A Hecatombe de Garanhuns chega aos Grandes Encontros Cariri Cangaço


Nosso nordeste é espetacularmente pródigo em episódios pra lá de marcantes. O ciclo do cangaço e do coronelismo rural se desenvolveu de forma brutal e acentuada entre o final do século XIX e as primeira décadas do século XX; entre a proclamação da república e por toda a república velha. Ali, nos idos 1880 até 1940 vamos encontrar a feição, talvez mais sangrenta, de toda a história, por esses lado do Brasil. 

Garanhuns, o acolhedor  município do agreste pernambucano; distante 230 quilômetros da capital Recife, iria escrever com letras de tragédia, sangue e morte no distante janeiro de 1917 um capitulo nefasto desse recorte perverso da luta pelo poder envolvendo as elites governantes de nosso sertão da velha república.

Era 14 de janeiro de 1917. No Recife o recém eleito prefeito de Garanhuns, coronel Júlio Brasileiro; deputado estadual; é assassinado pelo capitão Sales Vila Nova, em retaliação a um "surra" de cipó de boi, supostamente a mando do coronel e que teve como vítima o algoz. Os acontecimentos que se seguem imediatamente iriam chocar não só Pernambuco, mas todo o Brasil. A viúva de Brasileiro; Ana Duperron Brasileiro; iria afirmar:

"Não derramarei nenhuma lágrima, se as outras não derramarem. E só vestirei luto depois que as outras vestirem"

Cel. Júlio Brasileiro
Capitão Sales Vila Nova

Ao final do dia seguinte, 15 de janeiro de 1917, dezoito pessoas mortas na cadeia pública de Garanhuns; o local para onde se deslocaram para sua própria segurança, acabou se tornando o cenário trágico de suas mortes. Sob o comando de parentes e correligionários do coronel Júlio Brasileiro uma malta de mais 100 homens, entre jagunços, pistoleiros e cangaceiros, invadiriam a cidade e cercariam a cadeia pública para perpetuar a dita vingança....

Para entender esse trágico episódio, aprofundarmos sobre sua gênese, causas e repercussões, Manoel Severo, curador do Cariri Cangaço recebe nesta quarta-feira, 08 de setembro de 2021 nos Grandes Encontros Cariri Cangaço os pesquisadores e escritores; Claudio Gonçalves, autor de "A Cobertura Jornalística da Hecatombe de Garanhuns"; além de Geraldo Ferraz e Junior Almeida, Conselheiros do Cariri Cangaço para uma noite muito especial  num programa ao vivo incomparável.

"O episódio da Hecatombe de Garanhuns em 1917 mostra a mais cruel feição do coronelismo nordestino de inicio do século, a brutalidade e violência ali verificadas marcariam para sempre o povo de Garanhuns, dessa forma é imperioso trazermos esse tema neste grande programa dos Grandes Encontros Cariri Cangaço", revela o Conselheiro Cariri Cangaço, pesquisador e escritor Geraldo Ferraz; neto de um dos grandes protagonistas do episódio, tenente Teophanes Torres.

"O programa Grandes Encontros Cariri Cangaço desta quarta promete pois traz um recorte importante da história de Pernambuco, além do tema eletrizante, ainda teremos a participação de duas autoridades no assunto, Claudio Gonçalves e Geraldo Ferraz, que venha o debate sobre a Hecatombe de Garanhuns" afirma o Conselheiro Cariri Cangaço, Junior Almeida.

"A avaliação que faço do Impacto causado desse trágico acontecimento na evolução da nossa cidade,  é que na época Garanhuns despontava como uma das mais prospera economia do estado e com forte representação política, depois da Hecatombe muitas das famílias envolvidas no trágico episódio deixaram a cidade e a política e, Garanhuns perdeu um pouco o curso da História, reiniciando nas décadas seguintes a retomada de suas vocações econômicas" indica o pesquisador Cláudio Gonçalves.

GRANDES ENCONTROS CARIRI CANGAÇO

HECATOMBE DE GARANHUNS - Tragédia, Sangue e Morte

Dia 08 de Setembro de 2021, AO VIVO     

Canal do YouTube do Cariri Cangaço

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