Piranhas recebe a Caravana de Maria Bonita...

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Piranhas...

Logo após a Trilha do Angico, o município de Piranhas ofereceu um almoço festivo aos participantes e convidados do Seminário Internacional do Centenário de Maria Bonita, no restaurante Lampião, às margens do Velho Chico, a prefeita Melina Freitas e o Secretário de Cultura e Turismo, José Cláudio Cacau, receberam os Vaqueiros da História.

Prefeita Melina Freitas e Manoel Severo

João de Sousa Lima e Secretário de Cultura e Turismo Cacau
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Maria Bonita 100 anos de história

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Mesa de abertura do segundo Ciclo de Conferências

Com o título "Maria Bonita 100 anos de história", aconteceu o segundo Ciclo de Conferências do Seminário Internacional do Centenário de Maria Bonita. Desta vez na tarde da quinta-feira, no auditório municipal Miguel Medeiros, em Piranhas, Alagoas.

Antônio Galdino, Mestre de Cerimônia
 
 Jairo Luiz e João de Sousa Lima, Conferencistas da tarde

Tivemos duas conferências na tarde da quinta-feira na cidade de Piranhas. O turismólogo, pesquisador e escritor Jairo Luiz, discorreu sobre a importência do Seminário Internacional do Centenário de Maria Bonita, dentro do contexto do fortalecimento do turismo histórico, cultural e de lazer na região do baixo São Francisco, destacando as iniciativas exitosas do município de Piranhas com relação à Trilha do Cangaço. Jairo também destacou a importância do fortalecimento de iniciativas exitosas como o Cariri Cangaço, promovendo integração e parceria entre várias instituições e municípios.

A segunda conferência da tarde ficou a cargo do pesquisador e escritor João de Sousa Lima, um dos promotores do evento, que apresentou uma síntese da vida da Rainha do Cangaço, desde os tempos de menina, na Malhada da Caiçara, passando por seu casamento com José de Nenem, a entrada no cangaço, e o desfecho da paixão e morte no Angico, capítulo final da saga de Lampião e Maria Bonita.

 
Bosco André, representando o Cariri Cangaço e Ângelo Osmiro, representando a SBEC, compondo a Mesa.
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Canindé, terceiro anfitrião no Centenário da Rainha do Cangaço

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Concluindo as atividades do segundo dia do Seminário Internacional do Centenário de Maria Bonita, o Ciclo de Conferências da noite, aconteceu no município sergipano de Canindé do São Francisco, a pouco mais de 15km de Piranhas.

 Mesa de Abertura em Canindé do São Francisco
Jairo Luiz e Ângelo Osmiro, debatedores da noite

As Conferências ficaram a cargo do deputado estadual, pesquisador do cangaço, Inácio de Loiola, que apresentou uma síntese dos dois últimos dias de vida de Lampião, 27 e 28 de julho de 1938, o antescendente e o dia final do cerco e fogo do Angico, onde morreram Lampião, Maria Bonita, nove cangaceiros e o volante Adrião. Inácio destacou dentre outros aspectos: A pressão que o  governo getulhista passava a exercer sobre os interventores do nordeste, as pretensas ligações de comandantes de volantes e coiteiros poderosos, com o chefe cangaceiro e os últimos fatos e atos que culminaram na morte de Virgulino e sua Maria.

deputado Inácio Loiola

Já Alcino Alves Costa, reconhecido pesquisador e escritor do município de Poço Redondo, trouxe aspectos da vida pessoal e íntima de Maria de Oliveira Gomes, a Maria do Capitão e para o resto do planeta, a Maria Bonita. Seus pretensos anseios e sonhos de menina moça, seu casamento destruido, sua aproximação e a devastadora paixão pelo Rei do Cangaço, a fuga para aventura pelas caatingas até seu fim em Angico.

Alcino Alves Costa, o decano.

