Reedições de Irineu Pinheiro Por: Evandro de Deus

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Armando Rafael e Manoel Severo

Três livros do escritor cratense Irineu foram reeditados com recursos de edital da Secretaria da Cultura do Ceará, através de projeto aprovado da Universidade Regional do Cariri (Urca). São ele: “O Juazeiro do Padre Cícero e a Revolução de 1914”, “Efemérides do Cariri” e “Cidade do Crato (este escrito em parceria com J.de Figueiredo Filho).

Quem foi Irineu Pinheiro?

Nasceu em Crato aos 06 de Janeiro de 1881 e faleceu aos 21 de Maio de 1954. Filho do Dr. Manoel Rodrigues Nogueira Pinheiro e D. Irineia Pinto Nogueira Pinheiro. Cursou o primário no Seminário São José e graduou-se em Medicina na Faculdade Nacional do Rio de Janeiro em 1910.  De volta ao Crato, clinicou durante muitos anos e foi um dedicado estudioso da história da região, no qual foi mestre.

Irineu Pinheiro

Exerceu grandes funções em nossa cidade: foi fiscal Federal do Colégio Diocesano; professor do Seminário São José; Presidente do Banco do Cariri; Fundador e 1° presidente do Rotary Clube; Sócio correspondente do Instituto do Ceará e da Academia Cearense de Letras; Sócio fundador e 1° presidente do Instituto Cultural do Cariri. Escreveu três livros: (1938) “O Juazeiro do Pe. Cícero e a Revolução de 1914”, “O Cariri (1950), e “Efemérides do Cariri”, (livro póstumo, 1963).

Todos bem recebidos pelo o público. “O Cariri” foi aclamado até pelo escritor José Lins do Rego que declarou o livro como “Uma obra de fôlego, feita com seriedade e o tom de narração viva dos melhores escritores do gênero”. Pode o Cariri, contar com um homem de primeira qualidade entre os melhores do país. Li o Cariri com visível mágoa de não haver mais páginas para devorar”.

Deixou uma obra inédita: "Efemeridades do Cariri", considerado por ele mesmo a sua melhor obra. Faleceu acometido por um ataque cardíaco fulminante enquanto terminara de escrever uma carta a um amigo falando sobre planos para o futuro.

Postado por Armando Rafael
Originalmente em: www.blogdocrato.com
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O nazareno Jack Gomes de Lira... Por:Manoel Severo

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É verdade! Nestes caminhos por entre faxeiros e xique-xique, pelas veredas mais exuberantes de nossas caatingas é que se revelam as verdadeiras personalidades... Pois é!  E aqui faço uma homenagem de gratidão a estimada amiga Luitgarde, explico: Foi ela quem me apresentou ao simpático e agradabilíssimo pesquisador francês, Jack de Witte; personagem marcante deste último mês por entre a família Cariri Cangaço. E tem mais, Luitgarde acabou proporcionando a Jack a realização de um sonho: Tornar-se, mesmo que por poucos minutos, o Jack Nazareno, ou poderia até ser Jack Gomes de Lira...

 

Imagens de Jack de Witte em visita que fizemos a casa do Tenente João Gomes de Lira, em Nazaré. As fotografias mostram Jack com o quepe e rifle que pertenceram à destemida família dos descendentes de João Gomes Jurubeba.

Manoel Severo
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A fuga de Venâncio do bando de Lampião Parte I Por: Antonio Morais

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Ainda madrugada, frio intenso na cidade de Jardim, no cariri cearense, Vicente Venancio subia tranquilamente a Serra do Araripe. Na vespera, 01 de Fevereiro de 1927, recebeu do pai, o agropecuarista Venancio Bezerra de Menezes, a quem servia como vaqueiro, ordem para trazer da propriedade um boi que deveria ser vendido na cidade, a fim de atender a algumas obrigações financeiras assumidas pelo velho criador. Ordem recebida, ordem cumprida. No seu cavalo de maior estimação lá ia Venancio serra acima, varando a madrugada fria e invernosa.

