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Debate: Sila Cariri Cangaço - GECC Parte II Por:GECC

Parte II
Sila no Cariri Cangaço - GECC , 
Espaço Raquel de Queiroz da Saraiva Mega Store do Shopping Iguatemi, de Fortaleza.

Sila, em Debate Por:Aderbal Nogueira

Cariri Cangaço - GECC , debate SILA

Olá amigos da família Cariri Cangaço; conforme combinado, estamos colocando no Blog, o debate sobre Sila, promovido pelo GECC na Livraria Saraiva, do shppingo Iguatemy, por ocasião de em nossa última reunião.
Bem, tomei a liberdade, já que fui o solicitador do debate, de fazer alguns 'inserts' de depoimentos que possuo em nossos arquivos sobre alguns tópicos citados durante o debate. Poderia ter colocado muito mais, pois tenho Sila falando sobre muitos deles, como por exemplo, Zé Baiano, armas que usou, seus irmãos, etc, etc.

Porém, por displicência minha, não tenho esse material decupado. Portanto, é muito difícil para mim localizá-los nos copiões originais, o que demora dias e dias; esse pouco material demorou horas e horas de garimpagem. Os colegas basearam suas indagações no que está escrito nos livros, ou então no que ouviram outras pessoas falarem. "Amigos, parentes, etc." Eu me baseei no que gravei e na convivência com Sila. Há pouco tempo o Dr. Napoleão Tavares Neves, pessoa da mais alta respeitabilidade, colocou no blog que esteve conversando PESSOALMENTE com Sila e que não ouviu nenhum absurdo dito por ela. Portanto, não sou o único a ter esse pensamento. Repito também: Sila mentiu como todos os outros, só não acho justo a coroa de mentirosa em sua cabeça. 

No mais, parabenizo a todos os colegas que participaram do debate, pela boa pesquisa feita nos livros. E que esse tenha sido o primeiro de muitos outros debates que virão. Como o vídeo é muito longo tive que dividi-lo em 2 partes, assistam em tela pequena para não pesar e não cair muito a qualidade de imagem. No mais, aproveitem e deem a sua opinião e NÃO ESQUEÇAM: 1ª Reunião, em março - CHRISTIANO CÂMARA


Acompanhem o vídeo na postagem a seguir !


Aderbal Nogueira
Diretor GECC, Sócio SBEC
Conselheiro Cariri Cangaço
,

Debate: Sila no Cariri Cangaço - GECC Parte I


Ângelo Osmiro e as controvérsias de Sila...


Durante a noite Cariri Cangaço - GECC, tendo como personagem principal a ex-cangaceira Sila; o pesquisador e escritor Ângelo Osmiro, um dos expoentes do debate; nos trouxe um apanhado de registros que se encontram nos diversos livros que contaram com a colaboração da mesma; na oportunidade do debate o trabalho apresentado por Ângelo acabaria sendo um dos pontos referenciais e que agora transcrevemos abaixo:
 "Angicos, eu sobrevivi" Autor:Sila

PÁG. 25: SILA DIZ QUE ZÉ BAIANO A PROCUROU, ENTRETANTO FOI MORTO, E EM SEU LUGAR APARECEU ZÉ SERENO. (MOTIVO: MORTE DE ZÉ BAIANO)

PÁG. 26:DIZ QUE NÃO FOI A FESTA (ORGANIZADA PELOS CANGACEIROS); EM OUTROS LIVROS DIZ QUE DANÇOU A NOITE TODA COM LUIZ PEDRO.
EM “SILA UMA CANGACEIRA DE LAMPIÃO” DIZ QUE ZÉ SERENO FOI SEU “PAR INSEPARAVEL” DURANTE O BAILE.

PÁG. 27:CONTA EPISÓDIO DO ENCONTRO, ONDE CAIU NO RIACHO, FICOU TODA MOLHADA. O ENCONTRO SERIA COM ZÉ SERENO. EM “SILA NO DIVÔ CONTA O MESMO EPISÓDIO SENDO O PERSONAGEM ZÉ BAIANO (PRIMEIRO ENCONTRO)

PÁG. 28:“[...] RESPONDI-LHE QUE SÓ POSSUIA VESTIDOS NA BAGAGEM”; SILA EM VÁRIOS DEPOIMENTOS, DIZ QUE FOI (PARA O CANGAÇO) SOMENTE COM A ROUPA DO CORPO.

PÁG. 29:“SENTIA-ME COMO EM OUTRO MUNDO. TRISTE, ISOLADA DE MINHA FAMÍLIA, DESILUDIDA E AMEDONTRADA, POR NÃO CONHECER TODA AQUELA GENTE ESTRANHA...”

