Eu não seria o mesmo pesquisador se não tivesse a chance de ter conhecido, Dr. Antônio Amaury Correia de Araújo.

Lívio Ferraz, Antônio Amaury e Kiko Monteiro em dia de Cariri Cangaço

Hoje me despeço de uma das mais gratas amizades que fiz nesta vida.
Eu não seria o mesmo pesquisador se não tivesse a chance de ter conhecido, Dr. Antônio Amaury Correia de Araújo.

De 2000 até 2015, último Cariri Cangaço qual participamos juntos, foram várias e intensas oportunidades de estar de olhos e ouvidos atentos para absorver o máximo o que pude do mestre. Jamais esquecerei um dia inteiro que passei em sua residência em São Paulo e de poder conhecer e tocar em seu acervo único e inigualável.
Queria poder expressar toda a importância deste ilustríssimo desconhecido para tantos aqui, então, para facilitar a descrição e a noção, entenda-se que Amaury está para a historiografia e literatura do cangaço como Tom Jobim está para a Música Popular Brasileira, como Pelé para o futebol...
Mesmo não sendo nordestino, foi um cabra da peste, que a partir dos anos 60 palmilhou os caminhos de Lampião como poucos, e como mais ninguém, teve as oportunidades que todos nós, apaixonados pelo tema e seus personagens queríamos ter alcançado. Mesmo contra vossa vontade, Vai com Deus, mestre soberano da Cangaçologia. Externo minhas condolências ao meu amigo Carlo Araujo, a sua mãe dona René e aos seus irmãos.

27 de fevereiro de 2021
Kiko Monteiro, Lagarto - SE

Antônio Amaury Correa de Araujo, o Cangaceiro Desarmado


Soube agora pela manhã do falecimento de Antonio Amaury Correia de Araújo. Trata-se do mais conceituado autor e pesquisador sobre a história do cangaço. Amaury, ao contrário do que inicialmente poderíamos pensar não era nordestino. Nasceu em Boa Esperança do Sul, interior de São Paulo. De formação acadêmica era odontólogo, mas aproximou-se do cangaço através da sua profissão, quando cuidou de pacientes ligados ao semiárido nordestino de forma direta e indireta. Fez-se amigo e recolheu depoimentos na capital paulista de personagens históricos como Zé Sereno, Balão, Sila, e tantos outros que agora me fogem da memória - aliás, a dele era prodigiosa - indo também como rastreador incansável bater alpercatas nos territórios nordestinos
assolados pelo homens que vestidos de mescla azul percorreram os ásperos terrenos das caatingas, em busca de ouro, dinheiro e , também, de liberdade, de espaços que ocupavam e desocupavam longe da tutela dos coronéis. Amaury, podemos dizer, não os perseguia, desejava reconstituir seus caminhos para conhecê-los melhor, desvendá-los, humanizá-los e auscultar aqueles, familiares, amigos, adversários, que assistiram, participaram como parceiros ou algozes ou ouviram dos seus antepassados as façanhas de Lampião, Corisco, Zé Baiano, Gato, Zé Sereno, Mariano, Luis Pedro, Antonio e Ezequiel Ferreira, Maria Bonita, Dadá, Ignacinha, Lídia, Nenê de Luis Pedro, Enedina, Sila e muitos mais.

Gastando do próprio bolso, aventurando sucesso ou frustração, meteu-se caatingas adentro em busca de suas fontes. Arrostando desconfortos, eventuais perigos e a dureza do clima, certamente muito hostil para ele, paulistano dos climas temperados, Amaury preencheu lacunas historiográficas, desvendou mistérios inerentes ao cangaço, pois que história forjada afrontando as leis e seus executores, deu guarida a fala popular com dignidade e tornando-a crível pelo aval que lhe conferia, antes muito questionado por intelectuais e acadêmicos. Estive com esse mestre notável em muitas ocasiões, inclusive em sua residência em São Paulo, gravando com ele para nosso documentário "Feminino Cangaço", comigo estava Lucas Viana, colega e amigo, cineasta e historiador, dele colhemos precioso depoimento, disponível no canal Youtube. Fica a saudade e um sentimento de perda, não só para mim, mas para todos aqueles que amam e desejam preservar a historia popular, sobretudo, para os que se dedicam em aprender sobre o cangaço, acontecimento histórico que legou imagens, poesia, narrativas, escritos acadêmicos. Neste universo, para onde quer que olhemos lá sereno e sombranceiro, encontraremos a figura e as digitais de ANTONIO AMAURY CORREIA DE ARAÚJO. Adeus velho mestre! Em seus livros que guardo e consulto na minha estante continuarei aprendendo contigo!

