Um olhar sobre Angico Parte I Por:Alfredo Bonessi

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Pesquisador Alfredo Bonessi em sua palestra durante o Cariri Cangaço 2010

Ainda hoje a gente sente o calor do fogo que aqui se deu naquela manhã de 28 de julho de 1938. No entardecer do dia 27 de julho de 1938 , na grota de Angicos, Pedro chega com a mercadoria encomendada por Lampião. Lampião está triste, acabrunhado, esquisito. Tinha recebido notícias que a Força tinha saído ao encalço dele pras bandas do Moxotó. Já é noite e Lampião corta uma melancia e distribui entre Maria Bonita e Sila e após isso elas vão conversar em cima de uma pedra existente na subida do barranco, oposto a gruta, de frente a barraca de Lampião.

Maria se queixa de Lampião, da vida que leva, quer ir embora, largar a vida, mas Lampião não quer. Estavam de brigas, tinham discutido muito. Maria tinha cortado os cabelos. Daí Sila vê algumas luzinhas no alto do morro e pergunta a Maria o que é aquilo, aquelas luzinhas açula ? Ela triste e pensativa responde que é vaga-lume. E só podia ser mesmo, porque naquela hora a volante estava com Joca, o delator, bem distante dali. Maria ainda fala que não tem medo da volante de Alagoas, porque possui nela um parente. Sila diz que não tem medo da volante Sergipana, mas não explica por que. Separam -se cada uma vai para a sua barraca.

Anos depois, Zé Sereno, marido de Sila, afirma que naquela noite derradeira Lampião e Pedro conversaram dentro do mato, sozinhos até as 23 horas. Durval confirma isso. Pedro vai para casa, atravessa o rio de canoa. Chega em casa e pouco depois chega a polícia para buscá-lo. Ele diz que não pode ir. Teve tempo suficiente para pegar a canoa e atravessar de volta para o coito dos cangaceiros, ou mesmo avisar o irmão para que avisasse Lampião. Mas fica em casa, espera. A vida de Lampião está com as horas contadas. Minutos depois a polícia retorna, daí ele segue por terra com o Cabo Bida até onde está a volante. Chegando lá o Tenente Bezerra põe a mão no ombro dele e avisa: eu vim para te matar se você não me der conta dos cangaceiros. Pedro pensa um pouco e entrega tudo, mas não dá a certeza se os homens ainda estão lá na grota – precisa salvar a sua vida - e, temendo que o irmão esteja entre os cangaceiros e possa ser morto pela polícia, indica a polícia o irmão que está do outro lado e para lá seguem. Chegando lá avisa o irmão para que entregue tudo, porque está preso. Durval sem pestanejar confirma: estão lá sim, acabei de chegar de lá e a bem pouco eles estavam aqui pegando bebida. O fim de Lampião estava traçado.

O que não encaixa na história relatada posteriormente por Durval era que o irmão estava com a camisa ensangüentada da ponta do punhal de João Bezerra, ou mesmo com as unhas arrancadas.

Esse relato é para minimizar uma possível ação posterior de vingança dos cangaceiros contra eles. Sabe-se que o Aspirante Ferreira queria matar logo Pedro, coisa que o Tenente Bezerra não deixou. Lógico, era uma estratégia policial para fazer com que ele desse no bico, pois os mortos não falam e Pedro morto não valia nada para a operação e a missão fracassaria. Depois foi a vez de Durval ser amedrontado. Segundo ele, o Aspirante deu uma tapa no lado do seu rosto que ele caiu no terreiro. Em outro depoimento diz que foi apenas empurrões e que o Aspirante queria logo matar a ambos no que João Bezerra saiu em defesa deles, em proteção. Cenas de artistas primários em picadeiros de circo das periferias. Por fim, com os objetivos traçados e a força avisada com quem iria brigar, começam a subir o leito do riacho. Daí o Tenente Bezerra acende uma lanterna e foca a tropa que em coluna avançava, dá um sorriso e pensa consigo mesmo: quantos daí vão morrer ? ora para quem vai enfrentar um número de cangaceiros superior ao número de seus comandados, e ainda em um terreno desconhecido, a noite, sem saber onde estavam os inimigos e acender uma lanterna é uma atitude reprovável, criminosa, leviana, e inexplicável. Estaria avisando a alguém ? Se a força estivesse em campo aberto o foco da lanterna poderia ser visto a mais de um quilometro de distância, e uma saraivada de balas cairia sobre todos e a maioria morreria naquele momento ou ficaria ferida.

