João Dantas e Campina Grande Celebram o Cangaço


A bela Campina Grande recebeu neste ultimo final de semana; entre os dias 22 a 24 de novembro de 2019; o Cangaço Campina, reunindo destacados pesquisadores e familiares de alguns dos principais personagens da saga cangaceira destes lados do Brasil. O evento sob o comando do amigo João Dantas é uma promoção da Vila Sítio São João em parceria com o Portal Celino Neto. 
Com uma programação dinâmica de palestras e debates, reuniu também personalidades do universo do cangaço como; a jornalista Vera Ferreira, neta de Lampião, Paulo Brito, filho do Coronel João Bezerra; além de Eliza Dantas, filha do cangaceiro Candeeiro. A Vila Sítio São João cujo cenário remontou uma das típicas vilas do interior nordestino da época do cangaço reservou ainda apresentações artísticas e culturais, exibição de documentários e lançamento de livros.
Onde tem Cangaço, tem Cariri Cangaço...

Promotor do evento, João Dantas ao lado de Célia Maria e 
dos Conselheiros Cariri Cangaço, Ivanildo Silveira e Kydelmir Dantas

Durante todo o evento a força da temática cangaço se manisfestou a partir do talento das artes e culturas do sertão. Da noite de abertura até o domingo do encerramento, o sertão paraibano mostrou mais uma vez para o Brasil a força de uma nação chamada Sertão.
Onde tem cangaço, tem Cariri Cangaço! A programação constou de palestras e mesas de debates com a participação de pesquisadores e escritores de todo o nordeste, com destaque para os Conselheiros Cariri Cangaço: Conselheiro Ivanildo Silveira e a palestra "Angico - Morte de Lampião-Uma abordagem Crítica" ; Conselheiro João de Sousa Lima com a palestra "As mulheres e o Cangaço" e Conselheiro Wescley Rodrigues com a palestra "A construção da imagem pública de Lampião na imprensa entre 1922 a 1940".
Ane Ranzon, Conselheiro Ivanildo Silveira, João Dantas, 
Conselheiro João de Sousa Lima e Paulo Britto.
Jair Tavares e Bismarck Oliveira

Além dos Conselheiros Cariri Cangaço, conferencistas; Ivanildo Silveira, João de Sousa Lima e Wescley Rodrigues; o Conselho Alcino Alves Costa do Cariri Cangaço ainda esteve representado pelos Conselheiros Luiz Ruben Bonfim, Kydelmir Dantas, Narciso Dias, Professor Pereira e Quirino Silva; além dos conferencistas Aderbal Nogueira e Bismarck Maia, com as palestras: "Angico 80 Anos Depois" e "O Cangaço na Paraíba".
 Célia Maria, Conselheiro Narciso Dias, Conselheiro Ivanildo Silveira, 
Conselheiro Quirino Silva e Jair Tavares.

Severo homenageado no Cangaço Campina...

Domingo tivemos o encerramento do Cangaço Campina e mais uma vez a comunidade que estuda e pesquisa a temática teve a oportunidade de celebrar os avanços na direção de perpetuar essa história com zelo e responsabilidade. Na solenidade de encerramento, o Cangaço Campina através de seu promotor, homenageou a várias personalidades do universo da pesquisa do cangaço, dentre eles foi homenageado o Curador do Cariri Cangaço, Manoel Severo Barbosa, representado na ocasião pelo documentarista Aderbal Nogueira. 
 Aderbal Nogueira recebe das mãos de João Dantas, 
homenagem do Cangaço Campina a Manoel Severo
João Dantas e as palavras de Aderbal Nogueira, representando Manoel Severo.

