O Fogo de Serrinha do Catimbau. Por:Manoel Severo



João Caxeado, um dos defensores de Serrinha do Catimbau

Também na região do agreste pernambucano, o Rei do Cangaço; Virgulino Ferreira, encontrava abrigo e acolhida à sua epopéia nômade cangaceira. Fazendas nas vastas terras entre municípios como Bom Conselho, Águas Belas e Itaiba, traziam oportunamente momentos de descanso e ajuste de negócios entre o líder cangaceiro e seus protetores. Em uma dessas paragens junto ao poderoso coronel Zezé Abílio, lider político e maioral de Bom Conselho, possivelmente pode ter se iniciada a trama do terrível assassinato de José Gomes no sítio Queimada do André e o fogo de Serrinha do Catimbau, quando Maria Bonita é ferida.


Severo e Vilela em visita ao túmulo de Zé Gomes em Paranatama (Serrinha)


Detalhe na sepultura de Zé Gomes

Algumas versões são apresentadas para explicar os episódios daquele Julho de 1935; é Antônio Vilela, dedicado pesquisador de Garanhuns com excelente trabalho sobre a presença de Lampião no agreste pernambucano, que nos conta: "Algumas versões são apresentadas para a ação de Virgulino e seu grupo naquela época, mas a verdade é que o chefe cangaceiro estava em missão a serviço do Coronel Zezé Abílio; a princípio, naquele 20 de julho de 1935, foi até o sítio Queimada do André, ajustar uma conta que o fazendeiro José Gomes Bezerra possuia junto a Zezé Abílio; o fazendeiro conhecido pelos modos rudes e fortes, chegou até a afrontar com palavras o rei do cangaço, que sem titubear, ordenou a morte do mesmo."


 Fachada da Casa de Chiquito, centro de Serrinha



Destas casas partiram os tiros dos moradores de Serrinha


Detalhe da atual praça do fogo de Serrinha do Catimbau, à nossa esquerda a casa de Chiquito, à nossa direita o casário onde estavam os defensores. (Na época não havia a praça)

Continua Vilela: "A notícia do assassinato de João Gomes correu como rastro de pólvora pela redondeza, deixando em alerta as comunidades vizinhas; em Serrinha do Catimbau, cerca de uma légua do ocorrido, a população se organiza sob o comando de João Caxeado, inspetor de quarteirão e seu auxiliar Oséias Correia. De fato Lampião; ao lado de Cabo Velho, Medalha, Maçarico, Gato, Moita Brava e ainda Maria Bonita e Maria Ema, entram pelo principal arrudado do lugar. O chefe cangaceiro tinha endereço certo, novamente sob missão lhe confiada pelo Coronel Zezé Abílio, ruma célere à residencia do indivíduo Chiquito; que mantinha contas a ajustar com o poderoso coronel. A horda cangaceira não tem tempo de concluir seu intento, ao bater à porta da casa de Chiquito é surpreendida com saraivada de balas, vinda das casas situadas do outro lado da rua; no combate , Maria Bonita e Maria Ema foram baleadas e o cachorro Dourado morreu crivado de balas, obrigando o bando a fuga prematura", conta o pesquisador.

Manoel Severo.

4 comentários:

Anônimo disse...

Interessante que mais cidades do nordeste possam se organizar para realizar debates a cerca do cangaço. Não conhecia essa história do Catimbau, nem muito menos que Maria Bonita havia sido baleada antes do dia de sua morte e nem que havia tido uma cangaceira chamada Maria Ema. para nós que somos curiosos e interessados no tema, esse tipo matéria é muito importante.

Parabens ao município e que possam realizar o debate programado.

Ricardo Lima.

Walberto disse...

interesante essa historia do cangaço estou lendo um livro interesante pois o titulo e lampião o rei do cangaço e conta exatamente como escrito aqui parabens aos historiadores,

Walberto disse...

AGORA ESTOU LENDO O LIVRO [O INCRIVEL MUNDO DO CANGAÇO MUITO INTERESANTE E CONTA HISTORIAS E PASSAGENS POR LUGARES QUE VIRGULINO E SEU BANDO PASSOU QUE EU NUNCA IMAGINEI MAIS UMA VEZ PARABÉNS AO ESCRITOR DESSA OBRA PRIMA BELISSIMO LIVRO UM ABRAÇO AO CARIRI CANGAÇO.

Alisson Pereira disse...

Parabéns!!!!
Moro em Paranatama, a antiga Serrinha do Catimbal, cresci ouvindo as milhares de verssões sobre o fato.