Ao meio dia, quando descançava no lugar chamado Encruzilhada, chegou Pedro Vieira, abastado criador pernambucano e amigo de Venancio, que o convidou para conduzirem uma boiada até o povoado de Cacimbas. Por ter que cumprir, primeiramente, a ordem do pai. Venancio prometeu a Vieira que logo iria, pois tinha tambem negocios a resolver em Cacimbas. Encontrado o animal que buscava, Vicente Venancio o levou a Jardim, onde o vendeu por 140 mil reis, importancia que passou as mãos do pai.

Regressando a Serra do Araripe, entre Jardim e as Cacimbas, encontrou negocio para o cavalo. Na troca dos animais, pois essa foi a transação, Venancio voltou 50 mil reis. De posse do cavalo trocado, seguiu viagem até as Cacimbas, um povoado de 30 casas, na fronteira do Ceara com Pernambuco. Ao chegar aquele local, encontrou outro velho conhecido, Mario de São, agricultor e criador no municipio de Barbalha, na companhia do qual prossegue viagem.

Venancio conta que, saindo da casa do velho Lucio, onde sempre se hospedava nas suas idas as Cacimbas, encontrou novamente Pedro Vieira que, ao avista-lo, o convidou para um cafezinho. Era cedo da manhã de 02 de Fevereiro de 1927. Em companhia de Pedro Vieira e Mario de São, Venancio, segundo velho habito, se dirigiu, após o cafe, a margem de um barreiro ali existente. No percurso, disse Venancio, não sei se por pressentimento ou se por coincidencia Pedro Vieira começou a cantarolar versos preferidos pelos cabras de Lampião. Lembro bem de um que dizia: Sabino, peito de aço do sertão paraibano, bicho feito no cangaço.


Venancio olhou para o sol e exclamou: São seis horas da manha. Mal fechou a boca, ouviu um tropelar a distancia. Assustado, falou para os companheiros. Seu Mario. Seu Pedro, aí vem ou força de Pernambuco ou cangaceiros.Continua com a aproximação dos cangaceiros.

Sob uma onda de poeira, à frente a figura aterradora do capitão Virgulino Ferreira, o bando riscou em frente aos indefesos criadores. Incontinente, ouviram a voz de Lampião ao perguntar: Quem é Pedro Vieira? Sou eu, responde estarrecido e tremulo o velho sertanejo. A seguir, travou-se o seguinte dialogo entre Sabino, cangaceiro famoso e perverso, e Pedro Vieira: Vocês estão presos pelo grupo de Lampião. Só serão soltos depois que Pedro Vieira der cinco contos de reis. Nós somos pobres, o senhor deixe por dois contos.... Não quero conversa. Pode providenciar logo...Somos pobre seu Sabino, insistiu Vieira, deixa por tres contos... Já disse que não quero conversa. Caso repita lasco este fuzil na sua cara, velho safado e atrevido.



Um silencio enorme dominou a todos nós - afirma Venancio, para acrescentar - Nisso chega o gado para beber. Ao avistar os animais, Lampião começou a atirar indiscrinadamente, matando vacas e até animais de pequeno porte. Foi um estrago miseravel. Diante do cruciante problema dos cinco contos de reis, Mario ofereceu-se para ir a Jardim tentar conseguir o dinheiro da exigencia de Sabino, a mando de Lampião. Montando um dos cavalos pertencentes aos companheiros, exatamente o mais gordo e ardego, Mario, depois de ouvir de Sabino a admoestação no sentido de que negasse para policia a presença do grupo nas Cacimbas, seguiu apavorado para Jardim, temendo pela sorte dos amigos que ali ficavam em situação tão dificil e perigosa.

Conta Vicente, ter ficado certo que Mario de São, logo fossem conseguidos os cinco contos de reis e deveria encontrar-se com o grupo em Caririzinho, hoje distrito do municipio pernamcucano de Sitios do Moreiras. Lampião ia com destino a Ipueiras dos Xavies, onde se deu o cerco do grupo e a sua celebre e precipitada retirada, por encontrar forte reação da familia Xavier. Foi aí que Virgulino Ferreira perdeu um de seus mais valorosos cabras. Tempero, morto por Dezinho Xavier.


