Os Inimigos de Lampião Por:Urbano Silva


Há exatos 81 anos após o seu falecimento, e pesquisando sobre o personagem há alguns anos, ainda me surpreendo com o interesse da população e o espaço que o cangaço tem na cultura nordestina, principalmente no destaque de Virgulino Ferreira, o Lampião, popularmente denominado o rei do cangaço.
São muitas histórias, muitas delas carentes de comprovação para a sua veracidade, mas esse personagem transita entre fatos e lendas com a mesma velocidade, o que também o mantêm sempre ativo nas rodas de conversas. Entre curiosidades, ser o brasileiro mais biografado do país - mesmo tendo vivido por apenas 40 anos - e atuado como líder do cangaço de 1922 a 1938, portanto 16 anos, é um tempo relativamente curto para se tornar objeto de tantas pesquisas, literatura, debates, documentários etc. Mas, gostem ou não, esse homem é a figura central da historiografia do cangaço. 

Certa vez, conversando com uma jovem sobre o papel da mulher no referido movimento social, veio uma indagação que achei muito inteligente: professor, quem eram os inimigos do cangaço e Lampião? De pronto, lancei mão dos autores que consulto: Luitgarde, Antonio Amaury, Frederico, João Lima, Archimedes Marques, Oleone e demais valiosos intelectuais do tema.

Jorge Remígio, João de Sousa Lima, Manoel Severo e Professor Urbano Silva 
em dia de Cariri Cangaço

Afinal, quem era os inimigos do cangaço?  Do ponto de vista da sociologia, desprovido de qualquer paixão, aí vai o que respondi: quase toda a sociedade era contra, portanto foram vítimas que se tornaram inimigos dos cangaceiros, os seus algozes. Todo aquele que me oprime, se torna meu inimigo em potencial! Na sociedade rural do nordeste temos cenário e personagens bem definidos, uma sociedade agrícola e pecuária de sobrevivência, governos muito distante dos sertanejos, escolaridade mínima ou nula, latifúndio, forte presença católica, coronéis e cangaceiros, jagunços e volantes. 

Padres ficavam em polvorosa quando da notícia de cangaceiros, pois afugentavam os fiéis; coronéis latifundiários ficavam temerosos para resguardar familiares, dinheiro, animais e lavoura, além de serem extorquidos por cangaceiros; políticos se viam na obrigação de reagir ao cangaço, pois não fazendo perdiam a credibilidade e votos como líderes sociais; pequenos agricultores se viam ameaçados pelo coito, bem como atos violentos de estupros e raptos de suas filhas, além da pressão das volantes; volantes essas que recrutavam homens em busca de prestígio e dinheiro, dando a eles a função policial e jurídica no meio da caatinga, abrindo espaços para excessos inimagináveis; pequenos comerciantes que perdiam clientes e eram alvos de saques em plena luz do dia; viajantes que podiam ser intimados, assaltados ou surrados nos trajetos que faziam nas empoeiradas estradas sertanejas. Homens de meia idade, jovens, idosos, homens e mulheres, a violência não fazia distinção. O descontrole chegou a um ponto que cortar cabeças humanas era um passaporte para a escalada social, clima de barbárie irracional em pleno sertão nordestino do século XX.

A arte de André Neves

No início desse texto, que denominei “quase toda a sociedade era contra...” então, se não era unanimidade, haviam personagens favoráveis? Creio que sim, um exemplo disso (existem outros mais) é Eronides Ferreira de Carvalho, o médico capitão do Exército e interventor de Sergipe, que alimentou uma relação inimaginável entre o mais temido cangaceiro e alguém que estava no comando de um Estado, como seu governador republicano. A compra e venda de fazendas, os “subgrupos de cangaceiros” criando o que escritor Frederico Pernambucano denomina Cangaço S.A, relações alimentadas por dinheiro de origem ilícita, status social, violência e muita ambição...esses personagens não eram contra o cangaço, pois dele tiraram proveito de várias formas. Um coquetel venenoso nas relações humanas desde sempre até os dias atuais!

Eis o teatro da existência humana: anjos e demônios, personagens atuantes em seus papéis sociais, num cenário que envolve todos, seja no palco ou na plateia, anônimos ou famosos, é papel da história o registro de memória e o seu fortalecimento para a consciência social.
Todo aquele que me oprime, se torna meu inimigo em potencial!