Outro fato acontecido nesse momento que foi relatado e hoje está escrito como verdadeiro é que o Aspirante estava bêbado, aponto de não parar em pé. Ora, para quem desce o Rio São Francisco a noite, nas corredeiras, em três canoas amarradas, podendo a qualquer momento bater em uma pedra e ir ao fundo, estar bêbado e equipado é muito contar com a sorte – é ser negligente demais, ou aventureiro mesmo, aqueles das historinhas de gibis. Outro detalhe tido como verdadeiro: o Aspirante estava tão bêbado que não podia levar a metralhadora e deu a arma a um estranho para levá-la. Ora, dar a metralhadora para um paisano desconhecido, para levá-la, sabendo que ele poderia manobrar a arma e matar muita gente ali presente é demais para quem vai atacar um inimigo naquelas horas da madrugada. O fato que bêbado ou não, foi o Aspirante e sua turma que deram fim ao Rei do Cangaço.



Ainda, para esse momento, e poucas horas antes, o mesmo depoente afirma categoricamente que o Tenente que vai atacar Lampião tinha, ao entardecer, mandado pelo seu irmão, um saco de balas para Lampião. Não cola, não fecha. Não existe explicação enviar um saco de balas para quem você vai atacar horas depois, mesmo porque o Tenente não estava em Piranhas, estava em Pedra, e Pedro comprou as mercadorias em Piranhas. Nessa cidadezinha estavam acantonadas as volantes de Odilon Flor, da Bahia, e talvez a volante de Bezouro, também da Bahia. Se o Oficial Comandante estivesse corrompido não iria atacar Lampião naquela madrugada – atacaria no dia seguinte, em plena luz do dia, para ser visto, ou então mandaria uma aviso por algum informante a Lampião.

Entre tantas contradições há uma: que o Tenente não conhecia Lampião, foi conhecê-lo após a morte do cangaceiro, quando o mesmo já estava de cabeça cortada. Puro engano. Ambos eram conhecidos de muito tempo quando o Tenente, por ser agiota, estava afastado da corporação, e então se misturou ao grupo de todo o tipo de gente, caçadores, bandidos, cangaceiros e jogadores, daí então que aprendeu as manhas de lidar com a gente do sertão, incluindo aí os cangaceiros. Afirmam testemunhas que o Tenente Bezerra jogou baralho com Lampião – eu acredito nisso. Tanto é, que após a morte de Lampião, se embalando em uma rede no oitão da casa da fazenda do Tenente Zé Rufino, esse falou a aquele: como é rapaz, você foi matar o seu amigo ? – a que o Tenente respondera: é, foi o jeito ! – quem viu, testemunhou e está escrito.

Outra história bem verídica dessa amizade é sobre o cachorro de Lampião que aprisionado em combate pela força de Zé Rufino e entregue ao Tenente Bezerra em Piranhas, sessenta dias depois o animal estava na posse de Lampião. Essa amizade antiga, esse conhecimento da vida cangaceira, a troca de informações entre vários informantes, a atitude, o comportamento proposital aos olhos de todos, dando a impressão de apatia, desinteresse, de ser conivente, frouxo, tanto da parte dele como do Sargento Aniceto é que concorreu sobremaneira para o aniquilamento de Lampião, porque com certeza Lampião sabia muito bem do temperamento de seu oponente e com isso negligenciou a segurança do grupo e dele mesmo. Facilitou e pagou caro por isso.


