Cariri Cangaço Recebido com Festa em Missão Velha

Mesa de Abertura em Missão Velha

O terceiro dia de Cariri Cangaço - Edição de Luxo - Ano V, 25 de setembro de 2015, marcou a chegada da Caravana ao Portal do Cariri: A acolhedora Missão Velha reuniu seus filhos e as mais tradicionais famílias do tronco "Terésio" para festejar a maior festa da Alma Nordestina. As 9 horas da manhã sob o comando do Presidente da Câmara Municipal, vereador Cícero Macedo; foi aberta a Sessão Solene que marcaria o inicio das atividades no município homenageando os Terésios. Mas para continuarmos nossa história, vamos abrir um parêntese e nos valer do talento literário do grande Dimas Macedo, sobre...os Téresios: 

"Quando o historiador João Brígido dos Santos, em fins do século dezenove, vasculhava os arquivos da história do Cariri, a esses meus antecedentes já se referia como nucleadores de várias povoações e fazendas de criar, entre todas, sobressaindo‑se aquela denominada Engenho Santa Teresa, fundada pelo capitão Domingos Paes Landim, um dos pioneiros da colonização do Ceará.
         Núcleo originário e socioeconômico das famílias Terésios, segundo observações dos maiores historiadores do Cariri, a exemplo de Irineu Pinheiro e do Padre Antônio Gomes de Araújo, que pesquisaram as suas ori­gens e os primeiros anos da sua formação, o Engenho Santa Teresa, por séculos afora, manteria acesa a temperatura das suas chaminés.

Manha de luxo em Missão Velha: Archimedes Marques, Antonio Edson Olegário, 
Ângelo Osmiro e Célia Magalhães
O Brasil de Alma Nordestina se encontrou em Missão Velha

         Continua Dimas Macedo: "Deles, os Terésios, ocupar-se-ia o historiador Joaryvar Macedo ao traçar as linhas da sua inculcada genealogia, deten­do‑se na descendência do Capitão Domingos Paes Landim e da sua mulher Isabel da Cruz Neves, ascendentes dos Terésios que hoje se reúnem para proclamar a glória de Antônio Martins Filho e reconhecer o quanto Joaryvar Macedo é um imenso 
traço de união entre nós. 
       No seu monumental e não por demais relembrado – A Estirpe da Santa Teresa (Fortaleza: Imprensa Universitária, 1976) –, cuja segunda edição ora se dá à estampa, Joaryvar Macedo desvenda a linhagem dessas famílias e nos leva a intuir o que a trajetória dos Terésios 
pode­ria representar como desafio para os his­toriadores e sociólogos do Ceará. Abstraindo‑se o dado genealógico da questão dos Terésios, o que registrou a historiografia sul‑cearense, pertinente aos la­bores nos quais se envolveram muitos dos seus integrantes, a mim me parece constituir algo de substância singular com que a pesquisa histórica e a sociologia política podiam muito bem se entreter.Costumo dizer as pessoas que me abordam acerca dos Terésios, que o conjunto das suas aventuras nos per­mite cultuar uma tradição familiar que se arraigou na cultura da região do Cariri, por meio da sua mais forte tradição."

Brasões das Família Terésias, fonte: familiavasqueslandim.blogspot.com.br

A partir da apresentação do majestoso tronco familiar responsável por boa parte da colonização de nosso Cariri, deu-se inicio ao terceiro dia de Cariri Cangaço, desta vez em Missão Velha, quando a curadoria através de Manoel Severo resolveu homenagear a três destes importantes personagens da linhagem dos Terésios: Coronel Santana, da Serra do Mato; Quinco Vasques, o Bravo Caririense e Edson Olegário, deputado e prefeito, ali representados por vários descendentes, amigos e admiradores.

Com o plenário do legislativo totalmente lotado, foi entregue a vários homenageados o Título de Amigo do Cariri Cangaço. Receberam a honraria; Antônio Edson Sobreira Olegário, representando seu pai, deputado e figura emblemática da história de Missão Velha, Edson Olegário; Orlandina Figueiredo, filha do memorável Coronel Izaias Arruda; Valmir Olegário de Santana representando as família Olegário e Santana;o Coronel Vasques Landim, representando a família Vasques Landim e ainda representando a família Cruz, o Dr. Cícero Landim da Cruz.

