A Guerra pelo Poder em Aurora Por:Calixto Junior


No ano de 1908 chefiava a pequena vila d’Aurora, antiga Venda, o coronel Antônio Leite Teixeira Neto (Totonho Leite ou Totonho do Monte Alegre) – intendente municipal entre 1907 e 1908. Predominava, na época, o poderio estabelecido por Domingos Leite Furtado, chefe absoluto de Milagres e de grande prestígio ante os demais potentados do Cariri cearense, dentre eles, José Inácio do Barro, um de seus aliados principais.
Surgindo desacordos entre os chefetes citados, tendo em vista a demarcação das terras do sítio Coxá, dada pelo padre Cícero Romão Batista, proprietário, a Floro Bartolomeu da Costa, esta incumbência, Cândido Ribeiro Campos, ou Cel. Cândido do Pavão, homem da confiança de Domingos Furtado – assim como do Pe. Cícero – foi aproveitado para desabafo, nesta ocasião. Acentue-se já ser desafeto do coronel Teixeira Neto, Cândido do Pavão, citado.
Passava-se o mês de dezembro de 1908, quando o Cel. Teixeira Neto foi avisado sobre um grupo de cangaceiros, que em número estimado de 400, guiados por Cândido, comandados e fomentados por José Inácio do Barro e fornecidos por Domingos Furtado, fazer-lhe ia a deposição na vila d’Aurora.


Não dispunha Teixeira Neto de elementos suficientes para reação (embora tivesse recebido do Governo do Estado ordem para receber destacamentos de Lavras e Iguatu), resolvendo aconselhar a população a abandonar a vila, o que fez rapidamente, parte dos residentes, devido à aproximação da horda de celerados. Todos os seus haveres, assim como os da população ficaram efetivamente a mercê dos bandidos.
Neste mesmo dia (23 de dezembro de 1908), pelas quatro horas da tarde, foi invadida a vila. Os algozes, não encontrando os inimigos para resistência, ordenaram logo proceder ao saque nas casas comerciais, sendo as principais, as seguintes: Cícero Calixto de Araújo, Sebastião Alves Pereira, Emídio Cabral, José Cabral, Manoel de Barros e a do coronel Paulo Gonçalves Ferreira, sendo os prejuízos avaliados em centenas de contos de réis.
No dia seguinte, data em que as famílias estariam reunindo-se para comemorar o Natal, os cangaceiros arrombaram quase todas as residências, roubando tudo o quanto puderam conduzir. Cristaleiras, mesas e cadeiras foram quebradas e atiradas às ruas, sendo depois incendiadas, gerando na pequena urbe, cenário desolador.
Após o saque da vila, foram divididos os cangaceiros em alguns grupos, tendo à frente de cada um, pessoa da confiança de Cândido: Jose dos Santos, Raimundo dos Santos e Joaquim dos Santos, seus cunhados; Ernesto da Pamonha, José Dantas, e os irmãos Paulinos (João, Antônio e Zinho) seus sobrinhos, seguindo cada um o destino apontado.


Em tempo: Raimundo dos Santos, citado, fora o mesmo que, em certa ocasião, viu seu sobrinho João Paulino, motivado por insatisfação, desfechar-lhe três tiros de revolver, fazendo-o tombar por terra. Por grande felicidade conseguiu escapar da morte Raimundo dos Santos, tendo recebido como sequela, uma lesão na perna que o deixou aleijado.
Para o sítio Monte Alegre, propriedade do Cel. Teixeira Neto, na passagem da antiga estrada que liga o município ao Estado da Paraíba, seguiu o grupo de Raimundo dos Santos que, ali chegando, comete grandes depredações, incendiando armazéns de cereais, a bolandeira, cercados e a casa de residência.
Para o sítio Gerimum, propriedade do coronel Antônio Leite Gonçalves (aliado político e sobrinho de Teixeira Neto), seguiu o grupo de José dos Santos, que como o outro, praticou as violências já citadas. No Sítio Barreiro, também de Antônio Leite Gonçalves, se apoderaram do gado ali existente, conduzindo a boiada para o consumo próprio, sendo de notar, conforme consta em O Ceará (Fortaleza, 25 de agosto de 1928, p.4), roubo de grande quantidade de fumo, que foi retirado do armazém e transportado ao Sítio Taveira, o qual, depois, foi enviado à venda para a cidade de Cascavel.
Os demais grupos seguiram para as propriedades Jitirana e Japão, ainda de Antônio Leite Gonçalves, as quais foram também saqueadas e incendiadas. A propósito, o citado Antônio Leite Gonçalves era o primeiro filho de um total de 16 do único casamento do coronel Barnabé Leite Teixeira com Maria Leite de Figueiredo (Maria Joaquina do Amor Divino). Barnabé, morador no sítio Barro Vermelho e falecido em 1903, era irmão dos coronéis Antônio Leite Teixeira Neto e Manoel Teixeira Leite (Cel. Teixeira) – citado adiante – e foi uma das figuras sociais e políticas de maior envergadura da história de Aurora; antigo delegado municipal (1862) e presidente da Câmara da vila (1890).

