Almoço da Fazenda e Moagem Cariri Cangaço, é Missão Velha no Edição de Luxo

Antônio Edson Olegário, Manoel Severo, Cícero Landim da Cruz

Muitas surpresas ainda aguardavam os convidados Cariri Cangaço - Edição de Luxo - Ano V em terras de Missão Velha. Da Câmara Municipal a caravana seguiu para a sede da Fazenda Mãe Lucy, de propriedade da família Olegário, tendo a frente, Antonio Edson Sobreira Olegário que recebeu os mais de 100 convidados de todo o Brasil com um banquete digno dos tempos áureos dos Terésios de Santa Teresa. "Na verdade Antonio Edson só confirma o espetacular dom de excelentes anfitriões que sua família e sobretudo seu pai, Edson Olegário, conquistaram ao longo das gerações, só nos resta agradecer profundamente tanta gentileza e atenção" Fala o curador do Cariri Cangaço, Manoel Severo.


Francimary Oliveira, Aderbal Nogueira, Oleone Fontes e Manoel Severo

Juliana Pereira, pesquisadora de Quixadá, revela:"É impressionante a forma como estamos sendo recepcionados nessa edição do Cariri Cangaço, ontem em Lavras da Mangabeira e hoje neste almoço sem igual, até parece que estamos em casa, realmente inesquecível tudo isso". Já o pesquisador e escritor paulista de Salto, Sabino Bassetti comenta:"ter amigos com a sinceridade, garra,educação e paciência do grande Severo, enche de orgulho qualquer pessoa. O Cariri Cangaço, é sem nenhuma dúvida o maior evento do gênero. Parabéns Missão Velha, parabéns Bosco, parabéns Severo. "

A beleza das terras de Santa Teresa que mesmo com a grave estiagem que assolam o Ceará ainda consegue mostrar a exuberante e vivaz cor e vida de seus verdes canaviais e sob a brisa incrivelmente suave de um dia ensolarado de setembro, nos mostram a incrível força do vale caririense, sede e berço do Cariri Cangaço.


Bosco André, Ivanildo Silveira, Cel Donizete e Urbano Silva; Wescley Rodrigues, Jacqueline, Elane Marques, João de Sousa Lima, Juliana Pereira, Celsinho Rodrigues; Josué Santana e Louro Teles
Jair Tavares, Ivanildo Silveira, Narciso Dias, Sabino Bassetti, Jorge Remigio e Narciso Dias;Tereza Cristina, Manoel Serafim, Padre Agostinho, Jorge Remígio, 
Francimary Oliveira e Narciso Dias 

O lauto almoço se prolongou por cerca de duas horas, onde os convidados do Cariri Cangaço puderam consolidar ainda mais os laços de fraternidade com os anfitriões, legado primordial do Cariri Cangaço, fazendo com que na integração de todos possamos formar a verdadeira alma nordestina. Para Tereza Cristina Cornélio, de Recife:"Parabéns Manoel Severo ! Parabéns aos pesquisadores do Cariri Cangaço ! Mais uma vez, aprendi muito a respeito da História do Povo Nordestino. Mais uma vez passei pela agradável experiência de conviver com pessoas cultas, inteligentes, dedicadas e sobretudo disponíveis para repartir conhecimentos. Agradeço de todo coração a oportunidade."

Nas terras de Santa Teresa em nossa querida Missão Velha, as principais e mais tradicionais famílias da região puderam traduzir toda a hospitalidade do povo cearense que se prolongou em mais uma inesquecível visita, desta vez ao Engenho Santa Teresa de propriedade de Cícero Landim da Cruz.


Antônio Edson, Luiz Antonio, Celsinho Rodrigues, Sonia Jaqueline, Elane Marques e João de Sousa Lima; Gerlane Carneiro e Ingrid Rebouças; Jorge Remígio e Dona Orlandina
Dona Orlandina, Francimary Oliveira; Josué Santana e Louro Teles;
Alan Ferreira, Elane Marques e Voldi Ribeiro; Padre Agostinho e Cel Donizete
Iris Mendes, Luiz Ruben e Joventino de Melo ;
Eliene Costa, Tomaz Cisne, Ângelo Osmiro e Djalma Sousa

Os vastos campos de cana de açúcar, o cheiro forte do mel e melaço, o tacho fumegante e todas as cores características das moagens do sertão, mataram a saudade de muitos e trouxeram experiencias novas a quem ainda não havia conhecido. Um momento inesquecível de contato com o combustível que move o sertão. Ali o proprietário Cícero Landim da Cruz e seu imediato, Damião, filho de Piranhas nas Alagoas, também sede do Cariri Cangaço, mostravam e ensinavam cada processo dentro da fabricação do mel, da rapadura, do alfenim...