PÁG. 30:“[...] MULHERES, APENAS DUAS: NENEN E EU. NOVO TEMPO, MERGULHÃO, MARINHEIRO ERAM OS TRES NOVOS CANGACEIROS”. (NENEN MORREU LOGO NOS PRIMEIROS DIAS, SEUS IRMÃOS SÓ ENTRARIAM DEPOIS)

PÁG. 38:REPETE INFORMAÇÃO ACIMA (DESTA VEZ EM UM ENCONTRO NA CASA DE UM COITEIRO)

PÁG.53:“[...] NO MEIO DOS CANGACEIROS PASSARAM A ME CHAMAR MARIA BONITA”. PALVRAS DE MARIA BONITA PARA SILA, SEGUNDO ELA.

PÁG. 54:DIZ QUE O GRUPO ESTAVA CONSTITUIDO DE CINCO PESSOAS.

PÁG. 60:AINDA CONTANDO A MESMA HISTÓRIA DIZ QUE O GRUPO ERA CONSTITUIDO DE 10 PESSOAS.
 
  “Gente de Lampião, Sila e Zé Sereno” 
Autor: Antônio Amaury

 
 PÁG. 50:AMAURY NARRA ENCONTRO DE SILA COM OS CANGACEIROS: “OCORREU O ENCONTRO COM ZÉ BAIANO, ELE FICOU DE VOLTAR PARA PEGÁ-LA, NESSE INTERIM FOI MORTO EM ALAGADIÇO E SERENO VOLTOU E PEGOU SILA” CONTINUA AMAURY: “POUCOS MESES DEPOIS EM FINS DE 1936 OU EM JANEIRO DE 1937 OS IRMÃOS DE SILA RESOLVERAM ENTRAR NO GRUPO DE CANGACEIROS”.

PÁG. 107:“A ESCURIDÃO DA NOITE ENVOLVIA AS DUAS; [...] SOMENTE SE AVISTAVA PONTOS VERMELHOS DE CIGARRO QUE AS DUAS FUMAVAM”. JÁ SERIAM MAIS DE 21:00 HORAS QUANDO FORAM DORMIR”

 PÁG. 108:“[...] SILA CORRIA JUNTO COM CANDEEIRO”. “[...] A MULHER DE CAJAZEIRA, ENEDINA, JUNTOU-SE AO GRUPO QUE FUGIA”
 
"Sila, uma cangaceira no divã" Autor:Daniel Lins
Daniel Lins

PÁG. 13:A PRÓPRIA SILA SEGUNDO DANIEL FALA VEZ QUE NASCEU EM 1919 E OUTRA EM 1924.

PÁG. 16:SURGE UMA TERCEIRA DATA DITA POR SILA, EM ENTREVISTA: “EM 1927, AOS SEIS ANOS”. ENTÃO AÍ TERIA NASCIDO EM 1921.

PÁG. 23:DIZ TER APENAS DEZ ANOS QUANDO O PAI MORREU.

PÁG. 35:“[...] AOS TREZE ANOS, SILA CONHECE AS PRIMEIRAS EMOÇÕES”; DIZ SILA: “ERA BASTANTE DESENVOLVIDA PARA MINHA IDADE; MAS O OLHO DE MEU PAI ESTAVA PRESENTE EM TODOS LUGARES”. (O PAI NÃO TERIA MORRIDO QUANDO ELA TINHA DEZ ANO?)

PÁG. 36:“[...] AOS DOZE ANOS DE IDADE OUVI FALAR DO CANGAÇO. MEU PAI TEMIA OS CANGACEIROS, UMA VEZ INFORMADO QUE O BANDO ESTAVA PRÓXIMO DE POÇO REDONDO, ESCONDEU TODOS OS FILHOS, PROTEGENDO-NOS CONTRA QUALQUER PERIGO”

PÁG. 93:“NINGUEM ROUBAVA, PEDIA. NINGUEM ENTRAVA NA CASA DOS OUTROS PARA ROUBAR”. “EU PESSOALMENTE AJUDEI MUITOS POBRES”.
 
PÁG. 97:“CANDEEIRO PEDIA-ME PARA NÃO DEIXÁ-LO ALI. BALEADO NA PERNA O CANGACEIRO IMPLORAVA AJUDA”.
 
“Sila memórias de guerra e paz" Autor:Sila

PÁG. 19:SILA DIZ QUE NÃO ACEITOU AS JÓIAS QUE ZÉ BAIANO A PRESENTEOU. (EM OUTROS LIVROS DISSE QUE RECEBEU)
 
PÁG. 20:DIZ QUE ZÉ SERENO VOLTOU NO DIA SEGUINTE. (EM OUTROS LIVROS DIZ CERCA DE UM MÊS) REVELA O MOTIVO DE ZÉ BAIANO NÃO LEVÁ-LA E SIM ZÉ SERENO; FOI UM DESENTENDIMENTO ENTRE OS DOIS. (EM OUTROS LIVROS DIZ QUE NUNCA SOUBE O MOTIVO)

PÁG. 24:DEIXA EVIDENTE QUE OS IRMÃOS NÃO A ACOMPANHOU DE IMEDIATO.