Professor José Urbano
Caruaru, Pernambuco, 07/08/19

Literatura e Poesia Cearense em Évora !

 Ingrid Rebouças, Manoel Severo e Renato Pessoa

Aconteceu neste último domingo, dia 15 de setembro, na Casa de Juvenal Galeno, a feijoada beneficente entre amigos, para levar o talento do grande poeta cearense, Renato Pessoa ao 1º Encontro Internacional de Estudos Literários - Novos Olhares entre o Ceará e o Alentejo ; na Universidade de Évora, em Portugal neste próximo mês de outubro.

Leonardo Nóbrega, Manoel Severo e Silas Falcão
Organizadores da festa literária

O evento organizado pelos amigos; principalmente da ACE - Associação Cearense de Escritores, tendo  a frente; Silas Falcão, Leonardo Nóbrega, Antônio Miranda, Rosa Morena, Zélia Sales, dentre outros, reuniu em dia de festa e gratidão, escritores, poetas, cordelistas e admiradores não só do trabalho do poeta Renato Pessoa, mas da literatura cearense. O encontro teve além de apresentações artísticas, sorteio de livros e coletâneas de escritores cearenses , com um final inusitado: O "Leilão do Cavanhaque do Poeta"... 

 Renato Pessoa e Manoel Severo: O leilão do cavanhaque do Poeta...

"Renato Pessoa é conhecido e tem como marca registrada seu famoso cavanhaque e por iniciativa dos amigos Silas e Leonardo, nada mais justo que neste dia de festa fazermos o leilão beneficente de seu cavanhaque, bem, eu arrematei o danado,mas diante do choro e ranger de dentes, resolvi mante-lo intacto, Renato e todos nós,merecemos" Confessa o curador do Cariri Cangaço, Manoel Severo Barbosa.

Manoel Severo e Patrícia Cacau
Nice Arruda, Eudismar Mendes e Rosa Morena
Elton da Nana e Manoel Severo

Dentre os muitos convidados e participantes, o presidente da ACE, Silas Falcão, o curador do Cariri Cangaço Manoel Severo e Ingrid Rebouças; os escritores, Leonardo Nóbrega, Elton da Nana,poeta LucaRocas, Stélio Torquato, Chico Neto Vaqueiro, Cival Einstein e as presenças feminina da literatura cearense com Rosa Morena, Zélia Sales, Nice Arruda, Patricia Cacau, Inacia Nepomuceno, Lucirene Façanha, Luzia Sousa, dentre muitos outros. 

Leonardo Nóbrega, Manoel Severo e Silas Falcão
Inácia Nepomuceno e Stelio Torquato

"Quero deixar minha gratidão e meu afeto para todos esses amigos que, de forma tão amorosa, organizaram esse evento em prol da literatura e da cultura. A literatura tem me dado uma grande família, de grandes seres humanos, talentosos e éticos, fica aqui o abraço mais terno do meu coração. Obrigado, amigos e vamos à luta por um social mais justo e humano. Viva a arte,  viva a literatura cearense." Fala um emocionado Renato Pessoa.

 Zélia Sales e Cival Einstein
Lucarocas Poeta e Stélio Torquato

O encontro é uma iniciativa do Departamento de Linguística e Literaturas da Universidade de Évora e o Laboratório OTIUM, do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Universidade de Fortaleza (UNIFOR) e acontece dias 09 e 10 de Outubro de 2019 no Anfiteatro 01 do Colégio do Espírito Santo - Universidade de Évora, em Portugal.


Além do poeta Renato Pessoa, de Fortaleza, estarão participando do evento os poetas e escritores cearenses, Bruno Paulino de Quixeramobim e Dércio Braúna, de Jaguaruana, dentre outros.


Conhecendo a Universidade de Évora...


A Universidade de Évora foi a segunda universidade a ser fundada em Portugal. Após a fundação da Universidade de Coimbra, em 1537, fez-se sentir a necessidade de uma outra universidade que servisse o sul do país.

"Évora, metrópole eclesiástica e residência temporária da Corte, surgiu desde logo como a cidade mais indicada. Ainda que a ideia original de criação da segunda universidade do Reino, tenha pertencido a D. João III, coube ao Cardeal D. Henrique a sua concretização. Interessado nas questões de ensino, começou por fundar o Colégio do Espírito Santo, confiando-o à então recentemente fundada Companhia de Jesus. Ainda as obras do edifício decorriam e já o Cardeal solicitava de Roma a transformação do Colégio em Universidade plena. Com a anuência do Papa Paulo IV, expressa na bula Cum a nobis de Abril de 1559, foi criada a nova Universidade, com direito a leccionar todas as matérias, excepto a Medicina, o Direito Civil e a parte contenciosa do Direito Canónico.