Espetacular Conferência de Bosco André
Cel Santana, Edson Olegário e Quinco Vasques
Manoel Severo, Cícero Macedo, Orlandina Figueiredo e Aélio Landim

E continuamos com Dimas Macedo...
" Em verdade, quando o Coronel Joca do Brejão mandava no Município de Barbalha, Antônio Joaquim de Santana era senhor absoluto em Missão Velha, Felinto da Cruz Neves resistia aos ataques dos seus adversários, em Santana do Cariri, e Marica Macedo do Tipy escrevia, com tintas de destemor e bravura, a chamada “Ques­tão do Oito” em Aurora, parece inquestionável que os Terésios espelhavam a elite mais refinada da República do Cariri. E, mais ainda, era evidente o papel dos Terésios quando se divisava que o tenente‑coronel José Joaquim de Maria Lobo era o mentor das irmandades religiosas de Juazeiro e alter ego do Padre Cícero Romão, no período que antecedeu a Floro Bartolomeu, e quando o Município de Aurora se ocupava em produzir um homem do porte de Joaquim Vasques Landim, o célebre Quinco Vasques, que ousou violar o feudo de Dona Fideralina, em Lavras da Mangabeira, escrevendo, aos 7 de abril de 1910, uma das páginas mais palpitantes da história do Ceará.


 Grande Festa do Cariri Cangaço em Missão Velha
Pesquisadores de todo o Brasil em Missão Velha
        
E ainda nos valemos de Dimas Macedo:"Nos velhos tempos da Primeira República, quando o Sul do Ceará parecia um caldeirão, os Terésios ali já se destacavam como uma família deveras singular. Enquanto os clãs patriarcais de Várzea Alegre, Crato, Brejo Santo e Lavras da Mangabeira pareciam sempre preparados para a autofagia do banquete familiar, as distâncias entre os membros das famílias Terésios 
gradativamente se iam confundindo. 
        Tocar‑se num Macedo, em Aurora, num Lobo de Macedo, em Lavras, num Vasques Landim, em Missão Velha, era colocar o Tipy, o Calabaço e o Santa Teresa em prontidão. Era incrível como a solidariedade presidia a toda uma rica tradição familiar. No Calabaço, por exemplo, o Sítio onde nasci e onde nasceu Joaryvar, existia uma veneração quase sagrada aos nossos ancestrais e aos parentes que se espalhavam pelos demais municípios da região.

        Quando a projeção dos Terésios já não se continha nos limites da atividade municipal, alguns dos seus membros alçaram voo para o alcance de novas conquistas sociais, entre elas o exercício do governo de várias unidades da Federação, postos de destaque na magistratura estadual e federal, desempenho de funções ministeriais e administrativas nos altos escalões da República.
       O ramo que fincou raízes em Barbalha se projetaria com os Martins de Jesus. Quando eles resolveram se despedir das nascentes do Caldas demandaram em busca de Fortaleza para emprestar definitivos contornos à história cultural do Ceará. Antônio Martins Filho para fundar a Universidade Federal do Ceará e ser seu primeiro Reitor; Cláudio Martins para presidir à Academia Cearense de Letras e ao Conselho Estadual de Educação; Fran Martins para coordenar o Grupo Clã de Literatura, responsável pela implantação definitiva do modernismo no Ceará, e para se destacar como a maior autoridade brasileira no campo do Direito Comercial."

Logo após o momento solene das homenagens, deu-se inicio a Conferencia do memorialista e Conselheiro Cariri Cangaço, João Bosco André; uma legenda viva de Missão Velha; que por mais de uma hora, discorreu de maneira magistral sobre os principais aspectos dos Terésios e em especial apresentou momentos marcantes das histórias de vida de Coronel Santana, Edson Olegário e Quinco Vasques.

"Fantástico! A cada edição do Cariri Cangaço somos surpreendidos pela qualidade, pela clareza e pela riqueza dos conteúdos apresentados." Fala o pesquisador e escritor de Água Branca, Alagoas, Edvaldo Feitosa. Já o Presidente da Câmara Municipal de Missão Velha, Cícero Macedo externou seu agradecimento a todos:"Gostaria de agradecer ao Cariri Cangaço, em nome do seu curador Manoel Severo e a Bosco André pela homenagem feita ao meu tio, Edson Olegário, que sem sombra de dúvida um dos maiores homens de maior referência de nossa família até hoje, que escreveu sua história e que muito nos deixa orgulhosos." 