Alcino e Inácio Loiola

 Manoel Severo e os professores Emanuel e João Paulo do Projeto Memória de Dores

Ao final das atividades do dia, o município de Canindé do São Francisco ofereceu jantar para os participantes e convidados do Seminário Internacional.
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Alcançamos 1012 acessos no dia de ontem...

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Antes de trazermos as principais novidades e tudo o que está acontecendo no I Seminário Internacional do Centenário de Maria Bonita, registramos o maior acesso que essa nossa página recebeu desde que foi criada a 1 ano e oito meses: 1012 acessos nesta última quinta-feira... 

Para todos os que fazem a família Cariri Cangaço é realmente uma grande satisfação. obrigado aos amigos deste planeta global pela confiança, o respeito e o constante apoio. Na verdade, essa página pertence a cada um de vocês.

Dentro de poucas horas estaremos postando tudo sobre Paulo Afonso e os vaqueiros da história que estão presentes no Seminário de Maria Bonita, acontecendo também em Piranhas e Canindé.

Manoel Severo
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I Feira de Literatura de Cordel Hoje em Serra Talhada

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Poetas de todas as idades e de todos os cantos do Nordeste mantém viva a tradição com suas publicações que fascinam as pessoas das mais diversas gerações. Os versos não mais estão apenas nas feiras, é comum encontrarmos dentro das universidades, na rede mundial de computadores, nas pequenas vilas e grandes metrópoles.  A I Feira de Literatura de Cordel é para juntar esse pessoal e fazer um brinde a nossa identidade cultural.




I FEIRA DE LITERATURA

DE CORDEL DO SERTÃO
Dia 25 de março/2011
No Museu do Cangaço - Serra Talhada/ PE

16h00min – Palestra - Cordel e Identidade Cultural: Aspectos históricos, econômicos, sociais e simbólicos da literatura popular escrita no Nordeste brasileiro, com Adriano Marcena.


19h30min – Apresentação do Grupo de Xaxado Cabras de Lampião
20h00min - Recital com vários  poetas cordelistas.

Anildomá Willians
PONTO DE CULTURA CABRAS DE LAMPIÃO
Serra Talhada/PE.
(87) 3831 3860
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Atenção...Todos a Paulo Afonso!

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ATENÇÃO

Só faltam dois dias para o Seminário Internacional do Centenário de Maria Bonita; o confrade João de Sousa já finaliza os preparativos para juntamente com os amigos de Paulo Afonso, Piranhas e Canindé de São Francisco, acolherem a todos os estudiosos, pesquisadores e curiosos do tema. O evento inicia nesta quarta-feira as 19 horas em Paulo Afonso e se extende até o próximo sábado. As conferencias se darão nas tres cidades anfitriãs (ver programação no site: joaodesousalima.blogspot.com).

Os confrades do GECC - Grupo de Estudos do Cangaço do Ceará e membros da SBEC- Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço, se preparam para a empreitada. De Fortaleza teremos duas caravanas; uma sob o comando de Ângelo Osmiro que estará passando também por Mossoró para arrebanhar os confrades daquelas bandas; outra sob o camando de Aderbal Nogueira que se deslocará pelo sertão do Ceará, passando por Quixadá, Brejo Santo, enfim.

Nós, estaremos saindo do Cariri; agora a tarde chega a Crato o pesquisador francês Jack de Wite, ficará conosco  esses dias e partiremos na quarta pela manhã para Paulo Afonso, ao lado do amigo pesquidador Bosco André e José Cícero.