Município de Aurora no Vale do Salgado, Ceará

Voltando ao ataque de 1908, finalmente foram saqueadas as propriedades de Joaquim Miguel (Joaquim Gonçalves Ferreira), Manoel Carneiro Guerra e outros, cujos prejuízos foram calculados em mais de trezentos contos de reis. Figura de destaque na política local dentre os deportados por Cândido, logo que assumiu a chefia do município, estava o major Manoel Gonçalves Ferreira (o segundo, de três com o mesmo nome), irmão do coronel Paulo Gonçalves. O mesmo veio a se retirar para o Amazonas, onde chegou ainda a atuar na política, vindo a falecer ausente da família.
Decorreu a truculenta gestão de Cândido Ribeiro Campos, aos moldes dos governos municipais do período coronelístico no Nordeste do Brasil, até 1914, época em que rebentou a ruidosa revolução de Juazeiro. Com a mudança no governo do Estado após a queda de Franco Rabelo, foram entregues os destinos de Aurora ao coronel Manoel Teixeira Leite (Cel. Teixeira), irmão de Antônio Leite Teixeira Neto. Atente-se ao fato de o Cel. Teixeira ter sido o primeiro prefeito do município, já que, a partir de 9 de outubro de 1914, por força da Lei Estadual nº 1.794, foi extinta a função de intendente, passando, em substituição, a existir a figura do prefeito municipal.
Cândido, insatisfeito com a posse e administração do coronel Teixeira, estudou meios de galgar novamente o poder. Julgando que os troféus da vitória fossem ainda o bacamarte, reuniu a parentada e concertou planos. Decorreram-se alguns dias de 1914, quando na madrugada de 11 de julho, a população da pequena vila d’Aurora foi novamente despertada por fuzilaria terrível. Era o ataque dos Cândidos e Santos (Paulinos), à residência do coronel Teixeira, que não oferecendo resistência, tratou de fugir, e saltando uma janela, recebeu ferimento de bala de rifle no pé direito. Com a fuga de Teixeira, foi invadida a casa, ocasião em que fazia uso de arma de fogo a sua filha, Antônia Leite, reconhecida, logo depois, pelo ato de bravura. Neste ínterim, chegando grande parte dos parentes, houve luta armada, e depois de cerca de quatro horas, retiraram-se em debandada, os invasores.
Quanto à casa invadida, ainda hoje está erguida, apesar de desfigurada a fachada. Localiza-se na praça da Matriz (antiga rua do Quadro), centro de Aurora e lá funciona um restaurante (Churrascaria do Regivaldo). Este imóvel, que se avizinhava à esquerda com a casa de José Leite Teixeira e à direita com a casa do Professor Luiz Gonçalves Maciel foi adquirida por Manoel Teixeira a Hermenegildo de Sá Cavalcante (o primeiro deste nome) e sua mulher Dulce Emídia de Macêdo, pelo valor de duzentos mil réis, conforme registrado no livro de notas do Cartório da vila d’Aurora (Livro 1, 1890-1892, p.12-16), assinado pelo tabelião Casemiro Bezerra de Maria. No instrumento de escritura pública datado de 16 de outubro de 1890, aponta-se:
“(...) a compra de uma casa de morada encravada no patrimônio do Senhor Menino Deus da Vila d’Aurora, feita de tijolo e encoberta de telhas, com três portas e uma janela de frente, localizada na Rua do Quadro da mesma vila da Aurora, Comarca de Lavras, Estado do Ceará (...)”.
Vista atual da praça da Matriz de Aurora, Ceara