Andanças e Lembranças.
Blog do sanharol 
Antonio Morais
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Cangaceiro Analfacibernetico...

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Mais uma recordação de nossas andanças pelas terras da Malhada da Caiçara, aqui novamente as lentes e o olhar de Driele Mutti, do "maisfesta", e o modelo: Cangaceiro Analfacibernético Antônio Vilela, do Incrível Mundo do Cangaço; abração irmão Vilela...

Manoel Severo
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A fuga de Venãncio do bando de Lampião Parte II Por:Antonio Morais

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Tempos depois, em conversa com Venancio, disse Mario que, ao ouvir o grito de Sabino previnindo-o para que nada dissesse a policia, teve vontade de correr, mas temeu um tiro nas costas. O grito de sabino foi, de inicio, interpretado como uma ordem para voltar. Venancio fala da existencia, no grupo, de um cangaceiro chamado Criança, que tinha 14 anos de idade, e usava rifle de seis tiros.

Momentos depois da saida de Mario de São, um dos cangaceiros, eram 46 ao todo, trouxe preso o velhoLucio, em cuja casa Venancio se hospedara. Levado a presença de Sabino, declarou haver mandado um menino buscar o cavalo que, segundo informação em poder do bando, era gordo, descansado e ligeiro. Sabino, ao ouvir de Lucio a conversa da ida do menino, chamou-o de velho safado e mentiroso, dizendo-lhe qinda que fosse logo ver o animal, sob de levar umas chibatadas na cara.

Vamos, Seu Lucio, ver o cavalo do homem - disse Venancio, temendo pela sorte do amigo. Em companhia de um cangaceiro indicado por Sabino, seguiram os dois com a missão de trazer o animal. O local não ficava muito longe dfe onde o grupo se encontrava. O cabra que nos acompanhou - explica - era um tipo alto, delgado e vestia uma tunica de oficial da policia. Ia a cavalo, enquanto nós iamos a pé. Quando subimos, a capoeira era grande. Depois vinha o carrasco. Aqui e acolá uma moita no meio da caatinga. Foi aí que me veio a ideia salvadora: Olhei para o cangaceiro e disse: moço, alem do cavalo que seu Sabino mandou ver para o capitão, existe outro mais adiant, tambem bom e descansado. "Se estiver mentindo cabra safado eu te mato". Venancio jogava a ultima cartada com a historia de um cavalo que só existia em sua imaginação. Mas como evitar que o cangaceiro fosse atélá? Parecia impossivel. Veio-lhe a vontade de segurar no cabeçote dp animal do cangaceiro e derruba-lo da sela e depois fugir. Mas o bando estava perto.

Minutos depois chegava o menino com o cavalo, comprovando que de fato o velho Lucio havia falado a verdade. Empolgado com a beleza do animal, após ouvir a expressão: Este é o cavalo que o capitão preferiu, o cabra mandou Venancio ver o cavalo imaginario, levando o outro pela corda para mostrar ao chefe. Um episodio acorrido antes da decisão do cangaceiro: Venancio olha para o velho Lucio e diz baixinho: Seu Lucio, eu vou fugir. Eu não volto mais aqui. Daqui não vai escapar ninguem. Venancio, não faça isso, que eles me matam. Cala a boca que o cabra vem aí.

Voltando a falar sobre a fuga, disse Venancio: Enquanto o cabra ia seguindo com o cavalo eu ia andando de costas, em sentido contrario. Vendo que ele não olhava, fui pulando de moita em moita, pois conhecia a serra como a palma da minha mão, até que alcancei o carrasco. Nem vaqueiro bom me pegava. O coração batia como se quisesse saltar. Aqui e acolá era surpreendido com barulho no mato e me escondia pensandoserem os bandidos. Eram reses pastando.

As duas da tarde alcancei a estrada que demandava a Jardim. A essa altura já me encontrava a salvo do famigerado grupo. Mesmo assim me assustava com qualquer barulho. Só penetrei na estrada bem perto da cidade. O itinerario maior foi vencido dentro domato bravo, cansado, suado, com fome e com medo.

