Faltam 4 Dias !!!

Comissão Organizadora do Cariri Cangaço em Pedro Alexandre

E a festa Cariri Cangaço Poço Redondo já começou. Nunca vi tanta empolgação de Serra Negra a Poço Redondo! Toda hora temos notícias novas de escolas que estão trabalhando temas nas salas de aula relacionados ao Cariri Cangaço ou sobre as obras literárias de Alcino Alves Costa. Palestras, pesquisas, etc. Notícias de caravanas de diversos lugares confirmando a presença no evento. Em Serra Negra, a família Carvalho já está em festa. E já se prepara para receber os visitantes. A Câmara Municipal de Vereadores de Pedro Alexandre será o espaço da grande e tão esperada palestra do professor Orlando Carvalho, a casa do Tenente João Maria de Carvalho e a Praça General Liberato de Carvalho, na Rua Velha.
Em Curralinho, a Igrejinha Nossa da Conceição, a histórica passagem do Conselheiro, o Maranduba e o legado de Alcino Alves Costa. A inauguração dos Marcos Históricos de Canário, Zé de Julião, Zé Joaquim, Brió, Cruzes dos Soldados, dos Volantes no Maranduba e outros. Na cidade de Poço Redondo, a Praça de Eventos será palco dos grupos culturais. O Xaxado na Pisada de Lampião, as sanfonas, a Orquestra dos Vito, as apresentações das escolas, o samba de Côco dos Vito, a feira de livros e os lançamentos de livros. E , no sábado, o grande Cortejo Cultural pelas ruas e avenidas da cidade e a inauguração do Marco Alcino Alves Costa na Avenida.
 
A Estrada Histórica Antônio Conselheiro no Caminho de Curralinho e os Marcos Históricos construidos pela Prefeitura Municipal de Poço Redondo continuarão como marcas deste grande evento e são obras que servem para fortalecer o turismo histórico no nosso Município e região. Dentre os homenageados, a parteira e líder quilombola Dona Zefa da Guia, Dona Guiomar Vito e o grande Mestre das Cavalhadas Dionísio Cruz.Faltam 4 dias apenas para a grande festa. Realmente o Cariri Cangaço é a Festa da Alma Nordestina.Estamos de braços e corações abertos para receber todos e todas no Chão Sagrado de Alcino Alves Costa.

Manoel Belarmino
Comissão Organizadora do Cariri Cangaço Poço Redondo
10 de junho de 2018

Vem ai...

Poço Redondo e o Turismo Por:Junior Chagas


Valorizando nossa cultura e assumindo o compromisso feito, estamos realizando obras e reformas nos pontos turísticos do município. Compromisso esse que não é só com o evento "Cariri Cangaço Poço Redondo 2018", mas sim com a população de Poço Redondo. Essa é só uma prévia do que está por vir. E eu, Dr Júnior Chagas estou mostrando meu compromisso com a Cultura, juntamente com todos os envolvidos nessa causa que por muito tempo foi esquecida. 

Prefeito Junior Chagas e Fernandes Reis visitando os marcos historicos

Temos um município rico na sua história, cultura e turismo, mas infelizmente Poço Redondo esteve no anonimato por muito tempo, tendo suas riquezas exploradas por municípios vizinhos. Sabemos que ainda há muito que se fazer mas os primeiros passos estão sendo dados. Que o CARIRI CANGAÇO seja uma das portas para o desenvolvimento Cultural e Turístico do nosso município.

