Zé de Julião: A Saga de um Ex-Cangaceiro de Lampião


ZÉ DE JULIÃO: A SAGA DE UM EX-CANGACEIRO DE LAMPIÃO. 
Uma trajetória impressionante de um sertanejo de luta e abnegação, mas também calejado e vitimado por forças maiores. Uma saga que envolve opressão, cangaço, política, coronelismo, injustiça, vida e morte. Uma teia onde cada fio repuxado leva a um profundo abismo. Assim a vida do filho de Poço Redondo batizado como José Francisco do Nascimento, mais conhecido como Zé de Julião, e no cangaço alcunhado como Cajazeira, esposo da também cangaceira Enedina. Conheça essa história e veja como os sonhos e as esperanças são devastados pelo 
poder e pela injustiça. 

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131 Anos de Romaria em Juazeiro do Padre Cícero Por:José Carlos Santos

Padre Cícero Romão Batista

No primeiro domingo do dia 07 de julho de 1889, a igreja celebrava a solenidade do Preciosíssimo Sangue de Jesus Cristo. No amanhecer daquele dia, há exatos 131 anos, aconteceu a primeira romaria ao pequeno lugarejo do Joaseiro. Uma multidão de 3 mil pessoas caminhou nas veredas rumo ao vilarejo. A peregrinação foi organizada pelo Monsenhor Francisco Rodrigues Monteiro, reitor do Seminário de Crato. Pe. Cícero acolheu o seu irmão no sacerdócio e seus contemporâneos cratenses. Inesperadamente, o reitor do seminário do alto do púlpito, no meio daquela multidão, em voz alta no seu sermão explicou minuciosamente os acontecimentos do propenso milagre do derramamento de sangue na boca da beata Maria de Araújo. Na firmeza de sua convicção dos fatos ocorridos na capelinha da Mãe das Dores, ele tirou uma das toalhas manchadas de sangue e apresentou ao povo. Não titubeou em afirmar que era o sangue de Jesus Cristo, promovendo momento de júbilo, exaltação e lágrimas nos rostos dos presentes naquela celebração. O fato gerou preocupação, contrariedade e angústia no padre Cícero como revelou numa carta ao senhor bispo do Ceará: “Quando eu soube disto, fiquei para morrer de vexame; desejei sumir-me pelo chão adentro, de angustiado”.

O que significa e representa esse acontecimento na vida do Padre Cícero e na história de Juazeiro? Primeiramente, a quebra do silêncio dos fatos extraordinários ocorridos naquele 01 de março de 1889 do fenômeno da hóstia sagrada. O anúncio público não foi feito pelos protagonistas dos fatos milagrosos do Joaseiro, mas por uma autoridade eclesiástica de reconhecida qualificação e portador de profundos conhecimentos teológicos. Afinal, era o reitor do Seminário de uma sólida formação filosófica e teológica.


A proclamação dos fatos precede de uma romaria da cidade de Crato à vila do Joaseiro. A romaria é um fenômeno universal e presente em todas as religiões. É a experiência de deixar sua terra em busca do “lugar santo”. Os devotos que vieram testemunhar os fatos miraculosos de Juazeiro realizaram um ato de ascese, purificação e penitência. Os peregrinos daquele dia, como os romeiros de hoje, percorriam nesta estrada cheia de pedras e areias, aproximando-se do sagrado, meditando o corpo e a mente e realizando gestos de oração que fortalecem o sentido da vida nos espaços do mundo.

A experiência original da romaria de Juazeiro naquele julho de 1889, constitui o início de um novo tempo na vila que começa a receber centenas de pessoas, tornando o lugar mais populoso dos sertões. A casa do Padre Cícero era o abrigo dos pobres necessitados que ali vinham em busca de alimento, ajuda financeira e trabalho para fixar moradia em Juazeiro. A figura do padre Cícero com o espirito de acolhimento, atitude de conselheiro e guia espiritual vai arrebanhando uma legião de nordestinos que recorre ao Juazeiro, projetando o valor tão esperado de redenção de suas condições injustas e desumanas de vida e o sonho da salvação eterna.