PÁG. 29:“EU NÃO TINHA NENHUMA NOTÍCIA DOS MEUS FAMILIARES” (EM OUTROS LIVROS TAMBÉM DIZ QUE  OS IRMÃO ESTAVAM COM ELA?)
“[...] IAMOS PARA POÇO REDONDO E ENCONTRAMOS MEUS IRMÃOS. ELES DISSERAM A JOSÉ QUE ESTAVAM SENDO PERSEGUIDOS PELOS SOLDADOS DESDE QUE EU ENTRARA NO BANDO” JOSÉ RESPONDEU: “SE VOCÊS QUISEREM ENTRAR PARA O CANGAÇO, ENTREM”.
 
PÁG. 30:“LAMPIÃO DIRIGIU-SE A ELES E DISSE: DU FICA SENDO CHAMADO NOVO TEMPO, GUMERCINDO MERGULHÃO E ANTÔNIO DE MARINHEIRO”. FIQUEI MUITO SATISFEITA DE AGORA EM DIANTE TER MEUS IRMÃOS JUNTO DE MIM”
  PÁG. 33:“ZÉ RUFINO DA POLÍCIA SERGIPANA”.
 
PÁG. 50:"SILA DIZ QUE ZÉ SERENO ACABARA DE CONHECER PEDRO DE CANDIDO E NA MESMA PÁGINA DIZ QUE ZÉ SERENO “NÃO GOSTAVA DAQUELE COITEIRO”.
 
PÁG. 51:"PEDRO DE CANDIDO VOLTOU AO COITO DIA 16 DE JULHO (DEVE SER ERRO DE IMPRESSÃO)"

PÁG. 52:REPETE A HISTÓRIA DA LUZ
 
PÁG. 57:“FOI LIDO UM OFÍCIO DO PRESIDENTE GETULIO VARGAS DECLARANDO ANISTIA A TODOS OS CANGACEIROS QUE SE ENTREGASSEM (NA CIDADE DE JEREMOABO)”.
 
PÁG. 59:REPETE HIST. OFÍCIO DE ANISTIA.
 
PÁG. 89:“FOMOS LANÇAR NO JUAZEIRO DO PADRE CÍCERO, LUGAR QUE LAMPIÃO TANTAS VEZES ANDOU”.
 
“Sila uma cangaceira de Lampião" 
Autor: Israel Araujo e Sila
 
PÁG. 21:“AOS NOVE ANOS PERDI MEU PAI”  ( TAMBÉM DIZ QUE PERDEU AOS 10, AOS 9 E AOS 13 AINDA ESTAVA VIVO)

PÁG. 27:“ZÉ SERENO MEU PAR INSEPARAVEL”  (NO BAILE DE DESPEDIDA) (EM OUTRAS OBRAS DIZ SER LUIZ PEDRO)

“PÁG. 28:DIZ QUE SEUS IRMÃOS A ACOMPANHARAM DESDE O PRIMEIRO DIA.(EM OUTRAS OBRAS: MESES DEPOIS OU DIAS DEPOIS)

PÁG. 36:TENENTE ZÉ RUFINO DA POLÍCIA DE SERGIPE.

PAG. 42:EM CONVERSA COM MARIA BONITA ELA TERIA DITO SER CHAMADA MARIA DÉA; QUANDO ENTROU NO GRUPO PASSOU A SER CHAMADA MARIA BONITA.  REUNIÃO COM CHEFES DE GRUPO COM A PRESENÇA DE ZÉ SERENO E ZÉ BAIANO EM NOVEMBRO DE 1936, ZÉ BAIANO FOI ASSASSINADO NO DIA 07 DE JULHO DE 1936.

PÁG. 43:O CORONEL NOGUEIRA QUERIA SE APOSSAR DAS TERRAS DE ZÉ FERREIRA, DAÍ VIRGULINO ENTROU NO CANGAÇO          
PÁG. 57:“LAMPIÃO INVADE NAZARÉ E QUEIMA AS CASAS DOS NOGUEIRA”

PÁG. 59:“[...] A POLÍCIA CERCOU A CASA DO PAI (ZÉ FERREIRA) JUNTAMENTE COM ZÉ SATURNINO A MÃE DE VIRGULINO NÃO SUPORTA E MORRE DO CORAÇÃO”.

PÁG. 64:“APÓS A MORTE DE LAMPIÃO OS COMPANHEIROS SOBREVIVENTES ESCOLHERAM ZÉ SERENO PARA COMANDANTE”

PÁG. 70:“[...] BOTEI O FUZIL NO OMBRO, CARTUCHEIRA ENTUPIDA DE BALAS E TOQUEI...”  (ARMA GRANDE)

PÁG. 73:“[...] DESCANSEI O FUZIL NO MEU COLO...”