Junior Chagas
Prefeito Municipal
Poço Redondo, Sergipe
10 de junho de 2018

Poço Redondo a Capital do Cangaço Por:José Bezerra Lima Irmão



A primeira localidade sergipana visitada por Lampião foi Carira, a 1º de março de 1929. No mês seguinte, Lampião voltou a Sergipe, numa incursão rápida por Canindé, Poço Redondo, Monte Alegre, Boca da Mata (Glória), Saco do Ribeiro (Ribeirópolis), Alagadiço e Pinhão.A passagem por Poço Redondo foi no dia 19 de abril. O povoado estava em festa – encontrava-se ali o vigário de Porto da Folha, para celebrar missa, fazer casamentos e batizar meninos.Os cangaceiros chegaram pela manhã. Lampião foi direto à bodega de Teotônio Alves, conhecido como seu China, dono da fazenda Recurso, homem importante do lugar: o padre estava hospedado em sua casa...
O padre Artur Passos acordou com o reboliço. Vigário sertanejo, homem de cabelo nas ventas, acostumado a lidar com os jagunços do coronel Zé Rodrigues e dos Brito, o padre impôs condições: os cangaceiros podiam até assistir à missa, desde que sem as armas. Lampião fez de conta que concordou:
– Nun se avexe não, seu vigaro, tou aqui de passage, sou de pais, tudo o qui eu quero é sussego. O povo daqui nun tem pur que tê medo deu. O meu poblema é cum os macaco.
 Logo mais estavam os dois sentados à mesa na casa de seu China para a primeira refeição do dia – o Padre Artur, Ministro de Deus, numa cabeceira, e o Capitão Virgulino, Rei do Cangaço, na outra cabeceira. Dona Marieta serviu aos distintos hóspedes o que tinha de fartura: cuscuz com leite, macaxeira e carne de bode assada.
Oleone Fontes, Abreu Mendes, Manoel Severo e José Bezerra Lima Irmão
Num instante, todo mundo sabia da notícia: Lampião estava no Poço! Era amigo de seu China e do padre Artur! E ia assistir à missa! Quem pensou em se esconder mudou de ideia ao ver o padre Artur sair da casa de China são e salvo, e atrás dele os cangaceiros, descontraídos, afáveis, palitando os dentes. Começou a chegar gente das redondezas para a missa. Gente a pé, a cavalo, em carros de bois. Ao ouvirem a novidade, a reação de todos era a mesma: assombro, medo, curiosidade. Aos poucos, o povo foi se aproximando, olhando o movimento na casa de seu China. Na bodega, alguns moradores já estavam bebendo cachaça com os cangaceiros. Uns meninos passaram na frente da bodega e Lampião jogou moedas para eles. Quando os moleques chegaram em casa com aquele dinheiro todo, cessaram de vez os receios. “Eta home danado de bom é Lampião” – diziam.
Na hora da missa, a igrejinha estava lotada. Mesmo assim, quando Lampião chegou com seus homens, as pessoas deram um jeito, se espremeram, coube todo mundo. Lá fora ficou apenas um cabra, de vigia. Durante a celebração, ninguém prestou atenção ao padre. Mesmo os que estavam na frente davam sempre um jeito de se virar de vez em quando, a pretexto de qualquer coisa, para dar uma espiada nos cangaceiros. Lampião sabia rezar, ajoelhava-se nas horas certas, ficava de pé nos momentos adequados, respondia até aos “Dominus vobiscum”.Depois da missa, os cabras dirigiram-se à casa de China, e o povo, já familiarizado com eles, foi atrás, formando-se um ajuntamento em frente à bodega. China não conseguia dar conta do movimento. Gente que nunca comprou nada em sua venda, de repente virou freguês.Lampião pensou até em arranjar um sanfoneiro e fazer uma dança. Mas o padre Artur não concordou:
– Capitão, os seus cabras estão bebendo. Eu sou responsável por essas famílias. Deixei que o senhor assistisse à minha missa. Agora é o senhor que tem de aceitar o meu pedido. Precisam ir embora.
 – Pade Artu, o qui eu prometo eu cumpro – disse Lampião, e alteou a voz: – Mininos, venham se dispidi e pidi a bença ao pade!
Lampião apresentou seus cabras ao padre, um por um. Deixou por último um rapazinho. Explicou:
– Dexei este aqui pro fim de proposto. É o premero cabra de Segipe a me acumpanhá. Nóis chama ele de Vorta Seca.
O padre Artur ficou chocado com o que via. O cangaceiro sergipano não passava de um menino, um mulatinho de olhos vivos e jeito brincalhão que nem fios de barba tinha ainda. O vigário perguntou a idade dele.
– Onze ano – respondeu o garoto.
– Deus misericordioso!... – balbuciou o velho padre, condoído com tão terrível desgraça. – Uma criança...
– Criança!? – contrapôs Virgulino. – Nun se ingane não, pade Artu. Esse muleque, com essa carinha de besta, tem corage de fazê coisa qui até o diabo duvida! Nasceu pra sê cangacero!
Logo mais, feitas as despedidas, Lampião soprou o apito, chamando os cabras para a partida. Aumentou o alvoroço. As pessoas esticavam-se na ponta dos pés para ver mais uma vez o Capitão Virgulino, que estava indo embora. As moças apinhavam-se nas portas e janelas. Dizia-se que Volta Seca tinha dado um de seus muitos anéis a Mocinha de Dedé, e ela agora mostrava o presente às amigas, que morriam de inveja.Ao montar no cavalo, Lampião falou alto, todo respeitoso:
– Pade Artu, vou simbora. Adiscurpe os mau jeito. Seu China, tou veno que o sinhô é um cabra macho. Cum certeza vou vortá outas veis aqui. Até mais vê!
O Rei do Cangaço, imponente em sua montaria, acenou para o povo de Poço Redondo. Os cangaceiros esporearam os cavalos, fazendo cabriolas, mostrando destreza, e dispararam a galope pela estrada que ia para a Serra Negra. O povo ficou olhando o bando se afastar levantando uma nuvem de poeira. Todos estavam maravilhados com os modos gentis do Capitão cangaceiro. A partir dali, os mais velhos teriam muito que contar, muito assunto para os encontros com os amigos. E os mais novos teriam razões para sonhar de olhos abertos, imaginando novas perspectivas em suas vidas. Devia ser maravilhoso viver como cangaceiro, ficar famoso, ter dinheiro, ter mulheres, ser temido e adulado aonde chegasse, podendo fazer o que quisesse na vida, como Volta Seca, que aos onze anos de idade já era homem!...Em vez de ir para a Serra Negra, como dera a entender ao sair de Poço Redondo, logo adiante o astuto cangaceiro mudou de rumo, pegando a estrada de Monte Alegre.
* * *
 Alcino Alves Costa