"A ausência de Manoel Severo foi sentida, mas seu nome foi bastante lembrado. Aderbal Nogueira foi o portador desta singela homenagem.Manoel Severo é uma personalidade imprescindível em qualquer fórum onde esteja presente a cultura nordestina.Um abraço de todos que fizeram o Cangaço Campina" João Dantas, sobre a homenagem a Manoel Severo Barbosa no Cangaço Campina."
João Dantas

"O Seminário "Cangaço Campina Grande 2019 - História e Cultura Nordestina" foi um magno evento promovido por UEPB capitaneada pelo Professor João Dantas: Um encontro surreal com os deuses e deusas da genuína cultura nordestina" ressalta o pesquisador cearense, radicado em João Pessoa, Jair Tavares. 
 Bismarck Oliveira e Conselheiro Luiz Ruben Bonfim
Célia Maria, Rúbia Lóssio e Quirino Silva
Anfitrião João Dantas e o grande Cangaço Campina

Cangaço Campina 2019
Campina Grande , Paraíba
22 a 25 de Novembro de 2019

O Coronelismo e o Cangaço Por Honório de Medeiros

Honório de Medeiros, Bárbara e Manoel Severo
O coronelismo e o cangaço, tão característicos de certo período histórico do Sertão nordestino brasileiro, mais precisamente de meados do século XIX a meados do século XX, são manifestações do Poder, de como ele é obtido, mantido e até mesmo combatido, em intrincada trama, ao longo do processo histórico.
A forma como o Poder é instaurado diz respeito a fatores circunstanciais, tais quais o avanço tecnológico ou cataclismos ambientais, mas a essência, qual seja a presença da imposição da vontade de alguns sobre outros, permanece a mesma desde que o Homem surgiu na face da terra.
As narrativas acerca do coronelismo e cangaço devem ser analisadas levando-se em consideração o fator de "ocultamento" próprio da atuação dos que detêm o Poder. Nesse sentido, escrever, dizer, omitir, acrescer, manipular, enfim, tudo isso e mais, cumprem o papel de narrar como os fatos ocorreram a partir da perspectiva de quem pode impor sua percepção das coisas e dos fenômenos, em detrimento da verdade.
Bando de Lampião em Limoeiro do Norte, CE em 1927
Sempre tratamos o coronelismo e o cangaço pelo “como” os fatos aconteceram, até mesmo de forma folclórica, no sentido negativo do termo, mas precisamos nos indagar acerca de suas causas e intenções e suas relações com o Poder. Quem critica o estudo do Cangaço, mesmo de forma oblíqua, tratando-o como algo menor dentre os epifenômenos da cultura sertaneja, hostiliza a História e não entende o que é o Poder.
Não houve manifestações violentas do Coronelismo no Sertão nordestino sem um entrelaçamento com o banditismo rural; não houve Cangaço sem Coronelismo. Acrescentemos a esses ingredientes o fanatismo messiânico e teremos um ponto-de-partida concreto e verossímil para a real história da época dos coronéis e cangaceiros. O ponto-de-partida é o cangaceiro, começando com Jesuíno Brilhante, o primeiro dos grandes, a história dos coronéis do Cariri cearense, e a vida do mítico Padre Cícero do Juazeiro.
No Rio Grande do Norte é difusa, porém persistente, a concepção de que seus coronéis eram homens afastados da violência, bem como é persistente a concepção de que o cangaço, excetuando a invasão de Apodi, por Massilon, e Mossoró por Lampião, tratados como “pontos fora da curva”, pouca relevância teve em nosso Estado.
Arte de Eduardo Lima
São "esquecidas" as relações dos coronéis com José Brilhante, o “Cabé”; a do Coronel João Dantas com Jesuíno Brilhante; a invasão de Martins; a invasão de Apodi e sua relação com coronéis apodienses; a invasão de Mossoró e sua relação com coronéis paraibanos e cearenses; a morte de Chico Pereira e sua relação com o coronelismo paraibano e potiguar. O mesmo ocorre quanto a “hecatombe de 1918” em Pau dos Ferros, verdadeira briga entre coronéis potiguares, semelhante àquelas travadas entre seus congêneres do Cariri cearense.
As invasões de Apodi e Mossoró são indissociáveis, e se constituem em epicentro de um processo político que durou aproximadamente dez anos, terminando tragicamente na famosa eleição de 1934-1935, na qual houve o assassinato do Coronel Chico Pinto e o de Otávio Lamartine, filho do ex-governador Juvenal Lamartine, e dizem respeito a disputas políticas entre famílias senhoriais do Sertão paraibano e potiguar.
Todas essas atividades violentas protagonizadas por cangaceiros estão conectadas com o coronelismo. Todas elas são faces da disputa pelo Poder Político.
O cangaço, por si somente, é a história do último suspiro dos desbravadores do Sertão nordestino, nossos ancestrais, aqueles mesmos que disputaram a terra contra índios ferozes, palmo a palmo, sangue a sangue, a ferro e fogo, numa guerra longa, cruel e esquecida por todos. A guerra dos bárbaros.
O cangaço é a história de homens que resolveram se vingar de uma injustiça; de homens que não aceitaram ser escravos e optaram por fazer das armas meio-de-vida; de homens que optaram por sobreviver SEM LEI E SEM REI, em uma liberdade absoluta, uma liberdade de fera, aquela liberdade anterior ao surgimento do Estado, da qual nos falou Hobbes em O Leviatã.
O cangaço é a história de rebeldes, certos ou errados. Podemos subjugar rebeldes. Podemos condenar rebeldes. Podemos matar rebeldes. Mas não podemos impedir que a memória de suas existências nos provoque. Podemos não aceitar os rebeldes, mas podemos tentar compreendê-los, tenham sido cangaceiros, coronéis, ou fanáticos, e em os compreendendo, aprendermos as lições da história.