PÁG. 75:“[...] DEI UM SALTO E ARREBENTEI A CORONHA DO MOSQUETÃO NA CABEÇA DO SOLDADO”.

PÁG. 76:“COSTUMEIRAMENTE PASSAVAM ALGUNS DIAS CONOSCO, LUIZ PEDRO, NENEN E ZÉ BAIANO”. (NENEN NÃO MORREU NOS PRIMEIROS DIAS?)


MORTO LAMPIÃO, ZÉ SERENO ASSUME O COMANDO DE 200 HOMENS, INCLUSIVE CORISCO E DADÁ, “APESAR DE ESTAREM AFASTADOS DE LAMPIÃO POR DIVERGENCIAS”.
PÁG. 77:IDENTIFICA ADÍLIA COMO ENEDINA.
 
PÁG. 80:CONFESSA TER PRESENCIADO EXECUÇÃO

PÁG. 96:“[...] O SOL DESBANCAVA NO HORIZONTE QUANDO MARIA BONITA ME CHAMOU PARA TROCARMOS DOIS DEDOS DE PROSA...”

PÁG. 98:“[...] CAMINHEI EM DIREÇÃO A TOLDA, VI  NOVAMENTE A MESMA LUZ...”“[...] SE EU LHE HOUVESSE FALADO SOBRE AQUELA LUZINHA, TUDO TERIA SIDO DIFERENTE”.
 “UM PRIMEIRO TIRO ECOOU MATANDO UM COMPANHEIRO”.
 “SEGUREI NA MÃO DE ENEDINA E ARRASTEI PARA O MEU LADO”.
 “[...] CANDEEIRO BALEADO NA PERNA, PEDIR-ME QUE NÃO O DEIXASSE ALI, O CANGACEIRO IMPLORAVA AJUDA”.

 PÁG. 102:ENTREGAS: DULCE, ADÍLIA E EU PERMANECEMOS EM JEREMOABO. (ADÍLIA DIZIA TER SE ENTREGADO EM PROPRIÁ-SE).

PÁG. 118:EM ENTREVISTA PERGUNTOU AO IRMÃO JOÃO PAULO: “VOCÊ FICOU TRISTE QUANDO MARINHEIRO, NOVO TEMPO E MERGULHÃO SAIRAM PARA NOSSA COMPANHIA?

Ângelo Osmiro
Presidente do GECC, Sócio da SBEC
Conselheiro Cariri Cangaço

Sila: Uma noite inesquecível Cariri Cangaço-GECC

Cariri Cangaço - GECC , em noite de Sila na Saraiva MegaStore

Uma só noite certamente não foi suficiente. O encontro Cariri Cangaço-GECC, deste mês de Dezembro, que aconteceu na noite desta terça-feira, dia 06, no Espaço Raquel de Queiroz, da Livraria Saraiva Mega Store do Shopping Iguatemi e que contou com grande número de confrades; apaixonados pela temática do Cangaço; possibilitou um amplo e rico debate sobre a trajetória da cangaceira Sila, no universo do fenômeno mais discutido do nordeste.

O encontro iniciou com a apresentação da noite, pelo Curador do Cariri Cangaço, Manoel Severo, seguido pelos informes da Presidência do GECC, com o escritor Ângelo Osmiro, que ressaltou o lançamento de obras literárias, como a segunda edição de "O Caldeirão" do professor Régis Lopes, do novo livro da jornalista Vera Ferreira e do documentário da TV Assembléia, sobre "Fideralina" uma das maiores "coronéis de saia" do Ceará, como também ressaltou o sucesso do II Congresso Nacional do Cangaço, uma promoção da SBEC - Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço, em Cajazeiras, Paraíba.
Manoel Severo, curador do Cariri Cangaço, abriu os trabalhos da noite
O Presidente do GECC, Ângelo Osmiro e os informes da noite
Assessor de imprensa e marketing do Cariri Cangaço, jornalista Heldemar Garcia, tudo pronto para o início do debate...