Convém tecer algumas considerações acerca das circunstâncias que levaram Poço Redondo a ser intitulada como “A Capital do Cangaço”.
Cangaceiro era então a profissão da moda.
Lampião nunca teve problemas com os habitantes das caatingas de Poço Redondo. Quando ele dividiu o território de suas operações entre os cabras de maior confiança, Zé Sereno, Mané Moreno, Mariano e Juriti escolheram como companheiras garotas filhas de Poço Redondo e adjacências. A presença desses bandos na região exerceu influência decisiva na rapaziada do Poço, pois é próprio dos jovens gostar de aventuras, e o cangaço era ali a aventura suprema. Se no passado os principais celeiros de cangaceiros de Lampião foram Vila Bela, Triunfo e Flores, nos sertões de Pernambuco, em sua nova fase essa triste fama recaiu sobre Chorrochó, Feira do Pau, Várzea da Ema, Salgado do Melão, Juá e Bebedouro, na Bahia, e Poço Redondo, em Sergipe.
O caso de Poço Redondo é especialmente assombroso. No auge da era cangaceira, praticamente todos os moradores da região se envolveram de alguma forma com algum dos bandos que viviam na área, se não como cangaceiros, pelo menos como coiteiros. Quem entrava no cangaço convidava depois os irmãos, os primos, os amigos. O pequeno povoado sergipano forneceu para o bando de Lampião mais de 30 cangaceiros, inclusive um filho de Julião do Nascimento, o homem mais rico do lugar – Zé de Julião (José Francisco do Nascimento) tornou-se o cangaceiro Cajazeira. Poço Redondo passou à história como a Capital do Cangaço.
Conforme assinala Alcino Costa – o Vaqueiro da História –, incansável pesquisador da saga cangaceira naquelas paragens, a chegada dos bandoleiros e depois das volantes mudou por completo os costumes dos moradores do Poço. “A moda no sertão era ser cangaceiro. O rapazinho já não desejava ser um bom vaqueiro; o que ele queria ser era um dos grandes e falados bandidos. O cangaço e Lampião estão no mais alto pico da glória e da fama.” E aduz noutra passagem: “A rapaziada daquele sertão sonhava embevecida e maravilhada com aquelas belíssimas vestimentas, os tricolores lenços ou jabiracas garbosamente enlaçadas ao pescoço, os brilhantes anéis e alianças, as famosas bandoleiras e cartucheiras com seus lindos bordados e recheadas de balas, os temidos e reluzentes punhais, o tradicional e bem cuidado bornal, o inseparável e amado chapéu de couro com suas grandes abas voltadas para o infinito, maior símbolo do homem sertanejo e do banditismo.”