Outros desentendimentos experimentaram Cândidos e Leites durante a gestão também truculenta do Cel. Teixeira em Aurora (1914-1919). Embora líder do Executivo, Teixeira amargou serrada oposição, já que atuava como presidente da Câmara Municipal, neste período, Manoel Ribeiro Campos, irmão de Cândido. Além do presidente, a Câmara era formada por mais quatro vereadores que se identificavam como correligionários dos Cândidos: José Cabral de Almeida (vice), Rubem Arrais Maia (secretário – que substituíra o também aliado Antônio José Ferreira), Raimundo Bernardo de Souza e Afonso Monteiro Damasceno. Apenas os vereadores Antônio Bezerra dos Santos e Raimundo Ferreira de Lira eram aliados do Cel. Teixeira.
Como prova disso, aponta-se o que ocorreu na sessão extraordinária da Câmara de Aurora de 30 de março de 1915, em que informaram ao presidente do Estado, por meio de ofício, sobre o “procedimento arbitrário” do prefeito Cel. Teixeira, que não permitia a colaboração da Câmara no “destino e engrandecimento do Município”, cientificando, o referido presidente, ser o cidadão Manoel Teixeira Leite “em tudo contrário aos lampejos de prosperidades, tão necessários aos habitantes da terra”.
Sete meses depois (21 de outubro do mesmo ano), em ata de seção extraordinária da Câmara, Manoel Ribeiro Campos deixa escrito sobre a ausência, à reunião, do prefeito Manoel Teixeira Leite, que fora convidado a tratar dos atos de sua gestão no ano anterior, assim como da elaboração da proposta de orçamento para o ano seguinte (1916). Afirma o dirigente da Câmara, ter o prefeito se “esquivado de cooperar para o engrandecimento e boa organização das coisas”.
Terminado o mandato do Cel. Teixeira, assumia como prefeito Antônio Landim de Macedo, ocasião em que saiam do anonimato em Aurora, os Macêdos, aliados dos Leites e Gonçalves, para frequentarem em regime de rodízio, altos cargos na administração do município, tanto de indicação do governo estadual, como de escrutínação.
Findos os dois mandatos citados, Cândido Ribeiro Campos, obstinado na política, por intermédio de Floro Bartolomeu, deputado federal eleito em fevereiro de 1921, com sua ajuda, inclusive, no município, conseguiu novamente a Prefeitura de Aurora, governando-a de 1921 a 1926, mas perdendo a eleição subsequente para José Gonçalves Leite, candidato dos Leites Gonçalves apoiado também pelos Arrudas e Macêdos. Os velhos aurorenses, mais em dia com os acontecimentos passados da terra de origem, afirmam terem sido numerosos os assassinatos, roubos e demais crimes durante o período da segunda administração de Cândido, sem que fossem tomadas muitas providências.
Dentre os crimes de homicídio que ficaram impunes, cita-se o de José Paulino dos Santos (Zim), sobrinho de Cândido, que assassinou o primo Pedro Saraiva dos Santos na estrada do sítio Carro Quebrado em 1925, e que ficou somente em corpo de delito, o processo, tendo sido fechado, somente na administração de José Gonçalves Leite, quando exerciam os cargos de juiz e delegado o Dr. José Garrido e o tenente Caminha, respectivamente.
Por fim e fazendo alusão ao ano anterior de 1917, observou-se em Aurora, que por questões de terra pendentes e “para não incomodar a justiça”, decidiram, alguns membros da família Santos, resolvê-las, amparados pela lei tradicional do bacamarte, tendo sido este, outro episódio tremendo. Travaram luta entre si, resultando três mortes, sendo: o velho José dos Santos, com 80 anos de idade, José dos Santos (José da Bestinha) e um outro membro do clã, sobre o qual falaremos em momento oportuno.
Calixto Junior
Juazeiro do Norte, Ceará, 15 de maio de 2020.

Como Nasce um Livro Por:Rangel Alves da Costa


A construção de ZÉ DE JULIÃO: 
A SAGA DE UM EX-CANGACEIRO DE LAMPIÃO.