O debate sobre "Sila, uma cangaceira de Lampião" , inciou com a apresentação da personagem pelo autor da propositura, documentarista Aderbal Nogueira. Aderbal Nogueira iniciou ressaltando sua proximidade com Sila, durante os muitos meses em que a mesma esteve hospedada em sua residência e nas várias incursões realizadas ao lado da ex-cangaceira, por ocasião da produção de alguns de seus documentários. Aderbal num tom provocativo e instigante, pontuou: "não estou aqui para defender Sila, nem tão pouco atacar, mas para aprofundar a discussão e resgatar uma injustiça feita a ela, com a "pecha" a partir de muitos escritores e pesquisadores, que dizem que Sila só mentiu..."Aderbal Nogueira disponibilizou o microfone para os demais confrades, que um a um, colocaram suas impressões e reflexões a cerca da figura emblemática e polêmica da ex-cangaceira mulher de Zé Sereno. Alguns dos confrades apresentaram um conjunto substancioso de contradições nas muitas afirmações feitas por Sila nos diversos livros escritos sobre o tema, com destaque para a pesquisa de Ângelo Osmiro, e as reflexões de Alfredo Bonessi e Juliana Ischiara.
Aderbal Nogueira, autor da propositura da noite e Tomaz Cisne
Alfredo Bonessi, "afilhado macaco" da ex-cangaceira, um dos principais debatedores da noite, ao lado de Wilton Dedê
Juliana Ischiara, o contra-ponto forte e rigoroso, enriquecendo sobremaneira o debate da noite.
Ângelo Osmiro, toruxe para a noite um criterioso e rico trabalho de pesquisa ressaltando as muitas e recorrentes polêmicas das afirmações da ex-cangaceira Sila

A noite parecia correr e o tempo foi nosso maior inimigo, as horas esvairam por entre nossas mãos, fazendo com que todos ficassem com um "gostinho de quero mais". Para o curador do Cariri Cangaço, Manoel Severo, "o que temos que ressaltar é o sucesso absoluto da noite de hoje promovida pelo GECC - Cariri Cangaço. A qualidade do debate, o contraditório observado com zêlo e respeito por todos, as ricas informações, a lucidez e o respeito entre os contrários e acima de tudo o cuidado com a personagem e ser humano Sila, foram o ponto alto, sem dúvidas uma noite memorável para o estudo do cangaço." Para o Presidente do GECC, escritor Ângelo Osmiro a noite "mostrou o atual estágio em que se encontra o estudo e pesquisa da temática, reuniões de trabalho como dessa noite nos fazem ver o quando é gratificante buscar o entendimento a partir dos fragmentos da verdade histórica, hoje marcamos um grande tento com esse debate memorável".
Noite de Gala, Cariri Cangaço-GECC em Fortaleza
Lívio Ferraz, Manoel Severo e Juliana Ischiara
Maristela Mafuz e Alfredo Bonessi
Família Cariri Cangaço-GECC; na noite de Sila na Saraiva Megastore

Sem dúvidas ainda teremos muitas postagens sobre essa noite inesquecível, todo o encontro foi gravado e já se está em fase de edição, "sem cortes" pela Laser Vídeo e em breve teremos na íntegra, vários capítulos do debate "Sila uma cangaceira de lampião" na noite Cariri Cangaço-GECC no Espaço Raquel de Queiroz da Livraria Saraiva Mega Store do Shopping Iguatemi, em Fortaleza. O encontro contou com a participação de 31 confrades e com a presença honrosa e marcante da memória de Sila; cangaceira, mulher, mãe, companheira, guerreira, vencedora...polêmica.

Heldemar Garcia
Assessor de Imprensa e Marketing Cariri Cangaço
Fortaleza-CE

Todos os Personagens da Noite...

Ângelo Osmiro..."não fui eu que disse isso não, foi Sila, tá lá no livro que leva sua assinatura..."
Aderbal Nogueira..."Sila nem sabia o que escreviam naqueles livros, nem revisava...Sila foi uma injustiçada"
Juliana Ischiara..."não conheço um só fato importante ou relevante que Sila tenha participado..."
Morgana Osório..."conhecer Sila foi uma grande honra para todos nós..."
Edilson Cláudio..."Sila não tinha condições de criar tudo aquilo..."
Coronel Gutemberg..."vou sair daqui com um cordel feito sobre a polêmica de Sila..."
Jornalista Nicole..."e a produção de um documentário sobre a mulheres no cangaço..."
Alfredo Bonessi..."todos procuraram enfeitar a história do pouco que se lembraram..."
Aldo Anísio..."Isso aqui é uma universidade para mim..."
Wilton Dedê..."a quem interessava as mentiras?..."
Lívio Ferraz..."Eles não diziam tudo que sabiam porque tinham medo..."
Roberto Osório..."sou um iniciante na pesquisa, mas guardo boas recordações de Sila..."
Afrânio..."estou aprendendo como nunca..."
Pitonho, do Cariri..."todos acabavam tendo algo a esconder..."
Heldemar Garcia..."imaginem uma pessoa que teve a vida de Sila, de repente ser guindada a condição de celebridade..."

A cangaceira Sila em noite calorosa Por:Alfredo Bonessi

Alfredo Bonessi e Wilton Dedê

 Sila mentiu ?