Honorio de Medeiros, pesquisador e escritor
Conselheiro Cariri Cangaço
Natal-RN 23/11/2019

Nazaré e a Festa de 40 Anos de partida de Manoel Neto


Nazaré do Pico, que um dia foi Carqueja e em outros tempos apenas Nazaré, a vila que se concretizou a partir da antiga fazenda Algodões, resultado de um sonho do filho do professor Domingos Soriano Ferraz, que via nascer neste lugar uma vila. Dali até a realização do sonho foi rápido. Ao sonho se uniram muitos e em agosto de 1917 foi inaugurada a primeira feira de Nazaré. Neste solo sagrado de Nazaré, o Brasil veio a conhecer um povo Bravo, Destemido, Defensor da Honra e da verdadeira Alma Nordestina.

No último sábado, 16 de novembro de 2019 a família Nazarena se reuniu mais uma vez para celebrar um de seus mais ilustres filhos: Coronel Manoel de Sousa Neto, o “Valente Mané Neto”; que nasceu no dia 01 de novembro de 1901, na fazenda Ema no mesmo município de Floresta. Desde cedo Manoel Neto demonstrou ser destemido, valente e de uma coragem que beirava a loucura, foi um dos nazarenos que mais destacou no combate ao banditismo, notadamente ao cangaço, tendo sua entrada nas forças volantes em janeiro de 1925,  a partir dali o nordeste conheceu um dos mais ferrenhos combatentes ao bando de Lampião, sendo alcunhado pelo chefe dos cangaceiros de "Cachorro Azedo".

 Missa em homenagem aos 40 anos de falecimento do bravo Manoel Neto

A programação; sob a responsabilidade dos pesquisadores Rubelvan Lira e Sulamita Buriti; constou inicialmente de missa na igreja de Nossa Senhora da Saúde, no centro da vila de Nazaré, celebrando 40 anos de falecimento do militar nazareno. Um dos pontos altos da celebração foi a homenagem prestada pelo toque da corneta da Policia Militar.