Professor Manoel Neto
UNEB - Salvador BA

Seu Falecimento Enlutece a Todos e Profundamente Consterna a Casa de Alcino: o Sertão e o Memorial Alcino Alves Costa.

Antônio Amaury e Alcino Alves Costa no Cariri Cangaço 2010

O Memorial Alcino Alves Costa informa com pesar o falecimento de Antonio Amaury Corrêa de Araújo, um dos maiores historiadores do fenômeno Cangaço. Ao longo de sua trajetória como pesquisador, palestrante e escritor, Antonio Amaury foi se tornando uma das vozes mais acreditadas entre pesquisadores e estudiosos do Cangaço. Com quase duas dezenas de livros publicados, certamente era o historiador que mais possuía gravações pessoais com ex-cangaceiros, ex-volantes, com testemunhas e outras pessoas envolvidas na saga cangaceira e nordestina. Seus livros foram se tornando como necessários manuais a todos aqueles que desejavam conhecer os meandros e as verdades sobre o banditismo e seu contexto. Foi também responsável por proporcionar ao tema um conhecimento específico dos diversos fatos e a valorizar os depoimentos e testemunhos pessoais dos seus personagens. Reverenciado por todos, igualmente reconhecido como verdadeiro mestre. Amigo do saudoso escritor Alcino Alves Costa, e com este costurando os retalhos soltos da história do Cangaço, agora os dois dialogam na eternidade. Seu falecimento enlutece a todos e profundamente consterna a Casa de Alcino: o Sertão e o Memorial Alcino Alves Costa.

27 de fevereiro de 2021, Rangel Alves da Costa

Era a Referência, o Farol, o Modelo a ser Seguido... Por Luiz Ruben

Antônio Amaury e Luiz Ruben

Ainda estou assimilando a triste notícia da partida de um grande homem que foi o maior pesquisador sobre o tema cangaço, Antonio Amaury. Sinto-me órfão, não somente pela perda do grande pesquisador, mas pelo amigo de duas décadas. Apesar de estarmos em estados distantes, estávamos sempre em contato quase que diário pelo telefone. Por muito tempo, nas minhas férias, ia a São Paulo onde passávamos longas horas de passeios pelos sebos e livrarias da cidade e outras longas horas de conversa na sua casa com sua família onde eu e minha esposa sempre fomos recebidos com a gentileza e o carinho tão peculiar de toda família. Certa ocasião fomos juntos até Ribeirão Preto num encontro de Ferromodelismo, eventos que eu costumava frequentar. Sinto-me órfão daquela presença mesmo que distante fisicamente, ele estava lá. Era a referência, o farol, o modelo a ser seguido. Perdemos o grande pesquisador, o mestre dos mestres, aquele que abriu os caminhos do conhecimento do cangaço para os outros pesquisadores, mas que vai deixar para essa geração de estudiosos e pesquisadores e para as próximas que virão um legado a ser seguido.

Perdi um amigo, leal, correto, sincero, virtuoso, que vai deixar muita saudade. Agradeço a Deus que colocou no percurso da minha vida um ser humano da qualidade de Amaury. Descanse em paz meu amigo...Abraço fraterno meu e de Angela a toda família: Dona René, Amaury Junior, Carlos Elydio, Sérgia Reneé, Henrique e Marcelo.

27 de Fevereiro de 2021
Luiz Ruben Bonfim
Pesquisador e Escritor

Um Nordestino, sim, senhor ! Por:Frederico Pernambucano de Mello

Antônio Amaury, Frederico Pernambucano de Mello e João de Sousa

Não ignoro a origem caipira de Antônio Amaury Corrêa de Araújo e sua naturalidade paulista, no momento em que Robério Santos me faz chegar a notícia de sua morte aos 87 anos. A reflexão que me vem à mente nessa hora é a de não ter existido nordestino mais visceral do que ele, por adoção espontânea das constantes de caráter presentes no homem do trópico setentrional brasileiro, notadamente o do sertão. Tomou-se de tal encanto pelo palco e pelo drama do homem da caatinga, por seus cantos, por seus contos, religiosidade, mitos, lendas, causos, assombrações, aventuras, sobretudo pelas aventuras, que se mudou para o sertão em espírito, embora mantivesse os pés fincados no São Paulo de berço. E passou a estudar tudo isso, a ponto de desafiar com sucesso um programa de televisão em que respondia a pesado interrogatório sobre os fatos do cangaço e a vida de seu protagonista maior, o Capitão Lampião.