A inauguração solene decorreu no dia 1 de Novembro desse mesmo ano. Ainda hoje, neste dia se comemora o aniversário da Universidade, com a cerimónia da abertura solene do ano académico. As principais matérias ensinadas eram Filosofia, Moral, Escritura, Teologia Especulativa, Retórica, Gramática e Humanidades, o que insere plenamente esta Universidade no quadro tradicional contra-reformista das instituições católicas europeias do ensino superior, grande parte das quais, aliás, controladas pelos jesuítas. No reinado de D. Pedro II, viria a ser introduzido o ensino das Matemáticas, abrangendo matérias tão variadas, como a Geografia, a Física, ou a Arquitectura Militar.

O prestígio da Universidade de Évora durante os dois séculos da sua primeira fase de existência confundiu-se com o prestígio e o valor científico dos seus docentes. A ela estiveram ligados nomes relevantes da cultura portuguesa e espanhola, dos quais importa ressaltar, em primeira linha, Luis de Molina, Teólogo e moralista de criatividade e renome europeu. Em Évora, foi doutorado um outro luminar da cultura ibérica desse tempo, o jesuíta Francisco Suárez, depois professor na Universidade de Coimbra. Aqui ensinou durante algum tempo Pedro da Fonseca, considerado o mais importante filósofo português quinhentista, célebre pelo esforço de renovação neo-escolástica do pensamento aristotélico.

Apesar das tentativas de modernização e abertura ao novo espírito científico, que caracterizam a Universidade setecentista, há que reconhecer, contudo, que, a exemplo da sua irmã mais velha de Coimbra, o seu esforço não se traduziu numa efectiva abertura dos espíritos às necessidades dos tempos novos. Não obstante o alto valor individual de numerosos docentes, o sistema de ensino como um todo, revelou-se desajustado e antiquado. Évora participou, assim, na tendência global de virar costas à Europa transpirenaica, que caracterizou a generalidade das elites e instituições culturais ibéricas do Antigo Regime.

Quando a conjuntura política e cultural de meados do século XVIII se começou a revelar hostil aos jesuítas, não admira que a Universidade de Évora se tenha facilmente transformado um alvo da política reformadora e centralista de Pombal. Em 8 de Fevereiro de 1759 - duzentos anos após a fundação - a Universidade foi cercada por tropas de cavalaria, em consequência do decreto de expulsão e banimento dos jesuítas. Após largo tempo de reclusão debaixo de armas, os mestres acabaram por ser levados para Lisboa, onde muitos foram encarcerados no tristemente célebre Forte da Junqueira. Outros foram sumariamente deportados para os Estados Pontifícios.

A partir da Segunda metade do século XIX, instalou-se no nobre edifício henriquino o Liceu de Évora, ao qual a rainha Dona Maria II concedeu a prerrogativa do uso de "capa e batina", em atenção à tradição universitária da cidade e do edifício.Em 1973, por decreto do então ministro da Educação, José Veiga Simão, foi criado o Instituto Universitário de Évora que viria a ser extinto em 1979, para dar lugar à nova Universidade de Évora".

Feijoada Beneficente
Casa Juvenal Galeno, Fortaleza CE
15 de Setembro de 2019

Debate Sobre "Olhares sobre Antônio Conselheiro - Novas escritas de r(e)existência"


Mais uma vez o livro "Olhares sobre Antônio Conselheiro -  Novas escritas de r(e)existência", obra com prefácio de Grecianny Cordeiro e apresentação de Ricardo Machado, organizado por Bruno Paulino, Pedro Igor e Manoel Severo Barbosa; uma produção do Cariri Cangaço e da AquiLetras, participa de uma roda de conversa para aprofundar seus significados e também discutir as experiências de seus jovens autores; todos, alunos e alunas da cidade de Quixeramobim, berço de Antônio Conselheiro.