Foi trabalho duro, árduo, demorado e até cansativo. Mas também prazeroso, motivador, instigante e de imensa satisfação. Eu (Rangel) e Manoel Belarmino, já tínhamos em mente o esboço, o pedestal, a estrutura, através das pesquisas que já vinham desde os escritos e anotações da Alcino Alves Costa. Mas como contar num livro, ou construir uma obra que percorresse toda a trajetória de vida, desde a infância à morte, deste que é tido por muitos como o personagem mais importante da história de Poço Redondo? Como contar em detalhes, passo a passo, a grandiosa saga deste bravo sertanejo chamado José Francisco do Nascimento (Zé de Julião, ou ainda o cangaceiro Cajazeira, esposo da também cangaceira Enedina)? Como dito, não foi tarefa fácil. Viajamos, pesquisamos pelas estradas e nos escritos, visitamos pessoas que fizeram parte de seu mundo, entrevistamos filhos, parentes e amigos. Sentamos, cotejamos detalhes, discutimos situações, chegamos a consensos e dissensos, tracejamos a quatro mãos. E, enfim, a obra então concluída. E, por fim, o nosso livro já prestes a chegar às mãos daqueles que desejam conhecer a saga desse grande sertanejo com tantas e múltiplas características: rebelde, crítico, sonhador, mulherengo, cangaceiro, construtor, político, por duas vezes candidato a prefeito de Poço Redondo, injustiçado e perseguido, envolvido no mundo coronelista, morto à traição. A história, ou a grandiosa e triste história de Zé de Julião. Uma saga de alegria, esperança, sofrimento e dor. E você já pode adquirir o seu livro por antecipação. Fale com Rangel ou Belarmino, ou entre em contato pelo telefone (79) 99830-5644 (Whatsapp).

Rangel Alves da Costa, pesquisador, escritor, poeta
Conselheiro Cariri Cangaço, Poço Redondo-Sergipe
19 de Maio de 2020

Eu e o Cangaço com o Pesquisador Honório de Medeiros



Hoje traremos mais uma entrevista dentro do universo de pesquisadores da temática cangaço e nordeste. A iniciativa é do grande documentarista Aderbal Nogueira que desta vez nos traz o pesquisador e escritor potiguar; Conselheiro Cariri Cangaço ,membro da SBEC , advogado e consultor, mestre em Direito de Estado, professor Honório de Medeiros.

CARIRI CANGAÇO PAULO AFONSO


NOTA OFICIAL

Diante do atual quadro de Pandemia do Covid-19 que assola nossa Nação; considerando todas as recomendações das autoridades governamentais e sanitárias; federais, estaduais e municipais; e acima de tudo em profundo respeito à integridade e saúde da imensa família Cariri Cangaço de todo o Brasil, a Curadoria do Cariri Cangaço Paulo Afonso nas pessoas de Manoel Severo Barbosa e Joao de Sousa Lima, representando o Conselho Alcino Alves Costa e o Instituto Geográfico e Histórico de Paulo Afonso, comunicam que o referido seminário Cariri Cangaço Paulo Afonso 2020, anteriormente marcado para os dias 11 a 13 de junho do corrente, está ADIADO para data a ser confirmada posteriormente. Pedimos humildemente a compreensão de todos e permanecemos à inteira disposição para maiores esclarecimentos. Sabemos que a Vida é a Arte do Encontro e o Cariri Cangaço tem como grande legado fazer valer cada encontro, se cuidem e fiquem em casa, esperamos que no mais breve espaço de tempo possamos reunir a verdadeira alma nordestina, com respeito, festa e segurança.

Cariri Cangaço 
Mais que um Evento, Um Sentimento...

CURADORES
Manoel Severo Barbosa
Conselho Alcino Alves Costa
João de Sousa Lima
Instituto Geográfico e Histórico de Paulo Afonso

APOIO INSTITUCIONAL
Benedito Vasconcelos
SBEC-Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço
Archimedes Marques
ABLAC- Academia Brasileira de Letras e Artes do Cangaço
Ângelo Osmiro Barreto
GECC - Grupo de Estudos do Cangaço do Ceará
Narciso Dias
GPEC - Grupo Paraibano de Estudos do Cangaço

Eu e o Cangaço com Lourinaldo Teles


Hoje traremos mais uma entrevista dentro do universo de pesquisadores da temática cangaço e nordeste. A iniciativa é do grande documentarista Aderbal Nogueira que desta vez nos traz o pesquisador e escritor pernambucano de Calumbi; Conselheiro Cangaço e membro da SBEC e ABLAC, Lourinaldo Teles.