Outra questão a ser comentada é com relação ao bando de Corisco. Lampião chegara na grota no dia 20 ou 21 de julho. Convocou todo o pessoal para uma reunião. Estava na posse de uma fortuna , algo em torno de mais de R$ 750 mil reais em jóias (estimativas ao dia de hoje), cinco quilos de ouro,segundo alguns - mas para encher duas bacias de rosto de jóias dão mais ou menos 2,5 quilos de ouro e não cinco. Somente se fosse ouro em barra, aí se poderia estimar esse peso de cinco quilos – analisando por esse lado, esse valor cairia para 350 mil reais. Em dinheiro sim, supomos, sem nenhuma informação, que Lampião estivesse com valores bem acima de 500 contos de réis, valores que daria para adquirir hoje, 10 automóveis, segundo uns, ao preço de 50 contos de réis um automóvel, outros dizem que não, um automóvel custava na época 8 contos de réis. Outros calculam a correspondência entre as moedas: pega-se o conto de réis e divide-se por quatro, tem-se o valor em reais aos dias de hoje. O fato que uma fortuna estava na posse de Lampião naquela ocasião. Maria Bonita possuía 160 contos de réis, daria para comprar quatro fazendas. Luiz Pedro estava com 360 contos de réis (estimativa), fora as jóias, daria para comprar nove fazendas, sem contar os outros cangaceiros que foram mortos, e mais ainda, aqueles que largaram tudo nas toldas e correram, abandonando o local. Era muito dinheiro.

A volante se apossou de tudo e ninguém soube o destino em que foi parar essa fortuna.

Depois da refrega, quem seria doido de buscar explicações com o pessoal da volante sobre o paradeiro dessa riqueza em um tempo em que a polícia fazia o que bem queria e um soldado da polícia mandava mais no sertanejo que um Senador Romano no tempo de Júlio César ? Esses comentários que foi o dinheiro que matou Lampião surgiu agora na década de 60 e somente foi cogitado no século XXI quando os componentes da volante já não existiam mais.

Continua...

Alfredo Bonessi
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10 comentários:

ADERBAL NOGUEIRA disse...

Parabéns, inabalável amigo Bonessi! Gostaria apenas de ressaltar que faço trihas há vários anos e o amigo, como militar de selva, sabe que uma luz, por mais fraca que seja, pode ser vista a centenas de metros dependendo das condições da vegetação. Em competições de longa distância usamos lanternas para achar um ponto perdido na mata; já chegamos a ver equipes concorrentes a quilômetros de distância. Lanternas pequenas dessas que se usam em capacetes. Não estou aqui defendendo a Sila, como pode parecer, de forma alguma, pois sou muito lúcido em minhas afirmações. Como o próprio amigo Bonessi falou, será que não era um aviso que se estava dando, afinal de contas 800 metros de distância é uma distância muito pequena, não vale nada, qualquer um que seja acostumado a andar no mato - Alcino, João, Jairo - sabe que o que estou dizendo é a pura verdade. Acenda uma pequena lanterna à noite a centenas de metros de Piranhas rio abaixo, que alguém, com olhar atento irá vê-la.

Aderbal Nogueira

Helio disse...

Senhor Alfredo Bonessi, mais uma vez lhe parabenizo por nos trazer mais e mais reflexões sobre o Angico. Também como Aderbal gostaria de lhe comentar: Com relação ao dinheiro; é sabido que a fortuna dos cangaceiros era; mais do que os casos de vingança; o principal motivador para as volantes, assim com certeza o senhor tem razão, aquela fortuna toda já estava sendo visada e quando aconteceu a morte dos cangaceiros, deve ter sido um "Deus nos acuda" inclusive com o próprio Luiz Pedro indo em busca da "botija" de seu antigo chefe e amigo...Virgulino

Abração

Professor Mario Hélio

Anônimo disse...

Era de se estranhar se não fosse assim, ainda mais ninguém melhor que os "próprios comandantes de volantes" ´para saber o tamanho da fortuna dos celerados, uma vez que "faziam negócios e mais negócios" com os chefes cangaceiros. parabens Alfredo Bonessi por trazer todas essas afirmações que muitos não o fazem.

Marcelo Freira
Lima Campos CE

ENGENHEIRO GMARLON disse...

Senhor Alfredo Bonessi, a questão da corrupção oficial novamente vem a tona, como nos dias de hoje, também no sertão de lampião, era a moeda que valia.

