Prêmio Chico Albuquerque, do Ceará para o Brasil e o Mundo


Aconteceu na noite do último dia 17 de dezembro no Centro Cultural Dragão do Mar, em Fortaleza a festa de entrega do Prêmio Chico Albuquerque de Fotografia 2019; uma promoção da Secretaria da Cultura do Ceará. O Prêmio Chico Albuquerque; repaginado, com novas categorias, novo valor e agora com abrangência nacional; contou com mais de 170 propostas inscritas e a participação de 20 estados, o prêmio contemplou cinco projetos nas categorias: Narrativas Brasileiras, Categoria Descobertas e Outras Visões. Cada autor participou com apenas uma proposta de trabalho autoral em uma das três categorias de premiação. 

Tiago Santana apresenta o Prêmio Chico Albuquerque

Antes mesmo de continuarmos com a festa da noite de premiação, é importante dizer quem foi Chico Albuquerque, para isso nos valeremos da apresentação de seu Chico feito pelo IMS-Instituto Moreira Sales: "Pioneiro da publicidade brasileira na década de 1940, Chico Albuquerque foi exímio retratista de personalidades, chefe da equipe que montou o departamento de fotografia da Editora Abril na virada dos anos 1960-1970 e ensaísta apaixonado pelos temas típicos de sua terra natal, o Ceará. Todas essas vertentes de seu trabalho resultaram num acervo de cerca de 70 mil imagens que está preservado no Instituto Moreira Salles por meio de convênio com o Museu da Imagem e do Som de São Paulo".

Chico Albuquerque

E continua o IMS:"Nascido numa família de fotógrafos, o jovem Francisco começou sua carreira no cinema, aos 15 anos, como auxiliar do pai, Adhemar Albuquerque, também cinegrafista amador. Foi produzindo retratos no estúdio fundado por este em Fortaleza, o Aba Film, que se iniciou profissionalmente na fotografia. Aos 25 anos, participou, como fotógrafo de cena, das lendárias filmagens em locações cearenses de It’s All True, o documentário inacabado de Orson Welles, que havia se instalado momentaneamente em Fortaleza. Com Welles, Albuquerque afirmou ter compreendido a necessidade de desenvolver uma noção estética para se fotografar corretamente. O documentário foi rodado na praia do Mucuripe, na capital do Ceará, o mesmo cenário de seu primeiro grande ensaio do fotógrafo, realizado dez anos mais tarde.A rigorosa composição dos quadros, que Albuquerque considerava uma lição do cineasta americano, o acompanharia por toda a carreira, traduzindo-se em sua busca de controle total da imagem, sobretudo em estúdio, mas também sob luz natural – característica que fazia dele, segundo o amigo e colega Thomas Farkas, um profissional “muito perfeccionista”. Para encontrar seu caminho, o jovem Albuquerque organizou o próprio portfólio e viajou para o Rio de Janeiro em duas ocasiões, entre 1934 e 1946. Queria aprofundar os conhecimentos e melhorar a técnica."

Fabiano Piúba ao lado dos ganhadores do Prêmio Chico Albuquerque

“Avaliamos o prêmio e tomamos um caminho de que ele pudesse ganhar uma abrangência nacional. A própria figura do Chico Albuquerque é uma referência nacional, merece esse destaque. Além disso, o Ceará já tem uma vocação e um percurso reconhecido na fotografia. De como a fotografia cearense dialoga com a fotografia nacional para que possamos ter aí um movimento de dentro para fora, de fora para dentro, de chamar atenção do país para o Ceará e vice-versa”, afirma Fabiano Piúba, secretário da Cultura do Ceará.

Vamos às premiações da noite. Na Categoria Narrativas Brasileiras, foram analisadas 29 propostas, desse total, foram finalistas cinco propostas, sendo vencedor o fotografo Luiz Otávio Salameh Braga. Na Categoria Descobertas, foram analisadas 79 propostas sendo vencedores André de Sampaio Penteado e Mauricio Soares Gomes de Oliveira e por fim nCategoria Outras Visões, depois de analisadas 44 propostas foram vencedoras, Claudia Barbosa Vieira Tavares e Letícia Lampert.

Luiz Braga e Ingrid Rebouças

Luiz Braga é formado pela Faculdade de Arquitetura da Universidade Federal do Pará (UFPA). Realizou mais de 70 exposições entre individuais e coletivas no Brasil e no exterior, e suas fotografias compõem coleções importantes como a do Museu de Arte de São Paulo, do Centro Português de Fotografia, do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, entre outras.

O Prêmio é uma homenagem ao fotógrafo brasileiro Chico Albuquerque (1917-2000) que nasceu no Ceará e tornou-se pioneiro na fotografia publicitária no País e um dos artistas mais inovadores de sua geração. Ao longo de uma trajetória de 68 anos dedicados à fotografia, consagrou-se como retratista de personalidades que marcaram a história brasileira. Dentre seus principais trabalhos, destaca-se o ensaio “Mucuripe” (1952) que retrata o cotidiano de jangadeiros do litoral cearense, revelando a profunda relação desses homens com o mar.
"Paralelamente, construiu uma sólida reputação de retratista, fotografando em poses rigorosamente dirigidas – quase sempre em estúdio e sem nenhum adereço de cena – membros da alta sociedade paulistana, artistas e celebridades. Diante de sua lente, passaram personalidades tão díspares quanto Victor Brecheret, Juscelino, Ronald Golias,Luiz Gonzaga, Jânio Quadros e Hilda Hilst. Paralelamente à atividade comercial, participou ativamente de debates teóricos do Fotoclubismo, que acontecia principalmente em torno do Foto Cine Clube Bandeirante."