Mario de São percorreu todocomercio de jardim e não canseguiu reunir os cinco contos de reis. Era muito dinheiro para aquela epoca. Apelando para familiares de Vieira que moravam proximo da cidade, completou a importancia do resgate, que não foi entregue, pois, ao chegar em Caririzinho, o grupo já havia batido em retirada, depois do insucesso do cerco de Ipueiras dos Xavier. No meio do caminho, Lampião, duplamente revoltado - os cinco contos de reis não recebidos e o malogro de Ipueiras, matou perversamente o fazendeiro Pedro Vieira, que não teve, como os seus companheiros, inclusive o velhoLucio, a sorte de escapar com vida da furia insopitavel do famoso Rei do Cangaço - Capitão Virgulino Ferreira da Silva.

Antônio Morais
Blog do Sanharol
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NOTA CARIRI CANGAÇO: O companheiro Antônio Morais é uma figura inigualável; um dos melhores contadores de história que conheço; conduz como ninguém um dos blogs mais simpáticos de nossa região, o "blog do sanharol", nitidamente uma grande sala de estar onde se reunem os muitos filhos, amigos e admiradores da emblemática Várzea Alegre. Ao amigo Morais, o abraço da família Cariri Cangaço.
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Viagem à Paulo Afonso: Uma aventura cangaceira recheada de aprendizagem Por:José Cícero

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José Cícero

Em nossa recente viagem com destino a Paulo Afonso na Bahia, onde participaríamos do Seminário comemorativo ao Centenário de Maria Bonita - 2011 – Eu, Manoel Severo, Bosco André e o bonapartiano Francês Jack de Witte fizemos uma proveitosa parada na fazenda Piçarra no município de Jati, tudo ciceroneado por nosso timoneiro-mor Manoel Severo, o "cara" do Cariri Cangaço.

De pronto, formos recebidos com a maior das afabilidades sertanejas. Até porque o Severo é, por assim dizer, um antigo amigo do atual proprietário Vilson Santana, este, por sinal, neto do afamado Antonio da Piçarra que, de quebra, foi durante muito tempo um dos maiores coiteiros de Lampião nesta parte do Cariri cearense. Estámos já nas terras do Jati.

Como um bom prosador, após as apresentações de praxes, Vilson falou-nos da relação do seu avó com Virgulino, esmiuçando informações das mais preciosas para quem deseja compreender no seu nascedouro a história, muito além das invencionices mirabolantes dos que escrevem (às vezes) sem muita preocupação com a veracidades dos fatos e seus desdobramentos vindouros.
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José Cícero, Bosco, Jack e Vilson, na Piçarra
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Diga-se de passagem, muitos dos ricos relatos do jatiense, além de inéditos, não os encontramos facilmente na chamada historiografia oficial do cangaço por toda sorte de motivos... Por isso, eis a grandeza da visita. Algo que, ao meu ver, já valeria a pena ter empreendido tal caminhada. Uma proesa engendrada pelo mestre Severo e que muito agradeço por tê-la vivenciado.

Na Piçarra abraçamos a história como se diz, na carne viva. Ainda, com direito até mesmo a sentarmos no velho banco centenário da casa. Uma relíquia das mais interessantes e rara aos estudisoso contemporâneos. Pois naquele banco de madeira carcomida pelo tempo, um dia certamente sentaram para um dedo de prosa, além do seu dono(Antonio da Piçarra) o tenente Arlindo Rocha e, quiçá o próprio rei do cangaço com seu bando quando das diversas vezes que descansaram por aquelas bandas com destino ao Pernambuco ou quando adentrou o sul do Cariri na busca da Serra do Mato do Cel. Santa na Goianinha(Jamacaru) de Missão Velha, Juazeiro do Padre Cícero, Barro de Zé Inácio ou a célebre fazenda Ipueiras do coronel Izaías Arruda em Aurora.