Celsinho Rodrigues, pesquisador de Piranhas revela: "Eu e minha mãe; Sônia Jaqueline; fomos criados ouvindo uma história das "terras de quem vai e não torna."Realmente essa história se concretizou quando fomos ao Juazeiro desde a primeira vez. Fomos uma pessoa e voltamos outra. Mais enriquecido culturalmente, com um número de amigos muito maior e com o coração cheio de saudade. A família Cariri Cangaçodesponta no cenário nordestino com a bandeira da igualdade. Não tem pequeno nem grande, nem rico nem pobre, somos todos iguais! Uma grande irmandade. Grande abraço a todos que fazem a família Cariri Cangaço em especial a este baluarte que dispensa qualquer tipo de comentário ou adjetivo que é nosso Curador Manoel Severo."
 Sonia Jaqueline, Celsinho Rodrigues, Elane Marques e Manoel Severo
Celsinho Rodrigues , Bosco Andre e Dr Cicero Landim
 Ingrid Reboucas
 Jorge Remigio e Voldi Ribeiro
Aderbal Nogueira e Narciso Dias
Antonio Vilela, Luiz Ruben, Ivanildo Silveira, João de Sousa Lima, Bosco Andre, Eliene Costa, Wescley Rodrigues, Alan Ferreira, Neli Conceição, Geraldo e Rosane Ferraz,
Jair Tavares

"Em 1533, o colonizador português Martim Afonso de Souza trouxe as primeiras mudas de cana-de-açúcar e realizou a disseminação dessa primeira atividade de exploração econômica no Brasil no litoral nordestino. A produção desse tipo de gênero agrícola aconteceu por conta do conhecimento anterior de técnicas de plantio e preparo que permitiriam o desenvolvimento de tal atividade na América Portuguesa. Contudo, a fabricação do açúcar não dependia somente do plantio da cana em terras férteis. Para que o caule da cana fosse transformado no açúcar a ser consumido em diferentes partes da Europa, era necessário que várias instalações fossem construídas. Mais conhecidos como engenhos, tais localidades eram compostas por uma moenda, uma casa das caldeiras e das fornalhas e a casa de purgar. Com o desenvolvimento da economia açucareira, os engenhos se espalharam de forma relativamente rápida no espaço colonial, chegando a contar com 400 unidades no começo do século XVII.

Após a colheita, a cana-de-açúcar era levada à moenda para sofrer o  esmagamento de seu caule e a extração do caldo. Em sua grande maioria, as moendas funcionavam com o uso da tração animal. Também conhecida como trapiche, esse tipo de moenda era mais comum por conta dos menores gastos exigidos para a sua construção. Além do trapiche, haviam as moendas movidas por uma roda-d’água que exigiam a dificultosa construção de um canal hidráulico que pudesse movimentá-la. Feito o recolhimento do caldo, o produto era levado até a casa das caldeiras e fornalhas, onde sofria um longo processo de cozimento realizado em grandes tachos feitos de cobre. Logo em seguida, o melaço era refinado na casa de purgar, lugar onde a última etapa de refinamento do açúcar era finalmente concluída. O beneficiamento completo do açúcar era realizado em terras brasileiras pelo fato de Portugal não possuir refinarias que dessem fim ao serviço."


 Engenho de Santa Teresa
 Engenho de Santa Teresa
 
Wescley Rodrigues

"Ainda em terras coloniais eram produzidos dois tipos diferentes de açúcar: o mascavo, de coloração escura e escoado para o mercado interno; e o branco, em sua grande maioria direcionado aos consumidores do Velho Mundo. Após a embalagem do açúcar, as caixas eram transportadas para Portugal, e, posteriormente, para a Holanda, que participava realizando a distribuição do produto em solo europeu. Por volta do século XVII, a cidade flamenca de Amsterdã passou a realizar o refino do açúcar. 
Além dessas unidades produtivas, um engenho também contava com construções utilizadas para o abrigo da população que ali vivia. Na casa-grande eram alojados o proprietário das terras, sua família e alguns escravos domésticos. Na senzala ficavam todos os escravos que trabalhavam nas colheitas e instalações produtivas do engenho. Por meio dessa configuração, podemos ver que a formulação desses espaços influiu nos contastes que marcaram o desenvolvimento da sociedade colonial. Ao contrário do que muitos chegam a imaginar, os engenhos não estavam disponíveis em toda e qualquer propriedade que plantava cana-de-açúcar. Os fazendeiros que não possuíam recursos para construírem o seu próprio engenho eram geralmente conhecidos como lavradores de cana. Na maioria das vezes, esses plantadores de cana utilizavam o engenho de outra propriedade mediante algum tipo de compensação material."


