Antônio Galdino e do grande escritor João de Sousa Lima, realizar mais um conjunto de palestras que contará com as presenças de Luiz Ruben Bonfim, Benedito Vasconcelos, Celsinho Rodrigues, Elane e Archimedes Marques, Jurivaldo Alves, Louro Teles, dentre outros. Já no dia seguinte é a vez da prefeitura municipal de Paulo Afonso promover ainda dentro do Paulo Afonso Cangaço mais apresentações e debates dentro da mesma temática, com as participações de Aderbal Nogueira e Manoel Severo.

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Por fim o maravilhoso e encantador município de Piranhas em Alagoas reúne nos dias 26 a 28 de julho; em evento capitaneado pela prefeitura municipal através da Secretaria de Cultura , pesquisadores, escritores e professores para a promoção de mesas de debates, palestras e apresentação de video documentários com destaque para as presenças de Aderbal Nogueira, João de Sousa Lima, Wescley Rodrigues, Louro Teles, entre outros.
Virgulino Ferreira da Silva, o sertanejo,  homem, cangaceiro, mito... 80 anos de sua morte em Angico.

Cristãos e Mouros na Tradição de São José de Belmonte Por Valdir José Nogueira


No século XIX e nas primeiras décadas do século XX a região do Pajeú foi cenário de episódios sangrentos protagonizado por membros das famílias Pereira e Carvalho. As mesmas davam nome às facções que disputavam o mando político em Flores, Serra Talhada e São José do Belmonte. 
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Pereiras e Carvalho (cristãos novos?) eram parentes. Pereiras militando no Partido Conservador; Carvalhos no Partido Liberal. Uns e outros, como era hábito no sertão, proclamando brasões e nobreza remota. No brasão dos Carvalhos predomina a cor azul, no brasão dos Pereiras predomina a cor encarnada.

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O tempo vai longe das lutas de Carvalhos e Pereiras, porém, o embate entre azuis e encarnados ainda acontece anualmente em São José do Belmonte durante a festa da Pedra do Reino, através de uma das suas mais genuínas manifestações folclóricas; a Cavalhada. A Cavalhada resgata as históricas batalhas da população cristã contra as dramáticas investidas dos exércitos muçulmanos na Península Ibérica. No local do evento, 12 cavaleiros divididos entre mouros e cristãos, ricamente ornamentados encenam um belíssimo espetáculo com músicas específicas; carreiras eqüestres coreografadas e exercícios. 
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Rivais antigos, o encarnado e o azul se entrincheiram em campos diferentes. Encarnados, os mouros; azuis os cristãos. É justo que as gentes do Nordeste lancem mão desses símbolos ancestrais nas suas mais genuínas manifestações populares. As cores se perpetuam imortais nos seus significados, transparentes no que representam. Forte na questão cultural da cidade, a Cavalhada é algo tradicional entre a nossa gente, faz parte da história de São José do Belmonte.

Valdir José Nogueira
Pesquisador e escritor
Presidente da Comissão Organizadora do Cariri Cangaço São José de Belmonte

E vem aí, de 11 a 14 de Outubro...

Estamos Chegando...


Cariri Cangaço São José de Belmonte
11 a 14 de Outubro de 2018
Sertão de Pernambuco - Brasil