SDS

Marlon Ferreira

Manoel Severo disse...

EMAIL RECEBIDO

Mensagem original
De: Xico Turco Gregório < xicoturco@gmail.com >
Para: manoelsevero@bol.com.br
Assunto: Matéria Blog Cariri Cangaço
Enviada: 18/11/2010 16:10


Caro Manoel Severo

Não consegui postar comentário em seu prestigiado Blog, assim peço a permissaõ de enviar email pessoal.

Sobre o ataque da polícia em Angico. Não sou historiador, mas como natural de Aracaju e filho de oficial da polícia militar de Sergipe, já na reserva, me acostumei a ouvir várias conversas e histórias sobre Angico. Gostei por demais da entrevista do senhor Alfredo, aqui podemos ver o papel especial dospoliciais que dedicaram sua vida e sua carreira para acabar com o banditismo no sertão, Cresci ouvindo sobre o Aspirante Ferreira de Melo, um grande responsável pela morte de Lampião e que é muitas vezes esquecido, inclusive com a inverdade de que estaria totalmente bêbedo.

Ressalto o importante papel que o seu site do Cariri Cangaço está desenvolvendo para o engrandecimento da historia do Cangaço.

receba meus cumprimentos.

Francisco Julião Gregório
Aracaju
SERGIPE

Lima Verde disse...

A polícia de Sergipe na verdade sempre teve que enfrentar muitas difilculdades com o Rei do Cangaço porque era também o Rei de Sergipe, como não entander que Lampião mandava e desmandava em Sergipe por suas ligações com Antonio Caixeiro e Eronildes, já a polícia de Alagoas sob o comando de Loreto teve sim papel fundamental no encalço de Lampião e sua morte. O tenente João Bezerra foi obrigado a ir atras de Lampião de qualquer jeito e aí concordo com o comentario acima de Francisco Gregório, ASPIRANTE FERREIRA DE MELO foi o grande responsavel por aquela empreitada.

Fernando Cesar L Verde

Anônimo disse...

Parabenizo ao amigo Bonessi pelo texto. Peço licença aos amigos do blog para fazer um breve comentário.
Angico, julho de 1938, Sila teria visto uma luz piscando ao longe, seriam as volantes se aproximando, essa história correu mundo, através de livros e inumeras entrevistas dada pela ex-cangaceira. Levando-se em conta depoimentos de outros participantes do referido epsódio, cronologicamente isso seria impossivel. O Sr. Durval Rosa em depoimento declarou que a volante chegou a sua casa por volta de uma hora da manhã, foi interrogado e junto com Pedro de Candido, seu irmão, seguiram para o Angico. Para que Sila e Maria pudessem ver a luz piscando (sendo da volante) elas precisariam está de conversa na pedra entre duas e três da madrugada. Para inviabilar mais ainda essa possivel conversa temos o depoimento de Durval (mais uma vez):"o percurso foi feito sob intensa chuva" (Juazrez Conrado, A Última Semana de Lampião), João Bezerra em "Como dei cabo de Lampião" diz: "chovia torrencialmente, com relâmpagos e trovão", é pouco provável alguém ficar conversando (e fumando) ao relento sob intensa chuva. E por fim no livro do paulista Antônio Amaury "Assim Morreu Lampião": "seriam mais ou menos nove horas da noite quando desceram das pedras". Há essa hora a volante ainda estava muito distante de Angico.
Não quero com isso inviabilizar todos os depoimentos prestados pela ex-cangaceira Sila, mas como pesquisador tenho o direito de não considerar essas declarações prestadas por ela convicentes (no caso especifico). A essa conclusão cheguei como se percebe cruzando vários depoimentos, os quais usei alguns aqui. Assim como não creio na história do furo de agulha na bebida, contada por Zé Sereno, mas isso é outra história.

Angelo Osmiro
Fortaleza-CE

Anônimo disse...