Caravana do Edição de Luxo em Missão Velha
Alcides Carneiro, Manoel Severo, Bosco André e Dr Cícero Landim da Cruz
Família Cariri Cangaço
Mabell Sales, João Paulo, Pedro Barbosa
Missão Velha, missão cumprida, na bagagem, gratidão, saudade e rapaduras...muitas...

O dia estava acabando e Missão Velha ficaria mais uma vez guardada no coração de toda familia Cariri Cangaço. O esforço realizado pelo Conselheiro Cariri Cangaço Bosco Andre, ao lado de confrades valorosos como Dr Tardini, o estimado presidente Cicero Macedo, Antonio Edson Olegário, Dr Cicero Landim da Cruz, as famílias tradicionais de Missão Velha, enfim, todos irmanados na direção de não deixar morrer a memoria, a tradição e a historia de um dos mais significativos rincões de nosso nordeste, nosso Portal do Cariri.

Cariri Cangaço
Edição de Luxo - Ano V
Engenho Santa Teresa, 25 de Setembro de 2015
Missão Velha, Ceara, Brasil

Cariri Cangaço Recebido com Festa em Missão Velha

Mesa de Abertura em Missão Velha

O terceiro dia de Cariri Cangaço - Edição de Luxo - Ano V, 25 de setembro de 2015, marcou a chegada da Caravana ao Portal do Cariri: A acolhedora Missão Velha reuniu seus filhos e as mais tradicionais famílias do tronco "Terésio" para festejar a maior festa da Alma Nordestina. As 9 horas da manhã sob o comando do Presidente da Câmara Municipal, vereador Cícero Macedo; foi aberta a Sessão Solene que marcaria o inicio das atividades no município homenageando os Terésios. Mas para continuarmos nossa história, vamos abrir um parêntese e nos valer do talento literário do grande Dimas Macedo, sobre...os Téresios: 

"Quando o historiador João Brígido dos Santos, em fins do século dezenove, vasculhava os arquivos da história do Cariri, a esses meus antecedentes já se referia como nucleadores de várias povoações e fazendas de criar, entre todas, sobressaindo‑se aquela denominada Engenho Santa Teresa, fundada pelo capitão Domingos Paes Landim, um dos pioneiros da colonização do Ceará.
         Núcleo originário e socioeconômico das famílias Terésios, segundo observações dos maiores historiadores do Cariri, a exemplo de Irineu Pinheiro e do Padre Antônio Gomes de Araújo, que pesquisaram as suas ori­gens e os primeiros anos da sua formação, o Engenho Santa Teresa, por séculos afora, manteria acesa a temperatura das suas chaminés.

Manha de luxo em Missão Velha: Archimedes Marques, Antonio Edson Olegário, 
Ângelo Osmiro e Célia Magalhães
O Brasil de Alma Nordestina se encontrou em Missão Velha

         Continua Dimas Macedo: "Deles, os Terésios, ocupar-se-ia o historiador Joaryvar Macedo ao traçar as linhas da sua inculcada genealogia, deten­do‑se na descendência do Capitão Domingos Paes Landim e da sua mulher Isabel da Cruz Neves, ascendentes dos Terésios que hoje se reúnem para proclamar a glória de Antônio Martins Filho e reconhecer o quanto Joaryvar Macedo é um imenso 
traço de união entre nós. 
       No seu monumental e não por demais relembrado – A Estirpe da Santa Teresa (Fortaleza: Imprensa Universitária, 1976) –, cuja segunda edição ora se dá à estampa, Joaryvar Macedo desvenda a linhagem dessas famílias e nos leva a intuir o que a trajetória dos Terésios 
pode­ria representar como desafio para os his­toriadores e sociólogos do Ceará. Abstraindo‑se o dado genealógico da questão dos Terésios, o que registrou a historiografia sul‑cearense, pertinente aos la­bores nos quais se envolveram muitos dos seus integrantes, a mim me parece constituir algo de substância singular com que a pesquisa histórica e a sociologia política podiam muito bem se entreter.Costumo dizer as pessoas que me abordam acerca dos Terésios, que o conjunto das suas aventuras nos per­mite cultuar uma tradição familiar que se arraigou na cultura da região do Cariri, por meio da sua mais forte tradição."