Manoel Severo
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A visão de Josias Valão Por: Roberto Vila Nova

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Abaixo transcrevemos trecho da entrevista concedida pelo ex-volante Josias Valão ao jornalista Roberto Vila Nova, e pulbicada no site alagoas24horas.com

Ex-volante Josias Valão

Militar de Alagoas como soldado temporário para combater os cangaceiros que agitavam no sertão do Estado; aos 85 anos, depois do célebre tiroteio que deu cabo a Virgolino Ferreira – o Lampião – ele é o pacato cidadão que serve de peça-chave do Museu do Cangaço, em Piranhas, a 278 quilômetros de Maceió. O ex-soldado Josias Valão dos Santos é uma das últimas testemunhas vivas de uma época de subversão no sertão nordestino, com a atuação de bandos de cangaceiros e salteadores.
Funcionário da Prefeitura da Piranhas, ele está sempre à disposição do visitante e do pesquisador para contar sobre os três anos – ele ingressou na volante do sargento Aniceto quando tinha 15 anos de idade – mas, cuidadoso, fala só do que viu e ouviu; não fala sobre o cerco a Angico, ocorrido em 28 de julho de 1937, quando a polícia alagoana acabou com Lampião e seu bando.
“Nesse dia eu não fui; o sargento Aniceto me deixou em Piranhas porque no dia anterior eu tinha machucado o pé e não podia fazer a marcha forçada na caatinga. Fique aqui de sobreaviso”, relembra.
E como ficou em Piranhas, de sobreaviso, coube-lhe a missão que ele ainda hoje, 67 anos depois, recorda com náuseas – foi ele quem juntou as 11 cabeças dos cangaceiros mortos, entre eles Lampião, Maria Bonita e Luiz Pedro, para a fotografia. Mas, quando lhe perguntam se identificou entre os cangaceiros mortos o líder famoso e a sua mulher, Josias é cauteloso: “Eu nunca vi Lampião nem Maria Bonita, mas quem os conheciam garante que eram eles mesmo. E eu tenho de acreditar”, sustenta.
Volante de João Bezerra; responsável pelo ataque a Angico
Natural de Piranhas e sendo o município a base da volante do tenente João Bezerra – o oficial era casado com uma nativa – não foi difícil para Josias ingressar na volante; ele recorda que levou muita carreira dos policiais, quando era garoto. “Até os 12 anos de idade eu não podia ver a volante chegar em Piranhas que ia me juntar aos soldados; fazia mandados deles e até acompanhava a volante. Muitas vezes os soldados me colocavam para correr”, lembra.
A disposição daquele menino chamou a atenção do sargento Aniceto; quando Josias completou 15 anos o sargento perguntou se desejava acompanhar a volante – sua missão seria ajudar a distribuir a munição com os combatentes; no início ele não iria participar dos combates. Josias aceitou; além da vocação, tinha a necessidade. Com o soldo ele ajudava a família e ainda juntou alguns trocados.
Josias é modesto; diz que tem pouco segredo e justifica pelo tempo – apenas três anos – na volante, mas o que testemunhou daria para reverter parte da história do cangaço. Josias conta, por exemplo, que Lampião estava tuberculoso – doença natural na época; e que levava à morte; em 1938 o maior famoso chefe de cangaceiro evitava os combates, como aconteceu na Fazenda Patos, no povoado Caboclo, no atual município de São José da Tapera. “Uma manhã Lampião topou com o sargento Aniceto e, para surpresa da gente, não quis brigar.