Março de 2020

Eu e o Cangaço com Raimundo Marins


Hoje traremos mais uma entrevista dentro do universo de pesquisadores da temática cangaço e nordeste. A iniciativa é do grande documentarista Aderbal Nogueira que desta vez nos traz o oficial da Policia Militar da Bahia, pesquisador e membro da ABLAC, Major Raimundo Marins, de Salvador-Bahia.

Março de 2020.

Breves Comentários sobre Antologias de Romanceiro, de Cantoria e de Cordel Por:Carlos Alberto Silva

Sebastião Nunes Batista

ANTOLOGIA DA LITERATURA DE CORDEL, de Sebastião Nunes Batista, Natal-RN: Fundação José Augusto, 1977, 419 páginas. O pesquisador Sebastião Nunes Batista (1925-1982) veio de uma família de poetas, pois, era filho do cordelista, livreiro e editor Francisco das Chagas Batista (1882-1930) e Hugolina Nunes da Costa (1888-1965), filha do famoso cantador da Vila do Teixeira: Ugolino Nunes da Costa (1832-1895), ou seja, vem da tradição da Escola dessa Toponímia de poetas.
Era sobrinho do cantador e cordelista Antônio Batista Guedes (1880-1918) e do poeta Manoel Sabino Batista (1868-1899), ou melhor, um dos fundadores do movimento literário cearense, de 1892, conhecido como Padaria Espiritual, que, tinha o jornal de nome O Pão. Aquela confraria era formada por Adolfo Caminha, Antônio Sales, Rodolfo Teófilo, e, além de Outros. O padeiro Sabino Batista utilizava o cognome de Sátiro Alegrete no tal movimento.


E irmão do famoso cordelista Paulo Nunes Batista (1924-2019) e de Maria das Dores Batista Pimentel, que, utilizava o pseudônimo de Altino Alagoano na autoria de seus cordéis. Foi bastante influenciado pela tradição, convivência e legado poético familiar, pois, esses fatores contribuíram para inseri-lo na poesia, não como cantador e muito menos como cordelista, mas, como grande pesquisador do cordel. Realizou muitas pesquisas da teoria, do resgate de verdadeiros autores de folhetos e da história do cordel, que, foram publicados em forma de artigos e livros.
De sua lavra, entre outras obras, destacaram-se: Primeiro, publicou pela Biblioteca Nacional, em 1971, a excelente BIBLIOGRAFIA PRÉVIA DE LEANDRO GOMES DE BARROS (1865-1918). Em 1921, a viúva do Pai do Cordel Brasileiro vendeu o espólio a João Martins de Athayde, entretanto, ao longo dos anos, João Martins e José Bernardo passaram de editor proprietário para "editor autor", como era estampado nas capas dos folhetos. Então, o grande objetivo desse Livro foi reaver e devolver a Leandro Gomes de Barros a devida autoria.
Segundo, em 1977, pela Fundação José Augusto, do Governo do Rio Grande do Norte, a ANTOLOGIA DA LITERATURA DE CORDEL, a qual, terá maiores detalhes, abaixo. Terceiro, em 1982, publicou pela Fundação Casa de Rui Barbosa, a POÉTICA POPULAR DO NORDESTE, que, trata da forma e da modalidade da poesia oral e escrita. Fazia parte de uma equipe de pesquisadores da Fundação Casa de Rui Barbosa, na qual, existiu um projeto que se chamava de Literatura Popular em Verso, onde, foram publicados catálogos, estudos e antologias.


A lista de cordelistas inseridos no livro ANTOLOGIA DA LITERATURA DE CORDEL, de Sebastião Nunes Batista...