 Tiago Santana
 Tiago Santana e Ingrid Rebouças
Manoel Severo e Alênio Carlos

"Em 1952, Albuquerque voltou a Fortaleza para realizar um de seus ensaios mais célebres, Mucuripe, fotografando, num preto e branco de forte inclinação épica, a paisagem e a vida dos jangadeiros. Tema semelhante seria abordado por ele mais de 30 anos depois, agora em cores, no ensaio Jericoacoara. Também coloridas são as fotografias da série Frutas, de 1978, verdadeiras naturezas-mortas em sua ambição pictórica, que o artista plástico Aldemir Martins considerava “as melhores fotografias de frutas brasileiras que existem”. Albuquerque voltou a viver em Fortaleza em 1975. Em 1981, foi convidado a assumir, como consultor, a coordenação de um grupo de 12 repórteres fotográficos de O Povo. Ele começou reformulando o laboratório, espaço fundamental para o desenvolvimento profissional dos novos fotógrafos. O grupo se transformaria na primeira equipe de trabalho do jornal."
Manoel Severo e Silas de Paula
Beto Skef e Ingrid Rebouças
Paula Georgia e Ingrid Rebouças

"Quando Chico Albuquerque se transfere para São Paulo, em 1945, o mercado fotográfico é restrito e ainda voltado, sobretudo, para reportagens de família. Atuando a princípio como retratista, destaca-se ao fotografar personalidades como Juscelino Kubitschek (1902 - 1976), Victor Brecheret (1894 - 1955) e Burle Marx (1909 - 1994), entre outros. Por meio de enquadramentos fechados e pela ênfase na expressão dos olhares, os retratos sugerem o estado psicológico dos modelos ou mostram flagrantes de emoções. O aspecto teatral dos registros é realçado pelo tipo de iluminação, geralmente lateral, com sombras marcadas e contraluzes." Portal Itau Cultural.

Silas de Paula e Ingrid Rebouças
Beto Skef, Igor Cavalcante e Ingrid Rebouças

Família Albuquerque e o Cangaço... 


Aqui rendemos nossa homenagem ao querido e inesquecível Ricardo Albuquerque, filho de seu Chico Albuquerque e à sua obra: Iconografia do Cangaço, livro e DVD. A obra reúne mais de 150 fotografias, do acervo da Aba Film;  revelando detalhes das vestimentas, do cotidiano, dos costumes e hábitos dos cangaceiros , com o livro, um DVD "Lampião, o rei do cangaço", com as únicas imagens em movimento dos cangaceiros, produzidas por Benjamin Abrahão incluindo 4 minutos inéditos, recuperados, em 2002, pela Cinemateca Brasileira. Ricardo era filho de seu Chico Albuquerque e neto de seu Ademar Albuquerque, fundador da Aba Film e grande responsável pela empreitada do libanês em fotografar e filmar Lampião.
Entrega do Prêmio Chico Albuquerque, SECULT - Dragão do Mar-Fortaleza,                          Ceara 17 de dezembro de 2019.

A Palavra Sertão e uma Historia Pouco Edificante sobre o Brasil

O texto é da professora e pesquisadora Heloisa Starling : O trabalho aborda Euclides da Cunha e os conflitos de Canudos e a arte acima de  Karina Freitas.

Sertão é uma palavra carregada de ambiguidade. Não sabemos sua origem. Talvez seja uma contração do aumentativo desertão, e tenha chegado até nós, embarcada na África, durante o século XVII. Mas aclimatou-se bem no Brasil: seu sentido tornou-se combinado e múltiplo. Por muito que se entre pelo Sertão afora, ele ainda mais se prolonga, como se a realidade que a palavra nomeia não tivesse um princípio nem um fim exatos. O Sertão era outro mar ignoto, iria resumir esplendidamente Raimundo Faoro, em seu livro Os donos do poder: a terra firme além da costa, a inevitável solidão em meio a pedras agressivas, o abismo do desconhecido.
Sertão pode indicar a formação de um espaço interno, a fronteira aberta, ou um pedaço da geografia brasileira onde a terra se torna mais árida, o clima é seco, a vegetação escassa. Mas a palavra é igualmente utilizada para apontar uma realidade política: a inexistência de limites, o território do vazio, a ausência de leis, a precariedade dos direitos. É o espaço em que a imaginação cultural brasileira se encontrou com um de seus campos simbólicos mais ricos e os grandes explicadores do Brasil identificaram ali um condicionante histórico e político da formação do país. O fato de que o sentido da palavra Sertão transcende o de uma delimitação espacial precisa possibilitou sua transformação em um enunciado original capaz de considerar a existência de uma continuidade temática e de uma perspectiva original de interpretação do Brasil sempre fincada numa situação de ambivalência. Sertão é, paradoxalmente, o potencial de liberdade e o risco da barbárie – além de ser também uma paisagem fadada a desaparecer.