Estácio de Lima com as cabeças mumificadas de Lampião e Maria Bonita
O sargento dizia que o Luiz Pedro pedia para ele brigar, gritava desesperado. A gente estava com pouca munição e esperava que ele tivesse a iniciativa, mas Lampião foi embora”, conta.
O ex-soldado justifica assim o fato de Lampião não ter adotado as providências recomendáveis para quem deseja acampar. “Das duas uma: ou ele (Lampião) confiava demais no coito (esconderijo) ou não estava ligando mais para nada; queria se entregar, como se comentava no sertão naquela época. Mesmo que ele quisesse se entregar, teria de ter tomado alguns cuidados.
Por exemplo: Lampião sempre andava com cachorros de caça, mas, naquela madrugada, o cachorro tinha acompanhado o cangaceiro que foi buscar o leite e isto não dá para entender porque não ficou ninguém guarnecendo os postos das sentinelas”, disse.
Outro episódio que chamou a atenção de Josias foi a rebeldia do cangaceiro apelidado de “Diferente”, que era viciado em baralho e, quando estava perdendo, falava palavrões. Numa partida em que se encontravam Lampião, Luiz Pedro, Maria Bonita e Sabonete, o cangaceiro soltou palavrões e foi recriminado por Luiz Pedro, que o chamou a atenção para a presença de Maria Bonita na mesa.
E o cangaceiro desbocado reagiu, dizendo que Maria Bonita não era nenhuma santa. “Você (Luiz Pedro) come ela (Maria Bonita)”, relatou Josias, dizendo que essa passagem foi contada ao sargento Aniceto por um coiteiro. “A surpresa é que Lampião fez que não ouviu nada”, arrematou.
Quando Lampião foi morto, na manhã do dia 28 de julho de 1938, Josias recorda que todos os cuidados tinham sido adotados para surpreender o cangaceiro. Por exemplo: o trem chegou à Estação de Piranhas sem apitar – foi a primeira vez que isso aconteceu. E o telegrafista da Rede Ferroviária ( Valdemar Damasceno, avô do desembargador Washington Luis e dos prefeitos Inácio Loiola, de Piranhas, e Xepa, de Olho D´Agua do Casado), passou o seguinte telegrama cifrado: “Tenente Bezerra, tem boi no pasto”. O tenente Bezerra estava em Delmiro Gouveia.
FONTE:www.alagoas24horas.com.br
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UBE Pernambuco Convida.

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CONVITE ESPECIAL PARA ESTA SEGUNDA-FEIRA

A União Brasileira de Escritores, secção Pernambuco, convida para a edição inaugural do programa Conversa de Segunda, que ocorrerá todas as terceiras segundas-feiras de cada mês. Nesta edição, o programa promoverá um bate-papo com a escritora e pesquisadora do cangaço, Rosa Bezerra, tendo como tema: "A presença da mulher no fenômeno do cangaço".
 Dia 21 de março às 19h
na sede da União Brasileira de Escritores-UBE/PE
Rua de Santana, 202 - Casa Forte

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Angico, o triângulo das bermudas do cangaço! Por:Paulo Britto

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Paulo Britto, Victor Junior e Paulo Gastão, no Cariri Cangaço

O combate de Angico por ser considerado pela história como o marco do final do cangaço lampiônico, tem sido estudado e pesquisado ao extremo, por pessoas de todos os matizes, se sobressaindo por aqueles que dedicaram a sua vida debruçados ao estudo sério e criterioso, contribuindo brilhantemente com a história verdadeira do cangaço.Não se deve, portanto, por uma questão de justiça aos protagonistas do fato, quer sejam eles cangaceiros ou volantes, ao arrepio da verdade, que se plante questionamentos e informações infundadas.

Em defesa da verdade sobre o militar João Bezerra – meu pai, me insurjo e passo a fazer algumas considerações ao prezado Paulo Medeiros Gastão, de quem tive a satisfação de ser apresentado há mais de 10 anos, quando conheci a Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço – SBEC, por ele fundada e que se consolida pelas administrações que o sucederam a exemplo do amigo Ângelo Osmiro Barreto e hoje o Dr. Lemuel Rodrigues.

A satisfação do primeiro contato com esta pessoa simpática, sorridente, brincalhona, que parece até não levar as coisas a sério, foi em Recife/PE, no clube do Banco do Brasil, quando este proferiria palestra (para um seleto grupo de serratalhadenses), para a qual fui convidado. Lá fomos cientizados, pelo próprio Paulo Gastão, da existência de um pesquisador mineiro que em breve iria lançar um livro que revolucionaria a história do cangaço, provando a sobrevida de Lampião e a sua morte (03 de agosto de 1993), aos 96 anos, em Buritis/MG.