Seus livros são de consulta necessária para quantos estudem o sertão e as correrias que se desenrolaram ali. A violência presente em nosso processo colonial, a bravura do vaqueiro, abrindo o pasto para o assentamento dos currais de gado, o plantio de subsistência nos pés de serra, nas ipueiras e nos brejos de altitude, a resistência não menos valorosa das tribos indígenas na defesa de seus campos, todo o universo de que provém o que tenho chamado de Ordem do Cangaço.

Nesses estudos, guloso dos detalhes, colecionou particularidades sem-fim, filiando-se à corrente positivista da ciência histórica. Fiel ao mestre Auguste Comte, deu as costas às conquistas mais recentes trazidas pela antropologia, pela psicologia, pelo imaginário, pelas mentalidades, por tudo quanto enriqueceu a disciplina histórica no Século XX. Um convicto no seu sistema de estudos.

Vá em paz, Amaury, o Nordeste sentirá sua ausência, atenuada pela leitura das páginas que produziu e que irão permanecer. O chão que adotou não lhe negará o aceno!

27 de Fevereiro de 2021
Frederico Pernambucano de Mello
Historiador da Academia Pernambucana de Letras

Parte o Maior de Todos... Doutor Antônio Amaury Correa de Araujo !


 NOTA DE PESAR

É com muita tristeza que o Cariri Cangaco comunica o falecimento de Antônio Amaury Corrêa de Araújo, acontecido na noite desta ultima sexta, dia 26, na cidade de São Paulo. Perde o Brasil o maior pesquisador da temática Cangaco , de todos os tempos, um homem extraordinário que dedicou sua vida à família, à profissão e à Alma Nordestina. Vá com Deus Doutor Amaury, seu legado se eterniza a partir de suas obras e de seu inigualável trabalho. Somos devedores eternos de sua dedicação . O Cariri Cangaço agradece ao senhor todo o cuidado, zelo, apoio e confiança ; somos o que somos por causa do senhor . Parta em paz querido amigo e que Deus possa confortar o coração de dona Rene, Júnior, Sérgia, Carlo e netos. Leve a certeza que permanece em nossos corações .

Manoel Severo- Conselho Alcino Alves Costa do Cariri Cangaço

Kydelmir Dantas no Canal Futura


Entrevista feita pelo jornalista Fabiano Morais para o Jornal Futura com o pesquisador , escritor e cordelista , Kydelmir Dantas, ex-presidente da Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço (SBEC) e Conselheiro Cariri Cangaço.

Nota de Pesar: Voldi Moura Ribeiro


NOTA DE PESAR

É com muita tristeza e consternação que o Conselho Alcino Alves Costa, do Cariri Cangaço, informa o falecimento do sociólogo, pesquisador e escritor Voldi Moura Ribeiro na manha desta quarta-feira, dia 20 de janeiro de 2021 na cidade de Jatobá, Pernambuco, em decorrência de um infarto fulminante. Voldi Ribeiro tinha 63 anos e era membro permanente de nosso Cariri Cangaço, membro da ABLAC e de outras instituições literárias e acadêmicas. Nossos mais sinceros sentimentos de pêsames à toda família enlutada e aos inúmeros amigos do pesquisador e escritor Voldi Moura Ribeiro.

"Uma triste notícia circulando nas redes sociais dá conta do falecimento do sociólogo, escritor, aposentado da Chesf, Voldi Moura Ribeiro. A notícia chegou ao conhecimento do também escritor e seu grande amigo Luiz Ruben no final tarde desta quarta-feira, 20 de janeiro, que foi informado pela secretária do Padre Antônio que mora em uma fazenda próxima da fazenda de Voldi Ribeiro, no município de Jatobá-PE, onde ele estava morando ultimamente.O Padre Antônio pediu para informar a Luiz Ruben que Voldi Ribeiro foi encontrado morto, vítima de um infarto. Voldi nasceu em Picos, no Piauí, em 1957. Estudou no Recife, onde fez Ciências Sociais, Sociologia, na Universidade Católica de Pernambuco.

Foi admitido na Chesf no ano de 1977 e teve atuação importante no apoio às ações da Chesf para os reassentamentos dos moradores que precisaram ser deslocados dos municípios que foram inundados com a construção da barragem de Itaparica.Concluído esse trabalho, Voldi ocupou uma assessoria da Administração da Chesf em Paulo Afonso que cuidava, dentre outras atividades, dos contratos relacionados a administração da Usina de Angiquinho por outras instituições.