Esse depoimento afina-se com o que escreveu o arguto brasilianista Billy Jaynes Chandler: em lugares como Bebedouro e Poço Redondo, por volta de 1920 e 1930, para os filhos de moradores e pequenos fazendeiros, entrar para o cangaço era um fato quase tão natural e cheio de atrativos como era para os filhos das elites de Recife e Salvador entrar para a faculdade de direito ou de medicina. Muitos jovens escolhiam o cangaço fascinados pela sugestão de força e poder que os cangaceiros transmitiam com suas armas, símbolos e roupas espalhafatosas.
O eterno problema das secas tornava infrutífero o trabalho nas roças e penoso o criatório de vacas, cabras e ovelhas. Ser vaqueiro significava ser escravo dos coronéis e fazendeiros. Muitas pessoas viviam unicamente da caça, como seus ancestrais caboclos. A profissão mais atraente era a de cangaceiro, que vivia sem trabalhar, gozando da mais ampla liberdade e respeito – cangaceiro era respeitado até pelas autoridades! Naquele clima de valentia, diz Alcino Costa, “os jovens de quase todas as famílias viviam encantados, maravilhados com os grandiosos feitos da malta e, embevecidos, sonhavam em pertencer àquele grupo de valentes e afamados cangaceiros”. Diz ele, noutro trecho: “Dava pena e era comum naqueles tempos, ver pobres meninos, ainda na puberdade, no desabrochar da vida, irem aos bandos, sem motivos que justificassem tão temerária e louca decisão, para a companhia de Lampião e sua malta”. E completa noutra parte: “Inocentes rapazes que jamais pensaram em ser fugitivos da lei e nem sequer haviam manobrado arma alguma, além de sua inseparável espingarda de caça”.
Em Poço Redondo, formou-se uma nova categoria de coiteiro. Como em cada família havia um ou vários cangaceiros, é impróprio tachar pejorativamente aquela imensa parentela de “coiteiros”. Como diz Alcino Costa, os moradores do Poço não escondiam nem protegiam bandidos, mas sim entes que lhes eram caros, filhos de seu próprio sangue.
Por José Bezerra Lima Irmão
Homenagem a Alcino Alves Costa, “O Caipira de Poço Redondo”,
Vaqueiro da História, personagem mais ilustre da Capital do Cangaço
Em 11 de junho de 2018

Vem aí...

Cariri, Cangaço, Identidade ! Por:Damião Rodrigues



Nos últimos dias movido pela grande expectativa da chegada do Cariri Cangaço em Poço Redondo, de forma mais intensa assistir vários vídeos sobre a história do cangaço bem como li livros, artigos entre outros registros sobre esse grandioso fenômeno que por anos desbravou nas caatingas do sertão, entre outras descobertas e curiosidades despertadas me deixou mais convicto ainda o quanto o cangaço foi e é importante para história do nosso povo.

Não se trata em si no discurso aprofundado se Lampião era bandido ou herói, mais sim pela importância e contribuição que o cangaço nos deu para compreender um sertão dos coronéis, um sertão do banditismo, do messianismo e misticismo e o quanto esses elementos foram importantes para construção da nossa identidade Cultural, além de uma grandiosa demonstração de resistência de Lampião e seu bando mergulhados nos imensos desafios de sobreviver na caatinga seguiam desafiando as forças políticas do estado.

Damião Rodrigues

O cangaço sem nenhuma sombra de duvida além de fazer parte da história de Poço Redondo contribuiu imensamente para a formação de nossa identidade cultural que hoje temos. O Cariri Cangaço que hoje é uma realidade ha muito tempo já podia ter acontecido nas nossas terras, pois não se trata apenas da figura de Lampião e os divisores de águas que os envolvem mas sim por se tratar de tantos outros personagens do chão de Poço Redondo que foram protagonistas nessa pagina da história mundial como exemplo de Sila, Zé de Julião, Adília entre outros, além de compreendermos outras passagens históricas nessas terras, que não foi e é apenas terra de cangaceiros mais também terras de conselheiro e terras de tantas figuras sertanejas que vão desde as ribeiras do São Francisco até os limites caatingueiros desse chão, por isso o Cariri Cangaço veio pra ficar.

Damião Rodrigues Souza, Poço Redondo
07 de Junho de 2018

Realização de Sonhos Tendo o Sertão por Testemunha Por:Manoel Severo

Não me canso de afirmar: O Cariri Cangaço é uma imensa e extraordinária construção coletiva, isso desde sempre e para sempre... Agora novamente mais um desafio encantador, oficialmente tendo o querido estado de Sergipe como sede de nosso empreendimento, chegamos neste 2018 de fato e de direito ao solo da enigmática e poderosa Poço Redondo; grande e precioso território do sertão de Sergipe que guarda em seu íntimo e no coração de suas famílias um dos recortes mais importantes de toda a história do cangaço.

Não foi a toa que nosso Conselho Consultivo a partir de 2013 recebeu a honrosa denominação de Conselho Alcino Alves Costa do Cariri Cangaço; assim o Caipira de Poço Redondo; um dos maiores e mais importantes pesquisadores da temática cangaço, com uma lucidez desconcertante, um incorrigível apaixonado pelo cangaço, pelas coisas do sertão e por sua Poço Redondo marcaria para sempre a história de nosso Cariri Cangaço.