Em janeiro de 1982, proferia uma palestra em Laranjeiras-SE, repentinamente, foi acometido de um ataque cardíaco e veio a falecer. Quanto à Obra, em voga, o prefácio é de autoria de Manuel Diégues Júnior (1912-1991), pesquisador do folclore e pertencia aos quadros da Fundação Casa Rui Barbosa, pois, ao longo do texto referiu-se à poesia oral e escrita. Destacou a influência portuguesa, a peleja na cantoria e no cordel, a classificação de temas em ciclos e a importância cultural do cordel no Nordeste. Aliás, o prefaciador já tinha publicado um alentado artigo, nomeado de CICLOS TEMÁTICOS NA LITERATURA DE CORDEL.
A nota preliminar, do Autor, começou afirmando a similaridade entre a literatura de cordel e o romanceiro popular do Nordeste. No fluxo do texto fez alusão ao romanceiro estudado pelo escritor José de Alencar, aos cantadores da Vila do Teixeira e ao cordelista Leandro Gomes de Barros (1865-1918). Vale salientar, que, tanto o Prefaciador como o Autor adota o estudo da literatura de cordel com o viés folclórico e não como gênero literário. A Antologia é formada de 44 cordelistas, em ordem alfabética, visto que, começa com Abraão Bezerra Batista e termina com Silvino Pirauá de Lima.
De cada poeta, descreveu os dados biográficos e escolheu somente um cordel já publicado em forma de folheto, pois, reproduziu a capa da edição. É bom lembrar, que, para esse Livro, foi utilizado um conjunto de fontes: livros, artigos, jornais, revistas, cordéis e depoimentos.

Carlos Alberto Silva
Até aquele momento, um cordel ainda pouco conhecido, foi inserido e chamava-se de A GUERRA DE CANUDOS. De acordo com o pesquisador da Guerra de Canudos e de Antônio Conselheiro: o sergipano, mas, radicado na Bahia, José Calasans Brandão da Silva (1915-2001), encontrou, um exemplar, na Biblioteca da Faculdade de Filosofia, da Universidade Federal da Bahia (UFBA), esse cordel, sem autoria, sem data, sem local de publicação e com 16 páginas. Comparou o conteúdo com os dados do cordelista e cantador João Melquíades Ferreira da Silva (1869-1933), contemplado no Livro CANTADORES E POETAS POPULARES, de Francisco das Chagas Batista (1882-1930), e, chegou à conclusão, que, só poderia ser de autoria do Cantor da Borborema, porque, também foi combatente na citada Guerra. Então, o Professor produziu um texto e publicou, em forma de artigo, na Revista Brasileira de Folclore.
O livro ANTOLOGIA DA LITERATURA DE CORDEL, de Sebastião Nunes Batista, teve uma tiragem de 20.000 exemplares. Foi notícia no Jornal Diário de Natal, na edição do dia 29/09/1977, informando, que, no dia 10/10/1977, na Academia Norte-Riograndense de Letras seria lançado e com a presença do Autor. De fato, no dia do lançamento, foi entrevistado na Rádio Poti e na redação do Jornal.
REFERÊNCIAS:
-BATISTA, Francisco das Chagas. CANTADORES E POETAS POPULARES. 2ª Edição. João Pessoa-PB, Governo do Estado da Paraíba, 1997, 233 páginas (Biblioteca Paraibana, Volume XXI).
-BATISTA, Sebastião Nunes. ANTOLOGIA DA LITERATURA DE CORDEL. Natal-RN: Fundação José Augusto, 1977, 419 páginas.
-HEMEROTECA DA BIBLIOTECA NACIONAL. Fonte: <http://memoria.bn.br/DocReader/DocReader.aspx…>. Acesso: 01/04/2020.

-SILVA, José Calasans Brandão da. A GUERRA DE CANUDOS. Através da Revista Brasileira de Folclore, Ano VI, Nº 14, 1966, páginas 53-64.

Carlos Alberto Silva, pesquisado do Cariri Cangaço
Natal, Rio Grande do Norte

Eu e o Cangaço com Sousa Neto


Hoje traremos mais uma entrevista dentro do universo de pesquisadores da temática cangaço e nordeste. A iniciativa é do grande documentarista Aderbal Nogueira que desta vez nos traz o pesquisador e escritor, Conselheiro do Cariri Cangaço e membro da SBEC e ABLAC, Sousa Neto, secretário de cultura de Barro, no Ceará. 