Organizadores Bruno Paulino e Pedro Igor junto aos alunos da escola José Alves, 
em Quixeramobim

O encontro foi realizado na manhã desta terça-feira, dia 17 de setembro na Escola Profissionalizante Dr José Alves da Silveira, no centro de Quixeramobim e contou a participação e mediação dos Organizadores da Obra; poeta e escritor Bruno Paulino e o produtor cultural, Pedro Igor.  A escola esteve representada no livro através das alunas; Vitória Salido e Gabrielly Pereira; que na oportunidade compartilharam suas experiências como autoras, para seus colegas de sala, assim como também sua visão das lutas de Canudos e Conselheiro que reverberam nos dias atuais.


Para a Professora Orientadora, Virgínia Domingos, também da escola Dr. José Alves: "Participar do livro "Olhares sobre Antônio Conselheiro" como professora orientadora foi uma experiência enriquecedora e gratificante. Estimular nossos estudantes para a escrita é sempre desafiador, porém se torna surpreendente a forma como muitos abraçam a oportunidade de expressar o que pensam por meio da palavra. Ao compartilhar a ideia de produzir os artigos para o concurso literário tive a certeza de que deveria incentivá-los a deixarem fluir suas habilidades de escrita; no entanto, mais do que isso, sabia que precisava instigá-los a buscarem mais sobre o tema, sem dar-lhes respostas ou conceitos prontos"

Os autores; alunos e alunas da rede pública e privada de Quixeramobim são; Yarley de Sousa Leitão,  Vitória Barros, Jayane Carneiro Andrade,  Ana Luiza Almeida Sampaio, Lucas Medeiros , Gabrielly Pereira , Vitória de Sousa Silva, Vitória Holanda de Andrade , Johelen Amâncio , Andressa de Sousa Nogueira, Dávila Roberta, Damares Alves, Melissa Belisário, Flávio Pereira da Silva, Mel Anny Paiva, Maria Emanoeli , Hillary Barbosa e Kalyne Ribeiro. A Capa é de autoria de Matheus Rayner, Debora e Victor, alunos da Escola Humberto Bezerra.

Bate Papo sobre "Olhares sobre Antônio Conselheiro -  Novas escritas de r(e)existência"
Escola Dr Jose Alves da Silveira, Quixeramobim
17 de Setembro de 2019

Vem aí a IV Feira do Cordel Brasileiro


De 17 à 20 de outubro de 2019. Serão 4 dias de interação, valorização, difusão e troca de conhecimentos de uma das maiores manifestações culturais do Brasil, fazendo da CAIXA Cultural Fortaleza um verdadeiro celeiro de grandes artistas e um imenso acervo com as mais variadas obras do cordel brasileiro.
Faltam apenas 30 dias, marque na sua agenda, convide os amigos, traga a família e embarque com a gente nessa grande viagem ao mundo encantado do CORDEL.

Luitgarde Cavalcanti Barros por: João Tavares Calixto Junior

Luitgarde Cavalcanti Barros
É Luitgarde Cavalcanti Barros, pesquisadora fantástica a quem tive a honra de conhecer, uma das que melhor se expressam sobre a passagem do cangaceirismo para um outro fenômeno social de violência, evidente, sobretudo, no Nordeste brasileiro: o pistoleirismo. Com este, eu pude conviver, quando da minha juventude em minha terra natal - Aurora (Ceará), nos anos 1990 e passagem para os 2000. Com isto, faço das palavras da pesquisadora em seu "A Derradeira Gesta - Lampião e Nazarenos guerreando no Sertão" (Rio de Janeiro, Maud, 2018), as minhas próprias:
"Nas grotas ensanguentadas das caatingas a covardia dos poderosos impunes plantou a semente da violência mascarada, modernizada, sem honra e sem coragem, fazendo nascer, em oposição ao estardalhaço aterrorizante do cangaço, o mais desumano, subterrâneo e desestruturador sistema de crimes empresariados no silêncio dos conchavos políticos e econômicos - o mundo do pistoleiro"(p.227-8).
João Tavares Calixto Junior
Pesquisador e Escritor, Juazeiro do Norte-CE
Conselheiro Cariri Cangaço