A Morte de Ezequiel Ferreira Por:João de Sousa Lima

Dia 11 de julho de 2018, eu, Sandro Lee e Nilton Negrito estivemos traçando um dos Roteiros do Cangaço em Paulo Afonso e demarcamos um dos mais famosos  pontos da história  em nossa região.Na Lagoa do Mel colocamos uma cruz marcando o local da morte de Ezequiel e onde também morreram 16 soldados.Essa ação faz parte do movimento Rota do Cangaço que eu e Sandro Lee estamos lutando há anos para tornar realidade em nossa cidade. Já pontuamos vários espaços onde houve histórias sobre o tema. Ainda falta alguns locais a serem delimitados para podermos finalizar esse projeto, que esperamos encerrar ainda em 2018.
PARA ENTENDER UM POUCO MAIS DA HISTÓRIA SOBRE  O LOCAL ONDE ESTIVEMOS E ONDE MORREU EZEQUIEL, IRMÃO DE LAMPIÃO.....
Um dos mais ferrenhos combates de Lampião na Bahia aconteceu em Paulo Afonso, no povoado Baixa do Boi. Nesse confronto morreu, a principio,  16 soldados  e posteriormente, em fuga e perdidos, morreram mais 3 policiais.
O cangaço era movido por tiroteios, mortes e ferimentos. Lampião foi grande estrategista e astucioso, com uma grande capacidade de pressentir o perigo que constantemente o rondava. O famoso cangaceiro vivia dividido entre os inúmeros combates e mesmo tendo desenvolvido uma quase perfeita estratégia de segurança, contando com o apoio dos numerosos coiteiros, tinha sempre a morte rondando seus dias e sofreu consideráveis baixas em seu contingente. Entre seus maiores dissabores ele sofreu trágicas perdas e ver alguns irmãos sucumbirem em combates sobre sua proteção, foi doloroso. No campo de luta ele viu três irmãos morrerem. O primeiro morto em combate foi o Livino ferreira da Silva, no ano de 1925, em um tiroteio acontecido na fazenda baixa do Juá, próximo a cidade de Flores, Pernambuco, com volantes paraibanas comandadas pelos sargentos José Guedes e Cícero de Oliveira. Livino faleceu oito dias após esse tiroteio, com 29 anos de idade.
Ezequiel e Virgínio
O segundo irmão a deixar o mundo dos vivos foi Antonio Ferreira, nascido em 1896 e morto em janeiro de 1927, na fazenda poço do ferro, Tacaratu, Pernambuco, propriedade do coronel Ângelo da Jia, em decorrência de um acidente ocasionado por Luiz Pedro, que disparou sua arma acidentalmente atingindo o próprio amigo. O terceiro morto em combate foi Ezequiel Ferreira da Silva, o mais jovem irmão, nascido em 1908. Ezequiel passou a acompanhar Lampião em 1927, junto com o cunhado Virgínio. Ele tinha o apelido de Ponto Fino, alcunha adquirida pela justeza do seu tiro. Sua morte aconteceu em Paulo Afonso, Bahia, no povoado Baixa do Boi, terras pertencentes na época a santo Antonio da Glória do curral dos Bois.
O tenente Arsênio Alves de Souza chegou ás imediações do povoado Riacho com uma volante composta por aproximadamente 20 soldados e tendo como guia os dois irmãos Aurélio e Joví, que eram fugitivos da cadeia de Glória, preso pelo inspetor de quarteirão, o senhor Pedro Gomes de Sá, pai da cangaceira Durvinha. A volante chegou ao povoado riacho no dia 23 de abril de 1931, trazendo entre seu aparato bélico uma metralhadora Hotchkiss. O primeiro contato do tenente no lugar foi com Zé Pretinho e o jovem foi forçado a seguir com os policiais. Cruzaram o terreiro de dona generosa Gomes de Sá, coiteira de Lampião e foram armar acampamento na Lagoa do Mel, um tanque construído por Antonio Chiquinho.
Tenente Arsenio
Sargento Leomelino Rocha
Enquanto a policia se preparava para passar a noite na lagoa do Mel, outras fontes confiáveis de informações de Lampião se dirigiam para o povoado Arrasta-pé para avisar ao Rei do Cangaço sobre a presença dos militares nas proximidades. Lampião mandou avisar Corisco e Ângelo Roque, que estavam arranchados bem próximos e junto com eles combinaram um ataque aos soldados.
Ainda com o escuro da noite, próximo ao amanhecer, Lampião recolheu alguns chocalhos com Pedro Gomes e seguiu as veredas que davam a cesso a lagoa do mel.No coito da policia, prestes a amanhecer, o Zé Pretinho saiu com o intuito de pegar um bode para fazer parte do desjejum de todos ali. Com a escuridão se transformando em luz, os soldados ouviram o tilintar de chocalhos e imaginaram que seriam os bodes se aproximando para beber água (um dos sobreviventes desse combate, o soldado José Sabino, ordenança do tenente, relatou, anos depois, que realmente confundiram os chocalhos, achando que eram alguns caprinos se aproximando para beber água na lagoa). Na verdade eram os cangaceiros cercando o coito.
Despreocupados, os policiais sofreram um forte e inesperado ataque, uma verdadeira chuva de balas caiu sobre eles. Vários corpos caíram atingidos por balas mortais e certeiras. A dificuldade encontrada pelos soldados foi que eles cometeram um grande vacilo. A lagoa do Mel era rodeada por uma cerca de varas e eles haviam dormido dentro do cercado. Quando eles tentavam transpor as madeiras se transformavam em alvo fácil e caiam mortalmente feridos. Um exemplo dessas mortes trágicas foi a do sargento Leomelino Rocha que morreu e ficou de pé pendurado nas madeiras. Em um dos bolsos desse sargento lampião encontrou um bilhete do coronel Petro indicando alguns locais onde ele se escondia.
 