Março de 2020


Eu e o Cangaço com Junior Almeida


Hoje traremos mais uma entrevista dentro do universo de pesquisadores da temática cangaço e nordeste. A iniciativa é do grande documentarista Aderbal Nogueira que desta vez nos traz o pesquisador e escritor pernambucano de Capoeiras; Conselheiro Cangaço e membro da ABLAC, Júnior Almeida.

Março de 2020

As Cartas dos Sertões do Seridó de Paulo Balá Por:Kydelmir Dantas


Paulo Bará

Conheci Paulo Bará exatamente pelas suas correspondências com o Woden Madruga, quando publicadas na coluna deste jornalista, Nas páginas da Tribuna do Norte, Natal. Assim que soube que as mesmas foram compiladas num livro, corri ao seu encalço e consegui o primeiro volume das CARTAS DOS SERTÕES DO SERIDÓ (2000) - ainda quentinho da gráfica, com o autógrafo assim feito: “Ao Kildemir com um afetuosos abraço. 11.08.00.” junto ao ferro de Paulo Balá. Este primeiro livro vem com o prefácio do amigo comum, Woden Coutinho Madruga e as orelhas literárias do Luís Carlos Guimarães.

Não seria diferente, que a correspondência se transformasse no volume 2, com prefácio de Oswaldo Lamartine (em carta escrita, aqui em fac-símile), sob o título: OUTRAS CARTAS DOS SERTÕES DO SERIDÓ (2004); no volume 3, NOVAS CARTAS DOS SERTÕES DO SERIDÓ (2009), com prefácio do jornalista Vicente Serejo e orelhas assinaladas pelo meu amigo, e parceiro em cordel, poeta Jessier Quirino, já peguei no lançamento em Natal e com o afago do autor nos termos... “Para Kydelmir, o homem do cangaço. 2.12.09”; depois vieram as CARTAS DOS SERTÕES DO SERIDÓ – 4º Livro (2013), com prefácio do memorialista Sanderson Negreiros e orelhas do Carlos Newton Júnior; e, finalmente, as ÚLTIMAS CARTAS DOS SERTÕES DO SERIDÓ (2018), publicado sob a regência de dona Zélia (sua esposa) e família, pois, partindo antes do combinado, Paulo de Balá ‘deixou tudo pronto’ para esta edição, com prefácio do Padre João Medeiros Filho, seu confrade na Academia Norteriograndense de Letras, conterrâneo das terras do Seridó, e orelhas furadas a ponta de lápis pelo historiador Frederico Pernambucano de Mello, meu confrade da Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço.



Este último livro de reminiscências, e sentimentos comuns, li-o em ambiente propício em rede armada na sala da casa grande do sítio Chã da Bulandeira – onde Seu Né de Joca e dona Angelita colocaram 7 filhos (4 homens e 3 mulheres) para darem seus primeiros passos – município de Jaçanã-RN, com a última página virada neste dia dois de abril do ano da graça de Nosso Senhor Jesus Cristo de dois mil e vinte, neste Século XXI. E que nem todos que se fizeram presentes ao chamado da escrita e da leitura, grito em alto e bom som... VIVA PAULO BALÁ!

Kydelmir Dantas, poeta, cordelista e escritor - Nova Floresta,PB
Conselheiro do Cariri Cangaço

NOTA BLOG JOÃO MARIA FREIRE: " Paulo Bezerra, ou Paulo Balá. Vindo da região do Seridó, na capital se notabilizou nos meios intelectuais e na área médica, tendo sido um dos fundadores do Instituto de Radiologia do RN. Dr Paulo Balá, além de médico, era um intelectual, escritor, poeta e um dos membro da Academia Norte-rio-grandense de Letras, com vários livros publicados. Notabilizou-se também por publicar artigos na página 2 da Tribuna do Norte, na coluna do amigo Woden Madruga, relatando coisas do sertão, ele que era aficionado por fazendas, bois, vaqueiros, riachos e tudo o mais que se relaciona à vida no campo. Balá faleceu em 21 de julho de 2017, decorrente de um câncer, deixando uma grande obra literária e muitos amigos e admiradores.Sou um destes admiradores do ser humano simples, cordial, afável no trato. Sempre que o encontrava - a última vez foi na Livraria do Campus Universitário - conversávamos sobre de tudo um pouco. Ultimamente, Balá andava decepcionado, como nós todos, com a classe política do Brasil. Nascido em Acari, ele recusou inúmeras vezes, convites para se candidatar a cargos eletivos.Um grande baque também para a cultura do RN, que perdeu há pouco o talento de Dorian Gray."