Francamente, vendo as colocações do professor Angelo Osmiro, nos vem a confirmação do próprio texto do Alfredo Bonessi: Não se pode levar a sério o depoimento de muitos remanescentes da época do cangaço, daí se faz necessário o que Angelo fez, comparar vários depoimentos. Parabens ao professor Angelo Osmiro e ao pesquisador Bonessi, vcs da SBEC estão prestando um grande serviço a história do nosso nordeste.

Damiana Feitosa
Inhamuns do Ceará

ADERBAL NOGUEIRA disse...

Concordo com o amigo Ângelo quando ele fala da diferença de horários em que Sila disse ver a luz e a hora em que se diz que João Bezerra subiu em direção à grota. Porém, quanto a João Bezerra afirmar que havia um forte temporal, afirmo sem medo de errar que é pura mentira de João Bezerra. É fácil comprovar, em um local como aquele, um grotão de serra em 5 minutos de chuva forte é impossível alguém dormir ali dentro, pois em minutos o riacho está intransponível. Quem mora na região sabe disso. Aí já concordo com o meu amigo Alcino, quando ele diz que os Cangaceiros dormiam bem mais para cima, mais ou menos onde hoje a gente desce para o riacho, próximo àquela árvore. Acho que nós ainda estamos devendo a nós mesmos uma mesa redonda sobre o tema Angico. Aderbal Nogueira

José Mendes Pereira disse...

Maria Bonita não só estava cansada da vida que levava, como já havia adquirido o medo de viver embrenhada as matas, sabendo que a qualquer hora poderia ser morta pelas volantes. Em relação às conversas mantidas por Pedro e Lampião dentro da mata, eu suponho que o interesse de Pedro era para saber se Lampião iria passar mais alguns dias na grota, ou se já estava de bagagem pronta para partir para outro lugar. É quase certo que Pedro já vinha sendo pressionado pela volante de João Bezerra, e, temendo ser executado, que na época um policial ditava as regras, foi obrigado a delatar o lugar onde os asseclas se encontravam. Lampião que não tinha maldade no seu coiteiro caiu na malha fina preparada por ele. Quanto à suposta entrega de balas feita pelo tenente João Bezerra a Lampião, não há como eu acreditar, pois é muito difícil um perseguidor fazer venda de munições ao seu perseguido, e em seguida ir atacá-lo. Eu não duvido que alguns policiais desprovidos de patentes, e que não participavam das perseguições aos bandidos, tenham feito vendas de balas a Lampião, pois na época do cangaço não era necessário se apresentar documentos, e também quem guardava as avantajadas caixas de balas eram eles. Quanto ao cachorro de Lampião que fora pego em combate pela volante de Zé Rufino, e posteriormente entregue ao Tenente João Bezerra lá em Piranhas, e sessenta dias depois o animal estava na companhia do seu dono, é possível que ao darem liberdade a ele, isto é, o soltado, achando que ele ficaria na residência de João Bezerra, o animal tomou rumo às caatingas à procura de Lampião, que não é coisa difícil para cão sair em busca do seu dono. Em relação a não presença de Corisco ao coito, eu busco resposta para isso. Alcindo diz em (... – Mentiras e Mistérios de Angicos): “-Uma estranha versão conta que nos últimos dias que antecederam o cerco na Grota de Angico, os famosos José Lucena e Aniceto Rodrigues foram até o coito, com a finalidade de acertarem algo que poderia mudar os caminhos do banditismo com o falado Diabo Loiro”. Continua: “-É esta visita misteriosa, um dos grandes segredos que cercam os fatos de Angico”. Teria sido Corisco um dos traidores de Lampião, entregando o rei aos famosos José Lucena e Aniceto Rodrigues, já que eles foram ao seu coito com a finalidade de acertarem algo que poderia mudar os caminhos do banditismo? Quando aconteceu a chacina que levou o rei, Maria Bonita e mais nove cangaceiros, Corisco e seus asseclas se encontravam acoitados entre as fazendas de nomes: Coidado e Emendadas. Será que Corisco não foi para o acampamento quando aconteceu o ataque aos bandidos, porque sabia o dia em que seria feita a chacina, uma vez que a volante não iria ter tempo de escolher quem morreria e quem ficaria vivo? E aí, leitor?
José Mendes Pereira – Mossoró-Rn.