Heloisa Starling

Levou algum tempo, mas o escritor Euclides da Cunha se encarregou de escancarar para os brasileiros a ideia do que pode ser o “Sertão”. Em 1897, Euclides da Cunha foi enviado como repórter, para o interior da Bahia, encarregado de cobrir para o jornal O Estado de S. Paulo o deslocamento das tropas republicanas durante a quarta e última expedição contra o Arraial de Canudos. Republicano convicto, ele assumiu a reportagem convencido de que a República iria derrotar uma horda desordenada de fanáticos maltrapilhos, acoitados em um povoado miserável – e, ainda por cima, monarquistas. Desembarcou na Bahia certo de que Canudos era a nossa Vendéia, como, aliás, já tinha escrito em matéria anterior publicada pelo jornal – fazia referencia à guerra civil na França, no século XVIII, que opôs os camponeses da Bretanha marchando sob a bandeira branca da monarquia Bourbon, à República em Paris. Euclides da Cunha permaneceu na região durante as três semanas finais do conflito, tendo presenciado o dramático desfecho da guerra, com o massacre dos sertanejos.

Voltou para casa atormentado. Estava cheio de dúvidas e incertezas diante do que havia visto: uma República inegavelmente disposta a eliminar aquele outro e inteiramente diverso habitante do mesmo Brasil. “Era terrivelmente paradoxal”, escreveu incrédulo, “uma pátria que os filhos procuravam armados até os dentes, em som de guerra, despedaçando as suas entranhas a disparos de Krupps, desconhecendo-a de todo, nunca a tendo visto”. Nesse paradoxo, Euclides da Cunha alinhavou sua descoberta e seu principal argumento: a barbárie não estava confinada num recanto desconhecido e esquecido nos confins da Bahia, o litoral não se opunha ao sertão. O mesmo traço de fanatismo que alimentava a oratória delirante do Conselheiro fazia balançar, no peito dos soldados republicanos, os breves e as medalhas religiosas com a efígie de Floriano Peixoto. Pior, no insistente brado com que esses soldados invocavam continuamente a memória de Floriano havia um entusiasmo doentio e fanático análogo ao que os jagunços de Belo Monte utilizavam para saudar o Bom Jesus – “o mal era maior”, intuía Euclides, “não se confinara num recanto da Bahia. Alastrara-se. Rompia nas capitais do litoral”.



Anotou tudo o que viu e ouviu. O repórter descobriu, nos sertões baianos, uma guerra longa e misteriosa, um adversário com enorme disposição para o combate, um refúgio sagrado, uma comunidade autogovernada que oferecia aos seus habitantes melhores condições de vida do que outras regiões do sertão nordestino – deparou-se com um Brasil desconhecido. No impacto da descoberta, Euclides da Cunha trocou de certezas, adotou nova perspectiva e tornou-se um grande escritor. Sua história assumiu um tom de denúncia. Foi muito além da reportagem de guerra: insistiu em revelar o efeito provocado pelas secas na paisagem arruinada do sertão baiano e a devastação do meio ambiente produzida pelas queimadas no semiárido nordestino; reconheceu no mundo sertanejo uma marca do esquecimento secular e coletivo do país. 
Euclides da Cunha desenhou na região de Canudos, no nordeste do estado da Bahia, em 1897, um mundo que permanecia inacabado, aquém da história e da geografia da nação republicana. E então, incorporou os elementos que lhe permitiram introduzir na palavra Sertão, a ficção de uma terra mergulhada em tristeza profunda, imersa na ausência de valores do mundo público, nas linhas desviantes do progresso, na irracionalidade dos homens, no choque provocado por uma visão da barbárie possível – um “chão que tumultua, e corre, e foge, e se crispa, e cai, e se alevanta”, anotou.

Mas ele estava apenas começando. Acima de tudo, Sertão é uma imagem do deserto, advertiu. Pode surgir tanto no cenário seco, retorcido e violento do Arraial de Canudos, quanto em meio à solidão e ao abandono produzido pelas grandes massas hídricas existentes na fronteira amazônica do Alto Purus. Também entre os seringais da Amazônia, o Sertão é apreendido como solidão, isolamento e perda, a força primitiva de uma região ainda em trânsito entre natureza e cultura, dominada pela resistência ao moderno e imersa na tradição: “A História não iria até ali”, concluiu Euclides da Cunha. E com essa afirmativa ele traduzia tanto uma representação da República no Brasil com sua abissal dimensão de vazio quanto sua convicção de que, sugada por essa perigosa, mas atraente barbárie, a própria República corria o risco de recuar no tempo e dissolver sua capacidade política de ação em impunidade, selvageria e tragédia.


Na escrita de Euclides da Cunha, o significado de Sertão segue muito além de Canudos. Nomeia uma “paisagem sinistra e desolada”, que se consome sempre antes de se formar plenamente; uma terra sem nome ou história marcada por uma combinação sinistra: isolamento geográfico, povoamento rarefeito, homens errantes, memória perdida e linguagem dispersa. A palavra Sertão conta uma história pouco edificante sobre a República brasileira instalada em 15 de novembro de 1889 – e que se revelou uma forma de governo oligárquica, excludente e sem nenhuma sensibilidade para a questão social. Para Euclides da Cunha, talvez essa seja a história de uma República vazia de compaixão, marcada pela indiferença entre homens e natureza, entre homens e coisas, entre o iluminismo civilizatório, a euforia do progresso técnico e o destino de uma gente que, excluída da cidadania, em Canudos, não se rendeu: “exemplo único em toda a história, resistiu até o esgotamento completo (...) caiu no dia 5, ao entardecer, quando caíram seus últimos defensores e todos morreram. Eram quatro apenas: um velho, dois homens feitos e uma criança, na frente dos quais rugiam raivosamente cinco mil soldados”.