Sentar naquele banco antigo, foi como voltar no tempo. Um momento especial, daqueles que nos enchem de memórias e de orgulho...Ouvindo a fantástica narrativa do seu atual proprietário. Como se estivéssemos efetuando um grande mergulho no fundo escuro da história.

Registramos tudo por anotações, gravações e fotos. Reversamos no ofício de fotógrafo: Eu e o Severo. Com a mesma sofreguidão de seres apressados sempre preocupados com o fantasma do esquecimento e a exigüidade do tempo e da própria vida. Mas, não. Creio que nossa maior preocupação e cuidado continua sendo de fato, com a preservação de uma saga que a posteridade não poderá por nenhum motivo deixar de conhecer. E, que de algum modo, nós é que seremos os responsáveis por sua continuidade ou pelo seu desaparecimento no futuro.
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Aqui com o anfitrião, João de Sousa Lima
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(...) Foi uma viagem das mais ricas e proveitosas. Daquelas que nunca voltamos do mesmo jeito. Posto que assimilamos uma série de novos e importantes conhecimentos. E isso não tem preço, posto que nos valem pela vida inteira...

Seguimos estrada afora. Jack, o pesquisador francês, queria ver caatinga, mandacarus, xiquexique, coroa-de frade, enfim, todas as nossas cactáceas em conjunto. Talvez quem sabe, querendo enxergar por meio delas, todas as agruras e o sofrimento de uma gente que a própria Europa, possivelmente um dia só (re)conheceu como miseráveis.

Mas não. Jack com seus próprios olhos cor de anil, pôde finalmente constatar que o sertão que os outros o dizem de longe, é uma invenção. Uma miragem das mais espinhentas quase teatralizada, repleta de ‘segundas intenções’. Portanto, muito além da realidade que vimos e sentimos ao pisar seu chão sagrado como fizemos naquele instante ímpar e singular.

De alguma maneira, diria que o amigo francês, entusiasta da história lampiônica, ficou loiteralmente extasiado pela constatação inequívoca de um sertão belo e possível, muito além das invenções mentirosas dos poderosos, tanto daqui quanto do além-fronteira.

José Cícero, Decano Alcino Costa, Aninha do Ó e Dr. Pedro Luiz

E um pouco mais a frente, após avistar toda a grandeza do São Francisco, sob o indicativo quase sempre em riste do memorialista Bosco André, Jack certamente provaria com entusiasmo da implacável assertiva conselheira de “o sertão vai virar mar”....

Prolixo diálogo, o tempo todo daquela viagem. Conquanto, sempre ao volante imerso em um turbilhão de palavras e explicações pertinentes Severo já se transformara no guia do grupo. Presumo, que uma grande alegria de neocangaceiros do conhecimento como que seguindo os mesmos passos de Lampião e seu bando pela história afora. Pela vida e caatinga adentro....

E eu, mais em silêncio mergulhado em pensamentos. Olhava tudo imaginando: quanto este Brasil é grande. O São Francisco imenso. E Lampião uma figura singular que conseguiu venceu todas as fronteiras do mundo e do tempo sem ao menos sair deste Nordeste.
José Cícero - Aurora-CE
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Memórias Dorenses - Lançamento dia 28

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Manoel Severo entre os amigos do Projeto Memórias, João Paulo e Manoel Moura

O Projeto Memórias convida a todos para o lançamento da 7ª edição do Informativo Cultural Memórias Dorenses, a 2ª em formato de revista, que ocorrerá no próximo dia 28 de abril a partir das 19 h na Igreja Matriz de Nossa Senhora das Dores. O evento, em parceria com a Paróquia Nossa Senhora das Dores, ocorrerá no dia no qual esta completa 153 anos de sua criação e contará, ainda, com exibição do trailler do filme "O Fogo do Cajueiro", exposição fotográfica, relançamento do livro "Freguesia de Nossa Senhora das Dores" (do Prof. João Paulo Araújo de Carvalho) e apresentação do Grupo de Música Edilberto Andrade.
Você é nosso convidado especial!