De forma mais que oportuna; neste mesmo sábado, dia 16; aconteceu uma outra programação também importantíssima em Nazaré: O lançamento oficial da Pedra Fundamental e da Ordem de Serviço do Museu dos Combatentes do banditismo lampiônico - em Nazaré do Pico - Floresta do Navio- Pernambuco, com a presença do Secretario de Turismo de Pernambuco, Rodrigo Novaes, além de autoridades municipais e familiares nazarenas.

 Secretário de Turismo de Pernambuco, Rodrigo Novaes
Vereadora Bia Numeriano
Vereador Pedro Henrique

Seguindo com a programação comandada por Rubelvan Lira e Sulamita Buriti, após o almoço festivo também oferecido pela comunidade nazarena, houve Mesa de Debates sobre "A Vida e o Legado de Manoel Neto" tendo como Conferencista uma das mais novas revelações entre os pesquisadores da temática: Luiz Ferraz Filho; além dos debatedores; Aderbal Nogueira, Ulisses Flor, Marcos Antônio de Sá, Manoel Serafim, Dr Tadeu e Rubelvan Lira. Ainda dentro da programação festiva em Nazaré do Pico, o Cariri Cangaço se uniu às homenagens prestadas ao bravo nazareno com a entrega oficial de comenda "Personagem Histórico do Sertão".

Conselheiros Cariri Cangaço, Junior Almeida e Manoel Serafim passam às mãos de Rubelvan Lira e Sulamita Buriti a Comenda em homenagem a Manoel Neto
"A Vida e o Legado de Manoel Neto" tendo como Conferencista uma das mais novas revelações entre os pesquisadores da temática: 
Luiz Ferraz Filho
 Conselheiro Cariri Cangaço, Manoel Serafim, de Floresta
 Promotor do evento, pesquisador Rubelvan Lira
 Manoel Serafim e Wasterland Ferreira
Sulamita Buriti, Verluce Ferraz, Ulisses Flor e demais convidados.

O Curador do Cariri Cangaço, Manoel Severo, revela: "para nós que fazemos o Cariri Cangaço e que possuímos uma enorme ligação com a querida Nazaré do Pico e suas famílias, é uma honra poder participar de todas essas homenagens; preparadas pelo querido Rubelvan Lira e a Sulamita; e representados oficialmente por nossos Conselheiros Manoel Serafim e Junior Almeida, além de nossa embaixadora Mabel Nogueira, o Cariri Cangaço tem a satisfação de conceder ao bravo Mané Neto a Comenda de "Personagem Histórico do Sertão".

Confraria reunida para celebrar Manoel de Sousa Neto.

Para a vereadora Bia Numeriano:"Nazaré do Pico é lugar onde a história pulsa. História de coragem, valentia e resistência. Foi deste lugar que saiu a força volante que Lampião mais temia. Uma figura importante foi responsável por esse temor: Manoel de Souza Neto. Coronel da Polícia Militar de Pernambuco, combatente feroz, fez parte das forças volantes nazarenas e é considerado um dos maiores perseguidores de Lampião. Hoje, celebrou-se missa pelos 40 anos de sua partida. Além disso, foi dada ordem de serviço para a construção do Museu das Forças Volantes de Nazaré, um marco para esta história que tanto nos orgulha."

Acompanhe na íntegra a Conferência
 de Luiz Ferraz Filho, imagens a partir do You Tube, 
canal do Mestre Aderbal Nogueira




Imagens fonte: You Tube - Canal Aderbal Nogueira

Celebração dos 40 Anos de Morte de Manoel Neto
Nazaré do Pico, 16 de novembro de 2019.
Floresta-PE

Cariri Cangaço e o III Encontro da Familia Pereira das Ribeiras do Pajeú das Flores Por:Cicero Aguiar

A Homenagem do Cariri Cangaço no III Encontro da Família Pereira

No dia 16 de novembro de 2019, ocorreu na cidade de Serra Talhada-PE, o III Encontro da Família Pereira do Pajeú. Família que tem grande importância desde o início da colonização desta parte do interior do Nordeste brasileiro. Em meados do século XVIII chega na região do Pajeú egresso da região dos Inhamuns no Ceará, José Pereira da Silva, que se casa com Jacintha Océlia de Santo Antonio (Jacinta Rodrigues) filha do português José Carlos Rodrigues do Nascimento e de Ana Joana Batista Pereira da Cunha, foi a partir da fazenda Carnaúba, de propriedade do casal, que a família Pereira do Pajeú dar início a sua grandiosa história de lutas nesse sertão nordestino. 