Nestes 131 anos celebrados hoje das romarias a Juazeiro, resgatemos na nossa memória histórica esse acontecimento como uma semente plantada que hoje produz bons frutos de desenvolvimento socioeconômico, valores culturais e rica simbologia de fé e religiosidade popular. Se chegamos até aqui na história de Juazeiro do Norte, não esqueçamos da nossa história que foi protagonizada por muitos homens e mulheres que com sua teimosia, resistência, utopia e sonhos escolheram Juazeiro como o espaço sagrado e o Padre Cícero como seu padrinho e conselheiro do sertão.

Juazeiro do Norte, 07 de julho de 2020

José Carlos dos Santos
Professor de Filosofia da Universidade Regional do Cariri(URCA) e Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará(IFCE).

Alcino Costa - Caipira de Poço Redondo 80 anos Por:Aderbal Nogueira

Fonte YouTube Canal Aderbal Nogueira

Grande homenagem do documentarista Aderbal Nogueira, Conselheiro do Cariri Cangaço, ao nosso Patrono; 
O Caipira de Poço Redondo, 
Alcino Alves Costa !

Napoleão Tavares Neves: O Cangaço, Lampião e Padre Ibiapina, no Cariri

Fonte: YouTube  Canal:Aderbal Nogueira

Em 1869, por ocasião de uma de suas missões de evangelização, o Padre Ibiapina em visita à capela do Bom Jesus dos Aflitos localizada nas terras do senhor Antônio Emanuel de Caldas, conhece a fonte do Bom Jesus nas proximidades do local. Por acreditar nas propriedades curativas das águas minerais, o padre passa a recomendar o banho e a ingestão destas aos fieis. A partir de então a fonte do Bom Jesus, na localidade de Caldas, passa a receber uma quantidade considerável de pessoas em busca de suas propriedades medicinais. Com o passar dos anos foram surgindo casas e pontos comerciais no povoado. Uma nova igreja foi construída, assim como um cemitério e em 1946 fundou-se a Escola Rural do Caldas. Em 1958, por obra do DNOCS, foi construída a estrada que liga o povoado à cidade de Barbalha. Atualmente as fontes do balneário do Caldas em Barbalha é um dos pontos turísticos mais procurados da região e aqui, no Caldas, temos algumas passagens marcantes da historiografia do cangaço e do messianismo, nesta oportunidade nos contadas pelo memorialista Napoleão Tavares Neves, captada pelas lentes de Aderbal Nogueira por ocasião da visita do Cariri Cangaço ao Caldas em agosto de 2010 dentro de nossa segunda edição.
 
Napoleão Tavares Neves
Cariri Cangaço 2010
Imagens e Edição: Aderbal Nogueira 

Morrer na Terra: Cangaceiros de Poço Redondo que foram mortos em sua Terra Por:Rangel Alves da Costa

O cangaço percorreu quase o Nordeste inteiro. De Pernambuco ao Ceará, foram muitos os estados que sentiram no chão e na pele, nos ódios e nos afetos, as marcas e as consequências da presença cangaceira. Homens do mundo, sem lar nem parada certa, o cangaceiro vivia à mercê da força da caminhada ou do encalço do inimigo. Num repente, e tudo já se modificava, o coito era levantado, o passo era apressado, o mosquetão começava a cuspir fogo. Daí as mortes também serem ao largo das vinditas, em qualquer terra, em qualquer chão.

Cangaceiro nascido num lugar, acaso encontrasse a morte como desfecho, esta poderia acontecer nas mais distantes lonjuras de seu berço de nascimento. Virgulino Lampião, por exemplo, veio ao mundo em Vila Bela, Pernambuco, e dele se foi no então distrito sertanejo e sergipano de Poço Redondo. Muitos se foram assim, distantes dos lares, das famílias, de tudo o que haviam deixado para trás. Mas noutras situações o destino, com suas forças e mistérios, acabou levantando na própria terra as cruzes daqueles que nela haviam nascido.