Projeto Memórias
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A cordialidade de Luiz Alberto em Paulo Afonso

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Luiz Alberto e esposa, com o confrade Ângelo Osmiro
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Já virou rotina para os que vão a Paulo Afonso participar dos eventos de Cangaço, a iniqualável receptividade do povo paulafonsino: João de Sousa, Galdino, Janio, Gilmar, Voldi, Luiz Ruben, Rubinho, enfim. Entretanto, existe um novo "cangaceiro" que sem dúvida nenhuma, "arrebenta" em matéria de recepção e calor humano em nos anfitrionar: Dr. Luiz Alberto e esposa, que a cada edição do Seminário de Maria Bonita, nos acolhe a todos para um marcante almoço, sempre em sua residência, já transformada em um pequeno Memorial da cultura e tradição nordestina.






As fotos e a cobertura ficam por conta da talentosa Driele Mutti e do site "mais festa" de Paulo Afonso. Aos amigos da ilha mais simpática do Brasil, o abraço da família Cariri Cangaço.

Manoel Severo
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Vem aí cinebiografia de Luiz Gonzaga Por:Francisco Russo

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Mais um importante nome da música brasileira em breve terá sua história contada no cinema. Trata-se de Luiz Gonzaga, o rei do baião, cuja cinebiografia será dirigida por Breno Silveira (2 Filhos de Francisco e Era uma vez...). Provisoriamente intitulado Gonzaga de Pai para Filho, a ideia é que o filme apresente Luiz Gonzaga sob os olhos de seu filho, o também cantor Gonzaguinha. Para tanto serão usadas duas fontes: uma fita cassete de Gonzaguinha falando sobre o pai e o livro "Gonzaguinha e Gonzagão: Uma História Brasileira", de Regina Echeverria.

O roteiro atual conta com 300 páginas, mas ainda sofrerá uma enxugada. A intenção é utilizar atores desconhecidos nos papéis principais, de forma que o público não traga informações prévias ao assistir suas interpretações. Entre as locações estão a favela carioca de São Carlos, onde Gonzaguinha foi criado, Minas Gerais e, é claro, o Nordeste. Para distribuir o filme, a produtora Conspiração Filmes já fechou acordo com a Columbia Pictures do Brasil e a Downtown Filmes. Cerca de 60% do orçamento, de valor não divulgado, já foi captado. A intenção é que o filme chegue aos cinemas em 2012, ano em que Luiz Gonzaga completaria 100 anos caso ainda estivesse vivo.


Postado em: http://www.triunfob.com/  dos amigos Lucivaldo Ferreira e  André Vasconcelos 
Fonte: Adoro Cinema - Diário de Pernambuco
http://www.adorocinema.com/cinenews/vem-ai-cinebiografia-de-luiz-gonzaga-5270/
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As oito irmãs do cangaceiro Zabelê Por: Rangel Alves da Costa

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Rangel Alves da Costa

Nem posso dizer que o texto que segue é fruto de construção literária, da minha verve prosista, pois tudo, como se verá, é tão verdadeiro quanto o sangue que corre pelas minhas veias, afluente que é do caudaloso rio familiar do cangaceiro Zabelê e suas sete irmãs.

Manoel Marques da Silva, mais tarde apelidado como Zabelê no bando de Lampião (Alguns afirmam a existência de outro ou até outros Zabelês), era filho único de Antônio Marques da Silva e Maria Madalena de Santana, a Mãe Véia. Suas irmãs, em número de oito, eram Emeliana, Conceição, Osana, Isabel, Rosinha, Mãezinha, Mariquinha e Cordélia. Assim, meus bisavôs paternos Antônio Marques e Mãe Véia fizeram nascer numerosa prole, talvez pensando em formar descendência familiar forte num pequeno lugarejo lá pelas bandas mais esturricadas do sertão sergipano. Nessa época Poço Redondo fazia parte do município de Porto da Folha.