O capitão José Pereira da Silva (Cap. Zezinho) patriarca da maior parte dos Pereiras do Pajeú, é quem inicia essa saga do clã na região, que depois é exercida por muitos outros de seus descendentes, figuras como: Cap. Simplício Pereira da Silva, considerado por muitos o maior revolucionário do sertão; Vitorino Pereira da Silva, foi presidente da câmara em Vila Bela; Manoel Pereira da Silva, Coronel da Guarda Nacional, Comandante Superior das Ordenanças de Flores, Ingazeira e Vila Bela, Cavaleiro de Cristo e Comendador da Imperial Ordem da Rosa; Andrelino Pereira da Silva (Barão do Pajeú), primeiro prefeito de Vila Bela, hoje Serra Talhada-PE; Antonio Andrelino Pereira da Silva filho do Barão, terceiro prefeito de Vila Bela; Manoel Pereira da Silva Jacobina (Padre Pereira), segundo prefeito de Serra Talhada; Major Sebastião Pereira da Silva; Arcôncio Pereira da Silva, bacharel e primeiro deputado provincial da família; Tenente Coronel José Sebastião Pereira da Silva, primeiro prefeito de São José do Belmonte-PE; Antonio Cassiano Pereira da Silva, segundo prefeito de São José do Belmonte.



Seguimos com o Cel. José Pereira de Aguiar, terceiro prefeito de São José do Belmonte; Izidoro Conrado de Sá, também foi prefeito de Belmonte; Manoel Pereira Lins (Né da Carnaúba) sétimo prefeito de São José de Belmonte, e vereador por três legislaturas em Serra Talhada; Argemiro Pereira de Menezes, filho de Né da Carnaúba, foi vereador em Serra Talhada e deputado estadual por 8 legislaturas, seus filhos Hildo Pereira de Menezes foi prefeito de Serra Talhada por duas vezes, e Nildo Pereira de Menezes uma vez; Leônidas Pereira de Menezes, filho de Né da Carnaúba, foi vereador, presidente da câmara e vice prefeito de São José do Belmonte, sua esposa Dona Zuleide Carvalho foi vereadora por quatro legislaturas, sua filha Cicera Pereira foi vereadora por dois mandatos, seu filho Marcelo Pereira recentemente foi prefeito de Belmonte; João Pereira de Menezes (João de Ciba) foi prefeito de Belmonte; Manoel Pereira de França (Padre Mina) foi vereador em Belmonte, seu filho Genivaldo Pereira Leite (Geni Pereira) foi vereador por dois mandatos e prefeito de Serra, Gilson Pereira Leite, também filho de Padre Mina, vem exercendo o mandato de vereador de Serra já a algumas legislaturas; Custódio Conrado de Lorena e Sá, foi vereador por dois mandatos e vice prefeito de Serra Talhada; Isivaldo Conrado de Lorena e Sá, vereador por três mandatos em Serra; Carlos Evandro Pereira de Menezes, vice prefeito e prefeito por dois mandatos em Serra Talhada; Luiz Conrado de Lorena e Sá (Lorena) grande memorialista, foi prefeito de Serra Talhada por quatro mandatos. Aqui citados alguns que participaram e participam da luta política administrativa de municípios da região do sertão do Pajeú.