Como sociólogo, era um apaixonado pelos estudos e pesquisas relacionadas ao Nordeste e ao cangaço e foi justamente nessa área que deixa uma grande contribuição quando, com o apoio do Padre Celso da Anunciação encontrou documentos que provam que o nascimento de Maria Gomes, conhecida como Maria Bonita, a companheira de Lampião, o Rei do Cangaço, que nasceu no Povoado Malhada da Caiçara, hoje pertencente ao município de Paulo Afonso, foi no dia 17 de janeiro de 1910 e não no dia 08 de março de 2011, como sempre foi divulgado até por renomados escritores sobre esse tema. 

Voldi defendeu essa sua descoberta em um dos eventos do Cariri Cangaço, publicou inicialmente no jornal Folha Sertaneja e no ano de 2019 publicou esse seu achado sobre a data do nascimento de Maria Bonita no livro Lampião e o nascimento de Maria Bonita.(Editora Oxente. Paulo Afonso-BA. 2019).O livro, de 196 páginas, ricamente ilustrado com fotos e documentos inéditos, traz vários textos do Padre Celso da Anunciação, Luiz Ruben Alcântara e de Frederico Pernambucano de Melo, que faz também o seu Prefácio.

Além do seu trabalho na Chesf, onde contribuiu de forma grandiosa para a região Nordeste, esta sua obra é um marco muito importante para os estudiosos do cangaço e da história do Nordeste brasileiro. Muitos escritores de Paulo Afonso que conviveram com Voldi Ribeiro, estão pesarosos com a sua partida. Aos familiares e aos amigos, nos solidarizamos nesse momento de tristeza e dor. Muitos escritores da Academia de Letras de Paulo Afonso, embora Voldi ainda não fosse membro dessa instituição, deixaram sua tristeza no grupo de Whatsapp, como Rubinho Lima, o diretor da Editora Oxente, que fez o seu livro, Jotalunas, Luiz José, Professor Fernando, Luiz Ruben e Ângela, seus amigos de longa data e muitos outros."

Reportagem da Folha Sertaneja-Paulo Afonso BA


Na Quixabeira onde o Cangaceiro Juriti foi Queimado Vivo Por:Rangel Alves da Costa

Rangel Alves da Costa

O ano era 1941. O cangaço já havia encontrado seu desfecho na Chacina de Angico de 38. Após as entregas do pós-cangaço, o afamado cangaceiro Juriti (o baiano Manoel Pereira de Azevedo), um dos mais perversos do bando de Lampião, acabou encontrando a morte pelas mãos do cruel e sanguinário Sargento Deluz (Amâncio Ferreira da Silva), terrível caçador de cangaceiros que se negava a dar trégua aos deserdados bandoleiros das caatingas, cuja base de atuação era nos sertões sergipanos de Canindé de São Francisco.

Mas Juriti teve seu destino selado por uma saudade sentida de sua ex-companheira dos tempos cangaceiros: Maria de Juriti. Assim, como a ex-cangaceira havia retornado para o lar familiar na região da Fazenda Pedra D’água (nas proximidades da famosa Fazenda Cuiabá), e após vaguear pelo mundo como ser comum e trabalhando pela sobrevivência, em 1941 resolveu retornar ao sertão sergipano, e certamente com vontade de rever Maria e alguns conhecidos. Contudo, a notícia da chegada do cangaceiro logo chegou aos ouvidos do Sargento Deluz.

Não demorou para que o feroz militar providenciasse o cerco da residência de Rosalvo Marinho, onde Juriti se arranchava. Preso, foi logo amarrado e conduzido em direção a Canindé. Mas na estrada, a solução encontrada foi outra. Deluz mandou que seus soldados preparassem uma fogueira grande, com toco de pau e mato seco, logo abaixo de uma quixabeira, e nas chamas lançou o indefeso cangaceiro. E pelos sertões, os versos ainda ecoam: “A fogueira de Deluz, deu luz de gemido e dor. Entre as chamas da fogueira, Juriti não mais voou. O cangaceiro perverso, pelas mãos da perversidade em cinzas se transformou...”.