Euclides incluiu na imaginação política do país a consciência sobre a existência dos brasileiros párias – essa gente anônima e insignificante, simples e obscura, que se movimenta, precariamente, no vazio da nação, à mercê de uma República que não os reivindica nunca na condição de cidadãos. São “homens sem plumas”, escreveu quase um século depois, o poeta João Cabral de Melo, habitantes de uma paisagem natural e histórica “onde a fome/estende seus batalhões de secretas/e íntimas formigas”. Uma população que vive isolada de um intenso sentido de História insiste João Cabral, relendo poeticamente o argumento de Euclides da Cunha – a República ainda não chegara até o Sertão. Homens sem plumas, explica o poeta, não tem nome próprio, nem direito à sua personalidade legal de cidadãos, não são protegidos por ela e nem conseguem agir por seu intermédio na cena pública. São vítimas de uma dupla injustiça – a injustiça da urgência da sobrevivência e a injustiça da vergonha da obscuridade.

Guimarães Rosa

Mas foi outro escritor, João Guimarães Rosa, quem retomou o argumento de Euclides da Cunha e, no diálogo com ele, logrou obter na palavra Sertão uma expansão de significado. Sertão é o que não se vê. O fundo arcaico projetado sobre uma sociedade primitiva que vive longe do espaço urbano e o que é aparentemente seu avesso: uma cidade brasileira qualquer e todas as outras cidades do país, a que se deixou perder de seus princípios civis e a que já é apenas degradação de seus lugares públicos, a cidade concebida para expressar a modernização e a periferia miserável que fixou seu perfil. Ou, no argumento do próprio Guimarães Rosa: “Sertão é o sem-lugar que dobra sempre mais para adiante, territórios”. Sertão é dobra: nem um nem outro, mas o que se dá entre; não vai a lugar nenhum, refaz-se sempre no meio do caminho. Logo no início da narrativa de Grande sertão: veredas, o jagunço Riobaldo Tatarana, define a palavra com precisão: “Lugar sertão se divulga: é onde os pastos carecem de fechos; onde um pode torar dez, quinze léguas, sem topar com casa de morador; e onde criminoso vive seu cristo-jesus, arredado do arrocho de autoridade”. O mundo onde todas as coisas ainda estão por fazer, e seu avesso, a terra onde o Arraial de Canudos foi massacrado, o rio no qual o seringueiro do Alto Purus se arruína, a história de uma República em que uma grande oportunidade se perdeu irremediavelmente.

Nesse Brasil encharcado de ficção, Sertão é um topos literário, político e histórico que se inicia com Euclides da Cunha. Tornou-se uma perspectiva original de interpretação do Brasil capaz de combinar o encontro da imaginação literária com alguns temas complexos da formação social brasileira: aponta para uma República de formato instável, cujos ideais normativos ainda estão por consolidar-se. Não mudou quase nada. Entre nós, a República segue sendo um arremedo. Mas a palavra Sertão está aqui quase desde sempre. Talvez seja uma boa hora para ler Euclides da Cunha – e pensarmos sobre o que estamos fazendo hoje. Ou vamos enterrar o nosso vazio republicano em desatento individualismo?


Por: Heloisa Murgel Starling (Arte: Karina Freitas)
PERNAMBUCO-Suplemento Cultural do Diário Oficial do Estado

1929: Há 90 anos Lampião Invadia Queimadas , Saqueava a Cidade e Praticava Orgia de Sangue Por:Oleone Coelho Fontes

Artista Jesualdo Cândido

Véspera de Natal de 1929, um domingo, 23 de dezembro. Lampião acompanhado de 17 malfeitores assaltou a heroica cidade de Santo Antônio das Queimadas, na Bahia, e, covardemente, comandou um festival de derramamento do sangue de 5 soldados da polícia baiana. Fuzilou friamente os militares pegados de surpresa, em seguida assistiu um filme no cinema, organizou um baile com as moças da sociedade, arrecadou mais de vinte contos de reis, fez autoridades judiciárias e políticas passarem por constrangimentos e humilhações e escreveu num quadro-negro bilhete desaforado para o governador da Bahia, Vital Soares. Se disse governador do sertão e estar engordando desde que começou a ser perseguido e até já pensava em casar. Os delinquentes deixaram, pela madrugada, totalmente embriagados, uma comunidade traumatizada, como se nada de anormal houvesse ocorrido naquele domingo.
A irrupção na outrora Vila Bela de Santo Antônio das Queimadas teve início na fazenda Parelha, de José Lúcio da Silva, em Cansanção. Lúcio foi intimado a servir de guia até a sede do município. Na cidade de Cansanção, o falso capitão com falsa patente de oficial do Exército (recebida em 1926, no Juazeiro do Norte, Ceará), à testa de quase duas dezenas de bandidos, botou abaixo portas de vendas, armazéns e lojas, levou a cabo uma geral pilhagem. Não satisfeitos em abrir frascos de perfumes e derramar o líquido sobre suas roupas os ladrões deram banho de água de cheiro nos cavalos. Mercadorias foram distribuídas arbitrariamente com os que não tiveram tempo de fugir. Determinou o chefe da gangue que caminhão do IFOCS, (Inspetoria Federal de Obras contra as Secas, atual DNOCS) conduzisse a caterva até a vizinha Queimadas.