Rangel Alves da Costa, Conselheiro Cariri Cangaço

Poço Redondo, no Alto Sertão Sergipano do São Francisco, (localidade sertaneja da Gruta do Angico, do Fogo da Maranduba, das Cruzes dos Soldados, do Coito da Pia das Panelas, e muito mais), também foi destino de morte de muitos de seus filhos que um dia deixaram seus lares para seguir os passos de Lampião. Canário, Enedina, Diferente, Mergulhão, Elétrico, Moeda, Alecrim, Rosinha, todos, após as carrasquentas andanças debaixo de distantes luas e sóis, acabaram retornando para o repouso final na própria terra.

Todos estes poderiam ter dado seus últimos suspiros em terras distantes. Por situações de perigo haviam passado, pelo fogo da morte haviam cruzado, na direção da matadeira haviam estado. Mas não, saíram ilesos para, já dentro da terra natal, terem suas vidas ceifadas. E tendo a vastidão sertaneja como último leito, vez que nenhum dos mortos foi velado pelos parentes e amigos nem teve sepultura minimante digna. Entre mandacarus e xiquexiques, os gravetos em cruzes e seus epitáfios sem nada dizer.

Canário

Canário (Bernardino Rocha) foi morto em 06 de setembro de 38, após a Chacina de Angico, na Fazenda Coruripe, nos arredores da sede de Poço Redondo. O companheiro da também poço-redondense Adília, foi morto à traição, com um tiro pelas costas, desferido pelo também cangaceiro Penedinho (que era primo de sua companheira Adília). Mesmo tendo sido morto tão próximo da sede, jamais teve digno sepultamento. Sua cabeça foi posteriormente decepada e levada por Zé Rufino (comandante de volante sediado na baiana Serra Negra), e o restante do corpo enterrado acerca de cem metros do local da traição.

Rosinha, no contexto cangaceiro mais conhecida como Rosinha de Mariano, havia nascido na região poço-redondense da Maranduba, sendo filha da afamada família Soares, irmã da também cangaceira Adelaide e prima de Áurea de Mané Moreno (o da Bahia). Após a morte de seu companheiro, Rosinha pediu permissão para se afastar temporariamente do cangaço. Permissão concedida, mas não retornou no prazo dado pelo Capitão. Após seu intempestivo retorno, sua sina já estava traçada: seria morta. A incumbência foi dada aos cangaceiros Zé Sereno, Juriti, Balão e Vila Nova. Assim, ao lado do Coito da Pia das Panelas, nas beiradas do Riacho Quatarvo, na região das Areias, em Poço Redondo, a cangaceira tombou sem vida.

Bando de José Sereno

Por sua vez, Mergulhão (Gumercindo Braz, irmão da cangaceira Sila e também dos cangaceiros Novo Tempo e Marinheiro, filhos de Paulo Braz São Mateus), Elétrico (filho de Pedro Miguel), Moeda (João Rosa, da região da Guia), Alecrim (José Rosa, irmão de Moeda) e Enedina (Enedina do Nascimento, esposa do também cangaceiro Cajazeira), todos estes foram mortos na Chacina do Angico de 38, nas beiradas poço-redondenses do São Francisco, na região ribeirinha do Cajueiro. E todos, tão próximos de suas moradias e de suas famílias, mas tão distantes de qualquer retorno, tombando sem vida no próprio chão onde um dia nasceram. Os túmulos destes, contudo, jamais foram abertos em cemitérios locais. Alguns, como Canário (enterrado sem a cabeça) e Rosinha, sepultados na solidão do meio das matas fechadas, espinhentas, assim como foram suas vidas nas desvalias cangaceiras. Já outros, aqueles do Angico, enterrados ao desvão do tempo, tiveram suas cabeças cortadas e levadas como provas da derrocada de Lampião. E de um Cangaço que jamais foi vencido.

