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O Poço do Nêgo e a Caravana Cariri Cangaço Por:Manoel Severo

Rio "seco" Poço do Nêgo

O rio Poço do Nêgo divide os municípios de Serra Talhada e Floresta; a segunda morada da família Ferreira, logo após o episódio da prisão de Levino em Floresta, os embates com o desafeto José Saturnino e a forçada partida da Passagem das Pedras, fica bem ali, quase às margens do rio, cerca de 2 km do centro de Nazaré. Nosso anfitrião, Ulisses de Sousa Ferraz nos guiava com o passo firme dos abnegados perseguidores nazarenos na direção do sítio onde estiveram Virgulino, Antonio e Levino, antes de se entregarem totalmente à vida cangaceira. Era cerca de 16 horas da quarta-feira de cinzas...


Caravana Cariri Cangaço-GECC rumo ao que restou da Casa da fazenda Poço do Nêgo

O grande e velho umbuzeiro, os faxeiros, xique-xique, o velho cavalo pardo pastando por entre uma pequena manada de cabras eram as únicas testemunhas daquele que foi um dos cenários marcantes do inicio da vida e dos confrontos entre os filhos de Zé Ferreira e os valentes nazarenos, entre esses; Os irmãos Flor: Euclides, Afonso, Hildbrando, Manoel e Odilon; Manoel Neto, João Gomes Jurubeba, David Jurubeba e tantos outros bravos que se tornaram lenda ao longo da campanha contra o cangaceirismo, estar ali era como se tivéssemos voltado no tempo.


O anfitrião Ulisses Ferraz e as ruinas da casa...
Pedro Luiz e a gravação para o Documentário da Caravana
Aderbal Nogueira e Ulisses Ferraz
Neste local se erguia a casa do Poço do Nêgo

Da velha casa da família restou apenas o abandono e as ruínas pontuadas pelo amontuado de tijolos soltos em meio à caatinga. Do Poço do Nêgo os irmãos Ferreira partiram para o desafio mais duro de suas vidas, o desafio do cangaço e como ponto de partida seus mais ferrenhos inimigos: Nazarenos.

Manoel Severo

Fazenda Poço do Negro Por: Ana Lúcia


Professora Ana Lúcia na fazendo Poço do Negro

Professora Ana Lúcia, em visita a famosa Poço do NegroRecentemente visitei a cidade de Floresta e resolvi também fazer uma visita especial ao senhor João Gomes de Lira, morador importante da famosa vila de Nazaré, que para nosso pesar nos deixou na última semana, agora está combatendo o bom combate, no céu. Tenente João foi ex- soldado da Polícia Militar de Pernambuco e que, junto com outros soldados nazarenos, combateu Lampião e seu grupo com muita valentia. Uma pessoa muito querida e respeitada por todos. O povoado de Nazaré foi um dos lugares de muitas escaramuças praticadas por este terrível bandoleiro.
Nesta minha visita, alguns quilômetros da vila de Nazaré, dentro de um cercado particular e ao lado de um assentamento, encontra-se a Fazenda Poço do Negro ou, o que restou dela; que foi a primeira residência dos Ferreira após uma apressada mudança de Serra Talhada. Vieram para Nazaré fugindo das contendas do vizinho, o então inimigo Zé Saturnino, buscando um pouco de paz. O que não aconteceu.


Poço do Negro está abandonada. Esta foi à constatação que fiz logo ao entrar no antigo território dos Ferreira. Ao lado observa-se o pé de umbu-cajá plantado por Lampião, assim atribuída a ele esse feito, com suas folhas caindo sendo levadas pelo vento, amareladas, de tronco envelhecido pelo tempo, o que é natural, mas viva, bem viva, e de frente as ruínas da casa de tijolos grandes e vermelhos que o tempo também se encarregou de levar, de desfazer. Alguns objetos da casa foram levados como forma de “lembrança histórica,” como pilão, ralador, moedor e até talheres e copos deixados por eles numa segunda mudança para Alagoas, assim dizem os antigos moradores sobre este fato. Do outro lado, observa-se a Serra do Pico em que Lampião por muitas vezes ao avistá-la, guiava seus rumos por este sertão.

Poço do Negro merecia ser preservada, merecia que pessoas compromissadas com a História do Brasil mantesse este importante Sítio Histórico de pé, é muito triste quando vimos uma parte relevante de uma época sendo esquecida e desprezada, sabemos o quanto é complexo este processo de preservação, por isso, é sempre bom conhecermos mais, valorizarmos mais, participar e divulgar esse lado da História de forma sensível e dinâmica.


Abraço a todos do Cariri Cangaço,
Professora Ana Lúcia