Richard Pereira e Cícero Aguiar, representantes do Cariri Cangaço 
no III Encontro da Família Pereira em Serra Talhada

O III Encontro da Família Pereira das Ribeiras do Pajeú das Flores aconteceu nas dependências do Rufino Fest Club de Serra Talhada durante todo o sábado, dia 16 e reuniu membros da família Pereira de todo o Brasil, numa autentica demonstração de integração de harmonia.

Um dos pontos de destaque do III Encontro foi a homenagem prestada pelo Cariri Cangaço à tradicional família Pereira. Na oportunidade o Cariri Cangaço foi representado oficialmente pelos pesquisadores Richard Pereira Torres e Cícero Aguiar, que em momento solene realizaram a entrega de Comenda Comemorativa à Família Pereira pelo transcurso do III Encontro em Serra Talhada.


 Helvécio Feitosa, Richard Pereira, Valdenor Feitosa

Para o pesquisador Richard Pereira: "Entregar a comenda Cariri Cangaço-10 anos à família Pereira do Pajéu; um reconhecimento do maior grupo de estudos da história nordestina e do cangaço; tive o privilégio junto com o primo Cícero Aguiar; de sermos os escolhidos de representar o seu presidente Manoel Severo ao qual eu quero deixar o nosso muito obrigado pelo carinho e reconhecimento em nome de toda  FAMÍLIA PEREIRA DO PAJÉU"

Cícero Aguiar e Paulo Lampião

Para o pesquisador Cícero Aguiar: "Nossos parabens a todos os membros da família Pereira que compareceram ao encontro, também agradecer a comissão organizadora: Auridete Pereira, Ceiça Sá e Myrella Gomes e ao Cariri Cangaço em nome do nosso curador Manoel Severo pela honrosa homenagem a Família Pereira do Pajeú."

Palavras de Manoel Severo, Curador do Cariri Cangaço, lidas pelo pesquisador Cícero Aguiar na solenidade do III Encontro da Família Pereira: "Quem estuda a historia e a memoria do querido nordeste, sabe que obrigatoriamente precisa abrir um capitulo todo especial a homens e mulheres que se destacaram a partir da força de seus laços familiares e foram decisivos na construção da força dessa imensa nação sertaneja. Já vão longe os primeiros séculos da nossa colonização, já vai longe o tempo em que um verdadeiro desbravador, vindo dos sertões do meu Ceará aportou no querido Pernambuco para ser origem de um dos mais destacados troncos familiares do sertão nordestino. A partir do pioneiro; Capitão José Pereira da Silva se consolidava a origem da Família Pereira das Ribeiras do Pajeú de Flores!" 

E continuou Severo,"desde a época do Brasil Colônia, passando pelo Brasil do Império e da República o sertão do Pajeú veio produzindo nomes de peso e destaque a partir da augusta família Pereira; de Vila Bela, Flores, Ingazeira, São José de Belmonte... Nomes impolutos como o do Capitão José Pereira da Silva, e mais tarde sua descendência; Coronel Manuel Pereira da Silva, o grande Coronel Andrelino Pereira da Silva, o “Barão do Pajeú”, Cazuzinha da Fazenda Cachoeira; Coronel Manuel Pereira da Silva Jacobina o “Padre Pereira” ; Coronel Antônio Pereira da Silva, da Fazenda Pitombeira; Manoel Pereira Lins o “Né da Carnaúba” ; Crispim Pereira de Araújo o “Ioiô Maroto” sem esquecer dois dos principais personagens desta imensa e gloriosa família: Luiz Pereira da Silva Jacobina o “Luiz Padre” e o grande Sebastião Pereira da Silva o “Sinhô Pereira”. Revendo todos esses nomes e suas historias e diante de todos os senhores permitam unir o sentimento de todos nós que fazemos o CARIRI CANGAÇO, ao sentimento de Celebração e Festa pela harmonia e união da memoria da família Pereira das Ribeiras do Pajeú de Flores! Dessa forma é como muita honra que representados pelos senhores Richard Torres Pereira e Cícero Aguiar o Cariri Cangaço outorga Comenda Comemorativa ao grande momento, desejando a todos, saúde e prosperidade e que venham o IV, o V, o VI e inúmeros outros encontros da Família Pereira; família essa pela qual temos estima e respeito; para fortalecer ainda mais o valor da verdadeira Alma Nordestina. Muito Obrigado.Manoel Severo, Curador do Cariri Cangaço, em nome do Conselho Alcino Alves Costa."