Rangel Alves da Costa, junho de 2020

Escritor, Conselheiro Cariri Cangaço

Antônio Amaury e Zé Rufino no Cariri Cangaço 2010

Fonte: YouTube  Canal:Aderbal Nogueira

Novamente o mestre das imagens, Aderbal Nogueira, nos brinda com mais um momento ímpar de uma de nossas edições do Cariri Cangaço. Desta vez Aderbal nos traz "recortes" da noite de abertura do Cariri Cangaço 2010 em Crato com a Conferência de Antônio Amaury Correa de Araujo contando com uma mesa composta ainda pelos pesquisadores Ivanildo Silveira, o próprio Aderbal, Lemuel Rodrigues e Honório de Medeiros. Logo após a conferência daquela noite houve debate envolvendo vários pesquisadores de todo o Brasil, com destaque para Alcino Alves Costa, Rostand Medeiros e Alfredo Bonessi, essa noite marcou ainda homenagem prestada pelo escritor João de Sousa Lima, ao conferencista da noite, Antonio Amaury Correa de Araujo. Antes de dá inicio a palestra foi apresentado um vídeo mostrando várias imagens da vida do escritor paulista e ao final foi entregue ao mesmo uma Placa Comemorativa por seus mais de 50 anos dedicados ao estudo e pesquisa da temática cangaço.As boas vindas foram do curador do Cariri Cangaço, Manoel Severo Barbosa.

Para Relembrar
Noite de Abertura do Cariri Cangaço 2010
17 de agosto de 2010, Salão de Atos da URCA, Crato-CE
Imagens: Aderbal Nogueira

Cangaço; uma aula com Bosco André Por:Aderbal Nogueira

Fonte: YouTube  Canal:Aderbal Nogueira

Rapaz; existem destas pessoas que são marcantes. Por onde vão passando deixam o rastro de camaradagem, coleguismo, retidão, alegria, confiança, enfim. Se este "cabra" for do sertão, ainda sobram muito mais adjetivos para elencar. Assim é João Bosco André; espetacular cidadão de Missão Velha e do Mundo... Só para vocês terem uma ideia o homem é primo do Dom Pedro II e amigo pessoal do Papa. Ir ao Cariri e não tirar um ou dois dedos de prosa com o grande "Padre Bosco"; sim, ainda esqueci, o homem foi ordenado Padre no primeiro Cariri Cangaço; é o mesmo que ir a Roma e não ver o Pontífice... Bosco André é assim, uma alma boa e um coração do tamanho do Vale do Cariri. Pesquisador atento, curioso, de uma memória fora do comum; lembra de detalhes simplesmente impressionantes. Impossível não andar pelas ruas de nossa querida Missão Velha ao lado de Bosco, sem que ele vá logo dizendo: "Ali mora fulano, que é irmão de beltrano que fez isso ou aquilo, acolá tinha um armazém que foi desse ou daquele, por aqui passou sicrano em 1923, etc, etc, etc". Bosco André para nossa honra é um dos Conselheiros Cariri Cangaço e hoje nos dá uma aula sobre cangaço e coronelismo no Ceará pelas lentes do competentíssimo documentarista Aderbal Nogueira, Avante !!!