As emoções de Alcino Alves Costa e o Cariri Cangaço

Tudo começou ainda nos idos dos anos 2009,2010,2011, quando Alcino; um entusiasta do Cariri Cangaço; nos provocava pela descentralização de nossas ações, partindo do meu Ceará para todo o nordeste e até chegar em sua querida Poço Redondo. De lá até aqui se vão sete anos oito anos, empreendemos por outros sertões, vieram os estados da Paraíba, Alagoas e Pernambuco, e com eles mais dez municípios; chegar a Poço Redondo seria uma questão de tempo... Alcino já não está conosco, partiu para velar pelo nosso sertão lá do céu... 

É bem verdade que nas fantásticas edições de nossos Cariri Cangaço Piranhas, tivemos a grata satisfação de aportar na terra de nosso Caipira e de forma solene abraçar e render homenagens à sua memória...Entretanto o compromisso ainda carecia de ser mais verdadeiramente cumprido.

Hoje, sete de junho de 2018, apenas sete dias nos separam de cumprirmos esse compromisso; quase espiritual, aliás também espiritual; um compromisso não só com Alcino, não só com Poço Redondo e seu amado povo, mas e principalmente com a história do cangaço. O Cariri Cangaço Poço Redondo particularmente para mim sela e consolida nosso sentimento e atitude de percorrer os mais importantes cenários desta saga das caatingas inciada há nove anos atras, que tem em Poço Redondo um de seus expoentes. Vamos sim recontar muitas histórias , vamos sim celebrar nossa memória, vamos sim "celebrar o chão sagrado de Alcino"... Sejam bem vindos agora e sempre.

As emoções de Alcino Alves Costa e o Cariri Cangaço

"Minha paixão pela temática cangaço surgiu ainda quando menino; de uns 10 a 12 anos...As andanças pelas caatingas famosas de nosso sertão já contam 16 anos...O encontro com um dos grandes Mestres:13 anos ! Em 2005 estive pela primeira vez em Poço Redondo e ali para minha grande honra conheci e passei a amar profundamente Alcino Alves Costa. Estamos chegando Caipira de Poço Redondo, chegando para celebrar seu sonho, sua vida, sua paixão... 
Que venha o Cariri Cangaço Poço Redondo" 

Manoel Severo, curador do Cariri Cangaço
Diretor da SBEC e do GEEC
07 de junho de 2018, Fortaleza, Ceará

Robério Santos em Poço Redondo !Por Manoel Belarmino

Rai, Robério Santos e Rose Souza

Na manhã de hoje, o escritor e pesquisador Robério Santos esteve visitando Poço Redondo e uma de suas paradas foi o Memorial Alcino Alves Costa. Segundo ele, em Poço Redondo, além da visita ao Memorial, estará visitando também a região da antiga Fazenda Pau Preto de propriedade do coronel Antônio Cacheiro na época 
do Cangaço no riacho do Cartavo.


Robério Santos no caminho da Fazenda Paus Pretos, em Poço Redondo.

Robério Santos estará também no 
Cariri Cangaço Poço Redondo 
no período de 14 a 17 de junho, 
com a apresentação de :

A Revolução Praieira chega ao Sertão !!!

LEONARDO FERRAZ GOMINHO, pesquisador e escritor de Floresta (PE), autor de importantes obras como “Floresta: uma terra, um povo”, “Cheiro de Chuva: Crônicas de uma Terra” e “A Rebelião da Serra Negra - a Praieira do Sertão”, agora nos dá a honra de ter escolhido o Cariri Cangaço Poço Redondo para o lançamento do seu novo livro: “A Revolução Praieira no Sertão”, obra imperdível ao universo da história e da pesquisa. Entonce cabra, esperando o que? Venha pra cá! Todos estão convidados ao grandioso evento nas terras sertanejas de Poço Redondo, todos juntos Celebrando o Chão Sagrado de Alcino. Então, cangaceiros, volantes e atrevidos, esperando o que? AVANTE!

Rangel Alves da Costa
Pesquisador e Escritor , Poço Redondo
Conselheiro Cariri Cangaço

Vem aí...