Posteriormente, no I Cariri Cangaço (2009), confesso ter ficado impressionado pelo belo trabalho, organização e conduta dos amigos Manuel Severo, Danielle e toda sua equipe, envolvendo as cidades de Juazeiro, Crato, Barbalha e Missão Velha, no qual fui apresentado ao casal José Geraldo Aguiar e esposa, pelo destacado Paulo Gastão junto a outras pessoas, que ao me apresentar referia-se que somente eu e minha amiga Vera Ferreira, neta de Virgulino Ferreira da Silva (Lampião), poderíamos criar algum embaraço ao lançamento do referido livro. De imediato me posicionei em não ter esta intenção e que pelo que conheço de Vera ela faria o mesmo, bastava que ele trouxesse ao conhecimento do público argumentos irrefutáveis que pusessem toda a verdade conhecida por terra.

No detalhe, Lampião de Buritis

Dada a seriedade e gravidade dos “novos” fatos, que, supostamente, devidamente fundamentados, colocaria por terra o combate de Angico, li o livro e confesso que jamais vi tanta criatividade e coragem de um escritor, para lançar num evento como o I Cariri Cangaço, com tantos e brilhantes escritores, pesquisadores e estudiosos do tema, um livro que atinge o seu auge de devaneios quando relata que o corpo de “Maria Bonita”, após o Combate em Angico, em 28 de julho de 1938, estava representado por um jovem (isso mesmo, um homem), cujas feições lembravam as de quem iria tomar o lugar, e outros nove “cangaceiros temporários”.

Para mim... bastou!

Esta teoria, de ter sido o corpo de Maria Bonita substituído por uma pessoa do sexo masculino, passar despercebido por todos que ali estiveram para levantamento e reconhecimento dos corpos. Incrível só ser descoberto agora pelo autor, mas... e as provas? Já seria o suficiente para dizer da qualidade do “trabalho” que se propunha a ser o novo marco da história do Combate de Angico. Mas, o que mais me causou estranheza, foi o fato de ter sido o comentário contido na orelha do livro, assinado por Paulo Gastão. Este livro, a meu ver, não era para ter sido averbado e ciceroneado por um fundador da SBEC e que imagino querer ajudar em manter a credibilidade da instituição que tantos se empenham por ela.

Como é do conhecimento da grande maioria dos assíduos visitantes do presente Blog (http://cariricangaco.blogspot.com/), do nosso querido amigo Manoel Severo, foi postado/publicado o artigo “Angico por Paulo Gastão”. Diante do conteúdo desse, prezando pelo bom senso e, principalmente, em passar o conhecimento que tenho dos fatos, como filho do Cel. João Bezerra da Silva, resolvi destacar nas postagens abaixo; e comentar algumas frases contidas no referido artigo e, ao final, deixar minha humilde conclusão.

Paulo Britto
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João Bezerra e o Angico ...

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Tenente João Bezerra, pai de Paulo Britto e matador de Lampião

- “Se desejam o término do cangaço com o episódio de Angico considero uma aberração, final trágico e desabonador da saga de homens assassinos, porém, valentes e destemidos”

Paulo Britto: Desconheço qualquer outro final para o cangaço que não seja o do Combate em Angico. O final de “Buritis de Minas Gerais” foi um fiasco, que não tem consistência, nem para ser citado. Quanto ao final trágico e desabonador da saga “de homens assassinos, porém, valentes e destemidos”, acredito que se a volante fosse dizimada por causa de um comandante irresponsável e incompetente atendesse melhor ao final pretendido pelo pesquisador, enquanto aos homens assassinos, o fato de serem valentes e destemidos, não os credita a ter um final diferente ao de Angico, no calor do combate e pelo currículo de atrocidades dos cangaceiros, o comandante do combate teve sim, um comportamento ético e profissional em segurar os instintos das feras que combatiam os bandidos perversos e sanguinários.