Manoel Severo, 26 de junho de 2020
Cidadão de Missão Velha
Vídeo: Aderbal Nogueira

A Emblemática Foto de Lampião em Limoeiro Por: Herton Cabral


A emblemática pose fotográfica do grupo de Lampião em Limoeiro 
do Norte, do dia 15 de junho de 1927, revela que o intimorato capitão tinha certeza de que não seria incomodado, pelas autoridades cearenses, no retorno do ataque àquela próspera cidade (Mossoró). Alguns estudiosos, talvez como força de expressão, mencionam que Lampião teria ‘invadido’ o Ceará. Ledo engano. As circunstâncias indicam, pelo contrário, que sua entrada pelo município de Limoeiro do Norte fez parte de uma rota de fuga adrede planejada, que derivou para um ousado passeio pelo aludido centro urbano. Perigosamente situada próximo a capital do Estado, cerca de 200 km, Limoeiro do Norte podia ser alcançada, em questão de horas, mesmo por estradas ruins, se uma força policial motorizada, bem armada e municiada tivesse sido deslocada de Fortaleza,  nos dias 13 e 14 daquele mês e ano, para aguardar e dar combate ao grupo, na eventualidade do retorno. 

Dona Francisca, Herton Cabral e Manoel Severo

Afora a superioridade numérica, a possibilidade de vitória se mostraria ainda mais plausível com a corja já esfacelada e desmoralizada pela fragorosa derrota imposta por Rodolfo Fernandes e seus patriotas. O que acontece então? Lampião entra lépido em Limoeiro, passeia, visita igreja, é bem fotografado, toma café e janta, vai ao telégrafo onde conversa e telegrafa. Apresenta-se despreocupado. Tudo isso ocorrendo só dois dias depois de ter tentado matar, violar e roubar e depredar uma cidade inteira. Em singular depoimento, conta o sr. Custódio Saraiva, então Secretário da Prefeitura e juiz municipal limoeirense, que Lampião parecia tranquilo a ponto de até pretender se demorar na cidade, para aguardar a chegada do resgate exigido pela vida do coronel Antônio Gurgel e esposa. Só desistiu do intento ao tomar conhecimento da aproximação, célere, de volantes da Polícia do Rio Grande do Norte e da Paraíba já seguindo em seu encalço. 


Destaque-se que policiais riograndenses e paraibanos chegaram a vizinha Russas, antes das forças cearenses. O fato é que governo cearense sequer podia alegar surpresa com a presença de Lampião em Limoeiro, pois tivera conhecimento antecipado, através do correto prefeito Rodolfo Fernandes, que os cangaçeiros se aproximavam para atacar Mossoró, o que colocava em grande perigo direto todo o médio Jaguaribe. Um governante precavido certamente teria se antecipado ao provável movimento de fuga lampeonica, deslocando de tropas volantes para fechamento das vias de acesso e combate ao grupo de bandoleiros, agindo em coordenação com as demais polícias. Sem esquecer de reforçar as defesas das principais cidades da região. Mas, para quem havia se negado a prestar a ajuda solicitada pelo destacado cel. Rodolfo Fernandes, nada de bom se podia esperar, mesmo que tivesse de renegar a validade das cláusulas de ajuda recíproca assumidas no vigente convênio interestadual de combate ao cangaceirismo. 

Portanto, quando se examina a sequência de fatos, antecedentes e consequentes, percebe-se que um enredo havia sido traçado para facilitar a escapulida do capitão facinoroso. E nessa trama diabólica envolveram-se insignes chefes políticos, destacados oficiais da briosa polícia e, pasme-se, o próprio presidente do estado, alcunhado  ‘Moreirinha’, se enredou, ou foi enredado, no imbróglio montado pelos seus apaniguados, de que resultou na fuga sensacional de Lampião do Ceará. Faltou a esse dirigente vontade política,  pulso e determinação, pois agiu marcando a história política do Ceará com um indelével sinal de nefasto compadrio político. Então, quando tudo confluía para o vesgo ser desbaratado e exterminado em solo cearense, eis que ressurta Lampião, após marchar por mais de oitenta léguas tiranas em lutas e atropelos, para dar continuidade da vida do crime por mais longos onze anos, deixando atrás de si um rastro de centenas de crimes e famílias enlutadas, até ser pego na ratoeira final de Angico.