Brasões das Família Terésias, fonte: familiavasqueslandim.blogspot.com.br

A partir da apresentação do majestoso tronco familiar responsável por boa parte da colonização de nosso Cariri, deu-se inicio ao terceiro dia de Cariri Cangaço, desta vez em Missão Velha, quando a curadoria através de Manoel Severo resolveu homenagear a três destes importantes personagens da linhagem dos Terésios: Coronel Santana, da Serra do Mato; Quinco Vasques, o Bravo Caririense e Edson Olegário, deputado e prefeito, ali representados por vários descendentes, amigos e admiradores.

Com o plenário do legislativo totalmente lotado, foi entregue a vários homenageados o Título de Amigo do Cariri Cangaço. Receberam a honraria; Antônio Edson Sobreira Olegário, representando seu pai, deputado e figura emblemática da história de Missão Velha, Edson Olegário; Orlandina Figueiredo, filha do memorável Coronel Izaias Arruda; Valmir Olegário de Santana representando as família Olegário e Santana;o Coronel Vasques Landim, representando a família Vasques Landim e ainda representando a família Cruz, o Dr. Cícero Landim da Cruz.

Espetacular Conferência de Bosco André
Cel Santana, Edson Olegário e Quinco Vasques
Manoel Severo, Cícero Macedo, Orlandina Figueiredo e Aélio Landim

E continuamos com Dimas Macedo...
" Em verdade, quando o Coronel Joca do Brejão mandava no Município de Barbalha, Antônio Joaquim de Santana era senhor absoluto em Missão Velha, Felinto da Cruz Neves resistia aos ataques dos seus adversários, em Santana do Cariri, e Marica Macedo do Tipy escrevia, com tintas de destemor e bravura, a chamada “Ques­tão do Oito” em Aurora, parece inquestionável que os Terésios espelhavam a elite mais refinada da República do Cariri. E, mais ainda, era evidente o papel dos Terésios quando se divisava que o tenente‑coronel José Joaquim de Maria Lobo era o mentor das irmandades religiosas de Juazeiro e alter ego do Padre Cícero Romão, no período que antecedeu a Floro Bartolomeu, e quando o Município de Aurora se ocupava em produzir um homem do porte de Joaquim Vasques Landim, o célebre Quinco Vasques, que ousou violar o feudo de Dona Fideralina, em Lavras da Mangabeira, escrevendo, aos 7 de abril de 1910, uma das páginas mais palpitantes da história do Ceará.


 Grande Festa do Cariri Cangaço em Missão Velha
Pesquisadores de todo o Brasil em Missão Velha
        
E ainda nos valemos de Dimas Macedo:"Nos velhos tempos da Primeira República, quando o Sul do Ceará parecia um caldeirão, os Terésios ali já se destacavam como uma família deveras singular. Enquanto os clãs patriarcais de Várzea Alegre, Crato, Brejo Santo e Lavras da Mangabeira pareciam sempre preparados para a autofagia do banquete familiar, as distâncias entre os membros das famílias Terésios 
gradativamente se iam confundindo. 
        Tocar‑se num Macedo, em Aurora, num Lobo de Macedo, em Lavras, num Vasques Landim, em Missão Velha, era colocar o Tipy, o Calabaço e o Santa Teresa em prontidão. Era incrível como a solidariedade presidia a toda uma rica tradição familiar. No Calabaço, por exemplo, o Sítio onde nasci e onde nasceu Joaryvar, existia uma veneração quase sagrada aos nossos ancestrais e aos parentes que se espalhavam pelos demais municípios da região.

        Quando a projeção dos Terésios já não se continha nos limites da atividade municipal, alguns dos seus membros alçaram voo para o alcance de novas conquistas sociais, entre elas o exercício do governo de várias unidades da Federação, postos de destaque na magistratura estadual e federal, desempenho de funções ministeriais e administrativas nos altos escalões da República.
       O ramo que fincou raízes em Barbalha se projetaria com os Martins de Jesus. Quando eles resolveram se despedir das nascentes do Caldas demandaram em busca de Fortaleza para emprestar definitivos contornos à história cultural do Ceará. Antônio Martins Filho para fundar a Universidade Federal do Ceará e ser seu primeiro Reitor; Cláudio Martins para presidir à Academia Cearense de Letras e ao Conselho Estadual de Educação; Fran Martins para coordenar o Grupo Clã de Literatura, responsável pela implantação definitiva do modernismo no Ceará, e para se destacar como a maior autoridade brasileira no campo do Direito Comercial."

