A Chacina dos Nove Parte I Por:Oswaldo Póvoa

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Tivemos dias atras um maravilhoso artigo de Napoleão Tavares Neves sobre a vida de Sinhô Pereira, indicando que do Piauí o líder se dirigiu ao Duro, ou seja, São José do Duro em Goiás, hoje Dianópolis no estado do Tocantins. Logo em seguida, o amigo Professor Mario Hélio pediu algo sobre a vida de Sinhô Pereira em São José do Duro; particularmente ainda não temos artigos sobre essa passagem fantástica do Vila Belense no Duro, mas estamos conseguindo; depois foi a vez do confrade Alcino Alves Costa nos trazer sob sua pena, a Incrível Saga da Chacina do Tronco em quatro postagens e agora, "pescamos" no site da cidade de Dianopolis (www.dianopolis.to.gov) um espetacular conjunto de artigos também sobre a famosa "Chacina dos Nove", episódio marcante daquela terra e que envolveu a eletrizante vida do poderoso Abílio Wolney.


Dianópolis em crivo vermelho, Palmas, a capital, em amarelo

Dianólopis era a antiga Vila de São José do Duro, localizada na Messoregião Oriental do Tocantins, no Sudeste do Estado e possui um altitude de 693 metros acima do nível do mar ocupando uma área de 4.123 Km2 e está há 342 Km da capital Palmas. Possui cerca de 15 mil habitante.


A chacina dos Nove, por: Oswaldo Póvoa
O episódio conhecido na história de Dianópolis como a Chacina dos Nove retrata uma das passagens mais negras das inumeráveis escritas pelas oligarquias cuja paixão não vacila na escolha dos piores caminhos para alcançar seus objetivos: controlar o poder, dar ordens como faziam os capatazes por ordem de seus senhores, no caso de Dianópolis a oligarquia dos Caiado Jardim. Tratava-se de impor uma liderança em que pequena parcela de uma família se aliou a outros grupos para tentar expor uma liderança fraca. Apelando para artifícios torpes, as autoridades locais provocaram um incidente em maio de 1918, envolvendo o inventário de Vicente Belém, assassinado ao findar o ano de 1917 com fundadas suspeitas de implicação das mesmas autoridades, valendo-se da oportunidade para motivar um pedido de socorro aos seus chefes na capital, de que resultou uma Comissão presidida por um juiz togado, o Dr. Celso Calmon Nogueira da Gama, disposto a atuar segundo as conveniências dos seus chefes. 

A primeira vítima da sinistra Comissão foi o Coronel Joaquim Aires Cavalcante Wolney (foto ao lado), assassinado em 23 de dezembro de 1918 por soldados de uma escolta, na fazenda Buracão, mesmo sem ter o coronel oferecido a menor resistência, aliás se entregou dizendo: -Não me matem, estou entregue! Depois vieram os Nove, no curso dos acontecimentos que a História registra com detalhes. 

Diante da iminente ameaça de um ataque para vingar o assassinato do Coronel Wolney o Juiz Celso Calmon cuidou de salvar a pele. Fugiu apressadamente deixando a vila de São José do Duro entregue às autoridades locais com a proteção de cerca de 40 policiais sob o comando de oficiais desesperados que, para tentar evitar ao ataque, tomaram nove reféns, que acabaram sendo fuzilados e sangrados pela polícia. Em ordem alfabética, um breve resumo biográfico de cada um deles, vítimas da inominável monstruosidade. 

Foram mortos nove membros da Família do Cel. Joaquim Wolney: Benedito Pinto de Cerqueira Póvoa, filho de Joaquim Cerqueira, era Capitão da Guarda Nacional, um dos homens mais ricos do lugar; João Batista Leal, genro do Coronel Joaquim Wolney ,era Major da Guarda Nacional; Joca Póvoa, era filho de Benedito Póvoa; João Santana, era capitão da Guarda Nacional, tendo dois filhos entre os reféns, não desejando testemunhar a execução deles, pediu para ser executado antes. Os carrascos fizeram o contrário e ele, desesperado, fechou os olhos mas não pôde deixar de ouvir os gritos desesperados dos filhos; Joaquim Filho (Wolneyzinho) - Filho do Coronel Joaquim Wolney, estudante de Medicina no Rio de Janeiro, tinha vindo visitar os parentes quando os fatos começaram a ganhar gravidade. Tomado como refém foi fuzilado pela polícia; Messias Rocha, era ourives e casado com Aurora Cerqueira, sobrinha de Benedito Póvoa, filho de José Pinto de Cerqueira Póvoa e Ana Lino Pereira. Quando a polícia prendeu os reféns e colocando seus deles no tronco, teve um gesto nobre quando pediu que o colocassem no tronco em lugar de Benedito Póvoa, seu tio por afinidade; Nasário do Bonfim,  morava na fazenda Água Boa, de João Santana para quem trabalhava. Foi tomado como refém junto com o patrão e dois filhos deste;  Nilo Santana e Salvador Santana, filhos de João Santana, o cadáver do primeiro se achava ao lado dos restos mortais do pai. 

OS NOVE Texto do Professor Osvaldo Rodrigues Póvoa
FONTE: www.dianopolis.to.gov.br
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3 comentários:

Helio disse...

Severo, mais uma vez parabens por retornar com um tema tão marcante como a Chacina dos Nove, depois se o amigo poder, poderia nos trazer o episódio do combate entre Abílio Wolney e Sinho Pereira.

Abração

Professor Mario Helio

Anônimo disse...

Gostaria de saber como adquirir o livro "Quinta-feira Sangrenta".Um abraço.

Fernando Cerrado disse...

acabei de assistir o filme o tronco, e estou estudando mais a respeito dessa historia, forte e marcante