Ainda sobre a força da Família Pereira. Além da militância na luta política, alguns membros do clã dos Pereiras têm importante destaque em eventos que marcaram a história de todo o sertão nordestino, exemplo foi a participação no desalojamento dos fanáticos da Pedra do Reino no ano de 1838 em São José do Belmonte-PE, participaram decisivamente desse evento, o então Major Manoel Pereira da Silva, que depois veio a se tonar Comandante Superior, Cap. Simplício Pereira da Silva, Alexandre Pereira da Silva e Cipriano Pereira da Silva, esses dois últimos, Alexandre e Cipriano, morreram neste referido episódio, todos filhos do Cap. José Pereira da Silva o patriarca da família Pereira do Pajeú. Se destaca também a questão entre a família Pereira e a importante família Carvalho, assim como a Pereira, também povoadora de todo o sertão do Pajeú. Foi a renhida luta entres os clãs Pereira e Carvalho, que surgiram personagens como: Manoel Pereira da Silva Filho (Né Dadu), com o assassinato do seu tio Manoel Pereira da Silva Jacobina (Padre Pereira), tomou para si a tarefa de fazer a vingança, tendo a participação em alguns desses eventos de Manoel Pereira Valões (Neco Valões) e Pedro Pereira Valões, Né Dadu sendo morto a traição enquanto dormia no dia 16 de outubro de 1916, pelo um cabra chamado Palmeira. 


Sinho Pereira e Luiz Padre

Com a morte de Né Dadu, seu irmão mais novo Sebastião Pereira da Silva (Sinhô Pereira) junto com o primo Luiz Pereira da Silva Jacobina (Luiz Padre) que era filho de Padre Pereira, entram na questão para vingarem a morte de Padre Pereira, pai de Luiz Padre e também a morte de Né Dadu, irmão de Sinhô Pereira, foi a partir de 1916 que Sebastião Pereira da Silva (Sinhô pereira) e Luiz Pereira da Silva Jacobina (Luiz Padre) se tornam o braço armado da família na luta contra a família Carvalho. Além da luta aqui no sertão do Pajeú e depois em Goiás, Sinhô Pereira fica conhecido como o homem que comandou Virgulino Ferreira da Silva (Lampião), entregando o comando de seus homens em agosto de 1922, quando deixa o sertão nordestino e vai viver em Goiás no Planalto Central do Brasil. Outra figura que marcou a história da família, foi Crispim Pereira de Araújo (Ioio Maroto), que em outubro de 1922 participa junto com José Pereira Terto Brasil (Cajueiro), José Pereira Bizarria (Zé Bizarria) e outros membros da família e mais o bando de Lampião, do celebre episódio da invasão da cidade de São José do Belmonte-PE, resultando na morte do Cel. Luiz Gonzaga Gomes Ferraz.

A história dessa família também foi feita por aqueles que de forma anônima sem a visibilidade da história, deram sua grande contribuição com luta e honradez, e que hoje, muitos de seus descendentes têm um imenso orgulho por todo esse legado deixado por seus antepassados.

Por: Cicero Aguiar Ferreira, 
Penta neto do casal José Pereira da Silva e Jacintha Océlia de Santo Antonio.
Fonte: Genealogia Pernambucana, site familiapereira.net. 
O livro “O Patriarca” de Venício Feitosa Neves.
16 de novembro de 2019, Serra Talhada-PE