Opinião:As Fases do Cangaço Por:Geraldo Antônio


A chamada primeira fase do cangaço lampiônico foi a mais importante em termos de combates e lutas envolvendo cangaceiros e Forças civis e militares. Após Lampião entrar na Bahia, acompanhado de outros cinco cangaceiros em agosto de 1928, os combates foram gradativamente diminuindo, embora a violência tenha sido intensificada. Um dos fatores que contribuiu para a diminuição dos confrontos foi a entrada das mulheres no cangaço, fato que aconteceu a a partir do ano de 1930 quando Maria Bonita e Mariquinha resolveram acompanhar seus companheiros, respectivamente Lampião e Ângelo Roque "Labareda".
Tendo em vista a segurança do bando e das mulheres os cangaceiros modificaram seus modos de atuação, passando a utilizar a extorsão e os pequenos assaltos como principais formas de obtenção de dinheiro, ouro e outros bens materiais. Passou a utilizar os famosos bilhetes para conseguir o que queria, pois seu nome e sua fama em determinadas situações, resolviam as questões sem o derramamento de sangue e o gasto de munições.
Na realidade na segunda fase, Lampião trocou o campo de batalha pela comodidade e tranquilidade nos coitos seguros entre os estados da Bahia e Sergipe. Uma tranquilidade e acomodação que fez com que a segurança do bando fosse relaxada, ocasionando a sua morte no dia 28 de julho de 1938, na Grota do Angico, em Sergipe.
Pesquisador Geraldo Antônio de Souza Júnior
13 de Setembro de 2019

O Padre Cícero na Vila de Belmonte Por:Valdir Nogueira


Fazia calor intenso naquela tarde de 12 de setembro de 1898 quando entrou na Vila de São José de Belmonte, seguido por dezenas de acompanhantes o Padre Cícero Romão Batista, do Juazeiro, que seguia viagem para a capital pernambucana com destino à Roma (diziam que atendendo ao chamado do Santo Padre). Em Belmonte o Padre Cícero foi recepcionado pelo Prefeito o Coronel José Pereira de Aguiar, o Subprefeito Sr. Antônio Piauhylino Guimarães, e os membros do Conselho Municipal: Isidoro Conrado de Lorena e Sá, Antônio Juvenal Pereira da Silva, Pedro José dos Santos, João Pereira da Silva, Manoel Terto Alves Brasil, Lúcio Pereira da Silva e Luiz Pereira da Silva. 

Durante sua estadia em Belmonte, o Padre Cícero ficou hospedado na Casa do Catolezeiro. Esta casa, localizada do lado direito da Matriz de São José, tinha essa denominação porque existia uma árvore dessa espécie na sua frente. Inicialmente, pertenceu a Dona Ana Pereira da Silva, esposa de Conrado José de Lorena e Sá. Nessa casa funcionou primeiramente o Conselho Municipal de Intendência. Também nessa casa faleceu, em 17 de agosto de 1889, o Dr. Arcôncio Pereira da Silva, que foi juiz e promotor da Comarca de Vila Bela. Bem, da Vila de São José de Belmonte, seguiu o Padre Cícero e seus romeiros para Vila Bela (Serra Talhada).
Valdir José Nogueira
Pesquisador e escritor, São José de Belmonte-PE
Conselheiro Cariri Cangaço

Bárbara, tua pena não foi a prisão Por:Heitor Feitosa

Imagem de Bárbara de Alencar
Teus filhos morreram lutando. Padre Carlos, em fuga, enquanto saciava a fome com mel de abelha, foi assassinado na Serra do Beijú por um cabra do cruel Pinto Madeira. Tristão, carregado de ouro e perseguido pelos Cunha Pereira, verteu todo o sangue às margens do Jaguaribe, ficando tempos e tempos sem sepultura. O padre Alencar, por sorte, escapou das balas já chegando ao Rio de São Francisco, no mesmo instante em que teu netinho, menino de 13 anos, tombou alvejado pelos cabras. E a mãe da criança, tua filha, não deve estar em prantos? E teu irmão, Leonel, e o filho dele, Raimundo, pagaram caro por essa aventura, mortos lá em Jardim, obrigando tua cunhada, esposa deste infeliz, a dar a luz no breu da mata da Serra do Araripe, fugindo dos mesmos algozes. 

Não te esqueças do teu pobre cunhado, Ignácio Tavares Benevides, que, depois de ser preso em cordas pelos perversos cabras, foi posto em uma roda de pau, apanhando com bodurnas de jucá, e, ao fim, queimado vivo em enormes chamas, enquanto seus gritos serviam de pasto para as gargalhadas dos assassinos. Preste atenção! Teu avô, Leonel, se vivo fosse, te diria que as brigas no sertão eram por terra e poder, que os índios e as onças eram quase sempre os inimigos mais implacáveis, mas nunca o Rei, perpétuo e absoluto. Teu compadre e protetor, o gigante Filgueiras, já partiu para as cadeias na Corte, e dizem ter morrido em Minas. E teu marido, cadê? Graças a Deus, já sendo ele um homem muito mais velho que você, desencarnou antes mesmo de ocorrer todo esse reboliço! 