Pois bem. Nove filhos nasceram, porém sendo apenas um homem em meio a tantas mulheres. E quando mais tarde o único herdeiro dos Marques - por circunstâncias que somente a predisposição do momento, o modismo cangaceirista e o destino podem explicar – resolve fazer parte do bando do Capitão Virgulino e deixa a segurança do lar para viver as incertezas sangrentas das caatingas, os seus pais passam a amargar a dor da ausência e os temores em ter dentro de casa seis filhas para criar. Ora, no sertão é dito como certo que casa que tem filho homem marmanjo algum quer dar uma de gavião para querer beliscar irmã dos outros. Se o menino Manoel Marques estivesse em casa os pais das oito mocinhas não ficariam tão preocupados. O perigo aumentava quando se sabia que as meninas da época eram apaixonadas pelos cabras de Lampião e inexplicavelmente atraídas para a vida em perigo. Mas o menino resolveu se unir a Lampião e seus comandados e não teve jeito mesmo. Já no bando, então batizado como Zabelê, nome de pássaro errante pelos sertões nordestinos, foi se afastando cada vez mais da família, com quase nenhuma notícia nem sinal de que voltaria um dia para molhar os olhos de todo mundo. A esperança do retorno, desesperançada...

Cangaceiro por André Neves

Nesse desvão de mundo, naquele mundão de meu Deus, onde a sorte morava ao lado morte, sustentar família era um sacrifício. Se Manoel tivesse aqui era tudo muito diferente, muito mais alegria, muito mais encorajamento pra gente viver essas durezas dos homens e da terra, além de que certamente esses cabras não estavam noite em dia em minha porta com enxerimento pras minhas meninas. Certamente era isso que Mãe Véia murmurava enquanto batia o café no pilão ou ralava o milho para o cuscuz. Mãe Véia tinha razão, pois por ali mais tarde foram aparecendo um tal de Ermerindo, um citadino chamado Aloísio, um militar chamado Rios, sertanejos como Timbé e Bastião e outros, cada um levando na mão uma flor do campo e roubando os corações das filhas de Antônio Marques.

Mas o que fazer se Manoel não estava ali para olhar bem nos olhos desse magote enxerido, medir de cima a baixo, e dizer se prestava ou não? Mas o destino não anda na contramão. Zabelê estava vivendo sua vocação catingueira, enquanto suas irmãs Emeliana, Conceição, Osana, Isabel, Mãezinha, Rosinha, Cordélia e Mariquinha buscavam a formação de novos laços familiares. Assim, como disse acima, sou filho desse contexto, pois minha avó paterna, Emeliana Marques, casou com um rapaz das bandas de Carira, de nome Ermerindo Alves Costa, fazendo nascer dessa união também sete filhos, dentre eles o ex-prefeito de Poço Redondo e escritor Alcino Alves Costa, meu pai.

Meu tio passarinho, Zabelê com asa e bico e plumagem, depois que saiu de casa voou para sempre. Nunca mais colocou os pés na morada para rever a família, nunca mais mandou um recado dizendo que um dia voltaria, nunca mais pousou na mangueira do quintal ao entardecer. Seu Antônio Marques e Mãe Véia morreram sem o prazer da volta do filho homem. Contudo, mesmo sem visitar familiares nem adentrar novamente à velha casa para beber um copo d’água sequer, Zabelê de vez em quando estava por perto, voando baixo na região de Poço Redondo. Fazendo parte do bando do Capitão, assim que o homem se amoitava pelas redondezas ele fazia parte da comitiva.

No dia 28 de julho de 1938, quando na madrugada sertaneja a volante alagoana fez o cerco e matou Lampião, Maria Bonita e mais nove cangaceiros, na Gruta do Angico, terras de Poço Redondo, Zabelê só se salvou por milagre. Junto com Pitombeira arribou no meio do mundo. Contam que quando a saraivada de balas começou a riscar por todo lugar, Zabelê passarinho voou bem alto, sumiu numa nuvem e se escondeu. E parece que se escondeu tão bem escondido nessa nuvem que de lá ninguém mais o viu, principalmente a família. Até hoje as irmãs que ainda estão vivas, como minha avó Emeliana e minhas tias Cordélia, Mariquinha e Mãezinha, choram quando lembram ou ouvem falar do irmão passarinho.

