Horácio Novaes e o coronel Santana

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Magérbio de Lucena em noite de Cariri Cangaço

Estamos acostumados a ouvir as maravilhosas histórias do famoso coronel Santana, da Serra do Mato, através do confrade e amigo, pesquisador e memorialista de mão cheia, Bosco André. Hoje trazemos um pouco mais da "dinâmica e atribulada" atuação desse coronel de barranco, um dos maiores líderes de todo o sertão do início do século XX, só que agora, sob as linhas dos grandes pesquisadores Hilário Lucetti e Magérbio de Lucena em seu fabuloso "O Estado Maior do Cangaço".
  
Pelos idos de 1919, Horácio Novaes, bandido conhecido e temido lá do lado das bandas do Riacho do Navio,  chegava ao cariri cearense e ao município de Porteiras trazido pelo primo Afonso Novaes, comerciante prestigiado em toda região. Apesar de já viver chafurdado no mundo do crime, não passou muito tempo e se tornava delegado em Porteiras. Mas, sina é sina, Horácio Novaes também já começava a arranjar inimigos poderosos também no Ceará, um deles o famoso Chico Chicote, o outro: coronel Santana, da Serra do Mato.


Conta-se que na seca de 1919, muitos dos moradores do cel. Santana, para fugir do flagelo subiam as encostas da serra em busca de alimento e acabavam matando criações; Horácio Novaes, dentro de sua função de homem da lei, perseguiu e prendeu muitos desses moradores do Cel. Santana; que diante do ocorrido não pôde fazer quase nada, no estranho código de então, tudo menos roubar! Mas Horácio conseguiria ali um de seus mais ferrenhos desafetos.

Morava na Serra do  Mato como um dos homens de confiança do cel. Santana, um negro destemido e perverso, Cobra Preta, mas que caiu em desgraça diante do patrão. O cel. Santana então urdiu um plano mirabolante para se ver livre do incômodo serviçal. Tramou a morte do negro com a ajuda de um de seus filhos bastardos, Zé Nicolau, homem também de reconhecida valentia.

Certa noite, Zé Nicolau bateu na porta do rancho onde dormia Cobra Preta, o mesmo indagou de dentro quem estava a chamá-lo. Zé Nicolau falou que era um serviço do cel. Santana que precisava ser feito imediatamente. O negro foi abrindo a porta e foi sendo fuzilado a queima roupa. Imediatamente o cel. Santana espalhou a notícia que Cobra Preta havia sido morto por Horácio Novaes, e como diz a dupla Hilário/Magérbio, "testemunhas não faltaram..." Horácio Novaes novamente teve que fugir para o meio do mato e para a clandestinidade. Cel. Santana de uma tacada só havia se livrado de dois desafetos.

Horácio Novaes passou a esporadicamente andar com o bando de Lampião e em 1926, no mês de agosto,  haveria de protagonizar ao lado de Virgulino, uma das maiores chacinas do cangaço: O assassinato da família de Manoel de Gilo, no conhecido fogo da Tapera, no município de Floresta.

Manoel Severo
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3 comentários:

Marcos Assunção disse...

A trama urdida por Horócio Novaes contra a família Gilo foi absurda, fazendo vítimas pela mão de Lampião toda uma família inocente. A tragédia da Tapera é um dos episódios mais violentos e covardes do cangaço, tal qual o Horácio Novaes.

Assunção

Anônimo disse...

Severo, O Estado Maior do Cangaço é sem dúvidas nenhuma um dos maiores livros sobre o cangaço, fruto do trabalho incansável do grande e inesquecível Hilário Lucetti, um garimpador da história e o Cariri Cangaço foi pródigo em lhes homenagear por ocasião do primeiro seminário.

Abraços a grande Magérbio de Lucena, parceiro de Hilário e outro monstro sagrado da pesquisa e estudo do cangaço.

Dr. Pedro Brito
Crateús

Xico Turco disse...

Esse texto vem agregar ao texto escrito pelo professor Lemuel. É facil notar a grande ligações de bandidos e foras da lei com os coronéis da velha república, o cel, Santana de barbalha é u dos casos mais notórios, sem falar do poderoso major Zé Inácio do Barro, que teve papel preponderante na formação de muitos bandos cangaceiros, haja visto o proprio Sebastião Pereira e Luiz padre.

Abraços

XICO TURCO