- “A descrição concebida pelos escritores, jornalistas, pesquisadores deixam Gengis Kan, Napoleão, Júlio César (O imperador), Al Capone, Billys the Kid, Kelly (e seu bando), Hitler e muitos outros, fichinha frente aos cangaceiros”.

Paulo Britto: A colocação feita aos escritores, jornalistas, pesquisadores é no mínimo desmerecida e desrespeitosa. 

Os cachorros pela primeira vez estavam sonolentos e teriam perdido o faro. Dormiam nas pernas dos seus donos. Junto aos cachorros deveriam estar às sentinelas que devem ter esquecido as suas responsabilidades junto ao grupo. Falha lamentosa”.

Paulo Britto: Os comentários sobre os cachorros e sentinelas só demonstra o desconhecimento do tema ou uma brincadeira equivocada.

-“Tempo de inverno, água no riacho, onde fixar a tolda e dormir?”

Paulo Britto:Todos, sem exceção, os que acamparam, os que visitaram, os que confrontaram, os que averiguaram, constataram a existência do acampamento tão improvável para o pesquisador.

 “Se a volante possuía duas metralhadoras não ficava um pé de macambira para contar a história. Por que conseguiram se salvar muitos cangaceiros? O cerco não foi cerco. É piada.”

Paulo Britto: Reforçando a tese do pesquisador afirmo ter contado a volante com mais de duas metralhadoras. Quanto à sobrevivência de 24 cangaceiros ou mais, os sobreviventes sempre relataram, ao seu modo, como escaparam ao cerco que de fato a contragosto do comandante não chegou a se efetuar como planejado. A “piada” e a graça ficam por conta de quem reconta o fato.

 O suicídio de Luiz Pedro é fantástico. É advertido ao cangaceiro que Lampião estava morto e que ele fosse à luta. Ao chegar junto ao amigo, assim falou: “-Compadre, eu lhe disse que lutaria com você até a morte”. No trajeto, o Pedro perdeu a coragem que foi possuidora desde os tempos em que esteve no Rio Grande do Norte, em 1927.”

Paulo Britto: O suicídio de Luiz Pedro do Retiro, para quem toma conhecimento do tema pela primeira vez, afirmo não ter existido. Ele realmente foi morto por tiro do volante Antônio Jacó. Quanto à frase supostamente colocada como sendo de Luiz Pedro, é a primeira vez que vejo a mesma ser citada. E covarde, ele jamais foi.

 José Sereno à esquerda

“Capitão, a tampa da garrafa tem um pequeno furo”. O chamamento da atenção não foi levado em consideração. Por quê?” 

Paulo Britto: A observação proferida por José Sereno é uma das demais teses do envenenamento ocorrido em Angico, que os escritores, pesquisadores e até mesmo os meninos buchudos já não toleram mais ouvir. Esta foi rechaçada por falta total de embasamento, principalmente, cientificamente, que o diga o brilhante Dr. Leandro Cardoso Fernandes.
Obs.: As colocações por mim destacadas neste primeiro momento, não parecem apropriadas a uma pessoa que tenha, aparentemente, um conhecimento de pesquisador, que queira ser levado, pelo menos, um pouco a sério. Assemelham-se mais a uma pessoa contraditória que quer fazer graça com um tema tão sério.


 “Naquela manhã chovia na área. Comprove esta afirmação no livro de João Bezerra, onde solicita aos seus comandados que: ““-Tenham cuidado em pisar no chão para não fazer barulho com as folhas secas””. Parece-nos que a chuva não atingia as folhas, enquanto o restante do chão corria água”.

Paulo Britto: Essa colocação, de caráter jocoso, parece a tônica das colocações do pesquisador, mas que não se coaduna com a formação e experiência que o oficial já era detentor naquele dia.

 “A coragem da volante (grupo de militares) era tamanha que o comandante permitiu o uso de cachaça para quem desejasse criar coragem.