O tenente Arsênio diante o desespero do momento, conseguiu efetuar uma rajada de metralhadora e acabou acertando a barriga de Ezequiel Ferreira. A arma depois emperrou e o tenente conseguiu retirar o percussor (ferrolho) da arma e fugiu levando a peça que deixaria a arma inutilizável. Nesse dia Lampião chorou amargamente a morte do irmão caçula e teve que enterrá-lo, com a ajuda de Antonio Chiquinho, próximo a Lagoa do Mel.Era a vida dos que viviam pelo poder das armas, que tombavam no dia a dia, pelo aço lacerante do pipocar das artilharias dos diversos grupos que traçaram as páginas do cangaço no nordeste brasileiro.
João de Sousa Lima
Paulo Afonso 12 de julho de 2018
https://joaodesousalima.blogspot.com/2018/07/a-morte-de-ezequiel-ferreira-as-cruzes.html
Membro da SBEC- Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço
Membro da Academia de Letras de Paulo Afonso – cadeira 06

Padre Agostinho, Capelão do Cariri Cangaço Por:Rangel Alves da Costa

Junior Chagas, Padre Mário e Padre Agostinho
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Agora em junho Poço Redondo e os sertões sergipanos e baianos tiveram o imenso prazer de conhecer Padre Agostinho. Mas quem é este homem calmo, pacífico, de voz mansa, que anda sempre carregando lembrancinhas religiosas para distribuir onde passa, que lentamente caminha para suportar uma pequena deficiência numa das pernas, que celebra missa aonde chega e anda de chapéu cangaceiro de canto a outro? 
Saibam, pois, que o Padre Agostinho Justino dos Santos é gigante, é grandioso, é imenso. Entronizado Capelão do Cariri Cangaço, Capelão aposentado da Marinha do Brasil, é Padre Católico e do mundo. Apaixonado pelo Nordeste, principalmente pela região do Cariri, abdica de estar no seu Rio de Janeira para cruzar caminhos nordestinos e sertanejos. 
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Ivanildo Silveira, Louro Teles e Padre Agostinho no Cariri Cangaço em Nazaré do Pico
Padre Agostinho e Caravana Cariri Cangaço no Edição de Luxo em Juazeiro do Norte
Padre Agostinho na Fazenda Patos, Cariri Cangaço Piranhas 
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Desde muito que atua fortemente no contexto histórico nordestino. Apaixonado pela história do Padre Cícero e pelas dioceses do Crato e de Juazeiro, transita entre as duas - e por toda a região - como um sacerdote respeitado e venerado. É, pois, a partir da Diocese de Juazeiro que o Padre Agostinho sai pelos carrascais nordestinos acompanhando o Cariri Cangaço. Não perde um evento sequer. A cada nova edição, mesmo na distância que for lá estará o Padre Agostinho acompanhado de um ajudante, também da diocese. 

A presença deste servo de Deus também a serviço da história, da cultura e das tradições, tornou-se fator marcante a cada evento do Cariri Cangaço. Alguns conselheiros deixam de comparecer, mas Padre Agostinho não. Uns e outros apaixonados pelas andanças do Cariri Cangaço até deixam de estar presente, mas Padre Agostinho não. Chega sem alarde, instala-se quase ocultamente, mas depois vai surgindo para o encantamento de todos.Em meios aos abraços pelos reencontros, em meio aos preparativos e correrias, de repente ele vai surgindo lentamente, calmo, paciente demais. “Oh Padre Agostinho, por aqui? Que bom revê-lo!”. E ele, sempre de sorriso leve, vai logo repassando um terço de boa sorte, uma fitinha do Padre Cícero, um calendário religioso, algo sempre valioso como dádiva sagrada de reencontro e recordação. 