Rangel Alves da Costa, pesquisador, poeta e escritor

Conselheiro Cariri Cangaço, Poço Redondo-SE

O Adeus a Sabino Bassetti


NOTA DE PESAR

É com muita tristeza e consternação que o Conselho Alcino Alves Costa, do Cariri Cangaço, informa o falecimento do pesquisador e escritor José Sabino Bassetti na manha deste sábado, dia 12 de dezembro de 2020 na cidade de Salto, São Paulo, em decorrência de um câncer. Bassetti tinha 79 anos e era membro permanente de nosso Cariri Cangaço. Nossos mais sinceros sentimentos de pesames à toda família enlutada e aos inúmeros amigos do inesquecível Sabino Bassetti.


Segue Nota de nosso Conselheiro Cariri Cangaço, Junior Almeida, em nome de todos nós que fazemos o Cariri Cangaço:

"Faleceu em Salto, São Paulo, José Sabino Bassetti, de 79 anos, após perder a inglória luta contra o câncer. Um dos nomes de peso na pesquisa do cangaço, já doente, Bassetti pediu à família que "após sua viagem derradeira, seu corpo fosse cremado e que seus filhos plantassem uma muda árvore, onde seria depositada as suas cinzas".
José Sabino Bassetti nasceu em Piracicaba, São Paulo em 14 de abril de 1941. Cursou o primeiro grau completo e pelo Senai – Serviço Nacional da Indústria – fez curso de desenho mecânico. Trabalhava como representante comercial. Sabino nos contou que quando tinha 10 anos, fazia apenas 13 e anos que Lampião havia morrido em Angicos e, ainda falava-se muito sobre isso. Com 12 anos foi pela primeira vez à biblioteca e leu “Lampião”, de Ranulfo Prata, despertando assim, seu interesse pelo tema.
Mais tarde, já como pesquisador, Sabino Bassetti conheceu os ex-cangaceiros Criança, Zé Sereno, Candeeiro, Marinheiro e Sila, e também os ex-volantes Elias Marques, Antônio Vieira e Antônio Jacó. Mesmo sem raízes nordestinas, assim como Antônio Amaury C. Araújo, nascido em Campinas, também em São Paulo, Bassetti é um dos grandes nomes da pesquisa no cangaço no Brasil. Também é membro da Academia Saltense de Letras, em sua cadeira número 23 e fundador com mais 26 membros da ABLAC – Academia Brasileira de Letras e Artes do Cangaço, onde tem como patrono o escritor Euclides da Cunha.
Bassetti tem os seguintes livros de temática cangaceira publicados: Lampião. Sua Morte Passada a Limpo, de 2011, aonde o autor revela, com riqueza de detalhes, a trama e os acontecimentos na última semana de Lampião, que culminaram com sua morte, e parte do bando, e Lampião. O Cangaço e Seus Segredos, de 2015, obra que procura mostrar, além de como o cangaço acontecia, o comportamento daqueles que participavam, tanto do lado dos bandidos, das volantes, e coiteiros.
O pesquisador deixou um livro, que seria o seu terceiro, no prelo, faltando pouco para ser publicado, o que não foi feito por conta de sua doença. Sabino deixa enlutados a viúva Aparecida, seus três filhos seus netos e centenas de leitores, admiradores e amigos.Que Deus receba Sabino em Sua Morada e que conforte toda a família nesse momento de tristeza e dor "

Júnior Almeida,
pesquisador e escritor
Conselheiro Cariri Cangaço.


 

Livros do Cangaço em Grandes Encontros Cariri Cangaço !


O Especular Universo da Literatura do Cangaço; os livros que fizeram e fazem história trazendo uma das mais sensacionais sagas do povo nordestino. Os mais procurados, os mais lidos, os clássicos, os campeões de venda...os polêmicos, os indispensáveis; tudo isso nos GRANDES ENCONTROS CARIRI CANGAÇO desta próxima sexta-feira, dia 11 de dezembro às 20h no Canal do You Tube do Cariri Cangaço.

 

Manoel Severo Barbosa recebe o renomado livreiro do cangaço; Professor Pereira; Conselheiro Cariri Cangaço e o professor Adriano de Carvalho Duarte, para uma conversa que ficara na história. Até lá !!!