Oleone Coelho Fontes e Manoel Severo no Cariri Cangaço Poço Redondo, 2018

Em Queimadas o grupo foi estrategicamente dividido em duas alas. Uma se apoderou da estação ferroviária, deu voz de prisão ao chefe e ao telegrafista, cortou os fios do telégrafo. Outra ala, Virgulino à frente, tomou de assalto, o quartel, trancafiou os soldados e soltou os presos.
Ao final da tarde os soldados foram fria e barbaramente fuzilados, sem direito a defesa, pessoalmente por Lampião e outros bandidos, entre os quais Volta Seca que, segundo testemunhas, teria limpado com a língua a lâmina do punhal.

Soldados assassinados: Olímpio B. de Oliveira, Aristides Gabriel de Souza, José Antônio Nascimento, Inácio Oliveira, Antônio José da Silva, Pedro Antônio da Silva e o anspeçada Justino Nonato da Silva. Relação publicada em boletim da Polícia Militar. O sargento Evaristo Carlos da Costa, comandante do destacamento, foi salvo por um trancelim. Na residência de D. Santinha, batizada Austrialina, Lampião elogiou joia de ouro que a senhora da sociedade queimadense portava no pescoço. D. Santinha prontamente retirou o pingente e ofereceu ao bandoleiro. Este, para se mostrar grato, declarou que lhe podia fazer um pedido. Dona Austrialina pediu pela vida do sargento Evaristo pondo em relevo seus atributos de homem religioso e que jamais perseguira cangaceiros. Constrangido, Lampião disse garantir a palavra e que “bandido também tem palavra”. Reparem que ele próprio se reconhece bandido, e hoje, passados 81 anos de sua morte, grande número de lampionófilos negam, chamando-o apenas de cangaceiro.

Oleone Fontes, José Edson, Bezerra Irmão e Leandro Cardoso no 
Cariri Cangaço Floresta 2017

Quando adolescente conheci Evaristo Carlos da Costa na cidade de Santa luz, reformado da Polícia e proprietário de uma venda que ele e os amigos chamavam de espelunca. Avesso a repassar o trágico episódio, Evaristo, por ter sido amigo de meu pai, Paulo Martins Fontes, e servido com meu avô, João Martins Fontes, em Bonfim, no destacamento policial, me concedeu entrevista que merece ser lida em Lampião na Bahia, em 11ª edição. Este facínora sanguinário, cruel, covarde e desumano, responsável por terror, tortura, saque e depredações implementados nos sertões do Nordeste, pretensos historiadores insistem em considerar herói.

Oleone Coelho Fontes, escritor de ficção, historiador, estudioso de temas nordestino, colaborador de A Tarde.
Salvador - BA

Prêmio Destaque 2019 Entregue em Festa Promovida pela ACLA e AACIST

Manoel Severo - Cariri Cangaço recebe Prêmio Destaque 2019
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Diversas instituições literárias cearenses estiveram reunidas na manhã do último domingo, dia 15 de dezembro de 2019, nos salões do Centro Cultural Cascatinha; na cidade serrana de Maranguape, região metropolitana de Fortaleza; para em Sessão Extraordinária da ACLA - Academia de Ciências, Letras e Artes de Colomijuba, para a entrega dos Diplomas dos Destaques do ano a várias personalidades da vida cultural cearense.

O Encontro sob comando do Presidente da ACLA e da AACIST - Associação de Agropecuária, Comércio, Indústria, Serviço e Turismo, Paulo Roberto Neves Pereira, reuniu um significativo e qualificado público composto por imortais de várias academias literárias, clubes de literatura, artes e cultura de toda região. Em suas palavras o presidente Paulo Neves ressaltou a "grande emoção pela realização da 10ª festa de entrega dos Diplomas de destaque anual, como também a grande responsabilidade de todas as instituições que fazem cultura no estado".

Manoel Severo fala em nome de todos os homenageados

Em nome de todos os homenageados falou o Curador do Cariri Cangaço, Manoel Severo Barbosa, que ressaltou a relevância da Festa dos Destaques 2019 e a significativa presença de tantas instituições literárias e culturais cearenses, fazendo uma saudação especial ao presidente da ACLA, Paulo Neves, afirmou: "um homem à frente de seu tempo, um empreendedor cheio de entusiasmo e compromisso".

 Jornalista e folclorista Paulo Tadeu
 Cláudio Pinho, um dos homenageados do dia
Samya Abreu e Linda Lemos; presidente da ALJUG, homenageadas na festa
Presidente da ALMECE, Nicodemos Napoleão 
Gurgel Neto, destaque na festa 2019

Dentre as instituições presentes: Skal Internacional-Fortaleza, ALMECE - Academia de Letras do Municípios do Estado do Ceará, ALJUG - Academia de Letras Juvenal Galeno, Conselho Alcino Alves Costa do Cariri Cangaço, ACEJI -Associação Cearense de Jornalistas do Interior, Fundação Francisco Moura, ACI - Associação Cearense de Imprensa, Confraria Cultural Cearense, ACETUR - Associação Cultura, Educação e Turismo, UBT - União de Trovadores, dentre outras ilustres instituições.
Priscila Cavalcante
Francisco Moura, Gilson Moreira,João Ferreira - ACEJI; Nicodemos Napoleão - ALMECE; Salomão de Castro - ACI
Ana Karine Coelho
 Grande Público presente à Festa dos Destaques 2019