Logo após o momento solene das homenagens, deu-se inicio a Conferencia do memorialista e Conselheiro Cariri Cangaço, João Bosco André; uma legenda viva de Missão Velha; que por mais de uma hora, discorreu de maneira magistral sobre os principais aspectos dos Terésios e em especial apresentou momentos marcantes das histórias de vida de Coronel Santana, Edson Olegário e Quinco Vasques.

"Fantástico! A cada edição do Cariri Cangaço somos surpreendidos pela qualidade, pela clareza e pela riqueza dos conteúdos apresentados." Fala o pesquisador e escritor de Água Branca, Alagoas, Edvaldo Feitosa. Já o Presidente da Câmara Municipal de Missão Velha, Cícero Macedo externou seu agradecimento a todos:"Gostaria de agradecer ao Cariri Cangaço, em nome do seu curador Manoel Severo e a Bosco André pela homenagem feita ao meu tio, Edson Olegário, que sem sombra de dúvida um dos maiores homens de maior referência de nossa família até hoje, que escreveu sua história e que muito nos deixa orgulhosos." 


Bosco André, Manoel Severo, Dona Orlandina e Aderbal Nogueira
 Confraria Cariri Cangaço em Missão Velha
Dona Eailse Linard, Manoel Severo e Amélia Linard 
Tereza Cristina Cornélio, Neli Conceição e Manoel Serafim

Sobre o Coronel Santana, contou Bosco André:
"O afamado cangaceiro Paraibano, Antonio Silvino, esteve também por estas bandas de Missão Velha, sob a proteção do Cel. Antonio Joaquim de Santana, juntamente com alguns dos seus irmãos. Um dos irmãos de Silvino, de nome Pedro Silvino, mantinha uma casa de comércio na Cidade, isso entre os anos de 1902 para 1904 . 
Tendo um dos irmãos do cangaceiro Paraibano, andado metendo os pés pelas mãos em Missão Velha, um belo dia do mês de abril, Antonio Silvino recebeu um recado do Cel. Santana, convocando-o até o seu Quartel General na Serra do Mato. Antonio Silvino, imediatamente selou um animal e se pôs à viagem, ali chegando, já se encontrava à mesa para o jantar o Cel. Santana, que o convidou para sentar-se e  jantar,  Silvino atendeu ao convite, se sentado para jantar, mais com o seu rifle nas pernas.  Terminado o jantar o Cel. Santana, usando o seu linguajar roceiro, disse: “SIM SENHOR ANTONIO SILVINO, MANDEI LHE CHAMAR AQUI, PARA LHE DIZER QUE VOCÊ NÃO TEM MAIS A MINHA PROTEÇÃO EM MISSÃO VELHA”; “O LUGAR DO SEU RIFLE AQUI NA MINHA CASA, ERA ALI NO CANTO DAQUELA PAREDE, HOJE VOCÊ JANTOU NA MINHA MESA COM O RIFLE NAS PERNAS”. 
Imediatamente Antonio Silvino se levantou e convidado pelo coronel Santana pata tomar o café, que se estava sendo colocado na mesa, respondeu-lhe: “NA SUA CASA EU NÃO TOMO MAIS, NEM ÁGUA” e de rifle em punho e já engatilhado, saiu de costas até o alpendre onde se encontrava o seu animal  amarrado e pulando de costas em cima do animal, cortou-lhe a corda que o amarrava na varanda e desceu a Serra rumo a Missão Velha, isso tudo já no escuro total, chovendo muito. 
Chegando em Missão Velha, já noite alta, foi acordar os irmãos e ordenou-lhes que deveriam deixar Missão Velha, antes do dia amanhecer, pois temia um ataque do Cel. Santana. 