Na manhã do último dia do Cariri Cangaço Poço Redondo 2018, quando todos os participantes ou já tinham seguido ou estavam se preparando para seguir viagem, eis que o Capelão celebrava - ao lado do Padre Mário - a missa pelo aniversário de 78 anos de Alcino Alves Costa. Segundo ele, depois seguiria para Paulo Afonso, daí cortando outros caminhos até Juazeiro. Confessou-me que pagaria do próprio bolso o fretamento de um veículo até Paulo Afonso. 
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Padre Agostinho e a inauguração do Marco de Antonio Canela em Poço Redondo
Padre Agostinho e a benção diante do Marco da Cruz dos Nazarenos
Padre Agostinho a inauguração do Marco de Alcino Alves Costa
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Todas as igrejas abrem suas portas perante sua chegada. Todos os túmulos e cruzes da história se reconfortam perante sua presença. Ao ser perguntado sobre os motivos de usar chapéu cangaceiro e de abençoar os retalhos do passado, bem como celebrar a memória daqueles que a muitos causa ojeriza (como acontece com túmulos de cangaceiros), ele simplesmente afirma que todos foram seres humanos e, como tal, merecem a compaixão divina. Assim suas palavras, conforme citadas pelo conselheiro Raul Meneleu no artigo “O Padre e o Cangaço”: “Também os cangaceiros são filhos de Deus e merecem preces por suas aflitas almas, mesmo sendo injustos." (http://meneleu.blogspot.com/2015/08/o-padre-e-o-cangaco.html).

Foi neste sentido que abençoou as Cruzes dos Nazarenos na Maranduba e proferiu palavras acerca daquelas almas aflitas, comandando depois uma oração conjunta. No dia anterior, na baiana Serra Negra, após o almoço coletivo ele foi avistado recompensando com algum dinheiro as mulheres a serviço na cozinha. Apenas um reconhecimento pelo maravilhoso almoço, dizia ele. Pois bem. É assim o Padre Agostinho aonde chega e por onde passa. Convidado pelo Padre Mário para celebrar missa em Poço Redondo durante a próxima Festa de Agosto, do altar improvisado defronte ao Memorial Alcino Alves Costa, sorridente disse: “Estarei entre vocês, com fé em Deus!”. Seja bem-vindo, Padre Agostinho. Sempre. Em Poço Redondo e por todo o Nordeste, como assim será no Cariri Cangaço de São José do Belmonte.

E, desde já, rogo ao curador Manoel Severo e a todos os conselheiros Cariri Cangaço que além de Capelão o Padre Agostinho seja oficialmente reconhecido como Sacro Conselheiro do Cariri Cangaço.

Rangel Alves da Costa, Pesquisador e Escritor
Mantenedor do Memorial Alcino Alves Costa
Conselheiro Cariri Cangaço

Poço Redondo em Festa se Despede do Cariri Cangaço 2018


O terceiro e último dia de Cariri Cangaço Poço Redondo contou com uma intensa agenda ainda pela manhã no vizinho município baiano de Pedro Alexandre, a Serra Negra dos irmãos Carvalho: João Maria e Liberato, pela primeira vez o Cariri Cangaço pisava em terras baianas. O período da tarde e da noite reservava os momentos finais e igualmente emocionantes de nossa presença no inigualável Cariri Cangaço Poço Redondo 2018, pisando o chão sagrado de Alcino Alves Costa.
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Há um Templo da Verdadeira Alma Nordestina, esse templo tem nome e endereço: Memorial Alcino Alves Costa, no centro da cidade de Poço Redondo em Sergipe. Aqui se reverencia a memória do grande Caipira de Poço Redondo, do espetacular pesquisador, poeta, escritor, apaixonado pelo sertão e pelo seu chão, Alcino. Por volta das 15 horas a Caravana Cariri Cangaço realizava a visita oficial dentro de sua programação ao Memorial que mantém viva e materializada não só a obra e o legado de Alcino, mas e principalmente seu sentimento de amor ao sertão, sob a recepção de Rangel Alves da Costa, filho e mantenedor do memorial.
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Ivanildo Silveira e Carlos Alberto : Memorial Alcino Alves Costa
 

 Ivanildo Silveira e as relíquias presenteadas ao Memorial
Edvaldo Feitosa, Ivanildo Silveira, Rangel Costa, Manoel Severo, Manoel Serafim 
e Wescley Rodrigues