A Cavalhada de Poço Redondo Por:Manoel Belarmino


pppp
Estive na noite de hoje, 04 de junho, na residência de um dos grandes mestres da Cavalhada de Poço Redondo. Seu Tita mora ali quase pertinho da Praça de Eventos, onde morava outro grande Mestre da Cavalhada, o saudoso Dionísio Cruz.
A Cavalhada de Poço Redondo é um dos mais bonitos autos já visto no Brasil que na forma de encenação reconta uma batalha entre os mouros e os cristãos. Na tradição, não se permite que os mouros vençam, Mas na versão nordestina vence quem tirar mais argolinhas. Os enfeites na sua originalidade, o azul e o encarnado, a melodia, tipicamente nordestina, ao som dos pífanos e dos zabumbas, torna a Cavalhada de Poço Redondo a mais linda do mundo.
Tudo é feito em Poço Redondo pelas mãos dos homens e mulheres do lugar. Os enfeites, as ornamentações e até os pífanos.
O DVD produzido pelo Quinteto Violado em Poço Redondo exibe o que há de mais belo, encantador e bonito no mundo: Os Vito e a Cavalhada de Poço Redondo. Viva os mestres de Cavalhada de Poço Redondo.
Na tarde do dia 16, na Programação do Cariri Cangaço Poço Redondo, a Cavalhada estará no grande cortejo na Av. Alcino Alves Costa. Será uma tarde da cultura popular, de encantamento!
Obrigado, seu Tita! Lembranças do saudoso mestre Dionísio Cruz.
Manoel Belarmino
Pesquisador e Escritor
Comissão Organizadora do Cariri Cangaço Poço Redondo

Cariri Cangaço Poço Redondo Tá em Riba !!! Por Rangel Alves da Costa

Rangel Alves da Costa

Tanto avexame que num sei não, viu! Um trabaio da molesta, um vem pra cá e vai pra lá que deixa o cristão doidim, mai tudo agora na paz de Deus. Adespois da ferroada o mé, cuma já dizia cumpade Virgulino. Aina farta arguma coisa, é verdade, mai nada que faça cumê o juízo. Tudo foi cosido, costurado, arremendado e alivanhado dum jeito, que agora mai parece um nó que num desatravanca mais. Tudim em riba, graça a Deus, Ou, cuma dizia Zabelê, só farta botá na mesa.

E espaiá. Botá na mesa e espaiá pra riba e pra baixo desse Poço Redondo a festança maior do mundo. Coisa boa, cumpade. Nunca se viu nada iguá nas quadrança. Gente de num acabar mais. Do Ceará a Paraíba, do Rio Grande do Norte a Pernambuco, das Alagoas a Bahia, do Maranhão ao Piauí, tudim de gente que vem praqui.

Quem se alembrar dos preá por todo lugar, saino dos mato e invadino a cidade, saino das loca e pegano caminho, bem assim vai ser o meio mundo de gente tomano Poço Redondo intero. Tem um tar de Mané Severo que dixe chegar trazeno mai que o bando de Lampião, só junto dele, afora os outo que pra cá vai se bandear.


Verdade ou não, meu cumpade Belarmino, mai vi dizer que vai ser mai gente em quatro dia que no resto todim do ano. Gente das leitura, das escrita, das sabedoria e dos ané. Mai tomem gente simple cuma a gente mermo, que vem só pelo gosto de conhecer o que esse sertão tem pra mostrar. E cuma tem cumpade, e cuma tem!

Lá nos asfarto num tem Maranduba não, munto meno tanta histora cuma tem a Estrada do Curralim. Quem do lá longe tem um pessoa que nem Arcino? Eita cabra sabido era Arcino. Um homi quase sem estudo mai que ensinou o sertão ao mundo todim. Histora do cangaço, das botija, das coisa veia, tudim ele tanto contava cuma escrevia. E sem falar no chorado da viola caipira que ele tanto gostava. Arcino, Arcino, quanta farta vosmicê faz a esse sertão Arcino!

Faiz bem o povo todo chegar aqui e pisar no chão que sua havaiana pisou e sentir de perto o que vosmicê tanto amou como um fio. Faiz munto bem esse povão todim beber da cacimba da gente e adespois querer vortá pra matar mais a sede. Faiz munto bem esse povo todim cunhecê cuma nóis é e o que nóis tem pá adespois saber contar direito a nossa histora. 


Cuma diz o cumpade Volta Grande, cabra aina hoje metido a cangacero e que diz trazer no sangue um bando intero, nada mió do que avistar, merma sem vê, aina a cangacerama, Lampião de valentia sem iguar e aquele povo cherando a suor e prefume. Muntos deles daqui mermo, daqui do Poço Redondo. Quem num se lembra de Adília, de Sila, de Cajazeira, de Enedina, de Zabelê e tantos outo?