Elas mesmas avoaram muitas vezes por aí em busca do irmão. Há alguns anos, ainda quando estavam com vigor físico que permitia que fizessem longas viagens, bastava que ouvissem um rumor que o irmão poderia estar em algum lugar e lá iam elas em caminhonete, cortando os caminhos quase sem destino. E assim voaram pelos céus de Minas Gerais, Pernambuco e Bahia, dentre outros lugares, mas nada de encontrar nem uma pena do passarinho. A única certeza é que ele voou pra bem longe. E certamente hoje o meu tio faz ninho no céu.

Rangel Alves -Poeta e cronista

e-mail: rangel_adv1@hotmail.com

blograngel-sertao.blogspot.com
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Voldi Ribeiro e a saga de Delmiro Gouveia

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Angiquinho em fotografia de Risoleta

A primeira vista quem visita o Complexo Histórico da Usina de Angiquinho, não consegue imaginar como tudo aquilo foi erquido, não só pela grandeza da obra, mas e principalmente, pela  época: O começo do século passado. Uma verdadeira loucura, inimaginável para a grande maioria dos brasileiros; disse para a grande maioria... não para Delmiro Gouveia!

Mais uma vez tivemos a oportunidade de visitar Angiquinho, o sonho que virou realidade, nascido da mente prodigiosa e da grande força de trabalho, determinação e disciplina do cearense de Ipu que desbravou as terras da Pedra, transformando em Delmiro Gouveia.



Voldi Ribeiro, representante da CHESF na Comissão de Tombamento de Angiquinho

Durante mais de tres horas tivemos o privilégio de ser ciceroniado pelo confrade Voldi Ribeiro. Nosso anfitrião, com uma verve e um conhecimento que impressiona, nos trouxe a história de vida deste que sem dúvidas nenhuma foi um dos maiores brasileiros do século. A saga do cearense órfão de pai e mãe que saiu do Ipu com menos de 10 anos e se estabeleceu na capital do nordeste á época, Recife, acabou se tornando o Rei do Couro com menos de 30 anos de idade; construiu o primeiro shopping do nordeste, um hotel internacional, empreendeu no ramo da usinagem de açúcar, tecidos, e por fim, energia hidrelétrica. Delmiro marcou época e viria a se tornar uma lenda, até ser assassinato aos 52 anos de idade em um chalé de sua propriedade na localidade da Pedra.

Delmiro Gouveia

Tendo como anfitrião o amigo Voldi Ribeiro e com o apoio de Gilmar Teixeira, o grupo ainda era formado pelos companheiros; Jack de Witte, José Cícero, Júlio Cesar e Juliana Ischiara, Ana Lúcia, o Decano Alcino Alves Costa, Dr. Pedro Luiz e esposa, Paulo Gastão e o amigo Bosco André


Ficamos a imaginar o que se passava pela cabeça daquele grande visionário que era Delmiro Gouveia.

E é com grande satisfação que compartilhamos com os muitos amigos da família Cariri Cangaço que teremos duas Conferências sobre Delmiro Gouveia em nosso Cariri Cangaço 2011; "Delmiro, vida e obra do grande coronel do sertão" com Voldi Ribeiro e "Quem matou Delmiro Gouveia" com Gilmar Teixeira. Agora é só esperar e quando setembro chegar, Cariri Cangaço 2011.

Manoel Severo
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Vem aí o Longa-Metragem Cearense O Círculo da Mãe de Deus

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Quem está ansioso pela espetacular película que será A Sedição de Juazeiro; com as filmagens em estágio final; não perde por esparar  outra grande super produção da FGF, JLS, Laser Video e Vide Cine, o longa metragem ficção "O Círculo da Mãe de Deus" um filme sensacional de Daniel Abreu... 



Só pelo Teaser já sabemos o que nos espera, entretanto tenho um desafio aos muitos amigos da família Cariri Cangaço: Quem poderá me dizer quem é o pequeno ator cearense que aperece vendado em umas das imagens do teaser...?

 Abração aos amigos, Jonas Luis, Daniel Abreu, Aldoanísio e a meu irmão Aderbal Nogueira.

Manoel Severo
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