O seu irmão que era comerciante, foi acordar os seus vizinhos para vender as mercadorias existentes na sua bodega. Os colegas de comércio, sabendo que os Irmãos Silvinos, tinham que deixar Missão Velha às pressas, ficaram se amarrando para ficar com as mercadorias de graça, foi quando  Pedro Silvino, notando a matreirice dos seus colegas de comércio, começou a espalhar umas latas de gás dentro da sua mercearia e começou a furá-las a punhal. Perguntaram o que ele iria fazer,  ao que ele respondeu-lhes: “VOCÊS ACEREM O QUE É DE VOCÊS, PORQUE EU VOU QUEIMAR O QUE É MEU”; “NÃO VOU DEIXAR NADA DE GRAÇA PRÁ NINGUÉM”, neste instante, os comerciantes que eram seus vizinhos, resolveram a comprar as mercadorias de Pedro Silvino, más o que é certo que antes de amanhecer o dia seguinte, os irmãos Silvinos desocuparam Missão Velha e nunca mais voltaram aqui.  História que me foi contada pelo Sr. José Gonçalves de Lucena. O comércio de Pedro Silvino, ficava localizado na hoje, Rua Cel. José Dantas, onde hoje funciona atualmente o Café de Dona Didi Fideles." 
    
Ângelo Osmiro e Cel Vasques Landim 
Cel. Macedo e Antônio Edson Sobreira Olegário 
Bosco André e Cícero Landim Cruz

Tendo como apresentador da Conferência de João Bosco André e moderador; o pesquisador e escritor sergipano, Archimedes Marques, a solenidade contou ainda com as palavras dos representantes das família homenageadas; Antônio Edson Sobreira Olegário falou em nome da família e em memoria de seu pai; Edson Olegário e Aélio Vasques, falou em nome da família Vasques Landim.

Para o curador do Cariri Cangaço, Manoel Severo, "este dia aqui em Missão Velha enche nosso coração de alegria. A forma como o Cariri Cangaço é recebido, o carinho e o respeito dedicado pela cidade a todos os pesquisadores vindos de todo o Brasil, só nos mostram o tamanho da hospitalidade deste povo maravilhoso, realmente um dia de festa inesquecível, onde os principais personagens de sua história se fazem presentes a partir das homenagens e da conferencia do amigo-irmão Bosco André".

A isso chamo Cariri Cangaço...
Jorge Remígio e Urbano Silva
Wescley Rodrigues, Juliana Pereira e Celsinho Rodrigues

O dia da festa do Cariri Cangaço em Missão Velha estava só começando, logo após a espetacular solenidade na Câmara Municipal e a conferência de Bosco André, os convidados do evento participaram de um autentico almoço sertanejo na Fazenda "Mãe Lucy" em Santa Teresa, de propriedade de um dos homenageados do dia, Antonio Edson Sobreira Olegário, para logo em seguida serem recepcionados por Cícero Landim da Cruz em seu Engenho de Santa Teresa, para a esperada moagem Cariri Cangaço.

Cariri Cangaço
Edição de Luxo - Ano V
Câmara Municipal, 25 de Setembro de 2015
Missão Velha

A Invasão de Lavras por Quinco Vasques

Quinco Vasques ao centro de seus 10 filhos, na Carnauba dos Vasques

A espetacular programação do Cariri Cangaço - Edição de Luxo - Ano V em Lavras da Mangabeira, estava apenas começando. Ao final da tarde daquele 24 de setembro de 2015 a caravana seguiu sob o comando dos pesquisadores Cristina Couto e João Tavares Calixto Junior, para visitar os principais cenários da Invasão de Lavras pelo "Bravo Caririense" Quinco Vasques, de tradicional família do ramo dos Terésios de Missão Velha, isso em 1910.