Paulo Britto:A bebida jamais foi o indutor de coragem na volante de João Bezerra, a partir do seu comandante e componentes, como o Sargento Aniceto Rodrigues, soldado Antônio Jacó e tantos outros de reconhecida valentia.

Aos registros feitos por todos que escreveram sobre o tema, mostram que as relações entre o chefe cangaceiro e o militar aconteciam para um jogo de 31, compra e venda de armas e munição”.

Paulo Britto: Declarar a unanimidade, dizer que “todos os escritores” afirmam ter havido um relacionamento entre João Bezerra e Lampião para jogo, bebida e/ou venda de armas e munições, é no mínimo uma colocação insana, irresponsável e descabida.



 “O governo da Bahia oferecia 50:000$000 (cinquenta contos de réis), a quem entregasse Lampião vivo ou morto. Não se tem notícia do ganhador do prêmio milionário. Por quê?”

Paulo Britto: O ganhador do prêmio oferecido pelo governo da Bahia, não só é do conhecimento da grande maioria dos escritores e pesquisadores, como está registrado em muitas obras, só é surpreendente o fato do pesquisador, até o momento, ainda não seja detentor deste conhecimento. Mas vamos informá-lo: Em, 22-dez. 39 – Recebeu do interventor federal deste estado, referente a prêmio instituído a coluna que extinguiu “Lampião”, assim distribuído: pelo estado de Alagoas – 5:000$000 (cinco contos de réis), pelo estado da Bahia – 20:000$000. Bol. Nº 289. Boletim da Polícia Militar de Alagoas.

Quem nominou as cabeças errou gravemente. Muitos escritores colocam nos seus relatos que metade das cabeças tem o mesmo nome. A partir do meio (fotos das cabeças) para cima seja como Deus quiser. Encontraram um cangaceiro que só aparece naquele momento chamado de Desconhecido?.”

Paulo Britto: Me surpreende o suposto despreparo dos escritores, alegada pelo pesquisador, que nem a informação dos nomes dos cangaceiros mortos em Angico conseguiram identificar, e que o nome de Desconhecido é desconhecido, ou melhor: o nome do cangaceiro morto, se desconhece, portanto, foi posto no cruzeiro de Angico, Desconhecido. E na relação dos nomes consta “Não conhecido”.

O matador dos onze cangaceiros diz que feito o cerco tiveram que recuar. Ora, difícil era chegar perto daquelas feras, quanto mais, ter a chance de ir e voltar.” 

Pauo Britto: O cerco objetivado em Angico, mesmo que ele não tenha se efetuado na plenitude, gerou um ataque crescente,sem recuo. Desconheço nos combates travados pela volante formada por meu pai, qualquer tipo de recuo.
  
Quem traiu? Afirmam que o grande traidor foi o homem que se caracteriza como seu matador, ou seja, João Bezerra.”

Paulo Britto: João Bezerra foi um perseguidor empenhado em não dar trégua aos cangaceiros, reconhecido pelos seus pares e superiores, ao ponto de ganhar de Lampião o apelido de “Cão Coxo”, coxo em decorrência da redução de 04 cm em uma das pernas e cão, imagine o motivo. Em entrevista dada pelo então Cap. Manuel Neto, após a morte de Lampião, referia-se a meu pai dizendo: - “O Tenente João Bezerra a quem conheço pessoalmente, é um official disposto, disciplinado e muito bem quisto no seio da Polícia Alagoana e dos Estados visinhos”. Como imputar a um homem deste um relacionamento com Lampião? 

Paulo Britto
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Sobre o depoimento de Candeeiro...