Eu e o Cangaço com Lamartine de Andrade Lima


Hoje traremos mais uma entrevista dentro do universo de pesquisadores da temática cangaço e nordeste. A iniciativa é do grande documentarista Aderbal Nogueira que desta vez nos traz o médico, oficial da Marinha do Brasil e pesquisador , membro da ABLAC, Doutor Lamartine de Andrade Lima.

No Fogo do Serrote Preto Por:Valdir José Nogueira

Corria o ano de 1925, em fins do mês de março daquele ano, a cidade de Vila Bela, no sertão de Pernambuco, presenciava um intenso movimento de forças volantes, sob o comando do coronel João Nunes, que havia chegado aquela cidade do Pajeú no dia 23, com numerosa força policial deste Estado, incluindo mais dois Estados, da Paraíba e Alagoas, num total de 200 homens, cujo objetivo era proceder combate ostensivo ao terror impetrado na zona sertaneja pelo banditismo.
No dia seguinte da sua chegada, o coronel João Nunes distribuiu essa numerosa força em vários contingentes que seguiram no encalço de Lampião, sob o comando dos capitães José Caetano, José Lucena, tenentes, Muniz de Andrade, Pedro Malta, Hygino e Clementino. O coronel João Nunes ficou com os tenentes João Gomes e o belmontense Sinhozinho Alencar, este como seu secretário e aquele por se achar doente.
Durante a sua estadia em Vila Bela, foi o coronel João Nunes muito visitado no Paço do Conselho Municipal, onde ficou hospedado. A notícia da sua chegada ao Pajeú deixou a princípio a população local muito esperançosa, e muito confiante nas medidas que haviam sido tomadas pelos governos dos três Estados nordestinos, ora coligados para o extermínio do bando de Lampião. Entretanto, a chegada da força policial à Vila Bela gerou comentários nas rodas de amigos, nas calçadas, nas budegas, na feira...diziam alguns sertanejos, com suas astutas experiências que não seria ainda daquela vez que Lampião, seria pilhado.
Manoel Severo, Valdir Nogueira, Manoel Serafim, Gurgel Feitosa e De Assis, em dia de caatinga no Cariri Cangaço 10 Anos

Cangaceiro dos mais terríveis que já deu o sertão de Pernambuco, o “dito-cujo” era de uma audácia sem nome. Prova-o a última façanha ocorrida em fevereiro de 1925 no “Serrote Preto”. Sabendo da aproximação de uma força policial composta de 75 homens sob o comando de três bravos oficiais, 2 da Paraíba, e 1 de Pernambuco, tenentes Francisco Oliveira, Joaquim Adauto e João Gomes; em vez de fugirem, os cangaceiros os esperou, apesar da inferioridade numérica de seus 24 comparsas. E os esperou com uma sorte tal, que além de deixar o campo juncado de cadáveres inimigos, ainda conseguiu fazer o devido saque.
Assim é que, dias depois, de rota batida para o Pajeú passou o cangaceiro por Vila Bela conduzindo grande quantidade de armas e munições, apanhadas no conflito do “Serrote Preto”. Como nas coisas mais sérias da vida, há sempre um lado cômico e engraçado até, dizem que Lampião prometeu não mais matar soldados, mas sim, somente oficiais, isto por ter encontrado no bolso do oficial morto 2 contos de réis, enquanto que, no bolso de um soldado, apenas 300 réis.
Lampião tinha no seu cangaço dois irmãos: Levino e Antônio Ferreira, e que nos encontros com a polícia formavam sempre três grupos, com retaguardas etc. No combate do “Serrote Preto”, foi a retaguarda de Levino que desbaratou a polícia, causando-lhe 12 mortes, inclusive dois oficiais e vários feridos.
Valdir José Nogueira de Moura, Conselheiro Cariri Cangaço
São José de Belmonte