Sobre o Novo Livro de Calixto Junior Por:Junior Almeida

Casa de Isaias Arruda em Missão Velha

Conclui essa semana a prazerosa e elucidativa leitura de “Vida e Morte de Isaías Arruda: Sangue dos Paulinos, abrigo de Lampião”, de autoria do colega de academia (ABLAC) e Seminário Cariri Cangaço, Calixto Junior. Eu tinha adquirido o livro direto com o autor em Aracaju, no mês de março deste ano, mas como a biografia do célebre potentado de Missão Velha foi parar numa fila literária de quase quarenta obras que tinha em casa, então, só agora, pude me dedicar à leitura. Como gosto de tecer alguns comentários sobre os livros que leio, relato aqui algumas observações do que me chamaram atenção. Só para constar, depois que findei o livro do professor/escritor aurorense, creio que quem estuda cangaço e coronelismo, temas siameses, não pode deixar de ler a citada obra, que detalha a fundo a vida do chamado “coronel menino”.

Um dos pontos que me chamou atenção na obra de Calixto é de como os chamados coronéis de barranco do nosso beligerante Nordeste daquela época eram bem à margem da lei. Não canso de me surpreender com isso. No Cariri Cearense, por exemplo, rapidamente vem à mente, além Isaías, de Missão Velha, o não menos perigoso Zé Inácio, do Barro, dentre outros. Os homens eram umas feras! Imagino-os nos dias de hoje, com seus conchavos políticos e brigas pelo poder. Seriam, quem sabe, vereadores, vices e prefeitos de suas cidades, quem sabe até deputados. Poderiam ser considerados por muitos, cidadãos de bem, que defendem a família e a Pátria. Alguém duvida?
Em seu livro Calixto Junior detalha bem as inúmeras rixas do chefe político de Missão Velha, com quantas pedras Isaías Arruda mexeu, sendo que a pedra dos Paulinos foi a que lhe veio à cabeça. Foi a sua desgraça. Já diz o ditado que “o remédio de um doido é outro na porta”, então, por mais que o coronel menino fosse ousado e destemido, não faltava quem fosse igual a ele ou pior (ou seria melhor?).


Pela narrativa da biografia, Isaías Arruda parecia ser duro na queda, não era um sujeito “morredor”, como brinca Luiz Gonzaga, cantando com Carmélia Alves, onde diz que o sujeito morreu apenas com uns risquinhos de faca, pois naquele 4 de agosto de 1928, foi atingido por sete tiros dos revólveres dos irmãos Antônio e Francisco (Chico) Paulino, só vindo a falecer quatro dias depois. Tem gente que morre de uma topada. Isaías não! Foram sete disparos para tirar-lhe a vida, mesmo assim, não acabou-se no momento que foi atingido.
Talvez esse intervalo de tempo, do atentado propriamente dito, na estação de trem de Aurora, até a morte da casa de Augusto Jucá, na mesma cidade, tenha feito com que o advogado dos homicidas tenha posto em dúvida, perante a Justiça, o laudo cadavérico da vítima, e levantado a tese de defesa dos seus clientes de que Isaías faleceu porque não se cuidou direito, e não pelos tiros que tinha tomado, chegando em sua petição a dizer que “ (...) como medicamentos; uns fazem grande bem, outros nem bem nem mal. Daí os erros judiciários a que arrastam as faltas ou ignorância dos peritos,” e também que “a morte de Isaías resultou não porque o mal [os tiros] fosse mortal e sim por ter o ofendido deixado de observar o regime médico higiênico reclamado por seu estado”.
Absurdo?! Nem tanto. Inacreditável mesmo foi o corpo de jurados, reunido em maio do ano seguinte, para julgar os irmãos Paulino, ter aceitado esta estapafúrdia tese, respondendo questionário dizendo na primeira questão que os acusados tinham sido os responsáveis pelos disparos que atingiram Isaías Arruda, mas, no segundo quesito, que esses tiros não foram suficientes para matar a vítima, e sim a falta de cuidados dele mesmo. Ou seja: pelo que os jurados entenderam o chefe político de Missão Velha, foi o culpado pela sua morte e não os Paulinos, que pegaram uma pena leve, incursos no grau mínimo do código penal da época, sendo condenados a pouco mais de dois anos, o que fez com que o juiz do caso apelasse.
O Cariri Cearense possui no campo da História daquela região nomes como Xavier de Oliveira, Joryvar Macedo, patrono de Calixto na ABLAC, e os mais recentes Souza Neto, Cristina Couto, Bosco André e Daniel Walker, que precocemente foi morar com Deus. Somando a recente obra com outras de sua lavra, Calixto Junior, nascido em Aurora no dia da alfabetização, reforça, ainda bem, o time desses abnegados. Parabéns bela obra!

Junior Almeida, pesquisador e escritor
Conselheiro Cariri Cangaço , Capoeiras-PE