"No amanhecer de sete de abril de 1910 o centro da cidade de Lavras da Mangabeira, no Centro-Sul cearense, era invadido por cangaceiros comandados por Joaquim Vasques Landim, o Quinco Vasques. Era político o intento, e como alvo, o mandão provisionado do feudo de Dona Fideralina – o Coronel Gustavo Lima. Não são muitos os relatos literários que atentem com riqueza de detalhes a este objeto, e ao presente trabalho, interessa uma tentativa de interpretação através do comparativo de duas versões díspares, principalmente. Nas páginas de O Rebate, periódico que circulou no Cariri entre julho de 1909 e setembro de 1911, nota-se uma destas versões, assegurada por seu redator principal, o Padre Joaquim de Alencar Peixoto. No jornal, uma série de cinco artigos atribui aos coronéis do Crato, inimigos declarados do Pe. Peixoto, participação crucial no evento. A outra versão apoia-se em autos de inquérito e em depoimentos do próprio Quinco Vasques, assim como de testemunhos e atenta à participação dos deportados de Aurora junto aos inimigos políticos lavrenses, próprios parentes do Cel. Gustavo, a fim de expulsarem-no, à bala, do poder municipal. Este episódio configurou-se como um dos de maior repercussão no cenário coronelístico do Nordeste do Brasil, à época, não só pela tentativa de deposição, propriamente, mas pela audácia na violação da predominância política estabelecida pela matrona Fideralina 
e o clã dos Augustos."   
Calixto Junior estabeleceu cinco paradas dentre as mais importantes que nos levariam ao episódio marcante de 1910. Em primeiro lugar, ainda fora do centro de Lavras fomos ao Trevo que divide os municípios de Lavras, Aurora e Caririaçu, de onde partiu Quinco Vasques com um razoável grupo de 50 jagunços e cangaceiros. Dali partimos para o Sítio Outeiro onde Quinco Vasques pediu que fossem redigidos dois bilhetes, "um para o Coronel Gustavo Augusto e outro para a polícia local". No Oiteiro o grupo de invasores já somavam mais de 100 homens em armas.

Numa terceira parada, agora já dentro da cidade, no "Beco da Igreja" a confraria Cariri Cangaço, sempre sob a orientação de Calixto Junior, conheceu o local das primeiras trincheiras e o local onde se fez a única vítima do inusitado episódio. Quinco Vasques comandou seus homens subindo pela Igreja e percorrendo os becos do centro até chegar a Casa dos Augusto, primeiro a casa de Dona Fideralina, que se encontrava no Sítio Tatu e depois prosseguiram em combate para a casa do principal protagonista da defesa, coronel Gustavo Augusto.

Primeira parada no Trevo de entrada de Lavras
Calixto Junior e Manoel Severo
 Caravana Cariri Cangaço na segunda parada no Oiteiro
 Terceira parada no "Beco da Matriz"
 Antônio Tomaz e Aderbal Nogueira em frente a Casa de dona Fideralina
Última parada: Casa do Coronel Gustavo Augusto

"Joaquim Vasques Landim, o Quinco Vasques ou Quinco Vasco. Nascido em 1874, aos 5 de janeiro, no sítio Santa Teresa (Missão Velha), veio casar-se em 1893, aos 9 de novembro, com Maria da Luz de Jesus (Marica), de 20 anos de idade, nascida no Sítio Olho d'água Comprido, do referido município. Depois de casado, Quinco Vasques deixou Santa Teresa, indo residir no sítio Tipi, em Aurora, onde foi vaqueiro de seu parente José Antônio de Macêdo (Cazuza). Morou, depois, nos sítios Boca das Cobras, em Juazeiro do Norte, Bico da Arara, na Serra de São Pedro (Caririaçu), e Passagem de Pedras, confinando-se este com o de Santa Teresa, seu local de origem."  

Quinco Vasques

"Vasques realizou diversas proezas. Questionou com os poderosos de Missão Velha, Isaías Arruda e Sinhô Dantas, sem objeção. Juntamente a três filhos, dentro de um vagão de trem, defrontou o temíveis Paulinos, de Aurora, que o haviam jurado para um primeiro encontro, mas retrocederam.  Todavia, nada se compara ao evento de 7 de abril de 1910, em Lavras da Mangabeira. Com efeito, Quinco Vasques abalaria as estruturas de uma das mais fortes oligarquias do Nordeste, até então, exclusivamente por eles próprios deturpada. Teria sido Joaquim Vasques um jagunço ou algum tipo de facínora? Seria Vasques um mercenário, ou apenas um aventureiro? Teria sido um herói regional, ou meramente alguém que, pelos repetidos atos de destemor, ganharia fama de bravo, tão somente?"


Caravana Cariri Cangaço no Sítio Outeiro em Lavras da Mangabeira

Depois de percorrer os principais cenários da invasão a Caravana Cariri Cangaço foi recebida no gabinete do prefeito municipal de Lavras da Mangabeira, Dr Tavinho Bisneto, onde foram apresentadas armas e outros artefatos pertencentes ao seu Bisavô, coronel Gustavo Augusto Lima. Do gabinete do Paço Municipal a confraria Cariri Cangaço se deslocou até a Câmara Municipal onde participou de Conferência, Debate e Lançamento do Livro de Calixto Junior "Considerações sobre a Invasão de Lavras em 1910.