Bosco André, Manoel Severo, Dona Orlandina e Aderbal Nogueira
 Confraria Cariri Cangaço em Missão Velha
Dona Eailse Linard, Manoel Severo e Amélia Linard 
Tereza Cristina Cornélio, Neli Conceição e Manoel Serafim

Sobre o Coronel Santana, contou Bosco André:
"O afamado cangaceiro Paraibano, Antonio Silvino, esteve também por estas bandas de Missão Velha, sob a proteção do Cel. Antonio Joaquim de Santana, juntamente com alguns dos seus irmãos. Um dos irmãos de Silvino, de nome Pedro Silvino, mantinha uma casa de comércio na Cidade, isso entre os anos de 1902 para 1904 . 
Tendo um dos irmãos do cangaceiro Paraibano, andado metendo os pés pelas mãos em Missão Velha, um belo dia do mês de abril, Antonio Silvino recebeu um recado do Cel. Santana, convocando-o até o seu Quartel General na Serra do Mato. Antonio Silvino, imediatamente selou um animal e se pôs à viagem, ali chegando, já se encontrava à mesa para o jantar o Cel. Santana, que o convidou para sentar-se e  jantar,  Silvino atendeu ao convite, se sentado para jantar, mais com o seu rifle nas pernas.  Terminado o jantar o Cel. Santana, usando o seu linguajar roceiro, disse: “SIM SENHOR ANTONIO SILVINO, MANDEI LHE CHAMAR AQUI, PARA LHE DIZER QUE VOCÊ NÃO TEM MAIS A MINHA PROTEÇÃO EM MISSÃO VELHA”; “O LUGAR DO SEU RIFLE AQUI NA MINHA CASA, ERA ALI NO CANTO DAQUELA PAREDE, HOJE VOCÊ JANTOU NA MINHA MESA COM O RIFLE NAS PERNAS”. 
Imediatamente Antonio Silvino se levantou e convidado pelo coronel Santana pata tomar o café, que se estava sendo colocado na mesa, respondeu-lhe: “NA SUA CASA EU NÃO TOMO MAIS, NEM ÁGUA” e de rifle em punho e já engatilhado, saiu de costas até o alpendre onde se encontrava o seu animal  amarrado e pulando de costas em cima do animal, cortou-lhe a corda que o amarrava na varanda e desceu a Serra rumo a Missão Velha, isso tudo já no escuro total, chovendo muito. 
Chegando em Missão Velha, já noite alta, foi acordar os irmãos e ordenou-lhes que deveriam deixar Missão Velha, antes do dia amanhecer, pois temia um ataque do Cel. Santana. 

O seu irmão que era comerciante, foi acordar os seus vizinhos para vender as mercadorias existentes na sua bodega. Os colegas de comércio, sabendo que os Irmãos Silvinos, tinham que deixar Missão Velha às pressas, ficaram se amarrando para ficar com as mercadorias de graça, foi quando  Pedro Silvino, notando a matreirice dos seus colegas de comércio, começou a espalhar umas latas de gás dentro da sua mercearia e começou a furá-las a punhal. Perguntaram o que ele iria fazer,  ao que ele respondeu-lhes: “VOCÊS ACEREM O QUE É DE VOCÊS, PORQUE EU VOU QUEIMAR O QUE É MEU”; “NÃO VOU DEIXAR NADA DE GRAÇA PRÁ NINGUÉM”, neste instante, os comerciantes que eram seus vizinhos, resolveram a comprar as mercadorias de Pedro Silvino, más o que é certo que antes de amanhecer o dia seguinte, os irmãos Silvinos desocuparam Missão Velha e nunca mais voltaram aqui.  História que me foi contada pelo Sr. José Gonçalves de Lucena. O comércio de Pedro Silvino, ficava localizado na hoje, Rua Cel. José Dantas, onde hoje funciona atualmente o Café de Dona Didi Fideles." 
    