A ACLA - Academia de Ciências, Letras e Artes de Columinjuba foi criada em 21 de junho de 1992, no Sítio Columinjuba, na cidade de Maranguape, na região metropolitana de Fortaleza. A data de sua inauguração homenageia o nascimento de Antonio de Abreu, primeiro dentre os Patronos a ter um livro publicado. Seu primeiro presidente foi o intelectual Américo de Abreu, escolhido por suas virtudes, raras qualidades e reconhecido saber cultural. Por ocasião de criação deu-se a solenidade de posse da primeira Diretoria Executiva e do seu Conselho Fiscal, além da posse dos primeiros Membros Titulares da ACLA, assim, plantada a semente de um sodalício em um aprazível local, berço de figuras exponenciais cujas principais virtudes sempre foram a honra, a disposição para o trabalho e, principalmente, o sentimento de fraternidade.

Festa dos Destaques 2019
ACLA - AACIST - Centro Cultural Cascatinha
Maranguape, CE 15 de Dezembro de 2019

Cangaceiros e Volantes: Um Jogo de Baralho e Duas Mortes Por:Manoel Belarmino

Não era novidade, no sertão sergipano, o encontro de Lampião com as volantes em animados jogos de baralho. Sempre aconteciam, principalmente nas caatingas de Canindé de São Francisco e Poço Redondo. O sargento Miranda era um dos que costumavam marcar as datas com Lampião para ficarem o dia inteiro juntos jogando o "carteado 21" nas sombras dos umbuzeiros e quixabeiras nas beiras dos tanques e riachos, nos coitos.
Depois de um animado dia de jogo de baralho, em Canindé de São Francisco, na Fazenda Umbuzeiro da Senhora, onde hoje exatamente está o mercado da carne, no pátio da feira livre, Lampião e o sargento Miranda marcaram data para mais um jogo de baralho. E desta vez seria nas terras de Poço Redondo. Marcam para a semana seguinte na quixabeira do tanque da Fazenda Lagoa da Boa Vista.


Conselheiro Cariri Cangaço, Manoel Belarmino, Manoel Severo e Serginho
O dia chega. Cangaceiros comandados por Lampião e soldados das volantes de Miranda se encontraram logo cedo, conforme combinado. Rapadura, carne de bode assada e algumas bebidas estão ali. O jogo está animado. Uns perdendo e outros ganhando. Lampião e Miranda estão às gargalhadas. Ambos são bons no baralho e estão sempre em vantagens no jogo. A sombra da quixabeira está cheia de soldados e cangaceiros. Uns dez cangaceiros estão ali. E Miranda está com seis soldados subordinados. Tudo tranquilo, apesar do calor do meio dia.
Em pleno meio dia, sob um sol quente de rachar, inesperadamente apareceu um homem sobre o paredão do tanque da Fazenda, pertinho de onde está o coito dos volantes e cangaceiros. O homem estava de olhos arregalados, sem acreditar no que estava vendo. Como aquele homem podeira imaginar que cangaceiros e homens de fardas militares estivessem juntos? O homem era o mateiro José Marques da Silva, morador da Fazenda Tanquinhos, mais conhecido, naquele ligar e arredores, como Zé Marques ou Zé Doido.
Os soldados e os cangaceiros não podiam permitir que alguém os visse juntos, em conluio, num coito. Quem aparecesse num momento daqueles, se não fosse coiteiro de confiança, morreria, ou pelas balas e punhais dos cangaceiros ou pelas armas dos soldados das volantes.



E foi o que aconteceu com Zé Doido dos Tanquinhos. Lampião autorizou que o sargento Miranda mande matar o homem, o Zé Doido. Miranda destaca os soldados Oscar e Gabirote para matar o homem. E teriam que matá-lo a punhaladas para que tiros não fossem ouvidos e não despertassem interesses de curiosos. Mas Zé Doido não estava desarmado. Estava com um facão na cintura. Zé Doido reage e atinge os dois soldados. Consegue matar Gabirote, sangrando-o com uma facãozada, ali mesmo. Os soldados e os cangaceiros correm para salvar os dois soldados, mas Gabirote já está morto, Oscar ferido e Zé Doido arrriado, no chão, ainda vivo. Os soldados e cangaceiros terminam de matar Zé Doido com mais punhaladas.
O corpo do soldado Gabirote foi enterrado ali mesmo, entre o tanque e a quixabeira da Fazenda Lagoa da Boa Vista, em Poço Redondo, em uma cova feita pelos soldados e cangaceiros. O corpo de Zé Marques dos Tanquinhos foi deixado ali mesmo sobre o solo, insepulto. Soldados e volantes vão embora entristecidos, levando o ferido, sem se quer recolher as cartas do baralho que foram espalhadas pelo vento.
No outro dia, familiares encontraram o corpo de Zé Marques dos Tanquinhos e vão sepultá -lo nas margens do riacho do Juazeiro. Até pouco tempo a Cruz de Zé Doido ainda estava lá sobre a cova.