Aderbal Nogueira- principal interessado na abordagem e discussão do tema, proferiu a seguinte pergunta aos presentes e em seguida passou a palavra ao sucessor por ordem das cadeiras:

- peço, por gentileza, a todos os presentes que citem três mentiras ditas por Sila.
 Aderbal Nogueira, Antônio Tomaz e George "Seixas"
  
O microfone passou de mão em mão até o Professor, Estudante, Pesquisador e Membro Fundador do GECC – Alfredo Bonessi- o qual proferiu as seguintes palavras:

- nenhum personagem daqueles tempos, que restou vivo, volante e cangaceiro, foi capaz de aquilatar as repercussões que o tema cangaço teria futuramente...todos procuraram enfeitar a história do pouco que se lembraram, omitiram seus crimes, os crimes que participaram e os crimes vivenciaram...a idade avançada foi o principal fator capaz de embaralhar as datas dos eventos, fatos e acontecidos citados por esses personagens;

 

- Sila escreveu três livros todos diferentes em conteúdo. Neles se co
nfunde no tempo entre os personagens: irmãos – pai - Zé Bahiano(seu admirador e futuro marido) -Nenê(de Luiz Pedro) e fatos, principalmente com relação a si mesma, a ponto de não saber a data em que nasceu, nem que idade tinha quando seu pai faleceu. Comprovou-se que ela queria mesmo ir para cangaço e esperava por Zé Bahiano . Na verdade apareceu Zé Sereno, tendo ela acompanhado esse cangaceiro sem saber do destino de Zé Bahiano. Ele já havia morrido meses antes.

 

-no mais é aquilo que já foi dito: Sila tinha pouca vivência no Cangaço, sabia muito pouco, era uma simples dona de casa em São Paulo quando, descoberta, virou artista e famosa. A idade avançada e os anos de muito sofrimento fez com que escondesse alguma coisa com medo da justiça, com medo de comprometer outras pessoas e levou para o túmulo pouca coisa que ainda não sabemos.

Por fim, o Estudante e Pesquisador Ângelo Osmiro apresentou o resultado de um trabalho seu sobre os livros escritos por Sila, comparando-os a luz de datas, fatos e acontecidos em que todos os presentes puderam realmente ficar a par das discrepâncias acontecidas, mais de uma dezena de equívocos, contradições, omissões donde se concluiu que Sila estava perdida no tempo e no espaço quando ditou a obra para os escritores que escreveram o que quiseram sobre ela. Sila mesmo em vida confessou que nem ela tinha lido os livros e não sabia o que tinham escrito sobre a vida dela.

Haroldo Felinto, Edilson, Cel. Gutemberg e Ângelo Osmiro

Por fim, concluímos, que ainda temos muito que pesquisar e estudar, eliminando e deixando de lado aqueles escritores fantasiosos e destituídos de vontade de buscar a verdade. O cangaço é um mistério que se acabou com Lampião em 28 de julho de 1938 – só ele poderia nos dizer o porque de tudo aquilo, o porque da violência, o porque de ser cangaceiro, o porque do orgulho, da prepotência, da arrogância com relação aos demais pobres sertanejos, trabalhadores, sofredores, que se não bastasse a região hostil, as intempéries, as doenças, as secas, ainda sofriam nas mãos dos seus algozes: volantes e cangaceiros.

Somente o tempo poderá nos indicar as veredas culturais de raízes históricas em que se possa encontra os motivos, as razões para tanta violência, desamor, crimes de todas as formas, ganância, cuja verdade absoluta jaz no interior dos túmulos daqueles que se debateram naqueles tempos, com dor, sofrimento e sangramentos de ambos os lados. Se tudo isso valeu a pena, a resposta está com eles.

Alfredo Bonessi - Professor – SBEC - GECC

Seu olhar não conta mais histórias...Sila Por:Aderbal Nogueira

Severo, segue um clip que fiz para Sila no lançamento de seu último livro, feito pelo Prof. Daniel Lins. Uma homenagem singela a quem tanto, na minha modesta opinião, fez pela história, muito embora o que ela disse não represente nada para muitos, pois afinal de contas "ela só mentiu". A música colocada no vídeo é uma versão de Renato Russo que ela, Sila, passava horas ouvindo durante sua última estada em Fortaleza. Espero que não digam que é mentira, pois uma ex-cangaceira ouvindo Legião Urbana? Cangaceira escuta é Xaxado, Forró, Sertaneja. Música Pop não é musica de cangaceiro.



Aderbal Nogueira

NOTA CARIRI CANGAÇO: Sila será a personagem principal do próximo encontro Cariri Cangaço - GECC, no dia 06 de dezembro de 2011, no espaço Raquel de Queiroz, da Livraria Saraiva do Shopping Iguatemi em Fortaleza, a partir das 19 horas, você é nosso convidado.