Fonte: YouTube Canal: Alex Chaves Monteiro

Herton Cabral, pesquisador
Fortaleza, Ceara


Uma Noite para se Guardar na Memória... Fundação da Academia Brasileira de Letras e Artes do Cangaço Por:Manoel Severo


Era uma noite de sexta-feira 13! 13 de março de 2020. Ali na acolhedora Aracaju, capital do estado do Sergipe, torrão nordestino , realizava-se a solenidade de posse do mais novo sodalício brasileiro; nascia no auditório Padre Melo do campus Farolândia, da UNIT - Universidade Tiradentes a Academia Brasileira de Letras e Artes do Cangaço - ABLAC, composta por 46 acadêmicos titulares e tendo como primeiro presidente o pesquisador e escritor Archimedes Marques

Sem dúvidas um momento precioso, especial, único, e dizendo isso me vem à lembrança as magníficas palavras do Orador Oficial da noite, confrade Geraldo Ferraz: "...uma academia de Letras e Artes digo que se trata de uma instituição de cunho literário e artístico... fazendo valer uma tradição iniciada no Século XVII com a Academia Francesa. O termo "academia" remonta à Academia de Platão - escola fundada pelo célebre filósofo grego nos jardins que um dia teriam pertencido ao herói Akademus "... citação que quase nos transporta no tempo e no espaço nos permitindo entrar em contato com um dos principais mitos da história da civilização:Platão; um dos mais destacados filósofos que já pisou este planeta e que do período clássico da Grécia antiga, continua a nos influenciar e ser referencia nos mais variados campos do conhecimento e da filosofia humana; além dele, Ferraz nos traz Akademus; mitológico herói da Atica, imortalizado pela literatura clássica ocidental.

Mesa Solene na UNIT : Noite de Posse da Academia Brasileira de Letras e Artes do Cangaço
Elane Marques, Secretária da ABLAC

Mas porque falar de filósofos clássicos ou heróis mitológicos logo na introdução desse despretensioso artigo, além de traçar paralelo oportuno com as palavras de Geraldo Ferraz ? Ora, naquela noite certamente não estavam conosco Platão nem muito menos Akademus,mas suas essências pareciam pulsar e fazer valer cada minuto do solene lançamento de nossa Academia; um feito heroico que nasceu lá atras do sonho de um filósofo do sertão e que foi acalentado por muitos e muitos e assumido por heróis da caatinga...

Paulo Gastão entre Ingrid Alidiane e Mabbel, no Cariri Cangaço 2009

A Academia Brasileira de Letras e Artes do Cangaço nasceu do sonho do pesquisador Paulo Medeiros Gastão; sonhador inveterado, ousado, empreendedor e acima de tudo, apaixonado pela historia, cultura e arte do sertão; sonho esse assumido por seus e nossos amigos, casal Archimedes e Elane Marques, destacados pesquisadores sergipanos da temática cangaço. Parecia que ali se unia a "fome com a vontade de comer", mas com Gastão era sempre assim, eu mesmo lembro das várias construções de nosso Cariri Cangaço e por tantas vezes Paulo Gastão nos fazia viajar e viajar e viajar e invariavelmente realizávamos, era sempre assim : "Severo que tal esse tema, que tal esse palestrante, já falou com sicrano, convide beltrano..." assim era Gastão, capaz de começar um assunto em Mossoró e só parar em Piranhas, e sem respirar.... Certamente ali havia as essências de Platão, de Akademus, de Gastão...contagiando a essência de todos nós.

Lançamento da ABLAC em noite de Cariri Cangaço, 25 de julho de 2019 

O tempo passou e um dia o sonho de Gastão começa a tornar-se realidade pelas mãos de Archimedes e Elane Marques, que com dinamismo, talento e incomparável competência, na noite de 25 de julho de 2019, na cidade do Juazeiro do Norte aqui no meu Ceará e dentro de nosso Cariri Cangaço - 10 Anos, realizam o lançamento da Academia. Particularmente para mim alegria dupla; primeiro por ser um dos acadêmicos fundadores convidados e segundo por testemunhar tão significativo momento, dentro do Cariri Cangaço, sensacional!