Prefeito Tavinho Augusto e Manoel Severo
Veridiano Dias e o bacamarte de Coronel Gustavo Augusto

A solenidade marcou também a entrega de Títulos de Amigo do Cariri Cangaço aos pesquisadores; José Sabino Bassetti de Salto, São Paulo; Alcides Carneiro de João Pessoa, Paraíba e Reclus de Plá de Santana de Duque de Caxias, Rio de Janeiro, além do conferencista da noite, pesquisador e escritor João Tavares Calixto Júnior.

 Secretária de Cultura Cristina Couto
 Manoel Severo
Câmara Municipal de Lavras da Mangabeira
João Tavares Calixto Junior , a Conferencia e Título do Cariri Cangaço
Fátima Cruz entrega Diploma Cariri Cangaço ao pesquisador Sabino Bassetti
 Geraldo Ferraz entrega Diploma ao pesquisador Reclus De Plá de Santana
Oleone Coelho Fontes entrega Diploma ao pesquisador Alcides Carneiro

"De acordo com o processo faziam parte do grupo armado de Quinco Vasques, dentre outros, os seguintes: Fenelon Carneiro Guerra, José Lino Simões, Vicente Maurício, Tremeterra, Matias de Tal, Belo Fernandes (vulgo Belinho), Pedro Calangro, Manoel Mouco, João Marreca, José Terto, Antão de Tal, Joaquim Gonçalves, José Cornélio, João Mariano, José Rosa, João Paulino, Ildefonso de tal, Joaquim Jardim, Antônio Sabino, Antônio Rosa, Josino (filho de Antão de tal) e Zezé. Ao término da luta, constatavam-se na turma de Vasques, alguns feridos, ao passo que do lado de Gustavo, tombara sem vida o subdelegado local, Possidônio Faustino.   

Contam alguns lavrenses, mais em dia com os acontecimentos da terra, que o referido Possidônio Faustino, que também guardava fama de jagunço ou cangaceiro, recebera tiro de rifle na testa, durante a refrega. Afirmam que a primeira trincheira, teria sido erguida nas proximidades do beco da Matriz, e que os cangaceiros Carneiro, Vicente Justino, Bodega e os Leandros, todos do grupo de Gustavo, aguardavam a tropa de Vasques, de prontidão, junto a Possidônio. Informam ainda, que o referido Bodega, que ladeava o subdelegado Possidônio durante o tiroteio, avisava sobre o risco que aquele corria ao atirar e depois, erguer-se numa tentativa curiosa de conferir o resultado. A cada tiro dado pelo militar, observava atento um dos cangaceiros de Vasques, que, no minuto propício, acertou-o de fronte à face. Do centro de Lavras, depois de recuado o bando, rumou Joaquim Vasques com o grupo ao Sítio Calabaço, no riacho do Rosário, cujos proprietários, à época o Capitão Joaquim Lobo de Macêdo e Maria Joaquina da Cruz, lhes eram parentes. Atente-se ao fato de que a esposa de Vasques, Maria da Luz de Jesus, era prima legítima da referida Maria Joaquina da Cruz.  Na casa do engenho, onde os feridos receberam curativos, descansou e alimentou-se o batalhão, enquanto na casa-grande, repousava o chefe . Tornou-se providencial a casa grande no Calabaço já que a investida, sofrivelmente praticada, fracassou e o percurso de volta seria longo. O malogro do ataque teria de ser fatal por deficiência de planejamento. O contingente foi inexpressivo (cento e cinquenta homens), calculadamente, enquanto não se ignora que, nos casos de deposições, algumas centenas eram organizadas. Na de Totonho Leite em Aurora, por exemplo, arrebanharam-se cerca de seiscentos. Além disso, os atacantes já chegaram fatigados, tendo perfeito a jornada a pé, tirando mais de uma légua por hora [9]. Considerem-se, ainda, a insuficiência de munição, bem como os preparativos para a resistência e defesa dos atacados, sem se falar no reforço policial que se aproximava da cidade ao ensejo da debandada. Refeitos da fadiga, reestabelecidas as forças no sítio Calabaço, retornou Quinco Vasques com seus homens, a Caririaçu, tendo alguns se dispersado no trajeto."  

Trechos dessa postagem, em grifo vermelho: Passagens do Livro "Considerações sobre a Invasão de Lavras em 1910" de João Tavares Calixto Junior, lançado nesta noite.

Cariri Cangaço
Edição de Luxo - Ano V
Percurso em Lavras e Câmara Municipal
Lavras da Mangabeira, 24 de Setembro de 2015