Agora te dão um amante, o vigário do Crato, irmão de dois dos teus cunhados, padrinho de crisma de teu filho caçula, além do agravante de ele também ser teu vizinho, teu mentor espiritual e patrocinador das ideias "subversivas" de Tristão e Martiniano. O que diz teu filho mais velho, João, homem pacato que nunca se envolveu nessas brigas? Vive lá no Pau Seco, moendo canas no velho engenho de pau, tentando saldar as contas dos empréstimos tomados ao próprio irmão, a juros compostos. Tua fortuna já não é mais a mesma, tomaram teu Sítio Pontal, de onde o novo dono, o padre Francisco Gonçalves Martins, te difama como teúda e manteúda do padre Miguel. 

Onde estão os teus tesouros? Sei que, hoje, não passam de botijas enterradas no chão do esquecimento! Que dizer de uma mulher branca e rica que passou mais de ano nas prisões da Fortaleza e Bahia? E o orgulho da tua poderosa família? Como vingar mais de 25 parentes mortos em menos de 10 anos? Como limpar tua honra? Abra do olho, porque o coronel Pinto Madeira ainda cavalga pelo Cariri com seu exército de cabras, índios e mestiços, lembrados dos ancestrais Ançus, Calabaças, Xocós, Cariris e outros milhares de "tapuias bárbaros" que viviam refugiados na terra prometida, terra sem males, na Vapabuçú, na Serra do Varipe, no Araripe, no oco do mundo, invadida pelos brancos sesmeiros, teus ascendentes. 


A culpa não é tua, é das imbuanças desses tais filósofos da Europa, os iluministas, que, juntos com os pernambucanos fiotas do Recife e Olinda, encheram tua cabeça e os corações dos teus meninos. Mas tu vai pagar a maior das penas. Vai sair do Crato enxotada por Pinto Madeira, e, com a ajuda do coronel Manuel de Barros Cavalcante, lá de Santana do Cariri, vai palmilhar o sertão seco, até tuas fazendas no Piauí, na divisa com o Ceará. Nesse lugar, já sendo uma mulher velha e doente, encontrará tua mortalha. Por algumas léguas dali, teu corpo será transportado em uma rede e, numa pequena capela, no Poço da Pedra, próximo à Varzea da Vaca, tua face será esquecida e tua história permanecerá mal contada. 

Ao atravessar o século, um dos teus adoradores, tentando reparar tua honra como heroína, colocará uma placa acima do teu jazigo, indicando teu fim, o que sobrou da tua matéria. Porém, tuas dores e tuas alegrias jamais terão uma imagem que retrate o gosto do amor proibido, as lutas ideológicas, a perda dos filhos queridos, a independência política, a emancipação da mulher, o Direito de ser vista por todos como símbolo de resistência. E, assim, essa será a tua mais bárbara pena, Bárbara.

Heitor Feitosa Macêdo
Pesquisador e escritor- Crato, CE
Setembro de 2019, Presidente do ICC

No Centenário da Casa de Juvenal Galeno, a Posse do Poeta Bráulio Bessa


Uma manhã marcada pela emoção e grande significado para a literatura cearense aconteceu dentro dos festejos do centenário da Casa Juvenal Galeno, um dos mais tradicionais endereços da literatura brasileira. A solenidade da manha deste dia 12 de setembro, marcou a posse como Sócio Honorário do prestigiado Sodalício, do poeta cearense, nascido na cidade de Alto Santo e de reconhecimento nacional,Bráulio Bessa.

Ingrid Rebouças, Manoel Severo e Bráulio Bessa

A solenidade que contou com a mestre de cerimônias Fátima Lemos; presidente da Academia de Letras Maria Ester; teve à frente a presidente da Academia de Letras Juvenal Galeno - ALJUG , escritora Linda Lemos, o presidente da ALMECE, escritor Nicodemos Napoleão, o presidente do Instituto dos Advogados, João de Lemos, o mantenedor do Memorial Luiz Gonzaga, Marcelo Leal,o curador do Cariri Cangaço, Manoel Severo, que na oportunidade representava também a Academia Brasileira de Letras e Artes do Cangaço, Dr Galeno e Dr . Rodrigo Rebouças, diretor do SESC.