Povo que tomem vem sentir o sol do sertão. Pru todo lugar o clarão dum mundo de tanta luta e tanto e sofrimento, mai tomem de valentia sem iguar pra vencer os tempo ruim. E adespois aina sorrí orguioso de ser sertanejo. Eu tomem sô, e munto. Nada iguar a essa terra que chameja no coração o fogo bom do renascimento. 

Entonce é só espera. E é já já. A festança já tá em riba e aqui só quero arrecordá um escrito que um fio de Arcino escreveu, que ouvi dos outo e munto gostei. Mai mudei um tiquim e nos meu veuso ficou ansim:
“Meu sertão está em festa, só diz que é ruim quem num presta, apois vai ter Cariri Cangaço que na histora tem seu laço, que traiz home de valor, estudioso e dotô, pra conhecer o sertão que Arcino tinha no coração. Vai ter palestra da boa, vai ter cantoria e loa, vai ter pife e xaxado, vai ter munto lugar visitado. Abra logo a cancela, a porta e a janela, chame o povo pá entrar cuma se fosse do lugar. E pode gritar e dizer que o que vai acontecer ninguém vai mai esquecer”.

Rangel Alves da Costa, Escritor e Pesquisador
Conselheiro Cariri Cangaço
Poço Redondo, 05 de junho de 2018

Nos Sete Umbuzeiros do Maranduba Por:Manoel Belarmino

Marco do Cariri Cangaço na Maranduba a ser inaugurado em 15 de junho
Neste momento, estou novamente no Maranduba. Eu nasci aqui perto de onde eu estou, na Fazenda Sítio, vizinha ao Maranduba. O Sítio e o Maranduba no tempo de Lampião pertenciam aos Soares, meus antepassados. Os Soares são descendentes do povo do território de Maria do Rosário. Cada vez que venho ao Maranduba descubro um segredo ou algo que ainda não foi dito. Vou guardando um a um. É de ficar arrepiado. Mas não vou revelar agora.
Vejo que ainda há uma pequena mancha de caatinga original ali. E vejo também os sete pés de umbuzeiros um próximo do outro, ali onde se deu o famoso Fogo do Maranduba e ali exatamente onde, até recentemente, foram encontradas balas e cápsulas de balas. E também ali, não muito longe da Cruz do local onde foram enterrados os volantes e cangaceiros, estão as pias, cavidades nas rochas, ainda armazenando quase 500 litros de água captada das chuvas.

 Manoel Belarmino e o marco a ser inaugurado no 
Cariri Cangaço Poço Redondo na Maranduba

Neste momento, a Prefeitura de Poço Redondo está instalando os Marcos do Fogo do Maranduba e do tanque onde foram enterrados os oitos volantes e os dois cangaceiros mortos no combate entre volantes e os cabras de Lampião nas terras de Maria do Rosário.
Tudo já ficando pronto para o Cariri Cangaço Poço Redondo 2018, de 14 a 17 de junho.
Manoel Belarmino
Pesquisador e Escritor
Comissão Organizadora do Cariri Cangaço Poço Redondo
05 de Junho de 2018

Lampião, o Cangaço e outros fatos do Agreste Pernambucano


Com poucos mais de 40 anos de idade, Júnior Almeida lançou seu primeiro livro, “A Volta do Rei do Cangaço”, uma ficção com um toque de Quentin Tarantino, pois mostra Virgulino vivo nos tempos atuais, como vítima de uma espécie de maldição que o torna imortal e não o deixa envelhecer.

“Tarantino mudou a história matando Hitler num atentado, por que não posso ressuscitar Lampião? ”, explicou Júnior, ao comentar o romance, que teve boa acolhida na região e em outras partes do país, principalmente pelos intelectuais apaixonados pelo inesgotável tema do cangaço. Agora, o escritor volta ao tema, mas desta vez deixa de lado a ficção e nos apresenta um trabalho de uma minuciosa pesquisa de campo, livros, jornais antigos e documentários, mostrando como o cangaço esteve presente em algumas cidades do Agreste Meridional, na primeira metade do Século XX.

O livro registra as ligações de coiteiros, volantes e cangaceiros com o Agreste Meridional, nas cidades de Águas Belas, Garanhuns, Angelim, Capoeiras, São Bento do Una, Caetés, Canhotinho e Paranatama, e a passagem de Lampião e outros bandoleiros por algumas delas. Na sua pesquisa, Júnior descobriu fatos relacionados com os “fora da lei do Sertão”, nunca antes revelados e o que são agora, neste livro que representa uma contribuição para a História do Cangaço, do Agreste, de Pernambuco e do Brasil.

