Coronel Santana e o cabra da Paraíba Por: João Bosco André





Gameleira; árvora frondosa que batiza o povoado da "Gameleria de São Sebastião" berço da Fazenda Serra do Mato em Missão Velha.


A região da Serra do Mato e a Fonte da Pendência, redutos intransponíveis no município de Missão Velha; do poderoso coronel Antonio Joaquim de Santana, se configurou ao longo de quase duas décadas, como ponto obrigatório de passagem e parada de grupos cangaceiros da época. Antônio Silvino e Virgulino Ferreira tinham no coronel Santana base sólida de apoio a suas empreitadas cangaceiras.
 
Houve época em que o coronel Santana mantinha em seu reduto mais de 180 homens em armas, a seu serviço e ordem. O poderoso potentado da Serra Mato, tinha ainda um de seus filhos; Doutor Juvêncio Santana; o Secretário de Justiça do Estado.
 
Um caso curioso aconteceu por aquelas bandas da Serra do Mato: Certo dia apareceu na fazenda do coronel Santana, um determinado sertanejo em busca de morada e trabalho. O cabra vinha com recomendações da Paraíba. Conversa vai e conversa vem, o coronel Santana perguntou se o homem tinha família, ao que o mesmo respondeu que sim, uma esposa e duas filhas adolescentes. Ato contínuo foi aceito na fazenda, iria buscar a família enquanto era construído seu “barraco” por ali mesmo perto da Serra do Mato.
 
O contratado já estava na labuta há alguns meses e uma determinada ocasião foi chamado pelo coronel Santana. Nova conversa e lhes perguntou pela família, o homem respondeu que estavam todos bem, daí o coronel deu a ordem para que ele e sua mulher saíssem para passear no domingo próximo e que deixassem as duas filhas em casa e com uma rede armada, que ele iria fazer uma “visita”.
 
O sertanejo já alertado da fama de “Don Juan” do poderoso mandatário da Missão Velha saiu em direção a sua casa e planejou a forma de se sair da empreitada. Foi até Porteiras e teve com o coronel Raimundo Cardoso, explicou a situação difícil em que se encontrava e pediu abrigo para si e sua família. Foi aceito.

 coronel Antônio Joaquim de Santana
 
Na véspera da visita indesejável do coronel Santana, o sertanejo arrumou as poucas coisas de casa e mandou a mulher e as filhas para a proteção do coronel Cardoso. Chegou o domingo e logo pela manhã apeia de frente a sua choupana o chefe do lugar. Coronel Santana havia ido sozinho, desmontou, entrou na casa e sentou na beirada da rede já chamando pelas filhas do vaqueiro; em resposta teve a papo-amarelo do insultado paraibano ferindo sua fronte, naquele momento o cabra da Paraíba só não disse que o homem era santo... Sem coragem para atirar, acabou enxotando o poderoso coronel com seu cavalo sem direito a nem olhar para trás.
 
Não é preciso nem dizer que depois do episódio, o cabra partiu mais do que ligeiro para a proteção do coronel Cardoso de Porteiras, em poucos minutos sua antiga casa tava cercada pelo exercito de Santana, comandados pelo  seu compadre e cangaceiro José Januário Moreira, mas, já não o encontraram.
 
O mais incrível nesta história é que não houve perseguição á família do agregado quando se soube que seu paradeiro era a proteção do coronel Cardoso. Às vezes se sabe exatamente onde o calo aperta...
 
Coisas de nosso cariri.
 
Bosco André – Historiador.

2 comentários:

pedro luís disse...

de parabéns pela iniciativa do blog, de excelente bom gosto, é o resgate de nossas raízes!!!!!!!!!!!!

Mendes e Mendes disse...

Amigo João Bosco André:
Suas histórias são excelentes. Por isso, peço-lhe mais outras assim.
Naqueles tempos já eram difíceis se saber com quem se estava lutando. Imagine nos dias de hoje.
Dei início à leitura consciente que o coronel Santana iria fazer algo de bom para o sertanejo e sua família. Depois foi que eu entendi o que ele pretendia fazer com as filhas do sofrido trabalhador. Um homem da lei, só porque tinha posição e graduação, imaginava que auqelas filhas iriam ser propriedades suas. Mas o sofrido homem teve a idéia de comunicar ao coronel Raimundo Cardoso, para salvar as filhas de um violento estupro praticado por uma autoridade. Que autoridade irresponsável o coronel Santana. Que coisa hein?

José mendes Pereira - Mossoró-Rn.