Mas voltando a Platão, voltando a Akademus...e trazendo os membros da prestigiada arcádia das Letras e Artes do Cangaço, novamente e particularmente para mim outra grande alegria, renovada e consolidada na noite solene da posse: dos 46 acadêmicos titulares da Academia, 26 são Conselheiros do Cariri Cangaço, mais de 50% de sua composição; isso nos enche de entusiasmo e responsabilidade, nos dando a certeza que estamos no caminho certo. A esses valorosos Conselheiros Cariri Cangaço se somam mais 20 destacadas personalidades do universo das letras e artes do cangaço e assim temos a augusta ABLAC.

Conselheiros Cariri Cangaço empossados como Imortais da Academia Brasileira de Letras e Artes do Cangaço; Archimedes Marques, Luiz Ruben, Geraldo Ferraz Louro Teles, 
Ana Lucia e Junior Almeida.
Conselheiros Cariri Cangaço empossados como Imortais da Academia Brasileira de Letras e Artes do Cangaço; Rangel Alves da Costa, Narciso Dias, Antônio Vilela, Professor Pereira, Bosco André e Aderbal Nogueira.
Conselheiros Cariri Cangaço empossados como Imortais da Academia Brasileira de Letras e Artes do Cangaço; Kiko Monteiro, Edvaldo Feitosa, Elane Marques, João de Sousa Lima, Quirino Silva e Valdir Nogueira.

Escrevo esse artigo motivado preponderantemente pela gratidão, pelas razões já enumeradas acima, ou seja, pelo convite para formar ao lado de ilustre confrades o prestigiado sodalício recém-criado , por ter como patrono o inesquecível Jonas Luiz da Silva, de Icapuí; por seu lançamento acontecer em uma das edições do Cariri Cangaço, por mais da metade de seus membros serem Conselheiros do Cariri Cangaço e ainda na noite solene de posse ter sido convidado para apadrinhar cinco estimados confrades, amigos, companheiros de sonhos e realizações: Ivanildo Silveira, Sousa Neto, Calixto Junior, Wescley Rodrigues e Domingos Paschoal; isso não tem preço. A cada entrega dos fardões, diplomas e colares era como se confirmássemos o sonho de Gastão, que era na verdade, de todos nós. 

Manoel Severo, curador do Cariri Cangaço tendo a honra de apadrinhar os também Conselheiros Cariri Cangaço, empossados como Imortais da Academia Brasileira de Letras e Artes do Cangaço; Dr Ivanildo Silveira, Sousa Neto, João Tavares Calixto Junior e Wescley Rodrigues.
Ingrid Rebouças e Manoel Severo em noite de posse da ABLAC

Foi uma noite espetacular, para se guardar na memória e no coração; assim, permitam elencar os acadêmicos da ABLAC; são membros titulares da ABLAC os Conselheiros Cariri Cangaço: Archimedes Marques, Ângelo Osmiro, Ana Lúcia Souza, Aderbal Nogueira, Antônio Vilela, Bosco André, Calixto Junior, Edvaldo Feitosa, Emmanuel Arruda, José Cícero, Junior Almeida, Geraldo Ferraz, Ivanildo Silveira, Juliana Pereira, Kiko Monteiro, Leandro Cardoso, Luiz Rubem, Louro Teles, Manoel Severo, Múcio Procópio, Narciso Dias, Professor Pereira, Rangel Alves da Costa , Raul Meneleu, Sousa Neto e Wescley Rodrigues, tendo ainda os Conselheiros Cariri Cangaço, João de Sousa Lima, Valdir Nogueira e Quirino Silva, empossados como Acadêmicos Correspondentes. 