Um dos personagens que chama a atenção, no trabalho, é José Caetano, um dos maiores nomes no combate ao cangaço, militar que lutou contra as forças de Antônio Silvino, Sinhô Pereira e Lampião. O destemido volante morou em várias cidades de Pernambuco e terminou a vida em Angelim, a pouco mais de 20 km de Garanhuns, onde está sepultado. Dona Branca, de Paranatama, que viveu até os 103 anos de idade, foi entrevistada mais de uma vez pelo autor do livro e passou informações bem interessantes da passagem de Lampião por Paranatama, alguns anos antes do bandido ser assassinado pelas forças volantes, em 1938.

Capitão Virgulino Ferreira passou uma das maiores humilhações de sua vida no ataque a Paranatama, que à época se chamava Serrinha: sua companheira, Maria Bonita, levou um tiro na bunda e os cangaceiros tiveram de fugir pressas, levando a mulher nos braços. Lampião saiu cheio de ódio a Serrinha e prometeu voltar um dia para incendiar a vila e matar todo mundo que morava no lugar. Tudo isso e muito mais, num estilo seco, objetivo, você vai encontrar em “Lampião, o Cangaço e Outros Fatos no Agreste Pernambucano”. Vale a pena a leitura pelas informações inéditas, por esse novo olhar no fenômeno do cangaço e pela identificação do autor com a realidade de uma parte do Agreste de Pernambuco.

Júnior se interessou por História e está fazendo História, com seus livros que falam de bandoleiros conhecidos, que retratam a luta das forças do governo contra os pistoleiros da primeira metade do século passado, com violências praticadas pelos dois lados e o povo pobre sofrendo, vítima dos cangaceiros, dos coronéis do Agreste e Sertão, do próprio Governo, que ontem, como hoje, tende a servir aos poderosos.

Roberto Almeida

"Lampião, o Cangaço e outros fatos do Agreste Pernambucano" será lançado dentro da Programação do 
Cariri Cangaço Poço Redondo 2018 !

Viva a Cultura e o Rico Artesanato de Poço Redondo

Que o Cariri Cangaço já começou em Poço Redondo, isso é verdade. A cidade já está mobilizada. É só ver na foto abaixo Lampião e Maria Bonita na arte do crochê da Professora Dilma Feitosa.

Várias bordadeiras ocupam o dia costurando e bordando em ponto de cruz os aiós, artesãos em madeira fazendo canetas e pentes, livros e folhetos de cordel sendo escritos, os grupos de xaxado já ensaiam as danças, ateliês de costuras e bordados costurando e bordando vestimentas, a cavalhada, as sanfonas afinadas, os pifanos e zabumbas dos Vito e as escolas mobilizadas e desenvolvendo a temática com os estudantes, etc. Os temas história de Poco Redondo, Cangaço e cultura nordestina nunca foram tão procurados como agora. E a grande surpresa que eu e Rose tivemos na noite de hoje: Recebemos da professora Dilma Feitosa Lampião e Maria Bonita feitos para presentear o curador do Cariri Cangaço Manoel Severo. O Cariri Cangaço, "celebrando o chão sagrado de Alcino", já está nas escolas, nos ateliês e na alma do povo poço-redondense.Parabéns professora Dilma Feitosa!

Mestre Tonho aguarda o Cariri Cangaço


Na manhã de hoje, 31 de maio, estive novamente no ateliê do Mestre Tonho, localizado ali na Praça Antônio Conselheiro, no centro de Poço Redondo. Vi ali, como todas as vezes que visito o Mestre, as suas magníficas esculturas feitas em madeira de umburana. O artesão Mestre Tonho exibe traços da nossa cultura nos objetos em madeira de Umburana que produz diariamente em seu simples ateliê, algumas vezes de forma consciente ou outras vezes inconscientemente. Muitas de suas tradições, como crenças e símbolos mágicos, estão marcadas em suas peças. E é no seu ateliê que o Mestre Tonho produz e vende suas peças. Um artesanato todo feito em madeira de umburana, onde estão evidenciadas suas crenças, hábitos e tradições. Já são quase 30 anos que o Mestre Tonho produz suas esculturas. O Mestre Tonho é um ícone da cultura popular de Poço Redondo. E já está contando os dias para participar do Cariri Cangaço Poço Redondo 2018, no período de 14 a 17 de junho.

Manoel Belarmino
Comissão Organizadora
Cariri Cangaço Poço Redondo