Ângelo Osmiro e Cel Vasques Landim 
Cel. Macedo e Antônio Edson Sobreira Olegário 
Bosco André e Cícero Landim Cruz

Tendo como apresentador da Conferência de João Bosco André e moderador; o pesquisador e escritor sergipano, Archimedes Marques, a solenidade contou ainda com as palavras dos representantes das família homenageadas; Antônio Edson Sobreira Olegário falou em nome da família e em memoria de seu pai; Edson Olegário e Aélio Vasques, falou em nome da família Vasques Landim.

Para o curador do Cariri Cangaço, Manoel Severo, "este dia aqui em Missão Velha enche nosso coração de alegria. A forma como o Cariri Cangaço é recebido, o carinho e o respeito dedicado pela cidade a todos os pesquisadores vindos de todo o Brasil, só nos mostram o tamanho da hospitalidade deste povo maravilhoso, realmente um dia de festa inesquecível, onde os principais personagens de sua história se fazem presentes a partir das homenagens e da conferencia do amigo-irmão Bosco André".

A isso chamo Cariri Cangaço...
Jorge Remígio e Urbano Silva
Wescley Rodrigues, Juliana Pereira e Celsinho Rodrigues

O dia da festa do Cariri Cangaço em Missão Velha estava só começando, logo após a espetacular solenidade na Câmara Municipal e a conferência de Bosco André, os convidados do evento participaram de um autentico almoço sertanejo na Fazenda "Mãe Lucy" em Santa Teresa, de propriedade de um dos homenageados do dia, Antonio Edson Sobreira Olegário, para logo em seguida serem recepcionados por Cícero Landim da Cruz em seu Engenho de Santa Teresa, para a esperada moagem Cariri Cangaço.

Cariri Cangaço
Edição de Luxo - Ano V
Câmara Municipal, 25 de Setembro de 2015
Missão Velha

5 comentários:

Anônimo disse...

FALTOU A FESTA NA MOAGEM CARIRI CANGAÇO FRANQUEADA PELO GRANDE CANGACEIRO CICERO LANDIM DA CRUZ, PROPRIETÁRIO E CONTINUADOR DO PRIMEIRO ENGENHO ENGENHO DE CANA DO CARIRI, FUNDADO NA SANTA TEREZA POR VOLTA DO ANO DE 1730 PELO PATRIARCA JOSÉ PAZ LANDIM. PARABÉNS GRANDE SEVERO!

CARIRI CANGAÇO disse...

Não se preocupe amigo Bosco !!!! rsrsrsrs, a maravilhosa MOAGEM CARIRI CANGAÇO será postada amanha !!! rsrsrsrsr Valew meu amigo, parabens !!!! Missão Velha foi simplesmente Sensacional !!!

Anônimo disse...

DONA ORLANDINA FOI O MELÃO DE CHEIRO DA CANGACEIRADA.

Higor Reinaldo disse...

Minha vo e olegario o nome dela é Maria olegario nascida na cidade de Rio formoso Pernambuco no ano de 1932 cujo o pai e antonio olegario da silva e a mãe Maria celeste da silva ela saiu do Ceará mais ou menos no ano de 1960 depois de se casar e nunca mais voltou ela ainda esta viva com saúde mais pouca memória não sabemos de irmãos ou outros familiares por favor se puder fazer uma busca ou algo assim desde já agradecemos a moramos no mato grosso na cidade de sinop meu nome é higor meu número é 66 99758323 obrigado e abraco

Higor Reinaldo disse...

Oi minhá vo e Maria olegario nasceu em 1932 no município de Rio formoso Pernambuco e filha de antonio olegario da silva e Maria celeste da silva depois que minhá vo se casou no ano de 1950 depois logo já saiu do município rodando esse Brasil e a mais de 30 anos mora no mato grosso ela está meio sem memória não lembra dos famíliares e nos tamBen não sabemos quem era as irmãs se tem alguém vivo etc elá lembra que uma irmã irmã se chamava Maria da conseicao olegario e Severina olegario e lindalva olegario se puderem ajudar com algo ficaremos grato minha vo ainda é viva e meu vo também mais meu vo o nome dele é antonio e antonio Joaquim reinaldo pernambucano e ten hoje 99 anos já minha vo tem 83 anos meu nome é higor sou neto e procuro saber do passado de minha vo já que ela não lembra meu número pra cotato e 66 99758323