Ivanildo Silveira, Rangel Alves da Costa e Antônio Vilela
 
 Caravana Cariri Cangaço visita Memorial Alcino Alves Costa
 
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No primeiro momento, em nome do Conselho Curador, o pesquisador e colecionador do cangaço Ivanildo Silveira fez a entrega ao mantenedor do Memorial, pesquisador e escritor; filho de Alcino; Rangel Alves da Costa; de um conjunto de bornais e cartucheiras como também punhal da época do cangaço para o acervo do Memorial. Por mais de uma hora os visitantes de todo o Brasil puderam conhecer as dependências do memorial e todo o seu espetacular acervo, composto das obras, de objetos, de artefatos e de fotografias, inúmeras,uma imensidão de fotografias, todo o acervo retratando a memoria de Alcino Alves Costa.
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Manoel Severo sauda os visitantes no Memorial
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Já em suas palavras, o curador do Cariri Cangaço, Manoel Severo destacou a vital participação de Alcino na construção e consolidação do empreendimento Cariri Cangaço, "estive aqui em Poço Redondo muitas vezes, a primeira em 2007, Alcino esteve conosco desde os primeiros passos e seu sonho era trazer o Cariri Cangaço para o sertão que ele tanto amava, posso dizer a todos que aqui se encontram, se o Cariri Cangaço possui uma casa, essa casa é o Memorial Alcino Alves Costa".

Do Memorial Alcino Alves Costa a caravana Cariri Cangaço seguiu para a inauguração do Centro de Artesanato Manoel Dionízio da Cruz. O espaço patrocinado e disponibilizado pela prefeitura municipal de Poço Redondo reúne em um mesmo local um centro de informações turísticas e um centro comercial onde podemos encontrar o mais refinado e talentoso artesanato poço-redondense. A solenidade contou com a presença do prefeito Junior Chagas, do curador do Cariri Cangaço Manoel Severo, de artesãos do município e de pesquisadores de todo o Brasil. Ao final ainda houve um show com a cantora Toinha do Cajueiro.
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Leonardo Gominho e  Bruno Marques 
 
Manoel Belarmino, Manoel Severo e Prefeito Junior Chagas
 
Mestre Tonho
Toinha Cajueiro
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Logo após a inauguração do Centro de Artesanato e de Informações Turísticas a caravana Cariri Cangaço se deslocou por cerca de 100 metros para também na Rodovia principal de Poço Redondo, inaugurar a remodelação de um dos mais significativos marcos turísticos do município, a Praça Lampião; criada ainda em 1988 pelo prefeito Alcino Alves Costa e reformada pelo prefeito Frei Enoque em 1998, agora remodelada pelo prefeito Junior Chagas.
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 Manoel Severo e Prefeito Junior Chagas na reinauguração da Praça Lampião

Remodelada e urbanizada a partir de conceitos e arquitetura modernos , com nova iluminação e paisagismo mas mantendo o mesmo padrão da época de sua construção,  a nova Praça Lampião resgata e fortalece o cuidado do município com a sua própria história e a grande representatividade que a temática cangaço tem para seu povo. "Aqui não enaltecemos o cangaço como movimento armado nem mesmo Lampião e sua saga cangaceira, aqui com a restauração da Praça Lampião, como sua nova e moderna roupagem, traz o cuidado da gestão em consolidar a história do município" revela um entusiasmado prefeito Junior Chagas.
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 Manoel Severo na inauguração do Marco de Alcino Alves Costa
 Prefeito Junior Chagas, Manoel Severo e Padre Agostinho
 