Mesa Solene na ALJUG

As boas vindas aos convidados ficou a cargo da Orquestra de Realejos da Associação dos Aposentados Fazendários Estaduais do Ceará - Aafec e pelos cantores líricos Álvarus Moreno e Auzeneide Cândido, da ACLA. Em suas palavras de acolhimento,  a presidente Linda Lemos ressaltou a importância das celebrações do centenário da Casa de Juvenal Galeno como também do aniversário de seis anos da ALJUG e as homenagens ao poeta Bráulio Besssa, novel da Arcádia, e ao dr. Rodrigo Rebouças, diretor do SESC; parceiro na edição do prestigiado jornal Galenus. 

Bráulio Bessa e os agradecimentos...

Manoel Severo e Bráulio Bessa

Depois de ser saudado pelo conterrâneo Alto-santense, escritor Nicodemos Napoleão, um emocionado Bráulio Bessa falou da importância de receber o título de sócio honorário da ALJUG e do reconhecimento a seu trabalho: "Estou mesmo feliz e grato por esse momento e por  tudo que está acontecendo em minha vida, na verdade nunca imaginei ser famoso, ir para a televisão, enfim, meu sonho era escrever um livro..." ressalta o festejado poeta cearense.

 Manoel Severo e Bráulio Bessa
 Fátima Lemos, João de Lemos e Manoel Severo
Ingrid Rebouças e Marcelo Leal

Para o Curador do Cariri Cangaço e representante da Academia Brasileira de Letras e Artes do Cangaço, Manoel Severo: "Não se tem dúvidas do extraordinário talento de Bráulio, sua poesia fala aos nossos corações e está ganhando o Brasil a cada dia, levando a alma nordestina a todo o território nacional, trata-se de um verdadeiro embaixador de nosso sertão. Linda Lemos e todos da ALJUG estão de parabéns por esta justa condecoração".

Presidente Linda Lemos
 Paulo Tadeu
Ingrid Rebouças, Linda Lemos e Fátima Lemos
Ingrid Rebouças, Manoel Severo e Osia Carvalho

Já o presidente da ACLA, escritor Paulo Roberto Neves, também presente à solenidade confirma: " Ícone da poesia popular Bráulio Bessa , enobrece ainda mais a CONFRARIA CULTURAL CEARENSE com sua posse na Academia de Letras Juvenal Galeno - ALJUG com Linda Lemos; consolidando o reconhecimento iniciado como Acadêmico Correspondente da Almece ainda em 2008. como bem lembrou Nicodemos Napoleão em sua saudação. Avante CULTURA BRASILEIRA com autenticidade nordestina e sertaneja, com muito orgulho !!!"

 Mesa Solene
Auditório da ALJUG
 Maria José Esmeraldo e Bráulio Bessa
 Nice Arruda e Bráulio Bessa

A solenidade contou com expressivo número de acadêmicos da ALJUG como confrades e confreiras de várias outras instituições literárias, como Dr Antonio Galeno, as escritoras; Nice Arruda, Maria José Esmeraldo Rolim, Osia Carvalho, Ofelia Gomes de Matos; Paulo Tadeu, Luiz Edson, Pio Barbosa, Rejane Costa Barros, Auriberto Vidal Cavalcante, dentre outros.

Centenário da Casa de Juvenal Galeno
Posse do poeta Bráulio Bessa
12 de Setembro de 2019
Fortaleza, Ceara

Vem ai o Gecape-Grupo de Estudos do Cangaço de Pernambuco


Acreditamos existir momentos que  precisam ser celebrados. A vida é cheia de encontros que nos proporcionam experiencias para toda uma vida. Em nossas andanças pelos últimos 10 anos com nosso Cariri Cangaço, muitas histórias ouvidas e para contar; a cada dia, a cada nova jornada; novos cenários, personagens , fragmentos da verdade histórica e amigos, muitos amigos; dessa forma celebrar a dedicação e o empenho de todos os que fazem os valorosos Vaqueiros da Historia, para mim é uma obrigação.
Em nossa grande Festa que foi o Cariri Cangaço 10 Anos, no último mês de Julho de 2019, no cariri cearense, quando reunimos o maior numero de pesquisadores de todos os tempos, já vistos em um único evento de cangaço, tivemos o privilégio de compartilhar a fabulosa criação da ABLAC - Academia Brasileira de Letras e Artes do Cangaço; uma nova empreitada que nasce com o apoio do Cariri Cangaço e de todos os grupos de estudos relacionados, certamente muitos desafios aproximam-se, mas todos encantadores e que serão assumidos por todos nós com muito entusiasmo.