Sila...e seu afilhado "macaco" Por:Alfredo Bonessi

Capitão Alfredo Bonessi

Quando vi Sila pela primeira fez,   fiquei um bom tempo olhando para ela. Ela me mostrou uma foto quando ainda era jovem, no tempo do Cangaço. Olhei atentamente a fotografia e disse a ela: a senhora era muito bonita, se eu estivesse por lá roubava a senhora do Zé Sereno. Ela se virou de lado e respondeu: - "ooooooooooóh."

Depois mostrei a ela algumas fotos do bando de Lampião: ela  não soube me dizer quem eram os cangaceiros da fotografia. A impressão que me causou era que escondia algo. Notei um certo nervosismo em  seu comportamento. Aparentando calma e muito desconfiada, falava pouco  e não respondia a quem se dirigia a ela.  Em um jantar em uma churrascaria de Fortaleza, quando o GECC a recepcionou, estava  na mesa mais de 25 pessoas e mais de duzentos ouvintes ao redor de nós, ela ficou todo tempo perto de mim e da minha esposa e após a janta,  quando roncou o fole de  uma sanfona,  falei:

-vamos dançar madrinha ! Ela me respondeu na bucha e secamente: -vá dançar com a tua mulher ! Foi o que eu fiz.

Outros encontros se sucederam na mesma semana. Quando eu chegava e pedia a benção a ela:

-benção, madrinha ! Ela respondia: -jamais pensei que fosse ter um afiliado macaco.

Em uma viagem cultural a cidade de Maranguape-Ceará, quando ela foi recepcionada pela população em um ginásio de esportes, onde havia mais de trezentos espectadores,  ela queria falar e não podia, a platéia  não fazia silêncio,  ela perdeu a calma e falou diretamente a população comprimida   e inquieta que olhava para ela: -que povo mal educado, eu nunca vi um povo tão mal educado que esse!

Alfredo Bonessi e a Caravana Cariri Cangaço



As palavras dela  soaram como um raio -  foi como se dessem uma chicotada na multidão. Um estrondo e um vozerio  tomou conta da platéia. Tomei o microfone da mão da Sila e gritei para ela: -madrinha !  cuidado !  - eles matam a gente aqui !!!!

Pegando da palavra, agradeci a presença de todos, elogiei a população do Ceará e principalmente a de   Maranguape, dei uma ensaboada e passei a palavra para  a Sila. A Secretaria de Educação do Município  se levantou da platéia e veio em minha direção,pouco menos de 3 metros de distancia,  e cochichou para mim: - o senhor falou em boa hora, se não as coisas iam  se complicar aqui, ia ser uma  brigaiada  na certa.

Todas as vezes que eu estive com a Sila  foi o mesmo silencio por parte dela com relação ao cangaço e eu sabendo do sofrimento que ela tinha passado  não perguntei mais nada, mas guardei bem as queixas que ela sempre fazia do marido Zé Sereno, dando a impressão que ela  nunca gostou dele. Também pudera, a menina fora levada de casa com 14 anos de idade,  na marra, segundo ela, mas as vezes a gente tinha a impressão que ela foi a convite dele mesmo,  porque no cangaço se encontravam três irmãos.  Ela alega que se não fosse, o  Zé Sereno podia mata-la, ou tomar uma represália contra a sua família, coisa que eu não acredito. Sila entrou no cangaço porque quis, embarcou na vida cangaceira para uma aventura que nem as outras mocinhas sertanejas de sua época, movidas pela curiosidade em ver aquela  gente armada, com dinheiro no bolso, alegres, festeiro  e prepotentes. Após ser levada por Zé Sereno, já no dia seguinte, foi estuprada por ele em cima de uma pedreira -  começava aí o seu sofrimento.  A mulher foi feita para ser amada, acariciada,  e não para ser  violentada, possuída como um objeto  de prazer – essa foi a vida de Sila ao lado de Zé Sereno, até a morte desse. Daí as suas mágoas e queixas pelo comportamento  bruto e violento da parte dele.

Em dois anos de cangaço Sila  presenciou umas quatro brigadas com a policia, e nesse período por quatro vezes  esteve na presença de Lampião e de Maria – é muito pouco de quem se exige muito para contar. Nem mesmo Zé Sereno revelou a ela os segredos do cangaço, os coitos, os coiteros, os fazendeiros amigos,   os vaqueiros em que se podia confiar,  mesmo os paradeiros de outros cangaceiros, mesmo porque  Zé Sereno sabia somente aquilo que era para saber, mas o grande segredo de tudo estava com Lampião e os cangaceiros mais velhos como Juriti e Luiz Pedro.