Personalidade empossadas como Imortais da Academia Brasileira de Letras e Artes do Cangaço; Dênis Carvalho, Major Marins, Severino Coelho, Abreu Mendes, Gilmar Farias e Bismarck Oliveira.
Personalidade empossadas como Imortais da Academia Brasileira de Letras e Artes do Cangaço; Marcelo Rocha, Wilson Seraine, José Bezerra Lima Irmão, Pedro Sampaio, Amélia Uchôa e Domingos Paschoal.

A esses uniram-se; Dênis Carvalho, Bismarck Oliveira, João Dantas, Severino Cavalcante, Oswaldo Abreu, Gilmar Farias, Voldi Ribeiro, Wilson Seraine, Marcelo Rocha, Marcos Damasceno, Paulo Britto, Major Marins, Sálvio Siqueira, Pedro Sampaio,  Lamartine Lima, Sabino Bassetti, João Paulo, José Bezerra Lima Irmão e Antônio Porfírio. E é como eu disse na noite de posse  "a fundação da ABLAC marca um novo momento do estudo e pesquisa sobre o cangaço e temas nordestinos, nesta noite resgatamos e colocamos em seu verdadeiro patamar esse conjunto de importantes temas que consolidam a força da verdadeira alma nordestina. É uma noite de festa em que vemos unidos a SBEC, o Cariri Cangaço e os principais grupos de estudo com um único objetivo, avante"
 

Manoel Severo
Curador do Cariri Cangaço, 
Acadêmico Fundador da ABLAC
25 de junho de 2020

Memória e Identidade Regional do Cangaço - FAFIC Por:Wescley Rodrigues

Fonte: YouTube Canal:Faculdade FAFIC

Em comemoração ao mês junino a Faculdade FAFIC - Paraíba preparou uma live especial com o tema: "Memória e identidade regional do Cangaço", o convidado foi o Prof. Wescley Rodrigues Dutra, Bacharel em Direito e História; Mestre em História e Doutorando em Letras com foco na Argumentação Jurídica; Wescley Rodrigues é pesquisador, membro da SBEC e da ACLA como também Conselheiro do Cariri Cangaço.

22 de Junho de 2020.

Lamartine Lima e Maranduba !

Lamartine Lima, Elisângela e Manoel Severo

Estimado amigo e brilhante pesquisador e historiador nordestino e curador do Cariri Cangaço Manoel Severo,meus cumprimentos efusivos pelo seu importante artigo sobre o “Fogo da Maranduba”, acontecido em 09/01/1932, (ver em : http://cariricangaco.blogspot.com/2020/04/grandes-artigos-cariri-cangaco-o-fogo.html )  quando as duas forças policiais volantes e emulantes, baiana e pernambucana, comandadas, respectivamente, pelos Oficiais Liberato de Carvalho e Manoel Neto, perfazendo, em conjunto, mais de 90 homens, se confrontaram com os pouco mais de 30 cangaceiros do bando de Lampeão, combate que se tornou célebre pela demonstração de estratégia e tática dada pelos cabras contra a lamentável competição e  desorganização dos soldados (na minha óptica de Oficial Superior com o Curso da Escola de Guerra Naval, onde, entre outras matérias, estudamos Comando, Estratégia e Tática de Batalha), que levou ao desastroso resultado para os defensores da sociedade e a vitória bélica dos bandidos. 

Você teve o cuidado de, amparado em fortes autores de respeitáveis trabalhos, passar em revista os antecedentes daquela luta, desde a geografia regional dali, a situação sócio-política de então sob o domínio do “coronelato” que, através do encadeamento de seus apaniguados, fornecia o apoio logístico a ambos os lados, mantendo-se em equilíbrio para preservar suas propriedades e seu poder pessoal e político, até a audiência dos testemunhos de participantes, descrevendo, com a exatidão possível, o cenário e a sucessão dos acontecimentos, trazendo para o seu leitor a melhor visão daquele fato histórico. Parabéns! 
Abraço, o mais cordial.

Lamartine Lima
Salvador-BA