Marcial Alves Costa fala em nome da Família
 
Prefeito Junior Chagas, Vandinha e Vera Costa e Marcial Alves Costa
 
Ivanildo Silveira fala na inauguração do Marco Alcino Alves Costa
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Seguindo o rosário de inaugurações dentro do Cariri Cangaço Poço Redondo 2018, perto das 18 horas houve a inauguração do Marco em homenagem a Alcino Alves Costa na avenida que leva o nome do homenageado. Com a presença maciça de familiares do homenageado, a inauguração marcou um dos momentos mais emocionantes da programação.
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Rita Pinheiro, a "Garimpeira da Cultura" abrindo a terceira noite de 
Cariri Cangaço Poço Redondo 2018 
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A terceira e última noite de Cariri Cangaço Poço Redondo 2018 marcou novamente um público recorde presente à Arena Cariri Cangaço na Praça de Eventos quando a noite foi dedicada a Alcino Alves Costa. Novamente as apresentações artísticas deram a tônica festiva ao evento, quando o talento poço-redondense se destacou antes e depois da programação solene do palco do evento. As apresentações da Escola de Música e Sanfonas, da cantora Val Santos e do Grupo de Xaxado Na Pisada de Lampião, sob a maestria e o talento de Beto Patriota, além da baiana Rita Pinheiro, a "garimpeira da cultura" fizeram o público delirar diante da música e do ritmo predominantemente nordestino e de raiz.
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Junior Chagas e Manoel Severo
Manoel Severo dando as boas vindas ao espetacular público da terceira noite de 
Cariri Cangaço Poço Redondo 2018
Prefeito Junior Chagas e abertura da terceira noite na Arena Cariri Cangaço 
em Poço Redondo
Escola de Música e Sanfonas saúdam o grande público na praça de eventos
 
O público tomou conta da última noite de Cariri Cangaço em Poço Redondo
Padre Mário Cesar recebe Diplomas das mãos do Prefeito Junior Chagas 
e do Padre Agostinho
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A abertura da noite com o prefeito Junior Chagas e Manoel Severo, juntamente com o presidente do Memorial Alcino Alves Costa, pesquisador Rangel Alves da Costa e do presidente da Comissão Local, Manoel Belarmino, marcou a homenagem do Conselho Cariri Cangaço aos filhos de Poço Redondo que fizeram parte desta forte saga que foi o cangaço, nada mais que 32 filhos do lugar fizeram parte das hostes cangaceiras, considerando o inicio dos anos 30 e em pleno sertão sergipano, podemos dizer que um numero considerável de famílias de Poço Redondo acabaram se vendo envolvidas com o cangaço de Lampião. Nesta mesma noite foi homenageado com Diploma de Honra ao Mérito do Cariri Cangaço o Padre Mário Cesar.
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Diplomas do Cariri Cangaço: Homenagens às família e aos filhos de Poço Redondo, personagens da sangrenta guerra do sertão...
Escritora Elane Marques e a homenagem a familiares de Sila e seus irmãos 
Inácio filho de Zé de Julião recebe a homenagem ao pai das mãos de Edvaldo Feitosa 
Rangel Alves da Costa e a homenagem a família de Enedina
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Rangel Alves da Costa revela: "Segundo os relatos históricos, Lampião parecia mesmo ter escolhido Poço Redondo como uma segunda casa sua. A primeira era a caatinga, com varanda de xiquexique e assento de mandacaru. Mas a família era grande, era muita, espalhada por todos os sertões nordestinos. E em Poço Redondo mantinha amigos fiéis, tinha acolhida, comida à mesa, tudo o que precisasse. E também a simpatia de tantos jovens que decidiram entrar para o seu bando.Num misto de temor e reverência, aliado ao fato de que o homem sempre estava por ali desafiando as volantes, verdade é que mais de trinta filhos de Poço Redondo seguiram a trilha do bando de Lampião. Mocinhas muitas novinhas, ainda na adolescência, se encantavam com aqueles “artistas” das caatingas e seguiam seus destinos de amor cangaceiro. Assim foi com Adília, Sila, Enedina, Rosinha e outras. Dentre os meninos de Poço Redondo estavam, por exemplo, Cajazeira, Canário, Elétrico, Mergulho, Novo Tempo e Zabelê."
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Poço Redondo emprestou 32 filhos às hostes cangaceiras de Virgulino Ferreira...
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E continua Rangel, "Os alfarrábios da história assinalam que os seguintes filhos de Poço Redondo seguiram Lampião e seu bando, segundo seus apelidos e nomes:Homens: Sabiá (João Preto), Canário (Rocha), Diferente (Nascimento), Zabelê (Manoel Marques da Silva), Delicado (João Mulatinho), Demudado (Zé Neco), Coidado (Augusto), Cajazeira (João Francisco do Nascimento – Zé de Julião), Novo Tempo (Du), Mergulhão (Gumercindo), Marinheiro (Antonio), Elétrico, Penedinho (Teodomiro), Bom de Vera (Luis Caibreiro), Beija Flor (Alfredo Quirino), Moeda (João), Alecrim (Zé Rosa), Sabonete (Manoel), Borboleta (João Rosa), Quina-Quina (Jonas), Ponto Fino (José da Guia), Zumbi (Angelino), Cravo Roxo (Serapião), Cajarana (Francisco Inácio dos Santos – Chico Inácio) e Azulão (Luis Maurício da Silva). Um total de 25 cangaceiros.Mulheres: Sila (mulher de Zé Sereno e irmã de Novo Tempo, Mergulhão e Marinheiro), Adília (mulher de Canário e irmã de Delicado), Enedina (mulher de Cajazeira, o Zé de Julião), Dinda (mulher de Delicado), Rosinha (mulher de Mariano), Áurea (mulher de Mané Moreno) e Adelaide (mulher de Criança, irmã de Rosinha e prima de Áurea). Um total de 7 mulheres."
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 Manoel Belarmino recebe em nome da família de Áurea
Junior Chagas entrega a representante da família de Zabelê
 Marcial Costa e a homenagem a família do coiteiro Manoel Félix
Archimedes Marques e o Diploma para família do ex-coiteiro Messias Caduda 
Louro Teles e o Diploma à familia das ex-cangaceiras, Rosinha e Adeláide
Antônio Vilela entrega o Diploma a representante da família de Adauto Félix
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Por mais de trinta minutos os familiares e representantes desses importantes personagens da história do cangaço, filho de Poço Redondo, foram ao palco principal da Festa Cariri Cangaço Poço Redondo 2018 para receber das mãos da autoridades e de pesquisadores de todo o Brasil seus Diplomas de "Família que Faz Parte da História do Cangaço no Brasil"; um reconhecimento e um resgate à memória desses homens e mulheres, muitos deles ainda criança, que por um motivo ou por outro acabaram se envolvendo nesta saga penosa e cheia de dor que foi o cangaço. Receberam seus Diplomas familiares dos ex-cangaceiros Sila, Novo Tempo , Mergulhão e Marinheiro; de Adília e Delicado ; de Cajazeira, o Zé de Julião; de Enedina , Rosinha e Adelaide, Áurea, Zabelê, Canário e também dos ex-coiteiros, Manoel e Adauto Félix e ainda Messias Caduda.
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O encanto a magia e o talento de Val Santos
 