Manoel Belarmino, poeta, escritor
Conselheiro Cariri Cangaço
11/12/2019 - Poço Redondo, Sergipe

FLINAU – Feira do Livro do Náutico Entrega Prêmio de Concurso de Cordel

Assis Almeida, Ivonete Cordelista, Silas Falcão e Lucarocas
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Estivemos na noite do último dia 12 prestigiando a I FLINAU – FEIRA DO LIVRO DO NÁUTICO, uma iniciativa de três missionários da literatura cearense: Lucarocas; Mestre da Cultura, Mestre em Literatura, Especialista em Educação, escritor, poeta, cordelista com trabalhos renomados espalhados por todo o país, e até no exterior;  Assis Almeida, empresário da editora Premius e diretor do Náutico, e o amigo Silas Falcão, atual presidente da ACE - Associação Cearense de Escritores, um dos mais renomados promotores da cultura do livro no Ceará. Editor, traz o selo Lua Azul como marca de referencia editorial do nosso estado.
O evento aconteceu no salão nobre de um dos mais tradicionais clubes sociais da capital cearense, Náutico Atlético Cearense, com o total apoio de seu presidente, Jardson Cruz. A Noite do Livro do Náutico promoveu o encontro de escritores, leitores e amantes da leitura e da literatura numa grande festa das letras e arte em Fortaleza. O ponto alto da noite foi a entrega dos prêmios do Concurso de Cordel do Náutico, que contou com a presença dos promotores do encontro e celebrou a arte e o talento de cordelistas de todo o nordeste.

Presidente no Náutico, Jardson Cruz ao lado dos vencedores

RESULTADO DO CONCURSO DE CORDEL DO NÁUTICO

Coordenação Lucarocas A Arte de Ser


CLASSIFICADOS
01 Raimunda Pinheiro de Sousa Frazão - Primeiro Lugar São Luís - MA
02 João Batista do Nascimento - Segundo Lugar Camocim - CE
03 Maria Vânia Freitas A. Carvalho Frota - Terceiro Lugar Fortaleza - CE
04 Maria Ivonete Bezerra de Morais - Quarto Lugar Fortaleza - CE
05 Valdir Soares Fernando Quinto Lugar - Jaboatão dos Guararapes - PE
SELECIONADOS
01 Antônio Almeida Silva Fortaleza - CE
02 Francisco Antônio de Sousa Costa Fortaleza - CE
03 Igor Sales Fernando Olinda - PE
04 José Mauro Ferreira da Silva Maracanaú - CE
05 Lenilson Elias Teixeira Santa Maria - RN
06 Sônia Sales Fernando Olinda - PE
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"Agradecemos a todos os participantes que desempenharam a função de cordelistas, e produziram os seus textos para a participação do Concurso, e a todos que, de uma forma ou de outra, contribuíram para a realização do concurso, em especial, a comissão que selecionou os textos, e que assim o fez com honestidade e transparência.Lembrando que a comissão avaliadora não tinha conhecimento dos autores dos cordéis, mas tão somente aos textos por eles escritos." Esclarece Lucarocas.

Para o curador do Cariri Cangaço, Manoel Severo, "são manifestações como essa, com esse grau de entrega e seriedade que nos permitem vislumbrar a consolidação da cultura, da literatura e das artes em nosso estado; tanto do Lucarocas, como o Assis e meu amigo Silas Falcão são referencias e esteios nessa direção, parabéns ao Náutico e ao amigo Jardson Cruz pelo apoio. Avante !".

I FLINAU, 12 de Dezembro de 2019.
Náutico Atlético Cearense
Fortaleza, Ceara

Vida longa ao Cariri Cangaço! Por:Grecianny Cordeiro

Ingrid Rebouças, Grecianny Cordeiro e Manoel Severo

Impossível falar de cangaço e não fazer uma associação imediata a Lampião e Maria Bonita, a Corisco e Dadá ou ao bando comandado pelo Rei do Cangaço, que causava terror no Sertão nordestino, no início do século XX. Do mesmo modo, impensável falar em Sertão e não fazer uma referência ao beato Antônio Conselheiro, o líder da icônica Canudos; ou imaginar o Cariri sem a influência do Padre Cícero.

É movido pelo intuito de estudar e resgatar a História do Cangaço que foi criado o Cariri Cangaço, um movimento de caráter turístico, cultural, histórico e científico, a reunir diversos pesquisadores e estudiosos dos mais variados assuntos a ele relacionados: coronelismo, messianismo, misticismo, e que está completando 10 anos de existência, fazendo-se presente em diversas cidades do Ceará, Pernambuco, Paraíba, Alagoas, Sergipe e Bahia.
Grecianny Cordeiro, Dideus Sales e Manoel Severo

O Cariri Cangaço, ao longo de uma década, realizou conferências, seminários, debates, lançamentos de livros, concursos literários, como forma de procurar compreender, questionar, estudar e pesquisar a temática do cangaço, mantendo-o vivo.


É por meio de seu idealizador e curador do Cariri Cangaço, Manoel Severo Barbosa, que o cangaço vem despertando a atenção e o interesse de inúmeras pessoas para algumas páginas importantes de nossa História, capaz de trazer à lume os traços marcantes de um sentimento de “nordestinidade” que toca não somente o nordestino, mas brasileiros de outras regiões.

A despeito do nome emblemático, o Cariri Cangaço não faz nenhuma apologia ao banditismo ou ao endeusamento dos cangaceiros. Explica Manoel Severo que o verdadeiro sentimento que moveu a realização desse projeto “foi o de proporcionar um ambiente ainda mais propício para o debate e aprofundamento dessa temática, que é tão marcante em nossa terra e em nossa gente. O incrível acontece; Lampião e o Cangaço que tanto sofrimento trouxe para o ordeiro povo do Sertão, hoje, promove o encontro, a união e a harmonia na direção da busca da verdade histórica”.