Nos encontros com o bando de Lampião, Sila ficava na  tolda dela a espera pelo marido, algumas vezes Maria do Capitão a chamava para comer na mesma barraca do chefe e saiam as vezes ali por perto para fumar um cigarro. Maria já era veterana no cangaço,  fazia mais de seis anos que acompanhava o capitão, era agarrada com ele, obedecia a ele e  dependia dele para sobreviver no cangaço,  bem diferente de Dada, a outra cangaceira,  que contrariava as ordens de Corisco, alterava os planos feitos pelo marido,  mudava o rumo do deslocamento do grupo, e tomava a frente na luta quando era  necessário. Sila era uma criança quieta,  educada,  tristonha, não sabia nada e o que mais gostava era quando os grupos de cangaceiros  se reuniam ao redor das fogueiras para comerem   carne assada, tomarem  café  e baterem uma prosa alegre e divertida.

Em Angico Sila ficava em sua barraca como tantas vezes ficara em outros lugares. Conversava com alguma mulher de vez em quando e na maioria das vezes esperava pelo marido. No tomava parte nos planos dos cangaceiros,  não falava nada a esse respeito, não sabia nada e assim não podia opinar sobre esse ou aquele assunto ligado ao bando.Via algum cangaceiro  não muito perto, de alguns sabia o nome, de outros  apenas via sem saber quem era e o que fazia, nem para onde ia.

Iniciado o tiroteio na manhã de 28 de julho de 1938, sonolenta se levantou e custou a entender o que estava ocorrendo. Daí saiu correndo em uma direção. Outros vieram atrás dela. Alguns caíram pelo caminho. Ela por fim saiu do cerco e se encontrou com alguns cangaceiros fugitivos. Não sentia as dores dos lanhos  que a caatinga impiedosa rascou em suas pernas e  braços. Estava apavorada, horrorizada e por fim chorou muito as mortes acontecidas daquele dia, como um desabafo de quem passara por  momentos de muita angustia e aflição. 

 Alfredo Bonessi e Ângelo Osmiro



Veio as entregas para as autoridades,  seguiu   destino incerto com o companheiro, e  por fim   rumou  para a cidade  grande,  onde começaria nova vida – nova vida de sofrimento – de dor – de noites mal dormidas, trabalho com  cansaço, a criação dos filhos,  as  brutalidades  por parte  do marido- quase um selvagem, a labuta diária  em uma  capital enorme,  o custo de vida caro e cada vez mais exigente movido pela ganância do ser humano  em ganhar dinheiro custe o que custar, doa em que doer, em cima de quem for. Cila acabara de vir  de um meio  hostil, onde a sede e a fome assolava a natureza de uma maneira geral. No cangaço o maior perigo era cair nas garras das volantes-  ela mesma sabia se defender  das balas da policia  que derrubavam  paus a sua frente, mas vivendo  na cidade grande pouca coisa podia fazer. As noites aflitivas e mal dormidas  eram as mesmas,  a doença dos filhos,  o compromisso de chegar no horário no emprego,  bandidos de toda sorte, sem identificação, desconhecidos, sem uniformes, estavam por todos os lados,   perigos no transito,  nos deslocamentos para o trabalho. Mesmo assim, essa vida louca das grandes cidades era bem melhor que a vida  do cangaço, pelo menos se podia recorrer a algum medico para  tratamento,  podia se viver  com higiene e banhos diários, podia se comer sossegado,  podia se receber o calor e o carinho da família,  tinha-se um lugar para  viver e para morrer e  havia um cemitério para descanso do corpo morto, coisa que na caatinga, quando muito,  poucos felizardos  tinham o direito  de  receber  uma  tosca cruz como indicativo de sua sepultura.

A maioria das respostas dadas por Sila era o silencio  ou então não sei. Bem diferente  de  não conheço, não vi, não vou dizer. Depois de sessenta anos passados,  não se pode exigir que uma senhora idosa e em avançada idade, se lembre daquilo que nunca viu, que fale o que não saiba,  pois  na época de meninice não entendia como se passavam aquelas  coisas, como funcionava  a sistemática do bando, que rumo tomar e como sobreviver naquela vida desgraçada.


Escreveu três livros revolvendo o seu passado agitado e tenebroso – cada um diferente do outro.  Sila era uma linda flor do nosso sertão, que mal amada  e incompreendida,  como tantas outras mulheres sertanejas na época,  veio fazer parte dessa vida atribulada do cangaço, mas  sem perder a beleza  e a sensualidade, coisa que para cangaceiro isso pouca importância  tinha -   morreu  de velha, na cama, quando muitas de suas amigas cangaceiras  foram  mortas  a tiros, apunhaladas, mortas a pauladas,  executadas na maioria das vezes pelos próprios cangaceiros.

Quando se lembrarem da Sila, por favor se lembre dela  com muito amor, com muito carinho, como muitas alegrias -  pois ela em vida passou bem longe da felicidade.

A Benção Eterna  Minha Querida Madrinha................Do seu  afiliado macaco........
Alfredo Bonessi 
Capitão do Exército Reformado
SBEC - GECC