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Ex-cangaceiro Candeeiro

Na noite anterior ao ocorrido, ou seja, 27 de julho de 1938, Lampião reuniu seus homens e assim falou: ““-Amanhã cedinho vou viajar. Vou embora para Minas ou Goiás. Quem quiser ficar, fica, quem quiser ir comigo se prepare.”” Continua o chefe cangaceiro:”“-Não posso mais ficar por aqui, pois, vou começar a matar até meus amigos; voltar para Pernambuco, não volto, pois, lá só tenho inimigos e a matança vai continuar. Assim o melhor é terra nova, onde ninguém me conhece””...”.

Paulo Britto: Podemos dizer, portanto, que em todo o texto, esta é a única informação precisa, adquirida de viva voz do cangaceiro Candeeiro que relata ter ouvido esta decisão bombástica a ser dada ao seu grupo pelo chefe maior, de que findava ali, abruptamente, o seu reinado no nordeste?
Por que o bando estando já há alguns dias em Angico, só na véspera da “partida”, esta notícia bombástica é comunicada por Lampião, sem abrir espaço para uma avaliação melhor por parte dos atônitos cangaceiros? Acredito que o impacto de uma notícia dessas, teria sido maior que o ataque da volante, uma vez que a estes ataques já estavam acostumados.
O cangaceiro Candeeiro, não se refere à reação do bando? E por que os outros cangaceiros sobreviventes não comentaram esta informação?

"vamos ao estado de Sergipe e lá você encontrará os elementos que lhe darão o norte de toda a história. Não sou o dono da verdade, porém, não quero lhe deixar enganado, nem tão pouco morrer na ignorância, na mentira. A história do povo nordestino e dos cangaceiros é outra, não se iluda. Caso o leitor não fique satisfeito, farei um outro artigo ainda mais contundente sobre o episódio. Chega de tanto embuste”.

Paulo Britto: Do episódio de Angico até hoje, lá se vão mais de 70 anos, e com toda a literatura já existente, inclusive por respeitados e renomados escritores, o pesquisador descobriu que toda a verdade, não é a verdade, e que difere de tudo o que já foi escrito? Num lampejo de lucidez, reconhece que não é dono da verdade, mas não quer deixar mais ninguém na ignorância e na mentira, mas em seguida, a mente volta a ficar embutida e diz que “a história do povo nordestino e dos cangaceiros é outra, não se iluda”.

Já não basta a dificuldade para se convencer pesquisadores renitentes e discordantes de carteirinha, tem-se agora que recontar a história de Canudos e tantas outras que compõem a história do povo nordestino? E, por favor, uma nova matéria, mais contundente para esclarecer o embuste, será um martírio para todos aqueles que conhecem a história do cangaço, e que tal, ao invés de se tentar confundir os leitores, deixar a história ser contada por quem sabe e por quem levou anos realmente pesquisando... Existem vários escritores e historiadores sérios e respeitados.Este último momento prende-se apenas a uma colocação referente à entrevista do cangaceiro “Candeeiro” ao pesquisador Paulo Gastão.

Prezado pesquisador, tenho pelo Senhor o mais profundo respeito, e a imagem que fazia do fundador da SBEC, instituição esta que acredito ser abalizadora da verdade histórica do cangaço, que em momento nenhum merece ter em sua pessoa o idealizador desta matéria. Não gostaria de ter que reformular a minha avaliação e vê-lo enveredar por um caminho que não o levará a nada.

E por que querer denegrir, só por denegrir a imagem de um autêntico militar, que dedicou a sua vida em garantir a justiça e a ordem, em defesa do povo nordestino? Um militar que destacou-se, entre outras missões e atividades, também como delegado, prefeito interventor e nas revoluções em que participou de 1925, 1930 e 1932 e só angariou o respeito e admiração de todos aqueles com quem conviveu, seus pares do Estado de Alagoas e dos demais Estados, maçonaria, amigos e familiares. Denegrir por denegrir? De antemão, classifico este artigo “Angico, por Paulo Gastão” um equívoco, plenamente superável. Continuo a hipotecar o meu respeito ao cidadão Paulo Medeiros Gastão.
Paulo Britto
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