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Val Santos e a sensacional Música de Raiz: Talento, arte e sensibilidade invadiram a Arena da Praça de Eventos na noite de encerramento do Cariri Cangaço Poço Redondo 2018.

Rangel Alves da Costa e o Legado de Alcino Alves Costa
Rangel Alves da Costa, Manoel Severo e Marcial Alves Costa
 Ivanildo Silveira e o depoimento sobre Alcino Alves Costa
 Ana Lucia Souza e o depoimento sobre Alcino Alves Costa
José Bezerra Lima Irmão e o depoimento sobre Alcino Alves Costa
 Archimedes Marques e o depoimento sobre Alcino Alves Costa
 Edvaldo Feitosa e o depoimento sobre Alcino Alves Costa
Maria Oliveira e o depoimento sobre Alcino Alves Costa 
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A terceira e última noite de Cariri Cangaço Poço Redondo 2018 foi dedicada inteiramente à memória de Alcino Alves Costa. Durante toda a programação da noite, depoimentos se sucederam ressaltando a obra e o legado de Alcino. Familiares, amigos, companheiros de Cariri Cangaço e vaqueiros da história contavam um a um as lembranças e todo o aprendizado ao lado do imortal Caipira de Poço Redondo. Representando o Conselho do Cariri Cangaço falaram dentre outros; Ivanildo Silveira, Louro Teles, Edvaldo Feitosa, Ana Lúcia Souza e Archimedes Marques. Ao final da festejada última noite de Cariri Cangaço Poço Redondo 2018 a Arena Cariri Cangaço, montada na Praça de Eventos contou com a espetacular apresentação do Grupo de Teatro e Xaxado "Na Pisada de Lampião" do multi artista Beto Patriota.

Manoel Severo, Beto Patriota e Ingrid Rebouças
Grupo de Teatro e Xaxado "Na Pisada de Lampião" encerrou 
o grande Cariri Cangaço Poço Redondo 2018
 Grupo de Teatro e Xaxado "Na Pisada de Lampião" encerrou 
o grande Cariri Cangaço Poço Redondo 2018
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Cariri Cangaço Poço Redondo
Praça de Eventos - Poço Redondo, Sergipe
16 de Junho de 2018
Fotos de Ingrid Rebouças e Louro Teles

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