O objeto de estudo do Cariri Cangaço, ainda tão desconhecido e incompreendido, ocorrido em tempos idos, ainda hoje, influenciou sobremaneira os costumes, os valores, a música, a culinária, as tradições do povo nordestino.

O Cangaço é um caldeirão de histórias de amor e de ódio, de fé e de descrença, de vingança e de traição, de heroísmo e de banditismo, que continua a mexer com nosso imaginário, levando-nos a uma época misteriosa em que insistimos em desvendar.
Vida longa ao Cariri Cangaço!

Grecianny Cordeiro, escritora e promotora de justiça
Academia Cearense de Letras
Fortaleza, Ceara

Criada a Academia Princesense de Letras e Artes


Pouquíssimos princesenses têm a dimensão da importância do que aconteceu, ontem, em nossa cidade. 13 de dezembro de 2019 – “Dia de Santa Luzia”, a protetora da visão -, ficará para sempre marcado, como o dia em que Princesa abriu os olhos para sua importância no contexto histórico e cultural da Paraíba e do Brasil. Neste dia foi criada a APLA – Academia Princesense de Letras e Artes.

Aconteceu ontem, 13 de dezembro de 2019; às 20:00 horas, nas dependências do “Palacete dos Pereira” – que será a sede da APLA -, por aclamação, a fundação da referida Academia. Com a presença de cerca de trinta cidadãos ligados às letras e às artes princesenses, foi batido o martelo: habemus academia! Com a presença dos acadêmicos, professor Francelino Soares e Antônio Quirino, da ACAL - Academia Cajazeirense de Artes e Letras foi aprovada, também por aclamação, a adoção do nome, como Patrono da APLA, do ilustre tribuno princesense, Alcides Vieira Carneiro. Como primeiro presidente da Academia, foi proclamado, por unanimidade o senhor Emmanuel Conserva de Arruda. Na ocasião, foi criada uma Comissão Especial para a elaboração da lista dos 40 Patronos que nominarão as Cadeiras da APLA.

Começou ainda em Novembro..."Dia 21 de novembro de 2019, o agrupamento de doze cidadãos comprometidos com a cultura princesense, protagonizou um grande salto nessa área quando, reunidos em torno de uma mesa, no palacete dos “Pereira”, sito à Praça “Epitácio Pessoa”, nesta cidade de Princesa Isabel/PB, fundaram a APLA – Academia Princesense de Letras e Artes. A iniciativa, que partiu do professor Emmanuel Conserva de Arruda, recebeu a adesão de muitos intelectuais e artistas princesenses, inclusive de alguns dos que moram fora de Princesa – a exemplo de Serioja Mariano, Aldo Lopes, Tião Lucena, dentre outros – e que não puderam comparecer para a reunião de fundação. Presentes se fizeram: Emmanuel Conserva de Arruda; Chyara Charlotte Bezerra Advíncula; Antônio Maximiano Roberto; Erenilson Bezerra Siqueira; Laurindo Antônio de Medeiros Neto; Domingos Sávio Maximiano Roberto; Manoel Arnóbio de Sousa; José Irismar Mangueira de Sousa; Leonardo Bezerra; Valdenyr Antas Diniz; José Arley de Sousa Moura e Thiago Pereira de Sousa Soares. São esses, os membros fundadores da Academia que, certamente, promoverá grandes benefícios à cultura de Princesa, principalmente no campo das artes e das letras. Este Blog parabeniza a iniciativa, se colocando à disposição para os serviços de divulgação dessa nova entidade que será, sem dúvida, o templo guardião e promotor da cultura princesense."

Palacete dos Pereiras; Sede da APLA

Realizada a parte burocrática, certamente no próximo ano, será verdadeiramente instalada de forma solene, a Academia Princesense de Letra e Artes. A importância desse evento dá-se pelo fato de que, a partir de agora, Princesa terá um “fórum” especial para tratar e cuidar das letras e da cultura, mais especialmente da magnífica história do nosso município, desta Terra que se constitui, sem dúvida – pela sua importância no contexto da história recente – no “Chão mais histórico da Paraíba”. Será a APLA, o “Santuário da Cultura”, a “Casa das Letras”, enfim, o lugar que Princesa necessitava para rememorar seu passado e trazer para o futuro, o presente de uma cultura renovada. Em 1937, o notável conterrâneo, Alcides Carneiro, por ocasião de solenidade cultural acontecida em Cajazeiras/PB, proferiu discurso em que disse: “Cajazeiras, terra que ensinou a Paraíba a ler”. Certamente, hoje, se vivo fosse, diria: “Princesa, terra que vai ensinar história aos paraibanos”. Exultamos todos com tão importante acontecimento que, com certeza, será um divisor d’água quanto ao que foi e ao que será Princesa, a partir de agora.

Domingos Sávio Maximiano Roberto, 
14 de dezembro de 2019
Princesa Isabel-PB

Manoel Severo e Conselheiro Cariri Cangaço, Emmanuel Arruda; Presidente da APLA

NOTA CARIRI CANGAÇO: A Presidência do Conselho Alcino Alves Costa do Cariri Cangaço, congratula-se com a comunidade acadêmica, literária e artística do querido município paraibano de Princesa Isabel pela criação da APLA - Academia Princesense de Letras e Artes, e com seu primeiro presidente; eleito por aclamação; Emmanuel Conserva de Arruda; também Conselheiro Cariri Cangaço.