Arte de Carybé

Neste mês de setembro de 2019, mais um espetacular lançamento. Com o apoio decisivo do Cariri Cangaço, da ABLAC, da SBEC, do GECC e do GPEC, além de outros ilustres grupos de discussão sobre o cangaço de todo o Brasil, nasce o GECAPE: Grupo de Estudos do Cangaço de Pernambuco; um sonho ha muito acalentado por pesquisadores e apreciadores da temática do querido estado pernambucano, berço inconteste deste que se trata de um dos mais fortes fenômenos sociais do Brasil.

Tendo a frente um quarteto de ouro; pesquisadores; Luiz Ruben Bonfim, Conselheiro Cariri Cangaço, membro da ABLAC e SBEC; o pesquisador e professor Itamar Baracho;  o pesquisador Wasterland Ferreira,membro  da SBEC e Geraldo Ferraz; Conselheiro Cariri Cangaço, membro da ABLAC e SBEC ; além de outros ilustres pesquisadores,escritores e admiradores da temática, o GECAPE nasce com a força do estado pernambucano; um dos mais ricos em memória, tradição e cultura, de todo nosso Nordeste. 


Wasterland Ferreira, Geraldo Ferraz, Itamar Baracho e Luiz Rubem Bonfim

Com a palavra Wasterland Ferreira: "Desde há muito sonhava com a formação de um grupo de estudos do fenômeno do Cangaço que fosse sério, imparcial e imbuído no propósito de, além de estudá-lo, promover análises e reflexões sobre o assunto proposto, como também valorizar e enaltecer cada vez mais a nossa rica história regional e pujante cultura nordestina. Portanto, compartilho com os amigos a criação do GECAPE - Grupo de Estudos do Cangaço de Pernambuco." Na oportunidade, um dos mais festejados pesquisadores da temática  cangaço, Dr. Frederico Pernambucano de Mello, proferirá importante e pertinente palestra sobre o ciclo histórico do Cangaço. 


O GECAPE nasce com o apoio decisivo do Cariri Cangaço; 
da ABLAC - Academia Brasileira de Letras e Artes do Cangaço; 
da SBEC - Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço; 
do GECC - Grupo de Estudos do Cangaço do Ceará 
e do GPEC - Grupo Paraibano de Estudos do Cangaço.

Já o curador do Cariri Cangaço, Manoel Severo ressalta:"A chegada do GECAPE nos enche de entusiasmo, sem dúvidas um grupo que já nasce grande, tamanho o talento de seus integrantes como também pela força da querida terra pernambucana, isso é maravilhoso. O Cariri Cangaço se sente muito feliz em ser Patrono desse espetacular grupo, juntos haveremos de continuar construindo momentos importantes no resgate da historia do cangaço." E conclui: "O Cariri Cangaço estará em peso prestigiando o lançamento do GECAPE, teremos além de mim, mais 11 Conselheiros, os fundadores; Luiz Ruben e Geraldo Ferraz; além de Manoel Serafim, Louro Teles, Junior Almeida, Antônio Vilela, Quirino Silva, Professor Pereira, Emmanuel Arruda, Jorge Remigio e Narciso Dias; que representam também o GPEC, como também estaremos representando oficialmente a ABLAC e nosso presidente Archimedes Marques e o GECC, de nosso presidente Ângelo Osmiro, ambos também Conselheiros Cariri Cangaço; e as presenças mais que honrosas de tantos amigos, vaqueiros da historia, como o Doutor Frederico Pernambucano de Melo e o querido amigo Paulo Britto, Paulo Dunga, Mabel Nogueira, Aninha Ferraz, Waguinho Ferraz, dentre tantos e tantos outros, por fim aos amigos Luiz Ruben, Baracho, Wasterland, Ferraz e todos os demais, avante!"


O lançamento oficial do GECAPE acontece neste próximo dia 21 de setembro de 2019, a partir das 13 horas no auditório da Biblioteca Estadual de Pernambuco, rua João Lira s/n , 
no bairro Santo Amaro,
Recife-Pernambuco.